sexta-feira, 29 de junho de 2007

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O que é a laicidade?

Ricardo,

Nós divergimos no modelo de laicidade que defendemos.

Deverá o Estado ignorar a religião dos seus cidadãos? Depende do que se entende por ignorar. Se se trata de não discriminar, então estamos de acordo. Mas a ignorância pode levar a situações embaraçosas, como aquela de um governante que ofereceu um almoço às comunidades religiosas do nosso país. Na ementa constava carne de porco à alentejana. Foi a ignorância que permitiu isto.

E porque devem as confissões religiosas ser tratadas como qualquer outra associação de cidadãos? O Estado não trata por igual uma empresa ou uma associação de condóminos; nem tão pouco dá a mesma importância a um clube de futebol, uma associação ambientalista ou um sindicato. No relacionamento com forças sociais, o Estado tem em conta as especificidades destas. Cada associação, tem uma área específica de actuação, objectivos próprios e características de funcionamento particulares.

O que o Estado não pode é fazer discriminações entre as Empresas (porque é que os bancos pagam uma percentagem tão baixa de IRC?), discriminações entre os clubes de futebol (porque é que se financiou a construção dos estádios de alguns clubes para o Euro 2004?), discriminações entre as religiões (porque é que a Concordata não é substituída por um acordo com a Conferência Episcopal Portuguesa ao abrigo da LLR?).

Para mim, laicidade significa o tratamento equitativo de todas as confissões religiosas; não significa que todas as forças sociais – independentemente da sua natureza – devam ser tratadas da mesma maneira.

Confissões Religiosas radicadas já podem celebrar casamentos com efeitos civis

(Notícia divulgada pela agência Lusa ao início da tarde de hoje)

O Governo aprovou hoje a abertura da celebração de casamentos religiosos, com efeitos civis, a comunidades religiosas radicadas em Portugal há mais de 30 anos, terminando assim com o regime de exclusividade da Igreja Católica.

A medida faz parte do decreto aprovado em Conselho de Ministros que revê o Código do Registo Civil, os códigos Civil e do Notariado e o Regulamento Emolumentar dos Registos e do Notariado.

«A partir de agora, o casamento celebrado sob forma religiosa perante o ministro do culto de uma igreja ou comunidade religiosa radicada no país passa a produzir efeitos civis à semelhança do regime de casamento católico, sem prejuízo das especificidades resultantes da Concordata celebrada entre o Estado Português e a Santa Sé», declarou o ministro da Justiça, Alberto Costa.

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COMENTÁRIO: Esta medida já tinha sido anunciada em Março, no encerramento do colóquio "A Religião fora dos Templos", organizada pela Comissão da Liberdade Religiosa. É uma medida necessária num Estado laico, e apenas peca por ser tardia. Parabéns ao Ministro que teve coragem de a publicar.

Mário Soares vai presidir à Comissão de Liberdade Religiosa



(Notícia divulgada ao início da tarde de hoje, pela agência Lusa)

O Conselho de Ministros designou hoje o ex-Presidente da República Mário Soares para presidir à Comissão de Liberdade Religiosa, em substituição do social-democrata Meneres Pimentel.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, saudou o trabalho desempenhado pelo presidente cessante, Meneres Pimentel, que esteve como presidente da Comissão de Liberdade Religiosa desde 2004.

"Mário Soares trata-se de uma personalidade cujo contributo para a democracia e para a liberdade religiosa, assim como para o diálogo inter-religioso, é conhecida de todos os portugueses", declarou o ministro da Justiça, em conferência de imprensa.

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COMENTÁRIO: Na minha opinião é uma boa escolha. O perfil assumido de “Republicano, Laico e Socialista” de Mário Soares é uma garantia de equidade e imparcialidade em questões religiosas. O respeito que tem manifestado pelas confissões religiosas no nosso país reforçam essa garantia.

Se o nomeado para este cargo fosse membro de uma qualquer confissão religiosa (ou apenas crente em Deus), imediatamente haveria dúvidas sobre a sua imparcialidade em matéria de religião.

Mas a Comissão não é apenas o Presidente. Quem são os restantes membros?

terça-feira, 26 de junho de 2007

Ainda a propósito do Aeroporto...

Moro há muitos anos nos Olivais, em Lisboa; cresci e vivi rodeado pelo ruído dos aviões. Agora, descobriram que eu e outras 180.000 pessoas temos a saúde prejudicada por causa do Aeroporto. Fico sensibilizado com esta preocupação, mesmo quando é usado como argumento para destruir o Aeroporto da Portela.

Mas ficaria ainda mais sensibilizado, se quem usa este argumento também mostrasse a mesma preocupação pelo encerramento de centros de saúde, serviços hospitalares e maternidades por esse país fora. É que me parece incorrecto essa preocupação cingir-se à saúde dos lisboetas.

