sexta-feira, 30 de junho de 2006

Peregrinação Interconfessional

Notícia de hoje, no jornal Público.
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Peregrinação junta portugueses de vários credos na Terra Santa

Por António Marujo

Um encontro com o patriarca latino de Jerusalém e com comunidades judaicas e islâmicas, visitas ao templo e aos jardins da Comunidade Bahá'í em Haifa (norte de Israel), à Grande Sinagoga de Jerusalém e ao Jardim do Túmulo da Comunhão Anglicana. Estas são algumas das iniciativas previstas para uma invulgar "peregrinação interconfessional pela paz e tolerância entre os povos" que, entre 5 e 12 de Setembro levará à Terra Santa duas centenas e meia de portugueses cristãos (católicos e protestantes), judeus, muçulmanos e bahá'ís.

A peregrinação foi ontem apresentada em Lisboa e incluirá ainda visitas às mesquitas de Omar e Al Aqsa, ao Muro das Lamentações e a alguns dos lugares mais importantes ligados à vida de Jesus Cristo.

Uma homenagem a Aristides Sousa Mendes está também prevista. Durante a II Guerra Mundial, o cônsul português em Bordéus (Sul de França) concedeu 30 mil vistos a pessoas que fugiam ao nazismo e, com esse gesto que lhe mereceria o castigo ordenado por Salazar, evitou que mais de 10 mil judeus tivessem sido mortos.

Na visita ao Memorial do Holocausto, o grupo português plantará, no Bosque de Jerusalém, uma árvore que ficará como memória desta peregrinação.

A iniciativa é diferente das clássicas peregrinações a Israel e à Terra Santa por incluir lugares não ligados apenas ao cristianismo, especialmente o católico, mas também lugares importantes das outras religiões para as quais as terras de Israel e da Palestina são simbólicas. Essa mesma ideia é vincada por Francisco Moura, da Geotur. Foi esta empresa, que tem no turismo religioso um importante segmento de actividade, que teve a ideia da peregrinação, congregando à sua volta representantes das diferentes comunidades religiosas.

Na apresentação da iniciativa, Isaac Assor, da Comunidade Judaica de Lisboa afirmou que "é nas bases que se começa a cimentar o diálogo inter-religioso". Moahamed Abe, da Comunidade Islâmica, afirmou que o exemplo da convivência inter-religiosa em Portugal é positivo. E Mário Mota Marques, da Comunidade Bahá'í, diz que uma peregrinação como esta é importante para contactar as comunidades religiosas locais – os cristãos, citou vivem neste momento sérias dificuldades, entalados entre sociedades maioritariamente judaicas e islâmicas.

As peregrinações e as viagens têm também importância do ponto de vista turístico: há dois anos, o patriarca latino, Michel Shabah, de Jerusalém, mandou uma carta a todos os bispos católicos a pedir que retomassem as visitas à Terra Santa, para ajudar a revitalizar a economia e, dessa forma, atenuar o desemprego e as graves carências que se verificam sobretudo entre palestinianos.
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quinta-feira, 29 de junho de 2006

Kitáb-i-Íqán (22)

MOISÉS (2ª Parte)
O segundo de dois posts sobre a figura de Moisés nas Escrituras Bahá'ís.
Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver
Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.
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Os Primeiros Anos

Bahá'u'lláh refere que o advento de Moisés foi profetizado por magos egípcios e sábios hebreus. “Os adivinhos do Seu tempo advertiram o Faraó nestes termos: «Surgiu uma estrela no céu! Ei-la! Prognostica a concepção de uma Criança que segura nas mãos o vosso destino e o de vosso povo.» Assim também apareceu, na escuridão da noite, um sábio trazendo novas de júbilo ao povo de Israel, consolando-lhe a alma e tranquilizando-lhe o coração.”[68] Neste episódio vemos um paralelismo com o relato do Evangelho onde se descreve o aparecimento de uma estrela no céu nos dias que antecederam o nascimento de Jesus. (a) (Mt 2:1-2)

Num outro parágrafo do Kitáb-i-Íqán, é referido que Moisés "por quase trinta anos fora, aos olhos do mundo, criado na casa de Faraó e alimentado à sua mesa"[58]. Mas um episódio viria a mudar o rumo da Sua vida: "Um dia, Ele, ainda na juventude, antes de haver proclamado o Seu ministério, passava pelo mercado, quando viu dois homens lutando. Um deles pediu socorro a Moisés contra o adversário e então Moisés interveio e matou-o."[42]

O Vale de Jetro, no Sinai
O vale de Jetro, no Sinai.
Ilustração de H.Fenn, 1875.

A condição social de Moisés era um obstáculo para que a Sua mensagem fosse aceite quer por egípcios, quer por hebreus. Aos olhos dos egípcios, Ele era um assassino; aos olhos dos hebreus, Ele era um egípcio, um filho do povo opressor. A propósito disto, Bahá'u'lláh chama mais uma vez a atenção do leitor para o facto dos desígnios de Deus serem frequentemente contrários aos desejos dos seres humanos. Esses desígnios são verdadeiras provações que o Criador coloca à humanidade:

...como são múltiplas e estranhas as provações com que Ele experimenta Seus servos. Considera tu como Ele escolheu subitamente dentre Seus servos e Lhe confiou a exaltada missão de ser um Guia divino, Àquele conhecido como homicida, que confessara, Ele mesmo, a Sua crueldade e que por quase trinta anos fora, aos olhos do mundo, criado na casa de Faraó e alimentado à sua mesa. Não poderia Deus, o Rei Omnipotente, ter impedido a mão de Moisés de cometer assassínio para que isso não Lhe fosse atribuído, facto este que tanta perplexidade e aversão causou entre o povo?"[58]
A Sarça Ardente / A Revelação

É extremamente difícil perceber o momento em que o Manifestante de Deus toma consciência da Sua missão. Esse momento de íntima ligação entre Deus e o Manifestante é frequentemente descrito com metáforas e simbolismos que nos permitem apenas um vislumbre da intensidade espiritual desse momento. Os Livros Sagrados do passado afirmam que durante o exílio em Midian, Moisés recebeu a revelação de Deus e tomou conhecimento da Sua missão.

Segundo Bahá'u'lláh, "Moisés entrou no vale santo, na solidão do Sinai, e aí, da «Árvore que não pertence nem ao Este nem ao Oeste», teve a visão do Rei da glória. Ai Ele ouviu a Voz comovedora do Espírito, que Lhe falava do Fogo ardente..." [42]. Noutras epístolas reveladas anos mais tarde, Bahá'u'lláh apresentou descrições das palavras que Moisés ouviu de Deus noutras ocasiões:

Recorda tu os dias em que Aquele que conversou com Deus vigiava no deserto, as ovelhas de Jetro, Seu sogro. Escutou Ele a Voz do Senhor do género humano proveniente da Sarça Ardente que fora erguida na Terra Santa - Voz essa que exclamava: «Ó Moisés! Verdadeiramente, sou Deus, teu Senhor e o Senhor de teus antepassados, Abraão, Isaac e Jacob». (b) (cf. Ex 3:6)
Na Epístola ao Filho do Lobo, Bahá'u'lláh apresenta outras descrições dos momentos em que Moisés recebeu revelações divinas:

E quando Ele subiu até o fogo, uma Voz clamou-Lhe da Sarça, à direita do Vale, no Local sagrado: «Ó Moisés, eu, verdadeiramente, sou Deus, o Senhor dos mundos!» (c)
E ainda:
E quando chegou até o fogo, Ele foi chamado: «Ó Moisés! Verdadeiramente Eu sou Teu Senhor; tira portanto, Tuas sandálias, pois está no vale sagrado de Towa(d). E Eu escolhi-Te: dá ouvidos, então ao que Te será revelado. Verdadeiramente, Eu sou Deus, não há outro Deus além de Mim, Portanto, adora-Me.»(e) (cf. Ex 3:5)


O Monte Serbal, no Sinai.
Ilustração de J.D.Woodward, 1875.

