segunda-feira, 31 de julho de 2006

Sahba Sanai

Baha'i, iraniano e português

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Texto da entrevista de Maria João Seixas a Sahba Sanai, publicada na revista Pública (suplemento do jornal Público) de ontem. A sombreado amarelo assinalei as ideias que me parecem ser mais interessantes. A "carta aberta" referida nesta entrevista encontra-se aqui.
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Tem 20 anos e estuda Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. É cidadão português, nascido em Faro. O seu nome é de origem iraniana. Por circunstâncias familiares, religiosas e políticas, os pais de Sahba encontraram em Portugal, há já mais de duas décadas, um lugar de acolhimento para o traçado de um futuro novo.

Sahba é alto, de figura atlética, e pratica com grande desenvoltura um modo de sorrir (quando fala e quando ouve quem com ele fala), que abre de par em par qualquer portada que tenha pela frente. Conhecedor e utilizador das novas tecnologias, Sahba convive desassombradamente com blogues e “sites”, como todos os da sua geração.

Em Novembro de 2005 “e-mailou” aos seus “queridos amigos” uma carta, partilhando a notícia da morte da avó paterna. Começava assim: “Para os que não sabem, a ‘amiga’ que vos dizia estar doente era ela - a minha melhor amiga, companheira de todas as horas, solidária comigo na alegria (sobre tudo!) e na tristeza. É uma alma mágica que trouxe luz à nossa casa quando, há cerca de 11 anos, veio para Portugal…”

Sahba, como os pais, professa a fé baha’i. O respeito pelos outros é um postulado da sua religião, que Sahba vive com a mesma absoluta naturalidade com que respira. Tenta exigir de si o melhor cumprimento dos preceitos de Bahá'u'lláh, fundador desta religião (a mais jovem do mundo).

Trata-se de uma religião sincretista, que preza e venera os profetas de todas as grandes religiões. Sem ritos e sem clero, teve o seu começo na segunda metade do século XIX e conta com sete milhões de crentes espalhados pelos sete cantos da terra. Bahá'u'lláh era filho de uma família nobre da Pérsia e a Pérsia do seu tempo perseguiu-o, e aos seus seguidores, tendo muitos sido torturados e mortos. No Irão de hoje e pela mesma razão de fé, os baha’is continuam a sofrer ameaças e prisões. Já em Março de 2006, Sahba voltou a escrever outra carta: “Carta aberta aos meus amigos”. Principiava desta maneira: “Olá! Se és meu amigo recomendo-te seriamente que leias esta carta, pois espero que a partir de agora baseies o teu relacionamento comigo no que aqui está escrito.” Seguem-se depois algumas clarificações sobre o que é ser baha’i e o que é ser filho de pais iranianos. Se Sahba é português deve-se justamente ao facto de ser filho de pais iranianos e baha’is. Vieram a Portugal, há mais de 20 anos, festejar o reencontro com familiares dispersos por vários continentes. Durante essa estadia, o Irão endureceu e uma nova intolerância política e religiosa começou a ser estabelecida. Os pais de Sahba queriam continuar a ser o que eram, fiéis à fé em que acreditavam, sem por isso terem de viver atemorizados e serem maltratados. Por esse motivo não regressaram à pátria amada. Portugal assumiu-se como lugar de refúgio, dando-lhes a alegria de poderem viver segundo as suas convicções, em paz e liberdade. Sahba já nasceu entre nós.

Sahba, diz-me quem és.

Quem sou? Boa pergunta. Suponho que sou mais um. Esta é a melhor definição, no meu entender.

Mas ao seres “mais um” deves reconhecer em ti algumas características próprias. É sobre elas que gostava que falasses.

Uma coisa que me ocorre tem a ver com aquela pergunta que às vezes se faz aos gémeos: “Como é ser-se gémeo?” E eles muitas vezes respondem que não sabem como é não se ser gémeo. Também não sei o que dizer, quando me perguntam se me sinto mais português ou mais iraniano. Acho que a melhor abordagem é a que me leva a dizer que me sinto cidadão do mundo. E que me vejo como alguém que aprecia a perfeição que procura.

Tens dupla nacionalidade?

Não. Sou português. Nasci em Faro há 20 anos e um bocadinho.

Que língua falas com a tua família?

Em casa fala-se uma mistura de persa (farsi), português, e até um pouquinho de inglês.

Escolheste o curso de Engenharia por convicção e gosto?

Foi uma decisão complicada. Não sei sequer se passei pela fase de os miúdos quererem ser bombeiros ou polícias, porque estive sempre, desde pequeno, fixado em olhar para o céu, ver as estrelas e seguir o que se passava lá fora, na grande abóbada. A astronomia ou a astrofísica deviam ser os domínios que, quando crescesse, me deveriam interessar. Mais tarde, por volta do 9º e 10º ano, pus-me a pensar que em Portugal ou talvez em qualquer outro país, não conseguiria atingir algo de muito extraordinário, que era o que eu mais desejava, e comecei a viciar-me literalmente, em computadores. Cheguei a pensar tirar um curso profissional e desistir até de qualquer licenciatura. Andava completamente obcecado. Os meus pais é que não andavam nada satisfeitos com a ideia e eu senti, e sinto, que não podia tomar uma decisão tão drástica sobre o meu futuro sem o apoio deles. Consultei-os sobre as razões daquele desagrado relativamente ao que eu queria fazer no mundo dos computadores, ouvimo-nos mutuamente e, entre tudo o resto de que eu também gostava, escolhi Engenharia Civil. Olhando para trás, ainda bem, os computadores não eram de facto o melhor para mim e é curioso como, por não querer ir contra a vontade dos meus pais, acabei por encontrar o sítio certo, aquele onde queria mesmo chegar.

Sendo a formação do teu pai em Arquitectura, terá sido esse universo ligado às construções a influenciar a tua escolha?

Penso que não. Para além de ser arquitecto, o meu pai domina outros saberes que, no sue conjunto, sempre exerceram em mim um grande fascínio. Não foi especificamente esse “universo ligado às construções” que me levou à decisão de ser engenheiro. Não sendo aquilo que eu mais gostava no momento, acreditei que seria bom aprender a gostar mais. É o que está a acontecer, posso dizê-lo, agora que estou a acabar o 3º ano do curso.

Quando a tua avó morreu, escreveste uma carta dando a notícia da partida da tua melhor amiga; na escolha do teu curso deste a entender que as tuas opções passaram e devem passar pelo assentimento dos teus pais. Esse culto e respeito pelos mais velhos é uma característica dominante da educação que recebeste, de preceitos iranianos praticados na tua família?

