domingo, 31 de outubro de 2004

Sempre a aprender

Ter uma criança em casa é mesmo assim. Todos os dias vamos tendo alegrias e apreciando os seus progressos. Todos os dias nos é pedida atenção e um pouco mais de paciência. Vamos vendo nele uma série de coisas semelhantes a nós próprios ou a outros familiares próximos. E em pequenas coisas vamos aprendendo grandes lições. Nesta semana chegámos à conclusão que numa casa onde há crianças tem de existir sempre um certo grau de desarrumação. Pode parecer óbvio, mas eu nunca me tinha apercebido disso. Ora vejam:


Sobre um post da Palmira

Uma das minhas leituras regulares tem sido o Diário Ateísta. Não que concorde com o conteúdo ou o teor da maioria dos posts, mas, a verdade é que, a troca de opiniões com alguns dos seus autores tem sido muito interessante (creio que ultrapassámos rapidamente a fazer das bocas e provocações). Recentemente, um post da Palmira Silva abordava a questão da tolerância religiosa. Algumas das ideias ali defendidas merecem vários comentários e são passíveis de dar início a um bom debate. Achei que seria melhor reunir aqui num único post todos os meus comentários.

Refere a Palmira a "confusão que alguns dos nossos leitores fazem entre intolerância em relação às religiões e posts onde se denunciam acções, passadas ou presentes, que consideramos danosas dos direitos humanos, dos valores éticos de uma sociedade que se quer de facto no século XXI e do laicismo"

Parece-me que a maioria dos posts dão azo a essa confusão. Por exemplo, qualquer acto criminoso ou apenas disparatado de um membro proeminente da Igreja Católica dá invariavelmente azo a um post com a condenação da Igreja como um todo. Acontece que a Igreja Católica não pode ser vista como um todo. Por exemplo, se um qualquer cardeal diz um disparate, fará sentido, só por causa disso, dizer que toda a Igreja Católica é um enorme monte de disparates? É óbvio que não. Existem na Igreja Católica muitas correntes e tendências, muitos modelos teológicos e muitas expressões culturais, que por vezes até se relacionam com alguns atritos; na Igreja Católica estão pessoas cujo trabalho e ideias são respeitáveis. Basta recordar nomes como Leonardo Boff, Hans Kung ou Samuel Ruiz.

Na minha opinião, a maioria dos vossos posts, ao insistirem na constante condenação das "acções, passadas ou presentes, que consideramos danosas dos direitos humanos" dão ao Diário Ateísta um carácter mais anti-religioso do que pro-ateísta. Se de facto todos estamos interessados em conseguir um "mundo cada vez mais global em que urge a coexistência pacífica, especialmente de credos" torna-se mais importante procurar um denominador comum em diferentes convicções religiosas e políticas, do que procurar continuamente a condenação verbal das religiões por causa de actos ou palavras dos seus membros. É óbvio que não devemos esquecer o passado; mas devemos preparar o futuro.

Estou completamente de acordo contigo quando dizes "qualquer grupo que pretenda ser o detentor intolerante da verdade e moral absolutas, que se arrogue divina e superiormente justificado para impor a sua forma de ver e estar na vida é uma ameaça à paz e à justiça. Todos nós somos testemunhas do perigo dos fundamentalismos religiosos". Apenas acrescentaria que esses grupos não são apenas religiosos; também são políticos.

O século passado viu surgir várias ideologias fabricadas pelo ser humano com o objectivo de salvar a humanidade dos seus problemas. Como foram trágicos os resultados dessas ideologias: divinização do Estado, sujeição de povos ao domínio de uma nação, raça ou classe social, supressão de todo o tipo de debates e intercâmbio de ideias… Quem defende esse tipo de dogmas – sejam eles de esquerda ou de direita, comunistas ou capitalistas – será capaz de nos explicar onde está o mundo novo prometido por essas ideologias? Onde está a paz mundial que sempre afirmaram defender? Também essas ideologias deve ser recordadas frequentemente.

Ainda sobre as ameaças à paz, devemos ter consciência que, por vezes, nos apresentam problemas religiosos que na verdade são apenas problemas políticos. A maioria dos políticos sabe que a religião tem uma profunda importância na identificação pessoal de um indivíduo. E qualquer pessoa de bom senso percebe que a religião tem sido usada frequentemente como factor mobilizador das populações contra problemas sociais. Por exemplo, o que se passa na Irlanda do Norte é um problema entre católicos e protestantes ou entre Ingleses e Irlandeses?

No último parágrafo escreveste: "A paz, a justiça, os direitos e a própria sobrevivência do homem só serão de facto possíveis quando as religiões se remeterem para o foro privado, que deveria ser o seu papel, sem tentativas de imiscuição na vida pública."

Se se entende "imiscuição na vida pública" por "demasiada influência das autoridades religiosas em questões de estado", então a frase peca por ser redutora. "A paz, a justiça, os direitos e a própria sobrevivência do homem" têm raízes em problemas bem mais amplas. Veja-se o racismo (uma das mais ultrajantes violações dos direitos humanos), as disparidades escandalosas entre ricos e pobres, o nacionalismo desenfreado (tão diferente de um patriotismo saudável), os preconceitos religiosos (um praga repugnante para o progresso humano), a emancipação da mulher (sempre tão afastadas de órgãos de decisão) e a educação básica obrigatória para todas as crianças deste planeta.

