Em 21 de Agosto de 1980 todos os nove membros da Assembleia Nacional dos Baha'is do Irão foram raptados e desapareceram. Provavelmente foram executados. No site Iranian.com encontrei o seguinte filme que contém uma pequena homenagens a esses mártires.
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sexta-feira, 28 de abril de 2006
quinta-feira, 27 de abril de 2006
Kitáb-i-Iqán (17)
O Dia do Juízo (2ª parte)
No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere que Dia do Juízo/Dia da Ressurreição é um daqueles conceitos cujo significado espiritual os Mensageiros de Deus sempre tentaram explicar: “Em cada era e século, os Profetas de Deus e Seus eleitos não tiveram outro objectivo senão o de afirmar o sentido espiritual dos termos «vida», «ressurreição» e «juízo»” [128]. Na verdade, ao ler os Evangelhos podemos perceber como Jesus tinha deixado implícito o significado desta expressão: ”Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a Minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre em condenação, mas passou da morte para a vida!” (Jo 5:24)
As descrições que as Sagradas Escrituras fazem sobre o Dia do Juízo possuem ainda outros elementos cujo simbolismo também é explicado por Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Íqán. As Escrituras referem que as pessoas se levantarão dos seus túmulos (Jo: 5:28). Bahá'u'lláh refere que “…todo o povo está aprisionado dentro do túmulo do ego e jaz enterrado nas ínfimas profundezas do desejo mundano...”[128]; noutro parágrafo, refere-se a crentes que se podiam ter levantado do “sepulcro do erro”[127]. Estas duas expressões sugerem que o termo túmulo descreve uma condição de morte espiritual do ser humano.
As escrituras também referem o toque de trombeta que antecederá o Dia do Juízo Final. No Evangelho de S.Mateus refere-se que o Filho do Homem “enviará os Seus anjos com uma trombeta altissonante para reunir os Seus eleitos...” (Mt 24:31) S. Paulo refere o som da última trombeta que há-de soar e ressuscitar os mortos (I Cor 16:52). No Alcorão, encontram-se várias referências ao toque de trombeta que assinalará o início do Dia da Ressurreição: “E recorda-lhes o Dia em que a Trombeta soará, e todos os que estão nos céus e na terra temerão, salvo aqueles que Deus desejar. E todos irão a Ele, humildemente” (27:87)
No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh esclarece que o termo trombeta quando aplicado à revelação de Maomé se refere à ”trombeta mística e fez os mortos apressarem-se, de suas sepulturas da negligência e do erro, para o reino da guia e da graça.”[25] Num contexto mais vasto, o toque de trombeta pode ser entendido como o momento do despertar espiritual: “Nesta hora, o Arauto místico, trazendo as jubilosas novas do Espírito, luzirá da Cidade de Deus, resplendente como o amanhecer e, com o toque de trombeta da sabedoria, despertará de seu sono de negligência, o coração, a alma e o espírito.” [216]
Com o aparecimento de um novo Manifestante de Deus dá-se o início de um novo ciclo de vida da humanidade. O processo de descoberta da nova Mensagem Divina tem sido descrito nas Sagradas Escrituras com diversos simbolismos: “ressurreição dos mortos”, “dia do Juízo” “toque de trombeta”, “atingir a presença de Deus”. Todos estes simbolismos são explicados no Livro da Certeza.
E neste mesmo livro, o fundador da religião baha’i descreve de forma poética a transformação causada sobre aquele que descobre a nova mensagem: “Então os múltiplos favores e graças emanadas do santo e eterno Espírito conferirão uma nova vida àquele que busca, a ponto de ele verificar que foi dotado de nova visão e de um ouvido novo, de um novo coração e de uma mente nova. Ele contemplará os sinais manifestos do universo e penetrará nos mistérios ocultos da alma. Fitando com os olhos de Deus, perceberá dentro de cada átomo uma porta que o conduz aos níveis da certeza absoluta. Descobrirá em todas as coisas os mistérios da Revelação Divina e as evidências de uma manifestação imperecedoura.”[216]
No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere que Dia do Juízo/Dia da Ressurreição é um daqueles conceitos cujo significado espiritual os Mensageiros de Deus sempre tentaram explicar: “Em cada era e século, os Profetas de Deus e Seus eleitos não tiveram outro objectivo senão o de afirmar o sentido espiritual dos termos «vida», «ressurreição» e «juízo»” [128]. Na verdade, ao ler os Evangelhos podemos perceber como Jesus tinha deixado implícito o significado desta expressão: ”Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a Minha palavra e acredita n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre em condenação, mas passou da morte para a vida!” (Jo 5:24)
Mosaico Bizantino (sec.XII) ilustrando o Dia do Juízo
As descrições que as Sagradas Escrituras fazem sobre o Dia do Juízo possuem ainda outros elementos cujo simbolismo também é explicado por Bahá'u'lláh no Kitáb-i-Íqán. As Escrituras referem que as pessoas se levantarão dos seus túmulos (Jo: 5:28). Bahá'u'lláh refere que “…todo o povo está aprisionado dentro do túmulo do ego e jaz enterrado nas ínfimas profundezas do desejo mundano...”[128]; noutro parágrafo, refere-se a crentes que se podiam ter levantado do “sepulcro do erro”[127]. Estas duas expressões sugerem que o termo túmulo descreve uma condição de morte espiritual do ser humano.
As escrituras também referem o toque de trombeta que antecederá o Dia do Juízo Final. No Evangelho de S.Mateus refere-se que o Filho do Homem “enviará os Seus anjos com uma trombeta altissonante para reunir os Seus eleitos...” (Mt 24:31) S. Paulo refere o som da última trombeta que há-de soar e ressuscitar os mortos (I Cor 16:52). No Alcorão, encontram-se várias referências ao toque de trombeta que assinalará o início do Dia da Ressurreição: “E recorda-lhes o Dia em que a Trombeta soará, e todos os que estão nos céus e na terra temerão, salvo aqueles que Deus desejar. E todos irão a Ele, humildemente” (27:87)
No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh esclarece que o termo trombeta quando aplicado à revelação de Maomé se refere à ”trombeta mística e fez os mortos apressarem-se, de suas sepulturas da negligência e do erro, para o reino da guia e da graça.”[25] Num contexto mais vasto, o toque de trombeta pode ser entendido como o momento do despertar espiritual: “Nesta hora, o Arauto místico, trazendo as jubilosas novas do Espírito, luzirá da Cidade de Deus, resplendente como o amanhecer e, com o toque de trombeta da sabedoria, despertará de seu sono de negligência, o coração, a alma e o espírito.” [216]
Com o aparecimento de um novo Manifestante de Deus dá-se o início de um novo ciclo de vida da humanidade. O processo de descoberta da nova Mensagem Divina tem sido descrito nas Sagradas Escrituras com diversos simbolismos: “ressurreição dos mortos”, “dia do Juízo” “toque de trombeta”, “atingir a presença de Deus”. Todos estes simbolismos são explicados no Livro da Certeza.
E neste mesmo livro, o fundador da religião baha’i descreve de forma poética a transformação causada sobre aquele que descobre a nova mensagem: “Então os múltiplos favores e graças emanadas do santo e eterno Espírito conferirão uma nova vida àquele que busca, a ponto de ele verificar que foi dotado de nova visão e de um ouvido novo, de um novo coração e de uma mente nova. Ele contemplará os sinais manifestos do universo e penetrará nos mistérios ocultos da alma. Fitando com os olhos de Deus, perceberá dentro de cada átomo uma porta que o conduz aos níveis da certeza absoluta. Descobrirá em todas as coisas os mistérios da Revelação Divina e as evidências de uma manifestação imperecedoura.”[216]
quarta-feira, 26 de abril de 2006
25 de Abril

Quando saímos do Terreiro do Paço e nos dirigimos ao Largo do Carmo houve imensa gente que nos começou a aplaudir e a dar vivas à liberdade. Conduzia um blindado e experimentava uma sensação esmagadora e única: aos vinte anos era aclamado pela população de Lisboa como um libertador, um herói...
(Palavras de um tio meu, que participou na revolução de Abril)
terça-feira, 25 de abril de 2006
Leituras
Iranian diaspora: Soroosh Khavari (BBC)
Harassment of Iran’s Baha’is Increases (MediaLine)
Government assures right to freedom of religion (Vietnam News)
Harassment of Iran’s Baha’is Increases (MediaLine)
Government assures right to freedom of religion (Vietnam News)
segunda-feira, 24 de abril de 2006
Elias e João Baptista
Um assunto mais difícil:Segundo o Antigo Testamento, o profeta Elias deveria aparecer antes do aparecimento do Messias(Mal 3:22-24); seria uma espécie de arauto de uma nova Mensagem Divina. Neste sentido, perante o anúncio do aparecimento do Messias seria natural que se questionasse “Então onde apareceu o profeta Elias?” O texto citado apresenta um esclarecimento sobre este assunto; o mesmo texto é também apresentado no Evangelho de Mateus e termina com a frase “Então compreenderam os discípulos que Jesus se referia a João Baptista” (17:13).
