segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005

Ayyam-i-Ha

"Iniciaram-se os dias que Tu que designaste como Ayyam-i-Ha (os Dias de Ha, dias intercalares) em Teu Livro, ó Tu que és o Rei dos Nomes, e aproxima-se o jejum que a Tua mais enaltecida Pena decretou que observassem todos os que estão no reino da Tua criação." Bahá'u'lláh.

Em todo o mundo os baha'is celebram neste momento o Ayyam-i-Ha (também referidos como "Dias Intercalares"). Trata-se de um período festivo, onde se realizam várias festas, se trocam lembranças (as crianças adoram estes dias!), visitam-se familiares e organizam-se várias actividades sociais. Todas estas actividades decorrem entre os dias 25 de Fevereiro e 1 de Março, e são vistas como uma preparação para o jejum que decorre entre os dias 2 e 20 de Março.

Tenham um feliz Ayyam-i-Ha!

Terra da Alegria

Terra da Alegria, a edição de 2ª feira.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Os Sete Mártires de Teerão: a reacção russa

1850 foi um dos anos mais marcantes da história das religiões Babi e Baha'i. Os acontecimentos mais relevantes foram o martírio do próprio Báb, e as sublevações e massacres em Zanjan e Nayriz; mas o martírio de sete crentes em Teerão, permitiu aos diplomatas estrangeiros testemunhar em primeira mão as perseguições aos babis e a reacção da população.

Nessa época o embaixador russo em Teerão era o conde Dolgorukov. Por mera casualidade, este diplomata já tinha testemunhado a tortura e execução de criminosos na presença do Xá; esse facto deixou-o profundamente perturbado. Durante vários meses, e conjuntamente com o embaixador britânico, tentaram persuadir o Xá e o primeiro-ministro a pôr termo a essas práticas que consideravam bárbaras, e a criar tribunais imparciais para julgar qualquer pessoa que fosse acusada.

A sede da Embaixada Russa em Teerão, no séc. XIX

Após a execução dos sete mártires de Teerão, o conde Dolgorukov enviou, em 24 de Fevereiro de 1850, o seguinte despacho para o seu governo:
A mentes estão num estado de profunda agitação devido à execução [de vários Babís] que teve lugar recentemente numa grande praça de Teerão. Já expressei uma vez a minha opinião que o método pelo qual, no ano passado, as tropas do Xá, sob comando do Príncipe Mahdi Quli Mirza, exterminaram os Babis não diminuirá o seu fanatismo.

Desde esse tempo que o governo tem ficado a saber que Teerão está repleta destes sectários que não reconhecem estatutos civis e pregam a partilha da propriedade daqueles que não se juntam à sua doutrina. Temendo pela paz social , os ministros da Pérsia decidiram prender alguns destes sectários e, segundo se diz, tendo recebido durante o interrogatório a sua confissão de fé, executaram-nos. Estas pessoas, em numero de sete, e presas aleatoriamente, pois os Babis já se contam aos milhares na capital, recusaram-se sempre negar a sua fé, e enfrentaram a morte com um entusiasmo que só pode ser explicado por um fanatismo levado ao limite extremo. O assistente do ministro do Negócios Estrangeiros, Mirza Muhammad Ali, pelo contrário, afirma que estas pessoas nada confessaram e que o seu silêncio foi interpretado como uma prova suficiente da sua culpa.

Apenas se pode imaginar a cegueira das autoridades do Xá que imaginam que estas medidas podem extinguir o fanatismo religioso, assim como a injustiça que guia os seus actos quando exemplos de crueldade com os quais tentam assustar o povo, são cometidos sem distinção sobre as primeiras pessoas que lhes caem nas mãos...
[1]

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NOTA
[1] – Citado em The Bábi and Bahá’í Religions, 1844-1944; Some Contemporary Western Accounts, de Moojan Momen, pag. 104

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Sete Mártires de Teerão: a reacção britânica

Na Pérsia do século XIX, a execução de criminosos na presença do rei ou de governadores provinciais era uma prática corrente; as execuções públicas era raras. As execuções eram sempre precedidas de torturas horríveis; era tudo um espectáculo que agradava a alguns governadores, mas que deixava chocados os diplomatas estrangeiros em Teerão[1]. Durante algum tempo, britânicos e russos foram pressionando as autoridades persas para porem termo àquelas práticas profundamente desumanas.

