sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Sharia

Muito se falou e comentou sobre as polémicas declarações do Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, acerca da inevitabilidade da aplicação da sharia no Reino Unido. Não vou comentar o discurso em causa porque ainda não tive a oportunidade de o ler (e não me parece muito correcto basear-me apenas no que dizem os media e alguns comentadores).

Mas sendo a sharia um "assunto quente", penso ser importante que haja um bom entendimento do que esta significa, qual a sua história e a sua aplicabilidade no mundo de hoje. E nesse sentido considero particularmente útil o seguinte diagrama desenhado pelo Dr. Moojan Momen (autor de livros como An Introduction to Shi’i Islam e Islam of the Baha’i Faith e várias vezes citado neste blog).


(imagem obtida no Barnabas Quotidianus)

Aqui apresentam-se as fontes da sharia. Note-se que a maioria se refere ao Islão sunita; as palavras e as setas a vermelho referem-se ao Islão xiita, onde em alguns aspectos a abordagem à sharia é diferente (não obstante as penas máximas no Irão serem tão graves quanto as que existem na Arábia Saudita).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A presidência Eslovena não dorme em serviço!



O projecto do novo código penal não passou despercebido à presidência Eslovena. E já reagiram ao projecto de novo código penal iraniano! O comunicado pode ser lido aqui. E a BBC sempre a acompanhar a situação.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Religião nos EUA

Um relatório recentemente publicado pelo Pew Forum on Religion and Public Life dos EUA, revela que cerca de 28% dos adultos americanos abandona a religião em que foi educado e para se juntar a outra religião ou simplesmente deixa de professar qualquer religião. O relatório intitula-se “U.S. Religious Landscape Survey”, teve por base mais de 35000 entrevistas e apresenta uma imagem muito fluída das convicções religiosas dos norte-americanos.

Além da erosão da lealdade religiosa à religião da família, este relatório revela que a Igreja Católica tem perdido um significativo número de crentes como resultado destas mudanças de filiação religiosa entre os americanos. Também os Protestantes têm sido vítimas de um declínio considerável de crentes; em 1970 representavam 66% da população americana e agora representam apenas 51%. Outra conclusão interessante indica que mais de 16% dos Adultos americanos afirma que pertence a qualquer religião organizada, facto que torna os “nao-filiados” no quarto maior grupo religioso do país.

O Estudo mostra ainda que o fenómeno da imigração também tem influenciado a religião nos EUA. A maioria dos emigrantes são cristãos; os muçulmanos e os mormons destacam-se por terem famílias numerosas; e os hindus surgem como os mais educados e abastados.

Para quando um estudo destes em Portugal?

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A ler: Americans Change Faiths at Rising Rate, Report Finds (NY Times)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A Sharia no Irão: Morte aos Convertidos!



Imagem retirada do post (Medical Student Commits Suicide after being Arrested by Sharia Police)

Ruth Gledhill, colunista do Times, aborda mais uma vez no seu blog a situação dos direitos humanos no Irão. A condição das mulheres iranianas é um dos referidos. Mas a perspectiva de um novo código penal que aplica a pena de morte ao "crime" da apostasia, e as potenciais consequências dessa lei sobre a Comunidade Bahá'í também são largamente abordadas.

A ler.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Uma campanha de intimidação

Ciclicamente este tipo de coisas tem ocorrido no Irão. No passado dia 18 de Fevereiro, foi em Isfahan. Algumas famílias bahá'ís receberam em suas casa um folheto assinado pela "Juventude que aguarda o Mahdi", onde se fazem ameaças de morte e se recorda a uma promessa feita ao Iman Hussein: "Eliminar os Bahá'ís da face da terra". Outras famílias viram grafittis com as palavras "Morte ao Bahaismo" inscritas nas portas das suas casas.

As fotos seguintes ilustram estes acontecimentos.







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FONTE: Anti-Baha’i threats and slogans (Iran Minority News)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Excisão

Esta notícia estava hoje no Diário Digital:
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Guiné: Líderes muçulmanos contra abolição mutilação genital

Dois dirigentes da comunidade muçulmana da Guiné-Bissau insurgiram-se contra o projecto do parlamento de abolir no país a prática de mutilação genital feminina, considerando tal pretensão uma «afronta ao Islão».

Em conferência de imprensa realizada na quarta-feira, em Bissau, El Haj Abdou Bayo, presidente do Conselho Nacional Islamico (CNI), e Mustafa Rachid Djaló, presidente do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos (CSAI), afirmaram ser contra qualquer discussão e eventual aprovação de legislação contra a prática «ancestral» da mutilação genital feminina.

De acordo com os dois dignitários islâmicos, os políticos guineenses «incorrem num grave erro e numa afronta ao Islão» se decidirem abolir um dos «sunnas», (mandamentos, em árabe) da religião muçulmana.