O Estado e as Religiões

Adriano Moreira, hoje no Diário de Notícias:
(...)
O notável Alexis de Tocqueville, cuja análise da democracia na América ficou como referência indispensável para avaliar a longa e acidentada marcha do país, evidenciou a relação da religião com a República, afirmando que "a religião é portanto mais necessária na República que eles (laicos franceses) preconizam do que na monarquia que atacam, e mais necessária nas repúblicas democráticas do que nas outras".

Acontece agora que o mais severo ataque aos EUA, e ao Ocidente em geral, mobiliza fanáticos decididos à salvação pelo sacrifício da vida, mas sacrificando o maior número possível de inocentes, invocando valores religiosos recolhidos em leituras abusivas dos livros santos. Neste trajecto de destruição, em que os EUA envolveram o seu poder e a sua autoridade no desgaste de uma guerra imprudente e infundamentada em território muçulmano, a evidência parece ser que o conceito de Tocqueville ganhou uma abrangência que ultrapassa largamente os então invocados fundamentalismos republicanos, os regimes democráticos, e todos os outros, para ser um elemento fundamental na redefinição da governança mundial e recuperação da paz do mundo.
(...)

Concordo. O Estado não pode ignorar a religião, ou fingir que esta não existe. Isso não seria laicidade, mas sim ateísmo. Uma confissão religiosa não é uma mera associação de cidadãos. As especificidades próprias do fenómeno religioso, e a actividade das confissões religiosas (que podem ser forças de desenvolvimento ou de perturbação social) exigem que o Estado acompanhe a actividade destas através de legislação adequada e projectos de cooperação.

sábado, 23 de junho de 2007

Bento XVI e as Religiões do Mundo (2)

Teocentrismo ou Cristocentrismo?

Num mundo globalizado onde a pluralidade e diversidade humana são cada vez mais patentes, e em que o diálogo de culturas e religiões são um imperativo, muita gente sente necessidade de reavaliar o papel e a importância das religiões no desenvolvimento da humanidade. Essa reavaliação passa frequentemente pela identificação de valores éticos e morais comuns entre as grandes religiões mundiais, valores esses que são vistos como a espinha dorsal do desenvolvimento espiritual da humanidade.

No livro Fé, Verdade e Tolerância, o actual líder da Igreja Católica refere-se a esta situação com evidente preocupação:
"A impressão dominante ao homem moderno é a de que todas as religiões, numa confusa multiplicidade de formas e figuras, no fundo são e pensam o mesmo: o que todos percebem, só elas é que não. À pretensão de verdade de uma determinada religião, o homem moderno opor-se-á raramente com um brusco não; pura e simplesmente relativiza essa reivindicação, dizendo: existem muitas religiões". (p.23)

"O conceito de religião do homem moderno tem um cunho simbólico e espiritualista. A religião aparece como um cosmos de símbolos que, por uma unidade última da linguagem simbólica da humanidade, diferem muitas vezes nos pormenores, mas significam todos o mesmo, e apenas deveria começar a descobrir a sua profunda unidade. Se isto vier a acontecer, então realiza-se a unidade das religiões, sem perda da sua multiplicidade – esta é a prometedora ilusão que precisamente pessoas com sensibilidade religiosa acalentam como única esperança real para o futuro." (p.24)
No conjunto de ensaios reunidos neste livro, Bento XVI considera que a classificação das religiões deve assentar numa análise "estrutura intra-histórica e espiritual" das mesmas (p.19). Não se deve apenas discutir a grandeza da religiões, mas procurar ver se nelas existem desenvolvimentos históricos constantes (p.19).

Bento XVI numa sinagoga em Colónia, 2005.

As grandes religiões mundiais são classificadas como místicas (Budismo, Hinduísmo) e monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islão). Pessoalmente considero esta classificação como inadequada; prefiro a classificação apresentada pelo Dr. Mojan Momen, que classifica as religiões como Teístas, Monistas e Relativistas. Na classificação proposta por Bento XVI, a terminologia utilizada parece-me infeliz, pois tem implícita uma distorção destas religiões. Por ventura se pode reduzir religiões como o Budismo e o Hinduísmo apenas ao seu carácter místico? Não há misticismo nas religiões ditas monoteístas? E não há correntes monoteístas no Hinduísmo e no Budismo?

As outras religiões podem ser vistas como provisórias (ou pre-cursoras) do Cristianismo (encontrando-se nelas algum sentido positivo). E também podem ser entendidas como insuficientes, opostas a Cristo, opostas à verdade - simulando a salvação sem nunca a poderem dar (p.20-21).

