sábado, 31 de março de 2007

James D. Watson

James D. Watson, o cientista que há 50 anos atrás descobriu a estrutura da molécula de ADN, e que é também membro do Conselho Científico da Fundação Champalimaud, esteve em Portugal . Numa interessante entrevista ao jornal Público, tenho que destacar algumas das suas frases:

* * * * * * * * *

(...)
Os cientistas já percorreram 80 por cento do caminho na compreensão do cancro. Os próximos dez anos serão cruciais na aplicação dos conhecimentos que temos para curá-lo.
(...)
Também resolveremos o clássico problema do inato versus adquirido. Os portugueses falam mais alto e são mais expressivos do que os suecos. Esta personalidade dos portugueses está nos genes ou é cultural? É do tempo, do sol, ou está nos genes? Será que alguém teve sucesso na carreira por ter tido uma boa educação e pais bons ou porque possui bons genes? Não sabemos. Desde sempre que as pessoas falam do facto de sermos diferentes. Ao olharmos para gémeos idênticos criados separadamente, começámos a ter uma ideia da componente genética de um dado traço. Agora podemos descobrir se as causas são genéticas. Daqui a dez anos seremos capazes de dar uma resposta.
(...)
Toda a gente está fascinada com o cérebro, é a grande fronteira. Não sabemos como a informação é armazenada no cérebro, que comportamentos são herdados ou como é que os genes levam à organização do cérebro. O século XX foi o da junção entre a química e a biologia. O século XXI será o da junção entre a psicologia e a biologia.
(...)
A molécula de ADN é como um deus?
No sentido em que controla e determina o futuro, sim. Mas é o ADN que determina o futuro e não um potencial Deus. Essas são as minhas crenças. Não acredito num Deus pessoal que interfere com as nossas vidas. Não acredito que a oração ajude.

* * * * * * * * *

COMENTÁRIO: O que mais sobressai na entrevista é o fascínio pela ciência e a convicção de que a evolução científica trará benefícios inevitáveis à humanidade. Nessa perspectiva, a sua visão positiva é muito animadora. Quanto a esta última frase, tanto quanto eu julgava saber, o ADN não determina o futuro, mas apenas o condiciona, na medida em que deixa em cada ser humano o registo de um conjunto de aptidões e inaptidões que se podem manifestar (e desenvolver) ao longo da sua vida. No que toca às opiniões sobre Deus, estou em desacordo com o Dr. Watson.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Naw-Ruz em Portimão

Um filme da PortiTV, sobre a festa de Naw-Ruz (Ano-Novo Bahá'í) realizada em Portimão. Estiveram presentes 160 pessoas.


Um vazio de identidade

O texto seguinte apresenta as ideias expostas por José Manuel Fernandes no debate tema “A Religião no Século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Lembro que se tratam de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente tudo o que foi dito pelo director do jornal Público.
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Fui educado na Igreja Católica, mas deixei de acreditar na adolescência. Depois tornei-me ateu, mas com o tempo (com muita reflexão e dúvida) passei a ser apenas uma pessoa sem fé. Culturalmente sou católico, mas não pratico nenhuma religião. Por vezes tenho pena de não ter fé, pois em certas situações ajuda muito, sobretudo quando a razão não chega lá.

Estamos a assistir ao ressurgimento de formas de ateísmo não inspirado por uma ideologia, mas sim como reacção a acontecimentos dos últimos anos.

Vários livros recentes, escritos por ateus radicais, descrevem todas as religiões como estando todas errada, e sendo profundamente más. Einstein é hoje criticado por ter afirmado que a ciência não se aplica a tudo e que há espaço para tudo.

Estes ateus radicais lêem literalmente os textos sagrados e afirmam que, ou se acredita literalmente em tudo, ou então é-se hipócrita. Isto é um sinal de ignorância relativamente ao fenómeno religioso.

Houve muitas guerras com fundamento religioso, mas tinham outras raízes além dessa. As guerras têm a ver com o poder e a mobilização das pessoas. Houve tempos em que a mobilização era feita à custa das religiões ou das ideologias (nacionalismo, racismo, ódios de classe social,etc)

O fim das religiões laicas do século XX criou um vazio que deixou espaço para outros tipos de invocação; também gerou um vazio de identidade. A tentativa de construir um patriotismo europeu é um exemplo das tentativas para preencher esse vazio. A seguir ao 25 de Abril também assistimos a uma sede de identidade política e partidária; hoje isso não se vê.

Não acredito que estejamos a aproximar-nos do “fim da história”, aquele momento em que no mundo haverá apenas democracias liberais.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Medieval Helpdesk

This video makes fun of moderns newbie computer users by illustrating - in a way fully understandable to them - how silly some of their questions are by creating a similar problem in the Middle Ages.

It's from a show called Øystein & Meg (Øystein & I) produced by the Norwegian Broadcasting television channel (NRK) in 2001. The spoken language is Norwegian. It's written by Knut Nærum and performed by Øystein Bache and Rune Gokstad.

O Desafio Ético

O texto seguinte apresenta as ideias expostas pelo Pastor Dimas de Almeida no debate tema “A Religião no Século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Lembro que se tratam de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente tudo o que foi dito por este teólogo presbiteriano, e professor da Universidade Lusófona.
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Podem dizer que pertencemos todos a religiões diferentes, mas não é bem assim. Eu e o Padre Peter Stilwell pertencemos à mesma religião, mas a igrejas diferentes.

Não sei se é boa ideia procurar respostas; talvez seja melhor formular perguntas.

  • O que faz de um judeu um judeu?
  • O que faz de um cristão um cristão?
  • O que faz de um muçulmano um muçulmano?
Parece que estamos confrontados com uma questão de identidade. Se identidade é como se estivéssemos com amnésia, ou sem lar. Todos nós habitamos um mundo, um espaço, uma religião.
  • O que pode legitimar o meu discurso?
  • Que fundamento tem aquilo que eu digo?
  • Falo em nome de quê?
  • O que é a verdade?
Todas as religiões defendem a sua verdade. A minha verdade é sempre maior que a verdade dos outros. Dividimos o mundo numa simplicidade dicotómica. Mas a verdade é maior do que nós. Nenhuma religião tem o monopólio da verdade. Como podemos iniciar um diálogo se partimos do princípio que nós temos a verdade?

Fundamentalismo
Mais importante do que aquilo que o fundamentalismo diz, é a forma como ele diz. Quando se agita um livro sagrado numa manifestação de índole ideológica como se fosse uma arma de arremesso, torna-se claro que é mais importante a forma do que o conteúdo. O fundamentalismo reduz a transcendência à materialidade de um texto.

Eu amo os livros, mas tenho medo do livro que o fundamentalista agita nas suas mãos.

O Desafio Ético
As religiões enfrentam um relativismo ético. Como enfrentar o relativismo sem uma atitude totalitário ou absolutista? Não há espaço entre os dois?

Pode haver um discurso de relatividade (algo diferente de relativismo). O desafio ético de cada um de nós é encontrar a relatividade nas nossas religiões.

Temos de pôr em pé uma ética do futuro; este é o desafio das religiões. A credibilidade e a legitimidade das religiões, assim como das convicções agnósticas e ateístas, ver-se-á na sua capacidade de construir essa ética do futuro.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Naw Ruz... em Ho Chi Min City!

A foto que faltava!


Foto de T.Quynh

Os bahá'ís vietnamitas reuniram-se em Ho Chi Minh City para celebrar o Naw-Ruz, e festejar o reconhecimento oficial da religião Baha'is pelo Governo Vietnamita.

Não conheço o Islão de que falam os extremistas

O texto seguinte apresenta as ideias expostas por Faranaz Keshavjee no debate tema “A Religião no Século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Lembro que se tratam de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente tudo o que foi dito por esta socióloga da Comunidade Ismaeli.
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Desejo um feliz Ano Novo. Estamos a viver um período de renovação espiritual; estamos a celebrar o Naw-Ruz; e também nos aproximamos da Páscoa e do “Pesach”. Neste momento é claramente mais forte o que nos une do que o que nos separa.

Os seres humanos têm necessidade de pensar em termos de bem e mal; também temos necessidade de procurar um motivo para o mal.

Reflecti muito sobre a minha identidade como muçulmana após vários acontecimentos associados ao Islão. Primeiro foi o episódio de Salman Rushdie, e depois na TV quando fui convidada a comentar umas imagens em que crianças muçulmanas eram ensinadas a cometer actos violentos em nome de Deus.

Não acredito que todos os conflitos a que assistimos tenham um cariz religioso.

Não conheço o Islão de que falam os extremistas; mas não posso dizer que eles são, ou não, são muçulmanos. Afirmar que na génese do Islão há um elevado potencial de conflito é desviar a atenção dos verdadeiros problemas do mundo.

