quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Bahá'ís condenados por «propaganda anti-regime»

Um tribunal iraniano da cidade de Shiraz, condenou ontem 54 jovens bahá'ís, acusando-os de "propaganda contra o Sistema Revolucionário Islâmico". Três dos jovens deverão cumprir uma pena de quatro anos de prisão; os restantes foram condenados a um ano de pena suspensa. O caso remonta a Maio de 2006 quando as autoridades detiveram estes jovens, que na altura participavam num projecto de uma ONG local que desenvolvia actividades de apoio a crianças carenciadas.

Sasan Taqva, Raha Sabet e Haleh Rouhi

Os três jovens condenados são Sasan Taqva, Raha Sabet e Haleh Rouhi. Estiveram em liberdade sob caução até ao passado dia 19 de Novembro, quando receberam um telefonema do Ministério da Informação em Shiraz eem que lhes foi dito que podiam ir levantar os bens que lhes tinham sido confiscados em Maio de 2006. Mas quando chegaram ao Ministério, foram detidos. Nos dias seguintes, as autoridades deram informações contraditórias sobre o paradeiro dos jovens, acabando por reconhecer, mais tarde que os três se encontravam detidos.

Com que antecipando esta decisão judicial, um porta-voz do Departamento de Estado Norte-Americano afirmou na semana passada: "Apelamos ao regime que liberte todos os indivíduos que estão detidos sem que tenham tido direito a um julgamento imparcial e dentro dos trâmites legais, incluindo os três jovens bahá’ís detidos em Shiraz, num centro de detenção do Ministério da Informação".

Também a Amnistia Internacional lançou um apelo no passado dia 25, onde encorajava os activistas de direitos humanos em todo o mundo a escrever ao governo iraniano, perguntando sobre os prisioneiros Bahá'ís, pedindo informações sobre o motivo da sua detenção e exigindo que eles não fossem sujeitos a tratamentos desumanos ou a tortura.

A este propósito é de lamentar a forma como, durante a recente visita a Portugal do Ministro dos Negócios Estrangeiros Iraniano, Manuchehr Mottaki, não houve um jornalista que lhe perguntasse nada sobre o tratamento das minorias étnicas e religiosas no Irão. Não percebo o que leva a que esse tema não seja abordado. Mas sei que quando isso acontece, as autoridade siranianas podem sentir - erradamente - que a sociedade portuguesa é indiferente a esse assunto.


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Sobre este assunto:
Iran jails Bahai 'propagandists' (BBC)
Iran sentences Bahais for 'anti-regime propaganda' (AFP)
Iran: 54 Bahaïs condamnés à la prison pour propagande contre le régime (La Croix)
Iran sentences Baha'is to prision (AP)
Baha'i members jailed for 'anti-islamic' propaganda (The Guardian)
Amnesty International calls for release of Bahai prisoners in Iran (Payvand)
Iran Sentences Baha'is to Prison (The Huffington Post)
Amnesty International, US State Department call for release of Baha'i prisoners in Iran (BWNS)
More than 50 Bahá’ís get prison terms for talking about their faith (WWRN)
Oltre 50 fedeli Bahai condannati perché parlano della loro fede (AsiaNews.it)
Religione, Iran condanna 54 bahai (Ansa.it)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Afinal houve coragem!



Tribunal Egípcio decide a favor dos Bahá’ís

Finalmente!

O Tribunal Administrativo do Cairo decidiu hoje a favor dos Bahá'ís Egípcios, permitindo-lhes que possam obter bilhetes de identidade e certidões de nascimento. Este veredicto permite que os Bahá'ís não indiquem a sua filiação religiosa em qualquer documento de identidade. Com esta medida os Baha'is Egípcios podem agora gozar de plenos direitos de cidadania na sua terra natal.

Estes veredictos envolveram o caso de dois gémeos de 14 anos de idade - Emad e Nancy Raouf Hindi - que até hoje não possuíam certidões de nascimento. Também incluiram o caso de um estudante universitário de 18 anos - Hussein Hosni Bakhit Abdel-Massih - que foi expulso da Universidade por não ter sido capaz de apresentar uma certidão militar (um documento comprovativo do adiamento do serviço militar que lhe permitia continuar os estudos). Por ser baha'i, Hussein não conseguia obter bilhete de identidade; e por não ter bilhete de identidade, também não conseguia obter a certidão militar.

Depois do Tribunal ter adiado por seis vezes a sua decisão, Hossam Bahgat, membro da Egyptian Initiative for Personal Rights que representou os Bahá'ís nestes casos, regozijou-se com a decisão: “Há muito tempo que os bahá'ís, os seus defensores e apoiantes não recebiam boas notícias!”.

Apesar do Governo Egípcio ter a possibilidade de vir a recorrer, este veredicto mostra que no Egipto existe um sistema judicial independente, e juízes - com coragem - que acreditam na tolerância e na igualdade de direitos para todos os cidadãos. É bom saber que há gente assim no outro lado do Mediterrâneo!





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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Egypt Baha'is win court fight over identity papers (Reuters)
Egypt's Bahais score breakthrough in religious freedom case (AFP)
Human Rights groups praise court decision granting Bahai's rights (EarthTimes)
Egypt court upholds Baha'i plea in religious freedom cases (BWNS)
Carte d'identité: un bahaï égyptien exempté de mention de religion (La Croix) (Marrakech)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Ricardo Araújo Pereira

Muito boa!

Uma ausência notada

Os media relatam hoje a realização da Cerimónia Evocativa do Dia Internacional de Memória das Vítimas do Holocausto, promovida na Sinagoga de Lisboa pela Comunidade Israelita. Esta data foi proclamada pelas Nações Unidas em 2005 para ser assinalar a 27 de Janeiro, aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia.

Ontem, na Sinagoga Shaaré Tikvá (Portas da Esperança), em Lisboa, a cerimónia contou com a presença do Presidente da República, Cavaco Silva, o Ministro da Justiça, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, diversas entidades políticas e ainda representantes de várias religiões.

Na sua intervenção o Chefe de Estado afirmou que "o trabalho de memória começa por ser um esforço de reconstituição de um passado que não pode ser negado. É mais que um imperativo de justiça. Contra a indiferença, contra o esquecimento, é de uma pedagogia que precisamos: que todos saibam o que aconteceu para que todos sejam levados a agir de modo a que não volte a acontecer."

Se a presença de tantos representantes do Estado conferiu uma dignidade especial à cerimónia e serviu para que o Estado Português manifestasse a sua posição, houve porém uma ausência que se fez notar: Mário Soares, Presidente da Comissão de Liberdade Religiosa. Uma ausência ainda mais notada, se nos lembrarmos que o ex-Presidente da Republica também já tinha faltado (em Outubro do ano passado) à cerimónia de repúdio pela profanação de campas no Cemitério Israelita de Lisboa.

Nas relações do Estado com as Comunidades Religiosas, há personalidades – devido ao cargo que ocupam – cuja sua presença, ou ausência, em actos oficiais será sempre notada. E passível de muitas interpretações.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Martin Luther King Day

A propósito do feriado de Martin Luther King celebrado nos EUA, aqui fica um vídeo para reflectir sobre a importância dos direitos Humanos.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sam Harris e o Fim da Fé (5)

O PROBLEMA DO ISLÃO

"Estamos em guerra com o Islão" é uma das ideias principais do livro O Fim da Fé. A afirmação é uma óbvia simplificação da realidade; o relacionamento entre o Ocidente e alguns países do Médio Oriente é bem mais complexo do que esta frase deixa a entender. É óbvio que - nas últimas décadas - o Islão radical têm sido uma fonte de problemas para o mundo Ocidental e para o próprio Islão. Penso que expressões como "Islão radical" e "fundamentalismo islâmico" apenas entraram na linguagem corrente expressão após a revolução iraniana de 1979. Onde estava esse o radicalismo islâmico antes dessa época?

