domingo, 31 de dezembro de 2006

António Barreto

António Barreto, hoje no Público:

"Conhecemos o original. Já vimos o primeiro filme. O guião e a história são-nos familiares. Um ou dois anos de medidas duras, por vezes brutais, frequentemente necessárias. Reformas anunciadas, eventualmente iniciadas. Mexe-se muito na rama. Agita-se a espuma. Promete-se firmeza e energia. Rapidamente a demagogia começa a ser a pauta e a melodia. Desde que há um sinal de melhoria, exagera-se. Assim que chegam as antevésperas das eleições considera-se que o essencial está feito, que já é tempo de aliviar a carga. Muito depressa se encontram benefícios a distribuir, alívios a administrar. Quantos Primeiros-ministros não fizeram já o mesmo? Quantos governos não seguiram o mesmo guião, passo a passo?

(...)

Há cinco ou seis anos que Portugal perde diante dos parceiros europeus, dos asiáticos e de outros concorrentes. O endividamento dos cidadãos não baixou, aumentou. A produtividade não melhorou. O investimento privado estagnou. O investimento público diminuiu. O investimento externo ainda não retomou. As empresas estrangeiras continuam a fugir. O desequilíbrio comercial agrava-se e as exportações mostram sinais muito medíocres de revitalização, em todo o caso insuficientes. Na Administração Pública ainda não se mexeu a sério. Nas universidades também não. Na justiça, marca-se passo.

(...)

É verdade que uma parte da população vive bem, ou pelo menos melhor; consome, diverte-se e vai de férias; e acedeu a níveis de conforto decentes. Mas convém não esquecer que outra parte, talvez metade, não vive bem, muitas vezes nem sequer melhor do que há cinco ou dez anos. As dívidas, o desemprego, as dificuldades para encontrar o primeiro emprego, as ameaças de deslocalização, a estagnação dos rendimentos, as baixas pensões e subida generalizada dos preços, sem falar na vida quotidiana nas áreas metropolitanas, fazem sentir os seus efeitos. Para muita desta gente, o discurso optimista não é um sinal de esperança, é simplesmente obsceno."

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Só um comentário em forma de pergunta: como se podem realizar reformas políticas e económicas durante seis anos ou mais, se os ciclos políticos deste país duram quatro anos?

Pobres pescadores de fim-de-semana...



De tempos aparecem leis tão absurdas que parecem ter sido criadas só para nos fazer rir. Refiro-me à nova lei que pretende regulamentar a actividade da chamada “pesca desportiva” ou “pesca de fim-de-semana”. Segundo a nova lei, estes pescadores deverão adquirir uma licença que pode custar até 200 euros, deverão guardar entre si uma distância de 10 metros, terão o volume de capturas limitado a 10Kg por dia e não poderão pescar a menos de 100 metros dos esgotos.

Nenhum responsável governamental veio a público explicar o objectivo da lei, ou esclarecer o seu propósito. Mas segundo a imprensa, seria evitar o desenvolvimento de uma actividade profissional a coberto da pesca com fins lúdicos.

Mas as reportagens na TV e nos jornais dão conta do desajustamento da lei à realidade da “pesca de fim-de-semana”. A maioria destes pescadores tem a pesca como passatempo; para muitos deles o que importa são os momentos de convívio e a cavaqueira com os outros. Como dizia um deles: "Pesca? Isto não é pesca nenhuma! Isto é para a gente se entreter e não estar nas tabernas."

A necessidade de regulamentar um passatempo tão inofensivo como este fica por perceber. E a ausência de explicação sobre o mesmo permite-nos pensar que a seguir se seguirão outros passatempos de fim-de-semana: licença para jogar à bisca em jardins públicos, portagens em Lisboa nas zonas pedonais de Belém e da Expo, licença para fazer jogging em espaços públicos,...

Este tipo de legislação deixa no cidadão comum a impressão que alguns dos nossos governantes na sua necessidade de mostrar trabalho que são capazes de produzir coisas tão absurdas quanto esta lei. É triste. Porque é revelador da sua incapacidade governativa e porque pode manchar a imagem dos governantes em geral.

NOTA: Mesmo assim, esta lei não conseguiu ser tão patética quanto a daquele outro Secretário de Estado que há alguns anos queria aplicar multas a quem não separasse o lixo doméstico. Quando questionado na TV, argumentou que se podia identificar a origem dos lixos domésticos. Claro que na altura não faltou quem o imaginasse a vasculhar caixotes do lixo...

sábado, 30 de dezembro de 2006

O que merecem os ditadores?

Justiça ou vingança?


Julgamento de Nuremberga


Julgamento de Tóquio


Julgamento de Milosevic (pelo Tribunal Penal Internacional)


Ceausescu e Saddam. Alvos da justiça ou de vingança?

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Acordámos hoje com a notícia da execução de Saddam Hussein. É mais um episódio triste da trágica aventura americana no Iraque. A forma como ele foi julgado e condenado assemelha-se mais a um acto de vingança do que justiça.

Não preciso de voltar a escrever aqui o quanto abomino as ditaduras. Saddam era um ditador que oprimiu os povos do Iraque; ordenou a eliminação de opositores e o massacre de populações civis. Como todos os ditadores, gostaria que ele fosse levado perante a justiça e que o seu julgamento fosse imparcial. A justiça que o condenou pareceu mais a justiça dos vencedores do que um processo claro de averiguação de todas as suas responsabilidades enquanto governante iraquiano. Infelizmente o seu julgamento foi mais parecido foi mais parecido com o de Ceausescu do que aos julgamentos de Nuremberga e de Tóquio.

Num país em escombros, onde a violência e o sectarismo imperam e em que a autoridade do Estado se parece confinar a uma pequena zona da capital, dificilmente poderiam existir condições que garantissem a realização de um julgamento justo e imparcial. Nestas situações, um ditador deve ser entregue a uma organização internacional reconhecida como o Tribunal Penal Internacional (o que julgou Milosevich)

A construção de uma Nova Ordem Internacional, mais justa e equilibrada tem-se feito com avanços e recuos. A invasão do Iraque e a forma como Saddam foi julgado foram recuos. Mas também devem servir como lições para o futuro; a Comunidade Internacional não deve permitir que erros semelhantes se repitam.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Alterações Climatéricas

Aqui fica a tradução do artigo Getting Warmer? de Dale E. Lehman, publicado no site Planet Baha'i.
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Desde há alguns anos que a questão do aquecimento global tem estado na mente de muitas pessoas. Pondo de parte todas as questões políticas, existem poucas dúvidas de que a temperatura média no nosso planeta está a aumentar e poucas dúvidas de que pelo menos parte de aumento se deve à actividade humana. Existem muitas incertezas e várias previsões sobre as consequências. Mas apesar disso, há uma coisa que parece certa: o clima está a mudar, e mais tarde ou mais cedo essa mudança terá um impacto profundo na civilização humana.

