quinta-feira, 13 de março de 2008

Quem foi o idiota que fez isto?


Um utilizador do forum Pilgrimage to Santiago de Compostela chamou a atenção para o vandalismo que têm sido alvo os marcos auxiliares nos Caminhos de Santiago. A maioria destes marcos está cobertos de graffitis. Até aqui nada de especial. Afinal os graffitis têm-se espalhado por cidades e vilas do nosso país, mais na forma de vandalismo do que de verdadeira arte.

Mas, surpreendentemente, em alguns destes marcos auxiliares, encontram-se inscrições como «BAHA'I» e «BAHA'I.ORG» (a foto de cima é apenas um exemplo).

É óbvio que qualquer pessoa poderia fazer isto. Mas suspeito que se trate de obra de um baha’i. Muito provavelmente trata-se de alguém que pensa que isto desperta a curiosidade das pessoas pela Fé Bahá’í. Ainda para mais levando-as ao site oficial internacional, onde poderão encontrar informações fidedignas sobre a religião fundada por Bahá’u’lláh.

Mas será um acto de vandalismo contra um elemento que é parte integrante do património religioso do Cristianismo um acto legítimo de divulgação da Fé Bahá’í?

É óbvio que não! Isto nada tem a ver com a divulgação da Fé Bahá’ís (ou “ensinar a Fé”, como gostam de dizer os bahá’ís). É apenas uma actividade de proselitismo ordinário, com laivos de intolerância religiosa! Quantos bahá’is gostariam de ver os seus templos, ou centros administrativos, vandalizados com graffitis fazendo publicidade a outras religiões? Resumindo: se foi um bahá'í que fez isto, então além de vândalo, é idiota!

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ACTUALIZAÇÃO:

Mais fotos. Começo a acreditar que o autor destas inscrições não bate bem...





10 comentários:

SAM disse...

Pois Marco, eu não saltaria a conclusões tão apressadas!

Tenho deparado nos últimos dias, um conjunto de pessoas que fazem publicidade à Fé Bahá'í das formas mais correctas mas piores. Ou seja, dão as fontes adequadas para depois provar de alguma forma que foi o diabo que inspirou à fundação da Fé, ou mesmo explicar o amor que o 'Abdu'l-Bahá tinha por crianças para comprovar algum engano para comê-las?!

Ou seja, pessoas que sabem que são os bahá'ís e conhecem muita coisa...

Por isso, não me espantaria que fosse uma dessas pessoas, que com o intuito de fazer as pessoas pensarem o que tu pensaste, tenham feito isso.

Não creio que uma religião que ensine aos seus adeptos o respeito e a aceitação da diferença tenha pessoas tão torpes (temos uns torpes, mas não ao ponto de ofender , menosprezar ou vandalizar o espaço dos outros).

A minha opinião é semelhante a de Philip K. Dick: não há tal coisa como bahá'í fundamentalista!

PS: os bahá'ís não gostam de dizer "ensinar" é um termo que aparece nas Escrituras e tem muito que se lhe diga, a nível de religião comparada (em especial com as religiões talmúdicas que têm em bons olhos a ideia de ter novos crentes).

entãoéassim... disse...

Marco, talvez convenha dar uma achega no conceito de idiota, para que o próprio seja esclarecido: não, não é aquele de quem brotam ideias (mesmo que infelizes!), mas sim, do latim, homem sem educação, ignorante. Ainda podemos recorrer à psiquiatria, que considera idiota o portador de "idiotia", cuja definição mais aprofundada poderá ser encontrada num qualquer livro da especialidade!
Caso se trate de um bahá'i será útil informá-lo de que a religião, seja ela qual for, não deve ser publicitada, como se de um anúncio de marcas de bicicletas se tratasse, mesmo que através de um site. Isto já para não referir o local onde foi escrito, demonstrando um profundo desrespeito e intolerância!
Aconselho a que este génio consulte também a palavra "proselitismo".
Nota: o género aqui é indiferente; refiro-me tanto a homem, como mulher, naturalmente.

Daniella disse...

Meu caro peço desculpas pela minha observação mas me parece que por baixo de manto da neutralidade e da justiça poderá vir a criar situações conflituosas e injustas com este género de observação.

É claro que qualquer pessoa pode ter feito isto, bahái ou não, e ainda sem saber que esta pedra é algum elemento sagrado de cristianismo.
Pelas suas próprias denuncias foram muitos vandalismos e ataques contra lugares, casas, santuários e até cemitérios baháis, no entanto quantos baháis conhece que tenha feito algo semelhante?

O mais curioso é quando você justifica o facto de vandalismo em graffitis nestas palavras“A maioria destes marcos está cobertos de graffitis. Até aqui nada de especial” porém como a palavra escrita é «BAHA'I.ORG» de repente a situação muda e se torna num acto criminoso???!!! num sinal de preconceito???!!!

E logo a sua posição como bahái muda, até se pode sentir o tom da sua revolta como se quisesse dizer eles são eles "os baháis" e eu não tenho nada a ver com eles, afirmando que são eles, os bahá’ís”, que gostam de dizer ““ensinar a Fé”, e ainda pergunta aos “baháis” que “Quantos bahá’is gostariam de ver os seus templos, ou centros administrativos, vandalizados com graffitis fazendo publicidade a outras religiões?”

Resumindo meu caro, acusou, julgou e condenou sem saber o que realmente aconteceu e ainda num tribunal onde não há nenhuma possibilidade do que o arguido se defenda.

SAM disse...

Gostaria de deixar outro esclarecimento ao tema: proseletismo é estritamente proibido (não é levemente nem subtilmente, mas estritamente) proibido na Fé Bahá'í: o ensino da religião é diferente do proseletismo, pelo que acaba por ser um argumento mais que demonstra que não poderia ser um bahá'í quem perpetrou tal acto.

Segundo, desde as décadas de 70-80 que a idiotia deixou de constar no jargão técnico das psicociências ;)

Só dois esclarecimentos que considero oportuno antes de se continuar esse potencial debate.

Um abraço.

Marco disse...

Sam,

Esse tipo de pessoas que referes no teu comentário, não são bahá'ís, mas sim inimigos da Fé Baha'i. A sua principal preocupação é advertir o público contra os bahá’ís.

Mas existe um número marginal de bahá’is capaz de fazer umas tolices semelhantes a estas. Por exemplo, eu já vi baha’is (cá em Portugal) a insistir que uma forma legítima de divulgar a Fé é "ir bater às portas"; e outro que queria assistir a reuniões de outras religiões com propósito subversivo. Este tipo de ideias é ingenuidade; mas se postas em práticas passam a ser uma perfeita idiotice.

Ora estes graffitis parecem encaixar nesta segunda categoria de atitudes.

Isto não é uma conclusão precipitada; já cá ando há alguns anos. Sei o que a casa gasta.

Sobre a existência de baha’is fundamentalistas já deixei aqui a minha opinião.

Sobre o teu segundo comentário: dizer que é impossível que um baha'i tenha sido o autor deste disparate só porque nas leis baha’is é proibido o proselitismo, é algo que não faz sentido nenhum. Pela mesma lógica diríamos que em Portugal não há ladrões porque a lei portuguesa proíbe o roubo. Por acaso os baha’is não têm defeitos e qualidades como qualquer ser humano?

Marco disse...

Daniella,

Não acusei ninguém. Apenas expressei a minha suspeita. E dei minha opinião sobre o caso.

Considero que o caso é grave se foi cometido por um baha’i, pois os bahá’ís defendem o diálogo e a harmonia entre as religiões. E relativizar este acto (pressupondo que foi mesmo um baha’i que o cometeu) é um acto de hipocrisia. E se foi um baha’i que ignorava que isto se tratava de um elemento com valor importante no Caminho de Santiago, então isso também merece censura. Não percebo como é que um crente pode ignorar ou desconhecer os valores e símbolos culturais da sociedade onde se integra; a menos que se trate de um indivíduo anti-social.

Também não me parece correcto ter uma atitude do tipo: «No Irão fazem coisas muito piores aos baha’is; porque é que nos vamos preocupar só porque parece que houve um baha’i que fez asneira?» Seguindo essa lógica, os muçulmanos poderiam argumentar: «há milhões de muçulmanos que não fazem mal aos baha’is; porque é que nos vamos preocupar com alguns milhares de fundamentalistas?»

O que está aqui em causa (e continuo a supor que o autor disto é baha’i) é que não devemos fazer aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Isto é uma regra básica da convivência entre pessoas e grupos sociais.

Além disso, eu não me estou a pôr à parte da comunidade baha’i quando condeno este acto. A verdade é que o autor desta idiotice (se for mesmo um baha’i!) pode ter manchado a imagem da Fé na Galiza. Um idiota pode ter estragado o trabalho e o esforço de várias pessoas ao longo de vários anos.

Daniella disse...

Meu caro talvez você tenha que ler o seu próprio texto outra vez, mas tudo bem uma vez que agora repetiu vezes “se for um bahái” posso concluir que está reconsiderando, no entanto continuo acreditando que para além de acusar, julgar e condenar ainda se colocou à parte, se separou desta gente “hipócrita” sem lhe dar algum crédito.

Meu caro, eu nunca disse que «No Irão fazem coisas muito piores aos baha’is; porque é que nos vamos preocupar só porque parece que houve um baha’i que fez asneira?» até porquê não acredito que foi um bahái a se dar o trabalho de fazer uma coisa tão descabida e sem sentido, e acho ainda "ir bater às portas" é bem diferente do que usar graffitis desta forma desapropriada para divulgar o que for que seja, no entanto o que eu penso é que realmente não havia necessidade de você declarar guerra pelo motivo que nem sabe se existe...

GH disse...

Eu tenho estado aqui calado, mas agora tenho mesmo que comentar.

Há caso em que os grafitis podem ser considerados arte mas isto é apenas mais um dos muitos casos de vandalismo. É certo que não sabemos que fez. Mas isso não impede de condenarmos este acto.

Penso que o autor do blog tem o mérito de ser o primeiro baha’i a levantar-se e dizer que isto é uma asneira. Percebo que o Marco se preocupe (e seja ainda mais veemente na sua condenação) no caso do autor ser mesmo um baha’i (os post mais recentes no fórum sugerem que teria sido um francês).

O que não percebo é a atitude de reserva cautelosa de alguns comentadores (que percebo serem baha’is). Porque é que mantém essa reserva na condenação deste acto (independentemente que quem o possa ter cometido)? Porque é que sugerem que se calhar a pessoa que fez isto tinha boas intenções (e desconhecia o valor cultural destas marcas)? Se calhar até preferiam que ele nem tivesse abordado o assunto (podia ser que passasse despercebido).

Esta é uma atitude que me afasta dos baha’is (embora continue a admirar a sua Fé). A maioria dos que conheço apenas consegue falar de coisas abstractas e teóricas. Quando aparecem problemas concretos, começam a meter os pés pelas mãos. E quando um baha’i comete algum erro (não queiram vender a ideia que vocês são perfeitos!) ficam todos encavacados e preferem que ninguém fale no assunto. Infelizmente alguns de vocês têm atitudes muito semelhantes ao que há de mau nas outras religiões.

Um dos méritos deste blog é conseguir uma abordagem quase imparcial sobre os baha’is.

Daniella: a expressão ”ensinar a Fé” é preconceituosa. Ensinar pressupõe que uma parte sabe mais que a outra. É como se os baha’is se colocassem num patamar acima dos outros. Eu preferia que usassem palavras como diálogo, ou debate; pelo menos percebia-se que todos temos algo a aprender uns com os outros. Outra expressão preconceituosa é “Baha’is e não-Baha’is” . Até em programas de TV vocês dizem esta barbaridade! Será que não percebem que estão a fazer distinções entre as pessoas? Não foi Baha’u’llah que disse que a distinção entre crentes e não-crentes tinha sido abolida?

Daniella disse...

Meus amigos sinto que houve algum mal-entendido, eu também não gosto de nenhum acto de vandalismo, seja ele qual for e nem gosto dos vendedores que “batem às portas” e nem dos que “barram a gente na rua”…nem defendo ninguém...

A minha questão aqui é que acho muitíssimo estranho que alguém pense que através dos graffitis da forma como estão nas fotos faça algum tipo de publicidade, ou divulgação, ou ensinar ou o que for de forma positiva. É descabido, é estranho, é sem sentido…
O que ganharia com isto para além de fama de vândalo, de poluidor de ambiente…
Por favor vamos raciocinar um pouco sem preconceito…

Quanto a expressão ”ensinar a Fé”, pelo que eu entendi os baháis tem como um dever ou uma missão… levar a mensagem da sua Fé às outras pessoas portanto "ensinam a sua Fé", os seus Princípios, a sua História, as suas Lei, a seu Funcionamento… em fim eles ensinam tudo o que sabem e podem sobre a sua Fé, eles não pregam a Fé nem ensinam aos outros terem fé.
GH você tem razão, a palavra ensinar na sua forma convencional, principalmente em Portugal, realmente pressupõe que uma parte sabe mais que a outra (neste caso a parte que ensina evidente que sabe mais sobre a sua Fé que nós dois não é mesmo?) contudo ensinar hoje em dia nunca rejeita a possibilidade de diálogo ou debate ou ainda a consulta (como os baháis gostam de dizer), aliás pelo que eu percebi o que eles gostam mais de fazer é consultar e é consultar para tudo.

Quanto ao autor deste blog tão preocupado com a reputação e a imagem da Fé na Galiza, poderia ele, antes de acusar, dar um pouco de voto de confiança aos seus irmãos da Fé, isto não é atitude de reserva cautelosa, afinal a verdade é que ninguém sabe de certo quem foi autor desta barbaridade.

Carlos Moreira disse...

Aquilo que é errado é errado. Não vejo dúvidas aqui. Caso a pessoa que fez se considera bahá'í se equivocou e prejudicou a imagem desta Fé. De outro modo agiu com má intenção.
Há registros históricos de pessoas que se disseram seguidores e que, no entanto, cometeram atos lamentáveis. O que fazer? Não podemos simplesmente dizer que eles não eram bahá'ís ou que os atos não existiram.
A revelação bahá'í foi trazida para a humanidade como um todo e não apenas para aqueles que aparecem bem na foto. Religião, no conceito apresentado por Abdul-Bahá, é o serviço perpétuo à humanidade. Até onde compreendi, dizer-se bahá'í portanto não é um título, mas uma declaração de fé que pode orientar as ações do indivíduo nesse caminho.
Foi observado quanto ao uso do termo não bahá'í. Também me incomoda quando se referem aos bahá'ís como não cristãos. O emprego dos nomes se aperfeiçoa com o passar do tempo - antigamente muitos faziam a divisão entre os adeptos de minha religião (qualquer que fosse) e os outros (infiéis). Acho melhor usar a referência amigos dos bahá'ís.