Isto só por si lava-nos imediatamente a questionar: a que é que Sam Harris se refere quando fala do Islão? Ao longo do capítulo “O Problema com o Islão” percebemos que o autor se refere a todos os países de maioria muçulmana. Por outras palavras, inclui todos os muçulmanos, sejam eles liberais ou conservadores, árabes, persas, indianos, malaios, indonésios, africanos... todos eles são colocados por Sam Harris do mesmo lado de uma trincheira imaginária. Não seria mais objectivo considerar que o problema existe apenas devido às acções de regimes ditatoriais e grupos extremistas estabelecidos em alguns do Médio Oriente?

Não é isto uma simplificação típica de um modelo de pensamento radical? E não é estranho que seja uma atitude comum de extremistas religiosos e anti-religioso? Não seria possível ser um pouco mais racional? Afinal era isso que se esperava de quem, no mesmo livro, tanto apregoa o uso da razão.


A atitude mental do Islão radical merece ser comparada com outros radicalismos com que o Ocidente já se deparou. Podemos compará-lo com diversos fenómenos de intolerância religiosa que viveram à sombra de poderes instituídos. Desta forma, parece-me pertinente questionar porque é que Sam Harris não faz a comparação dos bombistas suicidas muçulmanos com os kamikazes japoneses da 2ª Guerra Mundial? Não existe algo de comum entre eles? Não acreditam ambos que se sacrificam por uma causa suprema, tentando levar a morte e destruição aos seus inimigos?

É, no mínimo estranho, que Sam Harris não seja capaz de fazer este tipo de comparações. Preferiu simplificações infantis em vez de uma análise racional da situação. Talvez as suas simpatias pelas religiões orientais não lhe tenham permitido fazer essa comparação.

INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS SAGRADOS

N'O Fim da Fé apresentam-se quase seis páginas (p. 129-134) de citações do Alcorão. São frases que, segundo o autor, revelam o carácter violento do Islão. Não é necessário ser muito versado na história do Islão para perceber que os textos do Alcorão revelados em Medina são muito diferentes dos textos revelados em Meca. Segundo vários teólogos muçulmanos, isto implica que a aplicabilidade e a abrangência do texto varia conforme o contexto da revelação.

Mas não é o Sr. Harris o grande defensor do uso da razão na análise da religião? Será a interpretação literal dos textos sagrados o exemplo dessa tão desejada racionalidade? Podemos ignorar o contexto (local e circunstâncias) em que os textos surgiram? Podemos fazer uma mera interpretação literal dos textos e já está? Mas não é exactamente isto o método dos fundamentalistas islâmicos? O uso da razão é mesmo isto?...

É óbvio que o Sr. Harris tem imensos preconceitos contra o Islão. Depois de insistir nas interpretações literais do Alcorão, encontra um versículo que afirma "Não vos mateis uns aos outros" (4:29). Estranhamente o autor prefere não interpretar literalmente este versículo; afirma que é "ambíguo" (p. 128). Conclui-se que o autor não prima pela objectividade...

Ao ler o livro O Fim da Fé, percebemos que o método do autor para avaliar as religiões é fazer uma interpretação literal dos textos e validar esse significado literal contra o senso comum. Nada de procurar sentido metafóricos ou significados implícitos; ficamos por uma leitura simplista. Mas será que o Sr. Harris faz isso com todas as religiões e todos os sistemas de crença?

Sabendo do fascínio de Sr. Harris pelo Budismo, que diria ele da máxima budista "Se encontrares o Buda na estrada, mata-o!" ? Será que também a interpreta literalmente considerando-a um incentivo à intolerância e à violência, uma prova da falsidade do Budismo e da sua influência maligna na história da humanidade? Ou será que por se tratar do Budismo tentaria procurar um significado metafórico, ou uma qualquer mensagem implícita nestas palavras? A resposta a estas questões encontra-se aqui: Killing the Buddha.

É estranho como o Sr. Harris consegue ser mais racional quando analisa textos do Budismo.

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NOTA: Este tema não se esgota por aqui; no próximo post abordarei outros assuntos que Sam Harris escreveu sobre o Islão no livro O Fim da Fé.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Um Lucro Legítimo?



A propósito da proposta de lei apresentada hoje no Parlamento sobre a generalização de medicamentos em unidose, não deixar de partilhar convosco dois episódios recentes. O primeiro passou-se numa consulta, em que o medico enquanto passava a recita me dizia: "Vai tomar dois comprimidos destes durante quinze dias... ou melhor... durante dez dias. Assim compra uma embalagem de 20 comprimidos; escusa comprar a de 60 comprimidos".

O segundo foi uma farmacêutica amiga que confidenciava como cada vez mais famílias de classe média se viam aflitas para pagar os medicamentos. "Os pobres já sabem que não têm dinheiro para medicamentos; agora é a classe média (sobretudo reformados) que sente este problema. Já chegámos a vender meia embalagem de cada vez... para eles poderem pagar".

Para mim estes são dois pequenos exemplos de como intervenientes do sistema de saúde consideram abusiva a atitude das empresas farmacêuticas. Para quê produzir embalagens com N comprimidos quando os médicos receitam sempre menos de metade dessa quantidade?

Quando hoje tanto se fala de responsabilidade social das empresas, bem podíamos questionar o que fazem as empresas farmacêuticas nesta área e de que forma o Governo as acompanha. Como qualquer empresa, uma farmacêutica tem por objectivo a prestação de serviços (neste caso a produção de medicamentos) e o lucro. Não há nada de imoral no lucro. É importante que todas as empresas o consigam.

Mas um lucro que é obtido quando se obriga os cidadãos - que apenas querem satisfazer uma necessidade elementar chamada saúde - a comprar um produto desnecessário será legítimo? Não é isso uma forma encapotada de extorsão? E porque é que o Parlamento rejeitou esta proposta e se manifestou tão alinhado com as empresas farmacêuticas?

Afinal o que é mais importante: a saúde da população ou os lucros das farmacêuticas?

A Batata Quente



Mais um adiamento dos julgamentos dos bahá'ís no Egipto. É a sexta vez que o Tribunal Administrativo do Cairo adia a decisão sobre estes casos. Torna-se óbvio que não pretendem tomar uma decisão e preferem que seja o Governo a fazê-lo.

Não parece credível que o Governo Egípcio tenha medo de uma insignificante comunidade religiosa de 2000 pessoas; mas a complexa teia de intrigas e ódios políticos fez deste assunto uma batata quente mas mãos do Governo. Este tentou passá-la aos tribunais; mas estes contínuos adiamentos são uma indicação clara que estes querem passar novamente a batata para o Governo.

O mais espantoso disto tudo é que ninguém reclama o reconhecimento da religião bahá'í no Egipto; apenas se exige que os baha’is tenham os mesmo direitos cívicos que qualquer outro cidadão... E são esses direitos cívicos de 2000 pessoas que são hoje vistos como arma de arremesso político entre as muitas forças que se degladiam no Egipto.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Um pouco mais de seriedade, sff.

