terça-feira, 18 de abril de 2006

Maria do Carmo Vieira

Maria do Carmo Vieira é uma professora que costuma dar a cara pela melhoria qualitativa do sistema de ensino público. Várias vezes foi entrevistada pela comunicação social, apontando problemas e propondo soluções; a sua imagem suscita simpatia.

Ontem no Jornal da Noite da SIC-Noticias apareceu mais uma vez. Entrevistada por Mário Crespo, a professora apontou problemas relacionados com os programas (referiu exemplos de exercícios caricatos propostos em alguns livros escolares) e com a certificação de manuais escolares (fará sentido que um funcionário do Ministério da Educação possa ser autor de um Manual escolar e simultaneamente membros de uma comissão de certificação desses manuais?).

MCV abordou ainda a falta de conhecimento e de domínio da língua portuguesa que inevitavelmente os programas escolares (e respectivos manuais) acabam por provocar. Na sua geração, um engenheiro ainda conseguia aprender literatura no ensino secundário. Agora dificilmente conseguirá.

Enquanto a entrevista decorria, na legenda apareceu por três vezes a frase: "Avaliação Escolas: Grupo de Professores contesta «testes á americana»".

Não sei se aquele "á" (com acento agudo) foi uma provocaçãozinha da equipa de realização da SIC ou apenas um erro de português do responsável pelas legendas. Mas é triste que numa entrevista onde se debatem os problemas do ensino do português, se deixem passar uma asneira tão elementar como esta.

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LINKS:
Regras de Acentuação
A com acento agudo (á)
A com acento grave (à)
Petição: Pela Dignidade do Ensino

8 comentários:

Elfo disse...

Pois,Marco, esta coisa do ensino anda pelas ruas da amargura. Tive noutro dia uma aluna de Comunicação que até chorou quando lhe disse que não podia imprimir em Word porque é política do Departamento não termos Office, exactamente porque o word já trás incorporado um corrector ortográfico e outro semântico.
A mocinha confessou que tinha muitos problemas na escrita e que dava muitos erros. Pelo que eu li não eram só ortográficos, os semânticos também abundavam ao longo de todo o texto.

GH disse...

Se um dia deste te apanho um erro de português - por insignificante que seja! - nem imaginas o que vou escrever nos comentários!
:-)

Elise disse...

há pouca vontade em aceitar reformas necessárias.

João disse...

Marco eu acho que os acentos vão acabar por desaparecer...o Saramago não liga nenhuma à pontuação e até ganhou um Nobel, por isso não te angusties com essa questão dos acentos Marco. Já quanto a outros aspectos referidos pela professora acho que há razões para angustia (será que angustia tem assento no "u":-)

Gotinha disse...

Só foi pena ela não os ter corrigido em directo... eh eh eh..

Elfo disse...

Meu caro "gh", tenho aqui um colega doutorado que alega que elite leva acento "élite", só que essa palavra não existe.
Também dou erros quando calha, também já os encontrei nas "Intermitências da Morte" do nosso "Nóbél" mais recente. Isso não significa que a língua deixe de ser falada como deve ser.
Num júri de Doutoramento ouvi corrigir o doutorando que estava a apresentar tese de doutoramento, acerca da palavra caracter que se pronuncia, e pelos vistos se escreve como carácter e não caracter. Acontece que essa palavra é um neologismo anglicista porque o caracter "c" antes do "t" abre forçosamente a vogal que lhe antecede, e não precisa de acento na língua inglesa porque estes não usam acentos ao contrário da língua germânica de onde o inglês provém.
Assim sendo o digníssimo membro do júri de Doutoramento ao querer fazer "um bonito" não só humilhou o doutorando como meteu o pé na argola à força toda.
Também o nosso "Nóbél" mete o pé na argola ao pronunciar esta palavra do modo como o faz ao contrário de "Nóbel"- tradução fonética -, pois a palavra não leva qualquer acento.
Mas isto digo eu, que sou analfaburro como dizia o meu Pai que Deus lá tenha muitos anos sem mim.
Isto faz-me lembrar o "Léviosa e não Léviosá" in Joane K. Rowling.
Pois foi, o Saramago deve ter lido o Harry Potter e, não percebeu patavina daquilo. É que a Hermione Granger corrigiu o seu colega de turma em particular, em surdina, e não em voz alta à frente da turma toda, como fez o digníssimo membro do júri.

Anónimo disse...

Esta Maria do Carmo Vieira é uma preguiçosa que tem incitado os professores a não cumprir os programas.
Tem feito figuras ridículas por todo o lado a falar dos manuais como se fossem os programas.
Deve ser mais uma daquelas que dá a aulinha agarrada ao manual, porque pelos vistos nem conhece os programas. Com jeitinho, foi ela quem pôs o acento ao contrário... se encontrou isso nalgum original do Vieira já deve estar a dizer que é isso mesmo...

Castro disse...

O anónimo já fez alguma coisa pela Educação neste país? Se calhar fez asneira, e por isso é que é anónimo.

O anónimo é autor de algum manual?
Imagino que sim.
E para escrever sob anonimato é porque deve ser daqueles Manuais que fazem concorrência ao Inimigo Público ou ao Contra-Informação.