terça-feira, 14 de abril de 2009

Uma fé em mudança

Phillipe Copeland, no seu blog Baha’i Thought chama a atenção para um relatório publicado pelo Barna Research Group onde se mostram alguns exemplos de como entre os americanos as crenças cristãs tradicionais baseadas em interpretações literais são cada vez menos aceites.

Por exemplo, 40% dos americanos acreditam que Satanás "não é um ser vivo, mas antes um símbolo do mal"; além destes, existem ainda 19% que de alguma forma concordam com esta perspectiva. E em relação ao Espírito Santo, a maioria dos cristãos também não acredita que se trate de uma força viva. Nas respostas obtidas, 38% afirmaram acreditar que se trata de "um símbolo do poder e presença de Deus"; e outros 20% afirmaram que de alguma forma com essa perspectiva.

No que toca ao relacionamento com pessoas de outras religiões, dois terços dos questionados afirmaram que era importante ter "uma relação activa e saudável com pessoas que pertencem a outras fés religiosas que não aceitam as crenças centrais da nossa fé" (36% concordaram fortemente com a ideia; 29% concordaram um pouco; 11% discordaram fortemente; 16% discordaram um pouco; os restantes 8% não têm opinião).

Não descreveria isto como uma mudança de maré teológica (como Phillipe faz). Prefiro ver estes indicadores como um sinal de um esforço no sentido de conciliar a razão com a fé, e simultaneamente de tentar viver em paz numa sociedade multi-religiosa.

Como bahá'í só posso ficar satisfeito com estes indicadores; no fundo, mostram-nos que é cada vez maior o número de cristãos americanos que partilha de crenças comuns com os baha’is.

3 comentários:

Anónimo disse...

:)
Marco, qual é o objectivo? Que a América se transforme noutra Europa? Onde o ateísmo e o agnósticismo são bem maiores, tal como a irrelevãncia da religião?

Marco disse...

Anónimo, qual é o objectivo? Que a América se transforme noutra Europa Medieval? Onde a superstição e a irracionalidade eram bem maiores, tal como deturpação da religião?

SAM disse...

Acho que nenhum dos dois extremos será bom!
Nem a superstição, nem o materialismo.

Só quando princípios espirituais e físicos estiverem em consonância é que poderemos dizer que estamos no caminho para plenitude humana.

O resultado sobre o Satanás e o Espírito Santo são evidência disso! Que as pessoas começam a perceber que nem tudo é necessariamente literal e que há simbologias por trás das coisas. O único risco que o Anónimo pode temer é que algum dia x% de sei-lá-quems respondam que "Deus é um símbolo da ética e moral que devemos seguir". Aí sim, poderemos falar em materialismo comum na Europa (e não só!)