Desde a revolução de 1979, que as autoridades iranianas têm a vindo a colocar sucessivos obstáculos para os jovens bahá'ís que pretendem ingressar no ensino superior. Ao manter prolongadamente uma política que impede os jovens bahá'ís de aceder à universidade, o governo iraniano demonstra os seus objectivos de estrangulamento social da maior minoria religiosa do seu país. Além de produzir um efeito profundamente desmoralizador entre os jovens bahá'ís, estas medidas têm provocado o empobrecimento cultural e intelectual da maior minoria religiosa daquele país.
Há cerca de um ano publiquei neste blog um texto sobre a situação de várias centenas de jovens bahá'ís iranianos que pretendiam ingressar nas universidades públicas daquele país. A atitude das autoridades iranianas em relação a estes candidatos a cursos superiores podia resumir-se nas seguintes palavras: podem entrar na universidade, mas têm de fingir que são muçulmanos.
Recentemente tive conhecimento que esta campanha do governo iraniano prosseguiu no decorrer do mais recente processo de candidaturas à Universidade. Em Agosto deste ano, quando foram publicados os resultados das provas de acesso à universidade, várias centenas de jovens bahá’ís iranianos viram que as autoridades colocaram a palavra “Islão” como sendo a sua identificação religiosa. Vale a pena referir que muitos dos bahá’ís tiveram excelentes notas nos exames de admissão; todo este processo montado pelas autoridades barrou-lhes o acesso à Universidade, e estes promissores candidatos foram substituídos por muçulmanos com notas inferiores.
Para os bahá'ís, trata-se de um processo calculado de forma cínica e com múltiplos objectivos. Por um lado tenta desmoralizar os jovens bahá'ís iranianos induzindo-os a abandonar o país para prosseguir os seus estudos. Por outro lado, permite que o governo iraniano afirme perante os monitores internacionais dos direitos humanos que foi dada uma oportunidade aos bahá’ís para entrar na universidade, e que foram os próprios bahá’ís que recusaram essa oportunidade.
No entanto, o governo iraniano sabe, há muito tempo, que os bahá'ís têm por hábito não negar ou falsear, as suas convicções religiosas. Torna-se claro que as acções das autoridades iranianas são uma política concertada cujo objectivo é privar toda uma geração de bahá'ís do seu direito de acesso ao ensino superior.
Mais informação (em inglês) no site: Closed Doors: Iran's Campaign to Deny higher Education to Bahá'ís.
Actualização:
O mesmo site apresentado pela Comunidade Baha'i do Brasil: Portas Fechadas

