Na Guiné-Bissau, o Islamismo é a religião mais seguida, sendo praticada por cerca de 46 por cento da população.

O parlamento guineense, que se reúne em sessão plenária a partir do próximo dia 28, deverá debater uma proposta de lei apresentada pelo Instituto da Mulher e Criança (IMC) no sentido de ser adoptada legislação para abolir a prática da excisão no país, também conhecido pelo «fanado da mulher».

Segundo dados do IMC, só em Bissau e no ano de 2007 mais de quatro mil jovens foram sujeitas a excisão, situação que espelha o aumento da prática do «fanado» no país, apesar deste merecer a condenação da grande maioria da sociedade guineense.

(...)

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COMENTÁRIO:

Esta notícia até poderia parecer anedótico, se não por detrás dela não existisse uma realidade trágica para milhares de mulheres guineenses. A excisão é daquelas práticas que não se podem justificar como sendo um hábito cultural, distinto dos hábitos culturais dos povos do Ocidente. É uma tradição bárbara que nos nossos dias só pode ser entendida como um atentado à dignidade da mulher. Que ninguém venha falar de relativismo cultural; o que está em causa são os direitos humanos!

A verdadeira afronta ao Islão está nas palavras dos srs. El Haj Abdou Bayo e Mustafa Rachid, que invocam a religião para justificar a manutenção deste ritual primitivo. Defender a crueldade em nome de Deus é o melhor caminho para uma religião se auto-destruir.

Tal como noutros episódios, fico a pensar que os muçulmanos são os maiores inimigos do Islão...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Temos artista



Tempos modernos. Em algumas cadeiras da Faculdade de Belas Artes, os alunos apresentam os seus trabalhos num blog pessoal. Este é o blog da minha sobrinha.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

E depois do adeus?

Porque acreditamos em Deus?

Um estudo de 2,5 milhões de euros tenta obter uma resposta

Um grupo de cientistas da Universidade de Oxford, Reino Unido, vai gastar dois milhões e meio de euros para descobrir por que é que as pessoas acreditam em Deus.

Os investigadores do Centro Ian Ramsey para a Ciência e Religião e do Centro de Antropologia e da Mente, em Oxford (Reino Unido), vão desenvolver uma "abordagem científica ao porquê de se acreditar em Deus e a outros assuntos em torno da natureza e da origem da crença religiosa", explicaram na edição de hoje do jornal "The Times".

Os cientistas não tentarão responder sobre se Deus existe ou não: eles vão investigar se a crença em Deus foi uma vantagem que contribuiu para a sobrevivência e evolução da espécie humana, ou, ao contrário, se a fé é, tal como outras características do Homem, um produto dessa evolução.

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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Why do we believe in God? £2m study prays for answer (The Times)
God Alone Knows (The Times)
Investigadores britânicos querem descobrir por que acreditamos em Deus (Público)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Islam and the apostasy debate



Se há tema com que o Islão não consegue lidar bem, esse é sem dúvida a apostasia. Para ler na BBC.

Abraão


"E há milhões e milhões de herdeiros. Apesar das inúmeras revoluções na história do pensamento, Abraão continua a ser uma figura fulcral e decisiva de metade dos crentes do globo inteiro. Os muçulmanos invocam o seu nome todos os dias nas suas preces, tal qual os judeus. Ele surge repetidas vezes na liturgia cristã. A mais cativante história da vida de Abraão, a oferta do seu filho a Deus, tem um papel primordial na mais sagrada semana do ano cristão, a saber, a Páscoa. Esta história é recitada no início da mais sagrada quinzena do judaísmo, o Rosh-ha-Shana, ou «Cabeça do Ano». E o mesmo episódio é fonte de inspiração para o dia mais sagrado do islamismo, 'Id al-Adha, a Festa do Sacrifício, num momento culminante da Peregrinação, ou Hajj."
Abraão foi uma figura histórica, mitológica ou o resultado da colagem de várias tradições literárias? Os relatos que os livros sagrados contêm sobre esta personagem são fidedignos, ou uma montagem de diversas tradições orais? Poderemos considerá-lo um co-fundador grandes religiões monoteístas? E porque é que estas religiões se tentaram apropriar desta figura, e se apresentam como detentoras da verdade exclusiva da mensagem abraâmica? Será Abraão factor de unidade ou divisão entre os seguidores dos diversos monoteísmos?

Foi para tentar responder a muitas perguntas como estas que Bruce Feiler se lançou numa investigação/peregrinação pessoal em busca de Abraão, tendo viajado para a Terra Santa e entrevistado diversos lideres espirituais. O resultado desse trabalho foi um livro onde primeiramente se analisam as diferentes perspectivas das Escrituras Monoteístas, sobre a figura de Abraão, o seu conceito de Deus e os seus filhos; posteriormente a investigação alarga-se aos povos de Abraão (judeus, cristãos e muçulmanos), havendo espaço para entrevistas com lideres espirituais e visitas a diversos locais associados à vida daquele que é considerado o fundador do monoteísmo.

