quarta-feira, 30 de maio de 2007

O Silêncio

A experiência ensina que o silêncio faz parte da disciplina espiritual daquele que busca a verdade. A tendência para o exagero, para suprimir ou adulterar a verdade, consciente ou inconscientemente, é uma fraqueza do homem, e o silêncio é necessário para que se possa superar estes momentos. Um homem de poucas palavras raramente dirá algo impensado num discurso. Medirá cada palavra. É comum encontrar muitas pessoas impacientes para falar. O presidente de uma assembleia, em geral, recebe muitos pedidos de pessoas que solicitam a palavra. Quando a autorização é concedida, o orador geralmente excede o tempo limite. Não se pode dizer que esta conversa toda seja benéfica ao mundo. Quanto desperdício de tempo!

Este pequeno excerto das memórias de Gandhi (A minha vida e as minhas experiências com a verdade) encontram um paralelo interessante nas escrituras Bahá’ís. Segundo Bahá'u'lláh "Aquele que busca a verdade... jamais quererá enaltecer-se a si próprio acima de qualquer outro; deverá apagar da tábua de seu coração todo traço de orgulho e vanglória, firmar-se na paciência e na resignação, guardar silêncio e abster-se de palavras vãs." (Kitáb-i-Íqán, parágrafo 214).

A história mas interessante que já ouvi sobre excesso de palavras passou-se na Comunidade Bahá’í do Canadá. Ali, como entre muitas outras comunidades, nas reuniões comunitárias com maior participação (Festas de 19 Dias e Convenções) é fácil encontrar o frenesim dos oradores, das pessoas que têm muitas coisas para dizer, dos delegados que querem abordar vários assuntos durante a sua intervenção. Os índios nativos do Canadá sempre estranharam este tipo de comportamentos e afastaram-se gradualmente deste sistema de consulta comunitária.

Surgiu a ideia de criar encontros em que apenas podiam intervir os índios; quem não fosse índio podia assistir, mas não podia intervir. O resultado foi profundamente contrastante com os encontros tradicionais. Longos períodos de silêncio... intervenções curtas... ausência de frenesim dos oradores... nenhum stress...

Foi o que me contaram. Gostava de ter assistido.

sábado, 26 de maio de 2007

Finalmente!

A religião bahá'í está finalmente radicada em Portugal. É o fim de um processo que se arrastava há muito tempo e que concede à Comunidade de Bahá'í de Portugal o pleno reconhecimento enquanto comunidade religiosa. O Atestado de Radicação emitido pelo Ministério da Justiça foi recebido esta semana no Centro Bahá’í em Lisboa.

O Artigo 37º da Lei da Liberdade Religiosa (LLR) define a radicação de comunidades religiosas nos seguintes termos: “Consideram-se radicadas no País as igrejas e comunidades religiosas inscritas com garantia de duração, sendo a qualificação atestada pelo membro do Governo competente em razão da matéria, em vista do número de crentes e da história da sua existência em Portugal, depois de ouvir a Comissão da Liberdade Religiosa”.

Em termos práticos este reconhecimento permite:
  • Reconhecimento dos efeitos civis dos casamentos bahá’ís (Artº 19 da LLR). Isto é matéria que está neste momento a ser alvo de regulamentação pelo Ministério da Justiça;
  • 0,5% do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, liquidado com base nas declarações anuais, pode ser destinado pelo contribuinte a uma Comunidade Religiosa radicada no País (Artº 32 da LLR);
  • Possibilidade de celebração de acordos entre a Comunidade Bahá’í e o Estado Português em matérias de interesse comum (Artº 45 a 51 da LLR).
Recordo que em Setembro do ano passado o Judaísmo e Islão também já tinha sido reconhecidas como religiões radicadas.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Nas notícias

European Union cautions Iran on human rights (M&C)
Germany assails human rights in Iran (JPost.com)
Baha'is Celebrate Declaration of the Bab (The Morning News)
Mayor Zaragoza abre mañana encuentro delegados de una veintena de religiones (Terra.es)
Leaders gather for Samoan head of state's funeral (ABCNewsOnline)

Rainn Wilson

Actor americano e membro da comunidade bahá'í, Rainn Wilson é um actor pouco conhecido do público português. Alguns talvez o reconheçam de séries como The Office ou Sete Palmos de Terra. A sua participação no filme The Last Mimzy foi o mais recente etapa da sua carreira.



O texto que se segue é um excerto de uma entrevista publicada no BWNS. A entrevista completa pode ser lida aqui.

Pergunta: Rainn, como foi crescer na Fé Bahá'í?

Rainn Wilson: Quando se cresce com uma base espiritual que nos exige sermos conscientes do facto de todas as raças serem iguais, que homens e mulheres são iguais, que todas as religiões adoram o mesmo Deus, isto ajuda-nos a ver o mundo como uma família e a não ficar perdidos nas armadilha dos sistemas de convicções políticas, sociais e económicas que nos desviam. Sempre me vi como um cidadão do mundo. É uma coisa poderosa.