11 Depois lhe perguntaram: Por que dizem os fariseus e os escribas que primeiro deve voltar Elias?
12 Respondeu-lhes: Elias deve voltar primeiro e restabelecer tudo em ordem. Como então está escrito acerca do Filho do homem que deve padecer muito e ser desprezado?
13 Mas digo-vos que também Elias já voltou e fizeram-lhe sofrer tudo quanto quiseram, como está escrito dele.
Marcos, 9 - 11- 13
Como vês o conceito de "reincarnação"?
Com base neste texto fará sentido dizer que Elias reencarnou em João Baptista?
A Caverna de Elias, numa foto de 1910
Segundo Bahá'u'lláh, “o mundo do além é tão diferente deste mundo, quanto este mundo é diferente daquele mundo da criança que ainda está no ventre materno”. No ventre materno, o bebé tem de desenvolver as suas qualidades físicas para ficar apto para a fase seguinte da sua existência; de igual modo, o nosso objectivo na vida é desenvolver qualidades espirituais que nos permitam ficar aptos para a fase seguinte da nossa existência. Na perspectiva bahá’í, a reencarnação não existe; seria algo equivalente a um regresso ao ventre materno.
Importa, pois, procurar outros significados possíveis para estas palavras dos Evangelhos.
Segundo os ensinamentos bahá’ís, é possível olhar para os Profetas sob duas perspectivas: a condição divina e a condição humana. Ao considerarmos os Profetas olhando à Sua condição divina, percebemos que Eles possuem as mesmas características, desempenham o mesmo papel de intermediários entre o Criador e a humanidade, e não é possível fazer distinção entre Eles. Sob uma perspectiva humana, podemos identificar alguns aspectos distintos de cada Profeta; cada um possui um nome, uma individualidade própria, e uma Missão específica.
Desta forma, quando no Evangelho se identifica João Baptista com Elias, essa identificação é feita tendo em consideração a condição divina de ambos. Na verdade, ambos manifestavam as mesmas qualidades divinas, ambos estavam dotados do mesmo poder e a mensagem de ambos tem a mesma origem. Na perspectiva bahá'í, quando se afirma que Elias é o regresso de João Baptista, não estamos dizer que a alma racional de Elias regressou no corpo de João, mas antes que as qualidades espirituais manifestadas anteriormente por Elias, voltaram a manifestar-se em João.
Poderia fazer ainda uma analogia: na nossa linguagem corrente há quem diga que “a primavera regressou”. Na verdade, a primavera de um ano é distinta da primavera do ano anterior. Mas o facto de possuírem características comuns torna esta expressão perfeitamente aceitável e perceptível.
Mas identificar João Baptista com o regresso do profeta Elias, tem ainda uma dificuldade adicional: que o próprio João Baptista afirmara explicitamente não ser o Elias (Jo 1:21). À luz dos ensinamentos bahá’ís, esta resposta deve ser entendida atendendo à condição humana de ambos. Nessa perspectiva, João e Elias são distintos: possuem personalidades distintas, cada um possui uma missão específica e cada um tem uma essência própria.
A PROPÓSITO DE ELIAS...
A Caverna de Elias fica situada no Monte Carmelo, na Terra Santa. Também ali foi construído um mosteiro cristão, por uma ordem religiosa que ali se estabeleceu na esperança de assistir naquele local ao regresso de Cristo. No sopé do Monte Carmelo, em meados do sec. XIX, uma pequena colónia alemã também se tinha estabelecido com expectativas messiânicas semelhantes.
Durante o Seu exílio na Terra Santa, Bahá'u'lláh visitou o Monte Carmelo quatro vezes. Na última visita, em 1891, a Sua tenda foi montada próximo do Mosteiro; ainda durante essa ocasião, visitou a caverna de Elias e revelou a Epístola do Carmelo. Hoje, no Monte Carmelo encontra-se o Centro Mundial Bahá'í. O local é alvo de peregrinação dos baha’is, pois ali se encontram os túmulos do Báb e de 'Abdu'l-Bahá, assim como a sede da Casa Universal de Justiça.
Placa colocada à entrada da Cavera de Elias
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LINKS:
Nascimento e Morte
Reincarnation (explicação dada por 'Abdu'l-Bahá)
A Dupla Condição dos Profetas
The "Return" Spoken of by the Prophets (explicação dada por 'Abdu'l-Bahá)
A Brief History of Mount Carmel
O Regresso de Cristo
sexta-feira, 21 de abril de 2006
Baha'is fundamentalistas
Um leitor questionou-me sobre baha'is fundamentalistas: Se um dia a religião bahai for maioritária não poderão também surgir "fundamentalistas" bahais?
Fundamentalismo é hoje uma palavra com uma conotação fortemente negativa. Já não está apenas associado a conceitos como "conservadorismo" ou "tradicionalismo"; tornou-se um sinónimo de "radicalismo", "fanatismo" e até "terrorismo". Por esse motivo penso que é importante definir qual o significado que atribuo a esta palavra antes de a aplicar.
Num certo sentido, posso considerar fundamentalismo como uma atitude mental segundo a qual a realidade é entendida apenas a preto e branco, ignorando as diferentes tonalidades de cinzento que existem entre estas duas cores.
Uma outra definição possível de fundamentalismo relaciona-se com uma dependência de uma comunidade em relação a algum (ou alguns) indivíduo(s) com um pouco de carisma ou personalidade forte. Pode existir uma situação em que ele(s) impõe(m) sistematicamente a sua opinião aos outros, exercendo com isso uma espécie de autoridade implícita sobre os restantes crentes.
Se considerarmos apenas estas duas definições, não tenho dúvidas em afirmar que existem dois ou três casos de atitudes fundamentalistas entre os baha'is de Portugal.
Aqui é importante ter presente que uma pessoa pode ser fundamentalista num aspecto da sua vida e ser liberal noutros. Por exemplo, uma pessoa pode mostrar uma atitude liberal ao defender uma sociedade multi-racial e vazia de preconceitos, mas simultaneamente pode ser fundamentalista ao impor uma alimentação vegetariana a toda a sua família.
Voltemos então à questão: poderão os fundamentalistas tomar o poder na comunidade baha'i?
O facto das instituições baha'is serem eleitas periodicamente torna a estrutura administrativa pouco vulnerável aos vícios e problemas conhecidos das estruturas administrativas de outra comunidades religiosas.
É evidente que podemos admitir o cenário onde exista uma comunidade "mentalmente dependente" de um pequeno conjunto de crentes, que são repetidamente eleitos para a Assembleia Espiritual. Mas será isso uma tomada de poder (uma espécie de golpe de estado)? Ou será apenas o resultado natural de uma eleição numa comunidade onde existe essa tal "dependência mental"?
O que pode cada baha’i fazer para evitar um cenário destes? Uma resposta possível pode passar pela participação em "Círculos de Estudo"; tratam-se de pequenos grupos de crentes que, de forma mais ou menos informal, se reúnem regularmente para estudar e meditar sobre a história, ensinamentos e Escrituras da religião baha'i. Outros baha'is que costumam visitar este blog poderão apresentar outras respostas alternativas e complementares a esta.
No fundo, o amadurecimento pessoal e desenvolvimento espiritual são o melhor obstáculo às atitudes fundamentalistas.
Fundamentalismo é hoje uma palavra com uma conotação fortemente negativa. Já não está apenas associado a conceitos como "conservadorismo" ou "tradicionalismo"; tornou-se um sinónimo de "radicalismo", "fanatismo" e até "terrorismo". Por esse motivo penso que é importante definir qual o significado que atribuo a esta palavra antes de a aplicar.
Num certo sentido, posso considerar fundamentalismo como uma atitude mental segundo a qual a realidade é entendida apenas a preto e branco, ignorando as diferentes tonalidades de cinzento que existem entre estas duas cores.
Uma outra definição possível de fundamentalismo relaciona-se com uma dependência de uma comunidade em relação a algum (ou alguns) indivíduo(s) com um pouco de carisma ou personalidade forte. Pode existir uma situação em que ele(s) impõe(m) sistematicamente a sua opinião aos outros, exercendo com isso uma espécie de autoridade implícita sobre os restantes crentes.
Se considerarmos apenas estas duas definições, não tenho dúvidas em afirmar que existem dois ou três casos de atitudes fundamentalistas entre os baha'is de Portugal.
Aqui é importante ter presente que uma pessoa pode ser fundamentalista num aspecto da sua vida e ser liberal noutros. Por exemplo, uma pessoa pode mostrar uma atitude liberal ao defender uma sociedade multi-racial e vazia de preconceitos, mas simultaneamente pode ser fundamentalista ao impor uma alimentação vegetariana a toda a sua família.
Voltemos então à questão: poderão os fundamentalistas tomar o poder na comunidade baha'i?
O facto das instituições baha'is serem eleitas periodicamente torna a estrutura administrativa pouco vulnerável aos vícios e problemas conhecidos das estruturas administrativas de outra comunidades religiosas.
É evidente que podemos admitir o cenário onde exista uma comunidade "mentalmente dependente" de um pequeno conjunto de crentes, que são repetidamente eleitos para a Assembleia Espiritual. Mas será isso uma tomada de poder (uma espécie de golpe de estado)? Ou será apenas o resultado natural de uma eleição numa comunidade onde existe essa tal "dependência mental"?