A execução pública dos sete mártires bábís em Fevereiro, numa praça pública em Teerão, despertou a atenção das embaixadas estrangeiras, não só pela brutalidade das torturas a que as vitimas tinham sido sujeitas, como também pelo impacto que tinha causado na população. O Tenente-Coronel Justin Sheil, em 22 de Fevereiro de 1850, enviou o seguinte despacho para a embaixada britânica:

Nº 23

Teerão
22 de Fevereiro de 1850

Excelência,
Devo informar vossa Senhoria que as exortações do Governo de Sua Majestade para que o Xá se abstivesse de executar criminosos na sua presença não surtiu qualquer efeito. Há alguns dias atrás, sete pessoas pertencendo à seita Babee sofreram a morte por alegadamente terem conspirado para assassinar o primeiro-ministro persa. A execução teve lugar numa praça pública, na presença de uma multidão considerável, a qual não interferiu.... Aproveito a oportunidade para referir que seria desejável que, em vez de ser o Xá a proferir a sentença contra os criminosos, estes deveriam ser levados perante um tribunal, como é prática normal em qualquer país civilizado. O primeiro-ministro não parece disposto a aceitar esta recomendação, pelo menos, por agora.

A execução destas pessoas despertou uma simpatia geral, embora não se possa negar que a pena de morte esteja em conformidade com os preceitos do Maometanismo [2]. No entanto, toda a gente pensa que eles foram condenados por uma mera suspeita e não por um acto ou uma intenção; entre a população, ninguém acredita na alegada conspiração. Eles morreram com grande firmeza. Antes da decapitação, foi-lhes oferecida a vida se recitassem o credo que Maomé é o Profeta de Deus, mas eles não consentiram, nem vacilaram um pouco na sua fé. Avisei Amir[3] que este é o modo mais garantido para propagar novas doutrinas, e recomendei-lhe que, se queria punir estes prosélitos, lhes desse uma pena como o desterro para a ilha de Karrak[4] ou qualquer outro lugar, em vez de recorrer à pena de morte, que apenas provoca horror e compaixão. Não tenho qualquer esperança que o primeiro-ministro adopte a minha recomendação.

Respeitosamente,

Um humilde servo de vossa Senhoria
(a) Justin Sheil
[5]


Existem alguns aspectos interessantes neste despacho. Sheil percebe que o motivo oficial para a execução – a alegada conspiração para assassinar Amir Kabir – não é credível junto da população. Por outro lado, Sheil também refere a firmeza com que eles recusaram negar a sua fé, comenta o efeito deste acto e salienta a sua inocência.


Amir Kabir, primeiro-ministro persa,
responsável pela execução dos Sete Mártires de Teerão
e, mais tarde, pela execução do próprio Báb


Depois deste episódio, as execuções públicas tornaram-se uma prática comum na capital persa. Em 1852, Teerão assistiu a um verdadeiro banho de sangue após uma tentativa de assassinato contra o Xá. Paradoxalmente, foi a coragem de muitos mártires babís durante esses anos que chamou a atenção do mundo ocidental[6] para o nascimento de uma nova religião.

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NOTAS
[1] – Em meados do Sec XIX apenas a Rússia, a Grã-Bretanha e o Império Otomano tinham representações diplomáticas em Teerão.
[2] – No Islão, a punição pela apostasia é a morte
[3] – O primeiro ministro
[4] – Uma ilha no Golfo Pérsico
[5] – Citado em The Bábi and Bahá'í Religions, 1844-1944; Some Contemporary Western Accounts, de Moojan Momen, pag. 102
[6] – Vários jornais da época, o
livro de Gobineau e os artigos de Renan são prova disso.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

Fevereiro de 1850: os Sete Mártires de Teerão

Em Outubro de 1848, algumas centenas de babis, fugindo a perseguições populares e ataques de encorajados pelo clero muçulmano, chegam ao santuário do Shaykh Tabarsi [1]. Na esperança de resistir a uma ofensiva do exército governamental decidiram improvisar uma pequena fortificação. No início do ano seguinte, o exército governamental cercou a fortificação e após vários meses de cerco e tentativas de assalto, tudo terminou com o massacre dos seguidores da nova religião.