A mudança não é, em si, uma coisa má. Sem a mudança não haveria vida na terra; tudo evolui. Mesmo sem intervenção humana, o clima na Terra não é imutável. Tem mudado no passado e continuará a mudar no futuro como resultado de vários factores, incluindo alguns pormenores da órbita do planeta em torno do sol e a deslocação dos continentes na superfície deste. E, no entanto, as mudanças que agora ocorrem podem parecer alarmantes devido à forma como nos afectarão a nós e a outras criaturas.


As alterações climáticas podem resultar na extinção de muitas espécies, inundação de cidades costeiras e alteração significativa das terras agrícolas. Na verdade, existem indícios de que no passado distante alterações súbitas no clima dispersaram povos e até contribuíram para o colapso de civilizações.

E assim, muitas entidades lançam o alarme e apelam a uma acção imediata que ponha termo à produção de gases que contribuem para o efeito de estufa. Os lideres religiosos também entraram no frenesim, oferecendo aquilo que julgam poder ser uma base moral para a tomada de decisões relevantes sobre o assunto. E aqui poder-se-á questionar, o que é que a religião Baha’i tem a dizer sobre o assunto.

Na questão específica do aquecimento global não tem muito a dizer. Isto deve-se ao facto do assunto estar muito politizado, e consequentemente qualquer comentário que se faça possa ser entendido como um tomar partido no debate político. Mas oferece princípios gerais que são aplicáveis para este e outros assuntos relacionados com questões ambientais. Estes princípios encontram-se resumidos num documento intitulado Conservation and Sustainable Development in the Bahá’í Faith. Datado de 1995, este documento foi apresentado pela Comunidade Internacional Baha’i à Cimeira da Aliança entre Religiões e Ambiente, patrocinada pelo World Wild Fund for Nature, pelo Duque de Edimburgo, e outras organizações. Esta cimeira contou com a presença de lideres de nove religiões: Baha'i, Budista, Cristã, Hindu, Islâmica, Jain, Judaica, Sikh e Taoista.

Summit on Religions and Conservation 1995

Neste documento começa-se por mostrar que Bahá’u’lláh descreve a natureza como um reflexo dos atributos de Deus:
A Natureza na sua essência é a personificação do Meu Nome, o Originador, o Criador. As suas manifestações são diversas, devido a diferentes causas e, nessa diversidade, há sinais para homens de discernimento. A Natureza é a Vontade de Deus e é Sua expressão no mundo contingente e através deste. É uma dispensação da Providência determinada por Aquele que ordena, a Suma Sabedoria. (Bahá'u'lláh, Epístolas da Sabedoria)
Além disso, as Escrituras Baha’is contêm numerosas referências ao mundo natural como metáforas de uma realidade espiritual. No seu todo, esses excertos inspiram um profundo respeito pelo mundo da natureza.

Claro que os Baha’is não adoram a natureza. A natureza reflecte Deus, mas não é o próprio Deus. Deus estabeleceu um propósito para todas as coisas criadas, e pelas Escrituras de Bahá’u’lláh sabemos que os seres humanos estão destinados a criar uma civilização em contínuo progresso.

Mas Bahá’u’lláh não fala apenas de uma civilização material; para Ele, a civilização espiritual tem igual importância. O equilíbrio entre as duas é importante para o progresso. E, de facto, a experiência recente tem mostrado que surgem problemas quando a civilização material se sobrepõem à civilização espiritual.
A civilização, tão frequentemente enaltecida pelos brilhantes eruditos das artes e das ciências, se lhe for permitido ultrapassar os limites da moderação trará grande mal aos homens. Assim vos adverte Aquele que é o Omnisciente. Se for levada a um excesso, a civilização se provará ser tão prolífica fonte de mal como o é de bem, enquanto mantida dentro dos limites da moderação. Meditai sobre isto, ó povo, e não sejais dos que vagueiam enlouquecidos nos desertos do erro. (Bahá'u'lláh, SEB CLXIII)
Assim, devemos assumir-nos como zeladores do mundo natural. Para desempenhar esse papel devemos ter a necessária atitude de humildade e respeito pela natureza (a fonte do nosso bem-estar material), e devemos aplicar moderação em todas as coisas; também devemos tentar compreender a natureza. O que significa que a ciência e a religião devem andar a par. Quanto mais soubermos sobre a natureza, melhor compreenderemos outra verdade apresentada nas Escrituras Bahá'ís: a interdependência de todas as coisas.


Mas como podemos equilibrar o progresso da civilização com o respeito e a protecção do ambiente? Será possível ter ambos? Mais uma vez, as Escrituras Baha’is oferecem orientações gerais sobre este problema. Um factor primordial no processo de tomada de decisão nas comunidades baha’is assenta numa consulta franca e aberta entre os seus membros.

Este é um assunto que daria muito para escrever; resumidamente podemos dizer que este processo consiste no envolvimento de todos os diferentes elementos da comunidade (incluindo as pessoas afectadas pela decisão) numa discussão aberta e honesta de todas as alternativas e procura das melhores soluções. Este processo de consulta bahá’í é muito diferente de um debate político. O objectivo não é confrontar diferentes opiniões em conflito, ou alcançar um compromisso entre esses diferentes pontos de vista. Em vez disso, implica a união das partes envolvidas, apelando ao exame de todas as ideias e opiniões apenas com base no seu mérito, procurando a melhor solução, independentemente de quem a apresenta.