Pergunta: Você afastou-se da Fé Baha’i quando tinha 20 anos e regressou 10 anos mais tarde. O que aconteceu nessa década?

RW: Estive em Nova Iorque, a frequentar a escola de actores, e atravessava uma fase rebelde. Não queria que ninguém me dissesse o que devia fazer. Estava desencantado com as coisas que eram organizadas. Era uma viagem espiritual e eu estava presente. E isto reflectia-se e apoiava-se num dos princípios básicos da Fé Bahá’í que obriga cada investigador espiritual a empreender uma busca individual da verdade.

Comecei do nível zero. Decidi que não sabia se existia Deus. Li livros das religiões do mundo. Perguntei a mim próprio: “Se existe um Deus como poderemos saber o que Ele quer que nós façamos e o que é que Ele quer para nós? Lemos livros? Compramos cristais? Seguimos alguns gurus? Sentamo-nos debaixo de uma árvore? Porque este criador omnisciente deve ter alguma espécie de plano preparado para a humanidade”.

Pergunta: E essa linha de pensamento trouxe-o de volta para a Fé Bahá’í?

RW: Sim, trouxe-me de volta para a maneira Bahá’í de ver as coisas. Compreendi que acreditava em Deus. Não podia conceber o universo sem alguém que o cuidasse dele com compaixão. E fazia-me sentido que Deus fosse revelando gradualmente um plano para a humanidade. Que existe uma revelação progressiva – a crença bahá’í de que Deus envia Mensageiros para cada dia e era. Reli os livros sobre a Fé Bahá’í . E voltei a acreditar que Bahá'u'lláh é o Mensageiro Prometido para este dia e era. A minha busca decorreu entre os 21 e os 31 anos. Hoje tenho 41.

(...)

Pergunta: Como é ser Bahá’í em Hollywood?

RW: A maioria das pessoas tende a associar Hollywood com a corrupção... Shoghi Effendi escreveu sobre isto. O problema é que tudo o que se houve nas notícias é sobre superficialidade, imoralidade e degradação em Hollywood. Apenas uma certa percentagem da população é assim. É provavelmente a mesma percentagem entre médicos, advogados, correctores da bolsa ou qualquer outra profissão. Algumas das pessoas mais moralmente mais conscienciosas, generosas, compassivas estão no mudo do espectáculo, pessoas que querem influenciar o mundo, transformando-o num local melhor contando histórias humanas que tocam o coração.

A maioria das pessoas em Hollywood nunca ouviram falar da Fé Bahá’í, e por isso fazem perguntas. Tive a oportunidade de a mencionar em vários artigos e entrevistas na TV, como o “The Late Late Show with Craig Ferguson."

Há alguns anos que eu e a Holly [a esposa] temos organizado um “serão de crença” – uma reunião devocional em nossa casa para a qual convidamos pessoas de diferentes religiões. Pedimo-lhes que tragam algo para partilhar sobre o seu caminho espiritual. Acreditar em Deus não é um requisito [para participar] Tivemos ateus, cientistas cristãos, monges budistas...

(...)

Pergunta: Qual é o seu aspecto favorito da Fé Bahá’í?

RW: Adoro a formo como a Fé é democrática, isto é, não tem clero, ninguém nos diz como devemos interpretar a palavra de Deus. Neste dia e nesta era vemos como o clero corrupto pode levar a humanidade por tantos caminhos maus.

A minha citação preferida na Fé Bahá’í é de 'Abdu'l-Bahá: "Se a religião é motivo de desunião, então, em verdade, a irreligião é preferível" (...)



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A entrevista no The Late Late Show with Craig Ferguson:




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A ler:
Rainn Wilson in Time Magazine
Rain Wilson Fan Site
Schrute-Space – Blog de Rainn Wilson na personagem de Dwight Schrute


terça-feira, 22 de maio de 2007

O Iluminismo

Uma resposta ao Prof. João César das Neves

Não tenho por hábito comentar os artigos do Prof. João César das Neves; apesar de o considerar uma pessoa esclarecida na área económica, as suas análises sobre assuntos religiosos sempre me pareceram eclesiocêntricos, e uma espécie de eco das correntes mais conservadoras da Igreja Católica. Neste aspecto, o Padre Anselmo Borges e Frei Bento Domingues são claramente mais interessantes, apresentando temas e perspectivas que frequentemente convidam à reflexão e ao debate.

Mas na sua crónica de ontem no Diário de Notícias, um pequeno parágrafo chamou a minha atenção:
O Iluminismo foi o único movimento cultural mundial que tentou fundar uma seita ateia e anti-religiosa. O fiasco é hoje evidente mas a sua sanha e fanatismo, da guilhotina ao gulag, estiveram entre os piores da História. E deixaram sequelas. Muitos leitores, mesmo crentes, continuam a ficar incomodados com um artigo destes neste local. Todos os temas são aceitáveis numa coluna destas, mas religião fica mal.
Não poderia discordar mais.