O episódio de Shaykh Tabarsi foi um choque para as autoridades persas. O primeiro-ministro persa, Amir Kabir[2], estava furioso com a ousadia dos babis – que não tinham preparação militar - em enfrentar o exército governamental, e pelo facto de terem resistido tanto tempo naquele cerco. No início de 1850, em Teerão começou a constar que o primeiro-ministro estava determinado a eliminar definitivamente a "heresia babí", e especulava-se sobre qual seria o seu próximo acto.

Nessa mesma época, um dos tios do Báb, Haji Mirza Siyyd 'Ali[3], passou por Teerão; vinha de Chiriq, onde tinha visitado o seu sobrinho, que se encontrava preso. Vários amigos aconselharam-no a abandonar a capital o mais rapidamente possível; nenhum lugar na Pérsia era seguro para os babís, e para os babís mais conhecidos o perigo era ainda maior. Segundo um cronista, o tio do Báb depois de ser repetidamente advertido sobre o perigo que corria, teria respondido: "Porque haverei de temer pela minha segurança? Quem me dera tomar parte no banquete que as mãos da Providência oferecem aos seus eleitos!"

Uma denúncia às autoridades confirmou os piores receios dos babís; catorze elementos da pequena comunidade foram detidos sob acusação de conspiração contra o primeiro-ministro; entre estes catorze encontrava-se Haji Mirza Siyyd 'Ali. Ficaram detidos na Casa de Kalantar (propriedade do município), onde foram sujeitos a tortura e maus tratos pelos carcereiros, com o intuito de denunciar outros babís. Quando o primeiro-ministro soube que os catorze prisioneiros se recusavam denunciar outros crentes, anunciou que libertaria todos os que negassem a sua fé no Báb. Sob tortura, houve sete que não resistiram, e foram imediatamente libertados.


Casa de Kalantar, onde foram aprisionados os sete Mártires de Teerão
antes de serem executados


Os restantes sete, incluindo Haji Mirza Siyyd 'Ali, recusaram negar a sua fé. Este grupo de sete pessoas eram cidadãos conhecidos; todos tinham amigos influentes que os tentaram persuadir a abdicar das suas convicções religiosas. Um grupo de comerciantes chegou mesmo a oferecer ao primeiro-ministro um resgate pela libertação do tio do Báb; o governante limitou-se a responder que para a libertação os prisioneiros apenas tinham de confessar que não acreditavam "naquela heresia".

Ao saber disto, o tio do Báb declarou: "Negar reconhecer a Missão do Báb seria apostatar a fé dos meus antepassados e negar o carácter divino da mensagem que Maomé, Jesus, Moisés e todos os Profetas do passado revelaram... Apenas peço que me deixem ser o primeiro a dar a vida no caminho do meu bem-amado parente".[4]

Ao contrário do que era costume, a execução foi realizada numa praça pública de Teerão[5]. Ao subir ao cadafalso, o tio do Báb dava louvores a Deus por lhe haver sido concedido o seu desejo. O cronista baha'i da época registou as suas últimas palavras:

"Dai-me ouvidos, ó povo! Ofereci a minha vida em sacrifício no caminho de Deus. Durante um milhar de anos oraste e oraste pelo que o prometido Qa'im[6] se manifestasse... E agora que Ele veio, levaste-O para o desterro num lugar esquecido do Azerbeijão, e havei-vos levantado para exterminar os Seus companheiros... Como meu último suspiro, peço ao Todo-Poderoso que limpe a nódoa da vossa culpa e vos permita acordar do sono da negligência"[7]

Perante uma praça apinhada de gente, o tio do Báb foi decapitado. Seguiram-se os outros seis:
• Háji Mullá Ismá'il-i-Qumi (teólogo)
• Mirzá Qurban-'Ali (dervish)
• Áqá Syyid Husayn-i-Turshízi (Mujtahid [8])
• Háji Muhammad Taqiy-i-Kirmani (comerciante)
• Siyyid Murtida (comerciante de Zanjan)
• Muhammad –Husayn-i-Maraghi'i (funcionário governamental)

Também proferiam umas declarações desafiadoras e suplicavam o perdão de Deus para os seus carrascos. A atitude daqueles sete homens chocou várias pessoas presentes naquela praça; o que levaria aquelas pessoas a enfrentar a morte com tanta coragem e determinação?

Durante três dias os seus corpos estiveram expostos na praça; os habitantes da cidade vieram amaldiçoar os cadáveres, agredi-los e cuspir-lhes. Foram sepultados juntos no exterior da cidade.

