segunda-feira, 30 de julho de 2007

Reservado o Direito de Admissão!

Estudantes Bahá'ís continuam discriminados no Irão
Mais uma vez, os jovens bahá'ís iranianos que neste momento desejam fazer a sua inscrição na Universidade vêem-se na obrigação de declararem que são muçulmanos, para conseguir os seus objectivos. Na prática isto significa que a entrada no ensino superior lhes está vedado, a menos que neguem a sua fé.

Para o ano lectivo de 2007/08, os impressos de acesso aos cursos técnicos das Universidades iranianas obrigam os candidatos a identificar a sua religião, sendo apenas apresentadas algumas hipóteses: Zoroastrianismo, Judaísmo, Cristianismo. Se este campo for deixado em branco, o candidato é considerado muçulmano. Isto é inaceitável para um Bahá'í.

"Com este sistema, um bahá’í não pode preencher impressos, sem - na prática – negar a sua religião", afirmou Bani Dugal, a representante da comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas. "Esta forma de negação à educação viola os acordos internacionais sobre o direito à educação, dos quais o governo iraniano é signatário, e reflecte o carácter continuamente discriminatória daquele governo face à Comunidade Bahá’í"

Recorde-se que no ano passado, após 25 anos de proibição explícita de acesso dos Bahá'ís ao ensino superior público e privado naquele país, cerca de 900 estudantes Bahá’ís foram admitidos em diversas instituições de ensino superior; tudo isto foi descrito como uma mudança de política do Governo Iraniano, mas ao longo do ano lectivo 128 estudantes foram expulsos à medida que ia sendo descoberto que eram bahá’ís. Este facto levou vários observadores a concluir que a atitude do Governo Iraniano foi uma mera jogada para tentar enganar a opinião pública internacional.

Os comportamentos medievais das autoridades iranianas são do conhecimento público; a aplicação de pena de morte a menores de 18 anos, as perseguições por delito de opinião, a discriminação dos bahá’ís são exemplos desses comportamentos. Afinal quem é a maior ameaça ao Islão? Não serão os próprios dirigentes muçulmanos?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Uma Passarola chamada União Europeia

Demonstrar a viabilidade de um qualquer princípio cuja aplicação prática ainda não se verifica, é sempre desafio. É isso com que se deparam hoje os bahá'ís ao apresentar alguns dos princípios da sua religião. Mas houve outros momentos ao longo da história da humanidade em que outras pessoas, nas mais diversas áreas da actividade, enfrentaram um desafio semelhante.

Considere-se, por exemplo, de Frei Bartolomeu de Gusmão (1685-1724).

Este padre jesuíta e cientista, que desde a adolescência vivia fascinado pela Matemática e pela Física, deparou-se durante vários anos com o desafio de demonstrar a viabilidade de um aparelho mais leve que o ar e capaz de voar. Bartolomeu de Gusmão conseguiu o seu objectivo em Agosto de 1709, quando apresentou como resultado um pequeno aparelho - uma espécie de balão de ar quente que ficaria conhecido com “Passarola” – perante a Corte e o corpo diplomático em Lisboa.


Com este gesto, Bartolomeu de Gusmão conseguiu demonstrar publicamente a viabilidade de alguns princípios técnicos usados na concepção de balões de ar quente. Tudo isso aconteceu mais de 70 anos antes dos irmãos Etiene e Joseph Montgolfier terem realizado a primeira viagem em balão.

Como podem os Baha’is demonstrar viabilidade de um princípio como a “Unidade da Humanidade”? Haverá algum exemplo prático que possamos utilizar?

Há algum exemplo de cooperação entre Estados que seja produto de algo mais do que a “um sentimento de boa vontade mútua e de um objectivo comum”? Conhecemos alguma forma de cooperação entre Estados que mais do que uma “associação fortuita” seja factor de progresso e tenha gerado “códigos legais, sociais e instituições políticas”? Não tem ela sido uma garantia de “prosperidade material” e de um longo período de paz na Europa?

Não será a União Europeia, independentemente das suas virtudes e defeitos, um factor de progresso na Europa? Não têm os seus “códigos legais, sociais e instituições políticas” sido um factor de progresso e estabilização das diferentes nações europeias?