A Carreira da Pampilhosa e o SNS

Em Julho de 2004 – quando Santana Lopes era Primeiro Ministro – Vital Moreira escreveu aquele texto tocante sobre a Carreira da Pampilhosa. O constitucionalista descrevia como a empresa concessionária do serviço público de transportes rodoviários que servia a Pampilhosa da Serra tinha anunciado ao município que cessaria brevemente as carreiras para esse destino, a menos que lhe fosse paga uma avultada compensação pelas perdas que o serviço lhe provocava.

Era um caso paradigmático de abandono do interior e testemunha da lamentável da “degradação dos conceitos de serviço público e de coesão territorial entre nós”. E lamentava-se o Professor que se tinha perdido em geral “a ideia da responsabilidade pública pela garantia do fornecimento de tais serviços”.

As palavras do constitucionalista eram condenatórios: “Considerando que se trata das regiões mais pobres e isolados do país, é indesmentível que o Governo está a violar escandalosamente o seu dever de velar pela coesão social e territorial, contribuindo assim para a desertificação humana daquelas regiões.”

“…o Governo está a prejudicar ostensivamente as regiões mais carenciadas em favor das regiões mais favorecidas. Os habitantes de Pampilhosa da Serra, que estão em risco de perder as suas escassas carreiras de transportes rodoviários de passageiros, por o Estado não assumir as suas responsabilidades, pagam porém os transportes de Lisboa e do Porto. Ou seja, os pobres pagam para os ricos. Dificilmente se poderia imaginar tamanha injustiça social e territorial.”

Hoje ao abordar a questão da crescente degradação de um outro serviço público (o Serviço Nacional de Saúde), Vital Moreira é bem mais complacente e encontra as melhores justificações para que se encerrem urgências e valências hospitalares. Já não se está a contribuir para a desertificação do país, mas sim a proceder ao “reordenamento territorial dos serviços públicos”. Já não importa que o Estado deixe de assumir as suas responsabilidades, pois na verdade que se vê privado deste serviço (de saúde) julga que tem direito a ele. E, claro, nem por sombras pensar que isto se trata de uma "injustiça social e territorial", pois "a diminuição da oferta não se traduziu em nenhum défice ou degradação do serviço público".

Creio que esta mudança de opinião de Vital Moreira é bem paradigmática daquilo que existe de errado na política. Será que pessoas assim se preocupam verdadeiramente com os interesses das populações? Ou estarão apenas a usar os interesses das populações para servir os seus próprios interesses? O que terá mais importância para pessoas destas: os valores e os princípios, ou os interesses da sua família política?

E por fim: compare-se esta atitude de Vital Moreira com as palavra de Manuel Alegre, ontem na SIC-Noticias, a propósito da progressiva degradação do Serviço Nacional de Saúde...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Uma democracia a definhar ?

Excerto da crónica de António Barreto, ontem no Público.

(...)

A verdade é que o clima de trapalhice se torna cada vez mais evidente. As políticas são erráticas. As correcções sucedem-se. As adendas e rectificações aos decretos-leis repetem-se. Com a publicação de uma nova lei logo surgem problemas e dúvidas, geralmente legítimos e fundados. Será isto só de hoje? Não. Seria injusto considerar Sócrates e o seu governo como únicos autores e principais responsáveis desta nova realidade que é a dos trapalhões no poder. Na verdade, a tendência é antiga. Há já três ou quatro governos e outras tantas legislaturas que o fenómeno vem tomando corpo. Sócrates, o seu governo e o seu partido são apenas os actuais, os últimos e os que mais fizeram para consolidar a tendência para a trapalhice. Serão estúpidos? Não creio. Ignorantes? É possível. Inexperientes? Bastante. Auto-suficientes? Muito.

Governam para a televisão. Fazem legislação para as sondagens. Tomam medidas para mostrar trabalho feito. São peritos em encenação. Vivem obcecados com a propaganda. Anunciam a ideia, anunciam o projecto, anunciam a correcção, anunciam a revisão, anunciam o concurso, anunciam a adjudicação, anunciam a decisão prévia, anunciam a nova correcção, anunciam a primeira inauguração, anunciam a segunda inauguração... As suas decisões servem para afirmar autoridade, sem que o seu conteúdo ou a sua bondade tenham qualquer relevo. Fazem obra para criar emprego, satisfazer os amigos, colocar os correligionários e gastar dinheiro. Como disse o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santos, o governo tem cada vez menos capacidade técnica e científica para preparar e tomar decisões. Os ministros confiam nos amigos, no partido e nas empresas complacentes e desprezam as opiniões técnicas e independentes. Os directores-gerais e os presidentes de institutos têm de ser de confiança política, também eles trabalham para as eleições. E o Parlamento? Poderá perguntar-se. Esse vive em sabática de competência. E em jejum de qualificações. Só nos resta acreditar no aforismo: quem governa pela propaganda, pela propaganda morre.

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É caso para perguntar: a democracia portuguesa está a definhar?

Aulas Baha'is para Crianças

Foi em Lisboa, no passado fim de semana.



Emglish version of this video is available, here.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Garrincha

Faleceu há 25 anos!



Não houve outro igual...

Conferência

Desafios ao Islão

Integrado no ciclo «Desafios da Contemporaneidade às Religiões»

Dia 21 de Janeiro, em Lisboa, na FNAC do C. C. Colombo, pelas 18.30h:

Oradores: Nina Clara Tisler (ICS-UL) e Faranaz Keshavjee (ULHT).

Organização: Área de Ciência das Religiões da Universiadde Lusófona

Mentira e Direito à Verdade

Anselmo Borges, ontem no DN:

«Todos mentimos. Há, porém, mentiras e mentiras. Tomás de Aquino distinguiu entre mendacium - mentira - e falsiloquium - não dizer a verdade a alguém que não precisa de sabê-la ou não tem o direito de sabê-la. No limite, pode acontecer que mentir seja uma obrigação moral. Se um assassino procura um inocente para matá-lo, deve-se mentir quanto à sua localização. O detentor da chave do segredo para desencadear a guerra nuclear deverá mentir ao terrorista que a exige...

A mentira não se refere imediatamente à verdade, mas à veracidade: dizer a alguém o contrário do que se julga ser verdade, com a intenção de enganar. Aprofundando mais, deve-se acrescentar: não dizer a verdade a alguém que tem o direito de sabê-la. M. Onfray escreveu que nunca se deveria mentir, fossem quais fossem as consequências, como exige Kant; mas, se Kant tem razão em princípio, esse princípio é na realidade não vivível, impraticável; por isso, aceita a definição de mentira como "o facto de não dar a verdade, sem dúvida, mas só a quem é devida". Uns têm direito a ela, outros não: por exemplo, um nazi que procurava um judeu para matá-lo não tinha o direito à verdade. Deve-se distinguir "a mentira prejudicial, impura, a que procura um engano destinado a submeter o outro, a limitá-lo, a evitá-lo, a desprezá-lo, e a mentira para ajudar, limpa, chamada por alguns mentira piedosa, a que cometemos, por exemplo, com a finalidade de poupar sofrimento e dor a uma pessoa querida".

Em Portugal, quando se olha para as promessas incumpridas dos políticos, jogos obscuros na banca, subterfúgios à procura da localização de aeroportos, uma política de saúde que fecha maternidades e urgências e descura pobres e velhos, o caos na justiça, um leque salarial gritantemente indecoroso, previsões inverdadeiras da inflação e outras infindas manobras com corrupção activa e passiva à mistura, tem-se a sensação de que se avança em terreno minado pela mentira, com uma democracia perplexa, triste e quase impotente. Quando os portugueses têm direito à verdade.»

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A resolução do Parlamento Europeu...