Um Episódio Final

Um episódio ocorrido no final da vida de Moisés é mencionado por 'Abdu'l-Bahá no livro Respostas a Algumas Perguntas. Numa entrevista com uma das primeiras crentes ocidentais, o filho de Bahá'u'lláh esclarece que nos livros sagrados as repreensões dirigidas por Deus aos Seus Manifestantes são na verdade dirigidas ao povo. E entre os exemplos apresentados cita o Antigo Testamento:
... todo Profeta é a expressão do povo inteiro. Portanto, as promessas e as palavras que Deus Lhe dirige são dirigidas a todos. A linguagem da repreensão é, geralmente, muito severa para o povo, e também seria arrasadora. Assim, a Perfeita Sabedoria adopta esse modo de falar, como se encontra na Bíblia, por exemplo, quando os filhos de Israel se revoltaram e disseram a Moisés: «Nós não podemos lutar contra os amalecitas, porque eles são poderosos, fortes e corajosos.» Então, Deus repreendeu Moisés e Aarão, embora a obediência de Moisés fosse completa e Ele jamais se revoltasse. De certo que um tão grande homem – o mediador da Graça de Deus, incumbido de transmitir a Sua Lei – há necessariamente de obedecer aos mandamentos de Deus. (…)

E mais; em Números, capítulo XX, versículo 23: "E falou o Senhor a Moisés e a Aarão no monte de Hor, na costa da terra de Edom, dizendo: Aarão juntar-se-á ao seu povo, porque não entrará na terra que doei aos filhos de Israel,pois tende-vos revoltado contra a Minha Palavra nas águas de Meriba"(f); e no versículo 13: "Estas são as águas de Meriba, porque os filhos de Israel discutiram com o Senhor, Ele santificou-Se nelas".
Vejamos: o povo de Israel revoltou-se, mas aparentemente a repreensão foi dirigida a Moisés e Aarão. No Livro de Deuteronómio, capítulo III, versículo 26, está escrito: "Mas o Senhor indignou-se comigo por vossa causa, e não me ouviu. Em vez disso, disse-me: Baste-te, não Me fales mais nisto."

Ora, essas palavras e essas repreensões eram realmente para os filhos de Israel que, por se terem revoltado contra os mandamentos de Deus, tinham permanecido durante muito tempo, cativos no deserto árido, do outro lado Jordão, até o tempo de Josué – bendito seja! Essas repreensões, pois, destinavam-se ao povo de Israel, embora parecessem ser para Moisés e Aarão.(g)
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REFERÊNCIAS

(a) – Bahá'u'lláh refere que quando os Livros Sagrados mencionam a estrela que surge no céu anunciando o aparecimento de um Manifestante esses trechos podem ter uma leitura literal ou simbólica [68-73]. No sentido literal, tratar-se-á de um fenómeno físico; no sentido simbólico refere-se a figuras proféticas que anunciam o aparecimento do novo Manifestante (semelhante a João Baptista). Na religião baha'i, essas figuras foram Sheik Ahmad e Siyyid Kazim.
(b) – Epistolas de Bahá'u'lláh, pag. 292
(c) – Epistle to the Son of the Wolf, pag. 118
(d) – Alcorão 20:12. Também mencionado como o "Vale Sagrado"
(e) – Epistle to the Son of the Wolf, 117

(f) – 1 Num 20:2-13
(g) – Respostas a Algumas Perguntas, cap. 44

terça-feira, 27 de junho de 2006

Continua a intimidação

No Irão prossegue a estratégia de intimidação contra baha'is: prendem durante alguns dias, não formulam acusação, exigem uma caução e não marcam o julgamento. Intimidação e o saque, promovidos pelas autoridades.

Segundo notícias recentemente divulgadas pela Comunidade Internacional Baha'i, nas últimas semanas têm ocorrido várias detenções de bahá'ís no Irão. Os factos ocorreram quase em simultâneo nas cidades de Shiraz e Hamadan; não foi formulada qualquer acusação e os baha’is foram libertados alguns dias depois.

Em Hamadan foram detidos três baha’is no passado dia 18 de Junho. Após três dias de detenção, foram libertados. Estas detenções deram-se após funcionários governamentais terem procedido a rusgas em suas casas, em que foram confiscados computadores, livros e documentos baha’is.

Também recentemente foram libertados os últimos de três baha’is (de um grupo de 54 jovens) detidos em 18 de Maio, em Shiraz. Apesar de inicialmente o juiz ter exigido o pagamento de uma caução no valor de 43.000 €, os três acabaram por ser libertados sem ter de pagar qualquer caução, mas com o compromisso de comparecerem no tribunal para o julgamento. No entanto, na maioria dos casos foi exigido alguma forma de caução – hipoteca de propriedades ou depósito de valores – antes da libertação.

Actualmente, dois baha'is detidos em Teerão e Sanandaj, ainda permanecem presos.

Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Baha'i junto das Nações Unidas comentou esta situação: "Estamos preocupados pelo facto deste modelo de detenção e libertação estar a ser cada vez mais usual como outra forma de hostilização dos Bahaiis. Apoderar-se dos bens de pessoas que não foram acusadas que qualquer crime e cuja data de julgamento é desconhecida faz parte de uma estratégia mais vasta de intimidação para negar direitos e oportunidades à Comunidade Bahá'í."

Um livro para atiçar o preconceito anti-baha'i

Um dos mais activos e interessantes blogs que tenho acompanhado é Baha'i Faith in Egypt. É de autoria de um baha’i egípcio e todas as semanas no surpreende com alguma novidade sobre a situação dos baha’is naquele país. A opinião de quem pertence a uma minoria religiosa num país islâmico, e neste momento é testemunha privilegiada de uma batalha judicial pelos direitos civis dessa minoria fazem deste blog uma local de visita obrigatório. Pergunto-me porque é que não há baha'is iranianos com blogs semelhantes…

Num post recente, Bilo, o autor do Baha'i Faith in Egypt, refere a edição de um livro que apela à morte dos Baha'is no Egipto. Este livro acaba de ser publicado e está a ser distribuído às livrarias e quiosques do país.

O livro, intitulado Bahaismo - As suas Crenças e Objectivos Coloniais (104 paginas) é da autoria do Dr. Khaled Abdel-Halim el-Sayouty sob a supervisão do Ministério dos Assuntos Islâmicos e do Conselho Supremo Islâmico. Além da já usual difamação e distorção que estes livros contêm sobre a religião bahá'í e os seus seguidores, tem também uma declaração do Centro de Investigação Islâmico de Al-Azhar onde se apela de forma clara à morte dos Baha'is.


Na pag. 99 deste livro escreve-se: "Al-Azhar insta os que têm autoridade na República Árabe do Egipto a manterem-se firmes contra esta congregação maligna que é contrária à Fé de Deus e à ordem pública nesta sociedade. Os julgamentos de Deus devem ser executados contra eles, a lei que merecem deve ser aplicada e devem regressar ao pó juntamente com os seus ensinamentos. Isto é uma protecção para todos os cidadãos contra a apostasia e as suas crenças que se afasta do verdadeiro caminho de Deus. Os que cometeram crimes contra a verdade do Islão e a sua nação devem desaparecer da vida, para que não possam afastar-se do Islão".

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Bahaïs : une communauté en mal de reconnaissance

Les Bahaïs devront encore attendre. Deux mois avant de savoir si leur religion pourra être inscrite sur leurs papiers. Le jugement prévu la semaine dernière a été repoussé à l'automne prochain

Déception pour les deux à trois mille Bahaïs d’Egypte. Leur sort ne sera pas réglé avant le 16 septembre prochain. Le gouvernement égyptien a en effet obtenu un report du jugement en appel, suite à une décision du tribunal administratif d’Alexandrie. Le 4 avril dernier, celui-ci avait reconnu aux Bahaïs le droit d’inscrire leur religion sur leurs cartes d’identité. Le gouvernement a fait appel. Pour les Bahaïs d’Egypte, c’est la possibilité de mener une vie normale qui est en jeu.

Car comment vivre dans un pays quand on ne peut avoir ni certificat de naissance, ni carte d’identité, ni permis de conduire ? C’est parce qu’ils étaient confrontés à ce problème que deux membres de la communauté bahaï d’Egypte ont déposé en 2004 une plainte auprès du tribunal administratif d’Alexandrie.

Depuis l’an 2000 et le début de l’informatisation de l’état civil en Egypte, les Bahaïs se trouvent en effet confrontés à un dilemme. "À la case religion, les ordinateurs de l’administration n’acceptent que trois entrées : musulmans, chrétiens ou juifs, explique Hervé Milewski, un Français membre de la communauté bahaï d’Egypte. Il n’y a pas de case blanche. Or il nous est interdit de renier notre religion. Nous préférons ne pas avoir de papiers, malgré tous les problèmes que cela entraîne. Ainsi ma fille qui est née en Egypte n’a pas été enregistrée sur l’état civil égyptien."

Un dogme sacrilège

La décision favorable du tribunal administratif d’Alexandrie a donc été accueillie comme une victoire par les Bahaïs. Mais elle a déclenché un tollé en Egypte. "Depuis deux mois, nous sommes les victimes d’une campagne médiatique acharnée", se désole Hervé Milewski. "On nous accuse de tous les maux alors que notre religion est pacifiste et qu’elle demande à ses fidèles de respecter les lois du pays où ils vivent."

En 2003, l’académie des recherches islamiques de l’université d’Al Azhar, la plus haute autorité du monde sunnite, a défini le bahaïsme comme "un dogme sacrilège." Ce qui explique peut-être la vigueur avec laquelle les médias et certains hommes politiques ont réagi à l’annonce de la décision d’Alexandrie.

À l’inverse, l’Organisation Egyptienne des Droits de l’Homme s’est félicitée de ce jugement, qu’elle estime conforme à la constitution égyptienne.

