domingo, 30 de março de 2008
Harry Potter é o diabo???
Este excerto do documentário Jesus Camp mostra-nos um dos lados mais sinistros do radicalismo religioso: o abuso mental a que as crianças são sujeitas.
Será possível imaginar que tipo de adultos serão elas crianças dentro de alguns anos? Que tipo de traumas levarão consigo? Conseguirão alguma vez superá-los? E que futuro existe para uma sociedade onde milhares de crianças são sujeitas a este tipo de lavagens cerebrais? E já agora: Qual será a maior fonte de mal para o mundo: um romance fantasista, ou uma pregadora que sujeita crianças a este tipo de coisas?
sexta-feira, 28 de março de 2008
Sam Harris e o Fim da Fé (6)
AINDA O ISLÃO
No livro O Fim da Fé, Sam Harris reconhece o contributo civilizacional do Islão (p.119), mas refere esse facto como se tratasse de uma obra do acaso; uma decadência generalizada das restantes civilizações teriam permitido o surgimento da civilização islâmica. Os muçulmanos tornaram-se portadores de valores civilizacionais e promotores do conhecimento científico porque não havia mais ninguém para o fazer. Ao fazer afirmações destas, o autor evita comparações com a forma como surgiram outras civilizações.
Os actuais problemas do mundo Ocidental com o Islão, não podem ser entendidos com bases em interpretações infantis do Alcorão. E a evidente estagnação da civilização islâmica que Sam Harris aponta(p. 144), deve ser analisada de forma objectiva de sob diferentes perspectivas. O autor do Fim da Fé está longe de ser a pessoa indicada para nos ajudar a perceber o Islão enquanto inspirador de uma civilização, assim como os motivos da ascensão e decadência dessa civilização. Reflectir sobre o que levou uma civilização tão brilhante e evoluída a cair e regredir seria um tema bem mais interessante do que um conjunto de análises politico-religiosas que nada mais são do que mera verborreia preconceituosa.
OUTRAS QUESTÕES
“Haverá paz com o Islão?” (p.149) questiona Sam Harris. O próprio não parece muito optimista na resposta a esta pergunta, o que também não admira, quando ao longo do livro se torna evidentes os seus preconceitos. O Ocidente colabora com tiranos muçulmanos, queixa-se o Sr. Harris (p.143); e tem razão.
E os tiranos não-muçulmanos? Quem vende armamento e tecnologia ao regime chinês? Quem suporta as ditaduras e as pseudo-democracias em África? Quem apoiou os sistemas totalitários na América Latina?
Onde estão os muçulmanos moderados, pergunta Sam Harris (p. 135)? Porque é que a sua voz não se faz ouvir? Lembro o autor já tinha defendido a ideia de que os moderados religiosos apenas fazem o jogo dos fundamentalistas. Mas não obstante estas considerações, o Sr. Harris conclui que é fundamental encorajar a transformação social e política das sociedades islâmicas, apoiando os muçulmanos moderados (p. 163-164). O estranho desta conclusão, é que no mesmo livro o autor já tinha acusado os crentes moderados de dar cobertura aos fundamentalistas. Para quem tanto preza o uso da razão, esta contradição não fica lá muito bem.
Felizmente que no meio desta obsessão anti-islâmica encontramos algum bom senso na forma como Sam Harris cita e se refere a Fareed Zakaria. O autor do Fim da Fé, refere-se ao editor da Newsweek como o homem que vê as origens da violência islâmica não no Islão, mas na história recente do Médio Oriente (p.159); que notou um retrocesso no mundo árabe nos últimos 50 anos (p.159); que aponta o falhanço das instituições políticas do mundo árabe como sendo a causa da ascensão do fundamentalismo islâmico (p.160); que considera a modernização política, económica e social como a chave para a redenção dos árabes (p.161).