Gostaria de perceber o que está por detrás destes comportamentos dos radicais. Não defendo radicais, nem terrorismo. Não percebo gente que se diz muçulmana e mata em nome de Deus. Mas também não percebo quem fala de “Eixo do Mal” e vê o mundo dividido entre Ocidente e “bárbaros”. Não consigo aceitar que os conflitos a que assistimos são de natureza religiosa.

Percebo o que pode levar gente desesperada a cometer actos criminosos. Mas isto não é o Islão que eu conheço.

A religião está a ser aproveitada para justificar atitudes extremistas, mas estas atitudes não estão na génese da religião.

A mim ninguém me convence que em nome do Islão alguém se deve fazer explodir num avião. Há muitas outras maneiras de contribuir para o bem da sociedade, e de uma forma muito mais positiva.

terça-feira, 27 de março de 2007

Além da Britannica, há a Encyclopedia Iranica

Aqui fica a tradução de um artigo divulgado pela Associated Press e publicado em vários jornais e sites um pouco por todo o mundo
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DUBAI, Emirados Árabes Unidos (AP) – Os conceitos cristãos de paraíso e inferno tiveram origem no Irão. O sagrado Talmude judaico está polvilhado de ideias e palavras iranianas. E alguns iranianos amam a cidade israelita de Haifa como um local sagrado.

Estas são algumas das fascinantes pérolas da Encyclopedia Iranica, um projecto que se tem vindo a desenvolver desde 1973, que procura destilar 5000 anos da história, geografia e vida iranianas, em 45 volumes onde se proclama a grandeza do Irão.

Hoje, mais do que em qualquer outra altura, precisamos de manter viva a nossa cultura iraniana”, afirmou o director da Iranica, Ehsan Yarshater, a uma audiência de 350 pessoas, numa sessão de recolha de fundos no mês passado no Dubai. O jantar opíparo, o concerto e o leilão renderam 100.000 USD para um projecto que custará ainda mais 20 milhões de dólares e, pelo menos, mais uma década a concluir.


O Governo Iraniano opõe-se amargamente à enciclopédia, e o governo americano apoia-a. Mais de metade do orçamento da enciclopédia provém das dotações no Americanas para as Humanidades, que a tem financiado como um projecto de grande significado cultural desde 1979 - o mesmo ano em que os estudantes iranianos ocuparam a embaixada iraniana em Teerão.

"Quando estiver concluída será um magnifico presente para os nosso filhos e para as gerações vindouras", afirma Yarshater, um académico iraniano da Universidade de Columbia em Nova Iorque.

A enciclopédia é o trabalho da vida de Yarshater, agora com 86 anos e sofrendo da doença de Parkinson. Iniciou a enciclopédia há 32 anos, pouco depois de ter abandonado o Irão. O projecto ameaça ultrapassá-lo. Outro iranologista de Columbia, Ahmad Ashraf, assumirá a liderança do projecto se Yarshater falecer antes de o completar.

Apenas 13 volumes desta enciclopédia escrita em inglês foram publicados até hoje (vai na letra G). Tem sido tão lento que os gestores abandonaram a abordagem "uma-letra-de-cada-vez" e estão a solicitar todos os artigos de uma vez.

Cada volume custa 1 milhão de dólares a produzir, afirma Mark Houshmand, que dirige o grupo de apoio da enciclopédia no Dubai. O Dubai onde residem cerca de 300.000 iranianos, tem uma grande comunidade estrangeira que apoia o projecto, tal como Los Angeles, Nova Iorque, Genebra, Londres Toronto e Miami.

O volumes podem ser encomendados no Site da Iranica por preços que oscilam entre os 250 e os 350 dólares cada (ou os primeiros 12 por 3450 UDS). Quando estiver concluída ocupará mais espaço nas prateleiras do que os 29 volumes da Encyclopedia Britannica.

Ehsan Yarshater
Há 2500 anos, o Império Persa estendia-se da Líbia até à China, e incluía a Turquia e o norte da Índia. O domínio persa renasceu no séc. XI, estendendo-se da Turquia ao Bangladesh, dominando a Ásia Central até ao avanço da civilização Ocidental na Ásia, em meados do séc. XIX.

Assim, a enciclopédia cobre os aspectos persas de lugares fora das suas fronteiras de hoje, incluindo a Ásia Central, a Índia, o Norte de África, a Grécia e a Albânia.

A maior parte do trabalho também está a ser feito fora do Irão, porque o governo iraniano se opõe ao projecto. Segundo os gestores do projecto, sediado em Columbia, os académicos no Irão dizem ter sido hostilizados.

O PROBLEMA: YARSHATER É BAHÁ'Í
Muito da vergonha dos Iranianos surge do facto de Yarshater pertencer à fé Baha'i, afirma Houshmand.

Ele não é bem-vendo no Irão. Não gostam do trabalho que ele está a fazer. Não querem que ele receba qualquer crédito”, afirma Houshmand. “Tudo por causa da sua religião. Devia ser irrelevante. Mas infelizmente, com o regime iraniano de hoje, estas coisas são muito relevantes”.

Os baha’is têm sido fortemente perseguidos pelo actual e pelos anteriores, regimes iranianos. Em 1868, vários baha’is foram exilados para a Palestina, agora Israel, onde construíram santuários em Haifa, que eles agora consideram uma cidade santa, afirma a enciclopédia.

Entradas como esta, que documentam as ligações da República Islâmica com Israel e o seu passado pré-islâmico, são consideradas contrárias à revolução islâmica de 1979, pelo actual governo.

Conceitos como a sobrevivência da alma de uma pessoa após a morte, o dia do juízo, paraíso e inferno e anjos sagrados, tudo deriva da sobrevivente fé Zoroastriana do Irão, uma religião com mais de 3000 ano, anterior aos Cristianismo e ao Islão, afirma a enciclopédia. A linha dura iraniana também não vê com bons olhos as crenças zoroastrianas.

Durante a sessão de angariação de fundos, entre a audiência encontravam-se diplomatas americanos e suíços, assim como algumas das maiores estrelas pop do Irão pré-revolucionário, incluindo os cantores Mahasti e Aref (ambos viajaram de Los Angeles). O mais famoso pianista iraniano, Anoushirvan Rohani, hoje residente em Los Angeles, tocou as suas musicas melancólicas até tarde às primeiras horas da madrugada.

A minha indiferença sobre a atitude do regime [iraniano] face aos Estados Unidos não podia ser maior” afirmou Sara Masinaei, de 24 anos, uma residente no Dubai que emigrou de Teerão com a sua família quando tinha 8 anos. “O que é importante para mim é a história, a língua e as tradições do Irão. Quero que os meus filhos, e os filhos deles, beneficiem daquilo que estamos a apoiar hoje”.

Abbas Bolurfrushan afirmou que os exilados se preocupam por perder o contacto com o Irão e a sua língua persa. (...) Mas Bolurfrusha, que dirige o Conselho de negócios Iraniano sediado no Dubai afirmou que está preocupado primeiramente com assuntos práticos, tais como as sanções da ONU, que impedem o seu comércio com o Irão.

Estou farto do passado glorioso”, afirma Bolurfrushan. “O que é que temos hoje? Os iranianos têm que sair do passado e dedicar-se a construir o presente”.

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Texto Original: Move over Britannica, here's Encyclopedia Iranica

Leituras

I diritti umani in Medio Oriente (La Stampa)
El IV Congreso de Religiones promueve el diálogo entre los distintos cultos (El Pais)
La religión islámica y la evangélica, cada vez más presentes en la Comunitat (terra.es)
Krishna's Message Is That Of Universal Love (Times of India)
Benvenuti all'hotel America (La Republica)

A Ambivalência do Sagrado

O texto seguinte apresenta as ideias expostas pelo Padre Peter Stilwell no debate tema “A Religião no Século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Lembro que se tratam de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente tudo o que foi dito pelo director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
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Temos diante de nós uma realidade conflitual. Mas nem toda a conflitualidade é violência; pode ser apenas tensão. No meio destes conflitos surge a religião; e pode surgir como fenómeno que alarga ainda mais a fracturas, em vez de as atenuar. Isto faz parte daquilo que designamos como “ambivalência do sagrado”.

Olhando para os tempos modernos encontramos dois pratos da balança onde se manifesta esta ambivalência. Assim de um lado temos:
  • Irmandade Muçulmana
  • A Teologia da Libertação
  • Brigadas Vermelhas
  • ETA
  • IRA
  • Hamas
  • Hezbollah
Do outro lado encontramos
  • Gandhi
  • Oscar Romero
  • Martin Luther King
  • Joao Paulo II
  • Dalai Lama
  • Ayatollah Sistani
Note-se que as origens dos primeiros não se encontram nas classes mais desfavorecidas. Regra geral, os fundadores daqueles movimentos provêem das classes média e média alta; gostam de falar em nome, e a favor, dos mais desfavorecidos. Temos de ter presente que é uma classe média que se sente mal com os desenvolvimentos em curso e considera que isso ataca as suas raízes religiosas.