FONTE: LePetitJournal.com

Los diputados españoles condenan la persecución de la comunidad religiosa baha'í en Irán

MADRID, 21 (EUROPA PRESS) - Todos los grupos parlamentarios de la Comisión de Asuntos Exteriores del Congreso de los Diputados aprobaron hoy por unanimidad una proposición no de ley en la que condenan la persecución de la comunidad baha'í en Irán y solicitan al Gobierno socialista que exprese al régimen de los ayatolás su preocupación por este hecho.

En el texto consensuado esta mañana por los grupos de la Cámara Baja se insta al Ejecutivo de José Luis Rodríguez Zapatero a manifestar el derecho a la libertad religiosa de los baha'ís de Irán y a expresar su preocupación por las detenciones y arrestos arbitrarios sufridos por los miembros de esta comunidad en territorio iraní.

El portavoz de IU-ICV, Gaspar Llamazares indicó que su formación había firmado esta iniciativa "oportuna" en defensa de la libertad religiosa y de la comunidad baha'í en Irán. "Es oportuna por la vocación de que se defiendan los Derechos Fundamentales", señaló al respecto.

Mientras, Josu Erkoreka (PNV) recordó que los baha'ís forman una comunidad de fe con "amplia implantación" en 235 países que cuenta por cinco millones de fieles "de características heterogéneas".

Pese a nacer en Irán, esta comunidad sufre una persecución "encarnizada y sistemática orientada a su desaparición", opinó el diputado peneuvista, quien advirtió de que sin libertad ideológica y de conciencia es "inconcebible" el pluralismo.

"Las resoluciones de las Naciones Unidas, en algunas ocasiones, han logrado aminorar esta persecución y el sistemático atropello de los derechos de los baha'ís a través de los más encarnizados procedimientos, por el sólo hecho de tener estas creencias que no llevan a defender postulados violentos, ni contra el sistema establecido, al contrario, son postulados que defienden la paz", dejó claro.

Por su parte, Jordi Xuclá (CiU) hizo hincapié en la importancia de que el Congreso de los Diputados exprese el respeto a la libertad religiosa al ser un derecho fundamental universal. "Hay una persecución muy importante en Irán hacia esta minoría religiosa, de 350.000 baha'ís, que son perseguidos y que no pueden recibir una educación religiosa de acuerdo a sus creencias. La comunidad internacional y diversas organizaciones no gubernamentales alertan de que hay un repunte de esta persecución", manifestó.

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Noticia completa (Yahoo - España)

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O MEU COMENTÁRIO: será que alguma vez veremos este tema ser abordado por deputadoS portugueses?

6 meses

O David ainda não gatinha, mas já rebola.
Ri muito e também já gosta de fazer umas birras.
E gosta muito dos cães.

sábado, 24 de junho de 2006

Ser Baha'i, no Egipto

Segue-se a tradução de uma artigo de Mariam Fam, divulgado pela Associated Press (em 22 de Junho), e publicado em vários jornais e sites noticiosos (Washington Post, Forbes, ABCNews, Yahoo). As frases a bold são apenas aspectos do artigo que me parecem merecedores de destaque. Nos últimos dias, a situação dos baha'is no Egipto também mereceu a atenção do jornal francês La Croix( Bataille judiciaire autour de la reconnaissance des baha'ïs en Egypte).
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CAIRO - Oculto nos bolsos de Labib Iskandar está um pedaço de papel cuidadosamente dobrado com os cantos gastos que nos conta a história de uma comunidade que luta pelo reconhecimento. É um recibo que Iskandar recebeu quando solicitou o documento de identificação informatizado que o Egipto começou a emitir – há mais de cinco anos

Iskandar é um bahai, um membro de uma comunidade religiosa que considera um Persa do séc. XIX, Bahá'u'lláh, como um profeta – um desafio à crença muçulmana que Maomé foi o último profeta. Dado o papel central do Islão na vida do Egipto, o governo não emite um cartão de identidade para um baha'i, mas apenas para muçulmanos, cristãos ou judeus.



O actual documento de identificação de Labib Iskandar
vai perder a validade no final do ano.

O assunto surgiu nas notícias em Abril, quando um tribunal decidiu que os membros da pouco conhecida comunidade baha'i do Egipto tinham o direito de ter a sua religião registada em documentos oficiais. Esse facto levantou um clamor e o Ministro do Interior apressou-se a preencher um recurso; no mês passado, um outro tribunal congelou o caso.

No entanto, a controvérsia mantém-se. Alguns clérigos muçulmanos declaram abertamente que a Fé Baha’i é uma heresia, e os defensores dos direitos civis queixam-se que esta abordagem com mão de ferro ameaça que surjam motins semelhantes aos que ocorreram em muçulmanos e a minoria cristã [copta] em Alexandria.

Apesar da disputa afectar apenas os baha'is do país - cerca de 2000 pessoas entre os 72 milhões de egípcios – proporciona um vislumbre de como uma sociedade outrora cosmopolita se afundou numa cultura onde o fanatismo esmaga as protecções teóricas de liberdade religiosa.

"Antigamente, tudo era mais simples; todos sabiam que eu era baha'i e não tinha qualquer problema com isso" diz Iskandar, um professor de engenharia de 59 anos. "Não havia preconceitos. O fanatismo só agora veio à superfície"

A família cujo processo levou à decisão do tribunal sobre a Fé Baha’i recusou falar aos jornalistas. Mas a experiência dos baha’is no Egipto pode ser vista através de Iskandar e da sua família.

A sua certidão de nascimento e o seu anterior documento oficial de identificação identificam-no como baha'i. Os seus filhos têm certidões de nascimento semelhantes. Mas quando o seu filho mais velho, Ragi, de 24 anos, pediu o cartão de identidade, os funcionários oficiais concordaram em colocar um traço - para indicar um espaço em branco - na secção da religião.

Mais tarde quando o seu filho Hady, de 19 anos, pediu um cartão de identidade, foi-lhe dito que se devia identificar como uma das três religiões oficialmente reconhecidas e nunca mais recebeu os seus documentos, conta Iskandar.

"Ficamos muito preocupados quando eles saem à noite e regressam tarde a casa, especialmente o filho mais novo, pois como ele não tem documentos de identificação, isso pode trazer-lhe problemas" conta Iskandar. "Porque eles são jovens, eles podem aborrecer-se e dizer «Vamos embora do Egipto!»" – uma opção que o velho Iskandar rejeita.

Lahib Iskandar"Eu sou um egípcio. Nasci no Egipto ... e não vou deixar o Egipto" diz ele.

O velho Iskandar pôde requerer o novo documento de identificação, mas nunca o recebeu. Os requerimentos dos seus dois filhos para novos documentos de identificação nem sequer foram aceites. E no final do ano o Egipto não vai reconhecer os antigos documentos de identificação, agora substituídos pelos novos cartões informatizados.

Iskandar lembra-se de frequentar todas as actividades baha’is até que um deceto presidencial de 1960 dissolveu as assembleias baha’is. Em Outubro do ano passado, a sua irmã faleceu e a família não conseguiu obter uma certidão de nascimento por causa da sua fé.

Eles não querem reconhecer a Fé Baha’i. Muito bem. Não há problema. Mas como cidadão egípcio é, ou não, meu direito obter uma certidão de nascimento e um documento de identificação? pergunta ele. “Porque é que querem que eu mude de religião? Porque é que querem que eu seja hipócrita? Eu recuso mentir”.

Abdel Moeti Bayoumi, um intelectual muçulmano, afirma que o pedido dos baha’is de reconhecimento em documentos oficiais fortaleceria um sistema sectário que podia fracturar o país.

Acredite no que quiser acreditar, você e os seus filhos, enquanto o fizer em casa e com portas fechadas”, afirmou ele. “Mas não subverta a ordem pública”.

Bayoumi é um membro do centro de investigação islâmico de Al-Azhar, uma proeminente instituição do saber muçulmano sunita. Tal como muitos intelectuais muçulmanos acredita que o Bahaismo [sic] é uma dissidência do Islão e não uma religião por direito próprio. Afirma que as crenças e práticas baha’is – incluindo considerar Bahá'u'lláh como um profeta – ofendem os muçulmanos.

Acrescentou que os baha’is tiveram sorte pelo facto do Ministro do Interior ter recorrido do veredicto de Abril, pois caso contrário os extremistas podiam tê-los atacado.

Uma declaração de Al-Azhar instava o Egipto a “manter-se firme contra este grupo que agride a religião de Deus”. Instava o governo a criminalizar a Fé Baha’i, e outra declaração do centro de investigação de Al-Azhar, jogando com os sentimentos anti-israelitas da região, argumentava que o Bahaismo[sic] “serve os interesses do Sionismo

Os baha'is afirmam que os os seus lugares sagrados em Israel são usados para desacreditar a sua comunidade. Bahá'u'lláh faleceu em Akko, no que fazia parte do então Império Otomano – e faz parte de Israel. O centro mundial dos 5 milhões de baha’is está em Haifa, Israel, e eles têm outros lugares sagrados na Turquia e no Irão.