Na minha opinião são esses os principais obstáculos para fazer deste planeta um só país e da humanidade os seus cidadãos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Património Mundial

Segundo o Globes, o município de Haifa propôs à UNESCO a candidatura dos jardins bahá'ís a Património Mundial (ver notícia aqui). Ali perto, no outro lado da baía, a cidade velha de 'Akká, também já é Património Mundial (ver aqui). A notícia é interessante e não deixa de ser uma espécie de reconhecimento pela beleza daqueles locais. Pessoalmente, nunca olhei para os jardins e lugares sagrados bahá'ís como propriedade bahá'í, mas como propriedade da humanidade. E agora, com estas notícias cresce em mim a vontade de ir novamente em peregrinação...

quarta-feira, 27 de outubro de 2004

Parabéns e Obrigado

A Rua da Judiaria foi um dos primeiros blogues que conheci e admirei. Hoje faz parte do meu roteiro diário. Um blog como este, além dos parabéns, merece um obrigado. Porque nele ora aprendemos alguma coisa, ora somos levados a reflectir sobre diversos assuntos.



Gostava de escrever "parabéns" em hebreu... mas a minha cultura geral não dá para tanto. Mas creio que ainda me lembro como se escreve "obrigado": "toda" ou "toda raba". (corrijam-me se tiver errado!)

Porque hoje é quarta-feira

Hoje há Terra da Alegria!

terça-feira, 26 de outubro de 2004

O Barão Prokesch-Osten

Passam hoje 128 anos sobre o falecimento de Anton von Prokesch-Osten. Homem de múltiplos talentos (militar, diplomata, político e académico), foi uma das mais interessantes personalidades da Áustria do séc. XIX.

Iniciou a sua carreira servindo no exército austríaco e combatendo os franceses de Napoleão Bonaparte. Em 1824 foi colocado no Mediterrâneo oriental onde trabalhou como secretário do Marechal Karl Schwarzenberg; testemunhou as guerras da independência da Grécia, serviu em várias missões militares na Grécia e na Turquia (incluindo uma visita a 'Akká em 1829) e recebeu em 1830 o título de "Ritter von Osten" (Cavaleiro do Oriente). Em 1833 foi mediador das negociações de paz entre o Sultão e Muhammad 'Ali Pasha, o vice-rei rebelde do Egipto. Em 1834 foi nomeado embaixador austríaco em Atenas, cargo em que permaneceu até 1848.

A experiência adquirida torna-o um especialista em línguas e culturas do Médio Oriente; vários trabalhos publicados dão-lhe uma auréola de respeito entre orientalistas europeus. Os seus relatórios de diferentes situações políticas despertam a atenção do Príncipe Metternich.

Em 1849, Prokesch-Osten é nomeado ministro austríaco na Prússia; esta nomeação era mais uma das iniciativas do governos austríaco para tentar recuperar a sua influência entre os estados germânicos. Prokesch-Osten acreditava que em Berlim poderia ressuscitar a parceria Austro-Prussiana que tinha dominado a confederação germânica após 1815; no entanto, pouco depois de ocupar o seu posto, percebeu que o rei Frederico Guilherme IV tinha planos para transformar os estados alemães num império prussiano. Não havia possibilidade de conciliar interesses austríacos e prussianos.

Apesar de se sentir isolado em Berlim, e frequentemente sem instruções de Viena, Prokesch-Osten conseguiu criar uma rede de contactos entre diplomatas austríacos colocados em cidades alemãs. A plena restauração de Assembleia da Confederação dos Estados Germânicos em 1851 deve muito aos seus esforços, mas esses mesmo esforços e a defesa dos interesses austríacos junto dos estados alemães causaram incómodo em Berlim. Em 1853 foi colocado em Frankfurt como representante austríaco nessa Assembleia, onde enfrentou as intrigas e manobras políticas de Otto von Bismarck.



Mas a colocação em Berlim tinha sido apenas uma pausa na sua ligação ao Médio-Oriente. Em 1855 é destacado para a embaixada austríaca junto da Porta Sublime, em Constantinopla; ali permaneceu até 1871, chegando a ocupar o cargo de embaixador (ele é um dos embaixadores europeus em Constantinopla quando Bahá'u'lláh ali chega em 1863 com um pequeno grupo de exilados persas). Quando se reformou, em 1871, o imperador Francisco José atribuiu-lhe o título hereditário de Conde em reconhecimento por sessenta anos de serviços prestados.

Faleceu em Viena a 26 de Outubro de 1876.


