domingo, 11 de janeiro de 2009

A Fé Bahá’í e a questão da Palestina

O actual conflito militar em Gaza e no sul de Israel tem suscitado todo o tipo de análises e comentários apaixonados. Abundam os que vêem este conflito como uma luta David contra Golias, os que invocam um qualquer direito divino e/ou histórico como justificação para diversos actos, os que descrevem o conflito apenas com expressões do tipo "terrorismo" e "colonialismo" e os condenam apenas uma das partes e abertamente toma partido por outra. Infelizmente, é raro encontrar opiniões racionais e equilibradas sobre este assunto.

Para os que me convidam a tomar partido ou expressar uma opinião, deixo aqui uma tradução de excertos de uma carta (datada de 09 de Julho de 1947) de Shoghi Effendi, em resposta ao Presidente do Comité Especial das Nações Unidas para a Palestina, que lhe solicitava um esclarecimento sobre a relação da Fé Bahá’í com a Palestina e a atitude Baha’i face a qualquer alteração futura no estatuto do país.
"A posição Bahá’í em relação a este país, em certa medida, é única: se por um lado Jerusalém é o centro espiritual da Cristandade, não é o centro administrativo nem da Igreja de Roma, nem de qualquer outra denominação cristã. De igual modo, apesar de ser vista como o segundo santuário mais sagrado do Islão, o local mais sagrado da Fé de Maomé e centro das suas peregrinações encontra-se na Arábia, e não na Palestina. Apenas os Judeus apresentam algum paralelismo no apego que os Bahá’ís têm por este país, pois Jerusalém contém os restos do seu Templo Sagrado, e foi sede tanto das suas instituições políticas como religiosas associadas à sua história passada. Mas mesmo o seu caso difere dos Bahá’ís num aspecto, pois é no solo da Palestina que as três Figuras centrais da nossa Religião estão sepultadas, e não é apenas centro de peregrinações Bahá’ís provenientes de todo o mundo, mas também sede permanente da Ordem Administrativa que eu tenho a honra de chefiar.

A Fé Bahá’í é inteiramente não-política e nós não tomamos posição na actual trágica disputa sobre o futuro da Terra Santa e seu povo, nem temos qualquer declaração a fazer, nem conselho a dar sobre qual deve ser a futura natureza política deste país. O nosso propósito é o estabelecimento da paz universal neste mundo e o nosso desejo é que a justiça prevaleça em todos os domínios da sociedade humana, incluindo o domínio da política. Como os aderentes da nossa Fé são tanto de origem Judaica como Muçulmana, não temos preconceitos contra qualquer destes grupos e ansiamos pela sua reconciliação para seu bem comum e para bem do país.

O que nos preocupa, porém, em qualquer decisão que possa afectar o futuro da Palestina, é o facto de ser reconhecido, por quem quer que exerça soberania sobre Haifa e Acre, que nesta área existe um centro mundial administrativo e espiritual de uma Fé mundial, e que a independência dessa Fé, o seu direito a gerir os seus assuntos a partir desta fonte, o direito dos Bahá’ís de todo e qualquer país do globo a visitar como peregrino (neste aspecto, gozando o mesmo privilégio que Judeus, Muçulmanos e Cristãos usufruem ao visitar Jerusalém), sejam reconhecidos e permanentemente salvaguardados."
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FONTE: Letter to the United Nations Special Committee on Palestine (BIC-UN)

23 comentários:

Nadine disse...

Hey :) Bahá'í Greetings from Poland! :D

GH disse...

Na verdade, eu só vejo gente a dizer e escrever asneiras sobre este conflito. Parece que quando falam disto o bom senso desaparece...

O vizinho do lado disse...

facto: 900 mortos em 17 dias.

O vizinho do lado disse...

"O que nos preocupa, porém, em qualquer decisão que possa afectar o futuro da Palestina, é o facto de ser reconhecido, por quem quer que exerça soberania sobre Haifa e Acre, que nesta área existe um centro mundial administrativo e espiritual de uma Fé mundial, e que a independência dessa Fé, o seu direito a gerir os seus assuntos a partir desta fonte, o direito dos Bahá’ís de todo e qualquer país do globo a visitar como peregrino (neste aspecto, gozando o mesmo privilégio que Judeus, Muçulmanos e Cristãos usufruem ao visitar Jerusalém), sejam reconhecidos e permanentemente salvaguardados."

só para o turismo?
E uma palavrinha para quem lá vive, não?

amir shafa disse...

