Fiquem bem.

Até 2002, data em que se naturalizou português, representou Cabo Verde, detendo ainda o recorde no salto em comprimento e o triplo salto daquele país.
Apesar de todas as refutações das autoridades iranianas, torna-se evidente que está em vigor o chamado "memorando Golpaygani". Este documento foi elaborado em 1991 e contém um plano detalhado para impedir o desenvolvimento da comunidade Bahá’í do Irão. Ali se declara que aos Bahá’ís deve ser negado qualquer “cargo de influência” e também que “deve ser recusado emprego a pessoas que se identifiquem como Bahá’ís”.
Em 2006, pela primeira vez em 29 anos, mais de 200 estudantes Bahá’ís puderam entrar nas universidades públicas. Porém, desde o início do ano lectivo, os estudantes foram gradualmente sendo expulsos de acordo com uma estratégia previamente planeada.
Ao ler o livro Fé, Verdade e Tolerância: o Cristianismo e as Grandes Religiões do Mundo fica-se com a ideia que na perspectiva de Bento XVI, o relativismo religioso é o maior problema que a Igreja Católica enfrenta hoje em dia. As religiões são colocadas em iguais planos e aparecem como tendo uma missão comum e todos os dogmas se podem questionar. Segundo o autor, …" A atitude relativista consiste em reconhecer que não sabemos o que é a verdade, mas sabemos o que temos de fazer: criar uma sociedade melhor, ou seja, o «Reino» … Eclesiocentrismo, cristocentrismo teocentrismo parecem agora todos ultrapassados pelo reinocentrismo – colocar no centro o Reino enquanto missão comum das religiões, e só sob esta perspectiva e segundo este critério deveriam encontrar-se." (p.68-69)”O diálogo, no entendimento relativista, significa colocar a posição própria, ou a própria fé, ao nível das convicções dos outros, não lhe cabendo, em princípio, mais verdade que à posição do outro. Apenas se eu, de princípio, presumir que o outro pode ter tanta ou mais razão do que eu, pode ter lugar um verdadeiro diálogo”(p.110).O surpreendente destas palavras é que afirmam que o cristão nunca deve deixar de sentir que as suas convicções são superiores às dos outros. Não sei como é que alguém se pode dialogar ou relacionar-se com outros quando se proclama a superioridade das suas convicções. Conheço quem afirme a originalidade, a beleza, e a actualidade das suas convicções. Mas nunca vi ninguém que proclamasse a superioridade das suas convicções e com isso conseguisse ter uma relação serena com os outros. Daí a minha surpresa com as palavras de Bento XVI.
Uma das mais agradáveis surpresas deste verão foi encontrar numa livraria a tradução portuguesa do livro de Raimon Panikkar, O Diálogo Indispensável: Paz entre as Religiões. O autor, filho de mãe espanhola e pai indiano, é doutorado em Filosofia, Ciências e Teologia, e tornou-se um dos nomes mais conhecidos do diálogo inter-religioso.O encontro entre as religiões é tão vital que, de facto, mais ou menos, todas as religiões actuais são fruto destes encontros. Que seria do cristianismo sem o profundo sincretismo que brotou das suas raízes hebraicas, gregas romanas e germânicas?
Sem diálogo, as religiões enredam-se em si mesmas ou adormecem nas amarras e naufragam. Verdadeiramente, hoje vai-se tornando claro que nenhuma tradição tem poder suficiente para, por si só, levar à prática o papel que se auto-atribui. Ou se abrem umas às outras, ou degeneram e dão lugar a reacções fanáticas de todo o tipo.
O diálogo entre as religiões não é só um tema académico ou ainda uma questão eclesiástica ou oficialmente “religiosa”, e menos ainda uma nova moda porque as cerimónias religiosas se tornaram aborrecidas ou diminui o número de assistentes.
Ninguém é perito em diálogo inter-religioso, porque todo o diálogo é único. Não nos podemos especializar em diálogo inter-religioso; este pertence à própria vida religiosa actual.
Cada religião pode crer que representa a mais alta verdade e que interpreta o papel principal, mas deve estar, também, disposta a ouvir a outra e a permitir que o jogo da vida se desenrole sem violência nem armadilhas.
O diálogo hindu-cristão… constrói uma linguagem que não é adequada para o diálogo hebreu-cristão. Devemos resistir à tentação moderna, originada nas ciências naturais, de querer chegar a leis universais obrigando todos os fenómenos a adaptarem-se a parâmetros científicos.