Correspondência com Gobineau

Já aqui referi a correspondência entre o Barão Prokesch-Osten e o Conde Gobineau. Estes conheceram-se em Frankfurt e mantiveram amizade e correspondência durante mais de 20 anos. Várias das cartas que trocaram contêm referências a Bahá'u'lláh. Quando Gobineau publicou o livro Les religions eet Philosophies dans l’Asie Centrale, enviou um exemplar a Prokesch. Em Dezembro de 1865, Prokesch escreveu dizendo que já ia no capítulo 7 e estava a ler agora sobre o Bábismo, do qual nunca tinha ouvido falar. Um mês mais tarde, numa outra carta, escreveu:

Estou agora na página 336 do seu livro, no meio da doutrina dos Babís, e estou a chegar ao ponto de me tornar Babí. Tudo é fascinante na história deste fenómeno humanitário e histórico, até mesmo o facto da ignorância da Europa sobre um assunto de importância colossal. E eu próprio, um digno representante da Europa, não conheço uma única coisa sobre o assunto. Foi através de si que tomei conhecimento disto.

Uma vez que não existe uma inteligência humana que nos possa dizer algo sobre Deus, e as diferenças entre as várias teodiceias consistem apenas em pequenos ou grandes absurdos, tenho de concordar que a teoria Babí tem um encanto particular, qualquer coisa cativante e nobre que agrada à alma e nos convida a acreditar na auto-suficiência. A criação do mundo como uma emanação de Deus é uma ideia indiana, mas a explicação do mal apenas pelo facto do afastamento do ser emanado do seu criador, é completamente nova e parece-me mais digna, mais sublime do que alguma vez foi proferida por qualquer dos fundadores de religiões ou filosofias. É consequência lógica que o retorno da emanação à sua fonte, que o mal deixe de existir e se torne um nada, não havendo qualquer necessidade para a sua aniquilação ou para a sua preservação através de punições monstruosas, injustas e repugnantes num inferno ou num reino do diabo. A coexistência de Ormuzd e Ahriman, do bem e do mal como princípios iguais, tão incompatíveis com a ideia de Deus, é modificada no Bábismo de forma nova e bem sucedida. Também a doutrina sobre os Profetas me agrada infinitamente porque é conciliatória e exclui qualquer fanatismo. Simultaneamente é muito forte e não tem o absurdo das outras. Espero mais discórdia assim que o Bábismo se tentar aplicar ao mundo da política, à organização da sociedade e da sua própria hierarquia. Vai mergulhar na lama, como todas as outras doutrinas, suponho eu. Vou descobrir mais coisas esta noite, lendo mais antes de me deitar.
[1]

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[1] – Citado em The Babi and Bahá’í Religions, Some Contemporary Western Accounts, pag 186

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

Os pobres

É frequente encontrar referências à pobreza nas sagradas escrituras de todas as religiões e em muitos livros sobre religião. Nestes encontramos com frequência o elogio da pobreza e, por vezes, até do ascetismo. Pessoalmente (e isto é uma interpretação muito pessoal) tenho outro entendimento do significado da pobreza.

Qual a diferença entre ricos e pobres, para além das diferenças materiais? Creio que são poucas. Em muitos casos, a única diferença é que o pobre gostaria de estar no lugar do rico. Mas as virtudes e os defeitos, os méritos e os deméritos de ricos e pobres parecem-me iguais. Frequentemente, no contexto das Sagradas Escrituras, creio que seria mais correcto identificar a riqueza com o apego excessivo às coisas deste mundo e a pobreza com o desprendimento. Não me parece que alguém possa ser excluído de Deus por possuir muitos bens materiais; parece-me mais plausível que uma pessoa se auto-exclua, de Deus por apego excessivo aos seus bens materiais (sejam muitos ou poucos).

No livro "As Palavras Ocultas", Bahá'u'lláh escreveu

"Tudo o que se encontra no Céu e na Terra, Eu o destinei a ti, excepto o coração humano, o qual fiz residência de Minha beleza e glória"[1]
Pessoalmente, entendo esta frase como significando que tudo o que está no universo foi feito para nós; podemos usar tudo o que está na criação; mas nãos nos devemos apaixonar por nada do que está na criação; o coração apenas se pode apaixonar pelo Criador; não se pode apegar excessivamente por mais nada. Ou se quiserem, nada na criação se deve interpor entre cada ser humano e o Criador.

É este elogio da pobreza, sinónimo de desprendimento, que me parece ser feito nas sagradas escrituras. A este propósito, a história contada por 'Abdu'l-Bahá, durante uma palestra em Nova Iorque, em 1912, assume um significado especial:
Jesus era um homem pobre. Uma noite, quando Ele estava nos campos, começou a chover. Ele não tinha local onde Se abrigar; por isso, olhou para o céu e disse: «Ó Pai! Para os pássaros do ar criaste ninhos, para as ovelhas um estábulo, para os animais uma toca, para os peixe um local de refúgio, mas para Mim não providenciaste abrigo. Não há local onde possa encostar a Minha cabeça. A Minha cama é o chão frio; as minhas lâmpadas à noite são as estrelas, e a Minha comida é a erva dos campos. E, porém, quem sobre a erra é mais rico do que Eu? A maior das bênçãos Tu não a deste aos ricos e aos poderosos, mas a Mim, pois Tu entregaste-me os pobres. A Mim concedeste-Me esta bênção. Eles são Meus. Por isso, Eu sou o homem mais rico do mundo.»[2]

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NOTAS
[1] – As Palavras Ocultas, Bahá'u'lláh, Persa, nº 27
[2] –
The Promulgation of Universal Peace, 'Abdu’l-Bahá, pag.33-34

Terra da Alegria

Hoje há Terra da Alegria! Um texto do Zé Filipe e outro meu...

sábado, 23 de outubro de 2004

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

A colónia alemã de Haifa

A propósito de um post do André Esteves no Diário Ateísta onde se refere a Grande Desilusão de 1843, aqui fica uma pequena curiosidade histórica.