Em último caso, a abordagem do tema das alterações climáticas ou de qualquer outro assunto ambiental depende da nossa capacidade para equilibrar o material e o espiritual. O documento atrás referido afirma na sua conclusão:
"As Escrituras Baha’is ensinam que, enquanto guardiã dos vastos recursos e diversidade biológica do planeta, a humanidade deve proteger a «herança das futuras gerações»; vendo na natureza um reflexo divino; abordando com humildade a Terra, a fonte de dádivas materiais; moderando as suas acções; e deixando-se guiar pela verdade espiritual fundamental da nossa época, a unicidade da humanidade. A velocidade e facilidade com que estabelecemos um padrão de vida sustentável dependerá, em última análise, da medida em que desejarmos ser transformados, através do amor de Deus e obediência às Suas Leis, em forças criativas no processo de criação de uma civilização em contínuo progresso"
Quanto mais cedo enfrentarmos estas verdades, mais cedo seremos capazes de encontrar e implementar verdadeiras soluções para os problemas ambientais.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Dry Bones

DryBones_Portugues

Yaakov Kirschen é um cartonista israelita cujos trabalhos têm sido publicados em jornais como o NY Times, Time Magazine, Los Angeles Times e Jerusalem Post. Ao longo de mais de 40 anos de actividade profissional recebeu vários prémios; naturalmente que os problemas do Médio Oriente não escapam às suas sátiras. Foi o que aconteceu recentemente com o caso dos baha'is no Egipto.

Publicado com permissão do autor. (English version here)

Telemóveis

Mais um desenho de José Luis Cortés, autor do livro Um Deus chamado Abba

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

A Fé dos Homens

O espaço bahá'í no programa "A Fé dos Homens" emitido ontem na 2:.
Mostra a opinião de uma crente bahá'í sobre o Natal.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Natal

Quando eu era criança, estes eram dias que demoravam a passar. Nunca mais vinha o dia de Natal, o dia em que recebíamos presentes (e os presentes de Natal eram sempre especiais) e se reunia toda a família. No dia 24 já pensava para mim: "Amanhã já temos os presentes...". No dia 25 de manhã, era correr pelas escadas abaixo para descobrir o que é que o menino Jesus nos tinha deixado no sapatinho (a minha mão resistiu durante alguns anos ao conceito de Pai Natal).

A ceia de Natal era uma coisa que acontecia muito tarde, depois da missa do galo. Só mesmo as pessoas crescidas é que conseguiam estar acordadas até tão tarde. Quando completei 10 anos deram-me autorização para ficar acordado. Aguentei-me até às 4 da manhã, assisti à missa do galo e estive na ceia com os mais velhos. E por fim lá veio o momento tão desejado: a troca de presentes. Para uma criança, não ter de esperar pela manhã do dia 25 era uma vantagem.

Houve um Natal em que um tio me perguntou se eu já tinha chegado à idade em que recebia apenas gravatas como presente. Isso ainda não tinha acontecido, mas aquela pergunta indiciava qualquer coisa: a minha maneira de apreciar o Natal ia necessariamente mudar. E com o passar do tempo foi isso que aconteceu.

Alguns dos familiares que estavam connosco nestes dias, já faleceram e outros juntaram-se recentemente à família. Também o espaço onde celebramos a festa de Natal já não é o mesmo. Mas com o aproximar da grande reunião familiar, a alegria dos adultos e a excitação das crianças mantém-se. Os mais crescidos têm que pôr a conversa em dia, e os mais novos têm novas brincadeiras (e algumas malandrices) para ensinar uns aos outros.

É Natal. Vou estar com a minha família. Volto dia 26. Fiquem bem.

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Um à parte: uma pessoa conhecida da Comunidade Baha'i de Portugal apareceu mais uma vez citada no Expresso. Desta vez o tema é a Constituição europeia. Mas será que passa assim tão despercebido?

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

As crianças imitam-nos



Este video surgiu no Canadá no âmbito de uma campanha de sensibilização sobre a influência que os adultos sobre as crianças. É tocante e profundo. Tal como outros vídeos que aqui mostrei, também gostaria que este fosse exibido regularmente nas televisões portuguesas.

A mensagem deste vídeo lembra-me um episódio ocorrido há mais de vinte anos em Antuérpia. Na altura foi organizada uma conferência europeia de Juventude Baha’i. Lá estavam jovens de todos os países europeus, partilhando experiências e confraternizando. Numa manhã de domingo, percorríamos as ruas de Antuérpia quase sem transito automóvel, quando o nosso grupo se deteve junto a uma passadeira de peões aguardando respeitosamente que o semáforo ficasse verde.

Os portugueses trocaram olhares como se perguntassem uns aos outros: "Que se passa? Porque parámos se não há carros na rua?" Tomei a iniciativa e atravessei a passadeira ainda com o sinal vermelho; os outros portugueses seguiram-me. Depois ficámos no outro lado da estrada a chamar os outros jovens europeus. Acabámos por gozar aquela atitude deles. Quando o sinal ficou verde e o resto do grupo se juntou a nós, questionei um alemão: "O vosso problema é serem demasiado lógicos. Porque é que não atravessaram a rua se não havia transito?" A resposta foi imediata: "Porque alguma criança podia ver o que estávamos a fazer."

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Who are the Baha'is? (Al-Jazeera)



AlJazeera.com published today an article by Sheikha Sajida about the Baha’i Faith. It expresses the traditional Muslim conservative perspective. Here are my comments to the author about her text.

1 . Egyptian Baha'is are demanding the same civil rights as any other Egyptian citizens have. And that means to have official ID cards. Whether those cards state citizens religious affiliation or whether in such field one is allowed write the word «other» or leave it blank, is a question the Egyptian Government has to answer. That is the central question. And you preferred not to approach such issue. A subject about which you expressed no opinion. A silent complicity?

2. "...the new «sect»...". You are, of course, free to classify Baha’is as a trend, a movement or a way of thinking. Many scholars in the world consider the Baha'i Faith as a new religion. The Baha’is have their own Sacred Writings, administrative structure, temples, calendar, holy days. It’s is definitely not a trend or a branch of Islam (like Sufis and the Ammadhya). Naturally, Muslims tend to state that the Baha’i Faith is not a religion. Why? Because de the mere existence of such a religion questions a basic belief of most Muslims: the finality of God’s revelation with Muhammad. It seems that today Muslims are the ones to believe that God has His hands tied up! (Qur'án 5:64)

3. "...hurts Muslims, who form the majority of the Egyptian public". You may feel very comfortable to follow the opinion of the majority of Egyptian society. Let me remind you that in the Middle Age in Europe, the majority of people believed that the sun goes around the earth.

4. "...estimated to be 6 million". Baha'is only claim to be five million. Did you see their official site?

5. But would the baha’i teachings "bring much disorder to the Egyptian society"? To abandon any form of prejudice is a source of disorder? Claiming equal rights for man and women is to cause disorder? Claiming education for every children is a source of disorder? Affirming the need for a universal auxiliary language and the elimination of extremes of poverty and wealth area problem for any society? Do you really know the teachings of Baha’u’llah?

