quarta-feira, 31 de maio de 2006

Left Behind: The Eternal Forces


Algum de vós consegue-se imaginar como militar (ou membro de um grupo paramilitar) cujo objectivo é transformar a América numa teocracia cristã e impor a todo o mundo a sua interpretação pessoal dos ensinamentos de Cristo? Diga-se desde já que esta missão – que consiste numa guerra espiritual e material – inclui converter ou matar católicos, judeus, muçulmanos, budistas, gays e todos os que advogam a separação entre Estado e Igreja (incluindo cristãos moderados).

Na verdade, este é o cenário de um jogo de vídeo a lançar em Outubro (para aproveitar as vendas de Natal), e que já foi apresentado em algumas feiras de videojogos e visualizado por revistas da especialidade. Left Behind: The Eternal Forces é um simulador paramilitar em que os jogadores assumem comportamentos fundamentalistas/terroristas sob uma pretensa inspiração cristã. Segundo algumas pessoas que já visualizaram o jogo, os diálogos incluem personagens que gritam “Louvado seja o Senhor!” enquanto matam os “infiéis”.

Mas que efeitos tem um jogo destes sobre miúdos de 12 ou 13 anos? Não estará um jogo destes a apresentar uma realidade profundamente distorcida do que é a religião, do que se pretende que seja uma sociedade onde pessoas de diferentes etnias, credos e convicções possam conviver pacificamente? E que influência terá um jogo destes sobre jovens cuja mentalidade se está a formar? Poderá qualquer forma de fundamentalismo religioso ser considerado um divertimento a que os pais possam fechar os olhos?

Fonte: The Purpose Driven Life Takers (Updated)

Terra da Alegria

Mais uma edição da Terra da Alegria.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Religiões: História, Textos e Tradições


Com o lançamento do livro "Religiões: História, Textos e Tradições" concluiu-se um dos mais interessantes projectos inter-religiosos em que estive envolvido. O projecto tinha por objectivo a produção de uma obra que desse a conhecer as grandes religiões mundiais e fosse elaborado pelas diferentes comunidades religiosas que existem no nosso país.

Na cerimónia de lançamento, o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, classificou o livro como "a semente de um nova etapa do diálogo inter-religioso". Na verdade, ao dar a conhecer num único volume (com quase 900 páginas) a história, os textos sagrados e as tradições das grandes religiões mundiais, as comunidades religiosas do nosso país lançaram uma obra capaz de fomentar o conhecimento e respeito mútuo entre as religiões.

Esta obra colectiva - expressão do entendimento entre as comunidades religiosas no nosso país – levará a estudantes e investigadores do fenómeno religioso um manancial de informações sobre o património religioso da humanidade. E se considerarmos que as grandes religiões mundiais sempre inspiraram diversas civilizações e condicionaram a organizações de tantas e tão diversificadas sociedades, percebemos que o livro pode ainda ser considerado um testemunho da evolução humana.

O facto do livro ter recebido o apoio da Presidência do Conselho de Ministros (através da Estrutura de Missão para o Diálogo com as Religiões) é um outro sinal positivo deste projecto. Por um lado, o Estado Português reconhece a importância do diálogo inter-religioso para a tranquilidade e bem-estar social; por outro, enfatiza uma linha de acção laica cooperativa com as comunidades religiosas que tem sido o apanágio desta 3ª República.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Alguns filhos...

...preferiam que os pais fossem animais!


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Gostava de ver este anúncio nas televisões portuguesas. Muitas vezes!

domingo, 28 de maio de 2006

Ainda as detenções no Irão

O que se segue é um email recebido de uns tios de algumas dos jovens bahá’ís detidas no passado dia 19 de Maio, em Shiraz, no Irão (ver notícia aqui). O texto foi escrito pouco depois da libertação das jovens, e é publicado com autorização do autor.

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24 de Maio de 2006

Estimados amigos e familiares

Agradeço imenso as vossas orações e as vossas palavras de conforto e solidariedade para com os jovens bahá'ís recentemente detidos no Irão. Temos notícias para partilhar convosco: a maioria dos prisioneiros foi libertada. Os restantes deverão ser libertados amanhã. Alguns ainda deverão continuar na prisão.

As três sobrinhas da Azadeh foram libertadas hoje com um grupo de cerca de 40. Outros 14 têm a libertação prevista para amanhã, e há outras 3 pessoas que foram apontadas pelas autoridades como devendo permanecer presas. As famílias de todos os que foram libertados tiveram de pagar uma caução (exemplo: hipotecas de casas ou negócios). Hoje, no exterior da prisão quando eles foram libertados houve um grande congestionamento de trânsito. Eram tantos familiares e amigos que apareceram com flores e outras expressões carinho, que as pessoas na rua perguntavam o que era tudo aquilo.

Tivemos a oportunidade de falar ao telefone com a Martha, a Maaman e a Rahil, hoje por volta das 14H00. Estavam exaustas mas partilharam algumas experiências. A primeira coisa que a Martha disse foi em inglês; disse que tinha sido "engraçado" e que já tinha saudades de estar na prisão. Disse ainda que todos os jovens (rapazes e raparigas separados, claro) estiveram juntos a cantar e a orar durante todo o tempo e que havia uma atmosfera de grande alegria espiritual no local. Maaman, que mal conseguiu falar por estar exausta, disse que todas as orações foram sentidas porque enquanto estava a ser interrogada, sentiu que não era ela que estava a falar. Ela sentiu como se fosse o próprio Bahá'u'lláh que estivesse a responder às perguntas dos interrogadores. Rahil estava exuberante. Apesar de não nos conseguir ouvir bem devido à pressão de tantos amigos e familiares que estavam ao seu redor, disse que em três das cinco noites em que ali estiveram, sonhou que nós estávamos com ela. Todas as três nos pediram para agradecermos a todos pelas vossas orações.

Jesus disse "Bem-aventurados os perseguidos devido à sua rectidão". De que outra forma podemos considerar (account) uma experiência assim transcendente? Mas agora que tantos foram libertados, não nos podemos esquecer dos que permanecem detidos. Devemos permanecer vigilantes e recordá-los nas nossas orações, pois foram seleccionados pelo clero para receber uma atenção especial. Penso que os testes serão mais fortes para aqueles que enfrentam a perseguição sozinhos, quando a multidão dispersa.

Obrigado a todos por tudo o que fizeram. Não conheço melhor maneira de descrever o significado de tudo isto, a não ser o quanto isto uniu tantos corações.

Com muito amor e gratidão

Mark e Azadeh Perry

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Detenções em Shiraz (Actualização)

Cinquenta e um dos jovens bahá'is detidos no passado dia 19 de Maio foram libertados; outros três permanecem detidos, não tendo havido qualquer indicação serão libertados brevemente. Nenhum dos que foram agora libertados - nem os três que ainda permanecem detidos - foram formalmente acusados.

No dia das detenções, um jovem com menos de 15 anos, foi libertado sem ter de pagar fiança; simultaneamente vários outros jovens que não são bahá'ís também foram libertados sem lhes ter sido exigido o pagamento de qualquer fiança.