A resolução que hoje foi aprovada pelo Parlamento Europeu sobre a situação dos Direitos Humanos no Egipto – e que já provocou reacções bem azedas por parte das autoridades egípcias - menciona a situação dos bahá'ís naquele país.

O texto da resolução pode ser lido aqui.

A land called Paradise

Para acabar com preconceitos!

La Sapienza

O episódio do cancelamento da visita do Papa à universidade romana La Sapienza tem feito correr muita tinta. Uns encaram-no como uma espécie de “desforra da ciência sobre a religião”; outros apenas como mais um espasmo do ateísmo radical.

O Papa Bento XVI foi convidado pelo Reitor da Universidade de Roma La Sapienza para proferir um discurso na abertura do ano académico. Contra este convite insurgiram-se dezenas de professores, protestando contra as posições conservadoras do Papa Bento XVI em diversas matérias sociais e, sobretudo, a sua concepção de uma investigação científica subordinada à fé religiosa. Lembraram um discurso feito em 1990, quando ele era ainda Cardeal, em que teria citado Feyerabend dizendo: «Na altura de Galileu, a Igreja mostrou ser mais fiel à razão que o próprio Galileu. O julgamento contra Galileu foi razoável e justo».

(imagem obtida no De Rerum Natura)

A visita acabou por ser cancelada “por receio de tumultos”. A notícia do cancelamento foi recebida por centenas estudantes com aplausos e gritos de vitória.

Que pensar de tudo isto?

Impedir alguém de expressar as suas opiniões é uma acto de censura. E as universidades além de centros de desenvolvimento e disseminação do saber, deviam fomentar os preceitos da tolerância e do respeito por quem tem ideias diferentes. Lembro que Ahmadinejad – um dos lideres mundiais mais odiados pelos americanos - foi convidado para discursar numa universidade americana. Foram-lhe ditas umas boas verdades; mas ele pôde usar da palavra e defender-se.

Desta forma estes professores e alunos da universidade La Sapienza colocaram-se ao nível dos radicais, que deambulam por universidades no mundo islâmico pregando a intolerância, o obscurantismo e regozijando-se com uma pretensas vitórias do bem sobre o mal.

Mas também custa a acreditar que um Pontífice que não teve medo de ir à Turquia depois das polémicas provocadas pelo discurso na Universidade de Ratisbona, tenha receio de se deslocar a uma Universidade Romana por recear que os protestos degenerassem em cenas de violência.

A verdade é que este cancelamento acaba por ser uma hábil jogada do Papa Bento XVI que consegue criar um facto onde a intolerância do ateísmo radical é exposta publicamente. Desta forma, os professores e alunos que provocaram este episódio, além de intolerantes, mostraram uma enorme ingenuidade em relação às consequências do seu acto.

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NOTA: Já tive oportunidade de criticar neste blog várias posições do Papa Bento XVI a propósito de um livro que ele escreveu sobre o Cristianismo e as Religiões do Mundo. E apesar de considerar que muitas das suas posições são profundamente questionáveis, nunca recomendei que o seu livro não fosse lido; isso seria uma sugestão de censura e uma rejeição do debate de ideias. Por muito diferentes que sejam as minhas opiniões das opiniões do Chefe da Igreja Católica, entendo que ele deve ter direito a expressá-las.


ACTUALIZAÇÃO: Ler o Editorial de José Manuel Fernandes, hoje no Público (sem link)

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Sobre este assunto:
Papa cancela visita a universidade após protestos e manifestações (DN)
Vaticano divulga discurso que Papa não pôde fazer em universidade (AFP)
Mídia espanhola critica censura à visita papal à «La Sapienza» (Zenit)
Papal visit scuppered by scholars (BBC)
Galileo protest halts pope's visit (CNN)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Miss Landmines 2008 (Angola)

Nunca gostei de Concursos de Misses. Mas o Expresso chamou hoje a atenção para um que é verdadeiramente especial. Vai decorrer em Angola e intitula-se Miss Minas Terrestres 2008. As candidatas são mulheres que ficaram mutiladas sequência de explosões de minas antipessoal no país. Aqui ficam as fotos de algumas concorrentes.

Mariana Lucas (Huambo)


Maria Restino Manuel (Cuanza Sul)


Maria da Fátima Conceicao (Moxico)


Filomena Domingos da Costa (Malanje)

A ideia do concurso foi do artista norueguês Morten Traavik, e conta com o apoio do Governo angolano e da União Europeia, financiadores do projecto.

Além de ser uma forma inovadora de chamar a nossa atenção para um problema terrível que se vivem em Angola (e muitos outros países), o projecto tem por objectivo a capacitação e a abertura de novas oportunidades para os sobreviventes destes engenhos. Simultaneamente, desafia os conceitos tradicionais de beleza e perfeição física.

O site do projecto está disponível aqui.

The Moral Instinct

«Illusions are a favorite tool of perception scientists for exposing the workings of the five senses, and of philosophers for shaking people out of the naïve belief that our minds give us a transparent window onto the world (since if our eyes can be fooled by an illusion, why should we trust them at other times?). Today, a new field is using illusions to unmask a sixth sense, the moral sense. Moral intuitions are being drawn out of people in the lab, on Web sites and in brain scanners, and are being explained with tools from game theory, neuroscience and evolutionary biology.

“Two things fill the mind with ever new and increasing admiration and awe, the oftener and more steadily we reflect on them,” wrote Immanuel Kant, “the starry heavens above and the moral law within.” These days, the moral law within is being viewed with increasing awe, if not always admiration. The human moral sense turns out to be an organ of considerable complexity, with quirks that reflect its evolutionary history and its neurobiological foundations.»

Excerto de um artigo no New York Times que merece uma boa leitura e promete excelentes debates!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Aliança de Civilizações

Decorre actualmente em Madrid, 1º Fórum da Aliança das Civilizações, onde mais de 350 participantes, 30 empresários de relevo mundial, líderes religiosos, políticos e cívicos analisam a partir de hoje o diálogo inter-cultural.

Dando o mote, o primeiro ministro espanhol afirmou na abertura deste encontro que “a Aliança de Civilizações propõe-se demonstrar que existem vias práticas de colaboração positiva, entre o mundo islâmico e o mundo ocidental que desmintam o paradigma supostamente inexorável de confrontos entre civilizações e culturas", afirmou José Luis Rodríguez Zapatero.

Ainda segundo o chefe do governo espanhol, a AdC deve ser vista como “um compromisso activo, uma aposta pela iniciativa e pela acção, contra a intolerância, o radicalismo, o fundamentalismo, e a favor do entendimento, pelo respeito, pelo reconhecimento do que não pensa como nos, para o encontro, para a paz que é o desejo mais amplamente sentido por todos".

Estas palavras são bonitas. Mas a prática política de algumas personalidades que apoiam a AdC é bem diferente.

Erdogan e Zapatero: terão ambos as mesmas intenções com a AdC?

Veja-se por exemplo o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan; este homem defendeu que os princípios essenciais para responder ao “problema global” dos conflitos internacionais e da crispação religiosa e cultural são a luta contra o fanatismo, a promoção da tolerância e o respeito inter-cultural pela via da lei, justiça e amizade. Mas é a Turquia um oásis de tolerância e um exemplo de uma pacífica sociedade multi-cultural? Que podemos pensar dele ser nos recordarmos que o governo turco criou uma série de procedimentos legais que impedem uma minoria religiosa como os baha’is de obter bilhetes de identidade?