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NOTAS
[1] - Conhecido no Islão xiita como tendo sido um dos transmissores das tradições dos Imans.
[2] - Amir-Kabir, foi primeiro-ministro durante três anos e exerceu um poder despótico. O Xá delegava-lhe praticamente toda a responsabilidade da governo da Pérsia e ninguém ousava questionar a sua autoridade.
[3] - Na sociedade persa, título "Haji" indica que se trata de uma pessoa que já fez a peregrinação a Meca; "Siyyid" indica que se trata de um descendente de Maomé.
[4] - Citado em Hour of Dawn, Mary Perkins, p. 175
[5] - As execuções dos condenados à pena capital eram realizadas apenas na presença do Rei ou de membros do governo.
[6] - O Prometido do Islão
[7] - Citado em Hour of Dawn, Mary Perkins, p. 176
[8] – Um Mujtahid é uma espécie de juiz da lei islâmica.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Ainda sobre Fátima

Ainda a propósito de Fátima, e de uma questão deixada aqui pelo Santos Passos, aqui fica uma pequena reflexão sobre o misticismo nas religiões.
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Todas as religiões têm uma componente mística. Esse aspecto místico manifesta-se durante a vida dos seus Profetas fundadores, nos ensinamentos que Eles nos deixam, e eventualmente com alguns dos seus seguidores.

Quanto ao primeiro caso, é relativamente fácil encontrar nos livros sagrados e as tradições religiosas descrevem momentos profundamente místicos com os Profetas. São sobejamente conhecidos as descrições dos episódios de Moisés perante a Sarça Ardente, Jesus e o retiro no deserto, e Maomé perante o Anjo Gabriel; como é óbvio, é menos conhecida a descrição da visão de Bahá'u'lláh teve na prisão. São momentos difíceis de compreender para um simples mortal. Pessoalmente, parece-me todos os esforços para compreender estes momentos são infrutíferos ou meramente especulativos; tratam-se de momentos em que o Criador parece ter contactado com os Seus Mensageiros.

No segundo caso, podem-se incluir ensinamentos como a oração, a meditação, o jejum e a peregrinação. Tratam-se de actos - que têm uma certa carga mística - destinados fortalecer a nossa ligação com o Criador; permitem elevar a espiritualidade de quem os pratica, e a ser dinamizadores de uma mudança interior em cada ser humano. Os benefícios destes actos são descritos nos livros sagrados de todas as religiões.

No terceiro caso, em que um crente afirma ter tido uma "experiência mística", seja com sonhos, visões ou qualquer outra coisa, aí sou profundamente céptico no que toca à validade desse evento como fonte de orientação divina para a humanidade. Este tipo de ocorrências são - acima de tudo - experiências pessoais, que poderão ter validade e importância para quem as vive. Se forem partilhadas com outras pessoas devem ser vistas com alguma reserva e não ser motivo de especulações.

Na análise destes fenómenos devemos usar sempre a maior dádiva que Deus nos deu: a razão. Todos nós já tivemos situações ou experiências na vida que não conseguimos explicar ou compreender na plenitude. Mas o facto de não compreendermos, não significa que a possamos colocar automaticamente num plano de transcendência divina.

Além disso, há muitas coisas que a ciência de hoje ainda não consegue explicar, quer em termos de fenómenos da natureza, quer em termos de capacidades do ser humano. Por certo que no futuro a ciência explicará às novas gerações factos e realidades que hoje para nós nos parecem completamente incompreensíveis.

Note-se que eu acredito que as "experiências místicas" podem acontecer, mas o seu resultado de forma alguma devem ser um substituto – ou complemento – dos ensinamentos religiosos conforme foram revelados pelos Profetas. Como já disse estas experiências são profundamente pessoais. Se para compreender o mundo que nos rodeia muitas vezes nos sentimos limitados pela nossa inteligência e condicionados pelos nossos conhecimentos científicos, então ainda mais limitados e condicionados estaremos para compreender uma experiência espiritualmente transcendente. Não é por acaso que os esforços de interpretação deste tipo de fenómenos degeneram, geralmente, numa distorção da mensagem religiosa original.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2005

Fátima

Relativamente ao falecimento da Irmã Lúcia, e ao debate sobre o fenómeno das aparições de Fátima que voltou a estar na berra, aqui ficam os esclarecimentos dados pelas instituições Bahá'ís sobre este assunto.