O que pode cada baha’i fazer para evitar um cenário destes? Uma resposta possível pode passar pela participação em "Círculos de Estudo"; tratam-se de pequenos grupos de crentes que, de forma mais ou menos informal, se reúnem regularmente para estudar e meditar sobre a história, ensinamentos e Escrituras da religião baha'i. Outros baha'is que costumam visitar este blog poderão apresentar outras respostas alternativas e complementares a esta.
No fundo, o amadurecimento pessoal e desenvolvimento espiritual são o melhor obstáculo às atitudes fundamentalistas.
quinta-feira, 20 de abril de 2006
Kitáb-i-Iqán (16)
O Dia do Juízo (1ª parte)
Trata-se, obviamente, de um conjunto de conceitos que assentam em interpretações literais das Escrituras. Mas este tipo de interpretação nas passagens que abordam estes assuntos nos Livros Sagrados tentam fazer-nos acreditar em fenómenos contrários às leis da natureza; desta forma, torna-se óbvia a necessidade de procurar os possíveis significados simbólicos das expressões associadas ao conceito de "Dia da Ressurreição" ou "Dia do Juízo".
Tal como em relação a outros conceitos que foi expondo ao longo do Kitab-i-Iqan, o fundador da religião bahá'í encoraja o Seu interlocutor a desprender-se de ideias preconcebidas, e a perceber que a natureza espiritual do Dia da Ressurreição é algo muito mais poderoso do que o entendimento literal do conceito vigente entre a maioria da população: "Esforça-te, pois, Ó meu irmão, a fim de compreenderes o sentido da «Ressurreição», e purifica os teus ouvidos das palavras vãs daquelas pessoas rejeitadas."[153]. Mais adiante, Bahá'u'lláh afirma de forma inequívoca que Dia do Juízo (ou Dia da Ressurreição) "... significa o aparecimento do Manifestante de Deus para proclamar Sua Causa..."[182], e a consequente resposta da humanidade aos Seus ensinamentos.
A história das grandes religiões mundiais, mostra que após o surgimento de um novo Mensageiro, as pessoas vão sendo gradualmente confrontadas com os Seus ensinamentos. A resposta dos seres humanos aos Seus ensinamentos é uma avaliação do carácter de cada alma. Os que acreditam na Sua Mensagem descobrem um novo alento na vida; essa descoberta é descrita simbolicamente como uma "ressurreição".
O Dia da Ressurreição é, portanto, um fenómeno cíclico que acompanha o surgimento de qualquer religião. "Quem, pois, em qualquer Era, tiver reconhecido e atingido a presença destes Luminares gloriosos, resplandecentes e sublimes, terá atingido, em verdade, a «Presença do próprio Deus» e entrado na cidade da vida imortal, da vida eterna. Atingir esta presença é possível somente no Dia da Ressurreição, o qual é o Dia em que surge o próprio Deus através de Sua Revelação que a tudo abrange. É isso o que significa o «Dia da Ressurreição», mencionado em todas as escrituras e anunciado a todos os povos." [151-152]
"...vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a Sua voz; os que tiverem praticado boas obras sairão, ressuscitando para a vida, e os que tiverem praticado o mal ressuscitarão para a condenação." (Jo: 5:28-29)Foram excertos como estes que inspiraram várias teologias e tradições religiosas - tanto no Cristianismo como no Islão - onde se profetiza a chamada a Ressurreição dos Mortos a que seguirá o Dia do Juízo Final; por vezes os dois conceitos são apenas designados por "Dia da Ressurreição". Nesse dia, os mortos ressuscitariam, toda a humanidade seria chamada à presença de Deus e todos seriam julgados pelos seus actos.
"Aqueles que acreditam, os Judeus, os Cristãos e os Sabeus, que acreditam em Deus e no Dia do Juízo, e agem rectamente, terão a sua recompensa com o seu Senhor" (Alcorão 2:59)
Trata-se, obviamente, de um conjunto de conceitos que assentam em interpretações literais das Escrituras. Mas este tipo de interpretação nas passagens que abordam estes assuntos nos Livros Sagrados tentam fazer-nos acreditar em fenómenos contrários às leis da natureza; desta forma, torna-se óbvia a necessidade de procurar os possíveis significados simbólicos das expressões associadas ao conceito de "Dia da Ressurreição" ou "Dia do Juízo".
O Juízo Final, de Miguel Ângelo.
Tal como em relação a outros conceitos que foi expondo ao longo do Kitab-i-Iqan, o fundador da religião bahá'í encoraja o Seu interlocutor a desprender-se de ideias preconcebidas, e a perceber que a natureza espiritual do Dia da Ressurreição é algo muito mais poderoso do que o entendimento literal do conceito vigente entre a maioria da população: "Esforça-te, pois, Ó meu irmão, a fim de compreenderes o sentido da «Ressurreição», e purifica os teus ouvidos das palavras vãs daquelas pessoas rejeitadas."[153]. Mais adiante, Bahá'u'lláh afirma de forma inequívoca que Dia do Juízo (ou Dia da Ressurreição) "... significa o aparecimento do Manifestante de Deus para proclamar Sua Causa..."[182], e a consequente resposta da humanidade aos Seus ensinamentos.
A história das grandes religiões mundiais, mostra que após o surgimento de um novo Mensageiro, as pessoas vão sendo gradualmente confrontadas com os Seus ensinamentos. A resposta dos seres humanos aos Seus ensinamentos é uma avaliação do carácter de cada alma. Os que acreditam na Sua Mensagem descobrem um novo alento na vida; essa descoberta é descrita simbolicamente como uma "ressurreição".
O Dia da Ressurreição é, portanto, um fenómeno cíclico que acompanha o surgimento de qualquer religião. "Quem, pois, em qualquer Era, tiver reconhecido e atingido a presença destes Luminares gloriosos, resplandecentes e sublimes, terá atingido, em verdade, a «Presença do próprio Deus» e entrado na cidade da vida imortal, da vida eterna. Atingir esta presença é possível somente no Dia da Ressurreição, o qual é o Dia em que surge o próprio Deus através de Sua Revelação que a tudo abrange. É isso o que significa o «Dia da Ressurreição», mencionado em todas as escrituras e anunciado a todos os povos." [151-152]
quarta-feira, 19 de abril de 2006
terça-feira, 18 de abril de 2006
Conto de Páscoa
Um breve nota sobre o texto de João Cesar das Neves, Conto de Páscoa, publicado ontem no Diário de Notícias.
Quem constrói sites na Internet tem de o renovar ciclicamente. A inovação tecnológica permite sempre a melhoria contínua das características e funcionalidades aí instaladas. De igual modo, as ameaças de vírus e acessos não autorizados também vão sendo cada vez mais sofisticadas.
E perante essas evoluções constantes de tecnologias e ameaças, o programador não se pode limitar a fazer apenas uma intervenção definitiva que resolva todos os problemas do site (isso é uma visão muito simplista sobre os construção e manutenção de sites); são necessárias repetidas intervenções e melhoramentos. Cada reparação, ou melhoramento, é destinado a responder a uma necessidade específica do site.
A história da construção de sites e a história da humanidade têm este interessante paralelismo.
Quem constrói sites na Internet tem de o renovar ciclicamente. A inovação tecnológica permite sempre a melhoria contínua das características e funcionalidades aí instaladas. De igual modo, as ameaças de vírus e acessos não autorizados também vão sendo cada vez mais sofisticadas.
E perante essas evoluções constantes de tecnologias e ameaças, o programador não se pode limitar a fazer apenas uma intervenção definitiva que resolva todos os problemas do site (isso é uma visão muito simplista sobre os construção e manutenção de sites); são necessárias repetidas intervenções e melhoramentos. Cada reparação, ou melhoramento, é destinado a responder a uma necessidade específica do site.
A história da construção de sites e a história da humanidade têm este interessante paralelismo.
Maria do Carmo Vieira
Maria do Carmo Vieira é uma professora que costuma dar a cara pela melhoria qualitativa do sistema de ensino público. Várias vezes foi entrevistada pela comunicação social, apontando problemas e propondo soluções; a sua imagem suscita simpatia.
Ontem no Jornal da Noite da SIC-Noticias apareceu mais uma vez. Entrevistada por Mário Crespo, a professora apontou problemas relacionados com os programas (referiu exemplos de exercícios caricatos propostos em alguns livros escolares) e com a certificação de manuais escolares (fará sentido que um funcionário do Ministério da Educação possa ser autor de um Manual escolar e simultaneamente membros de uma comissão de certificação desses manuais?).
MCV abordou ainda a falta de conhecimento e de domínio da língua portuguesa que inevitavelmente os programas escolares (e respectivos manuais) acabam por provocar. Na sua geração, um engenheiro ainda conseguia aprender literatura no ensino secundário. Agora dificilmente conseguirá.
Enquanto a entrevista decorria, na legenda apareceu por três vezes a frase: "Avaliação Escolas: Grupo de Professores contesta «testes á americana»".