Não deixa de ser estranho que num conjunto de ensaios onde se referem as grandes religiões mundiais, Bento XVI nunca cite as escrituras sagradas das religiões não-cristãs. Em vez disso prefere considerar um único teólogo dessas religiões (Radhakrishnan, por exemplo), ou outros teólogos cristãos, como fontes fidedignas para as suas considerações.

A perspectiva cristocêntrica da história religiosa da humanidade que Bento XVI sustenta pode parecer chocante a quem não é cristão. Mas como tinha referido num post anterior, este não é um livro para construir pontes. Ao contrário de Hans Küng, o então cardeal Ratzinger não se propõe encontrar o que as religiões têm em comum, mas antes advertir os católicos sobre a forma como devem ver outras religiões.

Como é evidente, a minha perspectiva sobre as religiões do mundo é totalmente diferente. Afinal eu acredito que Deus tem enviando sucessivos Mensageiros Divinos à humanidade e que Eles trazem ensinamentos adequados às suas necessidades e capacidades. Não consigo conceber um Deus que envia um Mensageiro Divino, com ensinamentos finais e definitivos para a humanidade. Estará o Criador impedido de enviar novos Mensageiros? Será compatível com o Seu infinito amor e generosidade este “silêncio de Deus”, esta suposta ausência de mensageiros? Qual o Pai que abandona os Seus filhos?

Afinal, quem é o pivot da história religiosa da humanidade? O próprio Deus ou um dos Seus Mensageiros?

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Nkosi Sikeleli Africa

Não sei porquê, mas a música e a sonoridade do hino nacional da África do Sul sempre me agradaram. E ao ver este vídeo com a música e a tradução, fiquei a gostar ainda mais.

Afinal isto é mais do que um hino: é uma oração de uma nação!



Uma outra versão, cantada num concerto de Paul Simon na Árica do Sul (veja-se o poder e a beleza do coro):



Outras versões deste hino podem ser vistas aqui, aqui, e aqui.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Bento XVI e as Religiões do Mundo (1)

Quem se interessa por religião dificilmente fica indiferente ao nome “Ratzinger”. O antigo Perfeito da Congregação da Doutrina e da Fé e actual Papa Bento XVI cria admiradores e opositores com igual facilidade. Os primeiros consideram os seus pontos de vista e atitudes como sensatos e lúcidos[1]; os segundos vêem nele um conservador que nem sempre é prudente nas suas palavras.

A eleição de Bento XVI despertou interesse pela sua vasta obra intelectual. Vários dos seus livros têm sido publicados e encontram-se disponíveis nas livrarias portuguesas. No final do ano passado, fui publicado um livro, escrito pelo então cardeal Ratzinger, intitulado Fé, Verdade e Tolerância: o Cristianismo e as Grandes Religiões do Mundo[2]. Trata-se de uma colecção de ensaios publicados em alemão e em inglês; o primeiro foi publicado em 1964 e os restantes durante os anos 1990.

Ao contrário das suas outras obras (que sempre folheei, mas nunca me tinham parecido apelativos), este livro era para mim demasiado apelativo. Continha as opiniões pessoais de uma personalidade - tão influente no mundo Católico, como o Ratzinger - sobre a atitude do Catolicismo face às religiões não-cristãs.

O relacionamento de Ratzinger com as religiões não-cristãs não tem sido isento de percalços. A crise provocada pelo discurso na Universidade de Ratisbona ainda está presente na memória de muitos, apesar de se reconhecer que houve um aproveitamento político dos radicais muçulmanos. Também as suas considerações sobre Budismo [3] provocaram um quase-escândalo em França, nos anos 1990.

Depois de ler as primeiras páginas deste livro fiquei com uma ideia que ainda hoje mantenho: para um bahá’í, Bento XVI é um estimulante desafio intelectual. Naturalmente que mantenho muitas divergências com as suas opiniões em vários assuntos; mas também há algumas (poucas) em que estou de acordo. Fiquei agradavelmente surpreendido pela forma como citou alguns cientistas, apesar de não concordar com algumas das suas posições relativamente à ciência.

Como já referi, o tema central dos ensaios contidos neste livro é a atitude do Catolicismo face às outras religiões. Com este, cruzam-se outros temas com reflexões sobre a verdade, o bem e a salvação, críticas à a teologia da libertação, as dificuldades da ortodoxia católica em aceitar teólogos defensores do pluralismo religioso (como John Hick e Paul Knitter), e as noções iluministas de liberdade.