Considerar o Iluminismo apenas como sendo a semente de movimentos ateus, ou anti-religiosos, de movimentos políticos sangrentos é uma distorção grosseira da história. Estranho que um Professor Universitário utilize este tipo de discurso maniqueísta que nos dias de hoje encontra paralelo no fundamentalismo islâmicos (onde tudo o que não é muçulmano é considerado inimigo e fonte de mal) ou no radicalismo ateu (onde se abomina tudo o que cheire a religião).

A minha religião surgiu no Médio Oriente no século XIX, numa altura em que os filósofos e intelectuais muçulmanos começaram a perceber as limitações da jurisprudência islâmica e das formas de governo absolutistas. Por esse motivo, um bahá’í reconhece facilmente o papel fundamental do Iluminismo na eliminação do preconceito religioso no mundo ocidental. Para mim, o Iluminismo e o período de modernidade a que este deu origem, devem ser entendidos como parte de um processo histórico de evolução colectiva da humanidade.

Um bahá'í detido pelo governo Persa (aprox. 1880)
Por defenderem a liberdade, os baha'is enfrentaram a oposição de regimes tirânicos.

Evidentemente que não nego que o Iluminismo produziu frutos amargos na forma de teorias políticas dogmáticas tão prejudiciais à humanidade como as ortodoxias religiosas que o precederam. Dando preferência a um princípio de “Direitos Iguais para Todos”, os baha’is rejeitaram as correntes políticas como o fascismo e o comunismo do século passado.

Segundo Bahá'u'lláh, o fundador da religião bahá'í, a liberdade é a chave do progresso social e do desenvolvimento científico. O Seu filho, ‘Abdu’l-Bahá, comparou o contraste entre a intolerância medieval e as reformas iluministas do séc. XVIII:
"Quando [os Ocidentais] eliminaram estas diferenças, perseguições e fanatismo do seu seio, e proclamaram a igualdade de direitos em todos os assuntos e a liberdade das consciências dos homens, as luzes da glória e do poder ergueram-se e brilharam sobre os horizontes desse reino, de tal forma que esses países fizeram progressos em todas as direcções... Isto são provas claras e suficientes que a consciência do homem é sagrada e deve ser respeitada; e que a sua liberdade ideias mais amplas, correcções à moral, melhoramentos na conduta, revelação dos segredos da criação e manifestação das verdades ocultas no mundo contingente"
A história da religião Bahá'í possui muitos episódios de luta contra a opressão que encontram paralelo nas lutas dos ideólogos e filósofos americanos e franceses que no séc. XVII lutaram contra a tirania e o absolutismo. Hostilizados pelo clero muçulmano e por burocratas do séc. XIX do Médio Oriente, os primeiros bahá’ís enfrentaram restrições à liberdade, foram perseguidos por delitos de opinião (e por isso prezam a liberdade de pensamento), não podiam publicar os seus livros (e por isso valorizam a liberdade de imprensa) e foram alvo de leis injusta de governos absolutistas (e por isso compreendem as vantagens da democracia e do primado da lei).

Jefferson, Lock e Montesquieu, figuras de referência do Iluminismo

É importante, porém, ter presente que alguns ensinamentos bahá’ís vão um pouco mais longe e criticam alguns aspectos da modernidade iluminista. Não aceitam os direitos de propriedade como absolutos (como fazia Locke) e demonstram muito maior preocupação pelos trabalhadores e pelos pobres do que aquilo que é típico do Liberalismo. Não aceitam a escravatura como Locke ou Jefferson, pois consideram que isso é um atentado contra os direitos humanos; e entendem que os direitos humanos são universais e não um estatuto inerente aos "livres" ou aos "brancos".
Além disso, 'Abdu'l-Bahá defendeu o direito de voto das mulheres anos antes deste ter sido incluído na Constituição Americana. E quando as potências europeias justificavam o colonialismo como uma acção civilizadora e libertadora, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá criticaram o colonialismo europeu como sendo ganancioso e desastroso.

Percebe-se, portanto, que a aceitação da herança das ideias de Locke, Montesquieu e Jefferson nos ensinamentos bahá’ís não foi um acto de assimilação passiva; tratou-se antes de uma apropriação activa, sendo estes ideais vistos como parte integrante de uma nova etapa do desenvolvimento da humanidade. Entender esta nova etapa e perceber o papel da religião no mundo moderno é um desafio que as religiões não podem ignorar, sob risco de se tornarem um obstáculo ao progresso.

domingo, 20 de maio de 2007

Malietoa Tanumafili II, Videos

A homenagem da Comunidade Baha'i de Samoa:



E a notícia que passou ontem na BBC World News neste link.

sábado, 19 de maio de 2007

As raposas a guardar o galinheiro!

Egipto, Angola e Qatar eleitos para o Conselho de Direitos Humanos da ONU

Quando no ano passado as Nações Unidas criaram o Conselho dos Direitos Humanos para substituir a desacreditada Comissão dos Direitos Humanos, muitos governos, organizações humanitárias e analistas consideraram que se tratava apenas de uma operação de cosmética. As limitações e vícios do organismo extinto, afirmavam, tinham passado para o actual. E a prová-lo apontava-se o facto de países como o Azerbaijão, a China, Cuba e a Arábia Saudita serem membros deste organismo.