E que pensar de Khatami, esse Ayatollah "moderado e reformador", que sempre foi fechando os olhos às perseguições de que os baha’is iranianos foram vítimas? Que pensar deste clérigo que nunca fez nada para libertar o Irão dos seus preconceitos contra os baha’is e tem agora a ousadia de falar em reconciliação com outras nações?

Veremos algum dirigente ocidental lembrar as este tipo de dirigentes políticos que as diferenças entre os povos não existem apenas para lá das fronteiras de cada país? As diferenças existem no interior de cada país, na diversidade cultural, religiosa, étnica…E países como a Turquia ou o Irão têm poucas lições a dar ao mundo no que toca ao respeito pela diversidade humana.

Será que este fórum serve para algo mais do que declarações de boas intenções? Será que se vão falar de problemas concretos, ou vamos apenas ouvir declarações genéricas e palavras de cortesia entre os participantes?

Se os dirigentes ocidentais optarem pelo silêncio ou a indiferença perante a situação dos direitos humanos em países como a Turquia e o Irão, isso só poderá ser entendido como sinal de cinismo e de cobardia. Será a prova definitiva da inutilidade da actual ordem política mundial.

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Sobre este assunto:
Aliança Civilizações: Iniciativa pode ser resposta aos "augúrios" sobre choque civilizações - Zapatero (Expresso)
Civilizações: Líderes mundiais em diálogo intercultural (Diário Digital)
Aliança de Civilizações é "antídoto para terrorismo" (DN)
Apelo ao diálogo entre civilizações (Correio da Manhã)
"Una Alianza para movilizar a las grandes mayorías de paz en el mundo" (ElPais)

As perseguições de 1955

O General Batmanghelich (com a picareta nas mãos) e o General Taymour Bakhtiar
durante a destruição do Centro Bahá'í de Teerão.


O Mullá Taqi Falsafi (conhecido por difamar os Bahá’ís em programas de rádio)
quis participar pessoalmente na destruição do Centro Bahá'í de Teerão


As fotos acima são conhecidas para a maioria dos baha’is: são o testemunho de um dos momentos mais dolorosos das perseguições de 1955, quando as autoridades militares e eclesiásticas uniram esforços para demolir o Centro Bahá'í de Teerão.

Nessa época o Xá Reza Pahlavi permitiu que os mullás, com a colaboração do exército, desencadeassem uma onda de perseguições contra os bahá’ís. Este sacrifício de uma minoria religiosa, que não se envolvia em actividades políticas e não se opunha ao governo parlamentar da época, terá sido uma dos actos mais ignóbeis do seu reinado. A própria SAVAK (a polícia secreta do regime) encorajou a criação da Sociedade Hojjatiyeh, cujas acções amedrontaram várias minorias religiosas do Irão.

Sobre os meandros e as intrigas políticas que rodearam essas perseguições, foi agora publicado um longo artigo (Sacrificing the Innocent - Suppression of Baha'is of Iran in 1955) no Iranian.com, da autoria de Bahram Choubine. O texto descreve com pormenor as relações entre o Ayatollah Borujerdi, o pregador Taqi Falsafi (conhecido por difamar os Bahá’ís em programas de rádio), o general Batmanghelich (chefe de Estado Maior do Exército) o General Taymour Bakhtiar (comandante militar de Teerão) e o Xá Reza Pahlavi; também as influências do clero sobre o governo, as perseguições aos militantes do partido Tudeh e as reacções dos diplomatas americanos em Teerão são referidas no texto

A riqueza da documentação apresentada, e as fontes de informação do autor conferem a este documento uma importância óbvia para quem se interessa pela história recente do Irão.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cinco Milhões sem Identificação

Na sua edição de 12 de Janeiro, o jornal Al-Ahram – uma espécie de órgão semi-oficial do Governo Egípcio – publicou uma entrevista com o Dr. Boutros Boutros-Ghali onde se abordam diversas questões relacionadas com as suas actuais funções de presidente do Conselho Nacional Egípcio para os Direitos Humanos.

O ex-Secretário Geral das Nações Unidas, voltou a reafirmar que não concorda que os documentos de identificação egípcios incluam a filiação religiosa do cidadão, e expressou uma preocupação particular pela situação dos bahá'ís do Egipto. Sobre outras tensões que vive a sociedade egípcia, Boutros-Ghali salientou a necessidade de diálogo inter-religioso, de tolerância e compreensão mútua.

Entretanto, e apesar do prazo de utilização dos novos bilhetes de identidade ter terminado no passado dia 31 de Dezembro, mesmo jornal deu a conhecer que existem mais de 5 milhões de pessoas que ainda não conseguiram obter os novos documentos. Estes tratam-se, essencialmente, de pessoas que residem em zonas rurais e áreas remotas do Egipto.

MAIS INFORMAÇÕES: Current Status of ID Cards in Egypt: Five Million Pending!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Romper o ciclo das cunhas

Henrique Monteiro, escreve hoje no Expresso a propósito da compra de um convento em Setúbal (convertido em prisão), por António Lamego, ex-sócio do actual ministro da Justiça, Alberto Costa.

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(...)
Eu sei que isto pode parecer lunático, sobretudo em Portugal, mas enquanto não houver aquilo que Mário Soares costumava designar por 'sobressalto' - uma atitude radical e exemplar contra esta espécie de submundo de interesses económicos cruzados com a política, onde lóbistas subterrâneos conseguem o que querem, como querem, tantas vezes às custas dos contribuintes - o desenvolvimento do país continuará em crise.

Não há pior para a economia do que esta desconfiança em que nada se obtém com esforço e tudo se consegue com cunhas.

Alguém tem de romper o ciclo

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COMENTÁRIO: A quantas outras situações se aplicaria estas palavras de Henrique Monteiro? Ao TGV? À construção do novo aeroporto de Lisboa? Aos estádios do Euro 2004?

Alcochete

Sobre a escolha do Campo de Tiro de Alcochete para local de construção do novo Aeroporto de Lisboa:

Aquilo que há um ano parecia impossível - alterar uma decisão tomada ainda no tempo do Governo de Guterres - provou ser possível graças à determinação de alguns técnicos, à contestação de parte da opinião pública e ao empenhamento de alguns líderes da sociedade civil. Tratou-se de um saudável exemplo de funcionamento da democracia, provando que esta não se limita a votar regularmente e que possuir uma maioria absoluta no Parlamento não é sinónimo de deter um mandato de poder absoluto. Como temos insistido repetidas vezes, em democracia e num regime aberto e liberal, tão importante como existir um mandato claro que permita governar e ser avaliado pelo que se fez ou não fez é a existência de sistemas de pesos e contrapesos que limitam o poder do Governo.

José Manuel Fernandes, Editorial do Público, 11-Janeiro-2008

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Alcochete - Eis a escolha do Governo. Satisfez a CIP, não satisfez nem os contribuintes nem o interesse nacional. Todos os que estão de boa fé perceberam de há muito que a única opção de interesse publico era a Portela+1 - a mais rápida, a mais eficaz, a mais barata. Mas há que satisfazer a clientela das obras públicas, porque esse é o paradigma de 'desenvolvimento' em que vivemos. Visto à luz desta fatalidade, Alcochete é o mal menor.

Miguel Sousa Tavares, Expresso, 12-Janeiro-2008

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COMENTÁRIO: A sociedade civil movimentou-se, fez-se ouvir, mas talvez não tenha sido suficiente. Ficou por explicar de forma convincente a exclusão da opção Portela +1.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Obama e Hillary



O duelo Obama-Hillary nas eleições primárias nos Estados Unidos é bem revelador da transformação da sociedade americana. Para perceber as implicações e a importância dessa mudança convém ter presente as opiniões de 'Abdu'l-Bahá quando 1912 visitou América. Durante essa visita, o filho do fundador da Fé Baha’i não se limitou a elogiar as virtudes da América; também fez várias advertências sobre diversos problemas que ameaçavam o povo americano.