Excelente texto!
a Visão de Shogui Effendi, abrange o todo e invoca o senso de justiça e harmonia.
parabéns!

Marco disse...

Ó vizinho do lado,

Então nós defendemos a separação entre Estado e Religiões, acreditamos que as religiões não se devem envolver em política e depois queremos que elas se pronunciem sobre acontecimentos políticos? E para que precisam os políticos (ou os comentadores) de uma opinião de uma religião sobre um conflito específico? Será que necessitam de uma bênção ou uma qualquer aprovação divina para as suas opiniões?

A postura oficial da Fé Baha’i é exactamente esta: somos não-políticos. E não é apenas no caso do conflito Israelo-Palestiniano. Tem sido assim em todos os conflitos.

Nem mesmo durante a primeira Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Koweit e a intervenção das forças multinacionais foi aprovada pela ONU (facto que fazia lembrar um conselho de Bahá'u'lláh «Se algum rei pegar em armas contra outro, todos, unidos, devem erguer-se e detê-lo»), a Comunidade Baha’i tomou partido por algum das partes em conflito.

O que os Baha’is apresentam aos governantes do mundo são os princípios éticos que devem orientar os seus actos (a justiça, a liberdade, a igualdade de direitos e de oportunidades, a não existência de preconceitos raciais, religiosos, de género ou de classe; a eliminação de extremos de pobreza e de riqueza) e as linhas gerais de orientação para construir um nova ordem mundial ( a convocação de uma assembleia onde estejam representados todos os povos; a definição clara e definitiva de todas as fronteiras; a limitação de armamentos; um acordo de segurança colectiva; a partilha dos recursos da terra).

Neste conflito, a minha posição é igual à posição oficial da Comunidade Bahá’í. Outros bahá’ís poderão ter outra opinião, mas isso é lá com eles. Cada um é senhor da sua consciência.

Por vezes assistimos a estes debates que apaixonam os media e as opiniões públicas. Nos anos 1970 e 1980, uma dessas grandes questões era o apartheid na África do Sul. Nessa altura a Comunidade Baha’i não condenou publicamente a política do Governo Sul-Africano, apesar da abolição de preconceitos raciais ser um princípio básico da nossa religião. E que fizeram os bahá’ís na África do Sul durante o Apartheid? Continuaram a sua vidinha como se nada se passasse? Ou juntaram-se às facções politicas que lutavam em público sobre a condenação do regime Sul-Africano.

Na verdade, os baha’is sul-africanos nem se envolveram em actividade política e obedeceram às leis do país que proibiam a existência de organizações religiosas inter-raciais. E decidiram que as suas organizações seriam constituídas apenas por africanos (pois eram o segmento mais desfavorecido da sociedade). Isso não foi feito para chamar a atenção dos media internacionais ou para promoção da nossa imagem. Foi feito, porque se considerou ser a melhor forma de contornar a injustiça que o regime impunha.

Hoje a Comunidade Baha’i goza de uma excelente reputação na África do Sul exactamente devido a essa atitude.

O vizinho do lado disse...

Dou de barata a questão palesteniana, por economia de argumentação, mas essa do apartheid é verdadeiramente assustadora. Como se pode ter principios éticos sem intervenção politica. agora fiquei curioso: o que fazia um Baha’i na alemanha em 1939?
A ideia de ausencia de intervenção politica, é uma ideia politica. Se não intervens, estás a dar espaço a quem faça e a legitimar quem o faça. mesmo que não queiras que seja assim é assim que acontece. É Simples. cumprimentos.

entãoéassim... disse...

"E uma palavrinha para quem lá vive, não?"
Senti, com esta pergunta, que "O vizinho do lado" estaria a sugerir que Shoghi Effendi apenas se preocupava com a protecção exclusiva dos Bahá'is e Centro Administrativo, negligenciando todos os "restantes". Se essa foi a interpretação, parece-me um tanto redutora.
O texto foca sobretudo o não envolvimento e participação dos Bahá'is na política. Contudo, "O nosso propósito é o estabelecimento da paz universal neste mundo e o nosso desejo é que a justiça prevaleça em todos os domínios da sociedade humana, incluindo o domínio da política". Estas palavras parecem-me bem esclarecedoras quanto a devermos estar todos (Bahá'is e "não-Bahá'is") a salvo de qualquer conflito.

