segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Direitos Humanos (6)

Liberdade de Consciência e de Expressão

A Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama que "Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião" (artigo 18º) e acrescenta que "Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão" (artigo 19º). Este último artigo foi consubstanciado num tratado internacional - a Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos - assinado por 150 países.

Em 1993, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos proclamou que o Artigo 18 era uma obrigação legal para todos os Estados signatários da Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. E sobre este artigo, acrescentou ainda:
O Artigo 18º distingue a liberdade de pensamento, consciência, religião e crença da liberdade de manifestar religião ou crença. Não permite qualquer limitações sobre a liberdade de pensamento ou consciência ou sobre a liberdade de adoptar a religião ou crença da escolha do indivíduo. Estas liberdades são protegidas incondicionalmente.
De forma abreviada, podemos dizer que a liberdade de pensamento (também chamada liberdade de consciência) consiste no direito de uma pessoa poder ter uma opinião ou perspectiva pessoal sobre qualquer assunto, independentemente das opiniões ou perspectivas de outras pessoas ou entidades. A liberdade de expressão consiste no direito a exprimir uma opinião, sem receio de punição ou censura.

A capacidade de pensar e de expressar as nossas opiniões torna-nos verdadeiramente humanos; negar a liberdade para pensar e/ou falar é negar a essência de um indivíduo e castrar o seu potencial.

Speakers' Corner, em Londres.Um símbolo da liberdade de expressão no Reino Unido.

Os livros de história referem que o primeiro apelo a favor da liberdade de expressão foi feito em Abril de 1523, por Thomas More no Parlamento Inglês perante o rei Henrique VIII. Hoje, em muitos países do mundo(em particular os do Ocidente), a liberdade de consciência e liberdade de expressão podem parecer dados garantidos. É algo tão natural como o ar que respiramos. De tal forma que por vezes nos esquecemos que houve quem morresse a defender esta liberdade.

A garantia da liberdade de expressão foi uma das preocupações que norteou a Primeira Emenda à Constituição dos EUA, onde se proclamava que as leis não devem interferir com a religião ou com o exercício desta. Hoje praticamente todas as constituições dos países democráticos possuem cláusulas semelhantes; na Constituição Portuguesa esse direito é garantido pelo artigo 37º e na Constituição Brasileira esse direito é garantido pelos artigos 5º, 139º, 206º e 220º. Também a Convenção Europeia dos Direitos Humanos garante estas duas liberdades nos artigos 9º e 10º.

SUPRESSÃO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A maioria das nações do mundo possui leis que defendem a liberdade de consciência e a liberdade, mas a sua forma de aplicação varia muito de país para país. Em países com regimes totalitários existe censura governamental, enquanto que nas democracias se encontra por vezes uma censura mais subtil.

Maio de 1933. Queima de livros com ideias "não-alemãs"
organizada pelo partido nazi.

Exemplos recentes de ataques à liberdade de expressão encontram-se na fogueiras de livros proibidos durante o regime nazi e no radicalismo anti-intelectual dos khmeres vermelhos, no Cambodja. A Constituição da União Soviética garantia a liberdade de expressão (artigo 52º), mas essa liberdade podia ser suspensa se o seu exercício não estivesse de acordo com as políticas do partido. Vários exemplos de censura também estão bem presentes na memória de portugueses e brasileiros que viveram sob regimes ditatoriais nos seus países.

Em países com regimes democráticos, a preocupação com o “politicamente correcto”, tem sido considerada como uma forma de limitar a liberdade de expressão, sem a interferências institucionais; surge quando as opiniões da maioria se tornam tão vastamente aceites que quaisquer outras opiniões são reprimidas. Também nos países democráticos, as leis anti-difamação, contra a obscenidade e contra os discursos de ódio são por vezes consideradas formas de censura.

A PERSPECTIVA BAHÁ'Í

Qualquer tentativa para controlar a liberdade de pensamento depara-se com o obstáculo natural: como saber o que pensa o outro. Nas escrituras das religiões encontramos algumas frases que sugerem que esse esforço de tentar controlar o pensamento dos outros é tão fútil quanto o esforço de tentar controlar a morte (Eclesiastes 8:8). E no entanto, a história das religiões mostra muitos lideres religiosos cederam a tentação de censurar e reprimir os crentes que pensavam de forma diferente.

A defesa da liberdade de expressão é perceptível nas epístolas de Bahá'u'lláh aos Reis e Governantes do Seu tempo. Por exemplo, na Epístola ao Xá Nasiri'd-Din[1], Bahá'u'lláh defende a liberdade religiosa e a igualdade de direitos para todos os cidadãos, e simultaneamente exige que o Estado mostre justiça e imparcialidade em todos os assuntos. Esta concepção de poder civil contrasta com a perspectiva que o clero islâmico tinha naquele tempo, que considerava justo um Estado que discriminava os não-muçulmanos e perseguia aqueles que fossem considerados hereges ou apóstatas. Segundo Bahá'u'lláh, implementar a lei de Deus consiste simplesmente em aplicar a justiça [2].

Note-se que a ideia de “todos os súbditos devem ser iguais aos olhos do soberano” é comum nas ideias de Lutero, Hobbes, Locke e Rosseau; é um dos conceitos essenciais na origem do pensamento político moderno e não tem paralelo no mundo antigo. A jurisprudência islâmica clássica também não reconhecia esta igualdade de direitos; deste modo, Bahá'u'lláh afirmava algo novo na sociedade onde vivia, tal como pensadores ocidentais tinham feito anteriormente.

