quarta-feira, 13 de julho de 2005

Londres, Netanya e Bagdade

Quase uma semana após os atentados no Metro de Londres, e ainda sob efeito de alguma histeria mediática (deu-se grande relevo a uma evacuação do Metro de Varsóvia e a uma bomba no País Basco), quase passou despercebido o que aconteceu hoje a dezenas de crianças em Bagdade (ver BBC e Diário Digital) e ontem à entrada de um centro comercial em Netanya (ver BBC e TSF).

Ignoro os critérios com que os media ordenam e apresentam as notícias. É verdade que existem factores comerciais que condicionam esses critérios; mas gostava de ver um pouco mais coerência. Os atentados de ontem em Israel e hoje no Iraque encaixam-se na série de ataques terroristas que, um pouco por todo o mundo, ceifam vidas de civis inocentes. Será que por ocorrerem em países do Médio Oriente estes eventos devem ser tratados como banais?

Foi devido a esta indiferença, esta dualidade de critérios, que o Nuno Guerreiro perguntou: "Hoje somos todos israelitas?"

Não consigo imaginar o que seja a dor de todas as pessoas que nas últimas semanas perderam os seus familiares em actos terroristas um pouco por todo o mundo. Apenas sei que as famílias que sofrem essa dor são famílias como as nossas. Como já escrevi num post anterior, estes actos são um ataque à humanidade. E quando acontecem temos que ser mais do que madrilenos, londrinos, israelitas ou iraquianos. Quando estes ataques ocorrem devemos ser cidadãos do mundo.

8 comentários:

Pitucha disse...

Marco

Escreves post que eu gostaria de ter assinado! É absolutamente verdade aquilo que dizes.
Parabéns.

João Moutinho disse...

"Hoje somos todos israelitas."
Na Europa podemos ser todos berlinenses, londrinos ou madrilenos mas israelitas não me parece.

O terrorismo no Iraque parece já fazer parte do "status quo". É natural que venhamos a senti-lo de forma mais intensa quando está mais perto dos "nossos" e da nossa casa.

F Cirilo disse...

Moutinho,
"Na Europa podemos ser todos berlinenses, londrinos ou madrilenos mas israelitas não me parece."

Por outras palavras, a tua solidariedade não passa para lá do Mediterrâneo. É assim que esperas dar o teu contributo para a tão proclamada "Unidade Mundial" que vocês baha'is defendem?

Elfo disse...

Eu estive na praça de Tianamen e fui um dos que tombaram sob as ordens dos oficiais comunistas de Pequim, eu fui um dos que tombaram sob o fogo israelita e sou dos que cairam num autocarro israelita sob uma bomba palestiniana, eu sou dos que tombaram sob o o fogo "amigo" americano numa varanda de Bagdade e sou um dos que tombaram sob todas as formas de injustiça quer sob o fogo dos senderos luminosos quer sob a bota ferrada dos exercitos legionários e mercenários que actuam um pouco por todo o mundo. Sou uma vítima mortal de todas as opressões dos humanos sobre os humanos. Por mim foram feitos vários minutos de silêncio em todo o mundo, e, em alguns rostos rolaram lágrimas.
Mas o que mais me impressionou foi o rosto da indiferença pela raça humana. Somos os únicos animais que matam por prazer de matar. A nínguém lhes importa quantos mortos foram feitos para satisfazer os apetites de Sadam ou Bush, Staline ou Hitler e outros tantos ditadores dos vários pontos do mundo. Mas onde houver opressão eu estarei entre as vítimas, o meu sangue tem regado a terra desde os tempos de Abel.

Por tudo isso sou Bahá'í!

GH disse...

Elfo,
Só falta falar dos índios e dos africanos. ;-)
Agora a sério: partilho dessa atitude.

O Moutinho é que foi infeliz no que escreveu...

Anónimo disse...

Elfo

Também foste o civil alemão morto por fogo aliado na II Guerra Mundial? Também és o camponês norte-coreano que morre, neste momento, à fome?

Elfo disse...

Mas onde houver opressão injustiça eu estarei entre as vítimas, o meu sangue tem regado a terra desde os tempos de Abel.

Mais te direi amigo, a terra clama com o sangue dos santos mártires e inocentes que têm sido injustiçados em todos os continentes, a palpitar por justiça.

Por isso Bahá'u'lláh diz, nas Palavras Ocultas:" A mais amada de todas as coisas é a Justiça..."

João Moutinho disse...

"Na Europa podemos ser todos berlinenses, londrinos ou madrilenos mas israelitas não me parece."
Tentei colocar um sentimento que penso ser comum aos europeus, não quer dizer que concorde com ele, muito antes pelo contrário.
Afinal de contas foi uma chamada de atenção à forma como muitas vezes (talvez a maioria), nós europeus, encaramos a posição de Israel face ao terrorismo.
Não me lembro (mas pode ser que estja enganado) que algum vez tenhamos feito um minuto de silêncio pelos israelitas mortos em atentados terroristas.
Lembro-me de uma vez ter-me referido ao facto de os israelitas terem dito que só os iríamos entender após termos atentados à porta de casa e "caíram-me em cima" de imediato alguns leitores deste blog e outros.