João disse...

Marco, já sabia que a fé Bahai prevê a prazo a extinção dos partidos politicos e a organização das sociedades em novas bases, mas será que isso quer dizer que os problemas politicos vão desaparecer.
E quando as instituições Bahais substituirem os partidos politicos como vai ser? Será que os bahais vão continuar a não se pronunciar sobre politica?
Desculpa lá interpelar-te diectamente mas gostava de ter a tua opinião sobre esta questão, pois para mim foi algo que nunca percebi muito bem na filosofia bahai.
Um abraço!

pioneiro nº ... disse...

E eu creio que a posição bahá'ís está bem clara e definida nas suas escrituras, ela, na sua essência, condena todo e qualquer tipo de tirania, opressão, conflito, guerra, matança, preconceito,...
Podemos, por exemplo, ver ou melhor, ler as Cartas aos reis e líderes do mundo para entender melhor.
Agora, uma vez que a posição de uma religião ou uma comunidade está tão repetidamente evidente, será mesmo preciso a toda e qualquer hora decretar ou lançar um novo pronunciamento sobre este ou outro assunto?
Hoje, ou foi ontem? mas com certeza foi um dia deste semana que o Patriarca de Lisboa preveniu os jovens cristãos a não se casarem com muçulmanos!!! E ele quer proteger quem? Não será um pouco inconveniente este aconselhamento?
A questão palestiniana não é barata, nem é uma coisa nova e pelo que parece o mundo se lembrou das crianças foi agora e se esqueceu ou sequer nem sabe dos crimes que Hamas tem feito em Gaza. Só para ter uma ideia, eles usam as crianças palestinianas, e muçulmanas como sendo escudo humano!!! Sabem o que isto significa?! Pois é muito mais assustador do que se possam imaginar. Ora a questão palestiniana é muito mais complicada do que nós pensamos e é muito mais do que nossas palavras de prós ou contra possam abordá-la .
E o vizinho está preocupado com que? Quer saber (nas suas palavras) o que fazia um Baha’i na Alemanha em 1939?
Ora é você quem deve procurar na história desta Fé e saber o que fazia um Baha’i na Alemanha em 1939?

Marco disse...

Meu caro Vizinho do Lado,

Penso que é mais correcto dizer que a intervenção politica dos Baha’is evita as querelas politico-partidárias. Um exemplo paradigmático da intervenção política dos Baha’is é o contributo Baha’i para as revisões constitucionais no Brasil. Nesses contributos a Comunidade Baha’i apresenta diversas sugestões para correcção e melhoramento da Lei Fundamental; e isso é feito longe das questiúnculas partidárias ou dos holofotes dos Media. Além disso, no Brasil, a comunidade Baha’i lançou diversos projectos de desenvolvimento social que visam a capacitação de indivíduos e comunidades; nesses projectos é frequente a colaboração e os contactos com autoridades locais.

Em Portugal, os baha’is também colaboram com entidades governamentais. No ano passado, colaborámos activamente com o ACIDI em diversos eventos realizados assinalar o Ano Internacional do Diálogo Intercultural. Com alguma regularidade, contactamos Partidos Políticos e Entidades Governamentais para os colocar ao corrente da situação dos Baha’is no Irão e no Egipto.

Na Alemanha Nazi, as actividades Baha’is foram vigiadas pelas autoridades durante alguns anos, e entre 1937 e 1945 a Fé Baha’i esteve proibida. As Instituições foram dissolvidas e muita literatura foi confiscada. Alguns crentes foram interrogados, presos, e deportados pelas autoridades. Alguns crentes de origem judaica foram assassinados em campos de concentração (um caso conhecido é o de Lidia Zamenhof, a filha do inventor do Esperanto).