A recente eleição de novos membros para este organismo veio ressuscitar o coro de protestos e indignação relativamente à composição deste organismo internacional.

É verdade que merecem um aplauso os países europeus cujas pressões impediram que a Bielorússia fosse eleita; este país vive sob regime ditatorial e possui um triste registo de abusos sobre os direitos humanos. Mas infelizmente, os países africanos foram incapazes de impedir a eleição de países como o Egipto e Angola; de igual modo, os países asiáticos também não se opuseram à eleição do Qatar.

Vários grupos de defensores dos Direitos Humanos já elogiaram a atitude dos governos Europeus e lamentaram a eleição destes três países, considerando que estes se juntam à lista de paises

Fará sentido que um país como o Egipto - onde se verificam discriminações perseguições religiosas (não só contra bahá’ís mas também contra cristãos) e políticas - seja membro de um organismo internacional que é suposto velar pelos Direitos Humanos em todo o mundo? O que pode ensinar ao mundo um Estado cujas forças policiais torturam e abusam - física e psicologicamente - de prisioneiros de forma continuada e com total impunidade?

E que dizer de Angola, onde notícias recentes davam conta da destruição de 3000 casas e do despejo 20 mil pessoas de baixos rendimentos, de forma «compulsiva», «com violência» e «sem justificação» desde o final da guerra civil? É certo que o relatório recente do Departamento de Estado Norte-Americano reconhece que houve algum progresso neste país; mas há problemas gravíssimos que subsistem: mortes injustificadas por parte de polícias, forças militares e forças de segurança privadas, corrupção e impunidade das forças de segurança e entidades governamentais, detenções arbitrárias, um sistema judicial ineficiente... Não há em África outros países que tratem melhor os seus cidadãos?

E depois o Qatar, um pequeno país do Golfo Pérsico onde a situação dos direitos humanos também registou pequenos progressos, mas ainda assim a liberdade de expressão e de associação sofrem restrições, e a liberdade religiosa encontra algumas dificuldades. Que moralidade tem um Estado destes para ser membro de um Organismo Internacional como o Conselho dos Direitos Humanos?

Depois da eleição do Zimbabwe para a Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, esta eleição destes três países para o Conselho de Direitos Humanos mostra o quão urgente se torna uma reforma profunda da ONU.

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A ler:
ONU: Angola, Eslovénia e Bósnia no Conselho Direitos Humanos (DD)
Angola: governo acusado de «violência» (PD)
Belarus loses UN human rights bid (BBC)
Angola: Thousands Forcibly Evicted in Postwar Boom (HRW)
Despite abuse, Egypt joins rights council (Toronto Star)
Non-Democratic Nations Elected onto UN Rights Watchdog (CNSNEWS.COM)
The Oppressors' Club (NRO)
Egypt & Human Rights: Is the Fox Guarding the Henhouse? (Baha'i Faith in Egypt)

Relatório sobre Direitos Humanos 2006 (Departamento de Estado Norte-Americano)
- Angola
- Egipto
- Qatar

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Elevadas taxas de Natalidade???

A revista Foreign Policy acaba de publicar a lista das religiões com maiores taxas de crescimento: The List: The World’s Fastest-Growing Religions. O tema torna-se particularmente interessante pois nas últimas décadas tem-se percebido nas sociedades ocidentais uma certa tendência para a redescoberta da religião.

Entre as religiões com maior taxa de crescimento, a FP aponta a Fé Bahá'í (chama-lhe Bahaismo). E detalha: existem 7,7 milhões de bahá’ís e a sua taxa de crescimento é de 1,7%. O que merece uma boa gargalhada é o motivo apontado para este crescimento: elevadas taxas de natalidade na Índia. Fico a pensar onde é que a FP foi buscar estas informações...

As estatísticas oficiais bahá'ís afirmam que existem mais de cinco milhões de bahá’ís em todo o mundo; a Encyclopædia Britannica (2004) e a World Christian Encyclopedia (2001) afirmam que existem mais de 7 milhões de baha’is em todo o mundo. Por seu lado, a Encyclopedia of Religion (2005) sustenta que os bahá’ís são cerca de seis milhões.

Quanto aos motivos do crescimento são possíveis várias explicações de acordo com o tempo e o local. Por exemplo, a taxa de crescimento dos bahá’ís nos EUA é inferior ao que era nos anos 1960, e os motívos desse declínio são diversos; no entanto, em países como a Bolívia, a Zâmbia e a Índia, várias campanhas de divulgação nas últimas décadas têm levado ao crescimento do número de crentes bahá’ís. Existem ainda alguns países onde há uma grande discrepância nos números de diferentes fontes. No Vietname, por exemplo, a Adherents.com afirma que existem mais de 350.000 bahá’ís, mas as estatísticas governamentais referem apenas 7000.

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Sobre este assunto:
Bahá'í statistics (Wikipedia)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Malietoa Tanumafili II, na revista Visão

(clique na imagem para ampliar e ler o texto)

O falecimento do rei Malietoa Tanumafili II não passou despercebido à revista Visão; na edição desta semana encontramos no obituário uma referência significativa a este monarca.