A União Europeia pode ter a mesma importância para a Unidade da Humanidade, que a Passarola teve para a aeronáutica mundial. É um pequeno sistema cujo funcionamento demonstra a viabilidade de aplicação de princípios a uma escala muito maior.

-------------------
NOTA: As citações neste post são referências de Shoghi Effendi sobre as características de uma Nova Ordem Mundial; encontram-se no documento “The Goal of a New World Order”

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A Unidade da Europa

Nos anos que se seguiram à Primeira Guerra Mundial, a Europa tentava novos equilíbrios políticos e sociais. Alguns idealistas pensaram ter chegado o tempo de criar uma nova ordem politica no velho continente que fosse capaz de unir as nações europeias, com laços de solidariedade e cooperação mútua entre os povos. As sucessivas iniciativas eram obstruídas pelos novos nacionalismos que despontavam em vários países europeus daqueles tempos.

Em 1931, num documento intitulado, a Meta de uma Nova Ordem Mundial, Shoghi Effendi constatou os esforços que estavam a ser feitos para criar uma nova ordem política na Europa e as forças que se opunham a esses esforços:
A feroz oposição com que foi recebido o falhado esquema do Protocolo de Genebra; o ridículo que cobriu a proposta de uns Estados Unidos da Europa que foi subsequentemente avançado, e o falhanço de um esquema geral para uma união económica da Europa, podem parecer derrotas dos esforços que um punhado de pessoas visionárias exerceu honestamente para o progresso deste ideal. E, no entanto, não encontramos um justificado encorajamento quando observamos que a mera consideração de tais propostas é em si uma evidência do seu firme crescimento nas mentes e corações dos homens?
Mas a "vitória moral" daqueles idealistas europeus da primeira metade do século XX não ficaria para a história como um simples nota de rodapé. Para o Guardião da Fé Bahá’í era o prenúncio de uma nova Europa, não obstante os tempos conturbados que se adivinhavam:
Nas tentativas organizadas que estão a ser feitas para desacreditar um conceito tão enaltecido, não estamos a testemunhar a repetição, numa maior escala, das lutas perturbadoras e controvérsias agrestes que precedem o nascimento, e reconstrução assistida, das união das nações do Ocidente?
Com a assinatura do Tratado de Roma, em 1957, várias nações europeias deram os primeiros passos a caminho de uma unidade de nações e povos europeus. Nas décadas seguintes, a Europa cresceu, transformou-se e tem cada vez mais tendência a assumir-se como uma potência mundial. A história acabou por dar razão a Shoghi Effendi e aos idealistas europeus do início do século XX.

Cerimónia de Assinatura do Tratado de Roma

Independentemente das crises, dos avanços e dos recuos que sempre existiram nos processos de integração e negociação no seio da União Europeia, acredito que esta pode ser vista ainda com a demonstração da viabilidade prática do princípio bahá’í de unidade da humanidade. É legítimo perguntar: se a aplicação deste princípio funciona na Europa, o que falta para funcionar noutras partes do mundo?

terça-feira, 24 de julho de 2007

Boutros-Ghali preocupado com a imagem do Egipto

Boutros Boutros-Ghali, antigo Secretário-Geral das Nações Unidas, foi recentemente entrevistado pela revista Al-Mussawar - uma publicação propriedade do Governo Egípcio - tendo revelado a sua profunda preocupação pela situação dos Bahá’ís no Egipto.

Nessa entrevista, Ghali recordou que o Governo reconhece apenas três religiões: o Islão, o Cristianismo e o Judaísmo; e no entanto 51% da população mundial não pertence a nenhuma destas três religiões. Isto cria um enorme problema para o Egipto quando é confrontado com assuntos relacionados com alguns dos cidadãos Egípcios, nomeadamente os Bahá’ís; mas a situação também tem gerado problemas com residentes chineses e até com turistas japoneses.