Em jeito de balanço, pode-se dizer que não é um livro para fazer pontes com outras religiões. Pelo contrário, o autor evita em fazer comparações entre as religiões, preferindo afirmar a centralidade de Jesus Cristo em todo o fenómeno religioso. Nesse aspecto é um livro bem diferente daquele que escreveu Hans Küng, (Religiões do Mundo: em busca de Pontos Comuns, 1990)[4] e em que afirmou que a salvação também é possível fora da Igreja Católica, ou mesmo fora do Cristianismo.

Pessoalmente, entendo que o diálogo inter-religioso é um processo multidireccional de descoberta de convergências e divergências. E sinto que o desafio que encontrei neste livro foi de expor as minhas convergências e divergências com as opiniões pessoais do actual líder da Igreja Católica. É o que vou fazer nos próximos tempos neste blog.

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NOTAS
[1] – Veja-se o site Ratzinger FanClub
[2] – Comentários a este livro encontram-se aqui: Cardinal Ratzinger Considers Whether Truth, Faith, and Tolerance Are Compatible e Cardinal Ratzinger looks at the world today.
[3] – Numa entrevista à revista L’Express (Março de 1997), Ratzinger classificou o Budismo como um "auto-erotismo espiritual" capaz de oferecer "felicidade sem obrigações religiosas concretas"
[4] – Religiões do Mundo: em busca dos pontos comuns, 2005, Ed. Multinova. Spurensuche: Die Weltreligionen auf dem Weg, 1990.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Coro Baha'i

Para muitos baha’is que não puderam presenciar o festival de coros bahá'ís que se realizou no mês passado no Templo Bahá'í de Chicago, a Comunidade Bahá'í dos EUA disponibilizou um pequeno vídeo ilustrativo do momento.

domingo, 17 de junho de 2007

O Novo Aeroporto de Lisboa

Excerto do artigo de opinião de Miguel Sousa Tavares publicado ontem no Expresso (os sombreados são meus):
"Tenho hoje quase a certeza que a Portela não está saturada, ao contrário do que dizem, inocentemente ou não. Não está saturada hoje e não estará se, e quando, houver TGV e ele vier retirar à Portela um grossa fatia de passageiros com origem ou destino no Porto e Madrid. E tenho a certeza de que as dificuldades de estacionamento na Portela se resolveriam com a anexação de terrenos de Figo Maduro.

Tenho a certeza que a melhor solução para Lisboa, no caso de saturação a prazo da Portela, seria a sua manutenção a par de um aeroporto alternativo, modesto e fácil de pôr em funcionamento, como sucede em todas as grandes capitais europeias com grande movimento aéreo. A “Portela +1” seria a solução mais fácil, mais rápida de executar, que melhor serviria os interesses da cidade e dos seus habitantes e de longe a mais barata para os contribuintes.

Tenho quase a certeza que, se a solução “Portela +1” Não foi contemplada no estudo da CIP nem no período de reflexão concedido pelo Governo, tal se ficou a dever a um acordo entre a CIP e José Sócrates. E tenho a certeza de que essa solução, justamente porque sairia infinitamente mais barata, é a que menos interessa ao sector financeiro, às sociedades de advocacia de negócios e de influências, e ao sector empresarial que está habituado a só fazer grandes negócios quando eles envolvem obras públicas. Não custa a perceber que o Governo do PS tenha aceite este compromisso com a CIP, desde que de fora ficasse a solução mais simples, e que o PSD não tenha esboçado um protesto por não se falar na hipótese da terceira solução. Estão em jogo os interesses dos grandes financiadores do «Bloco Central» - essa eterna tratação entre dinheiros públicos e interesses privados, que traz cativa, de há muito, a capacidade de desenvolvimento do país. Não percam tempo a perceber se há mais interesse envolvidos na Ota ou em Alcochete: bilião a mais ou a menos, o que interessa é quererem um novo aeroporto, megalómano, de raiz e tão caro quanto possível."
Concordo a 100%!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Quando os Estudantes se apoiam mutuamente

No passado mês de Maio a Assembleia dos Licenciados da Universidade da California Berkeley, aprovou uma resolução onde se expressa profunda preocupação sobre a negação de direitos humanos básicos às minorias religiosas no Egipto. Segue-se a transcrição da carta dirigida ao Embaixador do Egipto nas Nações Unidas, o presidente da Assembleia, Joshua R. Daniels.
Estimado Senhor Embaixador,

Escrevo-lhe para o informar que a Assembleia de Licenciados da Universidade da California Berkeley aprovou recentemente uma resolução expressando a sua profunda preocupação relativamente à situação que enfrentam as minorias religiosas no Egipto.