No livro O Fim da Fé, Sam Harris reconhece o contributo civilizacional do Islão (p.119), mas refere esse facto como se tratasse de uma obra do acaso; uma decadência generalizada das restantes civilizações teriam permitido o surgimento da civilização islâmica. Os muçulmanos tornaram-se portadores de valores civilizacionais e promotores do conhecimento científico porque não havia mais ninguém para o fazer. Ao fazer afirmações destas, o autor evita comparações com a forma como surgiram outras civilizações.
Os actuais problemas do mundo Ocidental com o Islão, não podem ser entendidos com bases em interpretações infantis do Alcorão. E a evidente estagnação da civilização islâmica que Sam Harris aponta(p. 144), deve ser analisada de forma objectiva de sob diferentes perspectivas. O autor do Fim da Fé está longe de ser a pessoa indicada para nos ajudar a perceber o Islão enquanto inspirador de uma civilização, assim como os motivos da ascensão e decadência dessa civilização. Reflectir sobre o que levou uma civilização tão brilhante e evoluída a cair e regredir seria um tema bem mais interessante do que um conjunto de análises politico-religiosas que nada mais são do que mera verborreia preconceituosa.
OUTRAS QUESTÕES
“Haverá paz com o Islão?” (p.149) questiona Sam Harris. O próprio não parece muito optimista na resposta a esta pergunta, o que também não admira, quando ao longo do livro se torna evidentes os seus preconceitos. O Ocidente colabora com tiranos muçulmanos, queixa-se o Sr. Harris (p.143); e tem razão.
E os tiranos não-muçulmanos? Quem vende armamento e tecnologia ao regime chinês? Quem suporta as ditaduras e as pseudo-democracias em África? Quem apoiou os sistemas totalitários na América Latina?
Onde estão os muçulmanos moderados, pergunta Sam Harris (p. 135)? Porque é que a sua voz não se faz ouvir? Lembro o autor já tinha defendido a ideia de que os moderados religiosos apenas fazem o jogo dos fundamentalistas. Mas não obstante estas considerações, o Sr. Harris conclui que é fundamental encorajar a transformação social e política das sociedades islâmicas, apoiando os muçulmanos moderados (p. 163-164). O estranho desta conclusão, é que no mesmo livro o autor já tinha acusado os crentes moderados de dar cobertura aos fundamentalistas. Para quem tanto preza o uso da razão, esta contradição não fica lá muito bem.
Felizmente que no meio desta obsessão anti-islâmica encontramos algum bom senso na forma como Sam Harris cita e se refere a Fareed Zakaria. O autor do Fim da Fé, refere-se ao editor da Newsweek como o homem que vê as origens da violência islâmica não no Islão, mas na história recente do Médio Oriente (p.159); que notou um retrocesso no mundo árabe nos últimos 50 anos (p.159); que aponta o falhanço das instituições políticas do mundo árabe como sendo a causa da ascensão do fundamentalismo islâmico (p.160); que considera a modernização política, económica e social como a chave para a redenção dos árabes (p.161).
quarta-feira, 26 de março de 2008
Le Petit Journal, 1913

Num site de fotografias, ao fazer uma pesquisa de todas as fotos identificadas com a etiqueta «bahai», encontrei esta capa do Le Petit Journal, de 1913. Esta publicação, fazendo eco dos primeiros esforços de divulgação da Fé Bahá'í em França, apresentava na sua capa uma ilustração que nos mostrava «Abdu’l-Bahá a pregar a uma multidão em Constantinopla (actual Istambul)».
Tal como o titulo - que descreve o filho de Bahá'u'lláh é descrito como «o novo profeta do Islão» - também a imagem não podia estar mais longe da realidade. Nem 'Abdu'l-Bahá é um profeta, nem durante os pouco meses que esteve em Constantinopla teve liberdade para divulgar abertamente a religião, nem a sua fisionomia durante esse tempo na capital otomana se assemelhava à da imagem. Além disso a pose é que a imagem apresenta um estereotipo de uma figura profética (o homem de barba branca e braços abertos, aos gritos para uma multidão).