Boutros-Ghali também indicou que os Bahá’ís enfrentam tremendos desafios, devido à impossibilidade de obterem cartões de identidade, e acrescentou que tem estado em contacto com em contacto com três advogados da Califórnia que têm trabalhado consigo para resolver o problema Bahá’í. Têm decorrido negociações com o Ministro Egípcio do Interior, Habib El-Adly; uma solução que tem sido negociada é a eliminação da classificação religiosa nos documentos de identidade.

Segundo Ghali, a imagem do Egipto no mundo tem sido prejudicada pelo tratamento dado aos Bahá’ís, cujo "largo número de crentes nos EUA não pode ser ignorado". Aparentemente a revista citou-o incorrectamente, afirmando existirem "cerca de 6 milhões de Bahá’ís em Chicago".

O Conselho Nacional Egípcio para os Direitos Humanos - de que Boutros-Ghali é presidente - é um órgão consultivo do Governo Egípcio. Tem por missão aconselhar o Governo e o Presidente em assuntos relacionados com Direitos Humanos. Se pensarmos no prestígio internacional de Boutros-Ghali, e o facto desta entrevista ter sido publicado numa revista oficial, é de admitir que isto se pode ser um sinal de que algo vai mudar no Egipto. Esperamos para ver.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Até quando?

José Vitor Malheiros, na edição de ontem do jornal Público, a propósito de Nazanin Afshin-am:
...[Nazanin Afshin-Jam] lançou a campanha Stop Child Executions Campaign (www.stopchildexecutions.com) que tenta anular as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores. A lista dos crimes dos que foram executados nos últimos anos inclui actos como “atentados à castidade” ou dar aulas de religião Baha’i.
Como já escrevi uma vez, a situação dos bahá’ís no Irão, não é o problema mais grave do mundo, nem o maior problema que existe no Irão. Mas é um problema que existe e que está associado à Republica Islâmica do Irão. "Até quando é que isto vai durar?" perguntam alguns. Como resposta só me ocorrem as seguintes palavras de Gandhi:
Quando eu desespero, lembro-me que ao longo da história os caminhos da verdade e do amor sempre triunfaram. Tem havido tiranos e assassinos, e durante algum tempo eles parecem invencíveis, mas no fim eles caem sempre. Pensem nisso. Sempre.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A indisciplina no futebol

Se há momentos em que uma pessoa tem vergonha de ser português, este foi um deles. Ocorreu ontem durante o jogo Portugal-Chile, a contar para o Mundial de Sub-20 Canada 2007. O video seguinte mostra o que aconteceu no final do encontro.



Só espero que não haja tentativas para justificar este tipo de comportamentos.

Após o Mundial de 2002, aquele em que João Pinto deu um murro num árbitro, defendi (para escândalo de alguns sportinguistas) que aquele jogador devia ser irradiado. Um jogador de futebol é uma figura pública – um ídolo para tantos jovens – cujo comportamento não pode passar uma mensagem de que a violência é uma reacção legítima no desporto.

Numa situação destas, o jogador é o principal responsável; mas não é o único. Que liderança existiu da parte da equipa técnica para impedir que este tipo de situações se verificasse? E os dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol fizeram alguma coisa para impedir isto além de um discurso?

Há mais de 15 anos, Carlos Queirós era treinador do Sporting, e ali despontavam jovens vedetas como Figo e Peixe. Houve um jogo em que os ânimos se exaltaram e houve um cena de empurrões que ameaçava degenerar em agressões. Figo e Peixe (este último tinha fama de ser mau como as cobras) já se começavam a envolver no "barulho" quando Carlos Queirós apontou o dedo para eles e gritou: "Tu e tu! Fora da confusão!"

Os jogadores obedeceram. Tinham ali um líder.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Bento XVI e as Religiões do Mundo (4)

Inclusivismo e Pluralismo

No livro Fé, Verdade e Tolerância, Bento XVI ao comparar o Inclusivismo com o Pluralismo, escreve:
"O «inclusivismo» pertence à natureza da história religiosa e cultural da humanidade, que precisamente não se constrói na forma de um rigoroso pluralismo. O pluralismo, na sua forma radical, nega, em ultima instância a unidade da humanidade e nega a dinâmica da história, que é um processo de unificação" (p.76)
Sinceramente, não compreendo como é que o Pluralismo nega a unidade da humanidade. Na minha opinião, o Pluralismo é uma perspectiva mais capaz de favorecer o diálogo e entendimento entre as religiões do que o Inclusivismo. E o diálogo e entendimento entre as religiões são factores decisivos na construção da unidade da humanidade. E já agora: alguém me consegue explicar o que significa "pluralismo radical"? Isso sugere a existência de um pluralismo moderado. Porque será que este não é referido no texto?

