segunda-feira, 26 de março de 2007

Conflitos Religiosos

O texto seguinte apresenta as ideias expostas por Esther Mucznik no debate tema “A Religião no Século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Lembro que se tratam de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente tudo o que foi dito pela vice-presidente da Comunidade Judaica.
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Vou abordar apenas o aspecto dos conflitos religiosos.

Podemos atribuir aos conflitos actuais uma dimensão religiosa?

Podemos culpar o Islão pelos crimes dos terroristas ou o judaísmo pelo assassino de Yitzhak Rabin?

Os autores desses crimes dizem que as suas mãos são movidas por Deus, mas nós, no Ocidente, dizemos que não. Teimamos que não! Pensamos que a religião é uma folha de parra que cobre os verdadeiros problemas (que são políticos, económicos e outros).

Os dirigentes religiosos Ocidentais não se revêem nas origens destes conflitos. A secularização tornou-nos incapazes de conceber ou aceitar o conceito de “Guerra Religiosa”. É algo que parece ter acontecido apenas no passado (as Cruzadas, a Inquisição, a Reforma e a Contra-Reforma, etc). E até parece que nos séculos mais recentes nunca houve guerras religiosas.

Temos que levar a sério os lideres religiosos que afirmam que é Deus que guia os seus actos terroristas. Não adianta procurar nos textos religiosos os motivos deste tipo de comportamentos. Quando lemos os textos estamos a fazer uma escolha (uma interpretação); essa escolha é diferente da que fazem esses lideres religiosos radicais.

Nos actuais conflitos, a novidade é o confronto entre o Ocidente “materialista”, “corrupto” e o Islão radical que pretende estabelecer um califado mundial. Temos hoje conflitos que fazem da religião uma ideologia de combate. A maioria dos dirigentes religiosos no Ocidente pensa que a religião é apenas um pretexto para o conflito; quando assumirem que se trata de uma guerra religiosa talvez se sintam mais responsabilizados para agir; enquanto isso não acontece, vão agindo como se aquilo nada tivesse a ver com eles. Hoje temos guerras de cariz religioso, por muito que isso nos desagrade e custe reconhecer.

O diálogo inter-religioso tem de dar um contributo para a atenuação dos conflitos religiosos.

2 comentários:

filha do administrador disse...

desculpa, mas eu concordo TOTALMENTE com a frase "Os autores desses crimes dizem que as suas mãos são movidas por Deus, .... EU teimO que não! PensO que a religião é uma folha de parra que cobre os verdadeiros problemas (que são políticos, económicos e outros).
"

Kleber Cordeiro disse...

Sugestão de conteúdo sobre guerras:

www.guerras.sabermais.info