O autor descobre que as religiões monoteístas se apoderaram da figura de Abraão e reclamam possuir a verdade exclusiva da sua mensagem. É uma reivindicação que obrigas as religiões a adaptar Abraão à sua imagem. Seguidamente o autor perceber que essa imagem de Abraão varia no interior de cada religião, de acordo com a cultura e as gerações. Desta forma, deparamos com milhares de imagens mentais de Abraão, frequentemente incompatíveis entre si, salvo num aspecto: ele acreditava num Deus único e transcendente (posteriormente referido nos Textos Sagrados como “Deus de Abraão”).

Este livro foi publicado em Novembro do ano passado no nosso país (Ministério dos Livros). Recomendo-o vivamente a qualquer pessoa que queira perceber um pouco das origens e evoluções das religiões monoteístas.

NOTA: Apesar de não ser referido no livro, a religião Bahá'í considera Abraão como um Manifestante de Deus. Nas Suas Escrituras, Bahá'u'lláh alude a muitas tradições e escrituras islâmicas onde se menciona Abraão; no livro "Respostas a Algumas Perguntas" de 'Abdu'l-Bahá, existe um capítulo dedicado a Abraão.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Laicidade, segundo JFK

John F. Kennedy aborda o tema da separação entre Estado e Religião.

EGYPT: A bit more religious freedom

Um artigo publicado ontem na edição online do The Economist.
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Apostasy need not necessarily be punished by death

TWENTY-SEVEN years ago, Egypt revised its secular constitution to enshrine Muslim sharia as “the principal source of legislation”. To most citizens, most of the time, that seeming contradiction—between secularism and religion—has not made much difference. Nine in ten Egyptians are Sunni Muslims and expect Islam to govern such things as marriage, divorce and inheritance. Nearly all the rest profess Christianity or Judaism, faiths recognised and protected in Islam. But to the small minority who embrace other faiths, or who have tried to leave Islam, it has, until lately, made an increasingly troubling difference.

Members of Egypt's 2,000-strong Bahai community, for instance, have found they cannot state their religion on the national identity cards that all Egyptians are obliged to produce to secure such things as driver's licences, bank accounts, social insurance and state schooling. Hundreds of Coptic Christians who have converted to Islam, often to escape the Orthodox sect's ban on divorce, find they cannot revert to their original faith. In some cases, children raised as Christians have discovered that, because a divorced parent converted to Islam, they too have become officially Muslim, and cannot claim otherwise.

Such restrictions on religious freedom are not directly a product of sharia, say human-rights campaigners, but rather of rigid interpretations of Islamic law by over-zealous officials. In their strict view, Bahai belief cannot be recognised as a legitimate faith, since it arose in the 19th century, long after Islam staked its claim to be the final revelation in a chain of prophecies beginning with Adam. Likewise, they brand any attempt to leave Islam, whatever the circumstances, as a form of apostasy, punishable by death.

But such views have lately been challenged. Last year Ali Gomaa, the Grand Mufti, who is the government's highest religious adviser, declared that nowhere in Islam's sacred texts did it say that apostasy need be punished in the present rather than by God in the afterlife. In the past month, Egyptian courts have issued two rulings that, while restricted in scope, should ease some bothersome strictures. Bahais may now leave the space for religion on their identity cards blank. Twelve former Christians won a lawsuit and may now return to their original faith, on condition that their identity documents note their previous adherence to Islam.

Small steps, perhaps, but they point the way towards freedom of choice and citizenship based on equal rights rather than membership of a privileged religion.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O Padre António Vieira e os Direitos Humanos



"Senhor, os reis são vassalos de Deus, e, se os reis não castigam os seus vassalos, castiga Deus os seus. A causa principal de se não perpetuarem as coroas nas mesmas nações e famílias é a injustiça, ou são as injustiças, nenhumas clamam tanto ao Céu como as que tiram a liberdade aos que nasceram livres e as que não pagam o suor aos que trabalham; e estes são e foram sempre os dois pecados deste Estado, que ainda têm tantos defensores."

Excerto da carta escrita a 20 de Abril de 1657 pelo Padre António Vieira ao rei D. Afonso VI. (citação obtida nos Registos da Leonor)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Um discurso para consumo externo

Num artigo publicado no Diário de Notícias (11-Fev-2008), o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros Iraniano responsável pela pasta da Europa, Ali Bagheri, defendeu a necessidade de um novo paradigma de cooperação entre o Irão e a Europa. Na base desse paradigma, considera ele, está o diálogo entre nações e comunidades.