No dia 24 de Maio (quarta-feira), 14 dos baha'is foram libertados, tendo cada um que dar como garantia valores, ou bens, num total de dez milhões de tumans (aproximadamente 8500 Euros). Ontem, 36 bahá'ís foram libertados em troca de garantias pessoais ou entrega das suas licenças de trabalho que as autoridades exigiram como garantia de comparência no tribunal no dia do julgamento.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

54 Bahá'ís presos no Irão

Confirmando rumores que circularam nos últimos dias, a Comunidade Internacional Baha'i confirmou hoje a detenção de 54 jovens bahá'ís na cidade iraniana de Shiraz. Trata-se de uma das maiores detenções colectivas desde os anos 1980. As detenções coincidem com rusgas em seis residências de famílias bahá'ís, durante as quais foram confiscados computadores, vários livros e diversos documentos.

As detenções ocorreram na passada sexta-feira (19 de Maio) quando os Bahá'ís, juntamente com outros voluntários que não eram Bahá'ís, trabalhando ao abrigo de um programa da UNICEF leccionavam aulas a crianças desfavorecidas numa escola. No momento da detenção os jovens tinham consigo as autorizações necessárias para a sua actividade emitidas pelo Conselho Islâmico de Shiraz.


Três das jovens bahá'ís detidas na passada sexta-feira


A natureza das acusações contra os Bahá'ís ainda é desconhecida. No dia seguinte às detenções, um juiz disse aos familiares que todos os detidos seriam libertados em breve. À data de hoje, aparentemente, todos os jovens não-baha’ís e apenas um jovem bahá’í foram libertados sem pagamento de qualquer fiança.

"Estas novas detenções em Shiraz, surgem após um ano de detenções aleatórias, elevando o número total de Bahá'ís detidos sem acusação para mais de 125, desde o início de 2005" afirmou Bani Dugal, representante da comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas. E acrescentou: "No seu todo, este padrão de detenções e prisões arbitrárias resume-se à mais pura forma de perseguição religiosa e reflecte um esforço calculado do governo iraniano em manter a Comunidade Bahá’í num estado de medo e terror".

As detenções surgem num momento em que aumentam as preocupações de observadores internacionais de direitos humanos, relativamente à campanha que o governo iraniano tem mantido nos últimos 25 anos contra a Comunidade Bahá'í daquele país (300.000 pessoas), a maior minoria religiosa do Irão.

Em Março, a Relatora Especial da Comissão de Direitos Humanos das ONU, revelou a existência de uma carta secreta do alto comando militar iraniano, ordenando à Polícia e às unidades da Guarda Revolucionária que "identificassem" e "seguissem" os membros da Comunidade Bahá'í, afirmando que a existência dessa carta a deixara "profundamente preocupada".

Além disso desde o final de 2005, mas de 30 artigo depreciativos e difamatórios sobre os bahá'ís e a sua religião foram publicados no "Kayhan", o jornal diário oficial de Teerão. Também vários programas de Rádio e Televisão têm vindo a condenar os bahá’ís e as suas crenças.

Desde o início do ano, outros sete baha’is foram presos e detidos durante um mês em Kermanshah, Isfahan e Teerão. Entre os detidos em Janeiro estava a Sra. Roya Habibi de Kermanshah que alegadamente foi interrogada durante mais de oito horas seguidas sobre as suas actividades como coordenadora de um programa de instrução da Fé Baha'i. No tribunal, os documentos que descreviam a acusação referiam que ela "é acusada de ensinar a seita do Bahaismo e agir de forma insultuosa contra o Islão".

"Apesar de frequentemente ser difícil obter detalhes das acusações contra os Bahá'ís, não há dúvida que a maioria deles – tal como o da Sra Habibi – são motivados apenas por preconceito e intolerância religiosa", afirmou a Sra. Dugal.

Nos últimos 14 meses, 72 Bahá'ís foram presos no Irão; o período de detenção variou entre vários dias e alguns meses. Alguns desses detidos estiveram incomunicáveis e em locais desconhecidos, enquanto os seus familiares os procuraram desesperadamente.

Nos anos 1980, mais de 200 Bahá'ís foram mortos ou executados. Milhares foram presos e centenas estiveram detidos durante longos períodos de tempo. Nos anos mais recentes, em reacção às pressões internacionais, as execuções e as detenções prolongadas cessaram.

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LINKS:
54 Baha'is arrested in Iran (notícia original no BWNS)
Bahá'ís do Irão: o pior está para vir?
The Growing Threat to Iran's Bahá'ís (site oficial Bahá'í)

Iran: Revived Persecution of Baha'is 54 Arrested in Shiraz (Juan Cole)



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ACTUALIZAÇÃO:

Ao contrário do que escrevi aqui, fiquei hoje (31-Maio-2006) a saber que este grupo de jovens não trabalhava para um projecto directamente associado à UNICEF, mas sim num projecto elaborado à semelhança de outros projectos da UNICEF. Pelo lapso, aqui ficam as minhas desculpas.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Emails do Egipto

No domingo passado recebi um email de uma pessoa que se diz baha'i egípcio. Não conheço esta pessoa, mas pelo teor do email, tenho boas razões para acreditar que de facto se trata de um(a) baha'i. O texto da mensagem é um relato em primeira-mão do ambiente que se vive no Egipto em relação aos baha'is.

O segundo email foi recebido há dois dias atrás; além de me autorizar a publicar estes emails o autor dá conta dos mais recentes desenvolvimentos da agitação anti-baha'i no Egipto.


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Date: Sun, 21 May 2006 12:50:20 -0700 (PDT)
From: "......" <...@yahoo.com>
To: marco_oliv@yahoo.com

allahuabha,

This is a quick message. I am an Egyptian Baha’i and came across your reply to zeinobia and got interested. There is a lot going on about the faith in Egypt now. We won a court case against the government to allow us to write our faith in IDs and birth certificates. They were making us write either Muslim or Christian. And the house asked us to refuse to receive such documents so many of us have no IDs birth certificates etc. and its hard to do much. So we filed a law suite and won it last month. But the government is refusing to grant it and revoked the ruling etc and therefore a commotion is going on about the faith. And as usual those against us came up with the usual accusations of being Zionist etc. any way its a big commotion and you can tell from this lady that their worry is still the same. They don’t want to accept anyone who doesn’t trash Israel left right and center. Maybe you can point out also that the arab-israeli conflict isn’t the only racial based one. The genocide in Rwanda is one of them. Are Russian bahá’ís supposed to trash Chechens to prove they are law abiding citizens? Or do Serb Baha’i insult kosovar? Bahá’ís were placed in concentration camps in Nazi Germany because they wouldn’t agree with the idea of the superiority if the Arian race.

Some Egyptians now believe in basic human rights but the minute they hear that our hoply ,and is in Israel they start fighting the idea and talk about getting rid of us. In fact on that TV program, that guy she believed wasn’t supposed to be even there was insulting us and said that we better leave the country and just give peace to Egypt. Why do we stay why not just go and leave, etc.