Também 'Abdu'l-Bahá, em 1912 durante a sua viagem aos Estados Unidos afirmou numa palestra:
Toda a religião e todo o sentimento religioso deve poder expressar-se livremente. Tal como no mundo da política existe necessidade de liberdade de pensamento, também no mundo da religião deve existir o direito de crença individual sem restrições. Considerai como é vasta a diferença entre as democracias modernas e as antigas formas de despotismo. Sob um governo autocrático, as opiniões dos homens não são livres e o desenvolvimento é asfixiado, enquanto que na democracia, devido à não restrição do pensamento e da opinião, testemunha-se um maior progresso. É igualmente verdade no mundo da religião. Quando a liberdade de consciência, liberdade de pensamento e direito à opinião prevalecem - o que significa dizer, quando todo o homem de acordo com a sua idealização pode dar expressão às suas crenças - o desenvolvimento e o crescimento são inevitáveis.[3]
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NOTAS
[1] - Ver também este post.
[2] - Epístola Law-i-Sultan
[3] - The Promulgation of Universal Peace, p. 197, discurso em Junho de 1912, numa Igreja em Nova Iorque

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Les pratiques religieuses occultes au Maroc

Le code pénal marocain est sévère à l’égard de « quiconque qui emploie des moyens de séduction dans le but d’ébranler la foi d’un musulman ou de le convertir à une autre religion » (NDLR : autre que l’Islam qui est religion d’Etat au Maroc selon la Constitution). Concrètement, la prédication pour la propagation d’autres religions est sanctionnée d’une peine pouvant atteindre jusqu’à trois ans de prison.

Les adeptes d’autres courants religieux, même quand ceux-ci relèvent de l’Islam, peuvent tomber sous le coup de la loi. Pourtant, le code pénal ne précise pas explicitement les restrictions. DANS la pratique, la société marocaine, en majorité malékite, ne tolère pas le chiisme, le bahaïsme... Pourtant, il y a bien des Marocains qui pratiquent les prescriptions religieuses de ces courants. Leur nombre ne pourra pas, voire jamais, être connu avec précision. La peur de la loi et de la société les poussent à la clandestinité religieuse. Que dire alors de ceux parmi les musulmans Marocains qui ont choisi de « renier leur foi » et de se convertir au christianisme ? Autant ces néo-chrétiens sont accueillis à bras ouvert par des évangélistes qui s’activent, en catimini, au Maroc ; autant ils deviennent (quand ils révèlent leur nouvelle croyance) des parias aux yeux de leurs ex-coreligionnaires. Ce dossier met la lumière sur les Marocains qui se convertissent au chiisme ou carrément à d’autres religions. Il sort de l’ombre des ex-musulmans devenus des bahaïstes ou des néo-évangélistes. Il analyse les méthodes des évangélistes venus d’ailleurs...

(...)

Les bahaïstes sont parmi nous

Peu de Marocains sont au courant de l’existence d’une communauté bahaïste au Maroc. Pourtant, les adeptes de cette religion qui bénéficient de la protection des autorités américaines, via son rapport annuel sur la liberté de culte dans le monde, sont recensés. Il serait plus de 400 pratiquants établis dans les différentes régions du Royaume.

Selon l’édition 2006 du rapport annuel américain sur la liberté de culte, environ 400 bahaïstes font partie des communautés religieuses recensées au Maroc. C’est le 8ème rapport annuel sur la liberté de culte émis par le secrétariat d’Etat américain aux Affaires étrangères qui donne donc cette précision. Le document couvre la période allant de juillet 2005 à juillet 2006. Il précise que ces bahaïstes évitent d’énoncer leurs croyances considérées comme de l’athéisme dans la société musulmane marocaine ou du reniement de la foi.

Autant le code pénal que la tradition islamique nationale appellent à une peine sévère pour réprimer la conversion d’un musulman à une autre religion. Et toute tentative de conversion d’un musulman est illégale.

Ces interdictions n’empêchent pas les bahaïstes à accéder à d’importantes fonctions publiques, précise le même document, dont les rédacteurs indiquent qu’ils n’ont pas été empêchés d’aller à la rencontre de ces personnes et d’autres individus pour effectuer leur enquête de terrain.

La religion bahaï, plus connue sous le nom de bahaïsme, a été fondée en 1863. Son nom provient de son fondateur : Baha Allah. Les adeptes de cette foi, s’organisent autour de plus de 100.000 centres répartis dans le monde entier. Les écrits sont publiés dans plus de 800 langues différentes. Le nombre de ces adeptes, répandus dans 193 pays, est estimé aujourd’hui à près de 7 millions.

La foi Bahaie est résumée par le concept des trois unités : unité de Dieu, unité de la religion, unité de l’humanité. Les écrits Bahaïstes mettent l’accent sur l’égalité essentielle des êtres humains, et sur l’abolition des injustices. L’humanité est vue comme unique, bien que très variée : « la diversité des races et des cultures sont dignes d’appréciation et de tolérance ». Le racisme, le nationalisme, les castes et les classes sociales sont considérées comme « des barrières à l’unité de l’humanité ». Leurs enseignements préconisent « l’unification de l’humanité ».

Les croyances Bahaïstes sont décrites comme des combinaisons des croyances antérieures. Cependant, les adeptes cette religion suivent une tradition distincte, qui dispose de ses propres écritures, enseignements, lois et histoire.

Cette religion a fait parlée d’elle pour la première fois au Maroc en 1962 lors d’un procès où ont été poursuivis 14 bahaïstes. Ils avaient étaient condamnés en appel par la cour pénale de Nador à la peine de mort, peine qui a été cassée par la cour suprême. Depuis, les adeptes bahaïstes marocains agissent en catimini.

(...)

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Fonte:
Chiites, Bahaïstes, Évangélistes : Les pratiques religieuses occultes au Maroc (BLADI.NET) (link alternativo aqui)

Zeca Afonso

Zeca Afonso faleceu há vinte anos.



Venham mais cinco

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Washington Post: Bahá’ís do Egipto lutam pelo reconhecimento

Aqui fica a tradução(um pouco apressada) do artigo ontem publicado no Washington Post (Baha'is in Egypt fight for recognition as people; também aqui). O texto é de autoria de Cynthia Johnston, da agência Reuters. Os sombreados a amarelo são da minha responsabilidade.
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Se o dentista egípcio Raouf Hindy negasse a sua fé Bahá'í, poderia obter documentos de identificação para os seus filhos necessários para a matricula nas escolas egípcias, poderia conduzir um carro ou abrir uma conta bancária.

Mas Hindy insistiu em dizer a verdade.

A sua decisão levou-o à linha da frente de uma batalha legal sobre as políticas de identificação do Egipto para os bahá’ís, que são vistos como heréticos por muitos muçulmanos, e cuja fé não é reconhecida pelo Estado.

Hindy está a processar o Governo pelo direito de omitir a religião das suas crianças em documentos de identificação oficiais - um acto corajoso neste país profundamente religioso e de maioria muçulmana onde a pequena comunidade Bahá’í deve ter entre 500 e 2000 membros.