Apresentando-se quase como um admirador da União Europeia e da forma como os Europeus souberam cooperar e dialogar entre si pondo termo a “séculos de conflitos inúteis e o massacre de milhões de pessoas”, o responsável iraniano, declara a sua convicção no diálogo enquanto gerador de cooperação e interacção. E adverte que a sua ausência é motivo de hostilidade e confrontos; confrontos esses que não serão aceites por nenhum homem sábio, nenhuma sociedade e nenhum governo responsável.

O surpreendente deste artigo é ser assinado por um responsável do Governo de um país que tem sido repetidamente condenado por organismos internacionais devido às suas constantes violações dos Direitos Humanos. Afinal quem ainda não ouviu falar das discriminações das mulheres iranianas? Onde está o diálogo com as minorias étnicas como os curdos, os árabes ou os azeris? E o que pretende o Irão ensinar ao mundo com a hostilização de minorias religiosas como os Bahá’ís ou os Sufis?

Dir-se-ia que estamos na presença de um discurso para consumo externo. Um discurso que deixa no ar uma questão: como pode um país que não respeita a diversidade cultural e religiosa no seu interior, apresentar-se como respeitador de uma ainda maior diversidade para lá das suas fronteiras?

Claro que o Sr. Bagheri deixou um recado subtil: o diálogo entre a União Europeia e o Irão não deve permitir a não-interferência em assuntos internos. Como se os Direitos Humanos fossem um assunto interno de cada país e não um assunto de toda a humanidade...

A propósito de “assuntos internos” do Irão vale a pena referir a reforma do novo Código Penal, cuja proposta foi recentemente apresentada pelo Governo ao Majlis (parlamento iraniano). Este documento - numa clara violação das Convenções Internacionais de Direitos Humanos de que o Irão é signatário - contempla pela primeira vez cláusulas legais para aplicação da pena de morte no caso de apostasia, representando uma verdadeira ameaça para todas as minorias religiosas do Irão.

Para quem pensa que isto é um problema iraniano, desengane-se: este novo código penal contempla a extra-territorialidade da aplicação das normas e alarga a sua jurisdição a actos que tenham lugar fora do país. Ora se tomarmos como exemplo que os baha’is iranianos são frequentemente acusados de ser uma ameaça contra a segurança do Estado, com este novo código penal, os Baha’is em todo o mundo tornam-se alvos potenciais destas acções desencadeadas fora do Irão.

É este o Irão que pretende dialogar com a Europa?

Uma nota final: o Sr. Ali Bagheri teve a oportunidade de expressar livremente a sua opinião num jornal ocidental. Quantos dirigentes ocidentais têm a possibilidade de fazer o mesmo num jornal iraniano? O Sr. Ali Bagheri pôde usufruir da liberdade de expressão e de imprensa que existe no nosso pais; mas quantos iranianos podem fazer o mesmo no seu próprio país?

sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Novo Código Penal Iraniano

O Governo Iraniano enviou ao Majlis (Parlamento Iraniano) um projecto de um novo Código Penal onde pela primeira vez na história daquele país, existem cláusulas legais para aplicação da pena de morte no caso de apostasia. A legislação tem aplicação extra-territorial.

Para terem uma ideia do teor deste documento deixo-vos a tradução da secção sobre «Apostasia, Heresia e Bruxaria»; fica também o resumo de outros artigos deste novo código. O texto usa a palavra «Hadd», para tornar bem explicito que a pena de morte se trata de uma punição que não pode ser alterada, reduzida ou anulada.

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(...)

SECÇÃO CINCO: Apostasia, Heresia e Bruxaria

Artigo 225-1: Qualquer muçulmano que anuncie claramente que deixou o Islão e declare blasfémia é considerado um Apóstata.

Artigo 225-2: A intenção séria e sincera é condição para ter certeza na apostasia. Assim, se o acusado(a) declarar que as suas afirmações foram feitas com relutância, ignorância, ou em engano, ou enquanto alcoolizado, ou por lapso de língua, ou sem compreensão do verdadeiro significado das palavras, ou repetindo as palavras de outros, ou que as suas intenções eram outras, então ele/ela não é considerado apostata e a sua reclamação pode ser ouvida e justificada.

Artigo 225-3: Existem dois tipos de apóstatas: inatos (Fetri) e parentais (Melli).

Artigo 225-4: Um Apostata Inato é alguém cujos pais (pelo menos um) era Muçulmano no momento da concepção, que se declara Muçulmano após a idade da maturidade, e depois disso abandona o Islão.

Artigo 225-5: Um Apostata Parental é alguém cujos pais (ambos) eram não-Muçulmanos no momento da concepção, e se tornou Muçulmano após a idade da maturidade, e posteriormente abandona o Islão para regressar à blasfémia.

Artigo 225-6: Se alguém tem pai ou mãe Muçulmano no momento da concepção mas após a idade da maturidade, sem pretender ser Muçulmano escolhe a blasfémia, então é considerado Apóstata Parental.