Apesar de tudo esta capa do Le Petit Journal é uma curiosidade histórica irresistível.
terça-feira, 25 de março de 2008
Fareed Zakaria: podemos exportar a democracia?
Esta opinião de Fareed Zakaria sobre a exportação da democracia, lembra-me as palavras de 'Abdu'l-Bahá - no livro O Segredo da Civilização Divina - sobre a possibilidade de levar a democracia a povos que não têm tradições democráticas.
Pois tem-se testemunhado directamente em certos países estrangeiros que após o estabelecimento de parlamentos, aqueles corpos na verdade afligiram e confundiram o povo, e as suas bem intencionadas reformas produziram resultados maléficos. Embora a formação de parlamentos, a organização de assembleias consultivas, constitua o próprio base e a pedra angular do governo, existem diversos requisitos essenciais que estas instituições devem cumprir...Se pensarmos que este texto foi escrito em 1875 (quantos regimes democráticos existiam nessa época?) então a actualidade e a visão de 'Abdu'l-Bahá não podem deixar de nos surpreender.
Porém, se os membros destas assembleias consultivas forem inferiores, ignorantes, mal informados das leis da governação e administração, insensatos, mal intencionados, indiferentes, indolentes, egoístas, nenhum benefício advirá da organização de tais corpos. Quando, no passado, um homem pobre, queria valer os seus direitos tinha apenas que fazer uma oferta a um indivíduo, agora ele teria que renunciar a toda esperança de justiça ou então satisfazer todos os membros.
segunda-feira, 24 de março de 2008
O Fisco nos Casamentos!
Fisco ameaça noivos com coimas se não derem informações sobre o casamento (Jornal de Negócios)

Sendo assim... a menina que apanhou o "bouquet" importa-se de dizer o seu número de contribuinte?

Sendo assim... a menina que apanhou o "bouquet" importa-se de dizer o seu número de contribuinte?
O BCP e a Opus Dei
Ao longo dos últimos meses escutei um desabafo comum a vários amigos e familiares católicos : "Sempre esperei que este tipo de fraudes acontecesse noutros bancos. O BCP seria sempre o último banco onde isso poderia acontecer. Afinal era suposto que aquelas pessoas da Opus Dei fossem mais integras e responsáveis do que os outros banqueiros..."
Hoje, na sua crónica semanal no DN, João César das Neves tenta fazer passar a ideia de que a Opus nada tem a ver com o BCP: "Afinal, não será toda esta confusão de poderes escondidos um enorme disparate, tendo tido o BCP apenas uma zanga habitual entre administração e accionistas?"
Num texto claramente defensivo, o professor da Católica para fazer valer o seu ponto de vista omite coisas tão básicas como o facto de Paulo Teixeira Pinto, o delfim de Jardim Gonçalves no BCP, não só ter abandonado aquela instituição financeira, mas também ter saído da Obra.
A verdade é que o BCP estava demasiado identificado com a Opus Dei; vários dos seus administradores eram membros da Obra. E, se em qualquer jornal, ou revista, com uma secção de economia podemos encontrar vários exemplos de actividades do BCP que se assemelham a verdadeiras fraudes, então é inevitável que a imagem da Opus Dei também fique associada a esses actos.
Confesso que esperava que um professor universitário como João César das Neves ao abordar este assunto tivesse uma argumentação mais sólida. Fará algum sentido tentar fazer passar a ideia de que quem ataca a Opus ataca também a Igreja e todo o Cristianismo? Fará algum sentido descrever a Obra como se se tratasse de mais um cordeiro pascal prestes a ser imolado pela raiva anticristã que grassa pelo mundo?