Se ele ganhar, os advogados afirma que o caso criará um precedente que ajudará outros bahá’ís a obter documentos de identificação, largamente negados desde 2004. A discriminação contra os Bahá’ís está entrincheirada na burocracia, afirmam.

"Não gosto que uma pessoa qualquer me obrigue a escrever uma religião em que eu não acredito. Sabem porquê? A religião está entre o coração e Deus", afirmou Hindy à Reuters.

A Constituição egípcia garante liberdade religiosa, mas na prática os funcionários estão relutantes em reconhecer outras religiões para além do Islão, Cristianismo e Judaísmo.

Activistas dos direitos [civis] afirmam que os Bahá’ís enfrentam perseguições sistemáticas no Egipto. As regras aplicadas rigidamente desde que o Egipto informatizou o sistema de identificação exigem que os documentos oficiais das pessoas contenham a filiação religiosa, e que esta seja escolhida de entre as três fés reconhecidas.

Assim, Emad e Nancy, os filhos gémeos de Hindy, sem documentos apropriados têm caído numa subclasse de pessoas não reconhecidas, cuja identidade o Egipto considera perturbadora.

"Se esta política continuar, os Bahá’ís serão cidadãos de quinta-categoria, ou até não-cidadãos, no seu próprio país", afirmou Diane Ali, a Representante Bahá'í junto das Nações Unidas.

Hindy delapidou as suas poupanças para que os seus filhos, que são cidadãos Egípcios nascido em Oman quando ele trabalhava no Golfo, pudessem estudar no estrangeiro. As escolas egípcias, incluindo as privadas, recusam-se a admiti-los. O Egipto recusa-se a reconhecer as suas certidões de nascimento porque estas identificam os gémeos como bahá’ís.

A SUBCLASSE BAHÁ’Í

Como resultado das novas regras, nos anos recentes a vida tem ficado cada vez mais difícil para os Bahá’ís.

A fé Bahá’í, que teve origem no Irão, chegou ao Egipto em 1860, quando comerciantes bahá’ís se estabeleceram em Alexandria e no Cairo, de acordo com o site oficial bahá’í, http://www.bahai.org.

Um século mais tarde a comunidade abarcava 5000 pessoas, a maior no mundo árabe. Os bahá’ís egípcios tinham as suas próprias bibliotecas e cemitérios. Segundo a comunidade, as assembleias bahá’ís governantes funcionavam em sete cidades.

Em 1960, o Egipto dissolveu as instituições Bahá’ís e confiscou os bens da comunidade. Um terreno nas margens do Nilo comprado para construir uma casa de adoração foi vendido em hasta pública.

Os bahá'ís são por vezes vistos no mundo árabe como cidadãos desleais porque a fé tem o seu centro mundial naquilo que é hoje Israel. Após a guerra de 1967 no Médio Oriente, afirma a comunidade, alguns bahá’ís egípcios foram presos em campos de detenção durante seis meses. Seguiram-se algumas detenções esporádicas.

Muitos analistas afirmam que uma razão mais provável do sentimento anti-bahá’í no Egipto está nas diferenças teológicas com o Islão. Os bahá’ís consideram o fundador da fé, Bahá'u'lláh, como o mais recente de uma linha de profetas que inclui Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé.

Hala Mustafa, editor da revista al-Ahram Quarterly Democracy, afirmou que as novas restrições foram impostas pois o Egipto está a tornar-se conservador no aspecto religioso, e acrescentou que não há indícios de que o Governo venha a alterar em breve a sua visão sobre os Bahá’ís.

O porta-voz do Ministério do Interior afirmou: "As regras que foram publicadas sobre este assunto dizem que não devem ser emitidos documentos de identidade para esta religião bahá'í. Isto significa que é proibido. É uma decisão do tribunal; não é nossa. Nós apenas estamos a implementá-la."

Os muçulmanos ortodoxos consideram os bahá’ís como heréticos, pois eles chamam profeta ao fundador da sua religião – um anátema para muçulmanos que acreditam que Maomé foi o Mensageiro final de Deus.

SEM IDENTIDADE

Os bahá’ís dizem que muitos deles evitam sair à noite ou ir a locais onde a polícia possa esteja a fazer identificações, por medo de lhes ser pedido documentos de identidade que eles cada vez menos podem apresentar.

Os egípcios com 16 anos ou mais devem ter sempre consigo o cartão de identidade. Alguns bahá’ís trazem consigo os agora cartões inválidos emitidos antes de 2004. Outros têm passaportes ou outros documentos que ainda não expiraram e usam-nos.

"Nem sequer tentei obter um [cartão de identidade] porque sabia que não conseguiria... Para quê ir meter-me nesta confusão?" disse Basem Wagdy, um bahá’í do Cairo. "Trago comigo a minha carta de condução. Mesmo antes disto penso que se me mandarem parar apresento-lhe o meu cartão de estudante."

Wagdy, um professor de ciências e matemática, afirma ter sido despedido da Universidade Alemã do Cairo depois de não ter sido capaz de apresentar dados sobre a sua conta bancária - levando a escola a descobrir que ele não tinha cartão de identidade e a rescindir o contrato. Depois disso, conseguiu emprego num liceu americano.

Um funcionário da Universidade Alemã recusou fazer comentários.

Durante alguns meses no ano passado, os bahá’ís tiveram esperanças: após uma luta de dois anos, um tribunal decidiu em Abril que os membros de uma família bahá’í cujos documentos tinham sido confiscados pelo Estado podiam identificar-se como Bahá’ís nos documentos oficiais.

Mas um tribunal superior alterou a decisão em Dezembro numa decisão sobre a qual não pode haver recurso.

Como resultado os bahá’ís mudaram de táctica. Agora já não procuram ser identificados como bahá’ís nos documentos; apenas querem documentos de identidade sem qualquer menção da sua religião.

"É um passo atrás para a comunidade Bahá’í", afirmou Hossam Bahgat, um advogado dos bahá’ís que tem esperanças no caso de Hindy. "Mas será uma solução que permitirá aos bahá’ís realizar as funções básicas do dia a dia".

Peniche (1921)

No Antigamente...