Chegou ao nosso conhecimento que as minorias religiosas no Egipto, devido à sua dificuldade para obter documentos oficiais de identificação, vêem-lhes ser negado direitos de cidadania básicos, incluindo o direito à educação. Uma vez que o Egipto exige que todos os cidadãos indiquem a sua filiação religiosa em documentos oficiais de identificação e apenas oferece como opção três religiões oficialmente reconhecidas – o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo – os membros das minorias religiosas, incluindo os membros da comunidade Bahá’í, são – na prática – impedidos de possuir documentos de identificação. Os documentos de identificação são a chave de acesso a maioria dos direitos cívicos, como a educação.

A Assembleia de Licenciados, apoiando todos os estudantes no Egipto, manifesta a sua esperança que o Governo do Egipto, um signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, atribua a todos os seus cidadãos os direitos civis básicos que todos as pessoas merecem, incluindo o direito à educação, independentemente da religião.

Cumprimentos,

Joshua R. Daniels,
Presidente da Assembleia de Licenciados
Esta carta é mais uma manifestação da sociedade civil face à situação dos Bahá’ís no Egipto. Seria interessante ver este fenómeno repetir-se em várias universidades em todo o mundo. Será que os estudantes bahá’ís em Portugal conseguem encorajar uma iniciativa semelhante?

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Fonte: UC Berkeley Graduate Assembly Passes Resolution About Human Rights in Egypt

terça-feira, 12 de junho de 2007

Los baha'is denuncian un aumento de los ataques a ancianos y niños de su comunidad en Irán

MADRID, 8 (EUROPA PRESS) - Los representantes en España de la comunidad baha'i aseguraron hoy que las autoridades de Irán han incrementado sus ataques a los seguidores de esta fe, incluidos los ancianos y niños, a fin de "aterrorizarles" y de "bloquear el progreso social, económico y cultural de esta inocente minoría religiosa".

Los informes y documentos filtrados procedentes de Irán durante los últimos seis meses indican que el Gobierno está realizando "un esfuerzo calculado y extenso por mantener y aumentar paulatinamente la persecución a los baha'is iraníes", afirmó la representación española en un comunicado.

Además de estos ataques, prosiguió, se ha registrado un aumento de la presión para privar a los baha'is de sus medios de vida y de las descalificaciones contra sus partidarios a través de los medios de comunicación oficiales.

"Lo más grave de la situación es que los incidentes más recientes tienen su origen, se provocan y se organizan metódicamente en el Ministerio de Información iraní, al objeto de aterrorizar a los baha'is y dejarles vulnerables físicamente, además de inyectarles la inseguridad social y laboral", declaró la representante de la Comunidad Internacional Baha'i ante las Naciones Unidas, Bani Dogal.

Según la comunidad, "la intención es clara: separar a los baha'is iraníes de sus conciudadanos diseminando la sospecha, la desconfianza e incluso el odio, con el fin de que el progreso social, económico y cultural de esta inocente minoría religiosa continúe bloqueado y su vida comunitaria desestabilizada".

Aparte, el comunicado denuncia que se han registrado nuevos incidentes de abuso y discriminación contra los estudiantes baha'is y los niños. "La tendencia acumulativa en la persecución es de una naturaleza claramente abominable, lo que hace aumentar la grave preocupación de los baha'is de todo el mundo", comentó Bani Dugal.

La fe baha'i --que cuenta con 300.000 adeptos en Irán-- fue fundada en los años sesenta del siglo XIX por el aristócrata Bahaulá (1817-1892), quien se presentó como el nuevo enviado de Dios con la misión de crear una nueva religión. Según Bahaulá, todas las religiones existentes forman parte de una sola, todos los fundadores de religiones son iguales en rango y distinción y cada uno de ellos es portador de un mensaje adaptado a su momento histórico y a la sociedad en que desarrolló su misión.

Entre sus principios, la comunidad baha'i defiende una nueva sociedad humana basada en la justicia y el respeto a la diversidad y pretende, entre otras cosas, la supresión de los prejuicios basados en diferencias de credo, color, género o clase, el desarme de los Estados, la atención a las necesidades de los más pobres, la creación de un tribunal mundial de justicia, la adopción de un idioma internacional auxiliar, la universalización de la educación y el fomento de las artes y el conocimiento.

En Irán están toleradas otras religiones anteriores al Islam, como el judaísmo, el zoroastrismo y el cristianismo, pero están prohibidas las llamadas "religiones nuevas", como la baha'i, ya que para las autoridades iraníes Mahoma es el último profeta de Dios y cualquier nuevo profeta es, por ello, un hereje y un apóstata a quien se debe combatir.