Para 'Abdu'l-Bahá, o racismo era um dos maiores males que afligiam os americanos; e enquanto este problema não fosse ultrapassado, a América não conseguiria atingir os seus objectivos enquanto nação. Também a igualdade de direitos entre homens era uma necessidade urgente da América. Para Ele, esta também era uma condição necessária à evolução da sociedade e à atenuação das tensões no relacionamento entre as nações.

O tempo passou e a sociedade americana transformou-se.

Em 1920, o direito de voto foi concedido às mulheres americanas. E nos anos 1950-60 o movimento dos direitos cívicos conseguiu importantes conquistas na abolição da discriminação racial nos EUA. Foram transformações, por vezes dolorosas, que geraram heroínas como Esther Hobart Morris, e heróis como Martin Luther King.

Apesar de ainda existirem preconceitos e focos de discriminação na América, as candidaturas de Barack Obama e de Hillary Clinton levam-me a pensar que os EUA estão a viver um momento especial na sua história (tal como em 1920 e nos anos 1950-60). Independentemente de quem possa vira ser o próximo presidente, uma coisa é certa: estas duas candidaturas estão a ser um tremendo contributo para eliminar preconceitos raciais e de género entre os americanos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Expliquem lá isso...



Os media noticiam hoje que o Campo de Tiro de Alcochete foi escolhida para construir o novo aeroporto de Lisboa. Congratulam-se os apoiantes desta solução; escandalizam-se os defensores da Ota. Temos garantido mais uns dias de acusações e recriminações...

Pessoalmente, não percebo a exclusão da solução "Portela + 1".

Mesmo construindo um novo aeroporto em Alcochete, não poderia este numa fase inicial funcionar como o "+1" da Portela?

Se o tráfego aéreo crescesse conforme indicam algumas previsões, não poderia Alcochete ser ampliado e a Portela funcionar como o "+1" de Alcochete?

Afinal qual é a vantagem de encerrar a Portela?

Tudo isto são questões que não encontro resposta. Infelizmente os nossos governantes não têm sido nada claros na justificação das suas decisões. E muitos dos comentadores desta matéria parecem falar sempre como com ideias pré-concebidas.

A experiência recente de grandes investimentos em obras públicas mostra que todas as vantagens e desvantagens devem ser bem ser bem estudadas e explicadas. Lembram-se dos investimentos nos Estádios para o Euro 2004? Quantos estão às moscas? E quantos estão subaproveitados? Alguém pensa que este país tem condições económicas para mais obras faraónicas?

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ACTUALIZAÇÃO: o site da NAER - aquele onde há já alguns meses constava a palavra "OTA" no banner - esteve durante o dia em branco. À tarde apresentava a mensagem "Site em Actualização". Neste momento (20H00) apresenta apenas algumas funcionalidades básicas e já não tem a palavra "OTA".

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Podcast do Guardian

Quando uns pensamentos mudam a tua mente, isso é filosofia;
Quando Deus muda a tua mente, isso é fé;
Quando uns factos mudam a tua mente, isso é ciência.

Este é a frase que dá o mote a um debate sobre Deus, a filosofia e a ciência num podcast do Guardian. Entre os convidados encontra-se o cientista Stephen Phelps (que é baha’i) que defende ideias como o facto da religião possuir um carácter evolutivo (com ensinamentos relativos) e ter por objectivo o estimular da evolução humana. Também acredita que ciência e religião não devem ser vistas como estando em contradição, mas estado em harmonia entre si.

Para este cientista, o criacionismo e o Inteligent Design não fazem qualquer sentido. Deus é incognoscível; está acima do ser e da existência ou de qualquer atributo. Não há raciocínio lógico capaz de provar a existência de Deus.

Segundo Stephen Phelps, a maioria das pessoas acredita e defende conceitos tão distorcidos sobre Deus e a religião que temos de concordar com os argumentos de Dawkins para rejeitar a existência de Deus. Deus é uma realidade que não pode ser abrangida pelo intelecto.

Vale a pena ouvir.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Dinheiro

O Público tem hoje no seu suplemento de Economia um artigo especial sobre as religiões e o dinheiro. O texto centra-se nas cinco grandes: Judaísmo, Cristianismo, Islão, Hinduísmo, e Budismo. Para os bahá'ís que se lamentam pela sua religião não ser referida neste artigo, pergunto: que contributo poderiam os bahá'ís dar numa reflexão sobre a relação da religião com a riqueza material? Apesar de já se poder encontrar alguns ensaios sobre este assunto[1], da maioria dos baha'is pouco mais se costuma ouvir do que a constante repetição de um princípio: a abolição de extremos de pobreza e riqueza [2].

Por outras palavras há que colocar limites nas diferenças de distribuição de riqueza; é inaceitável que existam milhões de pessoas vivam na mais abjecta pobreza e miséria, enquanto outros vivem rodeados de fausto que nem os reis ou os faraós do passado alguma vez puderam imaginar. Mas como atingir este objectivo? As escrituras Bahá'ís não apresentam um modelo de desenvolvimento económico; apenas contêm conselhos sobre justiça nas relações laborais, incentivos à filantropia, e alguns ensinamentos muito específicos sobre dinheiro.

Numa das Suas Epístolas, Bahá'u'lláh encorajou atitudes filantrópicas dos ricos:
Os que possuem riquezas, porém, devem ter a máxima consideração pelos pobres, pois grande é a honra destinada por Deus àqueles pobres que são constantes em paciência. Por Minha vida! Não há honra que se possa comparar com esta honra, excepto aquela que apraza a Deus conceder. Grande é a bem-aventurança que espera os pobres que suportam pacientemente e ocultam seus sofrimentos, e felizes os ricos que doam suas riquezas aos necessitados e os preferem a si próprios.