6. "Supporting the Bahais in their quest for recognition, just like Christians and Muslims, is another attempt to shake the unity of the Egyptian society". Baha'is are recognized as a religion in many countries, just like Muslims, Christians, Jews, Buddhists, Hindus and others? Did that shake the unity of those countries? Or... are such countries more tolerant to religious diversity than Egypt?

7. I am surprised that you were not able to answer your own questions (are bahais satanic or trying to establish a political party?) Let me answer you: baha'is don't get involved in politics! As for Satanism, check the activities of the Baha’is all over the world and decide whether those are satanic activities.

A FINAL NOTE: Other Muslims countries (Algeria, Bahrain, Iraq, Kuwait, Qatar, Oman, Sudan, Tunisia and Emirates) do give ID cards to baha’is. So this is not a problem of Baha’is vs. Muslims. It is a problem concerning the civil rights of Baha’is in Egypt.

Conservadorismo e Liberalismo Religioso

Aqui fica uma versão uma pouco mais alongada do meu artigo publicado no semanário Sol, no passado fim-de-semana.
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Alguns analistas e comentadores têm sugerido que a humanidade vive hoje não apenas um "choque de civilizações", mas também um "choque de religiões". Mas serão os ensinamentos das religiões causas de conflito, geradores de tensões, ou serão estas tensões fruto de certas atitudes face à religião?

Uma análise objectiva dos ensinamentos centrais das grandes religiões mundiais permite-nos perceber que estas não estão em conflito. Mas em todas as comunidades religiosas podemos identificar crentes com atitudes mais liberais, ou mais conservadoras. Estas atitudes são possíveis de tipificar num conjunto de características comuns nas diferentes vertentes do fenómeno religioso.

As Sagradas Escrituras têm um ou mais significados?

Os conservadores tendem a considerar as Sagradas Escrituras da sua religião como uma verdade absoluta e imutável. Uma das suas primeiras preocupações é afirmar que a Sagrada Escritura é “a Palavra de Deus”, e por esse motivo, é impossível conter erros. Para eles, todas as leis e mandamentos nestes textos devem ser aplicados de forma inflexível e literal.

Por seu lado os liberais admitem a existência de diversos tipos de verdades nas Sagradas Escrituras. Para eles, os textos possuem uma considerável carga simbólica, metafórica e até mitológica; além disso, também sustentam que os textos podem ser interpretados de diversas formas. Nesta perspectiva, a Sagrada Escritura é vista como uma fonte de orientação para a vida, uma verdade relativa, e não absoluta, cujo significado não pode ser considerado fixo, mas deve ser reinterpretado em cada era de acordo com as preocupações de cada era tempo.

O Concílio de Trento proclamou que as tradições da Igreja
têm a mesma autoridade que a Escritura.

No que toca às tradições religiosas, o conservadorismo manifesta-se ora sob a forma tradicionalista ou sob a forma revivalista. Para os tradicionalistas, a tradição enquanto elemento da religião tem tanta autoridade quanto as próprias Escrituras; no Catolicismo Romano, o Concílio de Trento (1563) proclamou que as tradições da Igreja têm a mesma autoridade que a Escritura; no Islão, a doutrina da Ijma (o conceito de que tudo o que no mundo muçulmano for consensual deve ser considerado correcto) é força poderosa que preserva atitudes e posições tradicionais. Já o conservadorismo revivalista, considera as tradições como o principal obstáculo para o regresso à “pureza” da religião original. É característica de movimentos protestantes e grupos evangélicos (não esqueçamos que o Protestantismo surgiu como reacção ao tradicionalismo Católico).

A diversidade de opinião na religião também é assunto onde é bem visível a diferença entre atitude conservadora e a atitude liberal. Os conservadores dificilmente toleram a existência de diversas formas de expressão religiosa na sua comunidade. Toda a divergência em relação à ortodoxia estabelecida é vista com suspeitas; é sempre uma potencial heresia contra a qual a religião tem de ser protegida. Já os liberais tendem a aceitar a existência de diversos pontos de vista na sua comunidade. Enquanto cada ponto de vista não negar explicitamente a verdade do Fundador da sua religião e da Sagrada Escritura, esta pode ser aceite pela comunidade. E perante as atitudes conservadores, os liberais recordam que a história da religião está cheia de episódios em que muito sangue foi derramado devido à tentativa de impor uma interpretação muito restritiva da religião sobre outros companheiros de crença.

O pluralismo religioso é outra matéria de divergência entre conservadores e liberais. Para os primeiros, as outras religiões são “fruto do erro”. Poderão abrir excepções para aquelas religiões pelas quais o Profeta Fundador da sua religião mostrou respeito (normalmente são as religiões que precederam esse Profeta Fundador). Desta forma, é possível encontrar cristãos conservadores que toleram o Judaísmo, mas rejeitam o Islão; também os muçulmanos conservadores podem tolerar judeus e cristãos, mas rejeitam os bahá’ís. Mas mesmo esta tolerância pode desvanecer-se e dar lugar a perseguições (cristãos contra muçulmanos, muçulmanos contra judeus e cristãos)

Para a mentalidade liberal as outras religiões são vistas como perspectivas alternativas da verdade religiosa. Neste contexto, apesar de atribuírem à sua religião alguma primazia ou prioridade, reconhecem alguma legitimidade e “verdade” nas outras religiões (recorde-se a declaração do Concílio do Vaticano II sobre as religiões não cristãs). Alguns liberais vão ainda mais longe e chegam a considerar outras religiões como expressões tão válidas quanto a suas, mas mais adaptadas a outras culturas.

Do choque entre as atitudes liberais e conservadoras surgem recriminações mútuas. Os conservadores tendem a culpar os liberais por abrirem as portas da religião a ideias e doutrinas que consideram duvidosas. Um exemplo desta atitude, é a reacção conservadora à Teologia da Libertação (considerada uma mistura de Marxismo e Cristianismo). Os liberais por seu turno tendem a considerar as atitudes dos conservadores como contrárias ao verdadeiro espírito da religião; para eles a intolerância (e a violência que por vezes esta provoca) faz da religião uma fonte de mal no mundo moderno.

