segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um bom escritor é um escritor morto.



Nos últimos trinta anos, o Irão foi palco de eventos marcantes (revolução, guerra com o Iraque, purgas políticas e religiosas, censura, dificuldades económicas), que tiveram efeitos dramáticos em largos sectores da sociedade. O exílio a que se viram forçados muitos intelectuais iranianos deu a conhecer ao mundo ocidental uma cultura que atravessa um verdadeiro renascimento em diversas áreas: literatura, música, cinema, e noutras formas de arte.

Os novos rumos que tem tomado a literatura iraniana são difíceis de apreciar, uma vez que escasseiam entre nós as traduções de autores daquele país. Por esse motivo, merece destaque a recente publicação do livro Um bom escritor é um escritor morto (Editora Novavega); trata-se de uma antologia de autores iranianos que nos apresenta uma amostra dos melhores contos e excertos de romances escritos dentro e fora do Irão, desde a revolução.

Esta obra divide-se em duas partes; na primeira encontramos escritores já publicados e estabelecidos antes da revolução e que continuaram a escrever depois dela, como Mahmud Dowlatabadi, Hushgang Golshiri, Simin Daneshvar (a primeira mulher romancista), Nassim Khaksar e Iraj Pezeshkad. Na segunda parte, surgem escritores que começaram a escrever, publicar e a ser lidos depois da revolução. Este grupo diversificado aborda temas novos e tabu, ancorados em situações menos ideológicas. Figuram neste grupo Reza Daneshavar, Farkondeh Aghai, Assghar Abdollahi, Seyyed Ebrahim Nabavi, Shahriyar Mandanipur, Ghazi Rabihavi e Goli Taraghi.

Para quem deseja compreender a cultura iraniana, para quem gostaria de perceber um pouco melhor o mundo em que se movimenta a comunidade bahá'í iraniana, para a diáspora iraniana, esta é uma obra que se recomenda.

2 comentários:

RG disse...

Ora ai está um livro que tenho todo o interesse de ler, pois aborda muitos factos importantíssimos sobra a sociedadade e cultura do Irão, e recomendo também o filme "Persepolis" de Marjane Satrapi, de 2007, um filme autobiográfico, que fala do Irão após a queda do Xá Reza Pahlevi, em 1979.
Abraços.
RG

Marco disse...

é verdade. O Persépolis é uma maravilha. Já escrevi sobre ele aqui.