Sinto, de facto, alguma diferença de atitude em relação aos mais velhos quando olho em volta e comparo os comportamentos das pessoas que me rodeiam. Há uma coisa na cultura iraniana e, em geral, em todas as culturas orientais, que sempre me fascinou – a ideia de que atingimos o nosso melhor grau de perfeição quando, por assim dizer, inexistimos. Deste princípio decorre talvez o natural respeito que sentimos por quem temos diante de nós, pelos outros. É uma atitude transmitida desde a infância e que, para os ocidentais, pode parecer quase formal, mas não é nada, é antes próxima de uma dimensão mística, de devoção e cortesia. A relação com a minha avó paterna, por exemplo, foi de uma intensidade e importância incríveis para mim.

Há uma história de amor oriental, entre Laylí e Madjnún, que conta como duas pessoas que desejam estar uma com a outra devem absolutamente estar uma com a outra. Esta história, um pouco como a de Romeu e Julieta para os ocidentais, não acaba bem, os amantes não se juntam. Podem ouvir-se canções na Pérsia que continuam a dizer que se Laylí e Madjnún se tivessem unido, o mundo sofreria menos, porque o seu equilíbrio não teria sido mais alterado.

Sem saber explicar muito bem o significado profundo dos versos desta história, sei, com absoluta convicção, que o tal equilíbrio do mundo foi poupado a mais alterações pelo simples facto de eu ter chegado à minha avó. Teria nove anos quando ela veio do Irão para a nossa casa no Algarve. Logo no dia seguinte, após acordar, quando os meus pais saíram para o trabalho, disseram-me: “Vai estar algum tempo com a tua avó que está na cozinha.” Senti-me inibido de início, porque, afinal, não a conhecia! Entretanto, lá fui e ela começou a contar-me histórias da sua vida no Irão. Não tive a imediata consciência do que estava a acontecer, mas o incrível era que a minha avó não fazia nenhum esforço para “simplificar” ou tornar mais impressionante o que me ia contando. Cabia-me a mim o esforço de estar à altura dos extraordinários eventos cujas histórias partilhava comigo. Isso transmitia um conforto e uma serenidade incríveis. Havia nela uma majestade interior que lhe dava uma autoridade fantástica. Em todas as circunstâncias, e até ao fim da vida, foi assim.

Interessas-te pela história do Irão?

A sua história actual interessa-me pouco, acho que é um mísero ponto nesta linha do tempo. O que me fascina é a filosofia mística da Pérsia antiga, os sufis, os derviches… Embora não conhecendo a realidade iraniana, imagino que seja possível no Irão, ainda hoje, um rapaz da minha idade responder a uma pergunta do pai com uns versos de um poeta místico de há sete séculos. Não seria comum, mas também, parece-me, não seria incomum uma situação destas acontecer. Eu, como português, quando falo do quotidiano, não cito Sócrates, ou Kant ou Fernando Pessoa, para traduzir o que quero dizer. Não temos esse hábito entranhado entre nós. Falta-nos essa dimensão da espiritualidade.

Planeias visitar o país da tua avó, dos teus pais?

Desejo muito, mas de momento não planeio. Não penso que o meu pai possa ir ao Irão, por causa das perseguições aos baha’is, por terem o nome dele referenciado como parte das informações recolhidas sobre os baha’is. Nem sei se quererá ir lá, pelo estado das coisas actualmente. Não é esta a sua pátria natal. Houve perseguição muito intensa nas últimas décadas contra os baha’is - e continua a haver. Inclusive, um irmão do meu pai foi morto apenas por ser baha’i. No entanto, e embora não o diga, suponho que não lhe seria fácil ver-me ir ao Irão sem ele poder ir - “tão perto mas tão longe”.

Mas tu também és um baha’i Não corres riscos?

Sou um baha’i, mas sou também português. Faz toda a diferença. Não se vai capturar um português no Irão, pois não?

O que queres dizer quando dizes “Sou um baha’i”?

A designação Bahá'u'lláh significa “Glória de Deus”. “Baha’i” é uma palavra árabe que quer dizer, numa tradução pobre, “seguidor da Glória”. Ser baha’i é isso, procurar atingir a perfeição em tudo, não só individualmente, como socialmente. Procurar chegar à unidade do género humano é também ajudar e servir os outros. Não há ritos, nem uma hierarquia eclesiástica na fé baha’i - tento viver diariamente os princípios estabelecidos por Bahá'u'lláh e procuro também não falhar os nossos encontros, quer as Festas de 19 Dias, quer a Escola de Verão, quer outros que sinto serem, no fundo, encontros basilares da comunidade baha’i.

Escreveste e divulgaste uma “carta aberta” para corrigir alguns preconceitos de análise dos teus amigos sobre ti. Porquê?

A motivação essencial que me levou a escrever a carta e a publicá-la na Internet está assente no princípio de que qualquer relacionamento se deve basear na compreensão mútua. Não queria exactamente “corrigir preconceitos”, mas sim tentar esclarecer alguns equívocos que se tinham instalado. Tudo começou a surgir na minha cabeça enquanto assistia a uma palestra sobre “A Juventude e a Fé Baha’i”, dada por um amigo meu, também português e também baha’i. Este amigo chama-se André, gosta de carros, de “tuning” e de “hip-hop”. Se eu falasse aos meus amigos mais próximos sobre o André, eles achariam estranho, porque o único baha’i que eles conhecem sou eu, que me chamo Shaba e sou filho de pais iranianos. Pus-me a pensar mais no assunto e comecei a notar que talvez as piadas que os meus amigos fazem comigo – “Ah, o bombista”, “esse fundamentalista nuclear”, etc – fossem, na realidade, baseadas numa compreensão errónea de quem eu sou. E achei que devia propor-lhes algumas reflexões sobre a minha realidade e o facto de que ser-se iraniano e ser-se baha’i são coisas diferentes. E quis explicar-lhes que esta religião está longe de ser um obscuro movimento oriental. Bem pelo contrário. A carta passou a ser um assunto de conversa na minha turma, uns deixaram de dizer piadas de iranianos à minha frente (e não era isso que eu pretendia, queria apenas que não lessem a totalidade do real por um qualquer estereótipo), outros passaram a dizer ainda mais piadas (muito engraçadas) mas já com outra compreensão de quem eu sou - o que era o próprio objectivo da carta. Outros ainda disseram-me que pensavam que eu era da Índia ou de um outro país, ou que pensavam que ser-se iraniano e ser-se baha’i são coisas equivalente e iam procurar saber mais coisas sobre a fé baha’i.