Não sei se aquele "á" (com acento agudo) foi uma provocaçãozinha da equipa de realização da SIC ou apenas um erro de português do responsável pelas legendas. Mas é triste que numa entrevista onde se debatem os problemas do ensino do português, se deixem passar uma asneira tão elementar como esta.
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LINKS:
Regras de Acentuação
A com acento agudo (á)
A com acento grave (à)
Petição: Pela Dignidade do Ensino
Ontem no Jornal da Noite da SIC-Noticias apareceu mais uma vez. Entrevistada por Mário Crespo, a professora apontou problemas relacionados com os programas (referiu exemplos de exercícios caricatos propostos em alguns livros escolares) e com a certificação de manuais escolares (fará sentido que um funcionário do Ministério da Educação possa ser autor de um Manual escolar e simultaneamente membros de uma comissão de certificação desses manuais?).
MCV abordou ainda a falta de conhecimento e de domínio da língua portuguesa que inevitavelmente os programas escolares (e respectivos manuais) acabam por provocar. Na sua geração, um engenheiro ainda conseguia aprender literatura no ensino secundário. Agora dificilmente conseguirá.
Enquanto a entrevista decorria, na legenda apareceu por três vezes a frase: "Avaliação Escolas: Grupo de Professores contesta «testes á americana»".
Não sei se aquele "á" (com acento agudo) foi uma provocaçãozinha da equipa de realização da SIC ou apenas um erro de português do responsável pelas legendas. Mas é triste que numa entrevista onde se debatem os problemas do ensino do português, se deixem passar uma asneira tão elementar como esta.
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LINKS:
Regras de Acentuação
A com acento agudo (á)
A com acento grave (à)
Petição: Pela Dignidade do Ensino
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Pai
MM, uma amiga de longa data, refere num email o pai. Sabe “tudo, tudo, tudo” sobre Aquilino Ribeiro e organizou para a família um passeio à Beira Alta para visitar locais relacionados com o autor.
Também eu tenho a sorte de ter um pai com uma grande bagagem cultural. Sabe imensas coisas sobre história de Portugal. Quando éramos pequenos todos ouvimos histórias de reis de diferentes dinastias, as capitanias do Brasil, as invasões napoleónicas, as guerras liberais, o regicídio e tantas outras coisas. Costumamos dizer por piada que ninguém pode entrar na nossa família sem antes ouvir a história da batalha do Salado.
Hoje vejo o meu pai deliciar-se com os netos. Repete algumas brincadeiras que fazia connosco e inventa outras; para além das bricadeiras, vai coleccionando para os netos pequenos livros sobre história de Portugal que os jornais ciclicamente gostam de publicar. Mas ainda tem tempo para nós, para nos falar de coisas que vai descobrindo noutros livros, das conferências que tem assistido.
Comparo estes pais com outros e percebo como sou um privilegiado. Tenho ali um exemplo extraordinário. Ele esteve sempre presente e eu sempre tive respostas para as perguntas que lhe colocava. Estimulou a minha curiosidade pelo mundo que me rodeia. Transmitiu-me valores e nunca me impingiu dogmas. Espero que estes pais que agora são avós, vivam o suficiente para passar a sua cultura e conhecimento aos netos.
Também eu tenho a sorte de ter um pai com uma grande bagagem cultural. Sabe imensas coisas sobre história de Portugal. Quando éramos pequenos todos ouvimos histórias de reis de diferentes dinastias, as capitanias do Brasil, as invasões napoleónicas, as guerras liberais, o regicídio e tantas outras coisas. Costumamos dizer por piada que ninguém pode entrar na nossa família sem antes ouvir a história da batalha do Salado.
Hoje vejo o meu pai deliciar-se com os netos. Repete algumas brincadeiras que fazia connosco e inventa outras; para além das bricadeiras, vai coleccionando para os netos pequenos livros sobre história de Portugal que os jornais ciclicamente gostam de publicar. Mas ainda tem tempo para nós, para nos falar de coisas que vai descobrindo noutros livros, das conferências que tem assistido.
Comparo estes pais com outros e percebo como sou um privilegiado. Tenho ali um exemplo extraordinário. Ele esteve sempre presente e eu sempre tive respostas para as perguntas que lhe colocava. Estimulou a minha curiosidade pelo mundo que me rodeia. Transmitiu-me valores e nunca me impingiu dogmas. Espero que estes pais que agora são avós, vivam o suficiente para passar a sua cultura e conhecimento aos netos.
Leituras
Alguns dias ausente, e há várias coisas para ler:
A Memória e o Esquecimento (Rua da Judiaria)
Identificação de Jesus (Inclusão e Cidadania)
Bahais in India against Iran's 'holocaust' moves (ExpressIndia)
Panel says organ donation is a religious consideration (Deseret News)
A Memória e o Esquecimento (Rua da Judiaria)
Identificação de Jesus (Inclusão e Cidadania)
Bahais in India against Iran's 'holocaust' moves (ExpressIndia)
Panel says organ donation is a religious consideration (Deseret News)
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Questões
No filme "A Lagoa Azul", em que duas crianças crescem isoladas numa ilha, sem a companhia de qualquer adulto que lhes vá explicando o mundo que os rodeia, há uma cena em que o rapaz desabafa: "Só queria ter um livro com respostas para todas as minhas perguntas!..." De alguma forma, muitas pessoas têm ao longo da vida uma atitude semelhante a estas crianças/náufragos: só querem ter uma explicação definitiva, absoluta e tranquilizadora para todas as suas interrogações.
O acto de questionar pode ser encarado com um sinal de vitalidade e racionalidade humana. Tem sido a procurar respostas a tantas questões que temos evoluído no plano individual e colectivo. Mas quando se entra no campo filosófico ou religioso, o acto de questionar pode ser encarado como estimulante ou incómodo. Ao falar de religião algumas questões podem despertar mentes passivas (despertar uma alma, como dizem alguns); mas também há quem tenha medo das questões (ou será medo das respostas?).
A ausência de um catecismo rígido - com um vasto conjunto de perguntas e respostas - abrangendo os mais diversos aspectos da doutrina, torna a religião baha'i uma área insegura para quem está habituado a ter respostas definitivas, absolutas e tranquilizadoras para todas as questões. Frequentemente, o crente tem de procurar as respostas às suas perguntas; e quando as encontra, estas estão adaptadas à sua capacidade e mentalidade. No diálogo com outros crentes, encontra uma diversidade de respostas que, não raro, complementam a sua.
Esta situação faz-me recordar umas palavras de Bahá'u'lláh: "Nem tudo o que um homem sabe, pode ser revelado, nem tudo o que lhe é possível revelar deverá ser julgado oportuno, nem todo dizer oportuno pode ser considerado adaptável à capacidade dos que o ouvem." (SEBh, sec. LXXXIX)
Há mais de vinte anos que sou baha’i, e já tive muitas conversas sobre religião com imensas pessoas que professam diferentes religiões ou sistemas de crença (incluindo neste blog!). E dessas conversas retenho duas conclusões: as questões mais interessantes são aquelas que surgem na forma de resposta; e nenhuma resposta parece completa a menos que tenha em si a semente de uma nova questão.
O acto de questionar pode ser encarado com um sinal de vitalidade e racionalidade humana. Tem sido a procurar respostas a tantas questões que temos evoluído no plano individual e colectivo. Mas quando se entra no campo filosófico ou religioso, o acto de questionar pode ser encarado como estimulante ou incómodo. Ao falar de religião algumas questões podem despertar mentes passivas (despertar uma alma, como dizem alguns); mas também há quem tenha medo das questões (ou será medo das respostas?).
A ausência de um catecismo rígido - com um vasto conjunto de perguntas e respostas - abrangendo os mais diversos aspectos da doutrina, torna a religião baha'i uma área insegura para quem está habituado a ter respostas definitivas, absolutas e tranquilizadoras para todas as questões. Frequentemente, o crente tem de procurar as respostas às suas perguntas; e quando as encontra, estas estão adaptadas à sua capacidade e mentalidade. No diálogo com outros crentes, encontra uma diversidade de respostas que, não raro, complementam a sua.
Esta situação faz-me recordar umas palavras de Bahá'u'lláh: "Nem tudo o que um homem sabe, pode ser revelado, nem tudo o que lhe é possível revelar deverá ser julgado oportuno, nem todo dizer oportuno pode ser considerado adaptável à capacidade dos que o ouvem." (SEBh, sec. LXXXIX)
Há mais de vinte anos que sou baha’i, e já tive muitas conversas sobre religião com imensas pessoas que professam diferentes religiões ou sistemas de crença (incluindo neste blog!). E dessas conversas retenho duas conclusões: as questões mais interessantes são aquelas que surgem na forma de resposta; e nenhuma resposta parece completa a menos que tenha em si a semente de uma nova questão.
