segunda-feira, 30 de outubro de 2006

A propósito do trabalho...

Voltei novamente a programar!

Perceber os algoritmos em torno dos quais os programas estão construídos, assim como as particularidades da linguagem de programação, é algo que exige um esforço intelectual pouco comum noutras actividades profissionais. Com alguma frequência, os programadores deparam-se com problemas aparentemente insolúveis; nessas ocasiões, costumam optar por duas soluções: pedem ajuda ou sugestões de algum colega (quem está fora de um problema tem alguma facilidade em sugerir uma ideia inovadora) ou tentam "arrefecer a cabeça" (i.e., deixam de pensar no problema durante algum tempo e esperam por um momento em que podem abordar novamente o problema com a "cabeça fresca").

Convém lembrar que nem todos os manuais e livros técnicos de informática tem uma resposta imediata para os problemas técnicos que por vezes temos de resolver.

Após a resolução do problema é possível ouvir os programadores a dizer coisas como "Era tão óbvio... Como é que não pensei nisso?!..." ou "Uma coisa tão simples, mesmo à minha frente e eu não vi!". Também há os que reconhecem: "Sozinho não teria sido capaz!” e ainda "Não sabia que se podia resolver as coisas desta maneira!"

Pedir opiniões externas ou afastarmo-nos temporariamente são, no fundo, técnicas usadas por muitas pessoas quando procuram intensamente a solução para um problema e chegam ao que sentem ser num beco sem saída.

Pergunto-me se muitos dos problemas que hoje vivemos enquanto família humana não exigem o mesmo tipo de atitude. Quem se envolve na resolução de problemas ambientais não necessita de se abstrair dos mesmos para procurar soluções inovadoras? E quem tenta amenizar conflitos sociais, políticos ou económicos não tem, por vezes, de se afastar destes para encontrar a resposta para problemas aparentemente irresolúveis?

Alguém acredita que existam livros ou teorias com respostas imediatas para todos os problemas que a humanidade enfrenta hoje?

Se pretendemos deixar um planeta mais tranquilo às gerações futuras, esse esforço de abstracção e distanciamento em relação aos problemas que enfrentamos parecem-me ser um passo necessário na resolução das diversas vertentes da crise global que vivemos.

6 comentários:

João Moutinho disse...

Não me parece ser muito fácil sair do Planeta Azul por uns tempos para depois voltar.

João disse...

Marco, eu até acho que no nosso país essa técnica do distanciamente e abstracção funciona muito bem, tão bem que as mais das vezes não se volta ao problema e ele lá há de morrer por si!

João Moutinho disse...

Eh,eh,eh!
O João está inspirado.

GH disse...

Esta história do distanciamento em relação aos problemas também se põe com alguns ex-presidentes americanos. O Jimmy Carter, por exemplo, sempre foi muito atacado por ser um frágil e hesitante. Mas desde que deixou de ser presidente tem feito um trabalho humanitário elogiado por muita gente. Provavelmente quando era Presidente não conseguia (ou não podia) resolver coisa nenhuma.

GH disse...

A técnica de não mexer nos problemas e deixar que eles se resolvam por si próprios também é usada por muita gente. Nesse aspecto concordo com o João.

pedro disse...

Grande amigo Marco,

Tens toda a razão. Chover no molhado só enrola mais o novelo de lã e torna mas difícil a sua solução.

E fico muito feliz por saber que voltaste ao trabalho.

Abraço,

p