E, do teu lado, tens alguns equívocos em relação ao Irão?

Não sei, é provável que tenha, mas… o Irão ainda não me dirigiu nenhuma “carta aberta”. Nunca se sabe ao certo se alimentamos dentro de nós equívocos e preconceitos sobre alguém, um país, um povo, um ideia, não é? Gostaria que isso não me acontecesse.

Foram recentemente presos pelas autoridades iranianas mais de 50 jovens baha’is que participavam num programa de escolarização. Como é que reages a isso?

Como qualquer pessoa reage a notícias destas, suponho – com espanto, consternação. Desde a Revolução Islâmica, em 1979, foram assassinados mais de 200 baha’is no Irão, simplesmente por serem baha’is. Uma dessas pessoas, como disse, era da nossa família. Parece uma ironia, uma vez que os baha’is não têm qualquer aspiração política, bem longe disso.

Reconheces qualidades de tolerância e acolhimento do “outro” na sociedade portuguesa?

Não conheço outra sociedade a fundo, não tenho por isso termo de comparação. Mas acho que sim, sobretudo pela experiência vivida pelos meus pais, quando há quase 30 anos vieram a Portugal. Eles não esquecem e fazem questão que a minha irmã e eu saibamos.

Sendo um baha’i de convicção profunda, tendo 20 anos, como é que lidas com a dominante materialista da vida de hoje?

Com muita atenção a ela, porque essa dominante faz-se sentir em tudo. Como exemplo, a água é um bem escasso e precioso, mas estamos mecanizados a pensar que desde que paguemos por ele, ele não se esgotará. Esquecemo-nos que pode chegar o dia em que já não temos água para pagar. O dinheiro e a velocidade da vida afastam-nos daquilo que, para mim é essência e que vem da vida espiritual. Esta exige tempo e interioridade, coisas difíceis que são normalmente substituídas pelo facilitismo do consumo. A maioria das pessoas sente falta de qualquer coisa mais, mas distrai-se dessa falta no centro comercial mais próximo. É importante não nos distrairmos, procuro estar atento a essa tentação. Não é fácil mas também não é impossível.

O que é que pensas fazer depois do curso?

Sempre me questionei sobre o que faria depois do curso. Acho que talvez tente fazer uma pós-graduação, depois trabalhar, ganhar alguns anos de experiência e, feito isso, ir em seguida para África.

África?

Sim. Fascinam-me os projectos de desenvolvimento sócio-económico e gostava de poder vir a colaborar num deles. Li uma vez um artigo sobre um senhor que tinha prestado o maior serviço a uma determinada aldeia em África, apenas por ter instalado uma bomba de água lá no poço. A noção de poder dar muito com tão pouco entusiasma-me. Ver como, com pequenos conhecimentos e poucos meios, se pode beneficiar realmente a vida de uma comunidade, deve dar uma satisfação enorme. Talvez seja por preguiça minha que gostaria de fazer coisas deste género! Mas acho que não. Acho que é tão importante o que fazemos como o modo como fazemos. E esse deve implicar uma grande entrega da nossa parte e uma clara definição dos objectivos a atingir. Não quero perder de vista a possibilidade de ajudar os outros, de contribuir concretamente para a melhoria das suas condições de vida.

És bom aluno?

Não, sou um aluno razoável.

Dá-me uma palavra de eleição?

Unidade. Acho que é menos danoso não se saber o que se fazer do que o não se tentar compreender o ponto de vista do outro. Sem esse passo conciliatório é muito difícil progredir. A unidade é fundamental para o progresso – é condição necessária e também suficiente.

sábado, 29 de julho de 2006

No jornal Público

A propósito do conflito no Médio-Oriente, o jornal Público apresenta hoje o artigo HAIFA: «Somos todos um alvo» onde se lê:
(...)

Mesmo ao fim da rua, os famosos jardins baha'i estão encerrados, como a maioria dos locais de referência em Haifa. Elevam-se pelo Monte Carmel[o] em 19 coloridos Terraços, enfeitados com fontes de mármore, coníferas e roseiras brancas, envolto entre as plantas que cuida com devoção, o jardineiro Fade Kanboura parece simbolizar a diversidade religiosa e cultural que tornou Haifa uma cidade famosa. É um católico, trabalha para os baha’is, e num estado judaico está a ser atacado por radicais palestinianos.

"Somos todos um alvo", diz Kanboura, quando graceja da suposição de que os judeus possam retaliar face aos seus vizinhos árabes devido aos ataques do Hezbollah. "Um rocket não distingue entre um judeu, um árabe e um cristão".

(...)

Mais notícias do Egipto...

Bilo continua a informar-nos sobre a evolução da situação dos Bahá'is no Egipto; gostava que houvesse mais bahá'ís com blogs assim!. Nos últimos dias tem referido as forma como os media em língua árabe têm vindo a mostrar interesse pela religião bahá'í e seus seguidores.

Certidão de NascimentoO site da BBC (em árabe) publicou um entrevista com o Dr. Basma Mousa, professor de cirurgia na Universidade do Cairo. Nesta entrevista descreve-se como a sua família tem sobrevivido no Egipto. Também se explora a história da religião bahá'í no Egipto, sendo referido o caso dos cartões de identidade e o reconhecimento dos Bahá'ís no Egipto. A entrevista foi feita enquanto a televisão emitia um programa sobre os bahá'ís. O artigo mostra uma imagem do Santuário do Báb e dos jardins em Haifa. Também mostra uma imagem de parte de uma antiga certidão de nascimento de um dos seus filhos, onde se registou a religião dos pais; a palavra escrita é «Bahá'í».

Por seu lado, o jornal egípcio "Sowt el-Omma" (Voz da Nação) entrevistou quatro bahá’ís egípcios, com o objectivo de saber a sua reacção a um livro recentemente publicado que apelava à morte dos bahá'ís. O artigo – com o título «Revolta entre os baha’is devido à publicação de um livro pelo Ministério dos Assuntos religiosos onde se justifica a sua eliminação» – transmite a ideia que aquele livro viola todas as formas de decência, civilidade e até era contra a lei internacional. Num dos subtítulos, lia-se: "«Se todas as nações matassem aqueles que têm crenças e opiniões diferentes, a humanidade desapareceria da existência».