É óbvio que os administradores da Opus Dei que lideram o BCP em nada se assemelham a cordeiros pascais. Mas alguns milhares de clientes, que um dia foram convidados a investir em aumentos de capital do banco e posteriormente viram as suas economias diluírem-se, esses sim, são os verdadeiros cordeiros pascais que João César das Neves poderia ter recordado.
Hoje, na sua crónica semanal no DN, João César das Neves tenta fazer passar a ideia de que a Opus nada tem a ver com o BCP: "Afinal, não será toda esta confusão de poderes escondidos um enorme disparate, tendo tido o BCP apenas uma zanga habitual entre administração e accionistas?"
Num texto claramente defensivo, o professor da Católica para fazer valer o seu ponto de vista omite coisas tão básicas como o facto de Paulo Teixeira Pinto, o delfim de Jardim Gonçalves no BCP, não só ter abandonado aquela instituição financeira, mas também ter saído da Obra.
A verdade é que o BCP estava demasiado identificado com a Opus Dei; vários dos seus administradores eram membros da Obra. E, se em qualquer jornal, ou revista, com uma secção de economia podemos encontrar vários exemplos de actividades do BCP que se assemelham a verdadeiras fraudes, então é inevitável que a imagem da Opus Dei também fique associada a esses actos.
Confesso que esperava que um professor universitário como João César das Neves ao abordar este assunto tivesse uma argumentação mais sólida. Fará algum sentido tentar fazer passar a ideia de que quem ataca a Opus ataca também a Igreja e todo o Cristianismo? Fará algum sentido descrever a Obra como se se tratasse de mais um cordeiro pascal prestes a ser imolado pela raiva anticristã que grassa pelo mundo?
É óbvio que os administradores da Opus Dei que lideram o BCP em nada se assemelham a cordeiros pascais. Mas alguns milhares de clientes, que um dia foram convidados a investir em aumentos de capital do banco e posteriormente viram as suas economias diluírem-se, esses sim, são os verdadeiros cordeiros pascais que João César das Neves poderia ter recordado.
sábado, 22 de março de 2008
sexta-feira, 21 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
O respeitinho é muito bonito!
Já escrevi aqui que considero a liberdade de expressão um bem demasiado valioso, cujo exercício implica, naturalmente, responsabilidade. E também já escrevi que a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros; mas não termina onde começa a susceptibilidade dos outros.
Desta forma, as chamadas “leis anti-blasfémia” são um daqueles absurdos que nunca deveriam existir. Para definir o que é blasfémia, é necessário começar por definir o que é “sagrado” ou o que é uma religião. E é logo aqui que temos confusão, pois o que é sagrado para uns, não tem qualquer valor para outros; e vice-versa. E uma pessoa mais sensível pode sentir-se ofendida com qualquer afirmação ou comentário.
Poderíamos mesmo chegar ao absurdo de ver os insultos ao Benfica (não dizem que é uma religião e que o Estádio da Luz é uma Catedral?) punidos ao abrigo de uma lei deste tipo.
Esto tipo de leis existe em países muçulmanos e é frequentemente invocado pelos sectores mais radicais dessas sociedades. Este tipo de leis tem suscitou debates no Reino Unido, e o Conselho a Europa adoptou uma recomendação sobre blasfémia, insultos religiosos e discursos de ódio.
Nos últimos meses, alguns governos tentaram alcançar um acordo internacional sobre ofensas anti-religiosas. Como seria de esperar, alguns países muçulmanos empenharam-se para conseguir este acordo. Mas a surpresa veio de onde menos se esperava! A Arábia Saudita rejeitou este acordo argumentando que se veria obrigada a reconhecer a legitimidade do Budismo ou da Fé Baha’i.
Pois é. O respeitinho é muito bonito. Sobretudo quando se trata o respeitinho que os outros têm por nós!