Esta dicotomia conservadorismo-liberalismo religioso podia ainda ser explorada nas vertentes moral, sociológica e psicológica. Mas apenas com base nos tópicos expostos, creio que é fácil perceber que se tratam de atitudes transversais a todas as religiões. Da mesma forma, também é óbvio que é um erro dizer que uma religião no seu todo é conservadora ou liberal. Na verdade, o que existe são grupos de crentes cuja atitude (liberal ou conservadora) pode obter maior ou menor visibilidade com os seu actos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Ecos do Egipto

Ainda sobre a decisão do Supremo Tribunal Administrativo do Egipto sobre o direito dos baha’is verem a sua religião identificada nos bilhetes de identidade, aqui ficam mais alguns ecos do assunto na imprensa internacional:

Losing their religion (The Guardian – UK)
U.S. criticizes as violation of rights Egyptian court decision to ban Bahaiism on identity cards (International Herald Tribune)
Egyptian judge's ruling throws minority Bahai community into limbo (Daily Star – Lebanon)
Islam's Apartheid (American Thinker)
Bahai battle intensifies in Egypt (Al Bawaba - Jordan)

A reportagem da TV Al-Arabia



E a tradução em inglês da reportagem:

(Beginning of the video isn't clear)

And the case that start before two years ago, by request of group of Bahai families that they official suffering to be forced to write other religions like Muslims or Christian as requirement to get Id card.

Dr. Basma:"It been long time and two years we are asking the government only four thing either to write "bahai" or "others" or dash or blank and the government can find solution ,already the solution is there , there was a solution before, there was in ministry of interior computers ,the option "others " and they issued Id card , birth certificates other documents for the Baha'is with "others".

The previous court decision that was to agree, caused a lot of argument in Egyptian public opinion, especially they don't accept Bahai as religion. although some recourses insist that court decision was to make Bahais exceptional then others ,to protect the community from marriage relation with other religions ,which case a lot of problems when one of spouse identify his real religion.

In court there was a lot of active people that sympathy with this group, they were asking for citizen right regardless to the religion and also in the court the re was a big number of citizen that were against this case and were insisting to keep the Islam identity and not let to any other group to mess with Islam religion or its basis.

"If he is Muslim, he is renegade! How come he is Muslim and he says I'm Bahai!"

"The case of Bahai's generated a question might be much deeper than what the case is self generated, which one is more important the country or the believe? Its a question many may prefer not to answer – Ahmed Othman from Al Arabiya"

(Thank you Lua for the translation!)

Até sempre!



Joseph Barbera (1911-2006), criador dos Flinstones, Tom e Jerry, Scooby Doo, Top Cat e outros.
Obrigado por tantas horas de divertimento e por incontáveis gargalhadas.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Ainda sobre os direitos civis dos baha'is no Egipto

Dois pequenos filmes feitos à porta do tribunal:





Também este conjunto de fotos ilustram o que se passou no exterior do edifício do tribunal.

What if he were son of Egyptian baha’is living in Egypt?

It’s been a troubled weekend, here at home.

Yesterday afternoon our youngest son, David, began vomiting any food we would give him. My wife had a bad feeling about that, so after dinner we decided to take him to the hospital.

The doctors were puzzled with his symptoms: no fever or diarrhea; just vomit. And he was behaving like any normal kid between vomits. So the doctor suggested that he should stay in the hospital for the night. Today David had fever and diarrhea. So this is gastroenteritis. It happens to kids. He will stay another night at the hospital (just for precaution) and he will come back home tomorrow.

When the doctor first told us that David should stay at the hospital, my wife had tears in her eyes. She told me: "Sometimes our life seems to be so full of trouble..." "Not really", I answered, "If we were Egyptian baha’is living in Egypt they wouldn’t even admit us in the hospital. That would be serious trouble, for sure..."

Can you imagine what would happen to this child if he were son of Egyptian baha’is living in Egypt?

sábado, 16 de dezembro de 2006

O Veredicto

Um dia triste para os direitos humanos...
Um dia vergonhoso para o Egipto!


No meio de uma enorme agitação mediática, o Supremo Tribunal Administrativo do Egipto decidiu hoje a favor de um recurso do Ministério do Interior, contrariando uma decisão de um tribunal de instância inferior que reconhecia aos Bahá’ís o direito de verem a sua religião identificada em documentos oficiais. O Tribunal também decidiu que o casal bahá'í deverá pagar todas os custos do processo. Em termos práticos, esta decisão tenta obrigar os bahá'ís a negar a sua religião a troco dos mais elementares direitos de cidadania.

O caso que desde Abril vinham suscitando no Egipto um aceso debate sobre a liberdade religiosa e os direitos cívicos naquele país, foi levantado por um casal bahá'í que viu os seus bilhetes de identidade e passaportes confiscados, quando solicitou que o nome das suas filhas fosse incluído nos seus passaportes, onde a religião bahá’í constava na sua identificação religiosa.

O aparato que caracterizou esta última sessão do tribunal é digno de registo. No exterior do edifício foram montadas barreiras, e estavam guardas armados e polícia anti-motim. Também várias televisões, rádios, jornais e agências noticiosas estiveram presentes, transmitindo o evento e entrevistando várias pessoas.

Além disso, no interior e no exterior do edifício do tribunal estiveram apoiantes dos bahá’ís. Alguns levaram consigo enormes cópias dos antigos bilhetes de identidade onde se salientavas as palavras «Baha’i» e «Egípcio». Também lá estiveram muitos bloggers, activistas dos direitos humanos e livre pensadores que vieram manifestar a sua solidariedade para com os bahá’ís. Entre estes destacava-se um manifestante que empunhava um cartaz onde afirmava ser muçulmano, crente em Maomé, e apoiante do direito dos bahá’ís verem a sua religião reconhecida e terem os mesmos direitos civis que outros egípcios.

E como não podia deixar de ser lá estiveram também vários membros do movimento extremista Irmandade Muçulmana, gritando slogans de ódio contra os bahá’ís. Quando a decisão foi anunciada, ouviram-se as suas vozes: "Allah’u-Akbar!" e "Viva a justiça!"

E agora?

A consequência imediata deste veredicto é que os baha’is egípcios continuam a não ter direitos de cidadania na sua própria pátria. Não podem obter documentos de identificação, certidões de nascimento ou de óbito, passaportes ou qualquer outro documento oficial.

Com tudo isto os bahá’ís egípcios não podem arranjar emprego, não podem ter acesso às escolas, não podem receber tratamento hospitalar, não podem viajar, não podem ter acesso a serviços sociais, não podem casar nem ser declarados falecidos, não podem obter uma carta de condução, não pode ter uma conta bancária, não podem adquirir uma propriedade... e muitas outras coisas. E melhor ainda: podem ser presos por não ter bilhete de identidade!