Hossam Bahgat, director do Egyptian Initiative for Personal Rights, que acompanhou o caso dos baha’is afirmou que a ignorância dos egípcios em matéria de fé alimentou uma “campanha de difamação.

É outra manifestação da abordagem limitada e de mão pesada com que o Ministro do Interior trata os assuntos religiosos. Existem fortes semelhanças entre estes eventos e os tumultos de Alexandria em termos de falta de tolerância” afirmou ele, referindo-se aos confrontos que opuseram muçulmanos e cristãos e causaram dois mortos e quarente feridos em Abril.

A socióloga política Hoda Zakareya afirma que o Egipto – que até 1950 era o lar de um número significativo de judeus, arménios, gregos e outros – tornou-se menos tolerante.

Acrescentou que a crescente influência de grupos islâmicos, tais como a Irmandade Muçulmana, que pretendem galvanizar as pessoas através da religião e não do nacionalismo, contribuíram para a mudança: “A Irmandade afirma que pretende reconstruir a fracturada consciência colectiva com base na religião. Mas as pessoas estão-se a dividir, e não a unir, em torno do Islão”.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Kitáb-i-Íqán (21)

MOISÉS (1ª Parte)

No âmbito do estudo do Kitáb-i-Íqán, apresento hoje o primeiro de dois posts sobre a figura de Moisés nas Escrituras Bahá’ís. Apesar dos mais significativos Textos Sagrados da religião baha’i já se encontrarem traduzidos para inglês, tenho de reconhecer que este que este breve estudo ficou limitado a essas mesmas traduções, pois não conheço a língua árabe nem a língua persa. Não obstante essa limitação, espero que seja suficientemente elucidativo sobre a perspectiva bahá'í relativamente a Moisés.

Entre parêntesis rectos indica-se o nº do parágrafo citado. Sobre a numeração dos parágrafos do Kitáb-í-Iqan, ver
Notes on paragraph numbering of the Kitab-i-Iqan.

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As primeiras conversões à religião bahá'í ocorreram entre muçulmanos desde 1844; na década de 1890, a Fé Bahá’í “chegou” ao Ocidente e a partir desse momento deram-se as primeiras conversões entre cristãos ocidentais(a). Não admira, pois, que nas Escrituras Bahá’is, se encontrem vários livros e epístolas reveladas como resposta a esses primeiros crentes, onde – fruto da necessidade de enquadrar as respostas em função dos valores e das convicções originais desses crentes – existem muitas referências a Cristo e a Maomé.

Desta forma, compreende-se que Cristo e Maomé sejam os fundadores das Religiões Mundiais mais referidos nas Escrituras Bahá’ís. Mas sendo a divindade de Moisés prontamente reconhecida quer por Cristãos, que por Muçulmanos, é com alguma naturalidade que, nesses livros e epístolas, encontramos uma significativa quantidade de referências ao fundador do Judaísmo.

Além do Kitáb-i-Íqán, onde o nome do fundador do Judaísmo é mencionado em trinta e uma ocasiões, existem ainda outros dois livros das Escrituras Bahá’ís onde o Seu nome é referido com frequência: Epístola ao Filho do Lobo (b) e Respostas a Algumas Perguntas (c).

Nas Escrituras reveladas por Bahá'u'lláh as referências a anteriores Manifestantes de Deus é acompanhada por título ou designações elogiosas. Mantendo este estilo, no Kitáb-i-Íqán, Moisés é descrito como uma "Árvore Sagrada"[12], "Cedro Divino"(d), "Guia Divino"[58], "Aquele que conversava com Deus"[68] e "filho de 'Imrán, um dos Profetas excelsos e Autor de um Livro divinamente revelado."[57]

Os Simbolismos
Comparativamente aos textos do Antigo Testamento, com a qual a maioria dos leitores ocidentais se encontra mais familiarizado, uma das primeiras diferenças que se nota nas palavras de Bahá'u'lláh é a ênfase no simbolismo de algumas descrições. Apesar de nunca negar a historicidade dos relatos contidos nos Textos Sagrados, o fundador da religião baha’i prefere levar o leitor perceber que a verdadeira riqueza do Texto se encontra nos múltiplos significados simbólicos ali contidos (e). A título de exemplo veja-se a seguinte referência a Moisés:

Armado com a vara do domínio celestial e adornado com a nívea mão do conhecimento divino, procedendo do Paran do amor de Deus e manejando a serpente do poder e da majestade eterna, Ele brilhou do Sinai da luz sobre o mundo.[12]
Nesta frase, a vara e a serpente(f) em que este se transforma são apresentados como símbolos do poder divino de Moisés. A luz que brilhou da sarça ardente(g) e o próprio Moisés são usados para representar o conhecimento divino transmitido pela revelação de Moisés; o Faraó representa o expoente máximo da oposição à Mensagem Divina, da injustiça e da descrença.


O Monte Sinai, numa ilustração de David Roberts, 1839

Algumas mais conhecidas do Êxodo dos Hebreus, como as pragas do Egipto ou a travessia do Mar Vermelho, encontram-se ausentes do Kitáb-i-Íqán; em contrapartida, Bahá'u'lláh enfatiza o confronto entre Moisés e o Faraó[12, 57, 92] como um choque entre os que acreditavam na mensagem Divina e os que lhe faziam oposição e a perseguiam. Mais do que um confronto entre hebreus e egípcios, Bahá'u'lláh descreve-o como um choque entre os crentes e os descrentes:
O tirano copta jamais participará do cálice tocado pelos lábios do clã da justiça, e o Faraó da descrença não poderá esperar reconhecer jamais a mão do Moisés da verdade.[16]

Rejeitando o Moisés do conhecimento e da justiça, aderiram ao Samiri
(h) da ignorância.[210]

A Mensagem de Moisés

Os ensinamentos de Moisés, tal como os ensinamentos de outros Manifestantes de Deus, têm por objectivo proceder ao renascimento espiritual dos povos. Ao contrário do que afirmam as tradicionais interpretações do Antigo Testamento, Bahá'u'lláh sustenta que a Mensagem de Moisés não se destinava apenas ao povo hebreu; nas palavras do fundador da religião bahá’í, Moisés "...chamou todos os povos e raças da terra para o reino da eternidade; convidou-os a participar dos frutos da árvore da fidelidade"[12].

Bahá'u'lláh reforça esta universalidade da Mensagem de Moisés, ao citar o Alcorão descrevendo o caso de um familiar do Faraó que acreditou na Mensagem de Moisés: "E disse um homem da família do Faraó, que era crente mas ocultava a sua fé – Quereis matar um homem por dizer que o meu Senhor é Deus, quando já veio com sinais do vosso Senhor? Se for um mentiroso, sobre ele cairá a sua mentira, mas se for homem da verdade, uma parte daquilo que ele ameaça haverá de cair sobre vós. Em verdade, Deus não guia quem é transgressor ou mentiroso."(40:28) [12]

‘Abdu’l-Bahá, filho de Bahá'u'lláh, refere que a influência da Mensagem de Moisés perdurou vários séculos e a sua influência estendeu-se aos povos vizinhos. "Tão grande foi o desenvolvimento atingido por esse povo, que os sábios da Grécia chegaram a considerar os homens ilustres de Israel como modelos de perfeição. Sócrates, por exemplo, visitou a Síria, e recebeu dos filhos de Israel os ensinamentos relativos à unidade de Deus e à imortalidade da alma e, após seu regresso, disseminou-os por toda a Grécia."(i)

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REFERÊNCIAS


(a) – Sobre as conversões de outras minorias religiosas iranianas (judeus, cristãos e zoroastrianos) à Fé Bahá'í ver
The Conversion of Religious Minorities to the Bahá'í Faith in Iran de Susan Maneck.
(b) – Este livro foi revelado por Bahá'u'lláh em 1891, um ano antes de falecer. Nele, o fundador da religião baha’i recorda vários episódios da Sua vida, acontecimentos relacionados com os primeiros crentes e revela novamente textos revelados anteriormente. Neste livro o nome de Moisés é mencionado vinte e uma vezes.
(c) – Este livro contém o registo de várias conversas entre 'Abdu'l-Bahá e uma das primeiras crentes ocidentais (Laura Clifford Barney), durante a visita desta em 1907, a ‘Akká. Ao contrário do Kitáb-i-Íqán, onde Bahá'u'lláh aborda diversos temas islâmicos e cita frequentemente o Alcorão (não nos podemos esquecer que o destinatário deste livro era muçulmano), durante estas conversas, 'Abdu'l-Bahá abordou muitos temas cristãos e citou frequentemente a Bíblia. Neste livro, o nome de Moisés é mencionado trinta e duas vezes.
(d) –
Epistle to the Son of the Wolf, pag. 65. Sobre a representação dos Manifestantes de Deus como Árvores, ver o post A Árvore da Vida.
(e) – No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh apresenta um modelo de interpretação das Escrituras Sagradas que assenta na ênfase do simbolismo. Segundo este modelo, é particularmente importante procurar os significados simbólicos do Texto Sagrado sempre que o seu sentido literal possa ir contra o senso comum e a ciência. Sobre o propósito do simbolismo nas Escrituras, ver o post Para que serve o Simbolismo nas Escrituras?
(f) – Exodo 4:2-3, 7:9-12
(g) – Exodo 3:2-4
(h) – Um mago contemporâneo de Moisés.
(i) – Respostas a Algumas Perguntas, cap. 5

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Polícia do Pensamento

Dois comentários recentes colocados neste blog quase passaram despercebidos por terem sido feitos em posts afixados há já algum tempo. Refiro-me aos comentários assinados por A.Mobarak (no post To Zeinobia, in Egypt) e por um anónimo, presumivelmente baha’i (no post 54 Bahá'ís presos no Irão).