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Templo Bahá’í do Chile: inicia-se o fabrico de componentes

A empresa responsável pela concepção e supervisão da construção do primeiro Templo Bahá'í da América do Sul anunciou que estão concluídos vários ensaios e testes, e que se vai iniciar a produção de componentes para a estrutura. Os testes efectuados foram minuciosos e exaustivos, tendo mostrado que o projecto pode prosseguir sem ajustamentos relevantes

Uma maquete do futuro Templo Bahá'í do Chile

Esta nova etapa dos trabalhos coincidiu com a atribuição de um prémio de arquitectura atribuído pela revista Arquitect nos seus prémios anuais Progressive Architecture. O Templo Bahá'í do Chile é um dos oito projectos que recebeu um prémio nesta competição.

"Para os arquitectos, é um prémio que reconhece desenhos que abrem novos rumos" afirmou Siamak Hariri da empresa Hariri Pontarini Architects of Toronto, a empresa que concebeu o templo e que vai supervisionar a sua construção. Hariri descreve o templo como um “templo de luz”. A estrutura será constituída por nove alabastros translúcidos e “asas” em vidro fosco, que durante o dia permitirão a passagem da luz solar. À noite o templo emitirá uma luminosidade proveniente da sua iluminação interior.

Os bahá'ís designam os seus templos como “Casas de Adoração”. O Templo do Chile será a oitava Casa de Adoração; as restantes encontram-se situados na Índia, Alemanha, Estados Unidos, Austrália, Panamá, Uganda e Samoa. O Templo no Chile, tal como os restantes, será financiado integralmente por contribuições voluntárias de baha’is de todo o mundo. O custo está estimado em 21 milhões de Euros.

Nas escrituras bahá'ís, Bahá'u'lláh descreve as Casas de Adoração como locais de reunião para oração e meditação; além disso os bahá'ís planeiam que estas Casas de Adoração sejam o núcleo central de um conjunto de edifícios onde estejam sediadas instituições humanitárias, sociais, educativas e científicas.

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Notícia fonte: Fabrication begins on components for Baha'i temple in South America (BWNS)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Condenar os bandidos

Quase três anos depois, sentam-se no banco dos réus os acusados pelo maior atentado terrorista em Espanha. São 29, dos quais 18 estão detidos e comparecem no tribunal. Do enorme processo constam 200 provas de ADN que podem contribuir para a descoberta dos responsáveis pelos 191 mortos e 1824 feridos do dia 11 de Março de 2004. Mais do que a retórica, eis uma boa oportunidade para mostrar a superioridade de uma civilização, de uma modelo: julgar rapidamente, com imparcialidade, sem preconceitos e sem ter receio de condenar quem é bandido

Editorial do Expresso, 17 de Fevereiro de 2007

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Até as crianças!

A luta pelos direito cívicos da população negra dos Estado Unidos é hoje tema análises políticas e sociais, romances, filmes e séries de televisão. Aos olhos de um europeu no início do século XXI, parece inacreditável que há algumas décadas atrás, na América, a discriminação da população afro-americana fosse social e legalmente aceite em vários Estados Americanos. No auge dessa luta, Martin Luther King tornou-se figura lendária na luta pela igualdade de direitos cívicos para todos os americanos, independentemente das suas origens étnicas.

Esta luta pelos direitos cívicos nos Estados Unidos parece hoje um pesadelo do passado. Mas noutras partes do globo subsistem situações muito semelhantes. Uma dessas situações que tenho referido regularmente neste blog é a situação dos bahá’ís no Egipto, que se encontram numa situação semelhante à da população negra dos Estados Unidos há algumas décadas atrás. Impedidos de obter documentos de identificação devido a uma lei que os obriga a identificarem-se como muçulmanos, cristãos ou judeus, (o que equivale a obrigar um bahá’í a negar a sua religião!) encontram-se privados dos mais elementares direitos cívicos naquele país.

Crianças de famílias bahá'ís no Egipto.
Nem elas escapam à politica discriminatória do Governo Egípcio.

Um caso particularmente chocante foi recentemente exposto por Bilo, autor do blog Baha’i Faith in Egypt: na cidade de Ismailia (região do canal do Suez) três crianças egípcias encontram-se privadas dos seus direitos mais básicos apenas porque são filhas de pais baha'is. A crianças são Asser (de 5 anos), Sandrella Hany Ahmed Mousa (de 4 anos), e o sua prima Mona Dia el-Deen Ahmed Mousa (de 1 ano).

Os repetidos pedidos para obtenção de certidões de nascimento apenas têm recebido como resposta recusas e humilhações. O Director da Autoridade de Saúde Publica em Ismailia afirmou a um dos progenitores que “teria muito gosto em passar uma certidão de óbito para as crianças, mas nunca passaria uma certidão de nascimento”.

Estas atitudes foram motivo de um protesto junto do Conselho Nacional Egípcio para a Infância e Maternidade, onde se descrevia que esta situação tem impedido as crianças de se inscreverem na escola ou até mesmo de serem vacinadas (e no Egipto os programas de vacinação são controlados pelo Governo). Os motivos apresentados para as sucessivas recusas na obtenção de certidões de nascimento têm sido:
  1. os pais não possuem documento de identidade;
  2. o seu certificado de casamento bahá'í não é reconhecido como válido no Egipto.
Consequentemente, à luz da lei egípcia é como se não existissem.

Para lá do Egipto da "democracia musculada", do Egipto onde germina a “irmandade Muçulmana, do Egipto turístico, este é o Egipto profundo.

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A ler: Three Children: No Birth Certificates -- No Rights

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Meng Zhu



«Todo o homem possui um coração que reage ao intolerável. Suponham que algumas pessoas vêem uma criança prestes a afogar-se num poço: elas terão todas uma reacção de medo e de empatia que não será motivada apenas pelo desejo de se manterem de boas relações com os pais dessa criança, pela vontade de adquirirem uma boa reputação junto dos seus vizinhos e amigos ou pelo incómodo que lhes possam causar os gritos que ela solta.

Parece pois que, sem um coração que se compadeça dos outros, não se é humano; da mesma forma, sem um coração capaz de determinar a vergonha de uma má acção, não se é humano; sem um coração marcado pela humildade e pelo respeito, não se é humano; sem um coração que distinga o verdadeiro do falso, não se é humano.

