sábado, 14 de outubro de 2017

Porquê este fascínio por Bahá’u’lláh?

Por David Langness.


Este é o Dia em que o Oceano da misericórdia de Deus se manifestou aos homens, o Dia em que o Sol da Sua benevolência derramou o Seu esplendor sobre eles, o Dia em que as nuvens do Seu caridoso favor cobriram toda a humanidade. (Bahá’u’lláh, SEB, V)
Quem foi Bahá’u’lláh, o Profeta fundador da Fé Bahá’í?

Nascido em Teerão, na Pérsia, em Novembro de 1817, o Seu nome próprio era Mirza Husayn Ali. Filho de Mirza Abbas, um conhecido proprietário e membro do governo provincial de Nur, Bahá’u’lláh era descendente de Abraão e de Zoroastro. No início da Sua vida adulta, Bahá’u’lláh tornou-Se conhecido na Pérsia como “o Pai dos Pobres” devido aos seus trabalhos de assistência aos indigentes e aos desamparados. Poeta e místico Sufi, Bahá’u’lláh apoiou a Fé Bábi em 1844 e divulgou entusiasticamente a nova e revolucionária religião. Apesar da perseguição por parte do clero Muçulmano, apesar de ter sido preso e torturado, Bahá’u’lláh tornou-se um líder Bábi. Depois da execução do Báb em 1850, Bahá’u’lláh anunciou o início da Fé Bahá’í em 1863, no término do Seu exílio em Bagdade. Passou o resto da Sua vida na prisão e no exílio, proclamando a Sua no Fé e os seus princípios de paz, amor universal e unidade mundial.

Mas quem foi este homem que inspirou tamanha lealdade e amor entre tantos dos seus devotados seguidores?

Eis uma breve descrição, do livro A Concise Encyclopedia of the Baha’i Faith, de Peter Smith,
A grande devoção e amor que os seus seguidores sentem por Bahá’u’lláh tornam difícil conseguir uma noção sobre quem ele, realmente, era. Assim, os seus relatos sobre Bahá’u’lláh enfatizam a sua presença dominante e inefável, com um escritor afirmando que era quase impossível para alguém olhá-lo nos olhos ou proferir uma frase completa na sua presença. (p.78)
E.G. Browne
Aqui fica outra descrição mais detalhada do conhecido orientalista britânico E. G. Browne, o único ocidental que se encontrou com Bahá’u’lláh:
“A face d’Aquele para quem eu olhava”, é o memorável testemunho do entrevistador para a posteridade, “nunca poderei esquecer, apesar de não a conseguir descrever. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler a própria alma de uma pessoa; poder e autoridade emanavam daquela testa ampla… Não foi necessário perguntar na presença de quem me encontrava, enquanto me curvava perante aquele que é objecto de uma devoção e amor que os reis podem invejar e os imperadores suspirar em vão.” “Aqui”, testemunhou o próprio visitante, “passei cinco dias muito memoráveis, durante os quais apreciei oportunidades inesperadas e sem paralelo de me relacionar com aqueles que são as principais fontes desse espírito poderoso e maravilhoso, que trabalha com uma crescente força invisível, para o transformar e despertar de um povo trôpego num sono semelhante à morte. Foi, na verdade, uma experiência estranha e tocante, mas da qual lamento não conseguir transmitir nada salvo a mais fraca das impressões.” (citado por Shoghi Effendi, God Passes By, p. 193)
Tal como todos os Profetas e fundadores das grandes religiões mundiais, Bahá’u’lláh sofreu tremendamente como resultado dos seus novos ensinamentos. Ele deixou princípios sobre paz mundial, unidade racial e religiosa, harmonia entre ciência e religião, igualdade entre homens e mulheres, e a eliminação de extremos de pobreza e riqueza. Advogou um sistema de educação universal e obrigatório, a adopção de uma língua auxiliar universal e a criação de um sistema de governação mundial. Tal como todos os mensageiros religiosos, todos estes ensinamentos colocaram Bahá’u’lláh em desacordo com o clero e os funcionários governamentais do seu tempo - mas por fim atraiu milhões de devotados seguidores em todo o mundo.

Talvez se perceba porquê no seguinte excerto da descrição de E.G.Browne sobre o seu encontro com Bahá’u’lláh:
Louvado seja, pois conseguiste!... Vieste ver um prisioneiro e um exilado… Apenas desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações; no entanto, consideram-nos um fomentador de conflitos e sedição, merecedor de cativeiro e desterro… Que todas as nações se tornem uma na fé e todos os homens sejam irmãos; que os laços de afecto e unidade entre os filhos dos homens se fortaleçam; que a diversidade de religião termine e as diferenças de raças sejam anuladas – que mal há nisto?... No entanto, assim será; estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas desaparecerão e a “Mais Grandiosa Paz” virá… Não precisam disto também na Europa? Não foi isto que Cristo predisse?... No entanto, vemos os vossos Reis e governantes esbanjando os seus tesouros mais livremente em meios de destruição da raça humana do que naquilo que é conducente à felicidade da humanidade... Estas lutas e estas carnificinas e discórdias devem cessar, e todos os homens devem ser como da uma família… Que nenhum homem se glorifique porque ama o seu país; que se glorifique antes porque ama a sua espécie… (Bahá’u’lláh, citado por J. E. Esslemont’s Baha’u’llah and the New Era, pags. 39-40)

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Texto original: Who was Baha’u’llah - and Why Do So Many People Follow Him? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

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