Os autores do 11 de Setembro estavam convencidos que faziam algo que era desejado e apreciado por Deus. Um deles recitou uma oração de grande devoção momentos antes do impacto do avião onde ele seguia.

Mas como convencer as pessoas que Deus não deseja o sofrimento dos nossos semelhantes?

segunda-feira, 26 de março de 2007

Conflitos Religiosos

O texto seguinte apresenta as ideias expostas por Esther Mucznik no debate tema “A Religião no Século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Lembro que se tratam de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente tudo o que foi dito pela vice-presidente da Comunidade Judaica.
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Vou abordar apenas o aspecto dos conflitos religiosos.

Podemos atribuir aos conflitos actuais uma dimensão religiosa?

Podemos culpar o Islão pelos crimes dos terroristas ou o judaísmo pelo assassino de Yitzhak Rabin?

Os autores desses crimes dizem que as suas mãos são movidas por Deus, mas nós, no Ocidente, dizemos que não. Teimamos que não! Pensamos que a religião é uma folha de parra que cobre os verdadeiros problemas (que são políticos, económicos e outros).

Os dirigentes religiosos Ocidentais não se revêem nas origens destes conflitos. A secularização tornou-nos incapazes de conceber ou aceitar o conceito de “Guerra Religiosa”. É algo que parece ter acontecido apenas no passado (as Cruzadas, a Inquisição, a Reforma e a Contra-Reforma, etc). E até parece que nos séculos mais recentes nunca houve guerras religiosas.

Temos que levar a sério os lideres religiosos que afirmam que é Deus que guia os seus actos terroristas. Não adianta procurar nos textos religiosos os motivos deste tipo de comportamentos. Quando lemos os textos estamos a fazer uma escolha (uma interpretação); essa escolha é diferente da que fazem esses lideres religiosos radicais.

Nos actuais conflitos, a novidade é o confronto entre o Ocidente “materialista”, “corrupto” e o Islão radical que pretende estabelecer um califado mundial. Temos hoje conflitos que fazem da religião uma ideologia de combate. A maioria dos dirigentes religiosos no Ocidente pensa que a religião é apenas um pretexto para o conflito; quando assumirem que se trata de uma guerra religiosa talvez se sintam mais responsabilizados para agir; enquanto isso não acontece, vão agindo como se aquilo nada tivesse a ver com eles. Hoje temos guerras de cariz religioso, por muito que isso nos desagrade e custe reconhecer.

O diálogo inter-religioso tem de dar um contributo para a atenuação dos conflitos religiosos.

domingo, 25 de março de 2007

Religiões em diálogo

Referindo-se ao artigo do Courrier Internacional sobre Religiões em Crescimento, Frei Bento Domingos escreve hoje no Público:
Se as religiões aumentam, também podem aumentar os seus méritos e patologias. No contexto das inquietações que a globalização suscita, não se pode evitar a pergunta: que podemos exigir às religiões para alimentar a esperança de que um outro mundo e uma outra relação com a natureza são possíveis e que podem começar já a ser ensaiados?

Antes de mais, precisam de se entender, de dialogar, não só umas com as outras mas também no interior de cada uma. A liberdade religiosa deve ser o espaço que todas oferecem , umas às outras, e o pluralismo religioso deve ser o modo de viver no interior de todas. Sem isso, as religiões, na invocação da verdadeira fé e das suas exigências, endurecem doutrinas, eternizam costumes e rituais, que nasceram num determinado contexto, e resvalam para sistemas de intolerância e exclusão.
A este propósito não posso deixar de mencionar a iniciativa da Paróquia de Paço d'Arcos, que na passada sexta-feira organizou um debate sob o tema “A Religião no século XXI: Motivo de Conflitos e Construtora de Paz”. Os intervenientes foram o Padre Peter Stilwell, o Pastor Dimas de Almeida, Esther Mucznick, Faranaz Keshavjee e José Manuel Fernandes, director do jornal Público. Foi, na minha opinião, uma das mais interessantes actividades inter-religiosas a que já tive oportunidade de assistir. Ao longo dos próximos dias publicarei aqui alguns apontamentos sobre as várias intervenções deste debate.

sábado, 24 de março de 2007

Feliz año nuevo 164

Los 35 integrantes de la comunidad Bahai en Asturias celebraron ayer su nochevieja en Colloto rodeados de amigos y familiares. Un calendario de 19 meses de 19 días marca su calendario vital

Ni gurús ni sacerdotes ni ritos. La comunidad Bahai está compuesta por personas que aseguran haber recalado en esta confesión religiosa después haber emprendido el camino de la libre investigación hacia la libertad. De su relación directa con dios, no su dios sino el dios de todos los hombres, nacen 12 principios básicos entre los que destaca la educación universal y obligatoria, un tribunal internacional de justicia, la paz universal, la igualdad de derechos entre el hombre y la mujer o la abolición de los prejuicios.

Los 35 miembros de la comunidad en Asturias se reunieron ayer en Colloto para celebrar el año nuevo, porque esta fe también dispone de su propio calendario, compuesto por 19 meses de 19 días. Hoy comienza el año 164 de la nueva era Bahai, una fecha que recuerda la creación de esta fe en Irán por el profeta Baha´a´lláh. Alrededor de una mesa el medio centenar de invitados leyeron oraciones, explicaron los principios básicos de su confesión a los recién llegados, repartieron regalos y, sobre todo, disfrutaron de la fiesta.



No es la unica vez que se reúnen al año. Al final de cada mes organizan un encuentro. Al carecer de ritos su forma de relacionarse podría parecerle al profano más bien un encuentro social. La primera parte consiste en la lectura de oraciones, que sacan del centenar de publicaciones redactado por su creador. Después se ocupan de la parte administrativa, dan lectura a comunicados o dialogan sobre temas que les afectan. Concluyen con una fiesta. Luis Antonio Vega, de Langreo, explica que todo en ellos supone el equilibrio entre lo espiritual y lo material, en su proyecto de renovar y transformar la sociedad. Covadonga García, de Gijón, explica que otras religiones menoscaban lo material pero no así la comunidad Bahai, porque sus miembros comprenden que viven en un mundo donde no es posible renunciar a lo que nos rodea.

No existen bautismos ni comuniones, solo existen dos ritos establecidos: el matrimonio y el funeral. Tampoco reclaman cuotas económicas. Sobreviven con las aportaciones voluntarias de sus miembros, que siempre deben ser anónimas. Tampoco disponen de templos. En Asturias como tan solo son 35 se las apañan en salones de restaurantes, algunos locales públicos o en sus propias casas.

Vafa Massarrat, médico de familia residente en Noreña, señala que sí que tienen portavoces, que son los encargados de organizar todos los actos, como la del año nuevo que vivieron anoche. Cada comunidad elige a 9 representantes en una asamblea en la que no hay candidatos y los votos son secretos. Así funcionan en el Principado pero también zonas con muchas más seguidores. En total 6 millones de bahais difunden su fe por el mundo, aprovechando tanto la figura del buscador como las nuevas tecnologías (www.bahi.es).

Tanto Vafa como Luis Antonio y Covadonga creen que "el mundo se contraerá". No hablan de movimientos geológicos si no del acercamiento de los hombres, del entendimiento de las culturas. Por ello rezan durante sus celebraciones. Creen que es posible esa unión, porque tal y como dijo su profeta "todos somos ciudadanos del mundo". Incluso justifican la persecución a la que les someten en países como Irán: "Lo nuevo siempre da miedo, los judios lucharon contra los cristianos y ahora algunos musulmanes nos persiguen a nosotros. Por qué? Porque somos los últimos".

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Publicado no La Voz de Asturias, 21-Março, 2007

quinta-feira, 22 de março de 2007

Tony Blair e David Cameron

Ainda a propósito no Naw-Ruz, o Ano Novo Bahá'í, não resisto a publicar aqui as mensagens de Tony Blair (o Primeiro-Ministro britânico) e David Cameron (Membro do Parlamento britânico e actual líder da oposição) enviaram à Comunidade Bahá’í do Reino Unido. O conteúdo das mensagens foi copiado do blog Barnabas Quotidianus.

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Naw-Ruz greetings from the Prime Minister (Rt Hon Tony Blair MP).