Em resumo: muito se tem falado e escrito nos média sobre perseguições e ataques a minorias religiosas em países como o Egipto e a Turquia. Mas decisão deste tribunal mostra uma coisa: num país muçulmano é melhor ser judeu ou cristão do que ser bahá'í.

Reacção oficial da Comunidade Internacional Bahá'í

"Lamentamos profundamente a decisão do Tribunal que viola um vasto conjunto de direitos internacionais sobre direitos humanos e liberdade religiosa, de que o Egipto é signatário", afirmou Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Bahá’í , nas Nações Unidas. "Como se tratou de uma decisão final, a decisão do Tribunal ameaça transformar em «não-cidadãos» todos os membros de uma comunidade religiosa".

Temos esperança que o debate publico leve o governo Egípcio a corrigir as suas políticas discriminatórias", continuou. "Isto pode ser feito quer permitindo aos Baha'is tenham a sua religião identificada em documentos oficiais, quer abolindo toda a identificação religiosa, ou simplesmente permitindo que a palavra «outra» seja incluída no campo religião dos documento oficiais."

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Sobre a esta decisão do tribunal:
Egyptian court overrules Baha'i right to register (Reuters)
Egypt Bahais lose battle for recognition (Middle East Online)
Egypt: Bahais can't be recognized on official IDs (Jerusalm Post)
Egyptian court rules against giving Bahais the right to recognition on official IDs (International Herald Tribune)
Egypt Bahais lose recognition (Sunday Times – South Africa)
Egypt Plunges Deeper into the Abyss (Baha'i Faith in Egypt)
Egyptian court rules against Baha'is, upholding government policy of discrimination (BWNS)
Today’s Baha’i protest (Rantings of a Sandmonkey)
Baha'is denied official recognition in Egypt (Spero News)
Bigotry and sectarianism par excellence (Arabwy)
Bahais lose Egypt recognition fight (Al Jazeera)
Court denies Bahai couple document IDs (Washington Times)
Bahais lose court battle for recognition in Egypt; labeled "pro-Israeli apostates" (Dhimmi Watch)
Court rules against giving Bahais recognition rights (Kuwait Times)
Egypte: la minorité bahaïe ne sera pas reconnue sur les papiers d'identité (La Croix - France)
Asociación egipcia critica a tribunal por denegar derechos a credo bahai (Terra - Spain)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Um teste à Liberdade Religiosa no Egipto

Aqui fica a tradução de um artigo divulgado hoje pela agência AFP e assinado por Jailan Zayan.

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Ragi Labib, um jovem licenciado egípcio, não consegue arranjar um emprego, comprar um carro ou abrir uma conta bancária. No próximo ano nem sequer conseguirá provar a sua identidade. Porquê? Porque é baha'i.

Quando o governo anunciou há quatro anos que apenas o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo seriam reconhecidos como religiões em documentos oficiais, o documento de identificação onde ele escrevera o nome da sua fé tornou-se inválido.

"Não me importo que omitam o nome da minha religião nos bilhetes de identidade, ou que me permitam escrever a palavra «outra» no campo da religião. Mas não quero mentir sobre a minha religião em documentos oficiais", afirmou o jovem de 25 anos.

Agora ele teme que, apesar de ter nascido no Egipto e ser filho de pais egípcios, os seus próprios filhos não sejam reconhecidos como cidadãos egípcios.

A pequena comunidade baha'i do Egipto – menos de 2000 pessoas, segundo fontes oficiais – aguarda ansiosamente o veredicto do tribunal, no próximo dia 16 de Dezembro, sobre o direito dos baha’is em obterem documentos oficiais onde se enuncie a sua religião.

No Egipto, os cidadãos devem trazer sempre consigo os documentos de identidade; estes são essenciais para acesso a emprego, educação, serviços médicos e financeiros.

O caso dos baha'is obteve a atenção local e deu origem a mais de 400 artigos na imprensa, após uma decisão judicial em Abril que permitia aos baha’is declararem a sua religião em documentos oficiais. Após essa decisão houve um recurso do Ministério do Interior.

Antes de Abril, a maioria dos Egípcios nunca tinha ouvido falar dos Baha'is, que frequentemente eram registados pelos funcionários administrativos como muçulmanos ou cristãos.

"Tive que estudar numa escola cristã, porque Labib é um apelido tradicionalmente cristão no Egipto", disse Ragi.

O caso expôs o paradoxo da Constituição Egípcia que garante que todos os cidadãos são iguais perante a lei, mas que também afirma que as leis são derivadas da Sharia – a lei islâmica – que apenas reconhece três religiões.

Hossam Bahgat, o director do Egyptian Initiative for Personal Rights, afirma que o caso transcende a pequena comunidade Baha'i no Egipto, e acrescenta que terá um impacto maior na liberdade religiosa. "Este caso definirá os limites do envolvimento do Estado nos assuntos pessoais", afirmou.

"Não temos a certeza do que nos acontecerá se o tribunal tomar uma decisão contra nós", afirmou Anwar Shawki, de 29 anos, que tal como Ragi pertence à quinta geração de Baha’is. "Mas não vamos deixar o Egipto; é o nosso país", disse o empresário que há três que não consegue criar uma empresa de mobiliário devido à falta de documentos bilhete de identidade válido. Teve de registar a empresa em nome de um amigo.

"Até tive que comprar o telemóvel dele, porque ele não tinha os documentos necessários", disse Alaa Al Battah, de 33 anos, que está registado como muçulmano.

Os Baha'is estão no Egipto desde que a sua religião existe – 163 anos.

A fé, que foi fundada no século XIX na Pérsia, promove a ideia de revelação religiosa progressiva, resultando na aceitação da maioria das religiões mundiais.

O Sheikh Ali Gomaa, o grande Mufti do Egipto, nomeado pelo Governo como intérprete da lei islâmica, recusou reconhecer a fé, e disse que todos os baha’is deviam ser registados como muçulmanos nos próximos bilhetes de identidade que substituirão os antigos no próximo ano.

"Apenas existem três religiões no Egipto, e não há espaço para mais ninguém. Os Baha’is, tal como os Muçulmanos, acreditam em todas as três religiões e por isso devem ser registados como Muçulmanos e não como Baha’is". Afirmou a um canal de televisão por satélite.

No tempo do falecido presidente Gamal Abdel Nasser, os Baha’is eram suspeitos de colaborar com Israel, porque a sua mais alta instituição governativa está sediada em Haifa. Em 1960, as assembleias e instituições Baha’is foram dissolvidas.