No séc. XIX um pequeno grupo de alemães instalou-se junto à baía de Haifa, no sopé do Monte Carmelo. Tal como outros grupos milenaristas da época, acreditavam que o regresso de Cristo estava iminente (seria em 1869) e que Ele apareceria ali. Para um bahá'i, a proximidade das datas é, no mínimo, curiosa: a Grande Desilusão dá-se em 1843 e a declaração do Báb em Maio de 1844; os colonos alemães acreditavam que Cristo ia regressar em 1869 e Bahá'u'lláh chega à Terra Santa em Agosto de 1868.

A foto seguinte mostra a essa pequena colónia em 1895.



A foto seguinte mostra, nos dias de hoje, a mesma avenida da foto anterior, vista do Monte Carmelo:



A mesma avenida, à noite:



A foto seguinte mostra uma inscrição na fachada sobre a porta de uma dessas casas: Der Her ist nahe (O Senhor está próximo).



Mais fotos da colónia dos templários aqui.

Actualização

Também sobre a Colónia Alemã de Haifa ver The German (Templar) Colony.

Oasis ou miragem?

Um editorial recente do Kaleej Times chama a atenção para o facto dos Emirados Árabes Unidos serem um país totalmente diferente dos restantes países árabes em matéria de tolerância religiosa. O texto em causa, refere dados do The International Religious Freedom Report for 2004 do Departamento de Estado Norte-Americano (onde se destaca um bom relacionamento entre as diferentes comunidades religiosas do país), dados estatísticos governamentais (a população tem 76% de muçulmanos, 9% de cristãos e 15% de outras religiões) e apresenta alguns exemplos de liberdade religiosa no país.

Os exemplos apresentados são interessantes: missionários cristãos fundaram e administram duas maternidades e várias escolas; a distribuição de Bíblias não tem restrições, existem dois templos sikhs e um templo hindu. Ao todo, existem nos Emirados Árabes 24 igrejas cristãs. Alguns dos Emirados já cederam terrenos para construção de cemitérios cristãos e bahá'ís. Já os dados do relatório americano referem pressões e alguns abusos apenas em anos anteriores.

Nunca visitei um país muçulmano. A imagem que sempre criei sobre os países e as sociedades muçulmanas estão invariavelmente associadas à intolerância e à ortodoxia. É verdade que isto é um preconceito da minha parte, e que os preconceitos são uma coisa feia. Não conheço ninguém que more nos Emirados Árabes; não posso deixar de ficar surpreendido com a história da cedência do terreno para a construção do cemitério bahá'í. Geralmente, nos países de maioria muçulmana, os bahá'ís são acusados de heresia e apostasia (nós acreditamos que depois de Maomé apareceram mais Profetas).

E assim, no meio dos meus preconceitos e da minha surpresa com esta notícia, não sei se deva considerar os Emirados como um oásis ou uma miragem. Será que alguém que conheça os Emirados (para além dos free-shops do aeroporto) me pode esclarecer? A notícia completa está aqui: UAE is an oasis of religious tolerance.

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

No Togo

Imagino que para o comum dos portugueses, o Togo seja um país cujo nome não tem qualquer significado. Talvez estivéssemos familiarizados com a sua existência se lá houvesse uma guerra civil, se ali tivesse acontecido alguma tragédia ou se tivesse sido uma colónia portuguesa. O Togo está encravado entre o Ghana e o Benim; tem pouco mais de metade da área de Portugal e cerca de 5 milhões de habitantes. Desde a independência, em 1960, tem tido uma existência mais ou menos atribulada. Neste momento, para a comunidade bahá'í, este pequeno país do Golfo da Guiné é notícia: celebram-se 50 anos do surgimento de religião bahá'í naquele país.

Como é habitual nestas ocasiões são convidados os crentes que levaram a Fé Bahá'í àquele país. Uma dessas pioneiras, a Sra Mavis Nymon, actualmente com 82 anos e a viver nos Estados Unidos não pode deslocar-se ao Togo. Mesmo assim enviou uma mensagem aos Bahá'ís do Togo recordando os dias em que levou a mensagem de Bahá'u'lláh à Togolândia Francesa, em Maio de 1954; hoje a comunidade bahá'í do Togo está estabelecida em mais de 500 localidades naquele país.

Ao longo deste ano têm sido diversas as actividades que assinalam este jubileu; conferências, espectáculos de dança e de musica têm animado as actividades bahá'ís no Togo. Vários crentes de outros países de África têm participado e a comunicação social togolesa tem feito eco dessas actividades.