March 2007

It gives me great pleasure, once again, to send my best wishes to the Baha’i community in the UK as you celebrate Naw Ruz. The United Kingdom deeply values the presence of the Baha’i community and the unique contribution you make.

The words of your founder, that “the earth is but one country, and mankind its citizens”, have perhaps an even greater resonance in 2007 than ever before. The universal challenges of climate change, and its potentially disastrous impact on millions of people across the globe, remind us forcefully that we are all fellow citizens of the world, all sharing in its destiny. As we confront these challenges I have no doubt that you, and your fellow Baha’is in other countries, have much to contribute to the debate and the pursuit of possible solutions, drawing on the tradition of working for social justice of which Baha’is can rightly be so proud.

With my best wishes to you all for the forthcoming year.

[Signed] Tony Blair

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March 2007

Happy Naw-Ruz

I am delighted to send all members of the Baha’i community my best wishes for a Happy New Year.

The principles which the Baha’i community hold dear - in particular unity and also the promotion of social justice, a belief in the importance of family life, and a concern for the environment - are of central importance to our society today.

The fact that so much work has been carried out to put these values into practice, through development projects around the world does great credit to your faith.

I know also that you will have in your thoughts at this time those communities elsewhere who face persecution because of their faith. Freedom to worship and to hold religious belief is a fundamental right which we must always cherish.

May I once again send my good wishes to you and your families at this time.

[Signed] David Cameron

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Penso que estas mensagens reflectem um reconhecimento e um apreço pelo contributo que os bahá’ís tem dado ao bem-estar social no Reino Unido e no mundo. É difícil imaginar algo semelhante acontecer em Portugal.

Cong Dong Ton Giao Baha'i Vietnam

Ainda sobre o reconhecimento oficial da religião bahá'í no Vietname, aqui fica mais uma notícia, agora com origem em fontes vietnamitas.

Tomando como exemplo apenas a situação dos baha’is, não posso deixar de notar o contraste entre esta nação sofrida do sudeste asiático e países como o Irão ou o Egipto. O primeiro dá sinais de abertura no que toca à liberdade de consciência, enquanto que os restantes parecem querer entrincheirar-se em regimes de apartheid religioso.

Sobre os Baha’is do Vietname existe este site pessoal: Baha’is in Vietnam

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Nation's Baha'i community gets religious recognition

VietNamNet Bridge – Cong Dong Ton Giao Baha'i Vietnam (Baha'i Community of Vietnam) held a ceremony on Tuesday to celebrate the awarding of its certificate of operation from the Government's Committee for Religious Affairs last month.

The objectives and orientation of the Baha'i religion, which was founded in late 1844 in Iran, were in line with Vietnam's laws, the committee said.

Baha'i followers have been present in Vietnam since 1954, and have made significant contributions to the country, particularly in areas of education, health care, trade and environment.

The Baha'i community now has six places of worship and more than 6,880 followers in five provinces in the central and southern regions.

"The State policy on religion respects and ensures freedom of belief and religion for all Vietnamese citizens as stipulated in the country's first constitution in 1946 and in revised versions," Ngo Yen Thi, head of the Committee for Religious Affairs, said.

Deputy committee head, Nguyen The Doanh, said the committee had recently granted operation registration certificates to three new religions and a religious sect in addition to six existing religions.

Those religious communities' receiving certificates include Tu An Hieu Nghia (Four Debts of Gratitude) in the southern An Giang Province, and Tinh Do Cu Si Phat Hoi Viet Nam (The Pure Land Buddhist Home-Practice Association) in 23 provinces from central to southern Vietnam.

Also, the Hoi Truyen Co Doc Giao Viet Nam (The Viet Nam Christian Religion Missionary Alliance) religious sect, whose followers are present in 14 central and central highlands provinces and cities, received certification.

"Other religions will also receive detailed guidelines from authorised agencies to apply for operation certifications," he said.

Vietnam has six religions recognised by the State, including Buddhism with about 10mil followers, Catholicism with 5.7mil, Protestantism with 1mil, Cao Dai with 2.3mil, Hoa Hao Buddhism with 1.3mil, and Islam with 65,000.

They have a total of 22,000 places of worship and 16 religious organisations.

(Source: Viet Nam News)

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Outras notícias que referem o assunto:
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Religious practice certificate granted to Baha'i community (Nhan Dan)
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Vietnam legalizes the Baha’i faith (ThanhnienNews.com)

quarta-feira, 21 de março de 2007

Naw-Ruz Non Fiction

Feito por um Bahá'ís de Montreal, no Canadá!
Muito giro!

As Ilhas do Pacífico desejam um Feliz Naw-Ruz

A Ásia deseja um Feliz Naw-Ruz

Africa deseja um Feliz Naw-Ruz!

A América Latina deseja um feliz Naw-Ruz

Vietname legaliza a Religião Bahá'í

Hoje dia de Naw-Ruz, o Ano Novo Bahá’í, uma boa notícia vinda do sudeste asiático: o Governo Vietnamita reconheceu oficialmente a Religião Bahá’í.

Aqui fica a notícia original:

Communist Vietnam legalises Bahai faith

Vietnam has legalised the Bahai faith, which authorities say has about 7,000 followers in the communist country, the state-controlled media reported Wednesday.

HANOI (AFP) - Nguyen Huu Oanh, vice chairman of the government's Religious Affairs Committee, "presented a certificate to ratify religious activities of the Vietnam Bahai religious community," said the Vietnam News Agency.

Human rights and religious freedom groups routinely criticise Vietnam for violating religious freedoms, including the harassment of some Buddhist groups and members of mainly Christian Protestant ethnic minorities.

Vietnam pledged greater religious freedom in a government report issued in early February and said that more than 20 million of its 84 million citizens were state-registered followers of major religions in 2005.

The Bahai faith, which stresses the unity of humanity and its religions, was founded in Iran in 1844 and has over five million followers worldwide, according to the official Bahai website in the United States.

Os Media e o tratamento do Fenómeno Religioso (3)

O que se segue são os meus apontamentos da intervenção de António Marujo numa mesa redonda dedicada ao tema "Os Media e o tratamento do Fenómeno Religioso", realizada durante o colóquio "A Religião fora dos Templos". Tratam-se de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente as palavras deste jornalista.
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António Marujo

Como é que as religiões olham os media?

Nos últimos anos, alguns media passaram a ter uma atitude mais profissional em relação às religiões; simultaneamente as religiões também se abriram mais aos media. Mas o jornalismo português ainda revela muito preconceito e ignorância em relação à religião; e as religiões também mostram desconfiança em relação aos media.

O jornalismo talvez já não seja o 4º Poder; o jornalismo português é crítico em relação ao poder político, mas não é igualmente crítico em relação ao poder económico ou ao poder do dirigismo desportivo. Hoje temos claramente uma menor capacidade crítica.

Há acontecimentos que por serem religiosos têm menor peso nos media. Mas também não existe um equilíbrio na atenção dada aos acontecimentos religiosos. Por exemplo, a cobertura dada à morte do Papa João Paulo II foi claramente excessiva; em contrapartida, a primeira visita oficial de Bento XVI (a Colónia), quando existia uma grande expectativa sobre o novo Papa, foi quase ignorada pelos media portugueses; e, no entanto, essa visita foi acompanhada por mais de 7000 jornalistas estrangeiros (e apenas 2 portugueses).

Qualquer acontecimento tem a sua relevância, independentemente de ser religioso ou não. Quando um Bispo ou o Papa diz que é contra o aborto, tocam as campainhas de alarme nas redacções será que isto ainda é notícia? Mas as posições de João Paulo II sobre a guerra no Iraque foram quase ignoradas, assim como as posições de Bento XVI sobre as crises nucleares na Coreia do Norte e no Irão.

Temos um jornalismo muito mimetista; por vezes vamos atrás de propaganda sem darmos conta disso. Veja-se por exemplo a campanha de promoção de um livro sobre a morte de João Paulo I. As redacções foram inundadas com emails e faxes que anunciavam que faltavam x dias para a revelação de um segredo. E quando o livro foi publicado, muitos jornalistas deram-lhe um relevância excessiva.

A exposição de Amadeu Sousa Cardoso na Gulbenkian teve uma enorme cobertura e divulgação nos media; Mas uma exposição de arte sacra com maior duração e igual número de visitantes é praticamente ignorada

O 11 de Setembro fez aumentar a curiosidade sobre o Islão. Houve uma revista que fez um dossier especial sobre o Islão. Este continha variadas análises sociais, políticas, geo-estratégicas... e nem uma análise religiosa do islão.