Leituras
La Unión Europea empieza a considerar sanciones para hacer recapacitar a Irán (EFE)
Les bahà’is du Québec lancent un appel à l’aide (CyberPresse)
Galway Bahá'ís to hold day of prayer for Iran (Galway Advertiser)
Baha'i community protest at persecution (NewsWales)
Fears for Baha'is in Iran (Cold Lake Sun)
Les bahà’is du Québec lancent un appel à l’aide (CyberPresse)
Galway Bahá'ís to hold day of prayer for Iran (Galway Advertiser)
Baha'i community protest at persecution (NewsWales)
Fears for Baha'is in Iran (Cold Lake Sun)
quarta-feira, 12 de abril de 2006
terça-feira, 11 de abril de 2006
Prós e Contras
Estive ontem a assistir ao vivo ao programa Prós-e-Contras. O tema era “Os Valores da Europa e o Choque das Religiões”
Alguns aspectos que gostei:
Algumas intervenções de António Barreto: "Não nego as raízes cristãs dos valores europeus; até as prezo!"; "Houve crises mais graves na Europa do que aquela que estamos a viver agora"; "No que toca às migrações devemos defender o integracionismo em vez do multi-culturalismo; este último cria ghetos e apartheid"; "O Islão é apenas um caso particular do problema das migrações"; "Há estados islâmicos que financiam o terrorismo. Não são os muçulmanos pobres que alimentam o terrorismo, mas sim os milionários muçulmanos"; "Há ecumenismo e diálogo inter-religioso, mas a maioria das pessoas continua a acreditar que a sua religião é uma verdade superior".
Houve também uma frase do Cardeal Saraiva Martins que retive: "Devemos reconhecer a história (num ou noutro sentido) mas não a podemos negar."
Algumas intervenções de Fátima Bonifácio também revelaram muita objectividade e serenidade.
O vice-presidente da comunidade islâmica esteve quase bem. Quando na segunda parte, pode intervir e afirmou que se o terrorismo que tem origem no médio oriente é designado por terrorismo islâmico, então o terrorismo do IRA deve ser designado como terrorismo católico (e recebeu aplausos do público - não da claque do JCN! - com essa frase). Depois podia ter evitado o elogio ao Presidente Cavaco Silva. Não percebi a necessidade desse elogio.
Alguns aspectos que não gostei:
Pareceu-me que a Fátima Campos Ferreira (FCF) não esteve no seu melhor. Por várias vezes confundiu Catolicismo com Cristianismo (como se não Europa não existissem Protestantes e Ortodoxos). Num outro momento, depois de ouvir um muçulmano contar a história da sua filha que rezava pela vitória de Portugal no Euro 2004, FCF teve um comentário muito infeliz: "E Maomé ajudou!..."
Joao César das Neves (JCN) fez-se acompanhar de uma claque. A equipa da realização percebeu isso no início do programa e não hesitou em ameaçar que se fosse necessário ia pôr alguém na rua. Eram um grupo de miudagem que reagia com aplausos às piadas fáceis de JCN. A realização teve de intervir várias vezes a pedir para que contivessem os aplausos (creio que isso não se percebeu para quem viu o programa na TV) e a própria FCF disse por duas vezes que não queria ali claques. Tornava-se claro que JCN tentou manipular o programa.
Os dois jovens entrevistados no início da segunda parte, não foram, obviamente escolhidos ao acaso. Tinham um discurso ensaiado. Isso não é um problema. O problema é que eles apenas apresentaram a perspectiva católica conservadora sobre um os problemas que se debatiam. Num programa que se pretende de debate de ideias, porquê esta uniformidade de opiniões? Porque não se entrevistou um jovem muçulmano ou ateu?
Alguns aspectos que gostei:
Algumas intervenções de António Barreto: "Não nego as raízes cristãs dos valores europeus; até as prezo!"; "Houve crises mais graves na Europa do que aquela que estamos a viver agora"; "No que toca às migrações devemos defender o integracionismo em vez do multi-culturalismo; este último cria ghetos e apartheid"; "O Islão é apenas um caso particular do problema das migrações"; "Há estados islâmicos que financiam o terrorismo. Não são os muçulmanos pobres que alimentam o terrorismo, mas sim os milionários muçulmanos"; "Há ecumenismo e diálogo inter-religioso, mas a maioria das pessoas continua a acreditar que a sua religião é uma verdade superior".
Houve também uma frase do Cardeal Saraiva Martins que retive: "Devemos reconhecer a história (num ou noutro sentido) mas não a podemos negar."
Algumas intervenções de Fátima Bonifácio também revelaram muita objectividade e serenidade.
O vice-presidente da comunidade islâmica esteve quase bem. Quando na segunda parte, pode intervir e afirmou que se o terrorismo que tem origem no médio oriente é designado por terrorismo islâmico, então o terrorismo do IRA deve ser designado como terrorismo católico (e recebeu aplausos do público - não da claque do JCN! - com essa frase). Depois podia ter evitado o elogio ao Presidente Cavaco Silva. Não percebi a necessidade desse elogio.
Alguns aspectos que não gostei:
Pareceu-me que a Fátima Campos Ferreira (FCF) não esteve no seu melhor. Por várias vezes confundiu Catolicismo com Cristianismo (como se não Europa não existissem Protestantes e Ortodoxos). Num outro momento, depois de ouvir um muçulmano contar a história da sua filha que rezava pela vitória de Portugal no Euro 2004, FCF teve um comentário muito infeliz: "E Maomé ajudou!..."
Joao César das Neves (JCN) fez-se acompanhar de uma claque. A equipa da realização percebeu isso no início do programa e não hesitou em ameaçar que se fosse necessário ia pôr alguém na rua. Eram um grupo de miudagem que reagia com aplausos às piadas fáceis de JCN. A realização teve de intervir várias vezes a pedir para que contivessem os aplausos (creio que isso não se percebeu para quem viu o programa na TV) e a própria FCF disse por duas vezes que não queria ali claques. Tornava-se claro que JCN tentou manipular o programa.
Os dois jovens entrevistados no início da segunda parte, não foram, obviamente escolhidos ao acaso. Tinham um discurso ensaiado. Isso não é um problema. O problema é que eles apenas apresentaram a perspectiva católica conservadora sobre um os problemas que se debatiam. Num programa que se pretende de debate de ideias, porquê esta uniformidade de opiniões? Porque não se entrevistou um jovem muçulmano ou ateu?
O Massacre dos Judeus (Lisboa, 1506)
Ao longo das últimas semanas o Nuno Guerreiro veio-nos recordando do episódio sangrento do massacre dos judeus de Lisboa, em 1506 (ver 500 anos: O massacre de Lisboa I, II, III, IV, V, VI, VII). E o Lutz apelou a uma discussão sobre o assunto. Aqui fica a minha opinião.
Como qualquer outro povo, os portugueses ao longo da sua história foram cometendo as suas proezas e os seus erros. É claro que nos devemos orgulhar das proezas; mas não devemos esquecer os erros. As perseguições a minorias étnicas e religiosas são um aspecto comum à história de muitos povos; Portugal não foi excepção.
Admito que a evocação de um episódio destes possa assombrar alguma boa consciência colectiva ou até uma imagem agradável que tentamos fazer de nós próprios. Mas ao recordar um episódio muito triste da história de Portugal, não estamos a denegrir a nossa história, nem a flagelar a nossa consciência. Estamos a dar um sinal da nossa maturidade como povo e a dizer que não queremos que estas coisas se repitam.
Como alguém disse um dia, "quem esquece os seus erros, está condenado a repeti-los".
Mas não é apenas porque sou português que sinto que devo recordar este momento da nossa história. É também porque sou baha'i. Já descrevi neste blog alguns dos massacres a que os primeiros baha'is foram sujeitos; ainda recentemente referi a situação que hoje vivem os baha'is do Irão. Trata-se de uma situação em tudo semelhante à minoria judaica que vivia entre nós na idade média.
Por estes motivos, no dia 19 de Abril irei à Baixa homenagear as vítimas do massacre de 1506.
Como qualquer outro povo, os portugueses ao longo da sua história foram cometendo as suas proezas e os seus erros. É claro que nos devemos orgulhar das proezas; mas não devemos esquecer os erros. As perseguições a minorias étnicas e religiosas são um aspecto comum à história de muitos povos; Portugal não foi excepção.
Admito que a evocação de um episódio destes possa assombrar alguma boa consciência colectiva ou até uma imagem agradável que tentamos fazer de nós próprios. Mas ao recordar um episódio muito triste da história de Portugal, não estamos a denegrir a nossa história, nem a flagelar a nossa consciência. Estamos a dar um sinal da nossa maturidade como povo e a dizer que não queremos que estas coisas se repitam.
Como alguém disse um dia, "quem esquece os seus erros, está condenado a repeti-los".
Mas não é apenas porque sou português que sinto que devo recordar este momento da nossa história. É também porque sou baha'i. Já descrevi neste blog alguns dos massacres a que os primeiros baha'is foram sujeitos; ainda recentemente referi a situação que hoje vivem os baha'is do Irão. Trata-se de uma situação em tudo semelhante à minoria judaica que vivia entre nós na idade média.
Por estes motivos, no dia 19 de Abril irei à Baixa homenagear as vítimas do massacre de 1506.
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Judas
O primeiro violador da Aliança Jesus?