No Vietname ocorreu uma situação semelhante; ali a Fé Baha’i esteve proibida pelo regime comunista entre 1975 e 1992. Em 2008, o Governo reconheceu a Comunidade Baha’i como comunidade religiosa de pleno direito. Se nos tivéssemos envolvido em guerrilhas políticas isso nunca teria acontecido.

Marco disse...

João,
Não conheço nada nos textos Baha’is que indique que os partidos políticos venham a ser extintos, muito menos que as instituições Baha’is os venham substituir. Isso seria interferir na política. Bahá'u'lláh afirmou isso muito claramente quando revelou a Epistola aos Reis: "Não é Nosso desejo apoderarmo-nos dos vossos reinos. A Nossa Missão capturarmos e possuirmos os corações dos homens."

A Fé Baha’i apresenta um modelo para a reorganização da sociedade (a sua ordem administrativa). Mas não pretende substituir a actual Ordem Mundial (cujos defeitos todos conhecemos) seja substituída pela Ordem Administrativa Baha’i. O que pretendemos é que seja construída uma Nova Ordem Mundial que acreditamos terá várias características comuns à Ordem Administrativa Baha’i.

Marco disse...

Pioneiro,
É verdade que a questão Israelo-Palestiniana é muito mais complexa do que a maioria das pessoas pensa. Mas quando falamos de uma guerra e referimos às atrocidades cometidas apenas por uma das partes, isso pode dar a entender que se está a tomar partido pela outra parte.

Marco disse...

Vizinho,
Só mais uma coisa:
Apesar dos ensinamentos baha’is proibirem a participação em actividades subversivas, e dos Baha’is que viviam na Alemanha Nazi, terem seguido essa lei, não posso deixar de reconhecer a minha admiração por Dietrich Bonhoeffer, que se envolveu na conspiração para assassinar Hitler, e em vários escritos levantou uma série de questões muito pertinentes sobre o envolvimento dos cristãos na política.

pioneiro nº ... disse...

Tomar partido pela outra parte?
Que outra parte?
As atrocidades cometidas apenas por uma das partes?
Me admira ver o que escreveu!!!
Então já tem tudo feito, Tem o arguido, a vítima e até condenação antecipada!!!
Sei que possa parecer desumano mas as pessoas aqui em questão são as mesmas que logo a seguir a 11 de Set. festejaram e distribuíram doces nas ruas pela morte de quase 3000 de outras pessoas nos Estados Unidos.
Estas pessoas são as mesmas que se tiverem ordem, matam você e toda sua família sem pestanejar...
Ora claro que não estou a favor de nenhum tipo de atrocidade ou chacina e quero deixar aqui que sou absolutamente contra qualquer e todo tipo de guerra mas fico com medo, com medo mesmo, quando vejo o mundo cair na publicidade da média internacional e esquece, Nova Iorque, Londres, Madrid e muito mais massacres feitos pelo terrorismo alimentado pelos grupos extremistas.
Nem sabem com o que estão a lidar e do que estão a falar!!!

O vizinho do lado disse...

Caros intervenientes;

entãoéassim... - é claro que Shoghi Effendi estava a falar num contexto diferente e sobre um tema diferente da Palestina actual, mas ao mesmo tempo é assustador pensar que os problemas na Palestina continuam após estas decadas. Naturalmente que a minha afirmação era uma provocação.

pioneiro nº - Se me manda ler, eu devo obedecer obedientemente? Se estou a interpolar o autor deste blog é porque no fundo tenho curiosidade e naturalmente gosto de aprender com quem sabe. Pelos seus comentarios duvido que aprendesse algo consigo, excepto que os muçulmanos são terroristas.

Marco - Obrigado pelas explicações, no entanto penso que o vosso ponto de vista articula-se mal com a realidade e causa-vos contradições, como vejo pelo seu com entario sobre Dietrich Bonhoeffer. Se percebo que a intervenção em situações concretas no terreno são o vossa grande contributo para as comunidades, a verdade é que o individuo não pode deixar de ter posição sobre a sua sociedade e como é governada e que a não posição é uma posição que balanceia a força para um dos lados. O confronto nem sempre é mau, é esclarecedor e pode levar à vitoria dos vossos valores. Nada fazer é deixar fazer. Não reconhecer isto é não conhecer a essencia humana. obrigado pela disponibilidade.

João disse...