O artigo apresenta os bahá'ís de forma clara e honesta. Enfatiza que com base em precedentes legais no Egipto, a Constituição e a Sharia, a Fé Bahá'í foi oficialmente reconhecida no Egipto. Também a recente decisão do tribunal em 4 de Abril confirmou o direito dos bahá'ís a serem reconhecidos e tratados com igualdade. Além disso, o texto consegue fazer um boa defesa contra todas as acusações incluídas no livro, analisando a situação dos bahá'ís no Egipto, e sugerindo a necessidade de reconhecimento oficial desta religião.


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Posts a ler no blog Baha'i Faith in Egypt:
On Egyptian Baha'is: Middle East Online
Egypt: An Open Letter From A Baha'i To His Homeland
Egypt: Another Strong Call In Support Of Religious Freedom
Egypt: A Student's Struggle For Identity

sexta-feira, 28 de julho de 2006

O falso Abrupto



Entrar na casa de outro, sem autorização, para roubar ou destruir, isso é crime. Não importa se é casa de rico, ou casa de pobre; é sempre um crime. E, de certa forma, um blog é como uma casa. É um espaço pessoal ou colectivo, cujo formato e conteúdo reflectem os interesses e as preocupações do(s) seu(s) autor(es).

O que está a acontecer ao Abrupto é uma tentativa de destruição do espaço de Pacheco Pereira. Não sei que legislação existe sobre esta matéria, mas espero que tudo isto se resolva rapidamente. Eu não gostava - mesmo nada! - que me fizessem isto.

quinta-feira, 27 de julho de 2006

O Deus dos Fanáticos

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus dos Fanáticos", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Note-se que nenhum fanático se considera a si como fanático: dir-se-á devoto, crente, observante... muito devoto, muito crente, muito observante.


  • O Deus dos fanáticos não se serve desenvolvendo todas as potencialidades (intelectuais, afectivas, sociais,...) que Deus deu ao homem, mas antes reprimindo-as.


  • O fanatismo impede que as pessoas creiam de verdade, porque as impede, sob pena de excomunhão, de duvidarem, de experimentarem, de se enganarem.


  • O fanático, acaba, mais cedo ou mais tarde, por projectar sobre si mesmo a imagem que tem de Deus: torna-se também autoritário, exclusivista, impiedoso.


  • O fanático coloca a defesa de Deus acima da defesa dos homens. Em nome de Deus, não se importa de fazê-los sofre, nem mesmo de matá-los. Mas o que pode Deus ganhar com a morte de um homem?


  • Ninguém que chame a Deus "o meu" Deus (ou "o nosso" Deus) adora o Deus verdadeiro.
  • A ler...

    Promoting Bank Transparency the Baha'i Way (The Moscow Times)

    Amnesty International seeking clarification of official letter about Baha'i minority (Amnesty International)

    Existen cerca de siete millones de bahá`ís (NorteCastilla.es)

    The eighth wonder of the world (Sunday Herald)

    quarta-feira, 26 de julho de 2006

    Haifa

    Nos dias que correm, vários canais de televisão transmitirem directamente notícias de Haifa, descrevendo os efeitos dos ataques de rockets contra aquela cidade israelita. Como já aqui escrevi várias vezes, é em Haifa que está o Centro Mundial Bahá'í, o Santuário do Báb e vários jardins bahá'ís. O filme que se segue mostra esses locais. Vale a pena ver.

    terça-feira, 25 de julho de 2006

    O Conflito no Médio-Oriente

    Um email recebido de um amigo:

    Porra, pá! Quase duas semanas de guerra entre Israel e o Hezbollah e quando tocas no assunto é apenas para mostrar a tua preocupação por causa dos templos bahá'ís em Israel? Há centenas de mortos, milhares de desalojados e tu só escreves sobre os vossos templos? Isso é obsceno!

    Meu caro,

    Neste momento, qualquer opinião sobre o assunto é passível de ser interpretada como uma tomada de posição, em apoio ou defesa de uma das partes em conflito. Por isso, não me pronuncio sobre o conflito em si. Fica apenas a minha preocupação em relação às populações civis e aos templos bahá'ís.

    Como português, como bahá'í, preocupo-me com os civis de ambos os lados, apanhados no meio de toda esta confusão, e cujas vidas ficarão irremediavelmente marcadas por esta guerra. Mas... e os civis apanhados no meio de outras confusões e cujas vidas também ficam irremediavelmente marcadas pelos conflitos no Nordeste do Congo, no Uganda, na Colômbia, na Tchechénia, na Somália? Parece que o sofrimento deles é menos importante do que o sofrimento de libaneses e israelitas.

    É verdade que vivo em Portugal, longe daquela guerra. Se há algum local que me é querido naquela zona, são os templos bahá'ís, no norte de Israel. Estou preocupado com a possibilidade de serem atingidos. Que mal há nisso? Será mesmo obsceno?

    Manifestar a minha preocupação pelo facto de algum templo bahá'í poder ser atingido, não é obsceno. Obsceno é pensar que a guerra pode ser uma solução para os problemas dos povos. Obsceno é pensar que se pode descrever este conflito de forma simplista, com os bons de um lado e os maus do outro. Obscena é a mediatização que se faz do sofrimento das vítimas desta guerra em detrimento de outras.

    Acredito que a guerra é uma manifestação da imaturidade dos povos. Mas também acredito que a nossa aldeia global, a humanidade vai perceber que não podemos viver com muros entre os povos, com diferenças escandalosas entre ricos e pobres, com discriminações de qualquer grupo social... Estamos condenados a amadurecer e a viver juntos neste planeta. Quando as televisões nos bombardeiam com imagens desta e de outra guerra lembro-me das palavras de Bahá'u'lláh: "Essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas cessarão e a Mais Grandiosa Paz virá."

    segunda-feira, 24 de julho de 2006

    A família do Brasil

    Estes dias de Julho são geralmente preenchidos com a visita da minha irmã. Ela mora há alguns anos em Curitiba e todos os anos costuma visitar-nos com o meu cunhado e os meus sobrinhos. Aqui ficam algumas três fotos destes dias; entre parêntesis ficam algumas expressões brasileiras que sempre aprendemos durante estes dias.

    Jogar futebol no jardim dos avós. Por vezes até jogaram com atacadores (cardaços) desapertados. O fiasco da participação brasileira no Alemanha 2006 tornou os miúdos (guris) fervorosos adeptos de Portugal; vejam-se as camisolas (camisetas).



