sábado, 19 de setembro de 2015

Deus existe? O argumento da beleza

Por David Langness.


Nunca perca uma oportunidade para ver algo bonito, pois a beleza é a caligrafia de Deus. (Ralph Waldo Emerson)

... Cada homem foi, e continuará a ser, capaz por si próprio para apreciar a Beleza de Deus, o Glorioso. ... Pois a fé de qualquer homem apenas pode ser condicionada ele próprio (Bahá'u'lláh, SEB, LXXV)

O amor da Palavra de Deus é o íman da glória e beleza celestiais. ('Abdu'l-Baha, Star of the West, Volume 5, p. 164)
Pense no seguinte durante um momento: qual foi a coisa mais bela que alguma vez viu? Foi uma flor a desabrochar, um pôr-do-sol, uma paisagem esplendorosa nas montanhas, uma floresta tropical vigorosa, um oceano de pleno de vida, o rosto sorridente de uma criança?

E agora, considere o seguinte: quão mais belo do que aquelas criações naturais deve ser o seu Criador?

Plotino, 204-270 EC
O filósofo grego clássico Plotino reflectiu sobre metafísica universal de Platão, perguntando e tentando responder a essa questão básica: de onde vem a beleza?

Plotino, autor de Eneiadas, fundador do neoplatonismo e talvez o mais influente de todos os filósofos, tanto no Cristianismo e no Islão, escreveu que a autêntica felicidade consiste nos verdadeiros seres humanos se identificarem com o melhor do universo; "Uma fuga das formas e coisas deste mundo", disse ele. Para ele, o melhor no universo estava exemplificado no que ele designou o Uno, aquela força supremamente bela e totalmente transcendente que está para lá de todas as limitações do ser e do não-ser. O nosso objectivo como seres humanos, afirmou Plotino, é alcançar a união mística com o Uno - imergindo-nos na libertação, na iluminação e alegria extasiante da mais grandiosa beleza.

Esta é a formulação básica da prova clássica - e agora muito moderna - sobre a existência de Deus, que os filósofos designam o argumento da beleza:

  • Tudo o que é fisicamente belo pode conceptualmente ser ainda mais belo
  • portanto, toda a beleza física fica aquém da perfeição;
  • portanto beleza perfeita só existe na sua forma eterna;
  • portanto, a ideia intemporal de beleza vem de um reino não-material, independente e superior ao mundo imperfeito dos sentidos;
  • portanto beleza perfeita descreve Deus.

Os filósofos modernos perguntam "Quem fez essas coisas mutáveis belas, se não aquele que é belo e imutável?" Richard Swinburne, o filósofo britânico contemporâneo de religião, fez um resumo interessante do argumento da beleza:
... Se existe um Deus há mais motivos para esperar um mundo basicamente belo do que basicamente feio. À priori, porém, não há nenhum motivo particular para esperar o basicamente belo, em vez do mundo basicamente feio. Em consequência, se o mundo é belo, esse facto será uma evidência da existência de Deus.
Estes argumentos filosóficos sobre a existência de um Ser Supremo têm duas componentes - a racional e a estética. Os ensinamentos Bahá'ís combinam os dois, convidando-nos a reconhecer não só a soberania de Deus, mas também a Sua grandeza:
Quão maravilhosa é a unidade do Deus Vivo, o Sempiterno - uma unidade que está enaltecida acima de todas as limitações, que transcende a compreensão de todas as coisas criadas! Ele, desde a eternidade, habitou na sua morada inacessível de santidade e glória, e continuará eternamente entronizado sobre os cumes da Sua soberania e grandeza independentes. Quão sublime é a Sua Essência incorruptível, quão completamente independente do conhecimento de todas as coisas criadas, e quão imensamente enaltecida permanecerá acima do louvor de todos os habitantes dos céus e da terra!

Da fonte enaltecida e da essência da Sua graça e generosidade, Ele confiou a cada coisa criada um sinal do Seu conhecimento, de modo que nenhuma das suas criaturas pudesse ser privada de expressar a sua parte desse conhecimento, cada uma de acordo com a sua capacidade e condição. Este sinal é o espelho da Sua beleza no mundo da criação. (Bahá'u'lláh, SEB, sec. CXXIV)
Assim, da próxima vez que você vir algo belo no mundo natural, pense nisso como um espelho da beleza de Deus, e veja-o como um caminho para o transcendente, como um mero reflexo de uma beleza maior e mais duradoura no reino espiritual.

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Texto original: Does God Exist? The Argument from Beauty (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

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