A crise contemporânea é estranha. Enquanto o Ocidente se encontra desertificado de Deus, noutras culturas não só não há morte de Deus como, em vez da laicização, continuam na sua Idade Média, acreditando que o seu Deus é o verdadeiro e o Ocidente está em vias de perdição.
De facto, o Ocidente teve um dinamismo incomparável, e a razão disso é que o seu debate foi sempre à volta de Deus. Noutras culturas, Deus é um dado e está no centro de tudo; no Ocidente, Deus tem sido uma interpelação infinita. Deus não é uma evidência, porque não é um objecto. Deus é o nome, precisamente enquanto antinome, da nossa incapacidade de captar o Absoluto, o modo de designarmos a nossa incapacidade de ocuparmos o seu lugar. O Ocidente é a procura e o debate à volta desta questão. É-se contra a objectivação de Deus, porque Deus-pessoa não é objectivável. Deste modo, o Ocidente afirma-se como procura da liberdade. Quando, noutras culturas, se dá a pretensão de apoderar-se de Deus, temos fanatismo.



Se se tivesse de eleger uma preocupação central de Bento XVI nos seus textos reunidos no livro Fé, Verdade e Tolerância: o Cristianismo e as Grandes Religiões do Mundo a escolha recairia sobre o relativismo. O actual líder da Igreja Católica descreve o relativismo religioso como uma atitude em que “...nunca podemos ver a realidade última em si mesma, mas sempre e só o seu aparecimento no nosso modo de percepção através de várias «lentes». Tudo o percepcionamos não é a verdade em si mesma, mas um reflexo à nossa medida.” (p.109)Enquanto sinal de encontro de culturas, o relativismo parece apresentar-se aqui como uma verdadeira filosofia da humanidade, e isso dá-lhe, como já foi indicado, um tão visível poder de imposição, tanto a Oriente como a Ocidente, que na prática, já não parece ser admissível qualquer resistência. Quem se lhe oponha, não se opõe apenas à democracia e à tolerância, e portanto às imposições fundamentais da convivência humana; persiste ainda obstinadamente na afirmação da primazia da sua própria cultura, a ocidental, recusando-se ao convívio de culturas, o que é notoriamente a necessidade do momento. Quem quer permanecer na fé da Bíblia e na Igreja, vê-se para já banido para uma terra-de-ninguém cultural; tem de ambientar-se de novo à «loucura de Deus» (ICor 1,18), para reconhecer nela a verdadeira sabedoria. (p.111)Neste pequeno excerto Bento XVI aborda o relativismo como um todo; implícita nas suas palavras está a sugestão de que o cristão deve resistir isolado no seu mundo, imune a intercâmbios culturais, indiferente a outras realidades religiosas. O crente na bíblia deve acreditar que o mundo não evolui e se necessário manter-se “orgulhosamente só” numa afirmação de uma fé eclesiocêntrica.
Acabaram de me contar que houve um terrível acidente neste país. Um comboio caiu no rio e pelo menos vinte pessoas morreram. Isto vai ser matéria de discussão hoje no parlamento francês e o director dos caminhos-de-ferro do Estado será convocado para falar. Ele será inquirido a respeito da condição da linha, do motivo do acidente, e haverá um debate acalorado. Fico cheio de admiração e surpresa ao observar o interesse e excitação se levantaram por todo o país devido à morte de vinte pessoas, enquanto há indiferença pelo facto de milhares de italianos, turcos e árabes serem mortos em Tripoli! O horror dessa carnificina em tão grande escala não perturbou o Governo de forma alguma! E, contudo, essas pessoas desafortunadas são também seres humanos!A mensagem era simples: se pensamos que um acidente à nossa porta é maior que uma enorme tragédia que se vive noutra parte do mundo, então o nosso conceito de solidariedade para com os nosso semelhantes é muito limitado.
"...o teólogo cristão surge como um dogmático estagnado, que não consegue libertar-se da sua teimosia, independentemente de se manifestar ao modo conflituoso dos antigos apologetas ou à maneira amável dos teólogos modernos que garante ao outro que ele já é cristão sem o saber" (p. 25)Neste pequeno excerto, encontro dois pontos de que discordo do líder da Igreja Católica.
O primeiro consiste em generalizar que todo o homem moderno tem má opinião sobre os teólogos cristãos. É como se o homem moderno, incapaz de distinguir diferentes perspectivas religiosas, considerasse a religião um fenómeno ultrapassado, um obstáculo ao desenvolvimento civilizacional. Por outras palavras, o homem moderno, por muitos elevados que sejam os seus valores éticos e morais, é visto como uma espécie de ateu radical. Como se todas as pessoas que não se identificam com o catolicismo inclusivista fossem apenas ateus radicais...