    Na piscina tentando fazer o pino (plantar bananeira).



    Antes de jantar, um jogo de matraquilhos (pimbolim).

    sábado, 22 de julho de 2006

    Harmsen Family



    Quando me tornei baha'i, um dos mais interessantes casais que integravam a nossa comunidade eram Jack e Wandra Harmsen. Eram um casal dinâmico, muito activo em diversas actividades baha'is, e com quem se simpatizava facilmente. A vida levou-os de regresso os Estados Unidos. Desde então, encontrei-os apenas uma vez no Congresso Mundial de Nova Iorque, em 1992. Depois, nunca mais soube nada deles.

    Foi, pois uma agradável surpresa ler esta notícia a seu respeito: Falmouth Family Awaits Safe Exit From Lebanon.

    quinta-feira, 20 de julho de 2006

    Baha'is inabalados pelos rockets em Israel

    Mais um artigo publicado hoje pelos media internacionais. Desta vez pela AFP. Aqui fica a tradução de um excerto.
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    HAIFA Israel (AFP) – Os Bahais acreditam que Moisés, Cristo e Maomé são Mensageiros de Deus e ao contrário da sua cidade santa, Haifa, a sua fé na futura paz mundial é inabalável pelos rockets do Hezbollah.

    Dezenas de rockets do Hezbollah explodiram nesta cidade portuária, a 40 quilómetros da fronteira libanesa, desde que a milícia capturou, na semana passada, dois soldados israelitas e Israel respondeu com um bombardeamento maciço.

    As ruas podem estar desertas, mas os rockets que mataram oito trabalhadores dos caminhos de ferro de Haifa no domingo, pouco importam para os 100 peregrinos da fé Bahai que chegaram na segunda-feira para uma visita de nove dias.

    A [Fé] Bahai, que acredita na "unidade fundamental de todas as grandes religiões", foi fundada no Irão no século XIX, pelo seu profeta Bahaullah.

    Haifa é o lar do corpo governante dos bahais, a Casa Universal de Justiça, assim como do Santuário do Báb, ele que anunciou a vinda de Bahaullah

    Os seus restos mortais estão sepultados no esplêndido mausoléu, na encosta com vista para a baía de Haifa, entre terraços de jardins espectaculares e bem trabalhados, que o movimento diz terem sido visitados por meio milhão de pessoas em 2005.

    (...)

    Os Bahais, banidos e perseguidos no Irão, não se envolvem em política, mas têm um grande apreço pelas Nações Unidas. O seu fundador proibiu o proselitismo em Israel, o Estado Judaico.

    Albert Lincoln, o "secretário geral" dos Baha'is – o movimento não tem clero – não comenta o actual conflito, mas explica que a comunidade tem "uma mensagem de paz e unidade para a humanidade".

    (...)

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    Artigo completo (em inglês) :
    Bahai faithful unshaken by rockets in Israel

    quarta-feira, 19 de julho de 2006

    Medo e Estoicismo em Haifa

    Na edição on-line de hoje, a BBC refere o caso de um grupo de peregrinos bahá'ís apanhados pela crise no Médio-Oriente.

    Aqui fica uma tradução (um pouco feita à pressa) de um excerto
    (...)
    A violência surgiu no pico da estação turística e a maioria dos visitantes estrangeiros desapareceu. Mas há alguns, porém, que ainda vão chegando apesar da ameaça.

    A família Kuykendal, de Seattle, no EUA, chegou no domingo, como parte de um grupo de 150 peregrinos Bahais. Vêm visitar o majestoso templo Bahai, o ponto central da sua fé, que adorna as espantosamente inspiradoras encostas do Monte Carmelo, em Haifa.

    "Esta violência deixa-me mais triste do que preocupado, mas faz com que isto seja uma experiência única", disse Marsha Kuykendall, enquanto tomava pequeno almoço no Hotel Dan Panorama, com o seu marido e dois filhos adolescentes.

    "Esperámos sete anos para fazer esta peregrinação, e assim, mesmo no meio de tudo isto, consideramo-la como uma experiência capaz de alterar a vida, e esperamos que as nossas orações possam de facto unir a humanidade"
    (...)
    O artigo completo está disponível aqui: Fear and stoicism in Haifa

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    ACTUALIZAÇÃO:

    Também a propósito dos ataques de que a cidade de Haifa tem sido alvo, crescem as referências nos média aos lugares sagrados bahá’ís naquela região:

    In only a flash, a peaceful city no longer (Boston Globe)
    Defend or Die (Newsweek)
    Today I watched a man being killed... (Israelinsider)

    Um novo blog

    Fé Bahá'í e Islão é o novo blog do João Moutinho, um leitor/comentador habitual deste blog, e um amigo de longa data.
    Desejo-te uma longa e frutífera escrita!

    Terra da Alegria

    Terra da Alegria. Mais uma edição.

    terça-feira, 18 de julho de 2006

    Jardins Baha'is atingidos?

    Segundo o San Francisco Chronicle, os jardins baha'is em Haifa terão sido atingidos por um míssil disparado pelo Hezbollah, mas não se registaram vítimas. Num artigo publicado há poucas horas na edição online (Haifa's Arabs, Jews appear united - Israeli city targeted for past 2 days by Hezbollah missiles), lê-se "One rocket hit the holy gardens of the Bahai Temple. There were no casualties". Aguardo confirmação desta notícia.

    segunda-feira, 17 de julho de 2006

    Direitos Cívicos no Egipto

    Deve a religião constar nos documentos de identificação oficiais?

    Segundo Bilo, foi recentemente noticiado num jornal egípcio 'Nahdat Misr' ("Erigir e Renascer do Egipto") que o Conselho Nacional Egípcio para os Direitos Humanos (CNEDH) vai realizar, em Agosto, um Simpósio para debater a eliminação da identificação religiosa do sistema egípcio de documentos de identificação. O CNEDH convidou vários intelectuais, escritores e representantes do Ministério dos Assuntos Religiosos e Ministério do Interior, assim como da Igreja para participar neste evento.

    O objectivo do Simpósio é levar os participantes a debater as implicações do actual sistema sobre os direitos cívicos e em toda a sociedade egípcia. Os participantes também deverão reflectir sobre até que ponto a sociedade egípcia apoiaria a eliminação do item religião dos documentos oficiais de identificação.

