quarta-feira, 13 de Julho de 2011

Uma reflexão sobre o Espaço e a Alma

Artigo de Sahstri Purushotma, publicado no Huffington Post.
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Na passada sexta-feira (08 de Julho), pelas 11:26 juntei-me a milhões de pessoas para assistir em silenciosa admiração como o Vaivém espacial Atlantis, pela última vez, "ultrapassou os limites ameaçadores da terra" e entrou em órbita. A nossa geração viu o lançamento do Vaivém muitas vezes, mas nunca parece cansar-se; todas as vezes parece haver um sentido especial de beleza, como se soubéssemos que estamos a assistir a uma revelação mágica, tal como vemos a nossa espécie, ao longo de milhares de gerações, desde que saiu de África e se instalou nos continentes do globo, e agora num breve instante da história, de Kitty Hawk à Lua e depois, a uma estação espacial feita por nós próprios.




Embora haja uma sensação de tristeza com o final de uma era e um aparente abrandamento na próxima etapa da exploração espacial, sinto um optimismo a longo prazo sobre a nossa exploração do espaço, inspirado pelo meu entendimento das Escrituras da Fé Bahá’í, que gostaria de partilhar.

O primeiro relaciona-se com o dom de voar. Durante milhares, talvez dezenas de milhares de anos, o homem sonhou ter a capacidade de voar, desde Ícaro até Leonardo Da Vinci. Mas este sonho só se tornou uma realidade em 1903, e desde então tem permitido que muitos de nós possamos voar ao redor do planeta, e a alguns de nós para o espaço.

Porque é que isso aconteceu tão rapidamente, depois de tanto tempo em que foi apenas um sonho? O meu entendimento é que isso tem a ver com a fase da evolução humana, em que estamos agora - o início da etapa da maturidade da espécie humana. É uma manifestação de uma frase na oração do Pai Nosso: ". Venha a nós o Vosso Reino, Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu". Uma das imagens presente em quase todas as tradições religiosas é que o céu é que é povoado por seres que têm o dom de voar. Se a nossa terra também está num processo de se tornar celestial, não é de estranhar que agora tenhamos também este dom, e que continuará a desenvolver-se.

Apesar da maioria das Escrituras da Fé Bahá'í se focarem sobre nas imperativas necessidades actuais de paz e unidade para a espécie humana na Terra, há uma declaração feita por Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í, sobre outras estrelas e seus planetas: "Sabe que cada estrela fixa tem os seus próprios planetas, e todos os planetas as suas próprias criaturas, cujo número homem algum pode calcular." A lógica também mostra que uma Inteligência Suprema que criou este vasto universo não deixaria 99.99999999% (continuemos com os 9s) estéril e vazio de vida, e apenas a nossa minúscula partícula de poeira habitada. Qualquer proprietário ficaria imensamente triste com uma tão baixa taxa de ocupação!

Uma pergunta surge naturalmente: Porque é que ainda não encontramos essas criaturas? Um dia poderemos descobrir porque levou tanto tempo, tal como o nosso dom de descolagem da terra parecia impossível, mas de repente aconteceu. Uma possível explicação é que ainda temos muito trabalho a fazer em nós próprios – somos um planeta e uma espécie que ainda está muitas vezes em guerra consigo próprio. Se as evoluções tecnológica e espiritual, em última análise caminham lado a lado, pode ser que os seres mais evoluídos saibam deixar-nos em paz até que possamos, pelo menos, primeiro estar unidos na nossa própria espécie.

É interessante que a nossa exploração do espaço levou também a um entendimento mais profundo da nossa alma. Permitiu-nos, pela primeira vez, para ver o nosso planeta como um todo na sua beleza deslumbrante, sem fronteiras criadas pelo homem, e pelas quais foi derramado tanto sangue. Forneceu uma imagem visual de uma outra afirmação feita por Bahá'u'lláh: "A terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos." As imagens que vemos agora das superfícies de outros planetas e suas luas também têm uma beleza, nas suas formas intrincadas e padrões majestosos, apreciada por artistas modernos; E trazem-me à memória uma outra frase de Bahá'u'lláh: "Cada coisa criada em todo o universo é apenas uma porta que leva ao Seu conhecimento, um símbolo da Sua majestade, um símbolo do Seu poder."

Apesar da nossa dívida nacional - que ironicamente age como a lei da gravidade e nos trás de volta à terra - poder abrandar o nosso programa espacial por agora, espero que o sentimento de maravilha e exploração continue a ser cultivado nas novas gerações, que irão expandir o nosso conhecimento do universo e aprofundar a nossa compreensão da nossa alma. O progresso da ciência e da religião, como duas asas de um pássaro e duas maneiras diferentes de entender a mesma realidade última, são importantes para uma civilização em constante evolução.

Como disse Albert Einstein: "A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. É a fonte de toda verdadeira arte e toda a ciência." Que possamos continuar a experimentar os belos mistérios dos céus.

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FONTE: Reflections on Outer Space and Our Inner Soul (Huffington Post)

1 comentário:

Bete disse...

Querido amigo, ótimo seu artigo! Acredito que aqueles que afirmam que uma vida extraterrestre podería agir em nosso planeta como meros colonizadores é errada. Visto que ciência e religião caminham juntos, se estes seres chegaram a tal grau de evolução a ponto de poder viajar no espaco, sua espiritualidade também evoluiu...Talvez eles nos vejam ainda como crianças que precisem passar para faze adulta... E quem sabe daqui a mil anos o próximo Manifestante nos diga: Ö universo é um só pais....