O texto em causa apenas merece um reparo: não foi o rei Malietoa que mandou construir o templo baha’i nas ilhas Samoa; essas decisões são coordenadas entre as Comunidades Baha’is Nacionais e a Casa Universal de Justiça. A história da construção do templo de Samoa está disponível neste site. Acrescente-se que a construção destes templos é financiada apenas por bahá’ís de todo o mundo.

Uma Ciencia, uma Religião


No inicio deste mês assisti a mais um encontro no Centro Bahá'í de Lisboa. O tema era Ciência e Religião. Uma das análises feitas incidiu sobre a evolução do pensamento religioso e do pensamento científico; essa análise iniciou-se com uma questão desafiadora: "Haverá uma religião ou várias religiões?"

A religião e a ciência são interpretações da realidade que nos envolve; têm evoluído ao longo dos séculos e a humanidade tem colhido os frutos desses dois tipos de conhecimento. Se se falar do conhecimento científico como um todo, isso não levanta polémicas; e quando existem grandes avanços no conhecimento científico, não se criam cisões entre comunidades que durem séculos. Não ouvimos falar hoje de geocentristas, heliocentristas, newtonianos ou "Heisenberguistas"; nem tão pouco sabemos de guerras entre eles. A ciência é vista como um todo; seria absurdo dizer que o exclusivo da verdade científica está neste, ou naquele ponto de vista.

Então porque é que na religião temos necessidade de nos identificar com uma interpretação ou uma comunidade? Porque é tão difícil deixar de dizer que somos judeus cristãos muçulmanos ou bahá'ís? Porque é que é tão difícil aceitar uma evolução de conhecimentos religiosos? Que sentido tem uma guerra entre adeptos de religiões? Porque é que tanta gente se sente incomodada quando nos referimos à religião como um todo, e evitamos identificá-la com qualquer denominação?

No fundo, se conseguimos ver a ciência como um todo, porque é que não vemos a religião como um todo?

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Direitos Humanos (9)

A Religião Bahá'í e os Direitos Humanos

"Já percebi vocês são um bocado viciados na questão dos Direitos Humanos" disse-me recentemente um amigo. "E não és só tu. Conheço mais bahá'ís que são muito ligados a esse tema. Tens é de me explicar a razão dessa afinidade."

Aqui vai, meu caro!

Uma simples comparação entre os princípios bahá'ís e os valores defendidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos permite ao observador mais desatento perceber as semelhanças entre ambas. E se tivermos em conta que as religião bahá'í surgiu cem anos antes da publicação da Declaração, poderíamos questionar até que ponto o conceito de direitos humanos se encontra enraizado nesta religião.

Ao contrário da maioria das Escrituras das restantes religiões mundiais, as Escrituras Baha’is possuem numerosas referências aos direitos e à liberdade dos povos; recorde-se que a vida de Bahá'u'lláh pode ser descrita como uma sucessão de exílios, sem que Ele alguma vez tivesse sido julgado ou condenado por qualquer crime. Para os padrões actuais Ele seria considerado um prisioneiro de consciência.

Em 1891, referindo-se à dinastia Qajar que governava a Pérsia, lamentou-se: "Os que perpetram tirania no mundo têm usurpado os direitos dos povos e raças da terra e seguem diligentemente suas inclinações egoístas"[1]. Em várias ocasiões referiu que os seus direitos tinham sido injustamente negados pelos governos despóticos da Pérsia e do Império Otomano. Numa epístola dirigida aos monarcas do mundo, instou-os a "salvaguardar os direitos dos espezinhados e a punir os malfeitores"[2].

Segundo alguns especialistas o sentido da palavra "direitos" (huquq) usado por Bahá'u'lláh está muito próximo do conceito de direito para a mentalidade europeia moderna. A ideia de direitos do Iluminismo começou a ser utilizada por intelectuais e jornalistas do Médio Oriente por volta de 1860, e também por Muçulmanos com educação Europeia que tinham conhecimento da Declaração francesa dos Direitos do Homem e da Primeira Emenda à Constituição Americana.



Bahá'u'lláh usava a palavra “direitos” em oposição à tirania e despotismo. Mas era crítico da liberdade no sentido de licenciosidade moral; à semelhança dos primeiros pensadores republicanos americanos rejeitava a ideia de John Stuart Mill de que os indivíduos tinham o direito de fazer o que lhes agradasse desde que não fizesse mal a outros (na verdade poucos pensadores religiosos concordam que a moralidade privada seja pouco importante ou que crimes sem vítimas - como a prostituição - possam ser legalizados).

No Kitab-i-Aqdas, Ele criticou a licenciosidade por ser geradora de sedição, imoralidade e desordem pública. Por outro lado não rejeitou os aspectos positivos da liberdade: "aprovamos a liberdade em certas circunstâncias e recusámos sancioná-la noutras."[3] E acrescentou: "A verdadeira liberdade está na obediência às leis de Deus". Mas entre estas leis encontram-se a liberdade e os direitos políticos. Em 1889 escreveu a uns crentes: "Em verdade a liberdade, a civilização e os seus requisitos aumentam de dia para dia".