Ao construirmos o relato de um evento estamos a condicionar acontecimentos. Exemplo: pouco depois de Bento XVI ter concluído a sua viagem a Auschwitz, a AFP publicou um texto em que num parágrafo se dava conta do desagrado de “várias fontes judaicas” pelo facto do Papa ter referido os “seis milhões de polacos mortos durante a guerra” sem que tivesse mencionado que desses seis milhões, metade eram judeus. Essa parágrafo causou polémica e suscitou variadíssimos comentários. Mais tarde veio-se a saber que afinal as “várias fontes judaicas” eram apenas o grão-rabino da Polónia que tinha dito que estava emocionado com as palavras do Papa, apesar de pensar que ele podia ter ido ainda mais longe nas suas afirmações.

A religião (seja fenómeno ou opinião de uma pessoa/instituição) não deve estar isenta de críticas. Já lá vai o tempo em que as religiões controlavam opiniões e comportamentos da opinião pública.
A internet e os blogs têm sido factores de mudança no jornalismo. É possível encontrar interessantes iniciativas individuais feitas fora da alçada das hierarquias religiosas

terça-feira, 20 de março de 2007

Os Media e o tratamento do Fenómeno Religioso (2)

O que se segue são os meus apontamentos da intervenção de Jorge Wemans numa mesa redonda dedicada ao tema "Os Media e o tratamento do Fenómeno Religioso", realizada durante o colóquio "A Religião fora dos Templos". Tratam-se de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente as palavras do Director do Canal 2: .
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Jorge Wemans

Os media hoje têm mais entretenimento do que jornalismo. A presença do fenómeno religioso nos media já não está condicionada pelas hierarquias religiosas. Também se nota que os media dão agora mais importância ao fenómeno religioso do que há alguns anos atrás. O fenómeno religioso é algo mais profundo na vida dos seres humanos do que um mero eco das palavras das hierarquias religiosas.

Até há alguns anos atrás o fenómeno religioso estava escondido por detrás dos actos oficiais da Igreja Católica; agora está mais visível. Com cada vez mais regularidade encontramos o fenómeno religioso citado como experiência pessoal (exemplo: o juiz que fala sobre um determinado assunto na sua condição de crente); até nas novelas encontramos manifestações do fenómeno religioso. A hierarquia religiosa deixou de ser actor único nas notícias sobre o fenómeno religioso.

O fenómeno religioso é hoje reconhecido como característica inegável de culturas e identidades. Este ressurgimento do fenómeno religioso tem contribuído para o reaparecimento do clericalismo e do anti-clericalismo; em Portugal, no início do Séc. XX, tivemos um problema de excesso de clericalismo e anti-clericalismo.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Casamento Religioso em Portugal

Na sessão de encerramento do colóquio "A Religião fora dos Templos", o Ministro da Justiça, Alberto Costa, anunciou que, no próximo mês de Abril, apresentará ao Conselho de Ministros legislação que permitirá que o casamento religioso celebrado pelas comunidades religiosas existentes no nosso país passe efeitos civis tal como acontece com o casamento católico.

É uma iniciativa de louvar e, sem dúvida, um passo importante no caminho da igualdade de direitos das comunidades religiosas no nosso país.

Os Media e o tratamento do Fenómeno Religioso (1)

O que se segue são os meus apontamentos da intervenção de Mário Robalo numa mesa redonda dedicada ao tema "Os Media e o tratamento do Fenómeno Religioso", realizada durante o colóquio "A Religião fora dos Templos". Tratam-se de apontamentos pessoais que podem não representar fielmente as palavras deste jornalista.
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Mário Robalo

Qual o relacionamento dos jornalistas com as hierarquias religiosas? Sabemos conviver com o que é minoritário e novo?

Nos media portugueses, a religião é tratada de forma superficial. Compare-se o destaque que se dá a notícias do tipo "A população da aldeia está contra o pároco por causa das obras na capela" com a atenção que recebeu o mais recente documento publicado pelo Papa.

O tipo de notícias dedicado à religião é quase sempre uma repetição das fontes oficiais. Há um respeito (quase uma fidelidade) para com as hierarquias de todas as religiões. Não há uma visão crítica, e raramente se vêm debates ou trocas de opiniões. Por exemplo, ninguém quer saber o que pensa um bahá'í sobre o mais recente documento do Papa.

Em alguns grupos religiosos há pouca consistência e isso confunde o jornalista; essa confusão pode depois continuar sempre que se aborda o fenómeno religioso. Por vezes, os media também têm dificuldade em perceber o que há de relevante nas actividades das comunidades religiosas.

Seria interessante fazer um estudo sobre a quantidade de referências à Igreja Católica e a quantidade de referências feitas a outras confissões religiosas, no media portugueses. Nos media ingleses há muito mais diversidade de opiniões e de participações. Quando se pede a opinião a um anglicano, geralmente pede-se também a um luterano, a um católico, a um muçulmano, etc.

domingo, 18 de março de 2007

Religiões em crescimento



O Courrier Internacional desta semana tem vários artigos dedicados à religião. Aqui fica um excerto do editorial assinado por Fernando Madrinha.

"O cristianismo está em franca expansão pelo mundo, embora as suas versões não católicas sejam as mais pujantes, e disputa espaço a outras religiões, nomeadamente ao Islão, em várias zonas do planeta. O islamismo, esse progride em vários pontos, incluindo a Europa, por força da imigração, e já pretende rezar na antiga mesquita de Córdova, o que leva o escritor espanhol Artuto Perez-Reverte a perguntar-se se seremos dignos das nossas catedrais. O hinduísmo nacionalista renasce com vigor redobrado e disposto a enfrentar sem disfarce os muçulmanos e os cristãos do subcontinente indiano. Tudo visto e considerado, católicos, protestantes e as duas maiores religiões não cristãs — o islamismo e o hinduísmo — estão em franco crescimento. Tinham mais crentes no ano 2000 (64 por cento da população mundial) do que um século antes (50 por cento), provando-se que as razões do advogado nigeriano já citado afinal não bastam para explicar a necessidade de Deus.

Sucede, depois, que religião e política andam juntas em muitas sociedades — talvez na maioria se exceptuarmos as democracias europeias, pois o mesmo já é difícil dizer da norte-americana nos dias que correm — e não faltam mesmo os casos, como no Islão, em que o poder dos homens ainda é exercido em nome de Deus. O cruzamento entre a política e a religião alastra de forma preocupante um pouco por todo o planeta, do mundo árabe à África subsariana, passando pela Índia e pela América Latina. A ponto de até o socialista Hugo Chávez, «nem cristão, nem católico», segundo se afirmava, já invocar Jesus Cristo nos seus discursos. Ora, esta mistura explosiva entre o que é de Deus e o que é de César não augura nada de bom para a paz que se quer no mundo."

sexta-feira, 16 de março de 2007

O Deus das Religiões

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus das Religiões", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Os que gritam o nome de Deus não merecem outra coisa senão que gritem com eles; tal como os que insultam em nome de Deus, e os que ameaçam e até os que aborrecem com Deus.

  • Ai daqueles que se aproveitam de Deus para se porem acima de outros homens!

  • A História (pelo menos a de Espanha) ensina que a defesa de Deus por parte das igrejas é quase sempre uma defesa dos seus próprios privilégios e interesses.

  • Deus não necessita de nenhuma igreja.
  • quinta-feira, 15 de março de 2007

    Há 25 anos...

    Um programa emitido na cadeia ABC no início dos anos 1980.
    Infelizmente pouco mudou desde então.


    (clique na imagem para ver)

    quarta-feira, 14 de março de 2007

    A Democracia nas Escrituras Bahá’ís

    Na sequência do post sobre Democracia e Direitos Humanos, aqui fica um breve apontamento sobre a forma como a Democracia é abordada nas Escrituras Bahá'ís.
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    Na Epístola dirigida à Rainha Vitória (1868-1869), Bahá'u'lláh elogia a monarca por ter entregue “as rédeas do conselho nas mãos dos representantes do povo”; muito provavelmente, trata-se de uma alusão ao Reform Act (1867). E acrescentou: “Em verdade, fizeste bem pois assim os alicerces do edifício de tuas actividades serão fortalecidos, e os corações de todos os que se acham abrigados à tua sombra, sejam de alta ou de baixa condição, serão tranquilizados.” Nessa época, tanto no Império Otomano como na Pérsia estes ideais eram considerados subversivos pelo Estado e eram estritamente proibidos. A proclamação de Bahá'u'lláh em apoio de um governo representativo foi um acto radical para um prisioneiro indefeso encarcerado numa fortaleza esquecida na Palestina Otomana. Era também um desafio político e uma mensagem de advertência: “A duas classes de homens foi retirado o poder: monarcas e eclesiásticos[1].