Um coração que se compadece é o germe do sentido do humano; um coração que reconhece a vergonha é o germe do sentido do justo; um coração capaz da humildade e do respeito é o germe do sentido do religioso; um coração que distingue o verdadeiro do falso é o germen do discernimento. O homem possui nele estes quatro germes, da mesma forma que possui os seus quatro membros.

Porém, possuir estes quatro germes e dizer-se incapaz de os desenvolver é fazer mal a si mesmo. E todo aquele que seja capaz de os desenvolver ao máximo será como o fogo que abrasa ou como a fonte que jorra. Seja ele capaz de os desenvolver e poderá ver-lhe confiados os destinos do mundo; mas se for incapaz, nem mesmo os nomes do seu pai e da sua mãe poderá honrar.»

Meng Zhu, latinizado como Mencius, c.372-c.289 a.n.e. (Livro dos Livros)

(Tradução de Rui Bebiano)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Direitos Humanos (5)

Justiça

A justiça é uma das principais preocupações da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Neste documento proíbe-se a tortura e o tratamento degradante e desumano (artigo 5º), assim como a prisão arbitrária, detenção ou exílio (artigo 9º). Alem disso é frisado que qualquer pessoa acusada de um delito deve ser levada a um tribunal imparcial e independente (artigos 8º e 10º) e deve ser considerada inocente até ser provada a sua culpa (artigo 11º). É também referido o direito de asilo para vítimas de perseguições (artigo 14º).

Na história da aplicação da justiça encontramos dois momentos particularmente importantes: a formalização das leis e a criação de um poder judicial autónomo dos poderes executivo e legislativo.

A existência de leis escritas é uma das mais antigas conquistas da humanidade. Desde cedo as comunidades humanas sentiram a necessidade de definir um conjunto de regras que regulasse os conflitos de interesses. Em qualquer bom livro de História encontramos referências à importância das leis babilónicas (como o Código de Hamurabi) e ao direito romano, que influenciou profundamente os sistemas legais europeus e americano.

A existência de leis escritas só por si, não é uma garantia de justiça imparcial, sobretudo se o poder do estado se encontra concentrado numa única autoridade. Em 1748, Montesquieu apresentou no livro O Espírito das Leis uma série de conceitos inovadores sobre as formas de governo e o exercício da autoridade. Estas influenciaram a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e influenciam ainda hoje o pensamento político moderno. Segundo Montesquieu, a distribuição de poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) por diferentes órgãos do Estado seria uma forma de evitar o arbítrio e a violência.[1]

A existência de um poder judicial independente e não influenciado por outros órgãos do Estado é hoje uma exigência das sociedades modernas. Para estas sociedades, o Poder Judicial é um dos três poderes do Estado e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo com as com as regras constitucionais e leis criadas pelo sistema legislativo num determinado país.

Apesar dos muitos progressos que a aplicação da justiça tem feito em vários países, os media continuam a referir os muitos problemas da justiça um pouco por todo o mundo. Na verdade, basta consultar relatórios de organizações como a Amnistia Internacional[2] ou a Human Rights Watch para percebem quão vastas são as violações dos direitos humanos neste campo: execuções extra-judiciais, desaparecimentos, abusos e impunidade das forças da autoridade, tortura e humilhação de prisioneiros são apenas alguns dos amargos frutos da ausência, ou distorção, da justiça.

Argentinos desaparecidos durante a Ditadura Militar.
As vítimas da "guerra suja" nunca tiveram direito a uma verdadeira justiça.

Geralmente quando se fala de abusos ausência, erros ou deturpação de um sistema judicial, há tendência para pensar em países com regimes totalitários; no entanto, os sistemas judiciais dos regimes democráticos não são imunes a falhas. Em países com regimes democráticos pouco consolidados, ou onde se verificam grandes assimetrias sociais, é com alguma frequência que surgem situações em que a aplicação da lei nem sempre é igual para todos. Mas de uma forma geral, pode-se dizer que a esmagadora maioria dos países democráticos proporciona aos cidadãos um melhor sistema judicial do que os países com regimes totalitários.

A JUSTIÇA NAS ESCRITURAS BAHÁ’ÍS

A justiça é um dos temas mais enfatizados nas escrituras bahá’ís; o próprio Bahá'u'lláh referiu que era a mais amada de todas as coisas a Seu ver era a justiça. Olhando a história da Sua vida percebe-se os motivos da Sua atitude perante este tema. Ele, juntamente com a Sua família e alguns companheiros, foram vítimas de detenção arbitrária e exílio. Também muitos dos Seus primeiros seguidores sentiram na pele as injustiças perpetradas pelos governos Otomano e Persa.

O fundador da religião baha'i considerou particularmente cruel o facto do Governo Otomano O ter exilado, em 1868, de Adrianopolis para a fortaleza de Akká, apenas por motivos religiosos. Na Epístola ao Primeiro Ministro Otomano, escrita logo após a Sua chegada à Palestina, Bahá'u'lláh queixa-se de ter sido vitima de um decreto absolutista e acrescenta que se devia convocar uma assembleia de homens sábios que estudasse e se pronunciasse sobre o caso de forma ficasse claro qual era o crime dos baha'is. Apenas uma assembleia de juízes ou homens sábios podia tomar uma decisão imparcial, insistiu Ele, e através de uma investigação profunda poder-se-ia averiguar a verdade e perceber que crime tinha sido cometido.

Em 1875, no livro O Segredo da Civilização Divina, 'Abdu'l-Bahá critica severamente as detenções e punições arbitrárias. Segundo Ele, na década de 1840 “ouviu-se de muitas fontes que o Governador de Gulpáygán prendeu treze indefesos meirinhos daquela região, todos eles de santa linhagem, todos eles inocentes, e sem julgamento ou qualquer sanção superior, decapitou-os na mesma hora.” O filho de Bahá'u'lláh afirma ainda que as raízes do declínio do Irão estavam na “falta de um sistema de governo adequado, e do despotismo e da autoridade desenfreada dos governadores provinciais e locais”; e acrescenta que “os governadores seleccionavam qualquer vítima que desejassem, mesmo inocente, e descarregavam sobre ela a sua ira e destruíam-na”.