Os sucessores de Bahá'u'lláh na liderança da Comunidade Bahá'í continuaram a expressar a importância dos direitos humanos. Em 1912, durante a Sua visita aos Estados Unidos, 'Abdu'l-Bahá afirmou:
Bahá'u'lláh ensinou que deve se deve adoptar e reconhecer um padrão comum de direitos humanos. Aos olhos de Deus, todos os homens são iguais; não há distinção ou preferência por qualquer alma no domínio da Sua justiça e equidade”. [4]
Mais tarde, em 1925, Shoghi Effendi escreveu:
[Os bahá'ís] devem ter o mais rigoroso cuidado na salvaguarda dos legítimos direitos pessoais e civis de todos os indivíduos, seja qual for a sua carreira ou posição na vida, e independentemente das suas origens raciais, religiosas e ideológicas. Em assuntos relacionados com esses direitos não é permissível fazer distinções, discriminações ou mostrar preferências. [5]
Foi em 1948 que a Comunidade Internacional Bahá'í foi admitida como Organização Não-Governamental das Nações Unidas. Uma das suas primeiras tarefas foi a apresentação de uma proposta de Declaração de Direitos Humanos; esse documento tinha por título A Bahá'í Declaration of Human Obligations and Rights.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é hoje encarada pela Comunidade Baha’i como um extraordinário contributo para a paz mundial[6]. Para os bahá'ís, os princípios ali enunciados – tão próximos dos princípios da sua religião – são normas universais cuja implementação deve ter a maior prioridade e cuja defesa é uma obrigação de cada ser humano.

------------------------NOTAS
[1] - Epístolas de Bahá'u'lláh, Lawh-I-Dunyá (Epístola do Mundo)
[2] - A Proclamação de Bahá'u'lláh, Advertências aos Reis e Governantes do Mundo
[3] - Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. CLIX
[4] - The Promulgation of Universal Peace, pag. 182
[5] - Carta de Shoghi Effendi dirigida aos Bahá'ís do Irão, Julho 1925 (disponibilizada pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça)
[6] - A título de curiosidade refira-se que a expressão “Direitos Humanos” surge mais de 400 vezes nos documentos publicados pela Casa Universal de Justiça e pela Comunidade Internacional Baha’i.

domingo, 13 de maio de 2007

Malietoa Tanumafili II


Malietoa Tanumafili II, rei de Samoa faleceu no passado dia 11 de Maio num hospital de Apia. Tinha 95 anos. Malietoa subiu ao trono de Samoa em 1939; em 1962, após o território ter obtido independência da Nova Zelândia, assumiu funções de chefe de estado.

O falecido monarca deixou duas filhas e dois filhos; as ilhas de Samoa situam-se no Pacífico Sul, entre a Nova Zelândia e o Hawai; são a pátria de 200.000 pessoas e possuem uma área de 2,831 km².

O Rei de Samoa (2004) acompanhado pelas duas filhas,
assistindo à cerimónia de celebração dos 50 anos da religião Bahá'í em Samoa.


Malietoa Tanumafili II era o único monarca vivo oficialmente conhecido como bahá'í. É nas ilhas de Samoa que se situa o Templo Bahá’í do Pacífico (ver foto abaixo).


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NOTA: A Rainha Maria da Roménia era conhecida como uma grande apoiante da Fé Baha’i e é geralmente referida como “a primeira monarca bahá’í”. Algumas declarações públicas confirmam esse apoio: “Se algumas vez os nomes de Bahá'u'lláh ou de 'Abdu'l-Bahá despertar a vossa atenção, não vos afasteis das suas escrituras. Procurai os seus Livros e deixai que as suas palavras e ensinamentos gloriosos, criadores de paz e amor encham os vossos corações assim como encheram o meu”.

NAS NOTÍCIAS:
Samoa islands head of state dies (BBC)
Samoan King Dies at 94; Ruled Since 1963 (The Guardian, UK)
Samoan king dies (Al-Jazeera)
Décès du plus vieux dirigeant du monde Malietoa Tanumafili II (L'Express, Suisse)
Le plus vieux dirigeant du monde est mort (Le Figaro, France)
Ilhas Samoa: Morreu o mais velho rei do mundo (Diário Digital, Portugal, também no Angola Press)
Morre o rei de Samoa, há mais de quatro décadas no poder (Estadão, Brasil)
Tanumafili II, el veterano rey de Samoa (El Mundo)
Samoan King Malietoa Tanumafili II, reigned for more than 40 years, dies at 94 (The Seattle Times)
Samoa's king, one of world's longest reigning monarchs, dies (The Star, Malasya)
Samoan king dies at the age of 94 (The Sidney Morning Herald)
Samoa's King Malietoa Tanumafili II, 94 (Honolulu Avertiser)

sábado, 12 de maio de 2007

Dissonância Cognitiva

Excerto de um artigo do Prof. Anselmo Borges, hoje no DN:

Depois de uma conferência, no período das perguntas, uma senhora atirou-me: "Sempre é verdade o que dizem: o senhor nega dogmas da Igreja!" Pedi-lhe para dar exemplos. Ela: que tinha negado o dogma do pecado original.

Aí, perguntei-lhe se tinha filhos. E ela: "Sim, tenho duas filhas." Dei-lhe parabéns sinceros e desafiei-a a dizer-me se acreditava sinceramente que as duas filhas tinham sido geradas em pecado e que ela tinha andado nove meses de cada vez carregando com duas filhas em pecado dentro dela. Ela: "Nem pense nisso! É claro que não."

Fiquei então, mais uma vez, a saber que, frequentemente, há na religião o que se chama dissonância cognitiva: afirma-se uma coisa, mas realmente não se acredita nela, porque se pensa outra coisa. Aquela senhora, confrontada com a questão, viu claramente que não podia acreditar que uma criaturinha inocente, concebida com amor, tivesse sido gerada e tivesse nascido em pecado, um pecado de que não era autora nem culpada. Mas ao mesmo tempo acusava de heresia quem dissesse o contrário do que lhe ensinaram que devia dizer, sem pensar. Ora, a fé não pode entregar-se à cegueira, abandonando a razão.

Ghada Jamshir

Ghada Jamshir, uma activista da defesa dos direitos das mulheres, entrevistada no canal de TV Al-Arabiya (Dubai/Arábia Saudita), em 21 de Dezembro de 2005. Nesta entrevista, esta mulher de grande coragem , ataca os clérigos islâmicos que emitiram fatwas a autorizar o abuso sexual de crianças.

Só pode merecer a minha simpatia e admiração.


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A transcrição parcial da entrevista (em inglês) encontra-se aqui.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sheik Bahai



O Ministério da Cultura Iraniano anunciou recentemente a realização do Dia da Memória da Arquitectura, um evento cujo objectivo é homenagear o trabalho do Sheik Bahai, um arquitecto persa que viveu alguns séculos antes da religião bahá’í ter aparecido naquele país.

O facto passaria despercebido não fosse um cartaz promocional do evento publicado pelo Ministério da Cultura Iraniano, ter sido impresso com a foto de 'Abdu'l-Bahá como Sheik Bahai. Os cartazes foram afixados na cidade de Kashan.

Quando num regime que se tem dedicado nos últimos anos a perseguir e estrangular financeira e culturalmente a comunidade bahá’í, os funcionários do Estado cometem uma gaffe destas... eu tenho de rir!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Ave Maria (Bach-Gounod)

Interpretado por Bobby McFerrin.

Simplesmente magnifico!

Falta de comparência



Segundo a BBC Online, na Noruega, um jogo de futebol entre sacerdotes cristãos e muçulmanos acabou por ser cancelado quando os muçulmanos tiveram conhecimento que na equipa cristã haveria mulheres. A Igreja da Noruega decidiu retirar as mulheres da equipa para que o jogo se pudesse realizar; e naturalmente que as mulheres se sentiram ultrajadas e o capitão de equipa decidiu que também não participaria em protesto contra a decisão da Igreja.

Há alguns anos que cristãos e muçulmanos têm explorado formas de desenvolver o diálogo inter-religioso na Noruega. Este jogo inseria-se num evento chamado “Ombro a ombro”, mas claramente não incluía contactos físicos entre ombros de sacerdotes muçulmanos e sacerdotisas cristãs.

Como sabemos, quando um jogo de futebol acaba por não se realizar devido à falta de comparência, a(s) equipa(s) faltosa(s) e os responsáveis pela organização do jogo são responsabilizados; além disso, o futebol em si acaba por ficar desacreditado.

Também aqui, me parece que acontece algo semelhante; os Muçulmanos da Noruega, Igreja da Noruega, os dinamizadores do diálogo inter-religioso e a própria religião em si, acaba por ficar desacreditada.

Esperemos que os organizadores do evento percebam as consequências destas decisões.

sábado, 5 de maio de 2007

As Dimensões Morais das Alterações Climáticas

As alterações climáticas são uma questão moral? Sabemos que Al Gore pensa que sim.



Neste vídeo o antigo negociador de Bill Clinton para as alterações climatéricas, Don Brown, apresentou e desenvolveu esta ideia num painel sobre ética junto da Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, (um evento patrocinado pela Comunidade Bahá'í).

Brown afirma que “existem muitas questões éticas e morais ocultas nas discussões económicas e científicas sobre alterações climáticas”. E não tem dúvidas: necessitamos de usar instituições multilaterais e aplicar a lei internacional. Em pouco mais de 10 minutos, Don Brown aborda - de forma fascinante e perturbadora - um conjunto significativo de questões morais associadas aos problemas ambientais:
  1. Qual o limite aceitável para emissão de gases com efeitos de estufa? Qual o nível de aquecimento do planeta que devemos tolerar? Isto determina que vive e quem morre.
  2. Como deverão ser distribuídas as quotas de emissão de CO2? Se nos próximos 30 anos vamos passar de 7 para 20 mil milhões de toneladas de emissão (como antecipam alguns cenários) ou se vamos passar de 7 para 2,5 mil milhões (com reduções dramáticas) como redistribuir as quotas? Deverão os EUA ter uma maior quota per-capita do que China ou a Índia?
  3. Quem paga os prejuízos causados na atmosfera? Os países mais pobres estão a levantar esta questão. É uma questão de justiça.
  4. Poderemos criminalizar os estragos ambientais contínuos, agora que existe uma certeza científica sobre as influências humanas no clima? Em muitas partes do mundo, o comportamento perigoso é criminalizado.
  5. Para quem é que isto é um custo? Será imoral para os EUA afirmarem que a redução de emissões é demasiado cara? As análises custo-benefício que têm sido feitas transformam tudo em bens de consumo e até consideram as vidas das pessoas de países subdesenvolvidos como menos valiosas do que as vida de pessoas em países desenvolvidos. É muito estranho que a ética e a moralidade esteja ausentes destas análises custo-benefício.
  6. Deverão os países agir em conjunto? Será imoral os EUA aguardarem que os outros países tomem iniciativas? Isto tem sido uma desculpa que os EUA têm usado nos últimos 30 anos. Será que alguém pode achar que não deve parar um comportamento criminoso porque outros também não param?
  7. Poderemos arriscar e aguardar o aparecimento de uma tecnologia salvadora e mais barata? E os países pobres do mundo terão alguma palavra nesta opção?
Por fim Brown, cita Bill McKibben, que comparou a atitude das actuais gerações para com os problemas climáticos com a atitude dos seus pais para com a segregação racial nos EUA. Eles eram pessoas de bem mas estavam cegos para os problemas da segregação; até que um dia viram cães polícia a atacar brutalmente manifestantes negros. Foi um choque emocional que os levou a perceber a dimensão moral e ética da segregação e a quebrar a inércia face à luta dos negros americanos pelos seus direitos cívicos.

Será que vamos necessitar de um choque emocional equivalente para despertarmos da nossa inércia face aos problemas climáticos?

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A ler:
Ethics and Climate Change (International Environment Forum)

Climate change creates moral issues, says panel (BWNS)

sexta-feira, 4 de maio de 2007

A Promessa da Paz Mundial



"A Promessa da Paz Mundial" é o título de um documentário (30 min.) onde se abordam as origens e ensinamentos da religião Bahá'í. Também foi titulo de uma declaração da Casa Universal de Justiça publicada em 1985.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Jacques Attali


Algumas frases que recolhi da entrevista publicada na revista Le Monde des Religions (Março/Abril 2007) com este intelectual francês:
  • Não consigo compreender ou trabalhar num mundo sem Metafísica. E acredito que existe uma inteligência absoluta, que para mim se confunde com o Tempo.
  • A música é, para mim, a melhor prova da existência de Deus.
  • Para mim, Jesus é um grande profeta Judeu.
  • É possível ser plenamente judeu e seguir o pensamento de Jesus.
  • Os rabinos aceitaram imediatamente o Islão como um monoteísmo, "o mais puro" dizia Maimónides.
  • Toda a religião tem uma vocação teocrática.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Ridvan (3)

TRÊS ANÚNCIOS

O Rio Tigre, em Bagdade (foto início séc. XX)

Numa epístola escrita alguns anos após o exílio em Bagdade, Bahá'u'lláh declarou que no primeiro dia de Ridvan foram feitos três anúncios. O primeiro proibia a guerra para expandir ou defender a fé. A guerra santa (jihad) tinha sido permitida no Islão e sob certas condições nas leis reveladas pelo Báb. O segundo sustentava que não apareceria outro Profeta enquanto não se completassem mil anos. O terceiro anúncio tinha um carácter místico e poético: afirmava que nesse momento os Nomes de Deus manifestavam-se plenamente em todas as coisas.

Alguns autores sugerem que nestes três anúncios Bahá'u'lláh faz uma proclamação implícita da sua Missão como Manifestante. Na minha opinião, nestes três anúncios percebe-se o surgimento de uma nova religião. Há alguém numa comunidade cuja autoridade e prestígio é reconhecido e que proclama novas leis e ensinamentos. Assim, parece natural que os dois primeiros anúncios antecipem leis que ficaram registados no Kitab-i-Aqdas; o terceiro anúncio repete-se em vários textos revelados pelo fundados da religião bahá’í:
"Aquele que é o Desejo das Nações derramou sobre os reinos do invisível e visível o esplendor da luz dos Seus Mais Excelsos Nomes, e os envolveu com o brilho dos luminares dos Seus mais graciosos favores - favores que ninguém pode avaliar salvo Ele"
De certa forma a chegada de Bahá'u'lláh ao Jardim de Ridvan assinala um momento de viragem na história da religião bahá’í. Não é só a revelação de um segredo a algumas pessoas que o torna relevante; é todo o relacionamento entre a Humanidade e o Criador que entra numa nova fase.