Sobre a validade das visões, uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi:
Existe uma diferença fundamental entre a Revelação Divina, conforme é transmitida por Deus aos Profetas, e as experiências espirituais e visões que indivíduos possam ter. Esta última não deve, sob qualquer circunstância, ser considerada como constituindo um fonte de orientação infalível, nem mesmo para a pessoa que a experimenta.[1]
Além disso, a Casa Universal de Justiça também já respondeu a vários crentes que colocaram questões semelhantes sobre este tipo de fenómenos:
Se por um lado estas descrições, tais como as experiências reportadas em Garabandal [2] e Fátima, podem ser interessantes e despertar a curiosidade de uma pessoa, por outro não temos formas de verificar a veracidade destas experiências. Nas suas cartas, Shoghi Effendi advertiu os amigos que lhe perguntaram sobre poderes psíquicos que nós não percebemos a natureza destes fenómenos, que não temos forma de saber o que é verdadeiro e o que é falso, que pouco se sabe sobre a mente e a sua forma de trabalhar, e que devemos evitar dar uma importância indevida a estes assuntos. Deus, sem dúvida, tem muitos e diferentes métodos para despertar a humanidade para o significado deste dia, mas os Bahá'ís, tendo reconhecido Bahá'u'lláh, devem trabalhar à luz da Sua Revelação e não dispersar as suas energias em especulações infrutíferas sobre fenómenos como os de Garabandal.[3]
Ainda sobre o fenómeno de Fátima, a Casa Universal de Justiça também escreveu:
... relativamente à visão de Fátima, qualquer pessoa pode fazer a sua própria interpretação, e é livre de escrever sobre isso, desde que não associe os seus pontos de vista às escrituras Bahá'ís. Nada se encontrou nestas escrituras relativamente às visões de Fátima ou àquilo que é referido como o "documento de Fátima".[4]

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NOTAS
[1] - Carta escrita pelo secretário de Shoghi Effendi, em 1 de Novembro de 1940.
[2] - San Sebastian de Garabandal é uma aldeia espanhola, próximo de Santander, onde, em 1961, quatro meninas afirmaram ter tido uma série de visões de São Miguel Arcanjo e da Virgem Maria.
[3] - Carta da Casa Universal de Justiça, 3 de Julho de 1984.
[4] - Carta da Casa Universal de Justiça, 2 de Outubro de 1981

domingo, 13 de fevereiro de 2005

Racismo

Robert Mugabe, sobre Condoleza Rice:
"...essa rapariga descendente de escravos deveria saber que o branco não é um amigo".
"...o branco é o seu senhor e ela tem de se fazer eco da voz do dono... "


Devo dizer que não tenho qualquer tipo de simpatia por estes dois políticos. Os senhores que conduzem os destinos de povos e nações bem poderiam pensar um pouco antes de proferirem declarações destas. Que benefícios trouxeram as políticas de enaltecer um povo acima de outro, um grupo étnico acima de outros, uma classe social acima de outras? O século passado está repleto de exemplos de crimes hediondos cometidos em nome de ideologias que sustentavam esse tipo de ideias. E quando não se aprende com os erros do passado, estamos condenados a vivê-lo novamente.

Será assim tão difícil perceber as palavras de 'Abdu'l-Bahá: "Os preconceitos raciais, patrióticos, religioso e de classe têm sido a causa da destruição da humanidade" ? ('Abdu'l-Bahá in London, p.28)

A Educação em campanha

António Barreto, hoje no Público, referindo-se à atenção dada à Educação pelos programas dos partidos políticos para a educação:

...os textos [dos programas partidários] servem mais para garantir que existe um programa do que para comprometer.
(...)
Nunca, que se saiba, um partido fez as contas e verificou, no fim da sua elaboração, quanto custaria fazer "aquilo". Nem sabem onde ir buscar os meios financeiros, materiais, técnicos e humanos para dar conta do recado.
(...)
[sobre as propostas para a educação] Nenhum dos cinco programas analisados custaria, por ano, menos de 300 milhões de contos (mil e quinhentos milhões de euros) a mais, num orçamento que é já de mais de mil e duzentos milhões de contos (seis mil milhões de euros). Como este dinheiro não existe, como o défice público é hoje perigoso, como não há perspectivas de o crescimento económico futuro imediato ser tal que esses recursos surjam e como os outros capítulos (saúde, justiça, obras públicas, autarquias, segurança social) gastam mais ou menos na mesma proporção, estamos entendidos.