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Publicado no Yahoo-España e no BWNS.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Atoleiro Bahá'í no Egipto

Um cineasta independente egípcio, chamado Ahmed Ezzat, acaba de publicar um documentário sobre a situação dos Bahá’is no Egipto. O filme – já proibido pelas autoridades egípcias – intitula-se "Crise de Identidade (a minha religião ou a minha pátria): O Atoleiro Baha’i no Egipto"

O video que se segue é um excerto promocional deste documentário. O homem que fala no início é um dos advogados islâmicos hostis que estiveram presentes na sessão do Supremo Tribunal Administrativo (em 16 de Dezembro de 2006) que tomou uma decisão contra os Bahá’ís. Além deste, aparecem vários, bahá'ís, activistas dos direitos humanos e bloggers que simpatizam com bahá'ís, e outro muçulmano que apela à morte dos bahá'ís.

domingo, 10 de junho de 2007

Dia de Portugal

O meu primeiro contacto com uma certa noção de patriotismo teve lugar no início dos anos 1970. No dia 10 de Junho, uma reportagem da TV em directo do Terreiro do Paço mostrava uma multidão de soldados alinhados. O Américo Tomás e outras personalidades do regime distribuíam medalhas aos militares que se tinham destacado na guerra que se desenrolava em África; por vezes eram as viúvas e os órfãos que vinham receber as medalhas. E depois vinha o desfile.



Anos mais tarde tive contacto pessoal com essa mesma forma de patriotismo; foi em meados dos anos 1980 quando fiz o meu juramento de bandeira. Já não havia guerra em África, nem ditadura; mesmo assim, não me lembro se me calei, ou balbuciei, aquela parte em que me devia comprometer a sacrificar a minha própria vida. Tinha as minhas reservas em relação a essa exigência, apesar de apreciar muitas coisas do serviço militar obrigatório.

Com o fim do serviço militar obrigatório, a maioria dos cidadão não tem contacto com esta forma de patriotismo; talvez a única forma de patriotismo que conhecem está associado ao desempenho de atletas portugueses em provas internacionais (especialmente se for a selecção nacional de futebol!). Pacheco Pereira chamou-lhe "nacionalismo de pacotilha". Porque não nos regozijamos com o desempenho de cientistas, artistas ou empresas portuguesas por esse mundo fora?

Talvez hoje por ser 10 de Junho, seja um bom dia para nos questionarmos sobre o que é o patriotismo? Há alguma coisa de especial por detrás do entusiasmo ocasional com o hino e a bandeira nacionais?

Os dicionários apresentam uma definição simples de patriotismo: sentimento de amor e devoção à pátria.

Em diferentes países, o patriotismo manifesta-se de diversas formas, e geralmente alguns tipos de comportamento são considerados verdadeiro patriotismo. As bandeiras nas janelas e nos carros, o acto de se alistar no exército, a defesa de interesses nacionais por parte dos governantes, e por vezes até o simples acto de votar em eleições chega a ser considerado acto de patriotismo.


É importante termos presente que o patriotismo em si não um fim em si. Tem o objectivo de fomentar o espírito de unidade e cooperação entre um grupo de pessoas. O amor à pátria só por si, não é algo de muito valor. O valor desse sentimento apenas se manifesta quando motiva os cidadãos de um país a desenvolver esforços num empreendimento que terá benefícios para todos. E apesar das nossas bandeiras parecerem muito patrióticas e inspiradoras, o certo é que o verdadeiro patriotismo não se contenta apenas com bandeiras. O verdadeiro patriota desempenha um papel activo na vida da nação e procura fazer algo (pequeno ou grande) que torne o país num local melhor para todos.

Um dos paradoxos do nosso tempo é o facto das nações competirem entre si em diferentes níveis e simultaneamente estarem envolvidas numa complexa teia de interdependências. Factores políticos, económicos e ambientais exigem crescentes níveis de cooperação a uma escala global. A Humanidade parece avançar para um nível de organização que ultrapassa as fronteiras nacionais. Neste contexto, os patriotismos nacionais - não obstante o seu valor - já não são suficientes para garantir a necessária coesão social. Para resolução de problemas globais, não bastam dedicações patrióticas; o amor à humanidade como um todo torna-se um requisito necessário.