Ao longo da última semana, uma campanha mediática por parte da National Geographic veio chamando a nossa atenção para um documentário exibido no passado domingo intitulado "O Evangelho de Judas". Trata-se de um trabalho onde se descreve a recuperação de um manuscrito com mais de 1700 anos; segundo a NG, o documento contém uma nova versão das conversas entre Judas Iscariotes e Jesus Cristo; essas conversas terão inspirado alguns grupos gnósticos cristãos dos primeiros séculos. Além disso, o facto de nos primeiros séculos existirem muitas formas de cristianismo foi uma ideia repetida ao longo do documentário.
O discípulo maldito sempre nos foi retratado de forma simplista como o traidor. As poucas referências que existem a este discípulo "traidor" deixam muitas questões em aberto. Que relacionamento existia entre Judas e Jesus? Como se enquadrava ele entre os outros discípulos? O que motivou a sua traição?

As poucas linhas que os quatro Evangelho dedicam a este discípulo permitem algumas conclusões como a do padre Carreira das Neves: "Judas nunca teve a intenção de atraiçoar Jesus ou sequer o desejo de o ver morto. Se assim fosse, ficaria contente por ter conseguido o seu objectivo e nunca se suicidaria"[1]
A curiosidade histórica que este documento agora apresentado pela National Geographic pode suscitar é normal (e inevitável!). Mas como todos os Evangelhos, este é provavelmente mais um testemunho da vivência da fé do que um relato de historicidade inquestionável. Desta forma, o documento apresenta-se como mais um elemento que nos ajuda a perceber as formas como as primeiras comunidades de cristãos entendiam e expressavam a sua fé.
Não faltarão as atitudes radicais: os que especularão sobre a tentativas de ocultar verdade histórica e teorias da conspiração, e os que considerarão este documento como um ataque à tradição e historicidade cujas raízes consideram encontrar-se apenas nos quatro evangelhos canónicos.
Mas o pouco que os Evangelhos nos contam sobre Judas merece outra reflexão.
Traição e ostracismo (na forma de referências negativas à sua pessoa) são duas características na história de Judas que tornam inevitável uma comparação com algumas personagens na história Baha’i.[2] Na verdade, ao longo da história da religião baha’i, houve várias situações em que algum crente se revoltou contra o líder da comunidade; estes crentes ficaram conhecidos como "violadores da aliança"[3].
No tempo de Bahá'u'lláh, foi o seu irmão Sub-i-Azal, que se considerava como o verdadeiro sucessor espiritual do Báb. No atribulado relacionamento de Azal com Bahá'u'lláh, houve algumas tentativas de assassinato (incluindo uma tentativa de envenenamento que deixou Bahá'u'lláh com a mão trémula para o resto da vida). Foram também várias intrigas de Azal em Adrianópolis, que contribuíram para o terceiro exílio de Bahá'u'lláh; nessa ocasião Bahá'u'lláh foi enviado para 'Akká e Azal para o Chipre.
Também no tempo de 'Abdu'l-Bahá e de Shoghi Effendi houve algumas situações em que algum crente se revoltava e desenvolvia acções que punham em causa a sua segurança e a liberdade de movimentos. A maior parte dessas pessoas eram familiares próximos que acabaram por ser expulsos da comunidade e a esmagadora maioria dos crentes evitaria contactá-los. Os motivos destas revoltas eram invariavelmente a liderança sobre a comunidade dos crentes e a autoridade para interpretar as Escrituras.
A maioria destes crentes "revoltosos" acabaria por ser assimilada por outras comunidades religiosas; alguns porém, tentaram criar a sua própria comunidade baha'i[4].
São pois estas características comuns (traição e ostracismo) que me levam a especular sobre se Judas não terá sido o primeiro violador da aliança da história do Cristianismo.
----------------------------------------
NOTAS
[1] - Citado no Expresso, 8 de Abril.
[2] - O livro que mais detalhe possui sobre estas situações de revolta na história baha'i é The Covenant of Bahá'u'lláh, de Adib Taherzadeh
[3] - Aliança é o termo que entre os Baha'is designa a promessa de Bahá'u'lláh segundo a qual se os crentes seguirem as disposições do Seu Testamento, a orientação divina continuaria através da pessoa que Ele tivesse nomeado Seu sucessor.
[4] – Veja-se o caso dos "baha'is ortodoxos", que hoje têm algumas centenas de crentes. Tal como este grupo, houve outros que se criaram mas que nunca se conseguiram afirmar como uma alternativa (ou uma outra corrente de pensamento) na religião baha’i.
Ao longo da última semana, uma campanha mediática por parte da National Geographic veio chamando a nossa atenção para um documentário exibido no passado domingo intitulado "O Evangelho de Judas". Trata-se de um trabalho onde se descreve a recuperação de um manuscrito com mais de 1700 anos; segundo a NG, o documento contém uma nova versão das conversas entre Judas Iscariotes e Jesus Cristo; essas conversas terão inspirado alguns grupos gnósticos cristãos dos primeiros séculos. Além disso, o facto de nos primeiros séculos existirem muitas formas de cristianismo foi uma ideia repetida ao longo do documentário.
O discípulo maldito sempre nos foi retratado de forma simplista como o traidor. As poucas referências que existem a este discípulo "traidor" deixam muitas questões em aberto. Que relacionamento existia entre Judas e Jesus? Como se enquadrava ele entre os outros discípulos? O que motivou a sua traição?

As poucas linhas que os quatro Evangelho dedicam a este discípulo permitem algumas conclusões como a do padre Carreira das Neves: "Judas nunca teve a intenção de atraiçoar Jesus ou sequer o desejo de o ver morto. Se assim fosse, ficaria contente por ter conseguido o seu objectivo e nunca se suicidaria"[1]
A curiosidade histórica que este documento agora apresentado pela National Geographic pode suscitar é normal (e inevitável!). Mas como todos os Evangelhos, este é provavelmente mais um testemunho da vivência da fé do que um relato de historicidade inquestionável. Desta forma, o documento apresenta-se como mais um elemento que nos ajuda a perceber as formas como as primeiras comunidades de cristãos entendiam e expressavam a sua fé.
Não faltarão as atitudes radicais: os que especularão sobre a tentativas de ocultar verdade histórica e teorias da conspiração, e os que considerarão este documento como um ataque à tradição e historicidade cujas raízes consideram encontrar-se apenas nos quatro evangelhos canónicos.
Mas o pouco que os Evangelhos nos contam sobre Judas merece outra reflexão.
Traição e ostracismo (na forma de referências negativas à sua pessoa) são duas características na história de Judas que tornam inevitável uma comparação com algumas personagens na história Baha’i.[2] Na verdade, ao longo da história da religião baha’i, houve várias situações em que algum crente se revoltou contra o líder da comunidade; estes crentes ficaram conhecidos como "violadores da aliança"[3].
No tempo de Bahá'u'lláh, foi o seu irmão Sub-i-Azal, que se considerava como o verdadeiro sucessor espiritual do Báb. No atribulado relacionamento de Azal com Bahá'u'lláh, houve algumas tentativas de assassinato (incluindo uma tentativa de envenenamento que deixou Bahá'u'lláh com a mão trémula para o resto da vida). Foram também várias intrigas de Azal em Adrianópolis, que contribuíram para o terceiro exílio de Bahá'u'lláh; nessa ocasião Bahá'u'lláh foi enviado para 'Akká e Azal para o Chipre.
Também no tempo de 'Abdu'l-Bahá e de Shoghi Effendi houve algumas situações em que algum crente se revoltava e desenvolvia acções que punham em causa a sua segurança e a liberdade de movimentos. A maior parte dessas pessoas eram familiares próximos que acabaram por ser expulsos da comunidade e a esmagadora maioria dos crentes evitaria contactá-los. Os motivos destas revoltas eram invariavelmente a liderança sobre a comunidade dos crentes e a autoridade para interpretar as Escrituras.
A maioria destes crentes "revoltosos" acabaria por ser assimilada por outras comunidades religiosas; alguns porém, tentaram criar a sua própria comunidade baha'i[4].
São pois estas características comuns (traição e ostracismo) que me levam a especular sobre se Judas não terá sido o primeiro violador da aliança da história do Cristianismo.
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NOTAS
[1] - Citado no Expresso, 8 de Abril.
[2] - O livro que mais detalhe possui sobre estas situações de revolta na história baha'i é The Covenant of Bahá'u'lláh, de Adib Taherzadeh
[3] - Aliança é o termo que entre os Baha'is designa a promessa de Bahá'u'lláh segundo a qual se os crentes seguirem as disposições do Seu Testamento, a orientação divina continuaria através da pessoa que Ele tivesse nomeado Seu sucessor.
[4] – Veja-se o caso dos "baha'is ortodoxos", que hoje têm algumas centenas de crentes. Tal como este grupo, houve outros que se criaram mas que nunca se conseguiram afirmar como uma alternativa (ou uma outra corrente de pensamento) na religião baha’i.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Tribunal Egípcio reconhece direitos dos Baha'is
Quando se fala de baha'is no Médio Oriente, nem tudo são más notícias. Hoje chegou uma boa notícia do Egipto: o Tribunal Administrativo reconheceu o direito dos baha'is egípcios a ver a sua religião reconhecida em documentos oficiais.