Alguém me disse uma vez que os meus amigos são aqueles que me dizem o que eu preciso ouvir, e não aquilo que eu gosto de ouvir. No texto de Álvaro Barreto encontro mais uma evidência do descrédito do nosso sistema e agentes políticos. E continuo sem saber o que fazer no próximo domingo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Cemitério Bahá'í de Yazd

No Iranian.com estão fotos do que é descrito como a mais recente atrocidade cometida contra a comunidade Baha'i do Irão: a demolição do cemitério Bahá'í de Yazd.










Estamos a brincar com a natureza?

Uma foto-reportagem da BBC (com fotos de leitores de todo o mundo) sobre as consequências das alterações climatéricas no nosso planeta. É caso para perguntar se não estaremos a brincar com a natureza.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

A força do marketing

Quando nos anos 80 as campanhas de marketing da Benetton espalharam o nome da marca pelo mundo, conseguiram também espalhar o conceito de unidade na diversidade. Aqueles cartazes com pessoas de diferentes raças, vestindo roupas de diferentes cores, mostrando a beleza e harmonia da diversidade, tornaram-se um importante instrumento na mentalização dos povos contra o preconceito racial.

Em termos práticos aquelas campanhas de marketing conseguiam ser mais eficientes do que muitas conferências, discursos e tantas iniciativas de gente bem intencionada. Lembro-me que na época alguns baha'is comentarem como consideravam fascinante a ideia de unidade na diversidade transmitida por aqueles cartazes.

Recentemente uma outra campanha de marketing inunda as ruas do nosso país. Trata-se de uma campanha contra os estereótipos de beleza feminina. A verdade é que o modelo de beleza feminina parecem ser as mulheres magras e jovens; é isso que é imposto de forma implícita na maioria das campanhas de marketing que vamos testemunhando. Ora esse modelo é frequentemente causa de insatisfação entre tanta gente que não consegue seguir esses padrões e motivo de preconceito contra quem não o adopta.

Com três cartazes (uma mulher forte, uma mulher idosa e uma mulher com uma pele cheia de sinais) a Dove questiona esse modelo de beleza que tantos de nós assumimos inconscientemente. Qualquer pessoa com um pouco de bom senso só pode gostar de uma campanha destas e esperar que tenha tanto impacto como as campanhas da Benetton durante os anos 80.






terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

Cabo Verde

Finalmente o BWNS publicou a notícia (e as fotos) das celebrações dos 50 anos da fé baha'i em Cabo Verde. Uma notícia com uns três meses de atraso, mas enfim... :-) O Varqa, que esteve presente nas celebrações, já tinha aqui deixado um texto sobre a história da comunidade bahá'í em Cabo Verde.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Perguntas e respostas

Depois de ler Asking Questions de Bahiyyih Nakhjavani, não resisti em lançar a outros baha'is uma questão para reflexão: O preceito fundamental do Cristianismo está nas palavras "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei". O preceito fundamental da Fé Bahá'í está nas palavras "A terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos". Ambas as frases definem um modelo de comportamento social, um padrão para as relações humanas.

Mas será que podemos realmente fazer distinção entre uma e outra? Será que podemos viver apenas com um destes preceitos e esquecer o outro? Será que um destes preceitos pode ser considerado superior ao outro? Haverá alguma diferença no âmbito de aplicação destes preceitos?

Aqui ficam as respostas que obtive:

* * * * * * *

My 2 cents!

A pergunta: Amor e/ou Unidade (na diversidade).
As 2 são importantes, fundamentais e existentes em todas as religiões. Mas não podemos esquecer o contexto evolutivo do ser humano. Ambos os conceitos são universais, multi-dimensionais e hierárquicos. Há uma razão histórica que Bahá'u'lláh dedicou a sua Revelação ao conceito da Unidade (e Cristo profetizou). Agora a aplicação dos conceitos da Unidade (e amor) saíram da fase romântico (e a fase da salvação individual) e iniciaram uma nova era do desenvolvimento humano - uma Nova Raça e uma Nova Ordem Mundial....