    O embaixador Mokhles Kotb, secretário geral do CNEDH, afirmou que "o Simpósio irá discutir várias propostas apresentadas pelo seu «Comité de Cidadãos» sobre a eliminação da religião nos documentos de identificação oficiais, com base em estudos das declarações dos direitos civis que constam da Constituição e das Lei egípcias. Também existe a necessidade de implementar as garantias dos direitos civis de forma a que estejam em conformidade com os direitos humanos e os padrões internacionais sobre estes princípios."

    No mesmo jornal têm sido publicado vários artigos sobre este assunto, a maioria apoiando a eliminação do item religião dos cartões de identidade egípcios. Nesses artigos apontavam-se várias vantagens dessa eliminação:
    1) redução da discriminação;
    2) não submissão ao fundamentalismo islâmico;
    3) primeiro passo para colocar o Egipto entre os países modernos que não discriminam os seus cidadãos por motivos religiosos;
    4) concordância com a Constituição ao invés da submissão aos preconceitos religiosos de qualquer grupo;
    5) a não existência de religião nos documentos de identidade não deverá causar problemas em assuntos civis como emissão de certidões de casamento, divórcio e nascimento;
    6) a eliminação da religião dos documentos de identificação também pode exigir a eliminação do Artigo nº 2 da Constituição Egípcia onde se declara que “A principal fonte de legislação é a Jurisprudência Islâmica”;
    7) pode não existir motivos para eliminar o time religião desde que todas as religiões sejam reconhecidas, incluindo Cristãos, Muçulmanos, Judeus Bahá’ís e até Budistas, tal como no Alcorão se proclama a liberdade religiosa na frase “tu tens a tua religião e eu tenho a minha religião”;
    8) o desaparecimento do item religião dos cartões de identificação levaria o Egipto para a idade moderna da democracia.

    Os pontos de vista contrários a este assunto afirmavam:

    1) isto é uma conspiração da América e de exilados Coptas contra o Egipto;
    2) Se o item religião for eliminado, o publico egípcio não ficará calado, pois o Egipto é um país islâmico e assim permanecerá, e respeita as outras religiões. No entanto, "eliminar a religião dos cartões de identidade permitirá que os apóstatas escapem à sua merecida punição".

    A propósito deste tema, parece-me importante referir um trabalho de Jim Fussel apresentado na Universidade de Yale, e intitulado "Group Classification on National ID Cards as a Factor in Genocide and Ethnic Cleansing,". Neste trabalho, o autor descreve detalhadamente a forma como a inclusão de elementos de identificação étnicos e religiosos foi um factor facilitador dos crimes de genocídio no Ruanda e na Alemanha nazi.

    "A classificação de grupos em cartões de identidade nacionais não significa que um governo se vai envolver numa gigantesca campanha de violações de direitos humanos. Mas as classificações em cartões de identidade são um factor facilitador, que possibilitam a que governos, autoridades locais e entidades não oficiais (tais como milícias) empreendam violações baseadas na etnicidade ou na religião." Além da discriminação governamental, outro problema potencial causado pela inclusão da classificação religiosa está no facto de poderem surgir discriminações entre cidadãos como resultado do uso destes documentos em transacções comerciais rotineiras entre privados.

    Documentos de identificação oficiais emitidos pelo III Reich.
    A letra "J" no lado esquerdo indica que se trata de um judeu.
    Este tipo de documentos facilitou o genocídio.

    É também interessante notar que a Grécia constava entre os países que exigia que a religião constasse dos documentos de identidade nacionais; essa situação terminou em Julho de 2000, como resultado de várias pressões internacionais, em particular da União Europeia. Segundo Fussell, este facto sugere que os governos podem ser influenciados por pressões internacionais relativamente a estas práticas.

    domingo, 16 de julho de 2006

    A Lingua Portuguesa

    "A expansão do português no mundo surgirá naturalmente, quanto mais ciência se fizer em língua portuguesa, quanto mais cultura for criada em língua portuguesa, quanto mais arte for criada em língua portuguesa, e quando os países integrantes da CPLP se afirmarem nas relações económicas internacionais. Esses factores serão essenciais para que os falantes de outras línguas necessitem e queiram aprender a falar português".

    José Manuel Matias, citado por Nuno Pacheco no editorial do Público de hoje, "CPL Quê?"

    quinta-feira, 13 de julho de 2006

    Rockets atingem Haifa

    Clique para ler a notícia do Público

    Clique para ler a notícia do Diário Digital

    A notícia chegou ao fim da tarde e fez despertar o stress dos dias da Primeira Guerra do Golfo, no início dos anos 90. Durante algumas horas vivi a ansiedade das notícias de Haifa.

    Neste momento, e de acordo com informações ainda não confirmadas, sabe-se que os rockets atingiram Stella Maris, próximo da Caverna de Elias, no Monte Carmelo. Até agora não foram reportados danos pessoais; aparentemente todos os bahá'ís em Haifa estão bem. A Caverna de Elias e Stella Maris ficam relativamente próximo do Santuário do Báb e dos Terraços. (ver este mapa de Haifa)

    Aos bahá'ís - e a todos os leitores deste blog - pede-se que façam orações pelo bem-estar das populações da região e pelo rápido fim das hostilidades.

    Para quem não sabe, os santuários baha'is estão situados em Haifa e 'Akká, no norte de Israel. Também o Centro Mundial Baha'i está situado no Monte Carmelo. Por vezes, no cimo deste Monte, é possível ver a fronteira libanesa.

    Águeda (Janeiro-1917)

    Postais antigos de Águeda, hoje no Antigamente...

    quarta-feira, 12 de julho de 2006

    Um Deus chamado Abba

    A minha colaboração de hoje na Terra da Alegria.
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    "Em dez anos, o nosso conhecimento sobre o computador e respectivos programas mudou radicalmente; em decénios, o conceito sobre Deus pouco muda na nossa vida. Não será isto, quando muito, surpreendente?" Esta é uma das pequenas provocações com que José Luis Cortés nos brinda na introdução do seu livro Um Deus chamado Abba.

    O livro - foi publicada entre nós no início deste ano - nasceu de uma série de desenhos encomendados por uma editora ao longo de vários anos. Estes desenho agora compilados são acompanhados vários textos explicativos e frases provocadoras, que não nos deixam indiferentes.