A decisão do tribunal é resultado de um processo avançado por um casal baha'i contra o Ministro do Interior, Habib al-Adly, em Junho de 2004. Nessa ocasião o ministro publicou uma lei que obrigava os baha'is a identificarem-se oficialmente como cristão ou muçulmanos. Posteriormente a essa decisão, os funcionários do Departamento de Assuntos Civis (DAC) confiscaram a documentação oficial do casal porque descrevia a sua religião como baha'i, uma minoria religiosa não reconhecida naquele país de maioria sunita.
Alguns observadores consideram que a decisão a favor da família foi - parcialmente - resultado de uma intensa campanha de grupos activistas defensores dos Direitos Humanos. Segundo, Hossam Bahgat, director do Egyptian Initiative for Private Rights, trata-se de "uma mensagem forte segundo a qual é direito de todo o cidadão egípcio adoptar a religião da sua escolha". Este activista recordou que "o DAC recusou emitir novos documentos de identificação excepto se a família concordasse em identificar-se como muçulmana".
Gamal Eid, director da Arab Network for Human Rights Information afirmou: “Este é um caso marcante. As autoridades sentiram-se tão ameaçadas com a exposição que recuaram e decidiram a favor dos direitos inerentes aos Baha’is”. Eid recordou que as dificuldades enfrentadas pela comunidade baha’i no Egipto “devem-se à intolerância das instituições muçulmanas procuram descrevê-los como apóstatas”. Apesar da comunidade baha’i ter sido frequentemente atacada na imprensa, alguns jornais independentes - como o Al-Dustour e o Al-Karama – têm vindo a trabalhar para despertar a opinião pública sobre os direitos dos baha’is.
Mas Gamal Eid não se ilude: "É improvável que a decisão, só por si, altere a situação dos baha’is. Mas constitui um passo na longa estrada para a criação de uma sociedade mais tolerante do ponto de vista religioso"
Estima-se que existam no Egipto cerca de 2000 baha’is. Nos anos 60 foi publicada uma lei que obrigava à dissolução das instituições baha’is. Apesar da legislação não criminalizar os seguidores desta religião, esta lei permitiu que as autoridades promovessem oficialmente a sua discriminação. Mais tarde, em 1983 houve uma grande polémica com o caso duas meninas que tinham sido ameaçadas de expulsão de uma escola se não apresentassem certificados de nascimento que as identificassem como muçulmanas. Nessa ocasião este mesmo Tribunal publicou uma lei semelhante à que agora foi publicada.
--------------------------------
LINKS:
Notícia original na IRINNews.org (também no AllAfrica, na Reuters e no ANDNetWork)
International Religious Freedom Report 2005 (ver capítulo sobre a situação no Egipto)
A Mãe de todos os Direitos Humanos (inclui referências aos baha'is egípcios)
A decisão do tribunal é resultado de um processo avançado por um casal baha'i contra o Ministro do Interior, Habib al-Adly, em Junho de 2004. Nessa ocasião o ministro publicou uma lei que obrigava os baha'is a identificarem-se oficialmente como cristão ou muçulmanos. Posteriormente a essa decisão, os funcionários do Departamento de Assuntos Civis (DAC) confiscaram a documentação oficial do casal porque descrevia a sua religião como baha'i, uma minoria religiosa não reconhecida naquele país de maioria sunita.
Gamal Eid, director da Arab Network for Human Rights Information afirmou: “Este é um caso marcante. As autoridades sentiram-se tão ameaçadas com a exposição que recuaram e decidiram a favor dos direitos inerentes aos Baha’is”. Eid recordou que as dificuldades enfrentadas pela comunidade baha’i no Egipto “devem-se à intolerância das instituições muçulmanas procuram descrevê-los como apóstatas”. Apesar da comunidade baha’i ter sido frequentemente atacada na imprensa, alguns jornais independentes - como o Al-Dustour e o Al-Karama – têm vindo a trabalhar para despertar a opinião pública sobre os direitos dos baha’is.
Mas Gamal Eid não se ilude: "É improvável que a decisão, só por si, altere a situação dos baha’is. Mas constitui um passo na longa estrada para a criação de uma sociedade mais tolerante do ponto de vista religioso"
Estima-se que existam no Egipto cerca de 2000 baha’is. Nos anos 60 foi publicada uma lei que obrigava à dissolução das instituições baha’is. Apesar da legislação não criminalizar os seguidores desta religião, esta lei permitiu que as autoridades promovessem oficialmente a sua discriminação. Mais tarde, em 1983 houve uma grande polémica com o caso duas meninas que tinham sido ameaçadas de expulsão de uma escola se não apresentassem certificados de nascimento que as identificassem como muçulmanas. Nessa ocasião este mesmo Tribunal publicou uma lei semelhante à que agora foi publicada.
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LINKS:
Notícia original na IRINNews.org (também no AllAfrica, na Reuters e no ANDNetWork)
International Religious Freedom Report 2005 (ver capítulo sobre a situação no Egipto)
A Mãe de todos os Direitos Humanos (inclui referências aos baha'is egípcios)
Uma Revolução Virtual
"(...) A França é o único país no mundo em que a inteligentsia mais ligada ao destino histórico da experiência socialista não se resignou a assumir positivamente o luto por uma utopia que é filha da sua mítica revolução. Em todos os outros países europeus, a utopia igualitária pode ser uma "ideia da razão", no sentido de Kant. Em França é uma religião. É mesmo a sua única paixão. O que significa, por mais paradoxal que pareça, que este povo que muitos têm como conservador é, simbolicamente, uma sociedade revolucionária. E quando não pode repetir o impulso igualitário que a celebrizou no mundo, atravessa o espelho da sua impotência encenando revoluções virtuais.
(...)
Em 1789 a França desafiou e influenciou o mundo que havia. Em 2006, a França em crise de identidade (e com ela uma Europa retirada do palco do mundo) só pode sonhar sonhos sem história dentro. Não podendo desafiar objectivamente ninguém, desafia-se a si mesma. Como se desafiasse o mundo, numa intifada puramente lúdica."
Eduardo Lourenço, hoje no Público, a propósito da situação socio-económica em França.
(...)
Em 1789 a França desafiou e influenciou o mundo que havia. Em 2006, a França em crise de identidade (e com ela uma Europa retirada do palco do mundo) só pode sonhar sonhos sem história dentro. Não podendo desafiar objectivamente ninguém, desafia-se a si mesma. Como se desafiasse o mundo, numa intifada puramente lúdica."
Eduardo Lourenço, hoje no Público, a propósito da situação socio-económica em França.
O outro lado de Angola
"Angola pode ser um paraíso para os negócios, mas é um inferno para muitos dos seus cidadãos. Isso não pode ser ignorado, mesmo numa visita de Estado."
José Manuel Fernandes, no Público, a propósito da visita do primeiro-ministro português a Angola.
José Manuel Fernandes, no Público, a propósito da visita do primeiro-ministro português a Angola.
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Relativismo
A minha colaboração de hoje na Terra da Alegria volta a ser um texto de Moojan Momen.
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Além do teísmo e do monismo, existe uma outra posição que pode ser considerada como situada entre as duas. Esta abordagem é chamada relativismo. Resumidamente, assume a posição de que a Realidade Última é incognoscível, está além da capacidade humana para a conceptualizar. O conhecimento (seja do mundo físico ou metafísico) é sempre o conhecimento de uma perspectiva particular, e portanto é relativo a esse ponto de vista. Não é possível proferir nada que seja uma verdade absoluta. Todos os conceitos são meras perspectivas da verdade, sendo cada uma correcta do seu próprio ponto de vista. Isto representa um relativismo cognitivo.
Este modo de pensar surgiu na escola Madhyamika que foi fundada por Nagarjuna, na Índia, provavelmente no séc. II EC. Apesar de não ser uma grande corrente do Budismo, é de grande importância, pois muito do Budismo Mahayana tem a sua base filosófica nos ensinamentos desta escola. Este modo de pensar também surge na Fé Bahá'í como forma de explicar a unidade subjacente à diversidade de religiões no mundo.
Tal como elementos de pensamento teísta e monista ocorrem universalmente, elementos de pensamento relativista encontram-se entre escritores de outras religiões. Além do pensamento de Nagarjuna no Budismo descrito anteriormente, o conceito do "Deus criado nas fés" de Ibn al'Arabi, o místico muçulmano, tem em si uma implicação de relativismo. Inb al'Arabi sustentou que cada pessoa tem uma certa aptidão e capacidade para “ver” Deus e que Deus lhe surge de acordo com essa capacidade. Numa escala maior, ele viu as religiões históricas como caminhos limitados e particulares para adorar o Absoluto. Também existem semelhanças entre o relativismo Bahá'í e a posição apresentada pelo teólogo cristão John Hick. Ele sustenta que as diferenças nas descrições do Absoluto/Deus nas várias religiões são devidas às diferentes influências culturais e diferentes modos de cognição.