Para perceber as origens históricas do inclusivismo religioso devemos ter presente que os Profetas fundadores das grandes religiões mundiais sempre manifestaram um enorme respeito por outros profetas e pelas religiões anteriores. Isto levou os os seus seguidores a perceber que essas religiões foram etapas de desenvolvimento espiritual da humanidade que de alguma forma prepararam caminho para a revelação que testemunhavam.

Desta forma compreende-se a atitude inclusivista do Cristianismo face ao Judaísmo. E de igual modo, no Islão se encontra uma atitude inclusivista face ao Cristianismo e ao Judaísmo; os profetas e figuras proeminentes do passado são considerados muçulmanos (Noé [10:73], Abraão [2:126] Moisés e Seus seguidores [10:84, 10:90, 7:123], e os discípulos de Cristo [5:111]). Esta noção de Inclusivismo leva-nos a concluir que a mais inclusivista das religiões é a Fé Baha'i.

Note-se que este é o que poderíamos considerar um Inclusivismo genuíno, pois ele está na génese de cada religião; não é o resultado de uma reflexão teológica de alguns sábios; não é uma declaração política de dirigentes religiosos; não se trata de um sincretismo ingénuo; nem tão pouco é uma atitude de sobranceria onde se admite que os outros podem ter consigo alguma verdade. Este é um Inclusivismo cujas raízes se encontram na Palavra revelada nas sagradas escrituras de cada religião.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Festa da Diversidade 2007

Os meus miúdos!



O tempo vai passando e eles vão crescendo.

A “dinâmica de irmãos” está em desenvolvimento; por vezes brincam juntos como amigos, outras vezes brigam por coisas insignificantes. Fazem muita companhia uma ao outro. E enchem as nossas vidas.

O mais velho vai fazer quatro anos em Agosto e o mais novo está com 20 meses. A foto foi tirada recentemente num momento em que estavam ambos fascinados com um telemóvel.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Al Gore


Tradução de um excerto do livro de Al Gore "Earth in the Balance", pags 261-262. Este livro foi publicado no início dos anos 1990.
--------------------------------------


Uma das mais novas das grandes religiões universalistas, Baha’i, fundada em 1863 na Pérsia por Mirza Husayn Ali, adverte-nos não só para olhar adequadamente o relacionamento entre a humanidade e a natureza, mas também entre a civilização e o ambiente. Talvez porque as suas visões orientadoras foram formadas durante um período de industrialização acelerada, Baha’i parece captar as implicações espirituais da grande transformação da qual teve um testemunho recente:
“Não podemos isolar o coração humano do ambiente exterior e dizer que depois de um deles ser reestruturado tudo ficará melhor. O homem é orgânico com o mundo. A sua vida interior influencia o ambiente e é fortemente afectada pelo ambiente. Um actua sobre o outro e toda a mudança duradoura na vida do homem é o resultado destas reacções mútuas.”
E também nas escrituras sagradas baha’is vem isto:
“A civilização, tão frequentemente enaltecida pelos eruditos expoentes das artes e ciências, se lhe for permitido ultrapassar os limites da moderação, trará um grande mal aos homens.”

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Buda



«Supõe tu, Mâlunkyaputta, que um homem tenha sido ferido por uma flecha fortemente envenenada. Os seus amigos e parentes chamam um cirurgião. E o homem diz: “Não deixarei que me retirem esta flecha sem primeiro saber quem me feriu: qual é a sua casta; qual é o seu nome, qual a sua família; se é grande, pequeno ou de média estatura; de que aldeia, vila ou cidade veio ele; não deixarei que me retirem esta flecha antes de saber com que espécie de arco me alvejaram; antes de saber que espécie corda foi usada nesse arco; antes de saber que pluma enfeitou a flecha; antes de saber de que material foi talhada a sua ponta."

