quinta-feira, 5 de abril de 2007

Crianças Bahá'ís humilhadas nas escolas iranianas

Os estudantes bahá'ís nas escolas primárias e secundárias no Irão têm vindo a ser alvo de crescentes humilhações e abusos, segundo afirmam relatos chegados daquele país. Durante um período de 30 dias - entre meados de Janeiro e meados de Fevereiro - registaram-se cerca de 150 incidentes.

"Estes novos relatos indicando que os membros mais vulneráveis da comunidade bahá'í iraniana – as crianças e os pré-jovens – estão a ser incomodados, humilhados e, pelo menos num caso, vendados e espancados, é uma notícia extremamente perturbadora", afirmou Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Baha'i junto das Nações Unidas.

"O número crescente de incidentes sugere que se trata de uma escalada grave e vergonhosa da actual perseguição contra os Bahá’ís iranianos. O facto de crianças em idade escolar serem um alvo daqueles que as deviam ter à sua guarda – professores e administradores escolares – apenas torna esta tendência ainda mais sinistra".

Alemanha, 1935: duas crianças judias são humilhadas em plana sala de aula.
A história repete-se hoje no Irão com crianças bahá'ís.

Até agora assistiam-se a casos isolados; mas a quantidade e natureza destes actos ignominiosos permitem concluir que estamos na presença de um esforço concertado. O tipo de abuso a que estas crianças têm sido sujeitas é diversificado:

  • são humilhados em frente aos seus colegas;
  • são obrigados a ouvir insultos contra a sua Fé por parte de professores de religião;
  • é-lhes ensinada história do Irão com base em textos que denigrem, distorcem e falsificam a herança da religião bahá'í (e têm que ter aprovação em testes com esta matéria);
  • são pressionados a converterem-se ao Islão;
  • são ameaçados com expulsão (e em alguns casos essa expulsão concretizou-se);
  • são repetidamente advertidos para não falar da sua religião com os colegas.
Um baha'i informou que na escola da cidade de Kermanshah, uma criança foi exposta perante a sua turma e obrigada a ouvir insultos contra a sua religião. Num instituto de artes, um estudante bahá'í foi vendado e espancado, em três ocasiões.

Especialmente preocupante é o facto de uma elevada proporção destes actos ter sido dirigida contra raparigas. Se nas escolas de ensino básico, os incidentes têm ocorrido de forma mais ou menos igual entre rapazes e raparigas, no ensino secundário, as raparigas tornaram-se um alvo preferencial: em 76 incidentes, 68 foram contra raparigas bahá'ís.

Além destes relatos, as Universidades continuam a expulsar estudantes bahá’ís; neste momento já são 94 as expulsões no corrente ano lectivo (em Fevereiro eram 70).

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Sobre este assunto:
Baha'i school children in Iran increasingly harassed and abused by school authorities (BWNS)
Baha’i children abused in Iranian schools (Barnabas Quotidianus)

3 comentários:

GH disse...

Esta foi a notícia mais nojenta que já vi sobre o Irão.
Por um lado tentam criar uma imagem de gente tolerante e compreensiva ao libertar prisioneiros britânicos; por outro, humilham crianças iranianas só porque têm uma religião diferente.

Isto é comportamento de escumalha!

Não tem desculpa!

Ella disse...

Pois é gh o objectivo é exactamente este. Passar esta imagem de tolerante para o mundo, de provar que não existe aquele monstro que todos descrevem e o mais nojento é que o Ahmadinejad falou esta libertação é uma prenda do “povo iraniano” como se o povo estiver com ele e lhe dando o seu apoio.
E quero que alguém corajoso lhe pergunte e quando é que ele vai libertar as mulheres, os estudantes, os curdos, os professores, os bahá'is e ...que estão presos nas terríveis prisões iranianas sob crime de querem ser livre de tirania e opressão.
QUANDO?

Karla disse...

Nas lutas pelos direitos cívicos nos EUA (anos 50) houve muitas crianças que pagaram com sangue (e algumas com a própria vida) esse esforço de emancipação colectiva.

Os miudos não faziam nada de especial, a não ser querer frequentar liceus ou escolas públicas. E eram vitimas das facções racistas da sociedade sulista dos EUA.

Foi uma situação verdadeiramente atroz que espero que não se repita com os baha'is iranianos.