Queira Deus, possam os pobres esforçar-se e lutar para ganharem os meios de sustento. É este um dever que, nesta mais grandiosa Revelação, foi prescrito a cada um e, aos olhos de Deus, é considerado uma boa acção. A quem observar este dever, a ajuda do Invisível, com absoluta certeza, haverá de beneficiar. Ele pode enriquecer, através da Sua graça, a quem Ele queira. Ele, verdadeiramente, tem poder sobre todas as coisas... [3]
'Abdu'l-Bahá, por seu lado, mostrou-se bem conhecedor dos problemas das sociedades industriais do início do séc. XX quando abordou o tema das diferenças na distribuição de riqueza e a necessidade de justiça e bom senso nas relações laborais:
...devem ser estabelecidas leis que regulamentem as fortunas excessivas de indivíduos particulares e responda às necessidades de milhões das massas pobres; assim, uma certa moderação será conseguida. No entanto, a igualdade absoluta é impossível; a igualdade absoluta nas fortunas, honras, comércio, agricultura, indústria terminariam em desordem e caos, na desorganização dos meios de existência e na desilusão universal; a ordem da comunidade seria praticamente destruída. As dificuldades também surgiriam se se tentasse impor uma igualdade injustificada. Assim é preferível que a moderação seja estabelecida através de leis e regulamentos que impeça a constituição de fortunas excessivas de indivíduos particulares, e proteja as necessidades essenciais das massas. Por exemplo, os fabricantes e industriais acumulam tesouros todos os dias, enquanto que os pobres artesãos não ganham o seu sustento diário; isto é o cúmulo da iniquidade e nenhum homem justo o pode aceitar. Assim, devem-se estabelecer leis e regulamentos que permitam aos trabalhadores receber os seus salários e um quarto ou um quinto dos lucros, de acordo com a capacidade da fábrica; ou de qualquer outra forma, o corpo dos trabalhadores e fabricantes deve partilhar equitativamente os lucros e benefícios. Na verdade, o capital e a gestão vêm do dono da fábrica, e o trabalho e o esforço vêm do corpo dos trabalhadores. Os trabalhadores devem receber salários que lhes garanta um sustento adequado, e quando deixem de trabalhar, fiquem doentes ou desamparados tenham benefícios suficientes dos rendimentos da indústria; ou então, os salários devem ser suficientemente elevados para satisfazer os trabalhadores com o que recebem e permitir-lhes poupar um pouco para os dias de necessidade e desamparo... [4]
Sobre o uso do dinheiro, podemos encontrar um pequeno texto de Bahá'u'lláh onde o fundador da religião Bahá’í declara ser legítimo cobrar juros sobre dinheiro emprestado. Lembro que a Fé Bahá’í nasceu num meio islâmico, e que nesta religião a cobrança de juros é proibida.
Quanto à tua pergunta referente a juros e lucros provenientes do ouro e da prata: ... Muitas pessoas necessitam disso, pois, se não houvesse perspectiva de se ganhar juros, os interesses dos homens sofreriam um colapso ou um desequilíbrio. Raramente se pode encontrar uma pessoa que manifeste tal consideração para com seu semelhante, um patrício seu, ou o seu próprio irmão, e lhe mostre tão terna solicitude, que esteja disposta a conceder-lhe um empréstimo em termos benevolentes[5]. Como sinal de favor aos homens, prescrevemos que juros sobre dinheiro sejam considerados como outras transacções de negócios correntes entre os homens. Assim, agora que este mandamento claro desceu do céu da Vontade de Deus, é legítimo e apropriado cobrar juros sobre dinheiro... Em verdade, Ele ordena de acordo com a Sua Própria escolha. Ele legitimou agora, os juros sobre dinheiro, tal como no passado o tornara ilegal.[6]
Além destes três excertos das escrituras baha'is, também as regras de funcionamento dos fundos Bahá’ís nos permitem perceber a importância de uma relação saudável com o dinheiro. Por exemplo, o facto de apenas os bahá'ís poderem contribuir para os fundos da sua religião, pode ser visto como uma regra de independência da comunidade em relação ao poder financeiro do exterior. Por outro lado, a contribuição aos fundos bahá'ís é voluntária; ninguém pode cobrar ou exigir a um crente que contribua. Além disso o montante da contribuição é sigilosa; ninguém deve divulgar o valor das suas contribuições.

Este post apresenta uma breve noção da posição bahá'í face a temas como dinheiro, pobreza e riqueza. Um estudo mais detalhada e aprofundado das Escrituras Bahá'ís permitirá certamente esclarecer muitos outros aspectos sobre estes temas.[7]

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NOTAS
[1] – Dois textos merecem destaque: Religious Values and the Measurement of Poverty and Prosperity e Toward a Baha'i Economic Model
[2] – Por vezes, alguma literatura (e websites) refere este princípio com uma expressão pouco feliz: uma solução espiritual para os problemas económicos.
[3] - Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, sec. C
[4] - 'Abdu'l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas, cap. 78
[5] – Refere-se a empréstimos sem juros nem data limite de pagamento.
[6] – Epistolas de Bahá'u'lláh.
[7] – Usando o Ocean, descobre-se que a palavra “money” aparece 705 vezes na literatura bahá'í em inglês. É um indicador de que ainda há muito a dizer sobre este tema.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A desforra de Deus

Aqui fica o artigo de Esther Mucznik, hoje no Público, onde são levantadas várias questões sobre as religiões e a laicidade na Europa. Os sombreados a amarelo são da minha responsabilidade.
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"A República precisa de crentes", afirmou, no Vaticano, Nicolas Sarkozy. Em visita ao Papa Bento XVI, o Presidente francês acaba de quebrar um tabu que, desde a lei de separação de 1905, relega a religião para a esfera privada dos indivíduos, suprimindo a sua expressão pública. No seu discurso em Roma, Sarkozy foi ainda mais longe, assumindo as raízes cristãs da França, "cimento da identidade nacional", e defendendo uma laicidade positiva que não encare as religiões "como um perigo, mas sim como um trunfo", numa França hoje religiosamente diversa. Como era de esperar, estas considerações tumultuaram a classe política francesa e alguma opinião pública, nomeadamente à esquerda. "Trata-se de uma verdadeira confusão entre o religioso e o político", afirmou François Hollande, dirigente do PS francês.

Dir-se-á que esta é mais uma daquelas polémicas à francesa que não interessam a ninguém, a não ser aos próprios. No entanto, como aqui já tive a ocasião de o dizer, devido precisamente ao radicalismo da sua experiência, a França é frequentemente um laboratório cujos sinais ultrapassam as suas fronteiras e este é um deles. Como doutrina e como prática, a laicidade radical que considera a religião como um factor de atraso e obscurantismo a banir do espaço público, e se possível da estratosfera, está de facto completamente ultrapassada, não só em França, mas onde quer que ela se manifeste. Existe apenas em cabeças dogmáticas que fizeram do laicismo e do anticlericalismo a sua própria religião. Na prática, quer os cidadãos, quer o poder político mantêm com as confissões religiosas uma relação natural e descontraída. Isto é uma realidade no mundo ocidental e também em Portugal, onde partidos políticos, comunicação social, ministros e Presidentes visitam igrejas, sinagogas, mesquitas e mantêm contactos com as lideranças religiosas quando tal é necessário.

A que se deve esta evolução, absolutamente impensável ainda há duas décadas? A uma maior religiosidade dos cidadãos e, em consequência, a um maior respeito pelas suas instituições? A resposta é, claramente, não! Paradoxalmente, e em particular no Ocidente europeu, o fenómeno religioso tem vindo a conquistar espaço na vida pública em proporção inversa à prática religiosa dos cidadãos. O lugar que hoje é dado à expressão pública das confissões religiosas é o resultado, em primeiro lugar, do apaziguamento do trauma da violência inaugural da separação Estado/Igreja; em segundo lugar, do reconhecimento de que num mundo de opressão política e corrupção moral os valores religiosos oferecem um universo moral alternativo às utopias ateístas e seculares. "Se não tiveres Deus", afirma T.S. Eliot, "terás de te prostrar perante Hitler ou Estaline." Certo ou errado, a verdade é que a religião tem sido frequentemente um fermento no combate às ditaduras políticas e militares: contra os regimes comunistas no Leste europeu, contra as próprias ditaduras militares seculares no mundo islâmico, onde as mesquitas são frequentemente, e com os excessos que se conhecem, o único centro de oposição política, ou mais recentemente na resistência dos monges birmaneses a um dos regimes mais opressivos do mundo. Digamos que no último quartel do século XX a história reabilitou a religião, com os seus lados positivos, mas também com os seus excessos brutais. "La revanche de Dieu", como lhe chamou Gilles Kepell.