Artigo 225-7: A punição para a Apostasia Inata é a morte.

Artigo 225-8: A punição para a Apostasia Parental é a morte, mas após a declaração da pena, nos três dias seguintes ele/ela será guiado ao caminho correcto e encorajado a negar a sua crença; Se recusar, a sentença será executada.

Artigo 225-9: No caso de Apostasia Parental, sempre que parecer haver possibilidades de negação, será concedido o tempo suficiente.

Artigo 225-10: A punição para as mulheres, seja Inatas ou Parentais, é a prisão perpétua; durante a pena, e sob a orientação do tribunal, ser-lhe-ão infligidos sofrimentos, e ela será guiada ao caminho correcto e encorajada a negar. Se ela negar, será imediatamente libertada.

Nota: a condição dos sofrimentos será determinada de acordo com a lei religiosa.

Artigo 255-11: Quem proclamar ser um Profeta será condenado à morte, e qualquer Muçulmano que invente uma heresia na religião ou crie uma seita naquilo que é contrário às obrigações e necessidades do Islão, é considerado um apóstata.

Artigo 225-12: Qualquer Muçulmano que se dedique à bruxaria e a promova como profissão ou seita na comunidade será condenado à morte.

Artigo 225-13: A colaboração com os crimes descritos neste capítulo, no caso de não existir nenhuma outra punição prevista na lei, é punível até 74 chicotadas, proporcionalmente ao crime e ao criminoso.


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O Parlamento Iraniano pode aprovar um código penal
que legaliza a pena capital para crimes de apostasia


Além desta secção existem outros artigos que são bem reveladores das intenções do actual regime iraniano

Artigo 112 – Neste artigo contempla-se a extra-territorialidade da aplicação das normas do Código Penal, alargando a sua jurisdição a actos que tenham lugar fora do país. O Artigo 112-3-1 refere as “acções contra o governo, a independência e a segurança interna e externa do país”. Se pensarmos que o conceito de «segurança» não se encontra definido na lei, então percebemos que qualquer acção pode ser qualificada como tal. No passado os Bahá’ís iranianos foram frequentemente acusados de ameaçarem a segurança do Estado, mas com este novo código penal, os Bahá'ís em todo o mundo tornam-se alvos potenciais destas acções desencadeadas fora do Irão.

Artigo 121-9 – Aqui referem-se novamente as questões de segurança interna e externa, assim como o conceito de “ofensa ao sagrado”, sem que este seja definido com clareza. Isto é uma forma de legitimar interpretações exageradas, como já aconteceu no passado.

Artigo 133-3 - Afirma-se: “Quem intencionalmente encorajar um menor a cometer um crime será condenado à pena capital”. Depois define as circunstâncias em que se pode encorajar um menor a cometer um crime ou facilitar o mesmo. No passado, este tipo de acusação tem sido usada para acusar os jovens que organizavam aulas baha'is para crianças.

Artigo 133-5 – Refere a grupos de duas ou mais pessoas que se reúnem para cometer um crime, ou constituem um bando ou um grupo. Esta referência pode ser aplicada a qualquer actividade por qualquer grupo de pessoas; tem sido também uma acusação típica contra bahá’ís.

Artigo 224-1 – Prescreve a pena capital para qualquer pessoa que “insulte o Profeta”. Este é um artigo que facilmente pode ser usado para condenar qualquer Bahá'í que mencione o Profeta em termos que as autoridades não considerem aceitáveis.

Artigo 228-10: Inclui referência aos que são “culpados de corrupção e erros na terra”. É também uma expressão típica das acusações que o regime tem feito contra os Bahá’ís.

Existem várias referências a tratamentos diferenciados a aplica a Muçulmanos e não-muçulmanos. Estes artigos podem-se aplicar a qualquer minoria religiosa do Irão. Exemplos: artigos 223-10, 313-8, 321-2, 332-3, 414-10.


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COMENTÁRIO
: Este excerto do novo Código Penal Iraniano mostra-nos que estamos na presença de um documento que constitui uma ameaça não apenas para baha’is, mas também para todas as minorias religiosas do Irão, e ainda para qualquer Muçulmano que se converta a outra religião. Existem aqui cláusulas que violam claramente os compromissos do Irão enquanto signatário de Convenções Internacionais de Direitos Humanos.

Lembro que o actual código penal no Irão não contempla a pena de morte para casos de apostasia (apesar desta ser aplicada). Agora propõe-se que a legalização da pena capital para a apostasia. Mais do que islamizar o país, as autoridades iranianas propõem-se levar a sociedade iraniana à idade das trevas. Será que a Comunidade Internacional vai reagir antes ou depois deste texto ser aprovado?