Mâlunkyaputta, este homem homem morreu sem saber aquelas coisas. Da mesma forma, se algum de nós disser "não seguirei uma vida virtuosa, na direcção do Bem-aventurado, sem que possua respostas a perguntas sobre se o universo é ou não eterno, etc.", ele morrerá e esses problemas serão deixados sem resposta.

Qualquer que seja a opinião que possamos deter a respeito de tais questões, existem o nascimento, a velhice, a decrepitude, a morte, a infelicidade, as lamentações, a dor, a aflição, pelo que eu afirmo que deveremos ser capazes, nesta vida, de nem tudo pretender saber.»

Buda, séc. VI a.n.e. (Cûla Mâlunkiya Sutta)

(Tradução de Rui Bebiano)

--------------------
NOTA: Buda é considerado na religião bahá'í como um Manifestante de Deus, isto é, um Fundador de uma religião divinamente inspirada.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Cinco Leituras

Descobri um dia destes que o Mocho me desafiou a descrever as minhas últimas cinco leituras. Além desta que tenho vindo a dar destaque, aqui vão as cinco leituras:
  • Life after Death – A Study of the Afterlife in World Religions. Uma análise comparativa da forma como os textos sagrados das grandes religiões mundiais encaram a morte. É uma boa leitura introdutória sobre o assunto. Podia desenvolver um pouco mais sobre a posição das diversas correntes teológicas sobre a matéria.
  • Quincas Borba, de Machado de Assis. Foi uma segunda leitura. Fascinante a história de um homem que enriquece e vai gradualmente enlouquecendo. No momento da morte apenas um amigo o acompanha: um cão.
  • Até ao Fim, Traudl Junge. O relato da secretária de Hitler. Já conhecia Traudl Junge da série da BBC, The World at War.
  • Onde dormirão os Pobres? de Gustavo Gutierrez. A primeira leitura que fiz de uma obra do Pai da Teologia da Libertação. Um texto de análise social, religiosa e política.
  • As Minhas Experiências com a Verdade, de Mohandas Gandhi. As memórias do Mahatma, escritas durante um período em que esteve preso. Na sua sinceridade, revela-se um homem igual aos outros, com as suas qualidades e defeitos.
E agora a quem passo o desafio. Façam favor de dizer quais as vossas cinco últimas leituras:

quarta-feira, 4 de julho de 2007

RAI Uno

Um excerto de três minutos do programa «Dio: Pace o Dominio?» emitido pela RAI há alguns dias atrás. Programas na TV onde se fala da religião bahá'í também há em Portugal, mas em italiano isto tem um certo encanto.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Bento XVI e as Religiões do Mundo (3)

Exclusivismo, Pluralismo ou Inclusivismo?

Nos ensaios reunidos no livro Fé, Verdade e Tolerância, o então Cardeal Ratzinger repete que existem três atitudes possíveis dos cristãos face às religiões não-cristãs: Exclusivismo, Pluralismo ou Inclusivismo.

Apesar do autor considerar que a perspectiva cristã vê Cristo como a única - e definitiva - salvação do homem(p.20), reconhece também que o Exclusivismo "no sentido de recusar a salvação a todos os não-cristãos, não é hoje defendido por ninguém"(p.75).

Quanto ao Pluralismo, Bento XVI, também não hesita em rejeitá-lo:
"A posição pluralista aparece em John Hicks e Paul Knitter. Esta corrente não acredita que a salvação venha somente de Cristo. Aqui o pluralismo das religiões é desejado pelo próprio Deus, e todas são – ou podem ser – caminhos de salvação. A Cristo cabe algum realce, mas de modo algum exclusivo." (p.49)

"O mero pluralismo das religiões, enquanto posicionamento permanente de blocos lado a lado, não pode ser a última palavra na actual hora da história... Certamente não é declarada a absorção das religiões numa única, mas é necessário encontrar uma unidade que transforme pluralismo em pluralidade. Esta unidade é hoje procurada." (p.78)
Resta então o Inclusivismo. Aqui o Cristianismo é visto como estando presente em todas as religiões. Todas as religiões não-cristãs vão ao encontro do Cristianismo – mesmo sem o saber – e o que oferecem à humanidade é uma forma distorcida e parcial dos ensinamentos divinos que se tornaram visíveis em Jesus Cristo (p.48). Um dos expoentes das perspectiva foi Karl Rahner que considerava que muitos não-cristãos eram “cristãos anónimos”.