O terceiro elemento da visibilidade actual do fenómeno religioso é a diversidade religiosa e particularmente a presença maciça do islão na Europa. Contrariamente ao judaísmo, habituado a viver em diáspora durante milénios, conformando-se às leis dos países, segundo a máxima talmúdica "a lei do país é a nossa lei", o islão não tem experiência histórica da separação entre a vivência cívica e a religiosa. Assim, a presença islâmica é uma presença religiosa visível e culturalmente diversa que mexe com o espaço público e representa um desafio para uma Europa habituada a ver-se como um "clube cristão". A questão que a diversidade religiosa coloca - e que é hoje absolutamente central - é como conviver harmoniosamente entre religiões diferentes e entre religiosos e ateus, respeitando e partilhando o espaço comum. É aqui que a questão da laicidade positiva, ou seja, uma visão liberal da laicidade, feita de negociação permanente e de equilíbrio das liberdades individuais e colectivas, pode dar uma resposta. Só ela permite a plena realização pessoal e cívica que para muitas pessoas passa pela prática de uma religião. Ao estimular uma prática religiosa tolerante e respeitadora das convicções alheias, a laicidade positiva é também um antídoto contra os fundamentalismos religiosos e laicos.

Algo estará a mudar na velha Europa, a que não será estranho o combate intransigente do Papa Bento XVI contra as ideologias seculares e o materialismo "que esqueceu que o homem permanece homem, que a liberdade permanece a liberdade, mesmo para fazer o mal". Algo está a mudar numa Europa em que o Presidente francês vai ao Vaticano afirmar as raízes cristãs da república mais laica do planeta e em que um ex-primeiro ministro britânico assume publicamente a sua apostasia e conversão ao catolicismo....

Em Portugal, onde a convivência inter-religiosa e cultural é hoje pacífica, ainda existem esporadicamente uns laivos de laicismo sectário e absurdo, como a recente medida do Ministério da Educação de retirar os nomes dos santos às escolas públicas. A verificar-se, esta decisão revela uma visão da laicidade completamente deturpada, ignorando a cultura cristã dominante da população portuguesa e encarando a esfera pública secular como um espaço neutro, asséptico e esquizofrénico, em que cada um tem de calar as suas convicções, remetendo-as para uma esfera quase tão tabu e "vergonhosa" como as opções sexuais...

Para não referir o absurdo de uma medida que coerentemente teria de se aplicar progressivamente a hospitais, juntas de freguesia, elevadores públicos...

Será necessário repetir que a laicidade positiva contemplada pela Lei de Liberdade Religiosa de 2001 pressupõe, ao invés, a expressão pública, livre e harmoniosa da diversidade cultural e religiosa?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Aqui ao lado...

La Diputación de Badajoz acoge una muestra de 70 artistas extremeños sobre el "exterminio" de la minoría Bahá'í en Irán

La Diputación de Badajoz acoge, hasta el próximo 12 de enero, una muestra colectiva en la que 70 artistas extremeños, dan a conocer el "exterminio" de la minoría religiosa Bahá'í por el régimen fundamentalista musulmán iraní, según explicó la representante de esta cultura, María del Rosario Cañas.

Así, Cañas señaló que los Bahá'í cuentan con una población actual de 300.000 personas, que son perseguidas por causas religiosas en Irán, dado que profesan un islamismo progresista en el que se reconocen los derechos de las mujeres, la libre investigación y sus planteamientos educativos.

La represión y la persecución que sufre esta minoría iraní, la más amplia del país, se fundamenta en la difusión, desde los medios de comunicación del país, "del odio" hacia los bahá'í con el objetivo de que su progreso social y cultural quede mermado, impidiéndoles incluso ejercer como funcionarios, acceder a pensiones por jubilación o matricularse en las universidades.

El actual gobierno de Irán "tergiversa" las enseñanzas de los bahá'í, y ha encargado al ejército la elaboración de listas y actividades de los miembros de la etnia religiosa, un hecho que desde la ONU ha sido comparado con las elaboradas por los nazis antes del comienzo del exterminio judío.

Además se ha procedido a la destrucción de los lugares sagrados de la bahá'í y el Ministerio de Educación ha establecido protocolos de formación para el profesorado en los que se indica cómo "conseguir que los niños bahá'í afirmen pertenecer a una secta perversa y rellenen formularios con datos sobre sus familiares".

Todas estas "violaciones de los derechos humanos" han sido ya denunciadas desde la ONU y representantes de las instituciones españolas, pidiendo al Gobierno de Teherán que suprima las barreras de acceso a la universidad de los bahá'ís y cualquier otro tipo de medida que los discrimine.

EXPOSICIÓN.

La exposición que estos días puede verse en el Palacio Provincial de Badajoz, que será inaugurado de forma oficial esta tarde a las 20.00 horas, consta de 70 obras multidisciplinares, desde la pintura, a la música, la poesía, la fotografía y la escultura, que abarcan la visión de sus autores sobre temas como los derechos humanos y la justicia.

María del Rosario Cañas añadió que de esta forma los artistas extremeños implicados en el proyecto se convierten en "la voz para que la región conozca esta realidad que viven los bahá'ís, desde un espíritu de libertad".

Junto con la muestra se dará a conocer la Campaña "Universidades" con la que se quiere implicara la comunidad universitaria en la difusión de la falta de derechos y persecución que sufren los bahá'ís en Irán y promover el acceso de su pueblo a la enseñanza universitaria.

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Publicado no Estremadura al Di@, 02-Janeiro-2008

Nomes das Escolas Públicas

Diz a edição de hoje do Correio da Manhã que Ministério da Educação, no âmbito da aplicação do Decreto de Lei n.º 299/2007 (que estipula critérios para atribuição de novos nomes às escolas públicas), da Lei de Bases do Sistema Educativo, terá indicado aos órgãos directivos das Escolas que devem ser evitadas alusões religiosas, como nomes de santos ou santas.

Confesso que não sei quem foi Santa Justa ou Santa Engrácia; para mim são apenas nomes de freguesias de Lisboa onde existem escolas públicas com o mesmo nome da freguesia. Como todas as escolas, terão os seus problemas e dificuldades. Certamente que entre esses problemas e dificuldades não está o nome da Escola.

Não sei se a história está mal contada ou parcialmente contada. Mas pelo que se conta parece que temos asneira! Vamos supor o caso de um escritor, orador e diplomata português do séc. XVII, que tenha defendido entre outras coisas, os direitos dos povos indígenas no Brasil, a abolição da escravatura, as discriminações e perseguições contra os judeus… Poderia esta personagem dar nome a uma escola publica portuguesa?

Parece que não!



O Padre António Vieira, o mais prestigiado jesuíta lusófono de todos os tempos não poderia dar nome a uma Escola Pública. Em contra partida, um corsário português do séc. XVI, autor de vários massacres no Oriente pode.

Pergunto: Deve a laicidade do Estado traduzir-se em fobia religiosa?

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ACTUALIZAÇÃO Nº 1: A notícia foi desmentida pelo Ministério da Educação (ver aqui). Seria interessante ver se o jornalista divulga a tal indicação do Ministério segundo a qual devem ser evitadas alusões religiosas, como nomes de santos ou santas.

ACTUALIZAÇÃO Nº2 (03-Jan-2008): Na sequência da notícia de ontem, e do posterior desmentido do Ministério da Educação, o CM afirma hoje possuir a confirmação de que tal situação se verificou em vários concelhos do Norte e Centro do País, entre os quais Viseu, Pombal, Figueira da Foz, Aveiro, Fafe, Braga e Viana do Castelo. Nestes casos, os órgãos directivos das escolas comunicaram às assembleias que a indicação tinha partido da respectiva Direcção Regional.

Em espanhol

Um video preparado pela Comunidade Bahá'í dos Estados Unidos destinado aos americanos de língua espanhola.