Uma questão ainda sobre o mesmo assunto Marco:
imagina um país em que os bahais constituem a maioria da população, os partidos politicos podem ou não continuar a existir? Em caso afirmativo quer isso dizer que os bahais, apesar de constituirem a maioria da população não vão participar na vida politica e vão-se deixar governar pelos outros sem terem uma palavra a dizer?
Desculpa lá estar a insistir no assunto, mas ele ainda é para mim muito pouco claro!

pioneiro nº ... disse...

O vizinho do lado agradeço atenção mas eu não mandei ler, se refere-se ao caso das Cartas aos reis e líderes do mundo mencionadas num dos meus comentários, ora dei um exemplo e é consigo se quer ficar de troca de ideias com autor deste blog ou se quer saber ponto de vista bahá'í e exactamente porquê pensei tem curiosidade e naturalmente gosta de aprender com quem sabe então o que melhor de que ir directamente à fonte; mas pronto realmente é consigo decidir.
Quanto aos meus comentários, só posso dizer que lamento que não entendeu nada e tirou conclusões precipitadas.

entãoéassim... disse...

O facto de os Bahá'is não poderem pertencer a partidos políticos não significa de todo que sejam omissos nas suas opiniões. Se assim fosse não fazia sentido a sua presença em diversas organizações, onde participam activamente (ex., consultas das Nações Unidas).
Ao votarmos estamos a expressar-nos; ao comentar o que observo, não estarei também a fazer "política"?
A Fé Bahá'i promove a unidade. Um bom exemplo do contrário são os partidos políticos. Vejamos o que acontece em tempo de eleições: enquanto um candidato se enaltece, transbordando de grandiosidade, trucidar o seu oponente torna-se-lhe visceral!
E o papel dos próprios partidos? Em que é que contribuem para unir os Homens?

Marco disse...

Vizinho,
É verdade que me sinto pequeno em relação a Bonhoeffer. Gostava que houvesse um Bahá'í com a envergadura dele...
Volta sempre e questiona o que quiseres.
:-)

Marco disse...

João,
1 - Porque é que partidos políticos não poderão existir numa sociedade onde a maioria da população seja Baha’i? Há alguma lei Bahá’í que os proíba ou que coloque entraves à livre associação de pessoas? Há alguma passagem das escrituras bahá’ís que ponha em causa a liberdade política ou a democracia? Não foi Baha’u’llah que condenou repetidamente todas as formas de tirania? Não foi ‘Abdu’l-Bahá’ que elogiou a democracia e a liberdade existentes no Ocidente como motivos do nosso desenvolvimento civilizacional? Se o próprio Bahá'u'lláh elogiou um sistema de governação como a democracia britânica, porque razão haveriam os Baha’is de participar num processo de escolha dos sues governantes?

2 - O que se entende por “não participação na vida política”? Será que isso significa a indiferença aos problemas políticos? Significa que seremos uma espécie de abstencionistas crónicos? Quem nos garante que se um dia houver um país onde a maioria da população seja Baha’i, isso leve a população a não participar em actos políticos? Eu sou baha’i e sempre votei em todas as eleições neste país. Não abdico desse direito de cidadania. E como eu há muitos outros.

Em resumo: para mim “não participação na vida política” significa o não envolvimento activo em política partidária. Não contem comigo para me filiar nalgum partido ou para participar em campanhas eleitorais; dificilmente expressarei em público o meu apoio a um candidato ou a um partido. Mas que ninguém pense que sou indiferente à vida política ou que deixo de votar em qualquer acto eleitoral.

Sobre a importância da democracia nas Escrituras Baha'is, já escrevi isto.

Tudo o que escrevi não invalida que os regimes democráticos em que vivemos não possam ser aperfeiçoados. E parte desse aperfeiçoamento até pode ter uma inspiração baha’i, como também sugeri aqui.

João disse...

Marco, não dou por terminado este debate mas não quero monopolizar este espaço. Espero que tenhamos ocasião de voltar a ele.
Um abraço!

Marco disse...

João,
Há aqui vários aspectos que não abordámos, nomeadamente como é que estas transformações a nível nacional e outras a nivel internacional (como a tão insistentemente reclamada remodelação da ONU) podem ser passos no caminho da construção de uma nova ordem mundial.