"Israel foi criado em 1948, e a nossa fé já cá está há muito mais tempo", disse o pai de Ragi, Labib Hanna, professor de engenharia na Universidade do Cairo.

O antigo grande Imam de Al Azhar, a principal instituição de conhecimento do Islão sunita descreveu a fé Baha’i como "uma praga intelectual" que trabalha "em benefício do Sionismo".

Entre 1910 e 2005, foram publicadas cinco fatwas (éditos religiosos – declarando os Baha'is como apóstatas. Em 1946, um mulher foi obrigada a divorciar-se do marido por que ele se tinha convertido à fé Baha’i.

Entre os 12 princípios da fé, onde se incluem a unidade da humanidade, a eliminação de todas as forma de preconceito, a igualdade de géneros e a independente investigação da verdade, está a obediência ao governo que é muito enfatizada no Egipto.

Os Baha’is egípcios não se filiam em partidos políticos, não participam em manifestações, nem realizam eleições para as suas Assembleias Espirituais.

"Não queremos causar problemas; apenas queremos exercer os nossos direitos enquanto cidadãos egípcios", afirmou Hanna.

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Texto original: Test for Egypt religious freedom in Bahai verdict

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Good luck, Mr. Ban Ki-Moon



Today, Mr. Ban Ki-Moon, was sworn in as the 8th Secretary-General of the United Nations. I wish him all success in his new Herculean tasks ahead.

Os meus rapazes

"Tenho lido o teu blog... Parece que andas pouco inspirado... Dantes partilhavas opiniões e diversas histórias; agora estás a viver à base de citações."

Foi um comentário que ouvi e com o qual concordei imediatamente. Na verdade, uma alteração na minha vida profissional e o facto dos meus filhos exigirem cada vez mais tempo e atenção, fazem com que seja menor a minha disponibilidade para “blogar”. Só quando eles estão a dormir é que ligo o computador.

Nesta fase das nossas vidas é mesmo assim: as brincadeiras com eles são mais importantes do que qualquer post. Aliás tem sido interessante notar como o mais velho gosta cada vez mais de brincadeiras com um pouco de agressividade; brincar aos lobos, aos leões, à luta (sempre com cócegas à mistura) tornaram-se hábitos aqui em casa. O mais novo completou um ano; já anda e toma o irmão como referência para tudo; gosta sempre de se juntar às brincadeiras.

Aqui fica uma foto dos dois.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Mulheres e Crianças

"O mundo da humanidade possui duas asas: a masculina e a feminina. Enquanto estas duas asas não forem equivalentes em força, o pássaro não poderá voar. Enquanto as mulheres não atingirem a mesma condição que os homens, enquanto não puderem usufruir da mesma área de actividades, a humanidade não conseguirá realizações extraordinárias."

Um relatório recentemente divulgado pela UNICEF afirma que as crianças em agregados familiares liderados por mulheres estão melhor alimentadas do que as outras. O mesmo Relatório - baseado em inquéritos efectuados em famílias de 30 países - salienta que apenas no sudeste asiático, se as mulheres tivessem igualdade de oportunidades, seria possível reduzir em 13 milhões o número de crianças mal-nutridas.

Para a UNICEF, a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é um requisito para a redução da pobreza e melhoramento das condições de saúde, especialmente das crianças em países sub-desenvolvidos. Além disso, a falta de oportunidades para mulheres nas áreas da educação e emprego tem contribuído para o empobrecimento.

A UNICEF também sustenta que a condição da mulher na família encontra um paralelo no mundo da política; as mulheres estão pouco representadas nos parlamentos de todo o mundo devido a atitudes sociais, baixos níveis de escolaridade e grande carga de trabalho. A presença das mulheres nos governos tem geralmente como resultado políticas e acções centradas nas crianças e nas famílias.

Sobre este relatório, Kofi Annan, afirmou: "Não existe melhor ferramenta para o desenvolvimento do que uma eficiente capacitação das mulheres. A discriminação contra a mulheres, em todas as eras, tem privado as crianças do mundo – todas, e não apenas as meninas – da possibilidade de desenvolverem o seu potencial"

Para a maioria das pessoas no Ocidente, a noção de igualdade de direitos entre homens e mulheres é uma questão de senso comum. Apesar de ser uma vitória recente das nossas sociedades (quantas mulheres ocidentais tinham direito de voto há um século atrás?), poucas pessoas se atreveriam a colocar este direito em causa.

Penso que a maioria dos leitores deste blog acredita que este é um valor universal, e não específico de uma cultura ou sociedade; deveria ser aplicado globalmente, sem qualquer restrição ou reserva. Para mim é mais do que isso: é um princípio sagrado, explicitamente registado entre os valores básicos da religião Bahá'í. E quem é crente sabe que violar um princípio sagrado, é mais grave do que fazer algo contrário ao senso comum: é ir contra a vontade de Deus.

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Relatório da UNICEF: State of the World's Children 2007 - Women and Children [2MB]

sábado, 9 de dezembro de 2006

A Justiça Portuguesa

"A história recente da justiça portuguesa está cheia de episódios de investigações mal conduzidas, de julgamentos travados por questões processuais, de casos em que a condenação do Estado português em instâncias europeias, por denegação de justiça ou lentidão nas decisões, apenas depende da vontade e motivação de quem se sente lesado em avançar com uma queixa, num último e desesperado recurso para encontrar alguma reparação. Aos olhos do cidadão comum, o sistema é visto como as seguradoras: paga-se o serviço, mas o ideal será nunca vir a precisar dele, porque acontece com frequência arranjarem-se mais problemas do que soluções. E, como detalhe que ilustra de forma cabal o estado doentio de todo o sistema, a figura da prescrição é um termo jurídico que goza de vasta popularidade."

João Cândido Silva, Público, 09-Dezembro-2006

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Passará despercebido?

Hoje, no Expresso, há um artigo intitulado "Ségolènes, só à direita" onde se analisam as mulheres da vida política portuguesa e aquelas que têm mais possibilidades de chegar à direita. O artigo é da autoria da jornalista Isabel Oliveira que ouviu a opinião de vários especialistas em Sociologia e Ciências Políticas.

Será que o nome de um dos politólogos citados no artigo vai passar despercebido aos bahá'ís portugueses?