Notícia completa e fotos aqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

O Nascimento do Báb

No dia de hoje, os bahá'ís em todo o mundo celebram o nascimento do Báb; é um dos onze feriados do calendário bahá'í. O Báb é frequentemente referido como o Arauto da Fé Bahá'í. Tal como João Baptista, há cerca de 2000 anos, o Báb apelou aos povos que se purificassem para a vinda do dia de Deus. Mas ao contrário de João Baptista, Ele fundou uma religião e afirmou possuir um estatuto semelhante a Moisés, Jesus ou Maomé. Na literatura bahá'í, estes profetas fundadores das grandes religiões mundiais, são referidos com a expressão Manifestantes de Deus; alguns autores referem o Báb e Bahá'u'lláh, como "Manifestantes Gémeos de Deus", devido à sua proximidade temporal.



Não são conhecidos muitos detalhes sobre as circunstâncias do nascimento do Báb. Sabemos que Ele nasceu no dia 20 de Outubro de 1819, em Shiraz. O Seu nome próprio era 'Alí-Muhammad; era filho de Muhammad-Ridá, um comerciante de Shiraz, e de Fátimih-Bagum. Tanto o pai como a mãe eram descendentes de Maomé. Quando o Báb era ainda criança o seu pai faleceu e Ele foi entregue aos cuidados de um tio materno, Hájí Mírzá Siyyid 'Alí; esse tio seria o único dos Seus familiares que aceitaria abertamente a Sua Causa durante a Sua vida.

Em contraste com a pouca informação relativamente ao Seu nascimento, existem muitas histórias relativas à Sua infância, onde se podem traçar vários paralelismos com episódios relatados pelos Evangelhos sobre a juventude de Jesus. Por exemplo, quando o Báb foi para a escola, o professor ficou maravilhado com a Sua sabedoria e inteligência, e enviou-O de volta para o tio, dizendo que nunca tinha ensinado um aluno tão dotado. O tio ordenou-Lhe que estivesse calado e ouvisse o professor com atenção, mas com o passar do tempo, o mestre-escola sentia-se mais aluno do que professor.

Outros relatos o carácter extraordinário do Báb e o muito tempo que passava em oração. É difícil duvidar que não fosse uma criança prodigiosa. Alguns dos que O conheceram naqueles primeiros anos tornaram-se Seus seguidores e pouco se surpreenderam com o desenrolar dos acontecimentos que O tiveram como protagonista.



As semelhanças entre o Báb e Jesus são frequentemente referidas com uma certa admiração. William Sears, um autor bahá'í, refere, por exemplo que ambos eram conhecidos pela sua generosidade. Ambos condenaram a corrupção das autoridades religiosas e certos hábitos sociais. Foram ambos perseguidos pelas autoridades religiosas, sendo ambos interrogados e espancados. Ambos começaram por entrar em triunfo na cidade onde seriam mortos. Ambos proferiram palavras de confortos para os que iam morrer com eles.

Resta ainda dizer que as comunidades bahá'ís, um pouco por todo o mundo, celebram este dia de diversas maneiras. A maioria destas celebrações iniciam-se com leituras de orações e leituras das escrituras, seguindo-se um momento de confraternização. São celebrações abertas a qualquer pessoa.

Porque hoje é quarta-feira...

Há uma nova edição da Terra da Alegria!


segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Quando se ultrapassam os limites...

Quando a nossa futebolândia se auto-flagela com provocações, ameaças, insultos pessoais entre dirigentes desportivos, não é de estranhar que pessoas com um pouco de senso comum se vão afastando dos espectáculos desportivos. Um jogo deve ser uma festa; não uma batalha. Pode haver jogos decisivos, mas não há jogos de vida ou de morte. É pena, pois, que falte o bom senso a quem devia ser um exemplo de sensatez na administração de entidades desportivas.

Felizmente, vamos encontrado no meio desportivo gente inteligente e corajosa. E o exemplo chegou-nos da Holanda. No decorrer do jogo entre o PSV Eindhoven e o The Hague, o árbitro decidiu suspender o jogo devido a repetidos cânticos racistas por parte de uma das claques. Se este procedimento das claques tende a ser considerado normal, é bom sabermos que existe gente com coragem no meio desportivo, para quem comportamentos insultuosos são inaceitáveis no desporto. Ultrapassaram-se os limites e este homem teve coragem de dizer basta.

Terra da Alegria

A complexidade, segundo as palavras do Zé Filipe. Está na edição de hoje da Terra da Alegria!



sexta-feira, 15 de outubro de 2004

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

Sentido de Humor

Li algures que a evolução do Cristianismo e do Islão teriam sido diferentes se existisse algum registo histórico do sentido de humor dos seus Profetas fundadores. De facto, é comum associar a austeridade e a seriedade ao fenómeno religioso, e há mesmo quem considere que todo o tipo de humor como falta de respeito.

Na religião Bahá'í, o primeiros crentes que tiveram contacto directo com as figuras centrais, deixaram alguns relatos interessantes sobre o seu sentido de humor.

Sobre Bahá'u'lláh conta-se a seguinte história que se teria passado durante o exílio em Adrianópolis (1863-1868). Um crente chamado Nabil tinha chegado de uma longa viagem e juntou-se ao pequeno grupo de exilados persas; assim que chegou foi visitar Bahá'u'lláh. Este cumprimentou-o calorosamente mas notou como ele estava magro e com olheiras. Disse para todos os presentes: "A mão do poder divino pegou nele e trouxe-o para aqui. Mas ele perdeu peso e tem um aspecto muito cansado. Deves comer e beber para que possas recuperar algum peso."