'Abdu'l-Bahá conclui que estas práticas não estão em conformidade com a justiça, nem com lei de Deus. Torna-se claro que as Escrituras Bahá’ís insistem no primado da Lei e proíbem a detenção ou exílio arbitrário de qualquer indivíduo. Estas requerem a prova do delito e o julgamento por um corpo de juízes que analise todos os factos. Os decretos despóticos de um governante não eleito são inaceitáveis como motivo para detenção ou punição de um cidadão. Quanto ao asilo, 'Abdu'l-Bahá encoraja os bahá'ís a acolherem exilados e refugiados vítimas de perseguições.

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NOTAS
[1] - Aristóteles já havia sugerido a separação de poderes no seu livro Política.
[2] - Veja-se por exemplo o Relatório da AI de 2006

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Nas notícias

Subverting violent computer games with religious poetry (ABC Ballarat - Australia)
Zimbabwe: Religion Serves As Source of Fellowship (AllAfrica.com)
Making space for faith (Guardian - UK))
Cameroon: South West - Baha'i Community Celebrates World Religion Day (AllAfrica.com)
Ethiopian giraffe captures children's hearts (BWNS)

La comunidad baha'i denuncia que el Supremo egipcio ha negado el DNI a dos de sus adeptos

MADRID, 13 (EUROPA PRESS) La comunidad baha'i en España denunció hoy que el Tribunal Supremo de El Cairo ha negado a dos cuidadanos egipcios la obtención de sus documentos de identidad a causa de sus creencia religiosas. La religión baha'i no está reconocida en Egipto, un país en el que es obligatorio hacer constar la creencias de cada persona en el carné de identidad.

Según la comunidad, en abril de 2006 una de las oficinas de la administración pública retuvo los pasaportes del matrimonio Rania Enayat Roshdy y Hussam Ezzat Musá, por el hecho de que en él constaban como baha'is.

Ambos denunciaron este hecho ante un juzgado de la ciudad y el juicio resultó favorable a la pareja, ya que los jueces dictaminaron que aunque el Gobierno no reconoce a la religión baha'i --por no ser una de las tres religiones aceptadas por la Constitución, el Islam, el cristianismo y el judaísmo-- no puede negar el derecho a los seguidores de esta religión a obtener sus cédulas de identidad, ni a hacer constar sus creencias en estos documentos.

No obstante, la reacción de los fundamentalistas, especialmente los representantes de los Hermanos Musulmanes en el Parlamento del país, obligó al Gobierno a presentar una apelación ante el Tribunal Administrativo Supremo para reconsiderar la decisión del tribunal de Alejandría.

Tras meses de espera, finalmente el Tribunal Administrativo Supremo dictó que los baha'i pueden obtener sus documentos de identidad si declaran en sus solicitudes unas de las tres religiones reconocidas por el país.

"Al obligar a los baha'is a elegir entre mentir o no tener carné de identidad se está violando los derechos básicos de estas personas, y se atenta contra los principios de la Constitución de Egipto que, aunque sólo reconoce tres religiones (musulmana, judía y cristina), defiende y establece la libertad religiosa", aseguró la comunidad.

Con este fallo, el tribunal declara inválidos todos los carnés de identidad en los que aparezca la palabra "baha'i" en el apartado de religión. De este modo, los 2.000 baha'is que residen en Egipto "se convierten en indocumentados", según la comunidad.

No disponer del documento de identidad en Egipto está considerado un delito, que está castigado con penas de hasta cinco años de prisión. Sin la posesión de ese carné no se puede tener cuenta bancaria, comprar y vender propiedades, beneficiarse de los servicios sanitarios, acceder a un puesto de funcionario ni al sistema educativo, por poner algunos ejemplos.

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Noticia original aqui.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Quem são os católicos franceses?

«Quem são os católicos franceses?», questiona a revista Le Monde de Religions na sua edição de Janeiro/Fevereiro. Duas frases lapidares - apenas um em cada dois franceses se declara católico; apenas um católico em cada dois acredita em Deus - tentam resumir o resultado de uma sondagem realizada no final do ano passado serve de base para uma série de análises sobre o número dos católicos, as suas convicções pessoais, e atitudes face à Igreja.

Entre os números destaca-se o facto de pouco mais de 5º% dos franceses se identificarem com o Catolicismo e se identificarem como católicos. Os chamados católicos praticantes constituem ainda 10% da população francesa, uma percentagem superior à das minorias religiosas (muçulmanos [4%], protestantes[3%], judeus[1%]).

No que toca às convicções, a sondagem também apresenta resultados curiosos. Apenas 52% dos que se identificam como católicos acreditam na existência de Deus; além disso, apenas 18% acreditam num Deus pessoal (um dos fundamentos do Cristianismo) e cerca de 79% acreditam em Deus como uma força ou uma energia. Sinal do afastamento dos crentes em relação à instituição, os católicos franceses afirmam-se favoráveis ao casamento dos padres (81%) e à ordenação de mulheres(79%).

Um outro aspecto interessante da sondagem é o sinal de abertura religiosa dos franceses. 39% dos inquiridos acreditam que todas as religiões têm valor e 50% acredita que existem verdades em todas as religiões. Apenas 7% consideram a religião católica como a única verdadeira.

A comparação com sondagens semelhantes revelam uma realidade inegável: os católicos franceses estão a tornar-se uma minoria da população (apesar de serem a maior comunidade religiosa). Como afirma o editor, Frederic Lenoir, na mentalidade dos franceses, a França já não é um país católico; é um país laico onde o Catolicismo continuará a ser durante bastante tempo a religião mais importante.

Gostaria de ver uma sondagem semelhante realizada em Portugal para podermos igualmente saber quem são os católicos portugueses.

Aqui ficam alguns gráficos explicativos dos resultados da sondagem apresentados pela revista.









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A ler sobre o assunto:
France 'no longer a Catholic country' (Daily Telegraph)
L'Eglise sera vaincue par le libéralisme
La France n’est plus catholique : une bonne nouvelle ?

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Dia de Referendo

Muito interessante a primeira página d'A Bola, num dia em que se realiza um referendo.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Divirtam-se!

Tenham um bom fim de semana e divirtam-se!

