terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Fátima

Relativamente ao falecimento da Irmã Lúcia, e ao debate sobre o fenómeno das aparições de Fátima que voltou a estar na berra, aqui ficam os esclarecimentos dados pelas instituições bahaiis sobre este assunto.

Sobre a validade das visões, uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi:
Existe uma diferença fundamental entre a Revelação Divina, conforme é transmitida por Deus aos Profetas, e as experiências espirituais e visões que indivíduos possam ter. Esta última não deve, sob qualquer circunstância, ser considerada como constituindo um fonte de orientação infalível, nem mesmo para a pessoa que a experimenta.[1]
Além disso, a Casa Universal de Justiça também já respondeu a vários crentes que colocaram questões semelhantes sobre este tipo de fenómenos:
Se por um lado estas descrições, tais como as experiências reportadas em Garabandal [2] e Fátima, podem ser interessantes e despertar a curiosidade de uma pessoa, por outro não temos formas de verificar a veracidade destas experiências. Shoghi Effendi advertiu, nas suas cartas, os amigos que lhe perguntaram sobre poderes psíquicos que nós não percebemos a natureza destes fenómenos, que não temos forma de saber o que é verdade e o que é falso, que pouco se sabe sobre a mente e a sua forma de trabalhar, e que devemos evitar dar uma consideração indevida a estes assuntos. Deus, sem dúvida, tem muitos e diferentes métodos para despertar a humanidade para o significado deste dia, mas os Bahá'ís, tendo reconhecido Bahá'u'lláh, devem trabalhar à luz da Sua Revelação e não dispersar as suas energias em especulações infrutíferas sobre fenómenos como os de Garabandal.[3]
Ainda sobre o fenómeno de Fátima, a Casa Universal de Justiça também escreveu:
... relativamente à visão de Fátima, qualquer pessoa pode fazer a sua própria interpretação, e é livre de escrever sobre isso, desde que não associe os seus pontos de vista às escrituras Bahá'ís. Nada se encontrou nestas escrituras relativamente às visões de Fátima ou àquilo que é referido como o "documento de Fátima".[4]

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NOTAS
[1] - Carta escrita pelo secretário de Shoghi Effendi, em 1 de Novembro de 1940.
[2] - San Sebastian de Garabandal é uma aldeia espanhola, próximo de Santander, onde, em 1961, quatro meninas afirmaram ter tido uma série de visões de São Miguel Arcanjo e da Virgem Maria.
[3] - Carta da Casa Universal de Justiça, 3 de Julho de 1984.
[4] - Carta da Casa Universal de Justiça, 2 de Outubro de 1981

4 comentários:

Santos Passos disse...

Mas o que você, Marco, pensa a respeito das aparições de Fátima.

Marco disse...

Eu não acredito nas aparições. Admito que tenha ocorrido alguma experiência mística naquele lugar; mas trata-se de uma experiência pessoal, que não pode ser encarada como um substituto dos ensinamentos do Cristianismo, conforme revelados por Jesus Cristo.
Este tipo de experiências também ocorre noutras religiões.

Elfo disse...

Também quando tinha a idade do Francisco fiz parte dos Cruzados de Fátima e também andei com uma corda com nós atada à cintura, até o meu pai descobrir e ameaçar dar-me com ela nas costas... foi remédio santo. No entanto, acreditei piamente naquela história, e, acredito que os "videntes" Jacinta e Francisco acreditaram naquilo que julgaram ter visto. Hoje um Pedopsiquiatra resolvia a questão, mas naquele tempo aida não havia dessas modernices. Já quanto à Lúcia de Jesus, a coisa fia mais fino... é que até os relatos mais fidedignos sempre acharam os relatos da rapariguinha um bocado dificeis de engolir, e vai daí enclausuraram-na até à morte, práctica que a Santa Madre Igreja Apostólica e Romana tem adoptado ao longo dos séculos para silenciar "vozes" incómodas. Mas que aquilo foi uma mina de ouro para a Igreja, e não só,lá isso foi.

Elfo disse...

Só uma leve curiosidade. Sabiam que o nome Fátima vem de Fátimi que era filha de... Maomé.

Coisas que a gente esquece, ou não quer lembrar, é que os muçulmanos estiveram em Portugal, ou naquilo que hoje é Portugal, cerca de oitocentos anos. Ainda hoje muitos de nós temos raízes árabes, aqui em Portugal, o único País da Europa em que os dias são contados à maneira árabe.