Apesar de terem sido escritos por pessoas diferentes, com convicções diferentes, os autores têm uma convicção comum: confundem o seu entendimento da verdade com a própria verdade. E com isso se consideram superiores nas observações que fazem.

O comentário de A.Mobarak é igual a muitos outros que se encontram em fóruns e sites anti-baha’is: afirma que a Fé Bahá’í não é uma religião e sugere um site muçulmano onde se tenta provar que a religião bahá'í é falsa. Para mim, a novidade foi o facto desse comentário vir parar aqui.

Já o bahá'í anónimo insinua-se como uma espécie de polícia do pensamento, como se ele soubesse o que os baha’is devem pensar, dizer ou escrever. Também sugere que o que se escreve, e comenta, neste blog (e noutros blogs de baha’is) não estaria de acordo com o que ele lá entende ser a doutrina baha'i, e que seriam apenas "meias-verdades". E quase ameaça com queixinhas às instituições baha'is.

Para quem tem dos bahá’ís uma imagem de tolerância, o comentário do bahá'í anónimo é muito estranho. Mas eu já tinha referido aqui que conhecia dois ou três casos de bahá'ís fundamentalistas.

A resposta a estes dois auto-intitulados "donos da verdade" aqui fica, com uma citação de Agostinho da Silva:
Podemos dizer quando pensamos filosoficamente – e nem é preciso, para isso ser crente de uma determinada religião, a qual tem vantagem porque exerce a sua atenção sobre um ser superior último, seja ele o conceito, por exemplo, cristão ou muçulmano de Deus, seja outro conceito, é evidente que só esse último é que possui a autêntica verdade das coisas – que nós apenas temos de utilizar aquilo que consideramos verdadeiro e o grande perigo é que somos levados a confundir o nosso verdadeiro com a verdade. Então o homem que exerce o poder é o que acha que tem a verdade, que conhece a verdade, que dizer, comete o pecado de se considerar igual a Deus e de achar que pode dar determinações aos outros.

Agostinho da Silva, Vida Conversável, pag. 66

quarta-feira, 21 de junho de 2006

A voz de uma Maioria Silenciosa

Ontem, um dia após o adiamento da decisão do Supremo Tribunal Administrativo sobre os direitos civis dos baha'is no Egipto, o jornal "al-Kahera News" (um semanário muito respeitado, propriedade do Ministério da Cultura) publicou um artigo sobre a religião baha'i e a campanha de difamação que tem sido alvo naquele país.

O autor, Muhammad Shebl, apela ao fim da campanha de ódio conduzida pelos fundamentalistas islâmicos, e lembra aos seus leitores que os ensinamentos do Islão defendem a unidade da humanidade, tal como os Baha’is o têm feito. Além disso, justifica as suas afirmações com várias citações do Alcorão, claramente equilibradas e tolerantes.

Shebl adverte os seus leitores para o seguinte facto: "de acordo com a Lei Islâmica, não se podem forçar os baha’is a converterem-se ao Islão". E acrescenta: "Deus criou o homem e quis que ele fosse livre; por isso deu-lhe uma mente para perceber as coisas por si próprio; e Deus adiou o acerto de contas com o homem para a vida eterna. Se alguém neste mundo odeia os seus semelhantes devido às suas crenças, isso provocará a ira de Deus, pois desse modo cometem um grande pecado e ofendem-No. Se Deus desejasse obrigar todos os seres humanos a adorá-Lo, de algum forma já o teria feito; mas Ele preferiu dar-lhes livre arbítrio de modo a poder responsabilizá-los."

O Sr. Shebl também afirma que "se os baha'is fossem apóstatas [como têm sido acusados pelos Islamitas], então a sua punição só deve acontecer no Dia do Julgamento".

O autor salienta repetidamente a importância da liberdade de escola de cada ser humano, e o facto de não competir a ninguém - excepto Deus - fazer um juízo sobre as crenças dos outros. Também acrescenta que os Muçulmanos não podem limitar o seu reconhecimento ao Islão, Cristianismo e Judaísmo, mas devem reconhecer e tolerar todas as outras religiões, incluindo Baha'is, Budistas, Hindus, etc...

Segundo o autor do blog Baha'i Faith in Egypt, apesar da campanha de descrédito lançada por fundamentalistas islâmicos, este e outros artigos recentes nos principais jornais egípcios ilustram uma onda de tolerância e aceitação por parte daqueles que são capazes de moldar a opinião pública naquele país. Aparentemente representam a voz de uma maioria silenciosa que tem esperança num futuro brilhante e tranquilo.

Fonte: Egypt's Baha'is: Rise of Support in Official Press

terça-feira, 20 de junho de 2006

Outro Campeonato, outras estatísticas...

Nema Milani, um blogger iraniano, lamenta a fraca exibição da selecção iraniana no Mundial 2006; mas acima de tudo lamenta que sempre que apenas quando se fala do Irão, surjam acusações violações dos direitos humanos naquele país. Porque não se fala de direitos humanos quando se refere a Costa do Marfim, a Arábia Saudita ou o Togo?

A este propósito, a Amnistia Internacional recorda que durante o Campeonato do Mundo as atenções estarão focadas nas estatísticas dos jogos: remates, posse de bola, faltas cometidas, cartões amarelos e vermelhos...

Entretanto há outro tipo de estatísticas que vai ficando esquecida. Todos os meses há mulheres espancadas, violadas, traficadas e exploradas sexualmente. A violência contra as mulheres é praticada na cidades, no campo, em casa, ou na rua… Mas o árbitro não vê… Não há cartões vermelhos… Nem há público a gritar "Penalty!"

A este propósito no site da Amnistia Internacional, está um resumo (com algumas estatísticas) de situações de violência sobre mulheres em cada um dos países participantes no Campeonato do Mundo. Merece ser visto.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Inclusão e Cidadania

Parabéns pelo 2º aniversário e um grande obrigado ao José Leitão, autor do Inclusão e Cidadania, um dos meus blogs preferidos.

É hoje!

É hoje que o Supremo Tribunal Administrativo do Egipto vai apresentar a sua decisão final sobre um recurso do Governo Egípcio no caso da negação de documentos de identidade oficiais a um casal de bahá’ís.

Este caso despertou a atenção de observadores de direitos humanos e de liberdade religiosa no Médio Oriente, quando no passado mês de Abril, o Tribunal Administrativo reconheceu o direito dos bahá'ís a ver a sua religião reconhecida em documentos oficiais; em Maio, o governo egípcio - sob a pressão de sectores conservadores da sociedade egípcia - recorreu da decisão para o Supremo Tribunal Administrativo.

Tanto a decisão inicial, como o recurso do governo tiveram ampla cobertura no Egipto e no mundo árabe; as implicações ultrapassam a pequena comunidade bahá'í daquele país. Segundo Hossam Bahgat, director da Egyptian Initiative for Personal Rights (EIPR) "...este caso não é importante apenas para os Baha'is, mas para todos os egípcios, pois vai estabelecer um precedente em termos de cidadania, igualdade e liberdade religiosa. Há um enorme interesse neste caso."

Após a anterior decisão do Tribunal Administrativo a favor dos Bahá’ís, onde se ordenava ao Governo Egípcio que emitisse documentos de identidade e certidões de nascimento nas quais constasse correctamente a religião professada pelos Bahá’ís, várias forças sociais, nomeadamente membros da Universidade de Al Azhar e da Irmandade islâmica, levantaram-se em protesto contra a decisão, manifestando-se contra qualquer tipo de reconhecimento da Fé Bahá’í como religião. Essa reacção desencadeou um debate generalizado em jornais e blogs no mundo árabe sobre a liberdade religiosa.