Alguns dias mais tarde, Bahá'u'lláh visitava uns amigos quando notou que Nabil estava presente. Sorriu e disse: "Excelente! Nabil ganhou mais peso – bastante mais do que tínhamos recomendado". [1]

Também sobre 'Abdu'l-Bahá ficaram registos de vários episódios em que o Mestre revelava um grande sentido de humor. Um dia na Terra Santa, 'Abdu'l-Bahá disse a um crente americano que ele devia viajar para a Índia para divulgar os ensinamentos bahá’ís. Esse crente já tinha viajado muito, mas naquele momento não lhe apetecia fazer outra viagem. Passados alguns dias 'Abdu'l-Bahá disse-lhe que devia ir para a América. "Pensei que ia para a Índia" respondeu o crente. O Mestre sorriu e replicou: "Cristóvão Colombo também". [2]

A este tipo de histórias podem-se acrescentar testemunhos de crentes que gostavam de relatar a Bahá'u'lláh situações engraçadas que iam tendo conhecimento. Para eles era uma enorme satisfação vê-Lo rir.

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[1] –
'Abdu'l-Bahá, The Centre of the Covenant of Bahá'u'lláh, H.M. Balyuzi, pag. 155
[2] –
Stories of Bahá'u'lláh, Furutan, pag. 37-38

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

Cartola

Angenor de Oliveira nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1908. Era o quarto de sete irmãos. Com 11 anos, a sua família muda-se para o Morro da Mangueira; as dificuldades financeiras levam-no a trabalhar desde muito cedo. Ao trabalhar nas obras começa a usar um chapéu de côco para evitar sujar o cabelo com cimento; de imediato surge a alcunha: Cartola.

Em 1928, ele é um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Passou então a dedicar cada vez mais tempo à música e foi criando vários sucessos. A Escola da Mangueira adoptou as cores verde e rosa e tornou-se um dos maiores sucessos do carnaval carioca. No seu primeiro desfile na Praça Onze, com o samba de Cartola, Chega de Demanda, a Mangueira ganhou o primeiro prémio do carnaval. Em 1932, Cartola vende o seu primeiro samba, apesar de só ter gravado o seu primeiro disco em 1974. A vida pessoal trouxe-lhe várias alegrias e tristezas. Dizem que Dona Zica e a Mangueira foram as suas grandes paixões.

Ao longo de 72 anos de vida, Cartola compôs, sozinho ou em parcerias, cerca de quinhentas canções. Os seus principais parceiros foram Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Noel Rosa e Dalmo Castello. Apesar do sucesso, morreu de cancro, pobre, numa casa doada pelo município do Rio de Janeiro, em Novembro de 1980. Não faltam artistas brasileiros a prestarem-lhe homenagens: Beth Carvalho, Alcione, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Leny Andrade, Cazuza e Marisa Monte.

Cartola, se fosse vivo, faria hoje 96 anos.


O Mundo é um moinho

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés

Ciência e Religião

Vários autores consideram que a ciência, tal como a conhecemos hoje, teve a sua origem no Renascimento. Foi nessa altura que surgiram métodos experimentais e abordagens matemáticas. Nomes como Copérnico e Galileu ficaram associados a essa inovação no conhecimento humano e chegam a ser referidos como pais da ciência moderna".

A maioria das religiões mundiais são anteriores à ciência moderna, e não ficaram indiferentes ao seu surgimento. Frequentemente, a inovação do conhecimento científico, criou diferentes correntes de opinião entre as religiões; houve os que condenavam e perseguiam os defensores do novo conhecimento científico, e houve os que reformularam o seu conhecimento da religião, à luz do novo conhecimento científico. Neste atrito entre ciência e religião, houve extremismos inconcebíveis e mártires.

Surgida no século XIX, a religião Bahá'í é posterior à ciência moderna; entre os seus princípios afirma-se explicitamente que "ciência e religião devem estar em harmonia". Esta frase em si é apelativa mas significa exactamente o quê? Serão a ciência e a religião caminhos de conhecimento igualmente válidos? Serão caminhos que nos levam a tipos de conhecimento totalmente distintos? Será que se cruzam nalguns aspectos, ou nunca se tocam? Tenho reparado que mesmo entre bahá'ís, este tipo de questões recebe uma multiplicidade de respostas.

Primeiramente parece claro que a ciência e a religião se tocam em alguns pontos. Mais não seja, porque ambas são preocupações humanas, ambas exercem influência na nossas vidas. Além disso, a ciência e a religião oferecem duas perspectivas da realidade, perspectivas essas que nos ajudam a encontrar um significado para a vida, que individual, quer colectiva. Se a ciência e a religião devem estar em harmonia, então devem criar perspectivas coerentes, em vez de apresentar visões distintas da realidade.

O que significa mesmo harmonia? Na música, as notas harmoniosas complementam-se de forma agradável; notas não harmoniosas produzem apenas ruídos desagradáveis. Poder-se-ia dizer existe harmonia quando diferentes elementos se complementam e produzem um resultado que é maior que a soma das partes. E note-se que para haver harmonia, os elementos não têm de ser iguais. Da mesma forma, a ciência e a religião não são iguais; podem-se complementar de formar harmoniosa.