    O autor começa por desmontar uma série de ideias infantis e distorcidas que muitas pessoas têm sobre o criador: "Quer Deus exista, quer não, o que não pode mesmo existir são certas imagens de Deus que alguns apregoam por aí, e que a maioria das pessoas interiorizou, sem se aperceber, de uma forma ou de outra."(p.12) E adverte o leitor: "Deus não é um ancião como eu o pinto, não tem barba, nem aquele triângulo na cabeça (...); não está num céu cheio de nuvens e os anjos não andam por ali com asas de frango." (p.9)

    O livro não pode deixar de incomodar o crente acomodado, e até incomodar alguma hierarquia religiosa: "Não tenho medo nenhum de que me digam que disparando contra as falsas imagens de Deus podemos atacar a boa fé das pobres pessoas, ou a fé ingénua de tanta gente simples... Sobre essa fé ingénua e essa ingenuidade foram edificadas muitas fortunas e até algumas carreiras eclesiásticas."(p.14)

    O livro não é um tratado de teologia; poderia ser melhor descrito como um convite a uma reflexão pessoal sobre o conceito e a experiência que cada um de nós tem sobre Deus. E apesar de ter sido escrito por um católico para uma audiência católica, a grande maioria das reflexões pessoais do autor facilmente encontram paralelo na experiência religiosa de pessoas de todas as religiões (substitua-se a palavra "igreja" por "comunidade religiosa").

    Para aguçar o apetite por este livro aqui ficam alguns dos desenhos do autor.







    terça-feira, 11 de julho de 2006

    Why God Never Received Tenure at any University

    (I received this by email and I couldn't resist publishing it!)
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    1. He had only one major publication.
    2. It was in Hebrew.
    3. It had no references.
    4. It wasn't published in a refereed journal.
    5. Some even doubt he wrote it himself.
    6. It may be true that he created the world, but what has he done since then?
    7. His cooperative efforts have been quite limited.
    8. The scientific community has had a hard time replicating his results.
    9. He never applied to the Ethics Board for permission to use human subjects.
    10. When one experiment went awry he tried to cover it up by drowning the subjects.
    11. When subjects didn't behave as predicted, he deleted them from the sample.
    12. He rarely came to class, just told students to read the Book.
    13. Some say he had his son teach the class.
    14. He expelled his first two students for learning.
    15. Although there were only ten requirements, most students failed his tests.
    16. His office hours were infrequent and usually held on a mountaintop.

    sexta-feira, 7 de julho de 2006

    Escola das Nações, Macau

    O que levaria o Departamento de Educação de Macau – actualmente uma Região Administrativa Especial da China – a doar à Escola das Nações um terreno com 2500 metros quadrados? Este terreno situa-se entre o court de ténis do Hyatt e o estacionamento de um Templo Budista, e será o local de construção do novo edifício desta escola.

    Para o director da Escola, Dr. Saba Payman, o gesto do Governo de Macau é um sinal de respeito e reconhecimento. "O governo viu o que temos estado a fazer e o que queremos fazer" afirmou. A maior parte das escolas em Macau foca as suas actividades nos aspectos intelectuais do ensino; a Escola das Nações é considerada como pioneira na área de desenvolvimento moral e pessoal, ao incluir nos seus planos de estudos um Programa de Desenvolvimento de Carácter. Em 1998, a Escola recebeu prémios locais e internacionais devido à sua inovação curricular.

    "As pessoas escolhem a nossa escola devido à ênfase que colocamos no desenvolvimento da pessoa como um todo", explica o Dr. Payman. "A nossa principal preocupação é que os estudantes desenvolvam interesses e hábitos que ultrapassem os seus interesses pessoais, e que se envolvam com as necessidades e os problemas que os outros enfrentam no dia a dia."

    O apoio a idosos faz parte do Programa de Desenvolvimento de Carácter,
    na Escola das Nações

    O Programa de Desenvolvimento de Carácter centra-se no desenvolvimento de competências, hábitos e atitudes e na sua execução prática em diversos actos de serviço à comunidade. Conceitos como responsabilidades e contribuições como membro de uma família, unidade na diversidade, cidadania mundial, e consulta são ensinados na sala de aula. Com o passar do tempo, estes actos tornam-se um modo de vida. Segundo o Dr. Payman, "esta atitude de serviço não é apenas essencial para o desenvolvimento do potencial do indivíduo, mas é também uma força necessária ao melhoramento da sociedade".

    Mas o desenvolvimento da Escola nem sempre foi fácil. "Inicialmente, o facto da escola ser de inspiração Baha'i foi um verdadeiro desafio. As pessoas ficavam algo desconfortáveis com a ideia. Agora a Escola é altamente considerada e respeitada. As pessoas vêem que a Escola teve um impacto no desenvolvimento do carácter dos jovens."

    Professores e funcionários da Escola das Nações

    "A educação pública em Macau é gratuita. Mas o facto de termos recursos financeiros limitados e das nossas actuais instalações deixarem muito a desejar, e apesar de haver muita competição por parte de outras escolas, as pessoas ainda continuam a pagar para que os seus filhos frequentem a Escola". A Escola das Nações é uma das três escolas de Macau que cobra propinas, e mesmo assim tem 90% das vagas preenchidas.

    "No fundo, desejamos tornar-nos um exemplo daquilo que a Fé Bahai se esforça por fazer", afirma o Dr. Payman. "Desejamos muito ser vistos como uma luz na promoção da educação académica e espiritual".

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    Notícia original (BWNS): School of the Nations, Macau, receives land grant from government

    quinta-feira, 6 de julho de 2006

    Rir, chorar ou fugir?

    Talvez respirar fundo... contar até mil...



    NOTA: não são os meus filhos; esta foto foi recebida por email.
    :-)

    quarta-feira, 5 de julho de 2006

    A Dignidade Humana

    "O que significa dignidade humana?" questiona John Leith no seu blog Barnabas Quotidianus. As respostas a esta pergunta podem surgir em muitos planos: moral, legal, filosófico, religioso ou outros. Em qualquer deles, teremos sempre diversas respostas e inevitáveis controvérsias.

    Vejamos uma definição simples: o dicionário (Porto Editora, 2004) define "dignidade humana" como "valor particular que tem todo o homem como homem, isto é, como ser racional e livre, como pessoa". Desta definição do dicionário posso intuir, por exemplo, que os seres humanos não devem ser tratados como objectos. Também posso perceber que o atropelo pelos direitos humanos – e a indiferença a esse acto – são outro tipo de ultraje ao valor de cada ser humano.