Ratzinger lamenta que hoje esteja em moda recusar o Inclusivismo por se tratar de uma forma de arrogância e imperialismo cristão (p. 75). Embora afirme que não concorda com a tese de Rahner - que os não cristãos sejam considerados cristãos anónimos (p.18-19) -, o líder da Igreja Católica também considera que não se pode negar a um cristão “o direito à sua fé, e a fé de que tudo foi criado em Cristo...”. Por outras palavras, Bento XVI tem uma postura inclusivista e, consequentemente uma concepção Cristocentrica da religião e da história da humanidade.

Se Bento XVI se opõe a um Pluralismo “enquanto posicionamento permanente de blocos lado a lado”, não se percebe porque não explora outros conceitos de Pluralismo. Porque não um pluralismo de blocos que acompanham a evolução histórica da humanidade, adequando-se às necessidades de cada povo e de cada época? Porque não um pluralismo de blocos religiosos, vistos como etapas sequenciais da nosso desenvolvimento espiritual colectivo?

domingo, 1 de julho de 2007

Acreditar na universalidade dos valores

Histórias da luta pelos direitos cívicos da minoria negra nos EUA durante os anos 1950 sempre me interessaram. Martin Luther King tornou-se uma figura lendária desses tempos; entre outros participantes desses combates, admiro especialmente os brancos. Lutavam pelos direitos dos outros e tentavam resolver um problema que não nos afectava directamente. A sua dedicação a essa luta mostra o que é a crença num valor universal: a luta não deve terminar onde termina a nossa comunidade, o nosso país, a nossa terra. Os direitos cívicos são para todos, independentemente da sua origem étnica.

Vem isto a propósito de uma iniciativa recente de um grupo de activistas muçulmanos que lançaram o site The Muslim Network for Baha'i Rights. Depois de tantos posts que publiquei neste blog sobre a situação dos Baha’is no Irão e no Egipto, esta iniciativa é, no mínimo surpreendente.

À semelhança daqueles activistas brancos que lutavam pelos direitos cívicos dos negros, também estes muçulmanos acreditam que a defesa de um valor universal exige o envolvimento de todos a não apenas de quem se sente afectado. E tal como alguns americanos brancos durante os anos 1950 advogaram mudanças legais e sociais, também estes muçulmanos defendem mudanças legais e sociais que permitam a pela integração dos baha’is nos seus países.

Nesta rede de activistas muçulmanos merecem destaque os seguintes factos:
  • Os autores são activistas muçulmanos, defensores do diálogo inter-religioso, que estão profundamente preocupados com o tratamento dado aos bahá’ís no Médio Oriente.
  • Os autores não acreditam na religião bahá’í, mas afirmam que existem minorias baha’is nas suas sociedades cujos direitos raramente são reconhecidos, apenas porque professam uma religião diferente.
  • O site foi criado para exigir que os direitos das minorias bahá’ís seja reconhecidos não apenas pelo povo, mas também pela lei.
  • Os autores exigem que todos os governos no mundo Árabe e Muçulmano permitam que os cidadãos bahá’ís tenham igualdade de oportunidades em todas áreas e que possam praticar livremente a sua religião sem receio de qualquer tipo de ameaças ou discriminação.
  • Os autores pretendem ainda que a opinião pública no Médio Oriente tome consciência dos abusos contra os direitos humanos dos Bahá’ís, com objectivo de mobilizar acções contra tais actos. O seu sucesso medir-se-á pela mobilização dos cidadãos e das acções que estes desenvolverem, independentemente das diferenças religiosas. A sociedade civil que luta pelos direitos humanos, deve unir esforços, independentemente das diferenças e celebrar a diversidade.
Apesar de ainda estar em construção, este site merece uma visita.