A perspectiva relativista, obviamente, aceita tanto o monismo como o teísmo. Contém uma explicação para o facto de, conforme descrito anteriormente, cada religião ter expressões teístas e monistas. O relativismo sustenta que as diferentes expressões de teísmo e monismo são devidas aos diferentes tipos de percepção mental da realidade. Assim, claramente, se uma religião pretende ter um apelo universal e tornar-se uma religião mundial, deve satisfazer estes diferentes tipos de mentalidade ao incluir elementos teístas e monistas.
(...) O relativismo bahá'í aceita, como se podia esperar, pontos de vista teísta e não-teísta relativos ao sofrimento, ao mal e à salvação. A salvação, ou a libertação, trazida pelos fundadores das religiões mundiais é vista, da perspectiva bahá'í, como tendo um efeito duplo. Ao nível pessoal liberta os seres humanos de um estado de ignorância; e conduz a humanidade a uma salvação social (paz e unidade). A segunda facilita o esforço dos seres humanos pela primeira, e vice-versa. A salvação, ou a libertação, é vista mais como um processo do que como um estado em que se está ou não está. A condição que ocorre após a morte é impossível de ser descrita. Pode apenas ser parcialmente apreciada recorrendo a analogias, tais como o mundo do embrião relativamente ao nosso mundo (uma analogia da nossa condição de preparação para o que acontece após a morte, mas da qual somos ignorantes).
Em contraste com as religiões teístas e monistas, a Fé Bahá'í tem pouco rituais fixos. Isto permite-lhe uma grande flexibilidade para adoptar práticas religiosas que estejam de acordo com as preferências do crente individual. Tanto a oração como a meditação são obrigações diárias pessoais.
No que toca a conceitos de tempo e espaço, o ponto de vista relativista é que ambos são assuntos em que “divergir devido às divergências de opinião nos pensamentos e opiniões dos homens”. Na perspectiva bahá’í, os ciclos de progresso e declínio afectam todos os aspectos da vida humana, e a religião não é excepção. Mas apesar de tudo, existe um progresso e evolução generalizadas na vida social humana. Porém, quando a religião entra em declínio e os seus ensinamentos já não são adequados à condição de desenvolvimento da sociedade humana, surge uma nova religião. O conceito bahá'í apresenta, portanto, elementos de progresso linear e cíclicos.
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Além do teísmo e do monismo, existe uma outra posição que pode ser considerada como situada entre as duas. Esta abordagem é chamada relativismo. Resumidamente, assume a posição de que a Realidade Última é incognoscível, está além da capacidade humana para a conceptualizar. O conhecimento (seja do mundo físico ou metafísico) é sempre o conhecimento de uma perspectiva particular, e portanto é relativo a esse ponto de vista. Não é possível proferir nada que seja uma verdade absoluta. Todos os conceitos são meras perspectivas da verdade, sendo cada uma correcta do seu próprio ponto de vista. Isto representa um relativismo cognitivo.
Este modo de pensar surgiu na escola Madhyamika que foi fundada por Nagarjuna, na Índia, provavelmente no séc. II EC. Apesar de não ser uma grande corrente do Budismo, é de grande importância, pois muito do Budismo Mahayana tem a sua base filosófica nos ensinamentos desta escola. Este modo de pensar também surge na Fé Bahá'í como forma de explicar a unidade subjacente à diversidade de religiões no mundo.Tal como elementos de pensamento teísta e monista ocorrem universalmente, elementos de pensamento relativista encontram-se entre escritores de outras religiões. Além do pensamento de Nagarjuna no Budismo descrito anteriormente, o conceito do "Deus criado nas fés" de Ibn al'Arabi, o místico muçulmano, tem em si uma implicação de relativismo. Inb al'Arabi sustentou que cada pessoa tem uma certa aptidão e capacidade para “ver” Deus e que Deus lhe surge de acordo com essa capacidade. Numa escala maior, ele viu as religiões históricas como caminhos limitados e particulares para adorar o Absoluto. Também existem semelhanças entre o relativismo Bahá'í e a posição apresentada pelo teólogo cristão John Hick. Ele sustenta que as diferenças nas descrições do Absoluto/Deus nas várias religiões são devidas às diferentes influências culturais e diferentes modos de cognição.
A perspectiva relativista, obviamente, aceita tanto o monismo como o teísmo. Contém uma explicação para o facto de, conforme descrito anteriormente, cada religião ter expressões teístas e monistas. O relativismo sustenta que as diferentes expressões de teísmo e monismo são devidas aos diferentes tipos de percepção mental da realidade. Assim, claramente, se uma religião pretende ter um apelo universal e tornar-se uma religião mundial, deve satisfazer estes diferentes tipos de mentalidade ao incluir elementos teístas e monistas.
(...) O relativismo bahá'í aceita, como se podia esperar, pontos de vista teísta e não-teísta relativos ao sofrimento, ao mal e à salvação. A salvação, ou a libertação, trazida pelos fundadores das religiões mundiais é vista, da perspectiva bahá'í, como tendo um efeito duplo. Ao nível pessoal liberta os seres humanos de um estado de ignorância; e conduz a humanidade a uma salvação social (paz e unidade). A segunda facilita o esforço dos seres humanos pela primeira, e vice-versa. A salvação, ou a libertação, é vista mais como um processo do que como um estado em que se está ou não está. A condição que ocorre após a morte é impossível de ser descrita. Pode apenas ser parcialmente apreciada recorrendo a analogias, tais como o mundo do embrião relativamente ao nosso mundo (uma analogia da nossa condição de preparação para o que acontece após a morte, mas da qual somos ignorantes).
Em contraste com as religiões teístas e monistas, a Fé Bahá'í tem pouco rituais fixos. Isto permite-lhe uma grande flexibilidade para adoptar práticas religiosas que estejam de acordo com as preferências do crente individual. Tanto a oração como a meditação são obrigações diárias pessoais.
No que toca a conceitos de tempo e espaço, o ponto de vista relativista é que ambos são assuntos em que “divergir devido às divergências de opinião nos pensamentos e opiniões dos homens”. Na perspectiva bahá’í, os ciclos de progresso e declínio afectam todos os aspectos da vida humana, e a religião não é excepção. Mas apesar de tudo, existe um progresso e evolução generalizadas na vida social humana. Porém, quando a religião entra em declínio e os seus ensinamentos já não são adequados à condição de desenvolvimento da sociedade humana, surge uma nova religião. O conceito bahá'í apresenta, portanto, elementos de progresso linear e cíclicos.
terça-feira, 4 de abril de 2006
Jorge Filipe em Lisboa
Foi no final de sexta-feira, que o Jorge recebeu uma visita de uma das tias. "Queres ir passear connosco?". Os seus oito anos eram suficientes para se lembrar de uma promessa antiga: "Tu um dia disseste que me levavas a Lisboa..." "Então vamos a Lisboa!". E começou a euforia.
A viagem a Lisboa tinha sido combinada entre os tios e a mãe. Mas só agora lhe contavam a surpresa. Escusado será dizer que nessa noite. O Jorge mal dormiu. E no dia seguinte o entusiasmo da viagem era maior que o sono. Durante a viagem perguntou insistentemente: "Já estamos a chegar?" Uma viagem de três horas parece interminável para uma expectativa tão grande.
O fim-de-semana era para o Jorge. Durante dois dias brincou com os primos, experimentou os carros de choque e os carrosséis, andou na montanha russa e experimentou vários jogos do centro de diversões, correu pelas alamedas da Expo, e até encontrou uns militares da GNR que o deixaram dar a primeira volta a cavalo. Apesar de toda a excitação e toda a energia, não adormeceu durante a viagem de regresso. Transbordava de felicidade quando chegou a casa. "Não se calava, o miúdo..." dizem os tios.
Não sei durante quanto tempo o Jorge se vai lembrar deste fim-de-semana. Provavelmente, o mundo tão agressivo em que vive encarregar-se-á de lhe ir apagando as recordações. Comigo fica a sensação de o ter ajudado a realizar um sonho e a angústia de saber que ele continua a ser uma criança em risco.





A viagem a Lisboa tinha sido combinada entre os tios e a mãe. Mas só agora lhe contavam a surpresa. Escusado será dizer que nessa noite. O Jorge mal dormiu. E no dia seguinte o entusiasmo da viagem era maior que o sono. Durante a viagem perguntou insistentemente: "Já estamos a chegar?" Uma viagem de três horas parece interminável para uma expectativa tão grande.
O fim-de-semana era para o Jorge. Durante dois dias brincou com os primos, experimentou os carros de choque e os carrosséis, andou na montanha russa e experimentou vários jogos do centro de diversões, correu pelas alamedas da Expo, e até encontrou uns militares da GNR que o deixaram dar a primeira volta a cavalo. Apesar de toda a excitação e toda a energia, não adormeceu durante a viagem de regresso. Transbordava de felicidade quando chegou a casa. "Não se calava, o miúdo..." dizem os tios.
Não sei durante quanto tempo o Jorge se vai lembrar deste fim-de-semana. Provavelmente, o mundo tão agressivo em que vive encarregar-se-á de lhe ir apagando as recordações. Comigo fica a sensação de o ter ajudado a realizar um sonho e a angústia de saber que ele continua a ser uma criança em risco.





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