Have a nice weekend and have fun!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Rashid's Legacy

O nome Rashid bin Saeed Al Maktoum não diz nada a maioria dos Portugueses. Mas se dissermos que ele foi o Emir do Dubai e que fez daquele Emirado um dos Estados economicamente mais pujantes do Golfo Pérsico (apesar dos lucros do petróleo constituírem apenas 6% do seu Produto Interno Bruto), então ficamos com uma ideia de quem se trata.

Este governante faleceu em Janeiro do ano passado, e alguns meses depois foi publicada no Emirado um livro intitulado "Rashid's Legacy" (The Genesis of the Maktoum Family and the History of Dubai). A obra apresenta a história do Dubai e da família Maktoum; naturalmente, é um livro apreciado no Emirado.


Um pormenor curioso deste livro encontra-se na pagina 451 no início do capítulo 27 onde encontramos a seguinte citação.

"Que não se vanglorie quem ama o seu país, mas antes quem
ama o mundo inteiro. A terra é um só país e humanidade os seus cidadãos.
- Mirzá Husayn 'Ali, lider religioso e escritor"

Mirzá Husayn 'Ali é o nome próprio de Bahá'u'lláh. É surpreendente ver uma citação do fundador da religião bahá’í num livro onde se faz o elogio de uma família governante e de um Estado cuja população é maioritariamente sunita. Recorde-se que o Dubai é um país relativamente tolerante para com as minorias religiosas.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

"Padecemos de atraso"

Dhiyaa Al-Musawi é um intelectual do Bahrain cujas opiniões sobre o extremismo islâmico apenas podem despertar a nossa admiração e aplauso. Numa entrevista à Abu Dhabi TV em Dezembro (ver aqui com legendas em inglês), este autor deixou uma mensagem muito clara às sociedades árabes: "Padecemos de atraso". Nessa mesma entrevista, Al-Musawi defende um humanismo tolerante do Islão em relação ao resto do mundo, e condena a lavagem ao cérebro a que tantos jovens muçulmanos são sujeitos com o objectivo de se tornarem bombas humanas.

Alguns excertos da entrevista:
... Não nos desenvolvemos ao ponto de admitir a derrota. Temos que admitir a nossa derrota cultural. No passado tivemos uma civilização na Andaluzia e noutras partes, mas hoje estamos a regredir – exportamos violência, aterrorizamos países inteiros, ameaçamos a segurança nacional, e muitas outras coisas...

...este problema tem raízes políticas, mas quem paga o preço? O país, a sociedade, a sociedade civil, e o jovem a quem é dito que tem virgens de olhos negros que o aguardam às portas do paraíso, e que tudo o que ele tem a fazer é explodir-se. Ele pode fazer explodir a sua família e filhos para obter as virgens do paraíso. Esta é a linguagem e a cultura da morte. Não nascemos neste mundo para morrer desta maneira. A beleza do homem está vida a favor da sua terra, e não em morrer matando outras pessoas...

Em minha casa, tenho uma imagem de Jesus, e sempre que olho para esta imagem, palavras de paz e amor abrem-se perante mim. Foi Jesus que disse: “Ama os teus inimigos, abençoa os que te amaldiçoam” Necessitamos esta linguagem de beleza na nossa sociedade. Também tenho uma imagem de Gandhi, que considero uma pessoa magnifica, e cuja [imagem] devia estar plantada nas mentes dos nossos jovens...

Alguns de nós dizem: "Que Deus amaldiçoe os Judeus e os Cristãos, descendentes de macacos e porcos". Isto é a linguagem do progresso? Isto é a linguagem do esclarecimento e da tolerância? Se você tivesse nascido em Roma, seria cristão, Se tivesse nascido em Teerão seria xiita, se tivesse nascido na Arábia Saudita seria sunita e assim por diante. Como seria maravilhoso se todas estas pessoas se unissem em amor em torno da mesa da humanidade...

Penso que se o Islão tivesse mais pessoas como o Dr. Dhiyaa Al-Musawi e menos radicais, a sua imagem no Ocidente seria tão popular quanto a do Budismo.

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A ler:
Transcrição completa da entrevista: An interview with Bahraini intellectual Dhiyaa Al-Musawi

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Bahá'í Jokes

A new blog!



NOTE: I hope every Bahá'í Blogger contributes to this blog!

Aborto: sim ou não

Recebido hoje por email:
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Quando se implementa uma solução para um problema, deve-se ter em atenção duas coisas, primeiro, se essa solução resolve realmente o problema (como é obvio), e segundo se essa solução não cria outros problemas que antes não existiam.
Quanto ao primeiro ponto, visto que 25% dos abortos são feitos após as 10 semanas, esta lei não ira resolver a situação destas pessoas, isto é continuarão a haver abortos clandestinos, o sim é uma solução para alguns, mas não é para todos.
Quanto ao segundo ponto, nos países europeus ditos "desenvolvidos" o numero de abortos disparou depois da legalização, muitos desses abortos são feitos não por pura necessidade económica, não por desespero ou ultimo recurso, mas sim por pura conveniência, isto é, mulheres que podiam perfeitamente ter o filho sem qualquer problema económico ou social grave , e que noutras circunstancias não abortariam, passam -graças a despenalização- a abortar, a despenalização passa assim a ser como uma espécie de contraceptivo. Quem achar que o aborto é algo "errado" não pode votar "sim" neste referendo, este não só é uma solução incompleta como também cria um cenário que não é moralmente aceitável. O voto no "não" por seu lado vai permitir explorar alternativas melhores e possivelmente sem criar os cenários que existem hoje ou que poderão ser criados caso o "sim ganhe". voto não. :)

abraço,
I.M.
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Recebido pouco depois:

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Amigo I.M.,

Limita-te a explicar as razões porque vais votar «Não» e não tentes condenar os que votam «Sim». Arranja-me uma pessoa que aplauda o aborto e eu calo-me.

Com cumprimentos,

PM

PS: A não existência de campanhas eleitorais na Religião Bahá'í também serve para estes casos.

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Pois é. Até entre os baha’is o tema é fracturante...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Direitos Humanos (4)

Escravatura
Artigo 4° - Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
A escravatura e o trabalho escravo são hoje considerados como actos profundamente ultrajantes para um ser humano; representam o fim definitivo da dignidade humana. Mas ao longo da história da humanidade foi uma prática comum, permitida nas Escrituras da maioria das religiões mundiais, incluindo o Cristianismo e o Islão (apesar do Alcorão considerar a emancipação de escravos como uma boa acção).


