sexta-feira, 27 de julho de 2007

Uma Passarola chamada União Europeia

Demonstrar a viabilidade de um qualquer princípio cuja aplicação prática ainda não se verifica, é sempre desafio. É isso com que se deparam hoje os bahá'ís ao apresentar alguns dos princípios da sua religião. Mas houve outros momentos ao longo da história da humanidade em que outras pessoas, nas mais diversas áreas da actividade, enfrentaram um desafio semelhante.

Considere-se, por exemplo, de Frei Bartolomeu de Gusmão (1685-1724).

Este padre jesuíta e cientista, que desde a adolescência vivia fascinado pela Matemática e pela Física, deparou-se durante vários anos com o desafio de demonstrar a viabilidade de um aparelho mais leve que o ar e capaz de voar. Bartolomeu de Gusmão conseguiu o seu objectivo em Agosto de 1709, quando apresentou como resultado um pequeno aparelho - uma espécie de balão de ar quente que ficaria conhecido com “Passarola” – perante a Corte e o corpo diplomático em Lisboa.


Com este gesto, Bartolomeu de Gusmão conseguiu demonstrar publicamente a viabilidade de alguns princípios técnicos usados na concepção de balões de ar quente. Tudo isso aconteceu mais de 70 anos antes dos irmãos Etiene e Joseph Montgolfier terem realizado a primeira viagem em balão.

Como podem os Baha’is demonstrar viabilidade de um princípio como a “Unidade da Humanidade”? Haverá algum exemplo prático que possamos utilizar?

Há algum exemplo de cooperação entre Estados que seja produto de algo mais do que a “um sentimento de boa vontade mútua e de um objectivo comum”? Conhecemos alguma forma de cooperação entre Estados que mais do que uma “associação fortuita” seja factor de progresso e tenha gerado “códigos legais, sociais e instituições políticas”? Não tem ela sido uma garantia de “prosperidade material” e de um longo período de paz na Europa?

Não será a União Europeia, independentemente das suas virtudes e defeitos, um factor de progresso na Europa? Não têm os seus “códigos legais, sociais e instituições políticas” sido um factor de progresso e estabilização das diferentes nações europeias?

A União Europeia pode ter a mesma importância para a Unidade da Humanidade, que a Passarola teve para a aeronáutica mundial. É um pequeno sistema cujo funcionamento demonstra a viabilidade de aplicação de princípios a uma escala muito maior.

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NOTA: As citações neste post são referências de Shoghi Effendi sobre as características de uma Nova Ordem Mundial; encontram-se no documento “The Goal of a New World Order”

2 comentários:

Sam disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SAM disse...

Resta saber, Marco, se a União Europeia é um microexemplo válido do princípio bahá'í de "unidade na diversidade" (como as suas próprias instituições têm defendido), ou se é um modelo que está fadado ao erro, modelo este sobre o qual nós, humanidade, iremos analisar e tentar não repetir os erros do passado.

Será que a União Europeia é um estádio intermédio ou um erro de cálculo. Pois, afinal de contas, não são só os seres humanos que são espirituais em sua natureza, esse empreendimento conhecido como civilização também é... espiritual em sua natureza.