    O sistema parlamentar britânico é elogiado nas escrituras Bahá'ís

    Em 1873, Bahá'u'lláh voltou a referir a soberania popular no Kitab-i-Aqdas, ao mencionar o Irão, prevendo que os seus interesses atravessariam uma revolução e que este país viria a ser governado por uma democracia que expressasse a vontade popular[2]. Nesse mesmo livro, o fundador da religião baha'i expressa o Seu desejo de que as Republicas da América governem com justiça. Anos mais tarde, Bahá'u'lláh clarificaria a Sua preferência pela monarquia constitucional: "Apesar da forma de governo republicano ser proveitosa a todos os povos do mundo, no entanto a majestade da realeza é um sinal de Deus. Não desejamos que os países do mundo fiquem privados deste. Se os sábios combinarem as duas formas numa, grande será a sua recompensa na presença de Deus"[3]. Note-se que Bahá'u'lláh não rejeita a ideia do republicanismo, nem a proíbe; pelo contrário, elogia-a. Ele apenas acrescenta que a República carece um símbolo unificador na forma de monarca.

    Em 1891, na Epístola do Mundo, (Law-i-Dunya), o fundador da religião bahá'í afirma mais uma vez o sistema parlamentar britânico e a monarquia constitucional, como a melhor forma de governo, defendendo que se deveria constituir um parlamento iraniano à semelhança "do sistema de governo que o povo britânico adoptou em Londres"[4]. Acrescenta ainda que sem um governo estabelecido por consulta popular, o Irão cairá no caos.

    Também 'Abdu'l-Bahá promoveu os ideais democráticos desde 1875. Notando que os Xá da Pérsia tinha concedido parte do seu poder absoluto a alguns conselhos estatais nomeados, 'Abdu'l-Bahá escreveu: "Na actual perspectiva do escritor, seria preferível se a eleição de membros não-permanentes de assembleias consultivas em Estados soberanos fosse dependente da vontade e escolha do povo. Pois, por conta disso, os representantes eleitos estarão um tanto inclinados a exercer justiça a fim de que sua reputação não sofra e eles não caiam em desgraça perante o público"[5]. Umas páginas mais à frente, o Mestre defende mais uma vez o sistema de governo parlamentar como um ideal, citando em apoio deste conceito versículos do Alcorão: "...cujos assuntos são governado por conselho mutuo"(42:36) e "...consultai-os sobre o assunto"(3:153).

    'Abdu'l-Bahá conclui "Tendo isto em vista, como pode a questão da consulta mutua estar em conflito com a lei religiosa? As grandes vantagens da consulta também se podem apresentar através de argumento lógicos"[6]. Durante a revolução constitucional no Irão, 'Abdu'l-Bahá escreveu a um baha'i nos Estados Unidos afirmando que “um governo constitucional , segundo o texto irrefutável da Religião de Deus, é motivo de glória e prosperidade da nação, da civilização e da liberdade do povo[7]. No contexto desta carta, a palavra “constitucional” deve ser entendida como sinónimo de “democrático” ou “parlamentar”

    A Porta Sublime (a corte Otomana) é referida nas escrituras Baha'is
    como sinónimo de tirania e repressão.

    Em 1912, durante a Sua visita aos Estados Unidos, ao falar perante numa reunião de afro-americanos em Washington D.C., o filho de Bahá'u'lláh afirmou: “Louvado seja Deus! Vós viveis no grande continente do Ocidente, gozando de perfeita liberdade, segurança e paz deste governo justo. Não há motivo para amargura ou tristeza em qualquer lugar; todos os meios de alegria e regozijo estão aí para vós, pois neste mundo humano não há bênção maior do que a liberdade. Vocês não sabem; mas eu sei, pois durante quarenta anos fui prisioneiro. Eu conheço o valor e a benção da liberdade. Mas vós estais aqui, tendes vivido em liberdade e não tendes medo de nada. Haverá bênção maior que esta? Liberdade! Segurança! Estas são as grandes dádivas de Deus. Por isso louvado seja Deus![8]

    Os afro-americanos daquele tempo tinham muitos motivos de queixa relativamente às desigualdades na sociedade americana; mas 'Abdu'l-Bahá lembrou-lhe que deviam considerar as liberdades positivas que usufruíam, e acrescentou que uma democracia imperfeita era superior ao despotismo Otomano sob o qual Ele vivera a maior parte da Sua vida.

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    NOTAS
    [1] - Citado em God Passes By, pag.230
    [2] - Kitab-i-Aqdas, pag. 54
    [3] - Epístolas de Bahá'u'lláh, Bisharat, pag 36 (Ed.1983)
    [4] - Epístolas de Bahá'u'lláh, Epístola do Mundo, parágrafo 31
    [5] - The Secret of Divine Civilization, pag. 24
    [6] - The Secret of Divine Civilization, pag. 100
    [7] - Tablets of 'Abdu'l-Bahá, 3:492
    [8] - The Promulgation of Universal Peace, pag. 52

    segunda-feira, 12 de março de 2007

    Direitos Humanos (7) - Democracia

    Democracia

    A liberdade de consciência e de expressão terão pouco valor para o ser humano se ele estiver submetido a um governo despótico ou autoritário. O artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama que a vontade de povo é a base da autoridade dos poderes públicos, e afirma que essa vontade se deve expressar periodicamente através de eleições justas. Também se sustenta a necessidade de voto secreto e a liberdade de voto.

    Estes conceitos, associados aos conceitos de liberdade de consciência e de expressão, podem-se resumir numa palavra: democracia. O termo - que tem origem nas palavras gregas “demos” (povo) e “kratos” (governo) - e frequentemente aplicado num contexto político para definir uma forma de governo; mas os métodos usados numa democracia (sufrágio universal, voto secreto, participação colectiva) encontram-se em muitas organizações internacionais, organizações não-governamentais, associações cívicas, sindicatos e organizações profissionais.


    O Mapa da Democracia; as cores mais claras indicam os países mais democráticos;
    as cores mais escuras indicam os países mais autoritários.
    (clique para ampliar)

    Os conceitos de sufrágio universal e de governo representativo foram inicialmente rejeitados por lideres religiosos no início do séc. XIX; para eles o ideal continuava a ser a monarquia absoluta, ou a teocracia (ou a combinação dos dois); foi isso que aconteceu com vários Papas de Igreja Católica e com clérigos muçulmanos, no séc. XIX. Mesmo em finais do séc. XX, em plena revolução islâmica no Irão, o Ayatollah Khomenei denunciou a democracia como sendo incompatível com o Islão; no entanto, outros países de maioria muçulmana (Turquia, Paquistão, Bangla Desh) orgulham-se dos seus sistemas de governo democrático.

    CONCEITOS DE DEMOCRACIA

    Diferentes comunidades têm criado métodos de democráticos de acordo com as necessidades. Nos vários cantões suíços, por exemplo, encontramos processos que tradicionalmente são descritos como “democracia directa”. Neste tipo de democracia os cidadãos são chamados a expressar a sua opinião sobre as grandes decisões políticas; não existem representantes ou intermediários. Um acto de democracia directa que já teve lugar me Portugal é o referendo.

    Outro tipo de sistema democrático é a chamada “democracia representativa”, onde o povo escolhe representantes para um corpo governante. Esses representantes são escolhidos pelo eleitorado de diferentes regiões ou de um país como um todo. Mas a representatividade pode resultar numa espécie de “ditadura da maioria” se os direitos das minorias não forem assegurados. É aqui que surge o conceito de “democracia liberal”. Neste sistema além de representativo garante a protecção das minorias, separação de poderes e protecção de liberdades como a liberdade de opinião, reunião, religião e propriedade.

    O Mapa da Liberdade. A verde os países livres,
    a laranja os países "parcialmente livres" e a vermelho os países "não-livres"
    (clique para ampliar)


    AS DEMOCRACIAS NO OCIDENTE

    Os Estados Unidos são frequentemente considerados como a primeira democracia liberal. A sua Constituição adoptada em 1788 sustentava a existência de um governo eleito e a protecção de liberdades e direitos civis. Mas este era um sistema em que o direito de voto apenas era atribuído a homens brancos com propriedades; só gradualmente é que estas limitações foram sendo levantadas. Há quem argumente que devido ao facto da América ter tolerado a escravatura durante muitos anos, apenas deve ser considerada como uma democracia após a aprovação das 13ª emenda [1865] (que abolia a escravatura) e da 15ª emenda [1870] (que atribuía direitos de votos “independentemente da raça, cor ou anterior condição servil”)

    Na primeira metade do século XX assistimos a várias guerras e ao colapso de vários impérios. Apesar de terem surgido vários regimes democráticos na Europa, a grande depressão levou à desilusão política e ao aparecimento de sistemas totalitários. Foi só após a 2ª Guerra Mundial que as democracias se consolidaram na Europa (e no Japão); enquanto a Europa de Leste ficou sob jugo comunista. Quando nos anos 50 se iniciaram os processos de descolonização, e muitos dos novos Estados apesar de possuírem Constituições onde se defendia a democracia, caíram em sistemas ditatoriais, apoiados quer pelo Ocidente, quer pela União Soviética.