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FONTES:
Iran introduces law that imposes death penalty on converts (Religious Intelligence)
Institute Denounces Draft Iranian Penal Code Death Sentence Legislated for 'Apostasy' (Christian Newswire)
Proposed Iranian Bill for
Islamic Penal Law (IRPP)
Draft Iranian Penal Code Legislates Death Penalty for Apostasy (The Grieboski Report)
IRAN: Death Penalty proposed for ‘Apostates’ (Compass)
Iran's parliament set to mandate death penalty over lighter sentences for apostasy from Islam (Dhimmi Watch)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Eva Maria LaRue

Ops! Esta quase me passava despercebida...

Quem é esta musa que apareceu em Alvalade no dia em que o Sporting ganhou ao Porto? Dizem-me os amigos sportinguistas (e reconhecem os adversários!) que ela é melhor que se viu este ano naquele estádio!




Pois esta menina quando cá esteve deu uma entrevista ao Destak onde a certa altura disse o seguinte:

(...)
Pertence a uma religião chamada - Bahá'i - é assim que se diz? Celebram o Natal?

Sim, celebramos. Resumindo, na crença Bahá'i acreditamos que todos os profetas vieram para ensinar a mesma coisa. Ou seja, Jesus, Buddha ou Moisés vieram ensinar a palavra de Deus. Foram as pessoas que modificaram a lei da religião, porque os princípios básicos são sempre os mesmos. Nós celebramos o nosso próprio dia onde oferecemos prendas. Acontece durante o nosso período de jejum em Março. Jejuamos durante um mês tal como os muçulmanos durante o ramadão. Damos início a este período com três dias onde oferecemos prendas uns aos outros, mas também continuamos a celebrar o Natal.

A religião ajuda-a no dia-a-dia e na profissão?

Para mim, a minha fé é importante porque numa profissão que é tão fútil, por vezes demasiado glamourosa e pouco verdadeira, preciso de algo autêntico, que tenha uma base, alguma coisa em que me possa sempre apoiar. Para mim, isso é que é importante e por outro lado que a minha filha conheça Deus e que tenha raízes sólidas.

(...)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Uma condenação em bloco!



A Presidência da UE (Eslovénia) acaba de emitir um comunicado em nome da União Europeia sobre a situação cada vez mais grave dos Baha'is no Irão. Aqui fica uma tradução não oficial:
A UE expressa a sua séria preocupação sobre a situação que se agrava para as minorias étnicas e religiosa do Irão, em particular a situação difícil dos Baha’is. Segundo relatórios fidedignos, o sistema de justiça iraniano confirmou que 54 Baha’is foram condenados por um tribunal de Shiraz por “propaganda contra o regime”. Três dos Baha’is condenados terão de cumprir uma pena de três anos de prisão; os restantes 51 foram condenados a um ano de prisão com pena suspensa.

A UE está preocupada com a contínua e sistemática discriminação e hostilização dos Baha’is no Irão, incluindo a expulsão de estudantes de Universidades e Liceus, as restrições ao emprego e as campanhas de propaganda anti-baha’i nos media iranianos.

A UE expressa a sua firme oposição a todas as formas de discriminação, em particular sobre a liberdade religiosa. Neste contexto, a UE insta a Republica islâmica do Irão a libertar os prisioneiros Baha’is e a parar as perseguições aos membros da minoria Baha'i devido às suas crenças e à pratica da Fé Baha’i

Os países candidatos, Croácia e a Antiga República Jugoslava da Macedónia, os países do processo de Estabilização e Associação e potenciais candidatos, Albânia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia, e os países da EFTA, Islândia, Liechtenstein e Noruega, e os membros da Área Económica Europeia Ucrânia e Moldávia, alinharam nesta declaração.
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SOBRE ESTE ASSUNTO:
EU: Bloc slams worsening plight of Iran's minorities (AKI Adnkronos)
EU "dismayed" by human rights violations in Iran (M&C News)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Não devem estar a ver bem!

(foto sacada daqui)

Segundo a agência de notícias iraniana IRNA, o Ministro dos Negócios Estrangeiros (o tal que passou por Lisboa há alguns dias) veio a público esclarecer que a Constituição Iraniana garante plena liberdade a todas as minorias religiosas do país. Estas declarações surgem como resposta às preocupações vocalizadas por Kim Howells, do Ministério dos Negócios Estrangeiros Britânico.

O dirigente iraniano acrescentou ainda que as minorias religiosas no Irão gozam de liberdade religiosa, educativa, cultural, social e económica. Também desempenham um papel activo na sociedade iraniana e estando representados no Majlis (Parlamento Iraniano).

E em jeito de contra-ataque, acrescentou: "Vemos os direitos das minorias religiosas, principalmente Muçulmanos, serem profundamente violados em muitos países Ocidentais, incluindo a Inglaterra, onde sofrem restrições para realizar as suas cerimónias religiosas".

É claro que tanta mentira quase dava para cria uma nova visão da realidade. Então vamos lá a encarar a realidade sem lentes especiais.
  1. Os bahá’ís no Irão não gozam de Liberdade Religiosa; apesar de serem a maior minoria religiosa, não estão reconhecidos pela Constituição, e não lhes é permitido realizar qualquer actividade religiosa.
  2. Os bahá’ís no Irão não gozam de Liberdade Educativa; são mais do que evidentes as dificuldades que continuam a colocar aos jovens bahá’ís que pretendem ingressar nas universidades.
  3. Os bahá’ís no Irão não gozam de Liberdade Cultural; parte das propriedades baha’is com importante significado religioso têm vindo a ser destruídas no Irão.
  4. Os bahá’ís no Irão não gozam de Liberdade Social; as detenções arbitrárias e exigências de elevadas cauções, assim como a falta de protecção perante a lei penal mostram o contrário;
  5. Os bahá’ís no Irão não gozam de Liberdade Económica; a confiscação de pequenas estabelecimentos comerciais, a impossibilidade de obtenção de empréstimos ou empregos públicos mostra exactamente o contrário
Vejamos agora os direitos dos Muçulmanos no Reino Unido:
  1. Quantos Muçulmanos britânicos foram assassinados no Reino Unido por ordem das autoridades?
  2. Quantos Muçulmanos britânicos têm sido impedidos prosseguir os seus estudos em universidades britânicas apenas por preconceito religiosas das autoridades?
  3. Quantas mesquitas foram destruídas por ordem do das autoridades britânicas?
  4. Quantos Muçulmanos britânicos têm sido detidos de forma arbitrária no Reino Unido sendo-lhe posteriormente exigida uma elevada caução? E quantos são acusados do crime de espalharem a sua fé?
  5. Quantos Muçulmanos britânicos viram os seus estabelecimentos comerciais confiscados ou atacados apenas por professarem a religião islâmica? Quantos Muçulmanos britânicos viram uma candidatura rejeitada num emprego público devido à sua religião?
Pois é... Parece que o Governo Iraniano não está a ver bem as coisas.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Is God behind Super Tuesday results?

As presidential candidates knock each other out competing for evangelical Christian, Muslim or Jewish votes, a few flocks are particularly impervious to their appeals. For example, you won’t see a Baha’i at the polls on Tuesday. Jehovah’s Witnesses will be absent as well. Both religious traditions prohibit participation. Does that imply all politics are evil?

Not necessarily. While Jehovah’s Witnesses always steer clear of the polls, Baha’is bow out only in the primaries. It’s the divisiveness of partisan politics they avoid. That precludes campaigning too, which means you won’t see an Obama sign on a Baha’i lawn or a McCain button on a Baha’i lapel.

Instead of declaring party affiliations, Bahais are to cast their ballots for leaders based on character, merit and likelihood of making the greatest contribution to society.

Glen Fullmer, a spokesman for the North American Baha’i Temple in Wilmette, said Baha’is are simply trying to model the Baha’i system of government in their public life. Baha’is believe Baha’u’llah, the prophet and founder of their faith, outlined a divine and superior system of government, which came to him in a divine revelation.

"It takes the best of a lot of the recognized systems of government [including] monarchy and democracy ... and eliminates the weaknesses," Fullmer said.

Without a professional clergy, Baha’i elect their leaders in a process they try to make as unifying as possible. Leaders of spiritual assemblies are selected without nominations or campaigning. Members simply write down names based on what they know about the individuals.

"It’s giving each elector the widest freedom," Fullmer said.

That’s an adjustment for a lot of Baha’i converts who previously called themselves Goldwater Republicans or Yellow Dog Democrats, he added.

"A lot of people come to the faith with all kinds of desire to change the world," Fullmer said. "For a lot of people, the outlook for that has been politics. For many Baha’is that’s a difficult thing. It’s taking a different lens to it."

Jehovah’s Witnesses have a more absolute prohibition. They pledge allegiance to God, not Caesar, and forbid voting of any kind. Jesse Graziani, a spokesman for Chicago-area Jehovah’s Witnesses, said their prohibition stems from John 17:16: "They are no part of the world, just as I am no part of the world." Graziani was referring to the biblical translation preferred by Jehovah’s Witnesses called the New World Translation of the Holy Scriptures, a Bible translated into modern language from Hebrew, Aramaic and Greek.

"The best way we can assist people is not by preaching some political dogma but by following the tenets that are found in the Bible," Graziani said. "We feel that God’s kingdom is the only hope for mankind. When Jesus Christ was on the Earth ... they wanted to make him a secular king. He turned that down. He felt that man’s government in general could never succeed because these governments never had God’s backing."

Do you believe God backs Super Tuesday? Will your choice to vote or not to vote have religious motivation?

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Publicado no blog de Manya Brachear, do Chicago Tribune

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Baha'i International Football Association


Arranja-se em Portugal e no Brasil umas equipas para dar umas cabazadas nestes tipos todos?

Igreja da Cientologia

Relativamente ao facto da Igreja da Cientologia ter sido reconhecida como pessoa colectiva religiosa (e aqui partilho das preocupações de Vítor Dias no Tempo das Cerejas e discordo do Ricardo Alves no Esquerda Republicana), creio que é importante esclarecer o seguinte:

  • A Comissão de Liberdade Religiosa nada tem a ver com o assunto, pois só dá pareceres quando estes lhe são solicitados.
  • A Comissão de Liberdade Religiosa não tem poder para investigar os pedidos de inscrição no Registo Nacional de Pessoas Colectivas.
Só acho estranho que os funcionários do RNPC não tenham percebido o que tinham em mãos...

Nelson Évora, hoje no Público

Excerto de uma entrevista de Nelson Évora, hoje no Público:

(...)

O que mudou na sua vida desde Osaca?

O reconhecimento público: mais autógrafos e mais entrevistas. E as pessoas pedem medalhas [risos]. Mas não ligo porque pode influenciar negativamente os treinos. Procuro ter o ritmo de vida igual ao que tinha. Sou a mesma pessoa, o típico low-profile de gostos simples, amigo dos amigos, interessado em fazer bem o trabalho e tirar o curso de Publicidade e Marketing. Só gosto de aparecer quando é para competir ou para ajudar alguém, como foi o caso do leilão de uma das chuteiras que usei em Osaca, cujas receitas são para ajudar escolas em Cabo Verde.

Quer ser publicitário?

Estive matriculado em Economia, depois mudei. Gosto de marketing e quero exercer um dia. Por enquanto, vou fazendo umas cadeiras. O tempo livre é raro.

Segue a religião Bahá'i. Qual o papel dessa fé na sua vida?

É mais uma forma de estar e uma filosofia de vida e menos uma religião no sentido tradicional. Não temos padres, não temos rituais de culto, temos apenas vontade de crescer como seres humanos e eliminar todas as barreiras e preconceitos que separam as pessoas. A unidade é o valor fundamental e ajuda-me a ser optimista e a ver para além dos êxitos e das coisas materiais.

Sai à noite?

Só quando a época está morta. Álcool nem vê-lo.

Porquê o alarido em torno da naturalização de atletas não nascidos em Portugal?

É mais no futebol, onde tudo se passa depressa de mais. Eu vim aos seis anos, estou perfeitamente integrado. O processo de naturalização não é brincadeira, envolve muita papelada. Se alguém dá um passo desses, é porque está mesmo consciente do que está a fazer.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Uma nova táctica...


No Irão, todos os anos há mais de um milhão de candidatos ao ensino superior. Em Junho do ano passado Halaku Rahmaniyan candidatou-se e ficou em 76º lugar a nível nacional. Tinha razões para estar optimista. As suas notas permitiam-lhe escolher qualquer curso. Mas o tempo foi passando e em Dezembro, Halaku ainda não tinha recebido nenhuma confirmação oficial de que tinha aceite em qualquer curso.

Intrigado com toda aquela demora, telefonou para a Organização de Avaliação Educativa (OAE), que administra o processo de candidaturas ao ensino superior. Falou com um alto responsável e expôs-lhe o seu caso. O seu interlocutor fico confuso com o caso... até que Halaku referiu que era bahá’í. Imediatamente o telefonema terminou.

Alguns dias mais tarde Halaku recebeu uma carta do OAE. Anunciavam-lhe o seguinte: “Em resposta ao seu pedido de emissão de um certificado de avaliação para o ano 1007, vimos informá-lo que devido a ter um entregue documentação incompleta, a emissão do certificado não é possível”.

Existem hoje no Irão centenas de jovens bahá’ís que se candidataram ao ensino superior e poderiam relatar histórias semelhantes. Quase todos eles viram a sua candidatura anulada com a justificação de terem entregue documentação incompleta.

O Governo Iraniano mantém o seu objectivo: impedir o acesso dos jovens bahá’ís às universidades. A única novidade é a táctica; o argumento dos “documentos incompletos” não tinha sido usado até hoje.

O que se pode pensar de um Governo que impede que alguns jovens (com reconhecido potencial) do seu país possam ingressar nas Universidades e desenvolver o seu talento? Está a mostrar a sua faceta intolerante e preconceituosa... está a violar os Direitos Humanos... está a fazer mal ao próprio Irão, ao desperdiçar o potencial destes jovens. Talvez este aspecto seja o mais absurdo: um governo que prejudica o próprio país ao discriminar uma minoria religiosa.

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Fonte: New tactic obstructs Baha'i enrollments in Iranian universities (BWNS)