Any way those are disturbing times and the House asked us to let it go. Just clarify issues to friends and colleagues.

Just remember the bahá’ís of Egypt in your prayers.

(signed)


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Date: Mon, 22 May 2006 15:00:59 -0700 (PDT)
From: "......" <......@yahoo.com>
Subject: Re:
To: "Marco Oliveira (Yahoo)"

This is quick.

First happy declaration day to you. Second yes yo can go ahead and publish it. Third the papers go on talking. And the 4th episode of that program was aired on Saturday and it was explosive. Big wigs from the Azhar were saying we are infidels to be killed and exterminated. And a magazine published a picture of Bahá’u’lláh. Plus some other religious news papers issuing decrees to make us outcasts or something so it goes on. But trials are signs of victories. So keep praying.

goodnight.

Terra da Alegria

Mais uma edição da Terra da Alegria.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Zapatero

Já aqui referi o facto de politicos como Mahmoud Abbas e Abbas Hoveida terem sido acusados pelos seus inimigos de serem baha'is. Agora, pela primeira vez vejo um político europeu a ser atacado na imprensa, acusado de ser influenciado pela religião baha'i. Aconteceu há cerca de um mês, num artigo publicado no El Mundo sobre o primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Zapatero. Seguem-se os excertos que mais relevantes do artigo intitulado "Zapatero, a Fé Baha'i e as Vaidades Autonómicas".

(...)
Y es que en el mundo virtual de Zapatero cabe todo tipo de ejercicios en el alambre. Me dice un experto en religiones monoteístas que la fuente de inspiración de nuestro excelso presidente es el movimiento Bahaí, nacido en 1844 y, según World Christian Encyclopedia, the youngest of the world's independent religions, con presencia en más de 230 países. La idea central de la fe Bahaí es que la Humanidad es una sola raza y que ha llegado el día de su unificación en una sociedad global (de manera que ni Pettit ni historias, querido Pedrojota: el rastro a seguir se llama Bahá'u'lláh (1817-1892), échale un galgo, un profeta a la altura de Cristo o Mahoma, dicen sus fieles, idea que te brindo para una de tus magníficas homilías dominicales. (De nada). Dice Bahá'u'lláh que Dios ha puesto en marcha fuerzas históricas llamadas a derribar cualquier barrera de raza, clase, credo y nación, fuerzas que con el tiempo crearán una civilización universal. Me cuentan también que Kofi Annan es seguidor del ideario Bahaí, y que la Alianza de Civilizaciones es la piedra angular sobre la que Kakofi y ZP van a construir la catedral armoniosa de esa sociedad global enseñoreada por la paz y la igualdad universal. Desde este punto de vista, que Cataluña sea nación no pasaría de ser un detalle exótico. Lo dicho, café para todos y que siga la fiesta.

El primer mandamiento de la fe Bahaí es «el abandono de toda forma de prejuicio», principio que Zapatero sigue a rajatabla.Por eso ahora dice que la OPA de Gas Natural sobre Endesa es «un asunto de dos empresas privadas». Por desgracia para él, una mayoría del pleno de la Sala Tercera del Tribunal Supremo no ha entendido la auténtica dimensión de lo Bahaí, lo que explica que el viernes decidiera suspender el acuerdo del Consejo de Ministros que autorizó la OPA hostil de la gasista. Que la Justicia le diga al Gobierno «tengo muy serias dudas acerca de la legalidad del acuerdo adoptado por ustedes» es un tan duro como insólito varapalo al Ejecutivo, y la práctica condena a muerte de esta malhadada OPA que mucha gente juiciosa, en Madrid y Barcelona, desearía ver retirada para dar paso a una reordenación del sector sobre bases de eficacia y talento (sobra en la Caixa, cuando no se escucha el tamtan de Moncloa), donde prime el protagonismo negociador de los empresarios y no el intervencionismo atroz de un Gobierno que debería dedicarse a lo suyo: a seguir tocando el violón de esa genial idea llamada Alianza de Civilizaciones.
(...)

Jardins Bahá'ís

Em dia feriado, um pequeno filme sobre os jardins bahá'ís em Haifa. Trata-se de um excerto de um documentário exibido no canal Travel.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Feriado Bahá'í



Na noite de 22 de Maio, os Bahá'ís em todo o mundo comemoram a declaração do Báb, que teve lugar na cidade persa de Shiraz em 1844. Foi o primeiro acto da religião Bahá'í. O Báb anunciou que a Sua missão era alertar o povo para o iminente aparecimento de "Aquele que Deus tornará Manifesto", isto é, Bahá'u'lláh, o fundador da religião Bahá’í.

A foto acima mostra a casa do Báb em Shiraz, o local que serviu de palco a este primeiro momento da história Bahá'í. O edifício era um dos lugares mais sagrados do mundo bahá'í. Foi destruído pelos Guardas da Revolução em 1979, e posteriormente arrasado por ordens do governo iraniano.

domingo, 21 de maio de 2006

Dualidade de Critérios?

A simples ideia de ver um Estado a obrigar alguns dos seus cidadãos a usar em público distintivos que os identificam como membros de uma minoria religiosas causa horror e repulsa. As memórias do Holocausto sugerem imediatamente que se trata de um primeiro passo para um perseguição generalizada e sistematizada.

Recentemente, a revolta e a indignação surgiu em vários media canadianos e americanos (e blogs portugueses!) quando se soube que cristãos, judeus e zoroastrianos do Irão teriam de usar um qualquer distintivo colorido nas suas roupas que os identificava como membros de uma minoria religiosa. (mesmo quando a notícia já tinha sido desmentida!)

Estranhamente, apenas se viu silêncio e a indiferença quando as Nações Unidas revelaram a ordem do Ayatollah Khamenei para o Ministro da Informação, para a Guarda Revolucionária e para a Polícia identificarem todos os membros da comunidade baha'i iraniana. Também referi o assunto aqui.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Kitáb-i-Íqán (19)

As alegorias do Novo Testamento (2ª parte)
Outra das alegorias do Novo Testamento a que Bahá'u'lláh faz referência no Kitáb-i-Íqán está nas seguintes palavras de Jesus: "Passará o céu e a terra, mas as Minhas palavras não hão de passar" (Lc 21:33) [26]. O que poderá significar a expressão "Minhas palavras" no versículo citado? Poderá isto significar que todas as leis e ensinamentos do Cristianismo têm um carácter eterno e definitivo? Ou será que isto se aplica apenas a alguns ensinamentos de Jesus?

O fundador da religião bahá'í recorda que estas palavras levam a generalidade dos cristãos a pensar que as leis estabelecidas por Jesus jamais serão abolidas e que qualquer outro Manifestante de Deus teria obrigatoriamente de se manter fiel "à letra da lei do Evangelho"[26]. Ainda segundo Bahá'u'lláh, foi por este motivo que a maioria dos cristãos não aceitou Maomé.

É importante termos presente que os Manifestantes de Deus nos deixam dois tipos de ensinamentos: espirituais e ético-sociais. Os primeiros são comuns a todas as religiões e referem coisas como a existência de Deus, o respeito pelas religiões do passado, a necessidade de fazer o bem ao próximo e o respeito pelos valores familiares. Já os ensinamentos ético-sociais variam com as necessidades dos tempos e a maturidade dos povos a quem são reveladas as religiões.

No Judaísmo, podemos encontrar um exemplo de ensinamentos etico-sociais nas tradições diziam que os crentes deviam lavar as mãos antes das refeições. Aquilo que hoje nos parece uma medida de higiene cumprida por qualquer pessoa com um pouco de senso comum, foi apresentada aos hebreus como um preceito religioso. É de supor que a sua maturidade colectiva exigia que essa medida para ser cumprida devesse ser apresentada como uma lei divina.

Com o aparecimento de Jesus, algumas leis ético-sociais foram revogadas. Os textos dos Evangelhos relatam polémicas surgidas com as novas leis de Jesus: "Porque transgridem que os Teus discípulos a tradição dos antigos? Porque não lavam as mãos antes das refeições?" (Mt 15:2). Bahá'u'lláh refere que quando Jesus revogou algumas das antigas leis éticas e sociais do Judaísmo "...todo povo de Israel se levantou em protesto contra Ele. Clamaram que Aquele cujo advento a Bíblia tinha predito, haveria necessariamente de promulgar e cumprir as leis de Moisés, enquanto que este jovem nazareno, que tinha a pretensão de ser o divino Messias, anulara a lei do divórcio e a do sábado – as mais importantes de todas as leis de Moisés."[17]

No Islão, um dos ensinamentos ético-sociais é a proibição do consumo de carne de porco; sabemos que na Arábia daquele tempo as condições de higiene existentes tornavam muito perigoso para a saúde o consumo desse tipo de alimento. No Alcorão lemos: "Ele apenas vos proibiu a carne morta, e o sangue, e a carne de suíno e aquilo sob o qual tenha sido invocada qualquer outro nome para além do nome de Deus"(2:173)

Apesar deste tipo de leis ter condicionado o desenvolvimento de uma série de hábitos e costumes que diferentes sociedades foram cultivando, parece-me óbvio que se tratam de leis adequadas a determinados estágios de desenvolvimento humano; dificilmente poderiam ter uma aplicação universal ou eterna. Não creio que este tipo de leis éticas e sociais possua um carácter universal, eterno e definitivo.

Na minha opinião (e isto é apenas uma opinião pessoal!) o versículo que Bahá'u'lláh cita no Kitáb-i-Íqán, alude ao poder transformador da Palavra revelada pelo Manifestante de Deus e à influência visível que esta têm sobre a história da humanidade. Desta forma, as "palavras de Jesus" poderão ser entendidas tanto como uma referência aos ensinamentos ético-sociais, como uma referência aos ensinamentos espirituais revelados pelo fundador do Cristianismo.

Quando as "Palavras" se referem aos ensinamentos éticos e sociais, então podemos perceber uma influência prolongada (mas não universal ou definitiva) na história da humanidade. Pelo facto de se tratarem de palavras que influenciam e condicionam profundamente povos e civilizações durante vários séculos, então faz sentido dizer que "as palavras não passarão", apesar de serem revogadas com o aparecimento de um novo Manifestante. E quando as "Palavras" se referem aos ensinamentos espirituais, então podemos perceber que estes são comuns a todas as religiões reveladas, e portanto possuem uma influência universal e constante na história da humanidade. Nesta perspectiva faz ainda mais sentido pensarmos que estas "palavras não passarão".

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Mais Notícias do Egipto

Tribunal suspende reconhecimento dos direitos dos Baha'is

O Supremo Tribunal Administrativo do Egipto decidiu ontem (15 de Maio) suspender a implementação de uma decisão de um tribunal de instância inferior que permitia que os Baha’is tivessem a sua religião reconhecida em documentos oficiais.

"Apesar de estarmos desiludidos com a suspensão da decisão do tribunal... é importante notar que o supremo Tribunal Administrativo ainda não decidiu sobre todas as questões do caso", lia-se numa declaração da organização Egyptian Initiative for Private Rights (EIPR), sediada no Cairo.

A decisão anterior, tomada a 4 de Abril, foi tomada após uma acção colocada por um casal Baha'i cuja documentação oficial (onde se declarava a sua filiação baha'i) tinha sido confiscada pelo Estado Egípcio. A decisão tornou-se rapidamente epicentro de uma controvérsia no parlamento egípcio, liderada tanto por membros do Partido Nacional Democrático (no poder) e pela Irmandade Muçulmana, após a qual o Ministro do Interior se apressou a apelar da decisão do tribunal.

"Não temos problemas com pessoas que se intitulam seguidores de crenças não reconhecidas pelo Islão", afirmou o conhecido membro da Irmandade Muçulmana Abdel Moneim Abul Futouh. "O que nós questionamos é que uma lei que permite que seguidores de religiões não reconhecidas sejam descritos em documentos oficiais como seguidores de uma religião quando tecnicamente não é uma religião".

Segundo a declaração do EIPR, o Supremo Tribunal Administrativo negou um pedido da equipa de defesa para um adiamento da suspensão até que os seus membros refutassem a decisão por escrito. Nenhum membro do Supremo Tribunal Administrativo comentou a decisão.

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Notícia original no IRINNews.org:
EGYPT: Court suspends ruling recognising Bahai rights

Sobre este assunto:
Bahá'ís do Egipto: Governo vai recorrer da decisão do Tribunal
Tribunal Egípcio reconhece direitos dos Baha'is
The others (artigo publicado no jornal Al-Ahram)
The others … speak [Part One, Part Two] (resposta ao artigo publicado no Al-Ahram)
The Bahaai circus (mais uma opinião de um blogger egípcio)


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ACTUALIZAÇÃO nº1:

No blog Egyptian Chronicles está um post que se regozija com a decisão do Supremo Tribunal Egípcio. "Não se metam com a lei e a Constituição do Egipto!", escreve a autora. Segue-se a tradução do comentário que ali deixei:

O Egipto é signatário da Declaração dos Direitos Humanos onde se afirma que "todos têm direito à liberdade de pensamento, consciência e expressão". No mesmo documento afirma-se que "todos são iguais perante a lei e têm direito sem qualquer discriminação a igual protecção da lei. Todos têm direito a igual protecção contra qualquer discriminação em violação a esta Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação".

Assim, negar a alguém um documento oficial com base em motivos religiosos é negar um direito humano básico. Eu não teria orgulho se o meu governo fizesse algo semelhante.

Muitos Estados e Governantes tentaram discriminar e perseguir vários grupos sociais (minorias religiosas, grupos étnicos, classes sociais, grupos profissionais, etc). Que benefício teve isso? O que lhes aconteceu? Como é que os historiadores os descrevem?

Quanto aos Baha'is Egípcios que usam passaportes estrangeiros, isso recorda-me os dias negros da ditadura portuguesa, em que os cidadãos a quem eram negados os direitos civis tinham de viajar com passaportes estrangeiros. E nesses dias, as autoridades costumavam dizer-lhes "Não se metam com a lei neste país!"

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ACTUALIZAÇÃO nº2:

No post do Egyptian Chronicles, há um comentador que assina com «Egyptian Baha'i» e que tem uma argumentação poderosíssima. Ele/ela descreve vários exemplos dos problemas que tem tido por não possuir documentos de identificação oficiais. Desde detenções arbitrárias, certidões de nascimento dos seus filhos, inscrição de filhos numa escola, contratos de emprego,... Tudo lhe isto lhe é praticamente impossível apenas porque lhe é negado um direito civil elementar: possuir um documento de identificação oficial.

O jornal Al-Ahram publicou várias cartas de leitores que defendem a religião baha'i. Ver aqui.

Terra da Alegria

Uma nova edição da Terra da Alegria.

terça-feira, 16 de maio de 2006

O veneno do poder

A humanidade não está tão desenvolvida que possamos abandonar completamente a ideia de que alguém tem de comandar o barco. Mas o que eu estou sempre a achar é que se deve defender é o comandante de estar a exercer poder demais e de se deixar envenenar pela própria imagem de que é poderoso. Na verdade, temos conhecido dirigentes de muitos países que antes de exercerem o poder são uns e depois são outros. É claro, que podemos pôr a hipótese de que eles já eram aquilo que mostram ser e que eram apenas hipócritas, que estavam apenas a esconder-se que apenas ocultavam aos outros a sua verdadeira face. Mas podemos ter outra hipótese – é que realmente o banquete do poder deve ser em muitos pontos extremamente venenoso, porque o princípio dele é que um homem pode mandar sobre os outros como se possuísse a verdade.

Agostinho da Silva, Vida Conversável, pag. 65-66
Várias obras que se tornaram clássicos na literatura e no cinema, diversas parábolas e até a sabedoria popular nos referem a forma como a sensação do poder corrompe os governantes. Agostinho da Silva refere o problema da vertigem do poder e reflecte sobre os motivos dessa vertigem, considerando que se deve proteger o governante contra essa vertigem, tal como se deve proteger o povo contra um governante embriagado pelo poder.

Mas o interessante é o facto de ele antecipar implicitamente um tempo em que a humanidade não necessitará chefes. Este ideal utópico, este objectivo de algumas correntes políticas anarquistas, sugere a criação de uma sociedade sem hierarquias, onde cada cidadão conhece o seu papel, seus direitos e deveres. Algo que nos exigiria uma maturidade individual e colectiva muito longe da que conhecemos nas sociedades actuais.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Ainda os Bahá'ís no Médio Oriente

A propósito da tua frase "I don't understand why official ID documents on any country need to have religious identification of a citizen" aqui vão uns comentários:

Em Fevereiro estive no Bahrein, também achei a coisa mais estranha. Para renovar o visto tive que pôr a minha religião, não que me importe mas temi que não me renovassem o visto. Afinal o homem mal olhou para o papel, limitou-se a por o carimbo e passou o documento para o lado. Pensei em ir para a Arábia Saudita mas a Lua (a minha namorada) disse-me que como não tínhamos passaporte de países do Golfo, eles iam perguntar-nos a nossa religião, e quando disséssemos que éramos baha’is, não nos iam deixar entrar.

O Bahrein é um país de maioria xiita, mas a família real é sunita. No entanto não deixam entrar xiitas para o exército porque tem medo que aconteça o mesmo que aconteceu no Irão. Enfim foi a coisa mais estranha para mim, nunca me passou pela cabeça escrever a religião no bilhete de identidade ou descriminar alguém numa profissão por causa da sua religião ou seita.

Ainda quanto a assunto de discriminação religião, a Lua teve que aos 21 anos mudar o nome para "Tina" por causa do passaporte. A razão é que o governo iraniano não aceita nomes "baha'is" tal como Lua, Badi, etc… Ela nasceu no Bahrein e a mãe também; mas como o pai já veio do Irão, então ela e os irmãos são considerados iranianos e não Bahreinis.

A Lua disse-me que nas últimas 4 semanas, todos os sábados a Al-Arabiya tem feito uma reportagem/debates sobre a questão dos baha’is do Egipto, com entrevistas com o moderador, 2 baha'is e 2 pessoas da universidade de Azhar. Numa entrevista sozinho com o repórter, um clérigo disse que "os baha’is não acreditam em Deus" "são contra o Islão" que "são Alawyeen" (um grupo que acredita que o profeta era Ali e que Maomé usurpou-o). Nos debates dizem coisas como "Israel e América inventaram os baha’is e foi por isso que conseguiram o voto do tribunal" e que "os baha'is enviam todo o seu dinheiro para Israel", "os baha’is podem ter sexo com qualquer mulher menos a do pai e que isso é dito no Kitab-i-Aqdas". Nos debates os baha'is tentam se defender mas o debate não é organizado como a nossa televisão, e os as pessoas de Azhar começam a falar ao mesmo tempo e mudam logo de assunto com mais ataques. Entre outras coisas também disseram que "as mulheres baha’is dormem com vários homens" que "defendem a igualdade entre homem e mulher mas a peregrinação é só para homens", e que "nas festas de 19 dias os baha’is fazem sexo em grupo".

Pelo o que a Lua me disse, a maior parte dos muçulmanos (pelo menos no Egipto) não acredita naquilo; e depois do programa escrevem artigos para revistas e jornais sobre os baha'is, dizendo que tem amigos, vizinhos e até familiares baha’is e que são boas pessoas sem mal algum. E não "porcos anti-islâmicos" como o clero muçulmano quer fazer parecer.

(Iuri Matias)

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Kitáb-i-Íqán (18)

As alegorias do Novo Testamento (1ª parte)

Ao longo dos posts sobre o Kitáb-i-Íqán apresentei vários exemplos de interpretações simbólicas que Bahá'u'lláh faz sobre a Bíblia e o Alcorão; essas interpretações referem-se a temas específicos como a dupla condição dos Manifestantes, a ressurreição dos mortos, a presença de Deus, o regresso de Cristo. Além dessas interpretações, o fundador da religião bahá'í faz ainda referência a várias alegorias do Novo Testamento e expõe o respectivo significado.


Nos primeiros parágrafos do livro, Bahá'u'lláh refere algumas palavras que os evangelistas atribuem a Jesus. “Vou embora e venho outra vez a vós"(João 14:28) e "Vou e outro virá que vos há de dizer tudo o que Eu não vos disse, e cumprirá tudo o que Eu disse" (cf Jo 16.13). Segundo Bahá'u'lláh, estas palavras são uma alusão ao martírio do fundador da religião cristã e ao aparecimento do Manifestante seguinte.

Literalmente as duas frases parecem contraditórias. Afinal quando Cristo partir, quem voltará: o Próprio ou outro? A maioria das doutrinas cristãs resolveu esta aparente contradição, interpretando a primeira frase como um referência ao regresso de Cristo e a segunda como um anúncio do aparecimento do Espírito Santo. Bahá'u'lláh, porém, afirma no Kitáb-i-Íqán que estas duas declarações significam a mesma coisa.

As frases devem ser entendidas à luz da dupla condição dos Manifestantes. Para compreender a primeira frase devemos ter presente a condição divina dos Mensageiros de Deus: todos eles são intermediários entre Deus e a humanidade e todos possuem a mesmas características divinas. Nesta perspectiva, não é possível fazer distinções entre Eles; podemos chamar todos pelo mesmo nome. Já a segunda frase deve ser entendida à luz da condição humana dos Manifestantes; nesta perspectiva, cada um possui uma individualidade e uma missão específicas e apresentam os Seus ensinamentos de acordo com as necessidades e maturidade dos povos a quem Se dirigem.

Para justificar o significado comum destas duas frases, Bahá'u'lláh apresenta uma analogia: «Considerai o sol. Se dissesse agora, "Sou o sol de ontem", diria a verdade. E se, levando em conta a sequência do tempo, pretendesse ser outro sol, estaria ainda dizendo a verdade. De modo semelhante, se dissermos que todos os dias são o mesmo, isso será certo e verdadeiro; e se, referindo-nos a seus nomes e designações especiais, dissermos que diferem, isso também será verdade. Pois embora sejam iguais, se reconhece em cada um, no entanto, uma designação separada, um atributo específico, um carácter particular.» [20]

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Leituras

Baha'is struggle to win full rights as Egyptians (Middle East Times)
Governo egípcio ignora decisão judicial e não reconhece Bahá'í (Agência EFE, via Yahoo)
Bahá'i religion 'world-embracing' (LA Daily News)
El progreso como credo (El Comercio, Peru)

Hussein Bikar

Zeinobia, do Egyptian Chronicles, a que me dirigi há alguns dias atrás continua a publicar as suas opiniões sobre os baha’is no Egipto. Algumas opiniões que vai publicando contêm incorrecções (e isso tem sido motivo de uma boa troca de comentários); mas também ali encontrei curiosidades como esta:

O meu avô conheceu outro Baha'i, o mais famoso no Egipto, o lendário pintor Hussein Bikar. O famoso pintor turco-egípcio foi preso no conhecido caso de Bahaismo em 1985, mas foi libertado devido à idade avançada. O meu avô sempre disse que este homem tinha uma maneira diferente de orar e outras opiniões em matérias de culto. O meu avô nunca lhe perguntou porque tinha viajado por mais de 100 países, e era um dos primeiros jornalistas a conhecer pessoas de diferentes seitas do Islão no Afeganistão e na Índia; por isso talvez pensasse que era um muçulmano como nós. Mas em 1985 a sociedade egípcia ficou chocada com as confissões do velho artista que durante cinco décadas tinha encantado todo o mundo árabe com os seus belos desenhos como a Núbia. É estranho que quando ele faleceu, não me lembro de terem mencionado a sua religião ou dizerem alguma coisa sobre o seu funeral. Para mim foi um choque pois eu pensava que ele seguia alguma corrente do sufismo; mas o meu avô corrigiu-me esta informação.
Confesso a minha ignorância: nunca ouvi falar neste artista egípcio. Mas gostei muito das poucas imagens de obras suas que encontrei na Net. Aqui ficam alguns dessas obras.

Pintura de Hussein Bikar (via And Far Away)


Núbia (via Egyptian Chronicles)

segunda-feira, 8 de maio de 2006

To Zeinobia, in Egypt

As we cannot watch Egyptian TV Channels here in Portugal, I haven’t had a chance to watch that show of Wael El-Abrashi on Dream 2 "The truth". But your comments and opinions on the Baha’i Faith prompt me to write some comments to your post.

Bahais don't claim that they are Muslims” -- Right. The Baha’i Faith is an independent religion. That means it has its own sacred books, laws, teachings and administration. It also means it not a sect or a schism in Islam. The relation between Baha’i Faith and Islam is the same that exists between Judaism and Christianity.

Baha Allah the founder of the Religion and their claimed messenger was an Ex-Muslim , also saying that Believing in Allah and all his messengers from Mohamed,Jesus and Moses is confusing people” -- Baha'u'llah thaught that all great world religions came from God. God sends His Messengers with teachings that are according to the needs and maturity of people. God allways sends these Messengers from time to time. His hands are not chained up.

also you can feel that their book "The holiest" and their religious scripts are so influenced from the Quran” -- This is a surprise to me. I thought Muslims believe the Quran to be matchless! Unless, of course, one believes the Quran and the Baha’i Holy Writings have the same source.

in Egypt in the 20 th century they had temples or what it is called in Arabic "Lodge"” -- Baha’is only have seven temples. In most countries they meet in private homes or a local seat. And Baha’is never behave like a “secret society”; when there are fears of persecution, the believers are very careful when (and to whom) mention their religion. That also happened here in Portugal before the 1974 revolution.

in their Holy Book El-Aqads "The Holiest" it is obligatory for the Bahai to send the annual Zaqat to the "Home of Justice"in Aka, Haifa, this Home is the highest authority for the Bahais” – Only Baha’is make contributions to Baha’i Funds; such contributions are secret and voluntary. We can contribute to National funds or International fund. The money to National funds goes to national activities; the money to International fund goes to several activities, such as social-economical development projects, special projects (as building temples) and maintenance of the Baha’i Gardens and buildings in the Holy Land. Do you smell danger here because the money is being sent to a Baha’i Institution located in Israel? The fact that Baha’is send money to Baha’is institution located in Israel is used by anti-baha’i propaganda to call us “Israeli agents” and “Zionist” and other things like that. That reminds me that Baha’is are building a new temple in Chile. Therefore, Baha’is have to send money to Chile. Would that make us “Chilean agents” to?

I never read a statement from the Bahais or their higher authority attacks or condemns the Hebrew state acts against the Palestinians” – Of course you haven’t! Just like you will never read a statement from a baha’i institution condemning the acts of the Sudanese government against the people in Darfur, the invasion of Kuwait, the lack of freedom in North Korea, Cuba and several central Asia countries. Why? Because baha’is don’t get involved in politics! Some Baha’i individual may express personal opinions, but not Baha’i institutions. And there is more: Baha’i teachings foster obedience to national governments and forbid involvement in subversive acts.

Look to their holy places and Look to the Muslim and Christian holy Places , there is a discrimination in treatment !!” – Who do you think paid the construction and pays the maintenance of Baha’i holy sites in the Holy Land? Only Baha’is! The Israeli Government never gave us a cent! All the land there was brought with Baha'i contributions. I take your expression as recognition of the beauty and magnificence of the Baha'i holy places. Did you ever see the Baha’i Temple in India? It was also built only with Baha'i contributions.

If you get your passports and Ids and in it you are mentioned as Bahai , would you visit the Mount Carmel and holy Lands in Haifa!?” – Of course any Baha’i would! What is more important: some act of “political correctness” or a visit to what one considers to be the holiest place on earth? Can you imagine a Muslim never having the Hajj because of some political correctness stuff? Would some one change a unique opportunity of a life time because of ephemeral considerations?

About Baha’is in Egypt

There are things I don’t understand about Egypt. I don’t understand why official ID documents on any country need to have religious identification of a citizen. Religion is a very personal phenomenon. In most European countries that would be unacceptable. this is a typical behaviour of former totalitarian European regimes. I wonder why they don’t also ask citizens to declare their political affiliation, sports affiliations, and others. It would also be unacceptable to have a member of a European parliament saying that members of any religious minority to be killed. That would be a “political suicide”.

Baha’is have always been persecuted under totalitarian governments; such governments fear religious diversity (or religion!). It happened here in Portugal, before the 1974 revolution, it happened in the former Soviet Union, in Nazi Germany and elsewhere.

Pakistan and Bangla Desh may be the few Muslim countries where Baha’is enjoy more freedom of belief. In all other Muslim countries Baha’is face harassment and persecutions, based on religious prejudice and anti-israeli propaganda. Unfortunately, few Muslims have ever investigated what is the Baha’i Faith.

UPDATE:

"Bill to incriminate the embrace of the Bahai faith in Egypt" (Mideastwire.com) (reprinted here)
EGYPT: Interior ministry resists recognition of Bahai faith (Reuters)

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Muros

Houve um tempo na história em que o dever era edificar muros para que as forças exteriores – bichos, meteorologia, outros homens – não impedissem o desenvolvimento, mas provavelmente haverá outra época em que o grande trabalho será o de derrubar muros de toda a espécie, não só os exteriores que os homens foram construindo por obrigação ou pelo gosto de progredir, mas também quebrar os interiores, que tantas vezes levantamos dentro de nós, como defesa da nossa comodidade ou como serviço da nossa preguiça.

Agostinho da Silva, Vida Conversável, pag. 57
Nesta curta frase, Agostinho da Silva apresenta uma visão optimista sobre o futuro da humanidade: o processo de amadurecimento dos povos do mundo leva a que cada comunidade e cada sociedade tenham de derrubar muros de preconceitos e ideias preconcebidas com que sempre viu outros povos e comunidades. Isso permitirá um diálogo que favoreça o respeito e o conhecimento mútuo entre os povos do mundo.

Este processo de amadurecimento colectivo não será fácil, nem rápido. O desenvolvimento e o progresso impelem-nos para a unidade dos povos; a preguiça e o comodismo prendem-nos a uma ordem mundial obsoleta e inadequada aos nossos dias. Por muito sombrios que sejam os tempos mais próximos, a unidade dos povos do mundo parece uma inevitabilidade.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Bahá'ís do Egipto

Governo vai recorrer da decisão do Tribunal

O governo egípcio vai recorrer da decisão de um tribunal administrativo que decidiu a favor dos direitos da pequena minoria baha'i, afirmou o ministro dos assuntos religiosos Mahmoud Hamdi Zakzouk. Perante o Parlamento, o ministro declarou que a base do recurso seria a opinião do principal clérigo muçulmano, o Sheikh de al-Azhar, segundo o qual "o Bahaismo não é uma religião revelada reconhecida pelos muçulmanos".

Zakzouk falava num debate parlamentar em que vários deputados manifestaram a sua oposição à decisão do tribunal administrativo a favor de um casal baha'i que há dois anos vinham exigindo que o governo os registasse como baha'is. Na ocasião, diversos grupos de direitos civis acolheram a decisão do tribunal como uma vitória da liberdade de religião.

Vários membros do Parlamento atacaram os baha'is como perversos e extremistas e recordaram que a sua sede internacional está situada na cidade israelita de Haifa. Um deputado da oposição (Gamal Akl, da Irmandade Muçulmana) não hesitou mesmo em afirmar que os baha'is são infiéis que devem ser mortos devido ao facto de terem mudado de religião.

"O problema dos baha’is é que eles são movidos por mãos israelitas. Desejamos que o Ministro do Interior não seja alvo da chantagem deste grupo perverso", afirmou Mustafa Awadallah, outro deputado da Irmandade Muçulmana.

Zainab Radwan, do Partido Nacional Democrático (do governo), justificou a sua posição a favor do reconhecimento dos bahá'ís nos documentos civis de identificação: "Há interesse em saber quem eles são, de forma a impedir que se infiltrem nos diferentes níveis da sociedade e espalhem a sua doutrina extremista e perversa".

A constituição Egípcia garante liberdade religiosa, mas na prática o governo está relutante a reconhecer outras religiões que não o Islão, Cristianismo e Judaísmo, que muitos muçulmanos acreditam ter um estatuto mais elevado. O tratamento da comunidade baha'i do Egipto (cerca de 2000 pessoas) tem sido motivo de fricção entre o governo daquele país e várias organizações de direitos humanos.

LINKS:
State to appeal ruling that favours Egypt's Baha’is (notícia original)
US body criticizes religious freedom in allies
Tribunal Egípcio reconhece direitos dos Baha'is
Muslim Brotherhood (Wikipedia)
Muslim Brotherhood (site oficial em inglês)



O MEU COMENTÁRIO:

1. As declarações dos deputados egípcios – defendendo a pena de morte para os membros de uma minoria religiosa ou o controlo rigoroso dos movimentos dos seus membros – fazem lembrar os tempos das mais sombrias ditaduras europeias do século XX. Que benefícios teve a Europa com a opressão de qualquer grupo social, político ou religioso? Infelizmente, os políticos egípcios parecem não querer aprender com os erros dos europeus.

E quando um representante de um partido de pretensa inspiração islâmica defende a pena de morte para os membros de uma minoria religiosa, bem nos podemos questionar: que religião é essa onde se acredita que Deus pode beneficiar com a morte de alguém?

No Ocidente, este tipo de afirmações por parte de um deputado seriam motivo de enorme escândalo; provavelmente seriam um suicídio político. Mas neste caso é provavel que passem despercebidas à maioria dos media e dos políticos ocidentais.

Num momento em que o Ocidente insiste em levar a democracia a países que ainda vivem sob ditaduras ou regimes autoritários, seria importante transmitir aos povos desses países que para viver num sistema democrático não é apenas necessário aceitar as regras da democracia; também se deve aceitar outro valor mais elementar: os direitos humanos.

2. O reconhecimento da religião bahá'í como religião independente há muito que é debatida no Egipto. Curiosamente, foi naquele país , em 1925, que um tribunal sunita reconheceu pela primeira vez a "Fé Bahá'í como uma nova religião, inteiramente independente" e que "portanto, nenhum baha'i pode ser considerado muçulmano".