    Sucederam-se, então, as vagas de democratização. Nos anos setenta foram derrubadas as ditaduras grega, portuguesa e espanhola; na década seguinte, várias ditaduras militares da América Latina foram substituídas por regimes democráticos; nos anos noventa, com o colapso do Comunismo, as revoluções democráticas atingiram o leste Europeu. Ao longo destes anos, outros países em África e na Ásia foram palco de revoluções/transições pró-democracia (a mais mediática terá sido a transição na África do Sul)

    Hoje a esmagadora maioria dos governos do mundo afirmam ser democráticos; em alguns casos, tratam-se de uma tentativa de auto-legitimação do seu poder, pois as suas práticas de governação excluem conceitos como sufrágio universal regular e voto secreto; e alguns dos Estados que usam métodos democráticos nem sempre são defensores de liberdades dos seus cidadãos (as chamadas “democracias musculadas”).

    Uma análise serena da história do séc. XX leva-nos a concluir que foi um século de transição para a democracia; foi o Século do Povo, como lhe chamou uma série da BBC. A experiência dos povos que viveram essas transformações pró-democracia apenas prova a necessidade e a universalidade do artigo 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

    domingo, 11 de março de 2007

    Naide Gomes

    Há 30 anos, Carlos Lopes era uma figura de relevo no Atletismo português. Nos 10.000 metros e nas provas de corta-mato sabíamos que ele acabaria entre os primeiros. Ele tornou-se um modelo para muitos jovens que de repente descobriam a sua vocação para o atletismo. Era a personificação do prestígio do desporto português.

    A influência do seu prestígio era tal que, quando em vésperas dos jogos olímpicos de Los Angeles, Carlos Lopes sofreu um acidente durante um treino na Segunda Circular, várias pessoas passaram a usar aquele local para treinos de corridas de meio-fundo. Parecia que todos queriam ser iguais ao Carlos Lopes.

    Recentemente, Naide Gomes sagrou-se hoje campeã da Europa do salto em comprimento em pista coberta, ao vencer o concurso em Birmingham com um salto de 6,89 metros, revalidando o título obtido em Madrid 2005.

    Ou seja, temos uma bicampeã europeia.

    Estranhamente, os nossos media parecem desatentos ao sucesso atleta sportinguista. A verdade é que o nosso país não tem assim tantos atletas de sucesso; não devia Naide Gomes ser apresentada como um modelo para as jovens portuguesas que se dedicam ao atletismo? Não poderiam os seus triunfos ser uma fonte de inspiração para tantas jovens que ainda não descobriram a sua vocação para o atletismo?

    Esta situação não passou despercebida à própria atleta que, depois de agradecer a todos os amigos e familiares que a tinham apoiado e felicitado por ocasião deste último sucesso, deixou um repto para todos os agentes desportivos: "Apoiem o atletismo!"

    Só mais uma nota final: Uma mulher que prestigia o nome de Portugal no Atletismo merecia mais do que uma homenagem com um beijinho e um ramo de flores do Presidente do Sporting, tal como aconteceu ontem no Estádio de Alvalade durante o intervalo do jogo Sporting-Estrela da Amadora.

    À saída do Estádio

    Ontem à saída do Estádio de Alvalade, vários polícias contemplavam os magotes de adeptos que atravessavam as passadeiras e impedia a circulação dos automóveis. Um deles perguntou:
    - Como ficou o resultado?
    - 3-1, ganhou o Sporting, respondeu alguém.
    - Então... e porque é que vocês vêm todos com cara de enterro?

    sábado, 10 de março de 2007

    Ter filhos pode ser divertido...

    E eu que nunca me tinha lembrado de fazer coisas destas com os meus amigos!

    A Religião fora dos Templos

    Vai ter lugar, nos próximos dias 16 e 17 de Março, uma conferência dedicada ao tema "A Religião fora dos Templos". Trata-se de uma iniciativa da Comissão da Liberdade Religiosa , que decorrerá em Lisboa, no Centro Ismaili (Av. Lusíada)

    A entrada neste evento é livre, sendo limitado o número de inscrições.

    Mais informações sobre esta conferência podem ser solicitadas à Comissão da Liberdade Religiosa (Telefone: 21 324 23 43; Email: clr@clr.mj.pt)

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    PROGRAMA


    Sexta-feira, 16 de Março de 2007

    09:30h Abertura
    Comendador Nazim Ahmad
    Conselheiro Menéres Pimentel
    Presidente da Assembleia da República

    Intervalo

    10.15 Apresentação
    A religião no estado democrático” colectânea de trabalhos apresentados no 1º colóquio
    Deputado José Vera Jardim
    10:45h Mesa redonda
    Religião e Educação
    Dr.ª Esther Mucznik , Cons. Guilherme Oliveira Martins, Prof. Doutor Alfredo Teixeira
    Moderador: Prof. Doutor Saturino Gomes

    12:30h Almoço

    14:30h Conferência
    A religião fora dos templos na jurisprudência do Supremo Tribunal de Israel
    Dr. Marvin Kramer
    Moderador: Dr. André Folque

    Coffee break

    15:45h Conferência
    A religião fora dos templos na jurisprudência dos tribunais islâmicos
    Professor Moncef Ben-Abdeljalil
    Moderador: Deputado Vitalino Canas

    Sábado, 17 de Março

    10h Conferência
    A religião fora dos templos na jurisprudência dos tribunais portugueses
    Prof. Doutor Jónatas Machado
    Moderador: Desemb . Teles Pereira

    Coffee break

    11.15h Conferência
    "A religião fora dos templos na jurisprudência do Supremo Tribunal dos Estados Unidos"
    Professor Samuel Ericsson
    Moderador: Dr. Soares Loja

    12:30h Almoço

    14:30h Mesa redonda
    Os media e o tratamento do fenómeno religioso
    António Marujo, Mário Robalo
    Moderador: Dr. António de Araújo

    16:30 Encerramento
    Sua Excelência o Ministro da Justiça

    17h Visita guiada ao Centro Ismaili

    sexta-feira, 9 de março de 2007

    Epicteto



    «De todas as coisas, umas dependem de nós e outras não. Aquelas que dependem de nós são as nossas opiniões, os nossos movimentos, os nossos desejos, as nossas inclinações, os nossos ódios. Numa palavra, todas as nossas acções. Aquelas que não dependem de nós são o corpo, os bens materiais, a reputação, as honras. Numa palavra, tudo aquilo que não dependa das nossas acções.

    As que dependem de nós são livres pela sua própria natureza, nada pode impedi-las ou impor-lhes um qualquer entrave. Aquelas que não dependem de nós permanecem frágeis, escravas, dependentes, sujeitas a mil obstáculos e inteiramente estranhas.

    Lembra-te, pois, que se tomares como livres as coisas que são por natureza escravas, e como próprio de ti aquilo que dependa de outro, apenas encontrarás barreiras, sentir-te-ás permanentemente aflito, perturbado, e queixar-te-ás a todo o instante dos deuses e dos homens.
    Ao invés, se acreditares ser teu apenas aquilo que é próprio da tua natureza, e estranho aquilo que pertença a outro, jamais te poderá alguém forçar a fazer o que não desejas, ou impedir-te de fazeres o que pretendas. Desta forma, não terás razões de queixa de ninguém, não acusarás quem quer que seja, nem mesmo que pela mais pequena coisa, pessoa alguma te fará mal, e não terás inimigos.»

    Epicteto, 55–135 (Manual)

    (Tradução de Rui Bebiano)

    quinta-feira, 8 de março de 2007

    A duplicidade de comportamentos do Regime Iraniano

    A notícia da expulsão de mais de 70 alunos bahá'ís de universidades iranianas foi divulgada na semana passada por várias agências noticiosas. As reacções de vários representantes do regime iraniano não se fizeram esperar: tratava-se de uma acusação sem fundamento. Um porta-voz do Governo Iraniano negou que as expulsões tivessem apenas um motivo religioso. E numa notícia divulgada pela Reuters, um elemento da missão iraniana junto das Nações Unidas afirmou: "Ninguém no Irão é impedido de estudar por causa da sua religião".

    Mas um documento datado de datado de 2 de Novembro de 2006 emitido pela direcção da Universidade Payame Noor para as suas delegações regionais afirma que é política governamental que os bahá'ís "não sejam admitidos" na Universidade, e que se eles já estão admitidos então "devem ser expulsos".

