sábado, 9 de dezembro de 2006

A Justiça Portuguesa

"A história recente da justiça portuguesa está cheia de episódios de investigações mal conduzidas, de julgamentos travados por questões processuais, de casos em que a condenação do Estado português em instâncias europeias, por denegação de justiça ou lentidão nas decisões, apenas depende da vontade e motivação de quem se sente lesado em avançar com uma queixa, num último e desesperado recurso para encontrar alguma reparação. Aos olhos do cidadão comum, o sistema é visto como as seguradoras: paga-se o serviço, mas o ideal será nunca vir a precisar dele, porque acontece com frequência arranjarem-se mais problemas do que soluções. E, como detalhe que ilustra de forma cabal o estado doentio de todo o sistema, a figura da prescrição é um termo jurídico que goza de vasta popularidade."

João Cândido Silva, Público, 09-Dezembro-2006

4 comentários:

João Moutinho disse...

"Paga o justo pelo pecador."
Onde já ouvimos isto?
E agora vai ser pior, retira-se um mês de férias aos juízes - antes tinham dois. Era precisamente nesse mês de férias -e que agora foi retirado - que os juízes se debroçavam e resolviam os nossos graves problemas jurídicos.
Tiram-lhes férias e querem que a justiça avance!

Mikolik disse...

Se analizarmos bem a necessidade de uma justiça verdadeira,e no caso juridico, eficaz, percebemos bem a dimensão das palavras de Bahá'u'lláh: - "A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a justiça..."

Embora não creio que Bahá'u'lláh fala-se em termos económicos, mas éticos, ainda assim essas palavras são correctas também a nível económico. Não é possivel encontrar um país desenvolvido e ao mesmo tempo com um mau sistema judicial, pois este influencia practicamente todas as esferas de desenvolvimento, desde o social ao referido económico.

Temos os exemplos claros dos países da Europa de Leste, em particular a Rússia, quiça o país mais rico do mundo (ou lá perto) e ainda assim com um nível de vida médio miserável, essencialmente pela ineficácia do sistema de justiça.

GH disse...

Joao Moutinho,
Então se os juizes tivessem mais férias, resolviam-se os problemas da justiça?

Mikolok
“...que Bahá'u'lláh fala-se em termos económicos,...” ou “...que Bahá'u'lláh falasse em termos económicos,...”?

“...a Rússia, quiça o país mais rico do mundo...” --> Onde é que foste buscar esta ideia? Inventaste ou fazes parte dos saudosos do império soviético?

Mikolik disse...

GH, é melhor não te preocupares com os meus erros ortográficos, senão vais ter muito trabalho pela frente. :-)

Imagina se eu não utilizasse (e agora foi bem?) o corrector do winword antes de publicar os meus comentários. Sabes, eu não sou conhecido pela minha boa escrita. É até um problema de nascença, espero que consiga compensar em outros aspectos. Por outro lado, na escrita, há quem seja melhor na forma, outros são melhores no conteúdo. Enfim, felizmente não preciso de escrever bem para alimentar os meus filhos, se não estava tramado.

Quanto à riqueza da Rússia, achas então que os EUA sejam mais ricos não é? Épa tudo bem, é um facto que há muitos Americanos ricos e que a média de riqueza per capita nos EUA será inigualável, mas em geral a Rússia tem muitos mais recursos naturais, energéticos e porque não considerar até a própria "riqueza" humana. Hoje em dia não sei quem será mais rico, se quem tem mais dinheiro ou quem tem mais recursos energéticos. Isso é tudo discutível, mas posso-te apresentar outro argumento; enquanto a Rússia deverá ser auto-suficiente, os EUA são um autêntico gigante com pés de barro, pois dependem em grande parte de outros países para sobreviverem com os padrões actuais. Enquanto a Rússia tem uma riqueza real, os EUA têm uma riqueza de certa forma fictícia, criada por uma realidade económica que eles próprios controlam... até mais ver!
De resto os Russos não têm actualmente o padrão de vida igual ou superior ao Americano porque viveram 73 anos num sistema sem iniciativa privada. É a minha opinião.

Já agora deixa-me fazer-te uma critica também, preocupa-te menos com os erros dos outros e aproveita essa energia para corrigir os teus. Mas olha, é sempre um prazer "falar" contigo, pena é que não o façamos ao vivo uma vez por outra, gostava mesmo, a sério. :-)