A este propósito, a Casa Universal de Justiça escreveu:
O nacionalismo desenfreado, distinto de um patriotismo são e legítimo, deve ceder o lugar de uma lealdade mais ampla - ao amor à humanidade como um todo. A esse respeito, Bahá'u'lláh afirmou que "a terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos." O conceito da cidadania mundial é uma consequência directa da contracção do mundo através dos avanços tecnológicos e da incontestável interdependência das nações. O amor a todos os povos do não exclui o amor de cada pessoa ao seu país. E as vantagens das partes, numa sociedade mundial, são melhor servidas pela promoção das vantagens do todo. As actividades internacionais actuais, em vários campos que nutrem a afeição mútua e um sentido de solidariedade entre os povos, precisam ser substancialmente incrementadas. (A Promessa Paz Mundial)
Não é de menos importância salientar a das hierarquias das lealdades aqui referidas. Segundo Bahá'u'lláh, "Não se deve vangloriar quem ama o seu próprio país, mas sim quem ama toda a humanidade". Repare-se que o fundador da religião baha'i não considerava o amor à pátria como ilegítimo ou pouco importante. Longe disso. Mas mais importante que esse sentimento, Ele convida-nos a aceitar uma lealdade mais vasta do que alguma vez aceitámos, sem abdicarmos de outras lealdades de menor âmbito. No fundo, a maioria de nós é leal à sua família e é leal ao país; e não vemos contradição nessas lealdades, apesar de pontualmente podermos encontrar contradição entre os deveres para com a família e os deveres para com a pátria. O militar que responde ao apelo da pátria, abandona a família para defender a nação; a família compreende e aceita esse sacrifício.

Hoje Bahá'u'lláh apela a uma lealdade para com toda a humanidade, sem nos exigir que abandonemos o patriotismo legítimo pela pátria de cada um de nós. Entre os ensinamentos que deixou aos Seus seguidores encontramos as seguintes palavras:
"Em todo o país onde resida alguma destas pessoas, eles devem ter para com o governo desse país uma atitude de lealdade, honestidade e fidedignidade. Isto é o que foi revelado a mando d'Aquele que Ordena, o Ancião dos Dias" (Bisharat - Boas-Novas)
Aos Bahá'ís foi ordenado que apoiassem e obedecessem os governos dos seus países, que se envolvam em actos de verdadeiro patriotismo servindo o seu país e os seus concidadãos (sem se envolverem em querelas e conflitos político-partidários); até lhe foi dito que orassem pelos seus dirigentes. Mas simultaneamente eles devem ser os patriotas do mundo, que desejam servir a humanidade como um todo e esperam fortalecer os laços de unidade e amizade entre os povos. É uma dupla lealdade que nada tem de contraditório, apesar de por vezes poder exigir sacrifícios.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Ser Supremo e os Direitos Humanos

Excerto de um artigo de Alex Bigham, intitulado Faith and Foreign Policy, e publicado hoje no jornal inglês The Guardian. O artigo merece ser lido na íntegra.
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O exemplo da Fé Bahá’í é uma forma de desacreditar a ideia de que os direitos humanos estão em conflito com a crença num ser supremo. Os Bahá’ís têm usado activamente as ferramentas das Nações Unidas para tentar proteger os seus seguidores de serem perseguidos devido às suas crenças. Os Bahá’ís não só beneficiam dos mecanismos dos direitos humanos, como advogam os direitos humanos como um princípio religioso. O príncípio pode alargar-se a outras fés. Afinal, se se acredita que um ser supremo criou o universo, então pode o universo estar em conflito com o seu criador?

quarta-feira, 6 de junho de 2007

O Trigo e o Joio

A propósito do post Finalmente, o Pedro Fontela recordou um debate antigo. Hoje vou retomá-lo.

A questão de fundo é: o que podemos considerar como uma comunidade religiosa? Poderá essa definição aplicar-se a toda a organização que afirme ser uma confissão religiosa? Ou poderemos encontrar alguns critérios para separar o trigo do joio?

A própria ausência de uma definição universalmente aceite sobre religião também condiciona qualquer tentativa de definir o que pode ser legitimamente considerado como uma comunidade religiosa. Além disso, todas as organizações que afirmam ser confissões religiosas possuem especificidades próprias nos seus ensinamentos e práticas, que nem sempre são fáceis de compreender ou aceitar.

Não minha opinião, é incorrecto colocar a IURD e a Comunidade Judaica ao mesmo nível; tal como é incorrecto pensar que a Igreja da Cientologia e a Comunidade Islâmica podem ser ambas identificadas como um tipo idêntico de organizações.

Misturar confissões religiosas (onde encontramos um corpo de ensinamentos e práticas consistentes, um código de ética, uma filosofia de vida…) com fenómenos sociais de fachada religiosa é misturar alhos com bugalhos. Na prática é desacreditar a religião como um todo.

Esta atitude pode ser apelativa ao anti-clericalismo, ou a algum ateísmo radical. Mas o que dizer quando o ateísmo é identificado com o estalinismo, com o radicalismo da revolução francesa?

Veja-se a seguinte analogia: a maioria dos Estados afirma-se hoje como sendo democrática. O mapa seguinte data de Junho de 2006 e mostra (assinalando a azul) os países do mundo cujos governo se identificam como democráticos.

Quem acredita que todos os países indicados a azul são democracias?

Só por ignorância, ou por má fé, é que poderíamos acreditar que países como a Líbia ou a China possuem regimes democráticos. Acreditar nisso seria também tentar desacreditar a democracia enquanto sistema político.