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A LER: Saudi Rejects Int'l Agreement to Forbid Anti-Religions Offences (MediaLine)
Desta forma, as chamadas “leis anti-blasfémia” são um daqueles absurdos que nunca deveriam existir. Para definir o que é blasfémia, é necessário começar por definir o que é “sagrado” ou o que é uma religião. E é logo aqui que temos confusão, pois o que é sagrado para uns, não tem qualquer valor para outros; e vice-versa. E uma pessoa mais sensível pode sentir-se ofendida com qualquer afirmação ou comentário.
Poderíamos mesmo chegar ao absurdo de ver os insultos ao Benfica (não dizem que é uma religião e que o Estádio da Luz é uma Catedral?) punidos ao abrigo de uma lei deste tipo.
Esto tipo de leis existe em países muçulmanos e é frequentemente invocado pelos sectores mais radicais dessas sociedades. Este tipo de leis tem suscitou debates no Reino Unido, e o Conselho a Europa adoptou uma recomendação sobre blasfémia, insultos religiosos e discursos de ódio.
Nos últimos meses, alguns governos tentaram alcançar um acordo internacional sobre ofensas anti-religiosas. Como seria de esperar, alguns países muçulmanos empenharam-se para conseguir este acordo. Mas a surpresa veio de onde menos se esperava! A Arábia Saudita rejeitou este acordo argumentando que se veria obrigada a reconhecer a legitimidade do Budismo ou da Fé Baha’i.
Pois é. O respeitinho é muito bonito. Sobretudo quando se trata o respeitinho que os outros têm por nós!
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A LER: Saudi Rejects Int'l Agreement to Forbid Anti-Religions Offences (MediaLine)
Geração Rasca
Este vídeo foi colocado há pouco mais de uma semana no YouTube (vamos ver quanto tempo lá fica!). Mostra uma agressão a uma professora em plena sala de aula, para divertimento de toda a turma.
O que vai acontecer a esta aluna? Os seus pais, ou familiares, devem ser responsabilizados por esta agressão? Haverá medidas severas e exemplares, ou vamos considerar já começar à procura de atenuantes? No meu tempo uma agressão a um professor dava direito a expulsão da escola. E agora?
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ACTUALIZAÇÕES:
15H05 - O vídeo já não está disponível de forma "embebida"; mas continua on-line aqui.
15H45 - Como seria de esperar o vídeo já está disponível noutros endereços. A notícia já chegou ao Expresso.
16H30 - O vídeo original foi retirado.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Der Giftpilz
Determinados a doutrinar as suas crianças antes destas atingirem a idade adulta, os Nazis colocaram nos currículos escolares diversos elementos da sua propaganda, avaliaram a adesão dos professores à ideologia partidária e chegaram mesmo a incluir noções de “pureza de sangue” nos programas de ciências.

Um exemplo típico desse esforço de doutrinação é o livro para crianças intitulado “O Cogumelo Venenoso” (Der Giftpilz). Publicado em 1938, o livro foi adoptado em várias escolas, e é de autoria de Julius Streicher. O seu propósito era inculcar nas mentes das crianças as adequadas atitudes nazis. Ao longo do livro sucedem-se as advertências sobre o perigo que os judeus representavam para o mundo. A mãe carinhosa que adverte o filho: "O judeu é a mais venenosa espécie de cogumelo"; o médico judeu que assedia a jovem alemã; o comerciante judeu que engana a cliente...
Parece um pesadelo do passado. Para muitos de nós é quase inconcebível que isto tenha acontecido.
Será que isto pode voltar a acontecer?
Para horror de muitos de nós, isto está a acontecer... no Irão. Um estudo da Freedom House sobre Discriminação e Intolerância nos Livros Escolares Iranianos mostra a forma como o governo da Republica Islâmica do Irão está apostado em doutrinar as crianças com ideias sobre a supremacia islâmica. Nestes textos o esquecem-se os conceitos de igualdade entre todos os seres humanos; o importante mesmo é que cada jovem muçulmano esteja pronto a lançar o medo no coração dos inimigos de Deus.