"As pessoas estão mobilizadas de ambos os lados", afirmou Bahgat. "Há os que apoiam os Baha’is e os que os consideram como uma ameaça à sociedade e ao Islão"

No site do EIPR encontra-se uma descrição da audição no tribunal no passado dia 15 de Maio (em que o Governo apresentou o recurso) que é bem reveladora do nível de tensão que rodeia este caso:

"Os advogados e outros indivíduos presentes na sala do Tribunal interromperam e perturbaram o advogado de defesa cada vez que ele tentava usar da palavra, chamando-lhe «infiel» e fazendo-lhe ameaças de violência física. Sendo impossível restabelecer a ordem na sala de audiências, o tribunal suspendeu a sessão, retomando os trabalhos à porta fechada. Quando a sessão foi suspensa, oficiais da segurança do tribunal recusaram-se a proteger os advogados que estavam rodeados por uma multidão que os ameaçava, empurrava, obstruíam o caminho e impediam de abandonar o local."

Bani Dugal, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas afirmou: "É nossa esperança que neste caso o Tribunal não permita que as emoções se alterem ao ponto de poder obscurecer a sua decisão sobre um assunto relacionado com o direito dos indivíduos professarem as suas crenças u um direito firmemente apoiado pela lei egípcia e pela lei internacional."

"Os Bahá'ís representados neste caso, e por extensão, toda a Comunidade Bahá’í do Egipto, apenas pedem que lhes sejam concedidos os mesmos direitos que outros cidadão egípcios. Neste caso trata-se do direito a não terem a sua religião correctamente identificada em documentos oficiais. Essa informação incorrecta, além de ser fraudulenta, para os bahá’ís representa uma negação da sua fé."

"Não se trata de forçar o governo egípcio ou qualquer outra pessoa, a aceitar ou reconhecer a origem divina da Fé Bahá'í. Trata-se apenas do facto dos Bahá’ís, tal como todos os cidadãos egípcios, necessitarem de documentos de identificação oficiais. E sem esses documentos, os Baha’is egípcios não podem ter legalmente um emprego, educação, assistência médica, serviços financeiros, e estão privado de liberdade de movimentos", acrescentou a Srª Dugal.


ACTUALIZAÇÃO:

Segundo um blog de um baha'i egípcio, o Supremo Tribunal Administrativo decidiu adiar a decisão para o dia 16 de Setembro.


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Notícia Original (BWNS):

Egyptian Government challenges Baha'is' civil rights on appeal -- Court hearing set for Monday, 19 June, in Cairo

Sobre este assunto:
Mais Notícias do Egipto
Bahá'ís do Egipto: Governo vai recorrer da decisão do Tribunal
Tribunal Egípcio reconhece direitos dos Baha'is

domingo, 18 de junho de 2006

Mona Mahmudnizhad

Foi há 23 anos!

Mona Mahmudnizhad era a mais nova das 10 mulheres de Shiraz, enforcadas no dia 18 de Junho de 1983



sexta-feira, 9 de junho de 2006

Férias

Volto dia 18. Fiquem bem.

Leis e Regras

Numa reunião de amigos, a conversa caiu sobre a necessidade de leis. Na verdade todas as formas de organização social possuem algum tipo de leis. Porque é que necessitamos de leis? Serão todas as leis repressivas? Haverá leis que tenham um propósito didáctico que não é imediatamente percebido por todas as pessoas? Poderemos conceber uma sociedade sem leis?

A conversa dispersou com cada pessoa a apresentar múltiplas perspectivas sobre o assunto. Entre as diferentes opiniões, houve uma analogia que achei curiosa: "Qualquer organização necessita de leis, tal como uma cidade necessita de regras de trânsito. Imaginam o que seria uma cidade sem regras, sinais ou semáforos de trânsito? Era o caos! As leis apenas existem para que possamos regular as nossas interacções dentro de qualquer organização."

Recordei esta analogia, quando recentemente recebi um pequeno vídeo com imagens do trânsito numa rua de Kathmandu. Aparentemente ali existem poucas ou nenhumas regras de trânsito. Para quem está habituado ao trânsito das cidades portuguesas, isto é verdadeiramente caótico.

Apreciem.


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quarta-feira, 7 de junho de 2006

Sacrifício e Desprendimento

O "meu" texto de hoje da Terra da Alegria. Também podem lá encontrar textos do Timshel (A importância da caridade desde os primeiros tempos da Igreja) e do José (Um papa que grita a Deus).
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O conceito de Sacrifício ocupa um lugar proeminente nas religiões do mundo. Nas religiões mais antigas, o conceito de oferecer qualquer coisa de valioso à Divindade assentava na ideia de que tudo Lhe pertencia e era um sinal de obediência de nossa parte. Uma parte significativa da mais antiga literatura religiosa que possuímos, incluindo a Bíblia Hebraica e os Vedas, consiste em instruções e hinos para rituais associados com o sacrifício. O exemplo paradigmático associado ao sacrifício (o acto de abdicar de algo valioso em obediência à Divindade) nas religiões ocidentais é o desejo de Abraão em sacrificar o seu filho, conforme as instruções de Deus. (...)

Nas principais religiões não-teístas, o sacrifício também é importante. Todo o esforço é feito para garantir o favor dos espíritos para que mana [o poder] esteja sempre disponível. Os sacrifícios são o método mais comum para conseguir a aprovação. Assim, o sacrifício é uma expressão de homenagem a um Ser (ou seres) mais elevado ou mais poderoso, e também uma expressão de agradecimento. Por exemplo, nos momentos de aflição ou perigo, uma expressão comum disto inclui o sacrifício de algo valioso à Divindade (uma oferenda propiciadora). Alternativamente o voto pode ser feito para que se o perigo for evitado, o sacrifício será oferecido mais tarde. O sacrifício também pode ser parte de uma súplica onde se antecipa um favor da Divindade. Estas expressões de sacrifício existem nos dias actuais nas religiões populares: em aldeias africanas sacrificam-se animais em nome de uma pessoa que se encontra doente e na Tailândia fazem-se ofertas aos espíritos pedindo prosperidade.

No entanto, com o passar do tempo, em muitas comunidades religiosas a ênfase mudou para uma forma mais metafórica. O sacrifício que agora é feito assenta é o sacrifício do ego (os seus desejos, vontades e ideias pré-concebidas); não é um sacrifício dos bens. O objectivo é agradar a Deus ou progredir espiritualmente (ou ambas as coisas). (...) Esta espécie de transacção é frequentemente conceptualizada como uma situação em que algo efémero é dado em troca por algo que tem um valor permanente. Obviamente que um pessoa religiosa acredita que aquilo que oferece vale menos do que aquilo que recebe.

O corolário desta noção "mais elevada" de sacrifício é o "desprendimento" ou a "auto-negação". O sacrifício envolve um desprendimento do ego em relação aos seus desejos e apego às coisas deste mundo. Esta purga espiritual, a morte de uma vida centrada no ego, é considerada como sendo um pré-requisito essencial para o progresso espiritual. Estes conceitos ocupam um lugar central nas principais religiões mundiais e existe muita literatura sobre o assunto. Nesta literatura, o ser humano individual é descrito como ganancioso e centrado em si próprio, por natureza. Como tal, existe um medo inato e uma dúvida relativamente à religião quando esta afirma que é melhor desprendermo-nos e tornarmo-nos menos egocêntricos. Em particular, as religiões pedem que a pessoa abdique do controlo que sente ter sobre a sua própria vida; este controlo deve ser entregue a um líder religioso (um guru ou um sheikh, por exemplo), ou à essência de um ensinamento religioso, permitindo que este domine o coração e o ser de um indivíduo. Existe um conflito no indivíduo entre o desejo dos benefícios espirituais perceptíveis de uma vida espiritual e o medo de perder o controlo da sua vida. Após algum tempo este conflito é resolvido com o "salto da fé" e o compromisso num "novo caminho". Isto é experimentado como uma libertação, um alívio ou uma descoberta.

EXCERTOS DAS SAGRADAS ESCRITURAS SOBRE DESPRENDIMENTO

Cristianismo
Certo chefe perguntou-lhe então: «Bom mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?» Respondeu-lhe Jesus...: «Ainda te resta uma coisa: vende tudo quanto tens, distribui o dinheiro pelos pobres e terás um tesouro nos Céus. Depois, vem e segue-Me». Quando isto ouviu ele entristeceu-se pois era muito rico. Vendo-o assim, Jesus exclamou: «Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Sim, é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus» (Lc 18:19, 22-25)

Islão
Maldito seja o vil caluniador, que acumula riquezas e as conta!
Pensa que as suas riquezas o tornam imortal. Não, em verdade, ele será lançado num tormento esmagador (Alcorão 104: 1-4)

Fé Bahá'í
Ó Filho do Ser!
Não te ocupes com este mundo, pois com o fogo testamos o ouro e com o ouro pomos à prova os Nossos servos.
Ó Filho do Homem!
Tu queres o ouro, e Eu desejo que dele te libertes. Tu julgas-te rico por possuí-lo, e Eu reconheço a tua riqueza por estares santificado acima dele. Por Minha vida! É este o Meu conhecimento e aquilo é a tua fantasia; como pode Minha vontade estar em harmonia com a tua?
(Bahá'u'lláh, Palavras Ocultas, do árabe, 55-56)

Taoismo
Fama ou integridade: qual é mais importante?
Dinheiro ou felicidade: qual é mais valioso?
Sucesso ou falhanço: qual é mais destrutivo?
Se procuras os outros para te realizares, nunca te realizarás verdadeiramente.
Se a tua felicidade depende de dinheiro, nunca estarás feliz contigo próprio.
Contenta-te com o que tens; regozija-te com a forma como as coisas são.
Quando perceberes que nada falta, todo o mundo te pertencerá.
(Tão Te Ching, 44)

Budismo
A riqueza destrói o louco que não procura o Além. Devido à ganância pela riqueza, o louco destrói-se a si próprio como se fosse o seu próprio inimigo.
(Dhammapada, 355)

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag. 225-228

terça-feira, 6 de junho de 2006

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Radio Cairo

Ontem a Radio Cairo emitiu uma entrevista com o Dr. Abd-ellah el-Sammack, professor de Estudos Religiosos na Universidade de al-Azhar. Apesar da Rádio Cairo ser uma rádio Oficial do Governo Egípcio, não foi convidado qualquer baha’i para debater os pontos de vista apresentados.