    Uma vez ouvi um baha’i expressar a seguinte ideia: "Antigamente dizia-se «A minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros»; mas a religião bahá’í pretende elevar a fasquia mal alto e proclama «A minha liberdade acaba onde acaba a minha dignidade»". A ideia parece interessante, pois pretende elevar a condição humana. Mas depara-se com a dificuldade de encontrar uma definição de dignidade humana universalmente aceite.

    Existem vários documentos que descrevem a dignidade humana como um valor supremo que deve reger todas as sociedades. O preambulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos sustenta que a dignidade humana é a base em que assentam os alicerces dos direitos humanos:
    Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo...
    Também o Concílio do Vaticano II publicou uma declaração sobre liberdade religiosa intitulada Dignitatis Humanae onde podemos ler:
    Os homens de hoje tornam-se cada vez mais conscientes da dignidade da pessoa humana e, cada vez em maior número, reivindicam a capacidade de agir segundo a própria convicção e com liberdade responsável, não forçados por coacção mas levados pela consciência do dever.
    Também a Constituição Alemã refere a dignidade humana no seu artigo primeiro: "A dignidade humana é inalienável. Respeitá-la e protegê-la é dever de toda a autoridade do estado".

    As referências à dignidade humana também se encontram nas Escrituras Baha'is. 'Abdu'l-Bahá considerava que "o surgimento do sentido natural de honra e dignidade humana é resultado da educação"(1) e era um conceito que derivava dos ensinamentos dos Profetas de Deus (2); além disso, instou os baha’is a tomar iniciativas e "apoiar todos os instrumentos que promovam a paz, o bem-estar, a felicidade, o conhecimento, a cultura, a indústria, a dignidade, o valor e a posição de toda a raça humana".(3)

    Na sequência de um debate sobre este tema, deixo aqui outras questões levantadas por John Leith:
    1. O que dizem as Escrituras Baha'is sobre dignidade humana?
    2. Para que servem os direitos humanos? De quê e de quem nos protegem?
    3. Precisamos mesmo de Direitos Humanos?
    4. Em que sentido pode a dignidade humana ser a base dos Direitos Humanos?
    5. Será que os Direitos Humanos necessitam de uma base filosófica ou metafísica?
    6. Que exemplos temos de situações em que a dignidade humana é negada?
    7. Será que necessitamos de uma teoria da natureza humana como fundamento para os Direitos Humanos?
    8. Qual a teoria baha’i da natureza humana?
    9. Qual a relação entre natureza humana e dignidade humana?
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    NOTAS
    (1) The Secret of Divine Civilization, pag. 97
    (2) Idem, pag. 97
    (3) Idem, pag. 4

    segunda-feira, 3 de julho de 2006

    A Acusação da ONU:

    Bahá'ís iranianos vítimas de expropriações

    Um relatório das Nações Unidas divulgado na semana passada durante uma conferência de imprensa afirma que os bahá'ís do Irão são vitimas de "uso abusivo de expropriação de propriedades". Segundo Miloon Kothari, o Relator Especial das Nações Unidas para a Habitação, "as propriedades identificadas incluem residências e terrenos agrícolas, mas também lugares sagrados, nomeadamente santuários e cemitérios".

    Miloon KothariO Sr. Kothari afirmou que estava "preocupado com as evidências claras de conduta discriminatória em relação às propriedades bahá'ís, incluindo residências". "Os proprietários lesados alegadamente não receberam, ou não tiveram a oportunidade de receber, informação antecipada sobre os processos de expropriação".

    Muitas das expropriações foram feitas por Tribunais Revolucionários Islâmicos; alguns dos veredictos examinados pelo relator da ONU continham justificações do tipo "a expropriação de propriedade da «seita maligna dos baha'is» foi legalmente e religiosamente justificavel". Nas áreas rurais as expropriações foram acompanhadas por ameaças e violência física antes e durante as expulsões forçadas.

    Na conferência de imprensa, o Sr. Kothari afirmou que continuava a receber relatórios sobre baha'is cujas terras tinham sido confiscadas. E acrescentou: "Nos últimos dois anos, tem havido um aumento no número de bahá'ís proeminentes que foram detidos sem qualquer acusação e foram libertados apenas após o pagamento de uma caução muito elevada. E a única forma que têm para pagar a caução é dar as suas propriedades como garantia. Isto parece outro método de expropriação."

    Este relatório anual, que foi escrito no âmbito de um mandato de seis anos para análise das políticas de habitação em todo o mundo, centra-se este ano nas discriminações de habitação, e aborda extensivamente as visitas do Sr. Kothari ao Irão e ao Cambodja.

    Este relatório esteve para ser publicado em Março, durante a sessão da Comissão dos Direitos Humanos, mas com as alterações neste organismo, a divulgação do relatório acabou por ser divulgado apenas na semana passada.

    Na opinião de Diane Alai, representante da Comunidade Internacional Baha'i junto das Nações Unidas, "o que o Sr. Kothari conseguiu documentar foi o actual problema dos baha'is iranianos. Confiscação de propriedades, juntamente com o impedimento de acesso ao ensino superior, discriminação no local de trabalho, e a proibição de actividades religiosas por parte de baha'is, reflecte todo a campanha do governo iraniano para estrangular lentamente a Comunidade Bahá'í no Irão, enquanto tenta evitar a condenação internacional"

    Notícia Original(BWNS): Iran confiscates Baha'is' properties, says UN
    Notícia na Voice of America:
    UN Investigator Calls for Halt to Forcible Evictions in Cambodia, Iran
    Relatório da ONU
    aqui.

    domingo, 2 de julho de 2006

    Portugal-Inglaterra

    O Luiz Felipe Scolari afirmou que acredita na Nossa Senhora de Caravaggio. O Gilberto Madail gosta mais da Nossa Senhora de Fátima. E vários jogadores têm dado a conhecer as suas convicções religiosas.

    Há quem questione se isto é misturar futebol com religião, e tente procurar uma justificação para isto. Já escrevi aqui que a religião faz parte da identidade pessoal da esmagadora maioria das pessoas. E em momentos de ansiedade e tensão é natural que a expressão dessas convicções venham ao de cima.

    Claro que não acredito que esteja nos planos da Divindade interferir no resultado de algum jogo de futebol, mas ontem durante os penalties, dei por mim a repetir para mim próprio, várias vezes “Yá Bahá'u'l-Abhá” (uma invocação usada pelos baha’is e que em português significa «Ó Gloria do Mais Glorioso!»).

    Enfim, o futebol mexe mesmo connosco!

    Parabéns ao Ricardo!



    E um grande obrigado ao Felipão!