Anúncio da TV Brasileira sobre a Escravidão

A abolição da escravatura é relativamente recente na história da humanidade. Em 1807, a Grã Bretanha aboliu esta prática (em 1834 essa abolição estendeu-se a todo o Império Britânico). Seguiram-se os Estados Unidos em 1808, apesar de muitas pessoas ainda terem permanecido em condição de escravatura de pois dessa data. A França emancipou os escravos em 1848 e a Holanda em 1863. Em Portugal, a escravatura foi abolida no Continente e nas Ilhas do Atlântico em 1761 e nas colónias africanas em 1869. No Brasil, apesar da publicação da Lei do Ventre Livre em 1871 (que declarava livres os filhos nascidos dos escravos), foi só em 1888 que a escravatura foi abolida com a publicação da Lei Áurea.

Ironicamente, nem a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão nem a Bill of Rights - aqueles documentos precursores da Declaração Universal dos Direitos Humanos - proíbem a escravatura; os autores desses documentos consideravam que os direitos de cidadania se atribuíam apenas a homens brancos com propriedades.

No Médio Oriente, uma parte significativa da elite muçulmana estava convencida que o Alcorão e a lei islâmica permitiam a escravatura e mostraram-se contrários à sua abolição. O Império Otomano fez várias tentativas para pôr fim ao comércio de escravos durante o Séc. XIX; tal como nos Estados Unidos essas tentativas não se traduziram na imediata alforria dos escravos.

Na Sua Epístola à Rainha Vitória, Bahá'u'lláh elogia a monarca britânica por ter proibido o comércio de escravos: “Fomos informados de que tu proibiste o tráfico de escravos, tanto de homens como de mulheres. Isso, em verdade, é o que Deus ordenou nesta Revelação maravilhosa. Deus, em verdade, destinou-te uma recompensa por isso.” Também no Kitab-i-Aqdas (o livro mais sagrado da religião Baha’i) Ele escreveu: “É-vos proibido o tráfico de escravos, sejam homens ou mulheres. Não cabe a quem é, ele próprio, um servo comprar outro dos servos de Deus, e isso foi proibido na Sua Sagrada Epístola.

Hoje em dia somos por vezes confrontados com notícias de “escravatura moderna”. Na Europa estas situações estão associadas ao tráfico de seres humanos e à emigração ilegal. E um pouco por todo o mundo a escravatura ainda subsiste: “as meninas prostitutas na Tailândia, os escravos nascidos sob o controlo dos «mouros brancos» da Mauritânia, não raras vezes mineiros de carvão no Brasil, prisioneiros de guerra na Birmânia, cortadores de cana de açúcar no Haiti, trabalhadores rurais no Paquistão, ou crianças cujas mãos delicadas tecem magníficas tapeçarias orientais, vendidas, no Ocidente, ao preço da chuva pelas cadeias internacionais”.

Um filme promocional das Nações Unidas
contra o tráfico de Seres Humanos

Segundo o Departamento de Estado Norte-Americano, todos os anos, entre 600 mil e 800 mil pessoas são objecto de tráfico. Destas, 80% são mulheres e crianças obrigadas a entrar no mercado sexo. Segundo o Conselho da Europa, o tráfico de seres humanos movimenta anualmente cerca de trinta e dois mil milhões de Euros. De acordo com a Anti-Slavery International, existirão actualmente mais de 27 milhões de mulheres, homens e crianças a trabalhar sem remuneração, privados de liberdade individual e sob a ameaça de violência.

Estes factos sobre a “escravatura moderna” apenas nos lembram que a escravatura não é um pesadelo da história da humanidade; é um problema actual que viola os direitos humanos. Não há motivos para abrandar a vigilância sobre este problema.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Sinal dos tempos



As evidências apresentadas pelo Painel Inter-Governamental sobre Alterações Climáticas apontando para a responsabilidade humana nas alterações climáticas e perturbações ambientais a que temos assistido nos últimos anos levaram o Finantial Times a escrever no editorial:

“Este é um desafio global, tremendo e a longo prazo, que envolve questões difíceis de justiça ao longo de várias gerações. A capacidade da humanidade para responder é um teste à sua capacidade para gerir as consequências das suas próprias acções. Até agora tem falhado. Não pode dar-se ao luxo de continuar a fazê-lo”

Mais do que um grito de alerta, esta frase parece um apelo à unidade da humanidade. Um sinal dos tempos.

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Sobre o assunto:
Humans blamed for climate change (BBC)
We need a clear and predictable price for carbon (FT)

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Bueno

Tenia muchas ganas de marcar gol...



Carlos Bueno, avançado uruguaio do Sporting, autor de 4 dos 5 golos marcados hoje ao Nacional

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Propaganda anti-Bahá'í, no Irão



Esta é uma foto é reveladora da natureza do regime iraniano e do tipo de coisas que os baha’is do Irão têm de enfrentar constantemente: uma máquina de propaganda em grande escala, bem financiada e organizada, cujo objectivo é distorcer os ensinamentos da religião baha’i e envenenar as mentes da população contra esta minoria religiosa.

À porta de uma Mesquita, num stand de livros, uma faixa verde coom palavras em persa proclama: "Que a paz esteja sobre o Mahdi, aquele que rejuvenesceu o Islão puro". E anuncia-se a oferta de livros para reconhecer a "Maldosa Seita Baha’i". É um exemplo da campanha anti-baha’i que grassa pelo Irão.

Hoje é significativo o número de iranianos que percebem que isto é uma campanha sem qualquer fundamento; muitos têm amigos ou familiares que são bahá'ís e percebem que esta é apenas uma campanha de desinformação destinada a desviar a atenção da população dos graves problemas económicos e sociais com que o Irão se depara. Entretanto, as minorias religiosas do Irão - e em especial os Bahá'ís - continuam indefesos perante as discriminações e perseguições.

Fonte: Iranian.com

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Filatelia

Ainda a propósito do selo dedicado ao Dia Mundial das Religiões publicado pelos Correios do Congo, aqui fica outro selo publicado no Sri Lanka para assinalar a mesma data.



A página Bahá'í Stamps contém imagens de selos publicados em diversos países com vários motivos bahá’ís.