São perguntas difíceis e profundas.

(NH)

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Eu acho que as duas frases têm um mensagem comportamental igual mas de âmbito diferente! Jesus ensinou o relacionamento próximo, comunitário e Bahá’u’lláh estendeu esse conceito transformando-o num conceito globalizante, falando da terra como um só país; "Que não se vanglorie aquele que ama a sua pátria, mas sim quem ama toda a Humanidade" - este conceito só seria possível nesta era, não?

(MP)

* * * * * * *

"Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei" naquela altura significava "amor ao próximo." "A terra é um só pais e a humanidade os seus cidadãos" tem um significado mais amplo definindo um comportamento social globalizado.

(LM)

* * * * * * *

Para mim a diferença está no âmbito geográfico. No tempo de Cristo a Terra não era do conhecimento global, com Bahá'u'lláh o âmbito alargou-se a todo o Planeta.

(MMM)

* * * * * * *

Se o amor ao outro significar amor a todos os demais seres humanos, então os dois ensinamentos são complementares. Ou seja, se um baha'i deve amar a humanidade, então que comece por demonstrando esse amor ao vizinho mais próximo; e se um cristão deve amar o seu próximo, filho do Deus único, então que esse amor seja extensivo a todos os seres humanos filhos desse mesmo Deus.

Não vejo como um poderia andar sem o outro!

(CJSC)

* * * * * * *

I just couldn't resist putting in my two cents -

The way I think of this is exactly the same way as I look at schooling – for example learning maths - When we go to the multiplication table, we are really doing sums; one can say they are one and the same, another can say they are different and independent (we do have to memorize the multiplication table don't we) -

So, I think that the relationship between the two quotations from Christ and Baha’u’llah is exactly the same.

(N)

* * * * * * *

Sempre tive para mim e para divulgar aos outros que a Fé Bahá'í diz: "Ama o teu próximo mais que a ti mesmo!" Se seguirmos este preceito simples mas extremamente exigente chegaremos à conclusão de que o segundo preceito: "A terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos", é o seguimento lógico do primeiro.

(JMF)

* * * * * * *

Talvez seja da hora tardia a que escrevo estas linhas, mas devo confessar
que no fundo a minha sensação em relação à interessante interrogação que
levantaste é: não.


>Mas será que podemos realmente fazer distinção entre uma e outra?

não.

>Será que podemos viver apenas com um destes preceitos e esquecer o outro?


de facto, não

>Será que um destes preceitos pode ser considerado superior ao outro?

realmente não

> Haverá alguma diferença no âmbito de aplicação destes preceitos?

não...

(VCJ)

PS: Viva o Braga.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Qual a tua religião?

Descobri mais outro teste daqueles testes americanos. Está no Belief-O-Matic e propõe-se adivinhar qual a religião que uma pessoa pratica, ou devia considerar praticar.
Não resisti. Aqui ficam os meus resultados:
1. Reform Judaism (100%)
2. Sikhism (97%)
3. Orthodox Judaism (85%)
4. Bahá'í Faith (82%)
5. Islam (78%)
6. Liberal Quakers (69%)
7. Jainism (68%)
8. Unitarian Universalism (65%)
9. Mainline to Liberal Christian Protestants (63%)
10. Hinduism (56%)
Há algum tempo tinha feito outro teste destes e noto agora semelhanças nos resultados. As cinco primeiras religiões mantêm-se, com excepção da religião bahá’í agora desceu para quarto lugar.
Ou seja, se eu acreditasse nisto, podia concluir que sou menos bahá’í do que era há um ano atrás.
:-)

Mais engraçado do que o resultado obtido é o aviso contido na página inicial do teste : "Warning: Belief-O-Matic™ assumes no legal liability for the ultimate fate of your soul". Deve haver pessoas para quem é importante ler este aviso...
:-)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Khatami em Africa

A acreditar no jornal Luxembourg Wort, o presidente iraniano Mohammed Khatami estaria preocupado com a presença e sucesso de baha'is iranianos em África. No decorrer da sua visita a diversos países daquele continente, teria solicitado a vários chefes de estado africanos que não favorecessem o crescimento do movimento. Iguais medidas teriam sido solicitadas relativamente aos Wahabitas da Arábia Saudita e a várias Igrejas Pentecostais americanas.

Como não encontrei o link, aqui fica o recorte: