domingo, 4 de maio de 2008

Comida ou Combustível?


Excerto da coluna de opinião de Miguel Sousa Tavares, publicado ontem no Expresso:

À falta de outros interessados no assunto e face à suprema nulidade política dos governantes do mundo desenvolvido, é a ONU apenas que parece preocupada com a escalada avassaladora do preço dos alimentos, a acrescentar à da energia. Entregues a si próprios, os mercados e os governos reagem de acordo com a lei do salve-se quem puder, dando um lindo exemplo prático das delícias da globalização; os países exportadores de alimentos fecham as portas de saída para evitar problemas políticos internos; os países exportadores de petróleo recusam-se a intervir no mercado para fazer estancar a subida do crude, empolada artificialmente; e os não têm petróleo, como a Itália e a Inglaterra, regressam em força ao carvão e que se lixe o aquecimento global, com o incremento da mais poluidora fonte de energia. Assim, entramos numa espiral de loucos: a alta do preço do petróleo faz subir o preço dos alimentos e o preço destes o do petróleo; os especuladores da finança e do imobiliário, cuja ganância mergulhou a economia mundial em crise, fogem agora das bolsas para as matérias-primas, como o petróleo, os alimentos e a água, fazendo aumentar ainda mais o seu preço; os países que têm dinheiro mas precisam de energia dedicam-se a comprar terras aos pobres de África e da Ásia para neles produzirem biocombustíveis, a partir dos cereais; menos terras agrícolas, menos comida ainda: aqueles que não têm alimentos, nem energia nem terras disponíveis, só podem esperar morrer à fome – segundo a ONU são trezentos milhões em todo o mundo. (...)

2 comentários:

pioneiro disse...

Não é fácil decidir isso,eu vi hj 1reportagem q a Gana estaria disponibilizando 30 mil hectares para o desenvolvimento de biocombustivel,por 1 lado é excelente pois revelaram q milhares d empregos seriam gerados e isso iria ser benéfico pra economia.Mas é complicado se isso pode custar a alimentação de muitos.

Daniella disse...

Desde muitos anos q o Brasil produz álcool a partir de cana de açúcar, agora os poderosos se lembraram de milho...
Em parte concordo com o pioneiro, o q eu não consigo digerir mesmo são os acordos da UE q não permitem produções acima de um certo limite e multar os países q produzem acima desta quota!!!