Em alguns destes textos escolares encontram-se descrições claramente discriminatórias e ofensivas sobre os baha’is: "uma seita falsa ao serviço de potências estrangeiras". E o relatório menciona ainda que no decorrer das aulas os estudantes bahá'ís são impedidos de dar a sua opinião, ou de responder às críticas que lhes são feitas. Além disso, os autores do relatório salientam como é complicada a vida dos estudantes bahá'ís no Irão; se não escondem a sua filiação religiosa, a entrada na universidade fica-lhe vedada.
Andamos preocupados com a crise financeira, com a escalada do preço do petróleo, com as eleições americanas, com a insegurança no nosso pais... e no Médio Oriente há um país cujo governo ambiciona criar uma geração de jovens fanatizados. É a história que se repete?
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SOBRE ESTE ASSUNTO: Iran Indoctrinating Children in Islamic Supremacism (New York Sun)

Um exemplo típico desse esforço de doutrinação é o livro para crianças intitulado “O Cogumelo Venenoso” (Der Giftpilz). Publicado em 1938, o livro foi adoptado em várias escolas, e é de autoria de Julius Streicher. O seu propósito era inculcar nas mentes das crianças as adequadas atitudes nazis. Ao longo do livro sucedem-se as advertências sobre o perigo que os judeus representavam para o mundo. A mãe carinhosa que adverte o filho: "O judeu é a mais venenosa espécie de cogumelo"; o médico judeu que assedia a jovem alemã; o comerciante judeu que engana a cliente...
Parece um pesadelo do passado. Para muitos de nós é quase inconcebível que isto tenha acontecido.
Será que isto pode voltar a acontecer?
Para horror de muitos de nós, isto está a acontecer... no Irão. Um estudo da Freedom House sobre Discriminação e Intolerância nos Livros Escolares Iranianos mostra a forma como o governo da Republica Islâmica do Irão está apostado em doutrinar as crianças com ideias sobre a supremacia islâmica. Nestes textos o esquecem-se os conceitos de igualdade entre todos os seres humanos; o importante mesmo é que cada jovem muçulmano esteja pronto a lançar o medo no coração dos inimigos de Deus.
Em alguns destes textos escolares encontram-se descrições claramente discriminatórias e ofensivas sobre os baha’is: "uma seita falsa ao serviço de potências estrangeiras". E o relatório menciona ainda que no decorrer das aulas os estudantes bahá'ís são impedidos de dar a sua opinião, ou de responder às críticas que lhes são feitas. Além disso, os autores do relatório salientam como é complicada a vida dos estudantes bahá'ís no Irão; se não escondem a sua filiação religiosa, a entrada na universidade fica-lhe vedada.
Andamos preocupados com a crise financeira, com a escalada do preço do petróleo, com as eleições americanas, com a insegurança no nosso pais... e no Médio Oriente há um país cujo governo ambiciona criar uma geração de jovens fanatizados. É a história que se repete?
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SOBRE ESTE ASSUNTO: Iran Indoctrinating Children in Islamic Supremacism (New York Sun)
terça-feira, 18 de março de 2008
Arthur C. Clarke (1917-2008)
No balanço de 90 anos de vida, Arthur C Clarke, enumera as realizações da humanidade ao longo do século XX. Entre o balanço das evoluções tecnológicas e as necessidade de evoluções morais e sociais, este autor de ficção científica expressa um dos seus mais íntimos desejos:
«Gostava que ultrapassássemos as nossas divisões tribais e que começássemos a pensar e agir como se fossemos uma única família. Isso seria uma verdadeira globalização.»É o nosso sonho comum!
Este país não é para novos!

É o que apetece dizer quando se ouve que um taxista alcoolizado atropela 4 crianças numa passadeira. Uns dias depois uma das crianças está em coma, enquanto o homem continua a conduzir, e a exercer a sua profissão de taxista. Como compreender isto? Para que serve um sistema legal que permite situações destas? Que futuro tem um que permite que isto aconteça?