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

O Deus Espírito Puro

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus Espírito Puro", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Se o Deus dos fanáticos tinha o perigo de voltar-se contra todos os outros, o dos privilegiados de encerrá-lo num hotel de cinco estrelas, o espiritual tem o perigo de levar a religião para um campo de sonhos e visões totalmente fictício e que pouco tem a ver com a nossa vida real. Deus não pode ser nunca um fuga para o transcendente, porque na nossa vida o transcendente está dentro de nós próprios (assim como os rins). Mandar Deus para fora do mundo, do Universo que conhecemos, para o Céu, é tão infantil como fechá-lo num amuleto ou pendurá-lo ao peito
  • Quem se deleita com uma imagem de Deus como espírito puríssimo, provavelmente não resolveu muito bem a sua própria relação com o corpo e com a matéria.
  • Tudo o que leve à negligência no esforço para harmonizar a complexidade da realidade, à simplificação do "só espírito", afasta-nos de Deus.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Baha'is e Xiitas

Aqui fica um excerto de um artigo intitulado Who are the Baha'is? e publicado hoje no Persian Journal. A comparação entre a situação dos Baha'is no Irão e a situação dos Xiitas no mundo islâmico sunita pareceu-me particularmente interessante. O autor parece querer dizer aos xiitas iranianos: "Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti!"

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(...)
Fontes governamentais do regime islâmico do Irão, e membros de grupos anti-baha'i no Irão, há muito que acusam os Baha'is de distorcer a religião do Islão. Também afirmam que os Baha'is têm agido como instrumentos de potências estrangeiras no Irão. Claro que, no que toca à primeira acusação, os próprios xiitas são alvo da mesma acusação por parte da maioria dos muçulmanos que é sunita. Muitos sunitas nem sequer aceitam os xiitas como seguidores do Islão.

Sobre a segunda acusação, o aspecto interessante é que os Baha'is têm sido acusados de serem no Irão aliados dos britânicos, dos americanos e até dos russos. A vasta gama de acusações revela a sua inconsistência. A verdadeira razão da hostilidade dos governos islâmicos – especialmente o regime iraniano – contra os baha'is foi explicada por Bernard Lewis, o famoso filósofo, que disse : "... a piedade muçulmana e as autoridades islâmicas sempre tiveram grande dificuldade em acomodar religiões monoteístas pós-islâmicas como os Baha'is... a sua própria existência representa um desafio à doutrina islâmica da perfeição e término da revelação de Maomé".

Também no mesmo contexto, um relatório do departamento de Estado norte-americano de 2004 afirmava: "Os Baha'is são considerados apóstatas porque afirmam possuir uma revelação divina posterior à do Profeta Maomé. O Governo definiu a fé Baha'i como uma seita política ligada à monarquia Palevi e, consequentemente, contra-revolucionária. Historicamente em risco, os Baha'is têm cada vez maior opressão nos momentos de instabilidade política. Os Baha'is não ensinam nem praticam a sua fé, nem mantêm contactos com correligionários no exterior. O Governo continua a deter e encarcerar Baha'is devido às suas convicções religiosas. Um relatório de 2001 do Ministério da Justiça indicava que a política do governo se devia orientar para a eliminação dos Baha'is enquanto comunidade".

É interessante notar que os xiitas de uma forma geral têm a mesma situação no mundo islâmico que os Baha'is têm sob o regime islâmico do Irão. O regime ideológico islâmico está refém de certos princípios que considera ser a verdadeira interpretação do Islão. Esta interpretação é apenas uma de muitas interpretações do Islão (e estas, no espectro político, podem ir da extrema-esquerda até à extrema-direita) e existe uma grande número de apoiantes de outras interpretações que não aprovam - e até odeiam - os xiitas.

O regime islâmico do Irão tem um ódio especial pelos baha'is. Mas este não é um sentimento recente; pelo contrário, tem uma história maior do que o actual regime iraniano. Não são verdadeiramente importantes as afirmações dos Baha'is sobre a sua religião e sobre o rumo da história estar certo ou errado. A validade destas afirmações é igual à de outras afirmações de outras religiões e seus ramos. A resposta do regime iraniano e de todos aqueles que perseguem os Baha'is no Irão devido às suas convicções religiosas tem sido sempre uma violação de direitos humanos e deve ser condenada como tal. Aqueles iranianos sentem um tipo de hostilidade sem fundamento em relação aos Baha'is e aqueles que pensam que os Baha'is são uma desgraça para o Islão xiita deviam parar e pensar na situação dos xiitas no mundo islâmico. 90% dos Muçulmanos (sunitas) pensa exactamente a mesma coisa dos xiitas.

O povo do Irão deve saber que as "matanças de baha'is" (assassinato de homens, mulheres e crianças baha'is), sob a orientação e ordens dos Mullahs do Irão, enquanto um forma de genocídio silencioso, foi um dos mais negros capítulos da história iraniana. Os iranianos devem condenar esses crimes hediondos, expressar o seu pesar e preparar-se para pedir desculpa.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Histórias de família

Há histórias de família que são quase uma tradição. São sempre relembradas em certas datas especiais. Como aquela em que a minha mãe começou a sentir as contracções com cada vez mais intensidade e pediu ao meu pai para ir para o hospital. Ao que ele respondeu que ainda tinha de ir à Junta de Freguesia tratar de uns papeis.

Foi há 43 anos.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Egipto: mais um adiamento

Mais uma sessão do Supremo Tribunal Administrativo no Cairo e... mais um adiamento da decisão sobre os direitos cívicos dos Bahá’ís no Egipto. Desta vez a decisão foi adiada para o próximo dia 16 de Dezembro.

Nesta sessão não se repetiram as cenas caóticas (gritarias e interrupções) da sessão anterior. Hoje os juizes receberam um memorando do advogado que representa o casal bahá’í - o Dr. Labib Moawad (na foto) -, enquanto estes recusavam um pedido dos advogados do Governo que instava o tribunal a tomar uma decisão ainda hoje.

Enfim... continuamos a aguardar.

Mãos da Causa

Alguns dos primeiros bahá’ís que mais se destacaram na divulgação da religião fundada por Bahá'u'lláh receberam o título de “Mãos da Causa”. Alguns deixaram escritos alguns livros que durante as últimas décadas se tornaram uma espécie de referência par muitos crentes; sobre outros ficaram registos de episódios curiosos (por vezes fascinantes!) que foram acontecendo ao longo das suas vidas.

Este pequeno vídeo é um excerto de um DVD dedicado às “Mãos da Causa”. Contem pequenos filmes de apresentações feitas por William Sears, Dorothy Baker e Leroy C. Ioas. Os filmes datam de 1944.