Talvez seja surpreendente que as escrituras bahá'ís não digam que a ciência deve estar de acordo com a religião; pelo contrário, é a religião que deve estar de acordo com a ciência:
Se a religião fosse contrária à razão lógica, então deixaria de ser religião para ser simplesmente tradição. Religião e ciência são duas asas sobre as quais a inteligência do homem pode voar até às alturas, com as quais a alma humana pode progredir. Não é possível voar apenas com uma asa! Se um homem tentasse voar unicamente com a asa da religião, cairia imediatamente no pântano da superstição, enquanto, por outro lado, apenas com a asa da ciência, também nenhum progresso faria, antes se afundaria no lodaçal desesperante do materialismo. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p.143)
'Abdu'l-Bahá afirmou várias vezes que a religião deve estar de acordo com a ciência e a razão. Quando isso não acontece, torna-se apenas superstição, e não deve ser aceite. Um dos principais factores de atrito entre ciência e religião tem sido a recusa obstinada de seguidores de algumas correntes religiosas em permitir que o seu entendimento da religião receba um contributo da ciência. É assim que encontramos algumas correntes religiosas que consideram as Sagradas Escrituras como um relato literal da história da humanidade e do universo, e não uma descrição metafórica que nos pretende transmitir valores e ensinamentos espirituais.

São muitas as "vozes religiosas" que adoptam uma posição crítica em relação à ciência., cada vez que esta entra em conflito com o seu entendimento da religião. Preferem dizer que a ciência "está na sua infância", que é "excessivamente materialista", ou apenas "uma ilusão satânica". Na perspectiva bahá'í, essas vozes caem na superstição ao impedir que a ciência e a razão influenciem as suas convicções religiosas.

Mas relativamente ao conhecimento científico, é importante ter presente que este é sempre provisório. A ciência nunca nos proporciona um conhecimento absoluto e definitivo. Através da observação, experimentação e razão há sempre a possibilidade de alterar qualquer pedaço de conhecimento científico. Mas esta natureza provisória do conhecimento científico não significa que se possa desprezar a sua utilidade ou validade. Além disso quando se argumenta sobre a maturidade de uma qualquer ciência, é também importante ter presente qualquer ciência, por muito imatura que seja, tem sempre algo de útil a dizer-nos sobre o mundo em que vivemos.

A religião Bahá'í também considera o conhecimento religioso como evolutivo. O princípio da revelação progressiva mostra-nos que o conhecimento religioso evolui e amadurece ao longo da história da humanidade; mesmo quando um indivíduo lê, estuda e debate assuntos religiosos, o seu conhecimento religioso também evolui e amadurece. A verdade absoluta apenas reside no próprio Deus; apenas podemos aproximar-nos dela. Seria incorrecto agarrarmo-nos a uma determinada interpretação das sagradas escrituras, quando temos fortes evidências que essa interpretação está incorrecta.

'Abdu'l-Bahá usou frequentemente a analogia da ciência e religião como duas asas de um pássaro que devem ser igualmente fortes para que a humanidade possa desenvolver todo o seu potencial. Parece-me óbvio que devemos deixar crescer o nosso conhecimento religioso, tal como deixamos crescer o nosso conhecimento científico. É esse crescimento de duas formas de conhecimento, harmoniosas entre si, que nos permitem compreender cada vez melhor as maravilhas da criação divina.

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LINKS
Some Questions about Science and Religion, Interviews with Abdul Baha at Tiberias and Haifa, by Anna KunzQuotations on science and religion, by Universal House of JusticeScience and Technology, Compiled by Research Department of the Universal House of JusticeCommentary on Are Abdu'l-Baha's views on evolution original? by Stephen Friberg

Terra da Alegria

Afonso Cruz, Zé Filipe, Lutz e eu temos novos textos na edição de hoje da Terra da Alegria!



sexta-feira, 8 de outubro de 2004

Na Voz da América

No Voice of America, um editorial que afirma reflectir a opinião do governo americano:

"Os bahá'ís são a maior minoria não-Muçulmana no Irão com cerca de trezentos mil aderentes. E são um alvos especiais de abusos. Aos bahá’ís não é permitido ensinar ou praticar a sua religião, conseguir empregos públicos ou frequentar universidades iranianas. As suas propriedades têm sido confiscadas e são vítimas de prisões arbitrárias e encarceramento. Vários locais bahá'ís de grande significado religioso têm sido destruídos pelas autoridades iranianas.

Os cristãos no Irão devem trazer consigo bilhetes de identidade e os dirigentes das igrejas devem informar as autoridades antes de admitir novos membros. A discriminação oficial contra judeus no Irão é frequente, e a comunidade judaica no Irão tem sido reduzida a menos de metade do que era antes da revolução Islâmica. Proeminentes lideres sufis têm sido atacados e os muçulmanos sunitas também enfrentam discriminação."

Já aqui referi tantas vezes o assunto das perseguições aos bahá'ís no Irão, que corro o risco de chatear algum leitor mais assíduo. Mas ela existem. Como é que posso ficar calado?