Da mesma forma que sabemos distinguir as verdadeiras democracias dos regimes autoritários que proclamam ser democráticos, também devemos distinguir as comunidades religiosas das organizações de fachada religiosas.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Sexo, Crianças e Tribunais

Um texto notável de Catarina de Abuquerque publicado no Causa Nossa.

É a propósito do acordão do Supremo Tribunal de Justiça que reduziu a pena de um autor de crime de abuso sexual de menores, e justificou essa medida por não ser “certamente a mesma coisa praticar algum dos actos inscritos no âmbito de protecção da norma com uma criança de 5, 6 ou 7 anos, ou com um jovem de 13, que despertou já para a puberdade e que é capaz de erecção e de actos ligados à sexualidade”

Porque razão este acordão nunca refere a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança (de que Portugal é signatário)? Será irrelevante ou estará o Tribunal a fingir que não existe? Porque razão o acordão nunca refere os interesses da criança? Analisou-os? Teve-os em consideração?

Um texto para ler e reflectir!

Diz que é uma espécie de Diácono Remédios

Nasser bin Sliman Al-Omar, um clérigo saudita, explica porque é que ver jogos de futebol do Campeonato do Mundo pode leva à condenação eterna.


World Cup = Eternal Damnation - Click here for the most popular videos

Felizmente na Arábia Saudita joga-se futebol!

domingo, 3 de junho de 2007

Creo en todos los profetas

Excerto de um artigo publicado no passado dia um de Junho, no jornal espanhol ElPais (também replicado aqui).
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20.000 conversos al año en España
El catolicismo pierde miles de fieles anualmente a costa de religiones minoritarias - La evangélica, la budista y los testigos de Jehová son las confesiones que ganaron más creyentes en 2006

(...)

"Creo en todos los profetas"

Una sola raza, la del ser humano y la idea de que todo se rige por la unidad y la diversidad. Estos principios fueron los que llevaron a Gemma Neff a "aceptar" la fe bahai hace tres años. "Durante mucho tiempo busqué la paz interior, un equilibro espiritual que diera sentido a mi vida. Ahora lo he logrado siendo bahai", cuenta Neff.Bahaulá, un noble persa iraní, proclamó la fe bahai en 1844. Desde entonces, esta religión cuenta con siete millones de fieles en todo el mundo. En España aún es una religión minoritaria, con unos 3.000 seguidores, sin embargo, el año pasado 77 personas se convirtieron en bahais.Esta confesión está perseguida en los países islámicos. "Los musulmanes no aceptan a Bahá'u'lláh, un profeta posterior a Mahoma. Sin embargo, nosotros creemos en todos los profetas: Jesucristo, Moisés, Mahoma, Buda...", explica Gema. "Esa aceptación me gustó, porque no abandonaba por completo mis antiguas creencias católicas", sostiene.En países como Irán los bahais no pueden ir a la Universidad, no tienen derecho a cobrar una pensión y se han destruido sus lugares sagrados. "Ahora incluso se está acosando a los niños bahai en los colegios", asegura Neff.Esta persecución ha llevado a muchos bahai a abandonar su país, algunos de ellos se han asentado en España. "Acudimos a cualquier sitio donde no haya bahais. Es una forma de ser pioneros. Estamos en todos los países", dice Neff.Esta religión, que no tiene jerarquías, escoge a sus órganos de trabajo mediante asambleas elegidas democráticamente. "Tampoco hacemos proselitismo. Está prohibido", dice Gema.

Um video sobre Direitos Humanos no Egípto

A conhecida blogger e activista egípcia Nora Younis acabou de publicar um vídeo sobre a violação dos direitos humanos no Egipto. Nele aborda a detenção e tortura de bloggers e a violação da liberdade religiosa dos Bahá’ís no Egipto, referindo que os bahá’ís pagam impostos mas estão privados de direitos. O video está publicado no seu site e fica também aqui disponível.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Sgt Peppers Lonely Heart Club Band

Há 40 anos foi publicado Sgt Peppers Lonely Heart Club Band. Chamaram-lhe "um momento decisivo na história da civilização Ocidental". É das mais marcantes obras da música moderna, e pessoalmente considero-o a obra suprema do quarteto de Liverpool. A revista Rolling Stone colocou-o em primeiro lugar na lista dos melhores 500 álbuns de sempre.

É impossível esquecer temas como With a Little Help from My Friends, When I’m sixty-Four ou A Day in Life. Foi o meu primeiro LP. E ainda o ouço com imenso prazer.

O vídeo seguinte apresenta as duas primeiras faixas do álbum com imagem promocionais e fotos da época.