3. O facto do Centro Mundial Bahá’í estar situado em Haifa (Israel) é ciclicamente usado pela propaganda fundamentalista islâmica para acusar os bahá’ís de serem “agentes sionistas” e aliados de Israel. O argumento é patético. Por um lado as leis bahá’is proíbem que os crentes desta religião se envolvam em actividades políticas ou em actos de subversão. Por outro lado, o Centro Mundial Baha’i está situado em Haifa porque foi para o norte da Palestina que em 1868 os governos otomano e persa exilaram Bahá'u'lláh. Além disso, o Centro Mundial Bahá’í nasceu antes do Estado de Israel.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Black census

Excertos de um artigo de Iqbal Latif, publicado no Iranian.com, a propósito da situação dos Bahá'ís no Irão.
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Counting minorities is an omen of bad prospects and evil designs ahead. According to the wicked plan, each and every Bahai member in Iran was being identified and monitored. Such an action is an impermissible and deplorable interference with the rights of members of religious minorities in Iran. Bahai faith for far too long has been an expunged page from the Iranian official contemporary records; to erase them further and tap their fringe subsistence is a clear-cut program of state-sponsored extinction of an entire community. This new actuarial request and secret state censuses of minorities have a very dangerous precedent. It advances the idea of collusion of silence with the involvement of science.

This testimony of a "black census" of Bahais can be compared to 'The Nazi Census: Identification and Control in the Third Reich,' a book written by Gtz Aly and Karl Heinz Roth and published in 1984 is amongst the first to commence the discussion about link between Nazi and post-Second World War state practices. "It was neither through the ideology of blood and soil nor through the principle of guns and butter, upheld until the end of 1944, that the National Socialists secured their might or carried out their destructive activities. It was the use of raw numbers, punch cards, statistical expertise and identification cards that made all that possible (p.1)." (...)

Iran not a signatory of this UN declaration that sanctifies the right of every human being for a free belief? Iran as a signatory of the Non proliferation treaty wants to send that treaty to the dustbin by not adhering to its limitation imposed on it as a signatory. On the other hand, it similarly wants to send the UN declaration of human rights to the dustbin of history by failing to maintain minimum safeguards as far as recognition and freedom of its minorities are concerned. A clergy-led cabal is putting the entire nation at a collision course with the conscience of the world.

Nations that are led on such a path of self-destruction in this day and age of drone-guided weapons bring havoc and heap misery upon the weakest. Iranians in no way deserve it. The intentional violation of international contracts - from NPT to Human rights - is a blinkered version of clergy that feels they can find their way out by highhandedness and long-windedness. Today the question is: until when will the conscience of Iranian diaspora remain in slumber with a huge dose of self-induced detachment from the grim prospects of Iranian minorities? Iran should take pride instead of persecuting the authors of declarations like these that emanated from Iran in 1869: "The earth is but one country and mankind its citizens."

A Natureza Humana

Hoje na Terra da Alegria temos textos sobre as relações entre a justiça e o amor (Timshel) e o preservativo como um bem acessório (Miguel Marujo). O “meu” texto sobre a natureza humana é mais uma citação do livro de Mojan Momen.

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O tema da natureza do ser humano é um dos que tem recebido uma vasta cobertura nas religiões do mundo. Estas apresentam profundas divergências relativamente a esta matéria. O que se segue é uma tentativa de resumir os ensinamentos.

A natureza do ser humano na teologia cristã clássica está fortemente ligada à doutrina do pecado original. Esta doutrina sustenta que desde que Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden, a humanidade possui uma natureza pecadora inata que tem sido transmitida de geração em geração. Como consequência, os seres humanos estão inerentemente num estado de alienação e afastamento de Deus.

Por contraste, no Islão existe uma atitude mais positiva em relação à natureza humana. O pecado de Adão não é considerado como tendo sido transmitido ao longo das gerações. Segundo o Alcorão, Deus criou o homem, “soprando nele o seu espírito” e fazendo-o superior às outras criaturas, de tal forma que até aos anjos foi ordenado que se curvassem perante ele. Os seres humanos são os representantes (khalifa) de Deus na terra. Têm porém uma propensão inata a certas características malignas como a luxúria e a ganância, mas é-lhes ordenado por Deus que se oponham a estas tendências, sendo o paraíso a recompensa do sucesso.

Na Fé Bahá’í considera-se que os seres humanos têm uma natureza dupla. Possuem uma natureza espiritual, que é a sua verdadeira identidade. Enquanto estão neste mundo, a sua tarefa é aperfeiçoar os seus atributos espirituais na maior medida possível. Os seres humanos também possuem uma natureza animal, que funciona para satisfazer as suas necessidades físicas; se permitirem que esta faceta domine a sua natureza espiritual, então cometem actos malignos. Através da educação e disciplina espiritual (tais como os ensinamentos trazidos pelos fundadores e profetas das religiões mundiais), os seres humanos conseguem controlar a sua natureza animal e desenvolver a sua verdadeira identidade espiritual.

Para os sistemas religiosos que acreditam na Realidade Absoluta, os seres humanos apenas possuem uma realidade relativa ou contingente. Na verdade, a aparente realidade do mundo físico é, de facto, ilusória. O real é a Realidade Absoluta que está encoberta por este mundo. Se os seres humanos puderem ver as coisas como elas na realidade são, veriam que existe apenas uma Realidade que “é”. Tudo o resto, (incluindo a noção humana de possuir uma identidade separada do absoluto) tem apenas uma realidade ilusória ou relativa. No Budismo Mahayana, a realidade do ser humano é idêntica à de Shunyata, a Realidade Absoluta. No Adaita Vedanta, esta verdade esta verdade torna-se real quando os seres humanos compreendem que o Atman (a realidade interior de cada pessoa) é idêntica à de Brahman (a Realidade Absoluta) (…)

No Budismo Theravada, os seres humanos são compósitos (skandhas) de forma corpórea, sensações, percepções, consciência e formações mentais. Todas estas são transitórias (anitya) e não têm essência (anatman). Todas conduzem ao desejo (trishna) e consequentemente ao sofrimento. No Budismo Mahayana, a iluminação consiste em ver o vazio (shunyata) no âmago de todos estes skandhas.

No pensamento Confucionista, os seres humanos são essencialmente bons, mas necessitam de orientação e educação para mostrar a sua bondade inerente. Esta bondade inerente é demonstrada na plenitude quando seres humanos instruídos participam e melhoram a ordem política e social.

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag. 204-205

terça-feira, 2 de maio de 2006

Festival de Ridvan



Entre 21 de Abril e 2 de Maio, os Baha'is celebram o Festival de Ridvan. Este período festivo assinala o momento em que o fundador da religião bahá'í anunciou publicamente a Sua Missão. O episódio ocorreu em 1863, em Bagdade, que na época era uma capital provincial otomana, e precedeu a partida de Bahá'u'lláh, alguns familiares e companheiros para um segundo exílio, em Constantinopla.

Estes doze dias são assinalados com várias actividades e celebrações. Um dos eventos que ocorre nesta ocasião é a eleição das Assembleias Baha'is, os órgãos que administram os assuntos da comunidade bahá'í.

Um fim-de-semana prolongado...

Foi tempo para correr no jardim, brincar na terra, subir ao pinheiro, rebolar na relva, espalhar os brinquedo...
Foi tempo para ser criança!