    O memorando emitido pela Universidade de Payame Noor
    (ver tradução em inglês aqui)

    "O documento prova a duplicidade de comportamentos do regime iraniano relativamente aos estudantes bahá'ís. Em público, o Irão afirma que abriu finalmente as portas aos Bahá’ís após 25 anos durante os quais os manteve afastados das universidades públicas e privadas. Mas, como prova este memorando confidencial da administração da Payame Noor, a verdadeira política é simplesmente expulsar todos os bahá’ís assim que forem identificados" afirmou Bani Dugal, representante da Comunidade Internacional Baha’i junto das Nações Unidas.

    A Universidade de Payame Noor é a maior universidade iraniana em número de estudantes; actualmente é frequentada por 467.000 estudantes em 74 licenciaturas e em 257 centros e unidades espalhados pelo Irão. Durante o corrente ano lectivo, pelo menos 30 estudantes bahá'ís foram expulsos de Payame Noor.

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    Notícia Fonte:
    Official character of Baha'i expulsions in Iranian university revealed (BWNS)

    quarta-feira, 7 de março de 2007

    A Religião na China


    No passado domingo o New York Times tinha um artigo curioso sobre o ressurgimento da religião na China. Segundo uma sondagem feita por um Universidade Chinesa, 31 por cento dos chineses consideravam-se religiosos, o triplo daquilo que é geralmente referido nas estimativas. O mesmo artigo afirmava que o Governo Chinês está a estudar a melhor forma de lidar com a situação; algumas religiões conseguem obter um reconhecimento oficial, outras são ignoradas desde que não adquiram muita visibilidade e outras ainda são reprimidas.

    Uma declaração oficial recente do Governo Chinês parece ser uma reacção a esta sondagem. Além de se notar a existência da “Comissão para a Religião e para a Paz”, sobressaem as declarações de um alto responsável que afirma que a religião tem um papel a desempenhar na promoção da harmonia social. Poderemos, naturalmente, questionar a sinceridade e os verdadeiros propósitos destas declarações e iniciativas; mas não deixa de ser interessante ver como o Governo Chinês reconhece várias gerações de doutrinação marxista não conseguiram eliminar o impulso religioso de uma significativa parcela da população chinesa.

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    A ler:
    Religious Surge in Once-Atheist China Surprises Leaders (NYT)
    Religion has a role to play: Jia (ChinaDaily.com)

    O Jejum nas Religiões

    A propósito do jejum Bahá'í que se iniciou no passado dia 2 e termina no próximo dia 20, aqui fica um quadro comparativo (que encontrei na Beliefnet.com) sobre o jejum em várias religiões. Na Wikipedia também se pode encontrar um artigo interessante sobre o jejum nas várias religiões.

    Religião
    Quando?
    Como?
    Porquê?
    Bahá'í
    jejum bahá'í tem lugar entre os dias 2 e 20 de Março, que correspondem ao mês de Ala, o 19º do calendário bahá’í.
    Não comer nem beber entre o nascer e o pôr do sol.
    O jejum simboliza um processo de transformação espiritual e o desprendimento das coisas deste mundo; o objectivo é que o crente se concentre em Deus
    Budismo
    Todos os principais ramos do Budismo praticam jejum, geralmente em dias de lua cheia e em alguns feriados
    Depende da tradição budista. Geralmente consiste apenas na abstenção de alimentos sólidos sendo permitidas bebidas
    É um método de purificação. Os monges budistas Theravada e Tendai jejuam com o objectivo de libertar a mente. Alguns monges budistas tibetanos jejuam para conseguir efeitos de ioga, como por exemplo gerar um calor interior.
    Catolicismo
    Jejum e abstinência de carne na quarta-feira de cinzas, e abstinência de carne em todas as sextas-feiras da Quaresma. Durante muitos séculos os católicos estiveram proibidos de comer carne às sextas-feiras. Mas desde os meados dos anos 1960, a abstinência de carne nas sextas-feiras fora da Quaresma tem sido deixada à consciência de cada um.
    Na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa, são permitidas duas pequenas refeições e uma refeição normal; a carne está proibida. Nas sextas-feiras da quaresma a carne não é permitida. Para o jejum opcional da sexta-feira, algumas pessoas substituem-no por uma penitência ou uma oração especial pelo jejum.
    Ensina o controlo dos desejos da carne, penitência pelos pecados e solidariedade para com os pobres. O jejum da quaresma prepara a alma para uma grande festa ao praticar a austeridade. O jejum de sexta-feira santa celebra o dia em que Cristo sofreu.
    Cristianismo Ortodoxo Oriental
    Existem vários períodos de jejum incluindo a Quaresma, o Jejum dos Apóstolos, o Jejum da Ascensão, o Jejum da Natividade, e vários outros dias de jejum. Todas as quartas-feiras e sextas-feiras são consideradas dias de jejum, excepto aqueles que coincidem com as “semanas livres de jejum”.
    Em geral, a carne, lacticínios e ovos estão proibidos. O peixe é proibido em alguns dias e permitido noutros.
    Fortalece a resistência à gula; ajuda a pessoa a abrir-se à graça de Deus.
    Hindu
    O Jejum é geralmente praticado na Lua Nova e nos festivais de Shivaratri, Saraswati Puja, and Durga Puja. As mulheres no norte da Índia também costumam jejuar no dia de Karva Chauth.
    Depende do indivíduo. O jejum pode consistir em 24 horas de completa abstinência de toda a comida e bebida; mas é mais frequente que inclua apenas abstinência de comida, e sejam permitidas ocasionalmente bebidas como leite e água.
    Uma forma de conseguir concentração durante a meditação ou adoração; purificação do sistema; por vezes é considerado um sacrifício.
    Judaísmo
    Yom Kippur, o Dia da Expiação, e o dia de jejum mais conhecido. O calendário judaico contém ainda seis dias de jejum, incluindo o Tisha B'Av, o dia em que teve lugar a destruição do Templo.
    No Yom Kippur e no Tisha B'Av, a comida e a bebida é proibida durante 25 horas, entre um nascer do sol e o nascer do sol do dia seguinte. Nos restantes dias, a comida e a bebida estão interditos entre o nascer do sol e o por do sol.
    Expiação dos pecados e/ou fazer pedidos especiais a Deus.
    Mormon
    primeiro domingo de cada mês é um dia de jejum. Os indivíduos, as famílias ou comunidades podem realizar jejuns noutras ocasiões.
    Abstenção de comida e bebida durante duas refeições consecutivas, e doando o dinheiro das refeições para os necessitados. Após o jejum, os membros da igreja participam na “reunião de jejum e testemunho”.
    Proximidade em relação a Deus; concentração em Deus e na religião.Jejuns individuais ou familiares podem ser realizados como pedido por uma causa específica, tal como a cura de um doente ou a ajuda a tomar uma decisão difícil.
    Islão
    Ramadão, o nono mês do calendário islâmico, é um período de jejum obrigatório que celebra o período em que o Alcorão foi pela primeira vez revelado a Maomé. Várias tradições islâmicas recomendam dias e períodos de jejum além do Ramadão.
    Abstinência de comida, bebida, fumo, linguagem obscena e relações sexuais entre a alvorada e o por do sol, durante todo o mês.
    Alguns muçulmanos jejuam todas as segundas-feiras porque se diz que o Profeta Maomé também o fazia. Outros jejuam durante o mês de Sha'baan, que precede o Ramadão, e especialmente durante os três dias que precedem o Ramadão.
    Paganismo
    Não existe dias formalmente dedicados ao jejum, mas alguns pagãos jejuam na preparação do festival de Ostara (Equinócio de Primavera)
    À discrição do indivíduo - alguns evitam totalmente a comida, outros reduzem a quantidade de alimento.
    O objectivo é purificar energeticamente a pessoa; frequentemente é usado para elevar os níveis vibratórios como preparação para trabalho de magia. O jejum de Ostara é usado para limpeza pessoal das comidas pesadas do inverno.
    Protestante Evangélico
    À discrição dos indivíduos, igrejas, organizações ou comunidades.
    Apesar de alguns se absterem totalmente de comida ou bebida, outros apenas bebem água ou sumos, apenas comem certos tipos de comida, não fazem refeições,, ou abstêm-se de tentações, comestíveis ou não.
    Os jejuns evangélicos tornaram-se crescentemente populares, com pessoa a jejuar em busca de alimento espiritual, solidariedade para com os pobres, para contrabalançar a cultura consumista moderna, ou para pedir a Deus alguma coisa especial.
    Protestante
    Não é um ponto central da tradição, mas o jejum pode ser realizado à discrição das comunidades, igrejas, outros grupos e indivíduos.
    À discrição de quem jejua.
    Para melhoramento espiritual.