quarta-feira, 27 de julho de 2005

Recém-licenciado e Desempregado

O problema não é o excesso de licenciados, mas a falta de emprego” são palavras de Leopoldo Guimarães, Reitor da Universidade Nova de Lisboa, publicadas ontem num jornal diário, relativamente ao desemprego de jovens recém licenciados. A serem verdade estas palavras (ainda estou para ver se não foram tiradas do contexto) são tão surpreendentes, quanto preocupantes. Surpreendente, porque parte significativa do desemprego de recém-licenciados tem origem num excesso de vagas disponibilizadas em alguns cursos universitários; preocupante, porque a universidade enquanto polo de desenvolvimento de conhecimento e criação de recursos humanos qualificados deve estar atenta às necessidades do meio em que está inserida.

O que se infere das palavras do Reitor é uma postura estática da universidade em relação ao mercado de trabalho (do tipo “nós produzimos os licenciados e as empresas é que têm de lhes arranjar trabalho; se as empresas não lhes dão trabalho isso é lá problema deles”). Como pode uma universidade viver isolada do mundo empresarial?

Se o mercado não absorve um determinado número de licenciados numa determinada área, então é obrigação da Universidade reduzir a oferta de vagas nesse curso. De igual modo se se verifica carência de licenciados numa outra área, é dever da Universidade aumentar a oferta de vagas nessa área. O que não é correcto é que a Universidade tenha um comportamento autista em relação ao mercado de trabalho e ao mundo empresarial, não assumindo a sua quota de responsabilidade no desemprego de recém licenciados e persista em manter uma oferta de vagas inadequada em alguns cursos.

Na minha opinião, o número de vagas disponibilizadas nos cursos universitários devia ser proporcional às necessidades do mundo do trabalho; essa quantidade de vagas podia ser revista periodicamente (de cinco em cinco, ou de dez em dez anos). Veja-se o caso de cursos como Relações Internacionais e Medicina. Todos sabemos do problema de falta de médicos com que os estabelecimentos de saúde se debatem; e com alguma facilidade encontramos licenciados em Relações Internacionais no desemprego ou em empregos que nada têm a ver com a sua formação. Será que isto é problema do mercado de trabalho? Ou será um sinal de inadequação Universidade às necessidades sociais?

É certo que estamos a viver uma crise económica e que em todos os ramos de actividade é difícil encontrar um emprego. Mas a tão apregoada competitividade e o almejado desenvolvimento económico passa inevitavelmente pela cooperação Universidade-Empresa. Esta cooperação pode estabelecer-se em muitas áreas e assumir muitas formas (não se resume apenas à mera formação de recursos em quantidade e qualidade de acordo com as necessidades das empresas). Mas a persistência na oferta excessiva de vagas numa determinada área é um sintoma de que algo vai mal nas nossas Universidades.

5 comentários:

F Cirilo disse...

Eu apostava que o dito Reitor ao dizer estas coisas está apenas a defender o emprego de alguns professores, mesmo que isso custe anualmente o desemprego de várias centenas de jovens recém-licenciados.

Itelvino Rodriguez disse...

MANIFESTO CONTRA O TGV E O AEROPORTO DA OTA

Portugal vive hoje uma das piores crises económicas dos últimos 30 anos! A economia está a recuar e a taxa de desemprego oficial (7.5%) esconde ainda, muitos mais trabalhadores no desemprego!(550mil) As fábricas, deslocalizam-se impunemente para países onde a mão de obra é mais barata e os trabalhadores portugueses, defronte das opções restantes (fome ou escravidão assalariada), emigram também eles em busca de melhores condições de vida!
Mas aqui há responsabilidades atribuídas! Os sucessivos governos PS, PSD e também CDS/PP tem culpas no cartório! As erradas opções governamentativas que se tomaram ao longo dos anos, contribuíram largamente para a precarização do trabalho e a destruição do sistema produtivo nacional! Em prol e ordem das directivas europeias, cada vez produzimos menos e cada vez mais a riqueza do nosso país decai!
Contrariando todas as expectativas, nas quais declinavam a hipótese deste conselho de ministros ser menos eficiente e produtivo que o anterior. Iniciou o mandato, abriu a desgraça! O governo de Sócrates, avançou desde logo com o aumento do IVA quebrando assim uma promessa eleitoral. Não revogou o código de trabalho (medida ansiosamente esperada) e ainda retirou inúmeros direitos à função pública. Direitos estes, conquistados com muitas lutas e que serviam de referência para futuras metas do sistema privado!
Noutro tom, mas com o mesmo objectivo, Sócrates apresentou a nova "teoria da tanga", reformulada e em diversos actos. Continuando a obsessiva fixação pelo défice, apelou ao povo português, para uma vez mais "apertar o cinto e compreender a situação”: a grave crise que o país está a atravessar!
E quando todo o discurso estava assente na máxima: "É preciso reduzir a receita e aumentar a produtividade", eis que é apresentado o plano prioritário de investimentos, onde figuram estes dois projectos megalómanos:
- TGV
- Aeroporto da OTA
Não se trata de um investimento na produção, inovação ou no combate ao desemprego! São dois projectos ligados aos transportes, de milhares de milhões de euros, completamente dispensáveis em qualquer altura, ainda mais em tempo de crise!

Protesta contra esta hipocrisia!

Apela à defesa do sistema produtivo nacional!

Luta por mais direitos sociais!

SUBSCREVE ESTE MANIFESTO!

http://contratgveota.pt.vu

GH disse...

Ora aqui está um tema que me toca directamente. Às vezes parece que as universidade apenas se preocupam com a quantidade de licenciados que formam, ignorando a utilidade e a validade da formação que lhes dão. Quantos desses licenciados em cursos de humanidades (literaturas, sociologias, jornalismo) têm um canudo que não serve para nada? Eu tive a sorte de encontrar um emprego adequado; mas a maioria dos meus colegas não conseguiu. E que fazem as universidades para corrigir a situação? Lavam as mãos como Pilatos.

João Moutinho disse...

As nossas universidades ainda vivem num mundo corporativista. Lembro-me de ter tido cadeiras em que estas eram feitas de acordo com o professor sabia e não o que os alunos precisavam.
A falta de médicos com que nos debatemos é um exemplo de uma opressão corporativista sobre a restante sociedade.

dhuoda disse...

Concordo plenamente consigo.
É tempo de a Universidade estar atenta ao mundo que a rodeia e às necessidades dos alunos que investem numa formação que, muitas das vezes não vão pôr em práctica. Também é tempo do Governo, na sua vertente do Ministério da Educação, em parceria com as Universidades, aproveitar o que de melhor temos, a nível cognitivo e desenvolver a abertura de lugares paea a investigação.