Conta quem ouviu a entrevista que as palvras do entrevistado foram um misto de factos elementares e falsidades gritantes. O professor referiu alguns princípios da religião Bahá’i como a unidade de Deus, a unidade das religiões, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, e eliminação de todas as formas de preconceito e a promoção da paz mundial.

Mas estas referências foram intercaladas com coisas do tipo "a Fé Bahá'í teve a sua origem na Rússia e foi promovida pelo comunismo". Só quem não conhece absolutamente nada da história baha’i pode afirmar uma coisa destas. Quem pode ignorar que Bahá'u'lláh era persa, que o primeiro templo baha'i (construído no actual Turquemenistão) foi confiscado pelas autoridades soviéticas e muitos baha’is naquele país foram perseguidos?

Outra das distorções foi: "Os Baha’is são considerados pelo governo israelita como seus cidadãos e estão sob sua protecção em toda a parte do mundo". Este é daqueles disparates típicos da propaganda anti-baha'i alimentada por fundamentalistas islâmicos. Quem sabe um pouco sobre a Fé Bahá'í, tem a noção que os bahá’ís não se envolvem em actividades subversivas contra os governos dos países onde vivem e honram os seus deverem de cidadania.

O Dr. el-Sammack também afirmou: "A Fé Bahá’í aboliria totalmente o Islão e todos os seus ensinamentos e leis". Será possível falar da religião baha'i sem conhecer o conceito de "revelação progressiva"? Os baha’is entendem que todas as religiões provêem de um único Deus e que os Manifestantes apresentam ensinamentos adequados à maturidade e necessidades dos povos. Quem se torna baha'i tem de aceitar que Maomé era Profeta, tal como quem se torna Muçulmano tem de aceitar que Jesus também era Profeta? Será isto assim tão difícil de entender?

sábado, 3 de junho de 2006

Bahais under scrutiny in Iran

Reportagem de Surya Gangadharan para a CNN-IBN (India), emitida hoje. Notíca completa aqui.
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Bahais under scrutiny in Iran

New Delhi: Speculation is growing that a government inspired campaign is underway in Iran against the minority Bahai community.

The basis for this speculation is a note sent by the UN Representative on Human Rights, Asma Jehangir to the Secretary General. Iran says this is not true.

Iran may have drawn reluctant admiration for its stubborn defence of its right to a nuclear programme, but its internal policies have been the subject of much international debate, especially when it concerns a religious minority, the Bahais.

The note in question refers to instructions issued by none other than Ayotollah Khameini.

The instructions called for close monitoring of the activities of the Bahai minority, and information on them to be gathered in a confidential manner.

(...)

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ACTUALIZAÇÃO (05/Junho)


O jornal Público (no passado sábado) e o Der Spiegiel (Wie die Mullahs Andersgläubige drangsalieren) também já noticiaram o assunto.

Bons e Maus professores

Nos muitos textos e artigos que o Expresso dedica hoje aos muitos problemas da educação no nosso país, não posso deixar de concordar com algumas ideias apresentadas no Editorial:
As propostas de alteração ao Estatuto da Carreira Docente obtiveram dos sindicatos a resposta habitual: um «não» global e rotundo. Pena que esta seja quase sempre a atitude das principais associações sindicais dos professores, que acabam por dar a ideia de apostarem em que nada mude no ensino, mesmo aquilo que está mal e à vista de toda a gente.

(...)

Muitos anos de falso igualitarismo e de um arremedo de avaliação - a participação em acções de formação muitas vezes irrelevantes para o trabalho de ensinar é quanto basta para se ir mudando de escalão – contribuíram para a degradação de uma classe profissional que é indispensável prestigiar de novo. A situação até agora inexistente só privilegia os maus professores – os que chegam à escola por falta de saídas profissionais alternativas, os incompetentes ou os faltistas e abusadores de toda a espécie que são uma espécie de parasitas do sistema. Sabemos que eles existem em todas as actividades; mas a escola é um espaço sensível e exposto perante a sociedade, pelo que tais comportamentos assumem especial gravidade.

Os alunos são os primeiros prejudicados. Mas os colegas responsáveis e cumpridores não o são menos. Desde logo porque muitas vezes têm de responder, com sobrecarga do seu próprio trabalho, às falhas e erros dos outros. E depois porque o mau desempenho de uns poucos contribui de forma decisiva para a má imagem de todos. Aliás, os bons professores são os primeiros a queixar-se e os sindicatos, que supostamente os representam, deviam saber reflectir as suas preocupações.

Para que serve um sindicato?

Já há algum tempo que sabia dos gravíssimos problemas de disciplina e insegurança que se vivem em algumas escolas públicas das periferias de Lisboa e Porto. Vários amigos me contaram algumas experiências pessoais; outros relataram experiências de colegas de profissão.

A reportagem da RTP sobre este problema teve o mérito de mostrar esse problema a uma enorme audiência. Sobre este assunto e os atritos entre sindicatos de professores e Ministério da Educação, Fernando Madrinha, escreve hoje na sua coluna Preto no Branco, no semanário Expresso:
Mas depois do que as famílias viram em casa através da RTP, não se ouviu dos sindicados o clamor esperado de protestos, de alertas e apelos que a reportagem justificava perfeitamente. Os mesmo que se apressaram a marcar uma greve para uma ponte entre feriados – não pode haver declaração pública de maior fraqueza e oportunismo – só porque alguns jornais atribuíram à ministra da Educação umas declarações que ela nega ter proferido, não tiveram uma palavra sobre a violência na escola X, nunca identificada pela RTP.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

El Chivo Expiatorio

Pelos media internacionais continuam a ecoar as notícias das detenções do passado dia 19 de Maio. Agora é em Espanha. Aqui fica um excerto da notícia divulgada pela Terra Actualidad - Europa Press. Ver notícia completa aqui.

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La comunidad baha'i denuncia una oleada represiva en Irán 'desapercibida' a causa de la crisis nuclear

Los representantes de la comunidad baha'i en España denunciaron hoy la reciente detención de 54 miembros de esta religión en Shiraz (sur de Irán), que calificaron como una de las operaciones de arresto 'más numerosas desde la década de los ochenta' y que vincularon a la nueva oleada de represión que, según ellos, sufren los seguidores de esta fe. Asimismo, advirtieron de que este nuevo 'pico' represivo está pasando 'desapercibido' para los medios de comunicación internacionales debido a que están más centrados en la actual crisis nuclear iraní.

Los 54 baha'is, en su mayoría jóvenes, fueron detenidos el pasado 19 de mayo mientras impartían clase a niños desfavorecidos en un colegio, como parte de una actividad de voluntariado del Fondo de Naciones Unidas para la Infancia (UNICEF) dirigida por una organización no gubernamental local, según informó en rueda de prensa el responsable de Relaciones Externas de la comunidad baha'i en España, Javier González.

Tras algunas semanas en prisión, 'sin que sus familias conocieran su paradero' y sin que se informase de la causa exacta de su detención, algunos de ellos fueron liberados tras pagar una fianza, pero todos ellos siguen pendientes de juicio. Unidos a los 72 baha'is detenidos en todo Irán a lo largo de los últimos 14 meses, añadió, 'ya son casi 130 personas las que están pendientes de juicio bajo la única acusación de pertenecer a la fe baha'i'.

(...)

'EL CHIVO EXPIATORIO'

Por otra parte, la crisis nuclear iraní ha permitido al Gobierno 'pasar de rondón' respecto al incremento de la persecución contra los baha'is, que está pasando 'desapercibida' ante la prensa internacional, más centrada en las presiones políticas sobre Teherán, prosiguió.

