sábado, 27 de junho de 2009

NYTimes: Para os Bahá'ís, a repressão é uma notícia antiga

Aqui fica a tradução de parte de um artigo publicado no New York Times. O texto é de autoria de Samuel G. Freedman e foi publicado no passado dia 26 de Junho. Os sublinhados amarelos são da minha responsabilidade.
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Por vezes, durante as últimas duas semanas, enquanto estava de serviço no hospital, a Dra. Saughar Samali foi apanhando excertos dos telejornais no quarto de um paciente ou ouvia um boletim noticioso na rádio do gabinete. Contra a sua vontade, contra as suas perspectivas, foi arrastada de novo pelo turbilhão iraniano.

Quando está de serviço, a Dra Samali pode suprimir o que vê e ouve dos manifestantes, das prisões, dos espancamentos. Mas quando sai do St. Joseph's Hospital em Paterson e regressa a Clifton, o presente evoca um passado terrível.

Lembra-se da fábrica do seu pai em Teerão ter sido incendiada deixando-o severamente marcado e cego de um olho. Lembra-se da sua família ter tentado fugir para o Paquistão, viajando num jipe de um contrabandista, com os faróis apagados, durante a noite, pelo deserto. Lembra-se das balas furarem o pára-brisas e os pneus, e lembra-se dos meses que se seguiram na prisão.

Em 1985, ela tinha 5 anos. E nos anos seguintes, mesmo após uma posterior fuga bem sucedida para os Estados Unidos, a Dra. Samali não se esqueceu do que significa ser Baha’i na República islâmica do Irão.

"Tento desligar as minhas emoções", diz a Dra. Samali, de 28 anos, a propósito da actual turbulência no Irão. "Os Baha’is do Irão passam por isto todos os dias. É triste ver isto, mas pode ser uma forma da verdade vir ao de cima".

Os Baha'is há muito que funcionam com canários providenciais na mina de carvão que é a teocracia do Irão. A sua perseguição, documentada durante 30 anos por numerosos relatórios de direitos humanos, contradiz todas as previsões ingénuas de que a linha-dura na superfície do Irão oculta uma profunda nascente de moderação e tolerância.

(...)

Durante a recente turbulência, que é essencialmente uma luta entre xiitas sobre a duvidosa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, os Baha'is serviram mais uma vez como bodes expiatórios. Os apoiantes do presidente Ahmadinejad recuperaram os clichés dos Baha’is serem espiões americanos e sionistas secretos, e acrescentaram um novo, afirmando que BBC (British Broadcasting Corporation) significa "Baha’i Broadcasting Corporation".

Os ataque retóricos coincidiram com a decisão do governo de levar a julgamento, no dia 11 de Julho, os sete dirigentes baha’is perante um intitulado Tribunal Revolucionário. Os dirigentes, detidos no início de 2008, enfrentam acusações de "espionagem para Israel, insulto a santidades religiosas, e propaganda contra a República Islâmica", segundo relata a imprensa oficial iraniana. A espionagem é punível com a pena de morte.

Assim, para os 165.000 Baha’is dos Estados Unidos - pelo menos 10.000 são refugiados provenientes do Irão – a questionável eleição e a repressão dos manifestantes surgem como uma confirmação sinistra do carácter do governo.

"Tenho uma sensação de turbilhão no meu coração", afirmou disse Farhad Sabetan, um porta-vos da Comunidade Internacional Bahá’í, a organização que representa os interesses Baha’is nas Nações Unidas. "Os Baha’is passaram por este tipo de repressão ao longo dos últimos 30 anos, e a forma como foram tratados é agora a forma como o povo iraniano está a ser tratado".

(...)

Mesmo após 30 anos de repressão oficial dos Baha’is, o Sr. Hossein um mantra que os mullahs não ouvem: que o Bahaismo é uma religião de paz, que os Baha’is não são políticos, que os baha'is apoiam o governo onde quer que vivam. Tudo o que os Baha’is no Irão querem, afirma, são os mesmos direitos humanos que outros cidadãos.

Enquanto vê as notícias, enquanto tenta telefonar ao familiares no Irão, enquanto tenta acompanhar os acontecimentos de forma tão obsessiva, quanto a Dra Samali tenta afastar-se deles, o Sr. Hossein chegou à mesma conclusão que ela: talvez os baha’is tenham finalmente alcançado uma espécie de igualdade.

Atacados pela milícia Basij e pela Guarda Revolucionária, atingidos por canhões de água e armas, os muçulmanos iranianos, pelo menos os que apelam publicamente para eleições justas e direitos humanos, estão a ser tratados como Baha’is.

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Artigo completo (em inglês): For Bahais, a Crackdown Is Old News

1 comentário:

Daniel disse...

http://www.iranpresswatch.org/es/justica-para-os-bahais-do-ira/