Notícia completa aqui.

(Actualização)

O Voice of America tem mais uma notícia: US Congress Examines Global Religious Freedom.

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

Sem tempo para ser criança



"Chamo-me Amaratech, que quer dizer «a bela». Na minha família sou a mais nova de quatro crianças. Não quero transportar lenha durante toda a minha vida. Mas nesta altura não tenho escolha, pois somos muito pobres. Todos nós, crianças, transportamos lenha para ajudar a nossa mãe e pai a comprar comida para nós. Preferia ter apenas de ir à escola e não ter de me preocupar com ganhar dinheiro."

Uma foto reportagem da BBC sobre os meninos pobres da Etiópia que têm de transportar lenha. Tocante.

Os Nomes e os Títulos

Ao logo dos meus textos sobre a religião Bahá'í tenho referido a maioria dos intervenientes pelos títulos e não pelos nomes próprios. Uma das minhas primeiras impressões com a história Bahá'í era que quase todos os homens se chamavam Muhammad, Ali, ou Husayn (provavelmente, também um persa diria que os portugueses se chamam quase todos Manuel, José ou Joaquim).

Como nota de curiosidade, aqui ficam os títulos e os respectivos nomes próprios que tenho referido com maior frequência:

O nome próprio do Báb (em português, "Porta") era Mirzá Muhammad 'Ali;
O nome próprio de Bahá'u'lláh (em português, "Glória de Deus") era Mirzá Husayn 'Ali;
O nome próprio do 'Abdu'l-Bahá (em português, "Servo de Deus") era 'Abbás Effendi;
O nome próprio de Tahirih (em português, "Pura") era Qurraut’l-Ayn;
O nome próprio de Quddus (em português, "Santo") era Muhammad-'Ali-i-Barfurushi;

A palavra Bahá significa "Glória"; e a palavra Bahá'í significa "seguidor da Glória"

Bahá'u'lláh usa frequentemente a palavras "ramo" para se referir aos filhos e a palavras "folha" para se referir às filhas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Terra da Alegria

Segunda parte do Manifesto do José, como o Timóteo imagina Deus, o padre Abel Varzim segundo Rui Almeida, a dificuldade da oração segundo Miguel Marujo, história, escritura e revelação segundo Fernando Macedo.

Tudo isto, hoje na Terra da Alegria.

Enquanto cortava o cabelo...

- Então viu o que eu escrevi no blog a seu respeito?

- Sim. Até foi a minha mulher que me chamou a atenção. Tava muito giro... Eh eh eh...

- Ainda bem que gostou.

- Olha! Dei o endereço da tua página a um cliente meu que estava interessado em saber mais sobre a religião bahá'í.

- Ah sim?!...

- Ele olhou para o endereço e disse logo: "Agora, os intelectuais andam com a mania dos blogues!"

- Ah.. pois... se calhar, até tem razão.

segunda-feira, 4 de outubro de 2004

domingo, 3 de outubro de 2004

Com 14 meses...

... o meu rapaz anda imenso. Agarra em tudo. Mexe em tudo. Naturalmente, não pára quieto. Adora passar nos espaços mais estreitos e meter-se nos cantos mais apertados. Temos de estar constantemente a vigiá-lo. E é curioso, muito curioso, como a foto seguinte mostra.



Só para acalmar os espíritos mais inquietos: não é assim que lhe damos banho!

sexta-feira, 1 de outubro de 2004

'Akká, nas palavras dos Profetas



A presença de Bahá'u'lláh (que em português significa "Glória de Deus") na Terra Santa leva-nos a repensar algumas da palavras das Sagradas Escrituras do passado. Os Profetas de Israel referem o Monte Carmelo e o Profeta da Arábia mencionou a cidade de 'Akká com palavras que enaltecem a sua glória acima de outras cidades de reconhecido esplendor.

Por exemplo, em Ezequiel, cap. 43, lê-se:

"Conduziu-me ao pórtico, ao pórtico que dá para o Oriente
E eis que a glória de Deus de Israel chegava do lado do oriente. Um ruído a acompanhava e, semelhante ao ruído das grandes águas, e a terra resplandecia com a sua glória
(...)
A glória do Senhor entrou no templo pelo pórtico que dá para o Oriente.
O espírito conduziu-me e levou-me para o átrio interior. E eis que a glória do Senhor enchia o templo (...)
"

E em Isaías, cap. 35:

"O deserto e a terra árida alegrar-se-ão, a terra desolada exultará e florescerá.
Florescerá como flor de narciso, alegrar-se-á com júbilo e alegria; a glória do Líbano ser-lhe-á dada, a formosura do Carmelo e de Saron verão a glória do Senhor, a magnificência do nosso Deus (...)
"

De acordo com as tradições islâmicas, Maomé declarou:

"Bem-aventurado o homem que visitou 'Akká; e bem-aventurado o homem que visitou o visitante de 'Akká... Um mês em 'Akká é melhor que mil anos em qualquer outro lugar"

"Existem reis e príncipes no paraíso. Os pobres de 'Akká são reis do Paraíso e seus príncipes. Um mês em 'Akká é melhor que um milhar de anos em qualquer outro lugar"