En todo caso, advirtió, siempre ha habido acoso, tanto en la época del Sha como en la posterior a la revolución islámica, incluso durante la anterior presidencia de Mohamed Jatamí. Tanto con moderados o radicales, 'los cambios han sido poco significativos', señaló. 'Lógicamente ha habido momentos altos y bajos, pero ahora estamos en uno de esos picos en los que la persecución se agrava', añadió.

En todo caso, advirtió, los baha'i se han convertido 'en el chivo expiatorio' de los intereses políticos y religiosos del interior de Irán, ya que 'cuando hay mayor hegemonía de las autoridades religiosas, como pasa en la actualidad, la persecución es más fuerte'.

La persecución se manifiesta no sólo en detenciones o ejecuciones, afirmó González. 'Se prohíbe a los jóvenes acceder a la universidad, se destruyen lugares sagrados que son patrimonio cultural en Irán, se profanan y destruyen cementerios, se retiran licencias para ser funcionarios o para los negocios, se dejan de pagar pensiones, incluso se les obliga a devolver salarios', citó, entre las principales formas de represión.

Entre los motivos de la persecución, Javier González destacó que los baha'is defienden la igualdad entre el hombre y la mujer, la armonía entre la ciencia y la religión, la educación como derecho universal y la ausencia de clero, lo cual 'es un peligro para el estatus de hegemonía de los religiosos iraníes'.

Los representantes de la comunidad baha'i se reunieron el pasado miércoles con el presidente de la Comisión de Exteriores del Congreso de los Diputados, Josep Antoni Duran i Lleida, y tienen previsto hacerlo en breve con los grupos políticos de Congreso y Senado para conseguir su apoyo de cara a las autoridades iraníes.

'La relación con el Ejecutivo, a través del Ministerio de Asuntos Exteriores, ha sido permanente desde hace 20 años, y no ha habido diferencias entre los Gobiernos de uno u otro partido', aseguró González. 'España siempre ha defendido ante la UE la causa baha'i', añadió.

(...)

quinta-feira, 1 de junho de 2006

New York Times

O New York Times noticia hoje as perseguições aos Baha'is no Irão (Iran's Bahai Religious Minority Says It Faces Raids and Arrests). Aqui fica a tradução dos primeiros parágrafos da notícia assinada por Laurie Goodstein.
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Minoria Religiosa Bahai do Irão afirma ser alvo de rusgas e detenções

Membros da minoria religiosa bahai do Irão afirmaram esta semana que o governo intensificou recentemente uma campanha de detenções, rusgas e propaganda destinada a erradicar a sua religião do Irão, o seu país de origem.

No dia 19 de Maio, forças de segurança iranianas prenderam 54 bahais na cidade de Shiraz que estavam envolvidos em projectos de serviço comunitário, muitos deles adolescentes ou com pouco mais de vinte anos, afirmaram fontes diplomáticas e fontes bahais fora do Irão.

Não foram acusados e todos - com excepção de três - foram libertados após seis dias, afirmaram estas fontes.

Trata-se da maior prisão em massa desde os anos 1980, quando milhares deles foram presos e mais de 200 foram executados pelo novo governo islâmico.

Estes desenvolvimentos alarmaram os observadores de direitos humanos nas Nações Unidas, que afirmam que desde Dezembro, um jornal governamental iraniano publicou mais de 30 artigos a denegrir a fé Bahai – inclusive acusando os Bahais de sacrificas crianças muçulmanas em dias sagrado. As detenções coincidiram com rusgas em seis casas de famílias bahais, onde foram confiscados computadores e documentos. Mais de 70 outros bahais foram presos desde Janeiro de 2005 em pequenos grupos, e alguns ainda estão presos, afirmam os observadores.

"Vemos o surgimento de um padrão que é perfeitamente sinistro", afirmou Bani Dugal, que representa a Comunidade Internacional Bahai nas Nações Unidas, onde as religiões e alguns outros grupos têm um estatuto consultivo. "Basicamente consiste em tentar criar o terror na comunidade Bahai, e também levar a população iraniana a aceitar isso".

(…)

Kitáb-i-Íqán (20)

A Virgem Maria

No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere-Se à Virgem Maria com as seguintes palavras:
De igual modo, deves reflectir sobre o estado e condição de Maria. Tão profunda foi a perplexidade desse mais belo semblante, tão penosa a sua situação, que ela deplorava amargamente ter nascido. Disso dá testemunho o texto do sagrado versículo onde se menciona que Maria, após o nascimento de Jesus, lamentou a sua condição e gritou: "Oxalá eu tivesse morrido antes disto e tivesse sido uma coisa esquecida, completamente esquecida!" (a) Juro por Deus! Tais lamentações consumiram o coração e abalaram o próprio ser. Tão grande consternação de alma, tamanho desânimo, não poderia ter sido causado senão pela censura do inimigo e pelas cavilações dos infiéis e perversos. Reflecte: qual a resposta que Maria poderia dar ao povo a seu redor? Como poderia ela afirmar que uma Criança, cujo pai era desconhecido, tivesse sido concebida do Espírito Santo? Por isso Maria, aquele Semblante velado e imortal, pegou na sua Criança e regressou para a sua casa. Assim que os olhos do povo caíram sobre ela, levantaram-se vozes, dizendo: "Ó irmã de Araão! O teu pai não foi um homem iníquo; nem a tua mãe foi impudica." (b) [59]
Anunciação, Fra AngelicoNeste breve parágrafo do Livro da Certeza, Bahá'u'lláh faz o elogio da pureza e da inocência da Virgem Maria. Para a maioria dos leitores portugueses poderá ser surpreendente o facto deste parágrafo incluir citações do Alcorão. Na verdade, o Alcorão sustenta que Jesus nasceu após uma gravidez miraculosa de Maria; para o Islão, Maria é uma das personagens mais importantes da história da religião, e o Alcorão contém um Sura com o seu nome. Também é interessante o facto de, tanto no Alcorão como no Kitáb-i-Íqán, Jesus ser frequentemente referido como “o Filho de Maria”.

A este propósito, convém recordar um pequeno texto de Shoghi Effendi onde ele definiu a forma como a religião baha'i encara o Cristianismo:

Quanto à posição do Cristianismo, diga-se, sem a menor hesitação ou equívoco, que a sua origem divina é incondicionalmente reconhecida, que a filiação e divindade de Cristo é destemidamente afirmada, que a inspiração divina do Evangelho é plenamente reconhecida; que a realidade do mistério da Imaculabilidade da Virgem Maria é confessada, e que a primazia de Pedro, o Príncipe dos Apóstolos é sustentada e apoiada. (c)
Apesar da Fé Bahá'i recusar os cultos marianos e fenómenos como as aparições (d), esta posição é muito semelhante à da Igreja Católica.

Devo confessar que este é um dos raros temas em que tenho dificuldade em compreender a posição oficial da religião bahá’í. O método bahá'í de interpretação das escrituras diz-nos que quando uma interpretação literal do texto leva a algo que é contrário à ciência e ao senso comum, então devemos procurar os significados simbólicos do texto. Acontece que, ao referir-Se à Virgem Maria, Bahá'u'lláh defende o significado literal do texto.

O fundador da religião bahá’í, afirma ainda que este episódio foi um teste tremendo aos judeus contemporâneos de Jesus; e acrescenta que este tipo de provações tem sido uma constante na história das grandes religiões mundiais: os desígnios de Deus são contrários aos desejos dos seres humanos [61]. “Apesar de todas essas coisas, Deus conferiu àquela Essência do Espírito, Àquele conhecido entre o povo como alguém que não teve pai, a glória de ser Profeta, e fez d'Ele a Sua testemunha para todos aqueles que estão no céu e na terra[60].

Alguns bahá’ís afirmam a propósito deste episódio que se Deus é Omnipotente então o nascimento miraculoso de Jesus nada tem de surpreendente. Se isso é assim então porque é que a religião baha’i não aceita a ressurreição física de Jesus? Não haverá aqui uma falta de coeirência entre esta posição e defesa da harmonia entre a ciência e a religião?

Como escrevi, tenho dificuldades em aceitar a posição baha'i sobre este assunto; felizmente este não é um dos ensinamentos essenciais da religião bahá'í. No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh apresenta alguns exemplos de afirmações de Manifestantes de Deus cujo objectivo era funcionar como teste para os crentes (e). Pergunto-me se Bahá'u'lláh não estará a testar os Seus seguidores ao defender a imaculabilidade da Virgem Maria. Acreditamos cegamente no fundador da nossa religião ou defendemos o princípio da livre e independente pesquisa da verdade?

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Referências
(a) - Alcorão 19:22.
(b) - Alcorão 19:28.
(c) - Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, pags. 113-114
(d) - Ver os posts:
Fátima e Ainda sobre Fátima
(e) - No Kitáb-i-Íqán, Bahá'u'lláh refere que Noé prometeu uma data exacta para o cumprimento de uma promessa divina. Quando essa promessa não se cumpriu, alguns dos seus seguidores abandonaram-No.