Sobre este assunto, recomendo a leitura do editorial do Diário de Notícias: Um pequeno episódio que descredibiliza a justiça.
Congresso Norte-Americano debate Direitos Humanos no Irão
Payam Akhavan, professor de Direito Internacional na Faculdade de Direito da Universidade de McGill fala perante o Congresso Norte-Americano (21-Fevereiro-2008) numa audiência sobre "Direitos Humanos e Liberdade Religiosa no Irão". O professor Akhavan é Bahá'í e vive no Canadá.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Angola: Mais de 760 igrejas esperam reconhecimento legal
Excerto de um artigo publicado hoje no Jornal de Angola e no AngoNotícias.
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Perto de oitocentas novas igrejas procuram o reconhecimento do Estado angolano, com vista a obterem personalidade jurídica que as permita interagir legalmente no “mercado” da fé. O Instituto Nacional para Assuntos Religiosos (INAR) acusa semanalmente, em média, três pedidos de reconhecimento de novas confissões, segundo o seu director em exercício, Cristiano Santana Júlio.
O INAR, órgão do Ministério da Cultura que intervém no processo de legalização de igrejas com a emissão de pareceres técnicos sobre os requerimentos dirigidos ao Ministério da Justiça, tem em análise, neste momento, 768 (setecentas e sessenta e oito) petições.
Parte considerável dos requerentes não reúne, na íntegra, os requisitos estabelecidos legalmente. A Lei nº 2 /04 de 21 de Maio diz, no número 2 do seu artigo 9º, que a petição de reconhecimento de uma confissão religiosa “deve ser subscrita por um mínimo de 100. 000 (cem mil) fiéis, devendo as assinaturas serem reconhecidas no notário e recolhidas num mínimo de 2 terços do total das províncias”.
(…)
O Estado angolano deu início ao processo de reconhecimento jurídico de igrejas em 1987, altura em que concedeu personalidade jurídica no país a 12 igrejas, desde a igreja católica às protestantes implantadas no país.
Procedeu ao último acto de reconhecimento no ano 2000, elevando para 84 o número de confissões legalizadas.
A Lei n.º 2/04 de 21 de Maio, que regula actualmente o exercício da liberdade de consciência e de religião no país, permite a realização de cultos às igrejas não legalizadas e não estabelece prazos limites para as congregações regularizarem a sua situação jurídica, depois de criadas ou implantadas em território nacional.
(...)
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Perto de oitocentas novas igrejas procuram o reconhecimento do Estado angolano, com vista a obterem personalidade jurídica que as permita interagir legalmente no “mercado” da fé. O Instituto Nacional para Assuntos Religiosos (INAR) acusa semanalmente, em média, três pedidos de reconhecimento de novas confissões, segundo o seu director em exercício, Cristiano Santana Júlio.
O INAR, órgão do Ministério da Cultura que intervém no processo de legalização de igrejas com a emissão de pareceres técnicos sobre os requerimentos dirigidos ao Ministério da Justiça, tem em análise, neste momento, 768 (setecentas e sessenta e oito) petições.Parte considerável dos requerentes não reúne, na íntegra, os requisitos estabelecidos legalmente. A Lei nº 2 /04 de 21 de Maio diz, no número 2 do seu artigo 9º, que a petição de reconhecimento de uma confissão religiosa “deve ser subscrita por um mínimo de 100. 000 (cem mil) fiéis, devendo as assinaturas serem reconhecidas no notário e recolhidas num mínimo de 2 terços do total das províncias”.
(…)
O Estado angolano deu início ao processo de reconhecimento jurídico de igrejas em 1987, altura em que concedeu personalidade jurídica no país a 12 igrejas, desde a igreja católica às protestantes implantadas no país.
Procedeu ao último acto de reconhecimento no ano 2000, elevando para 84 o número de confissões legalizadas.
A Lei n.º 2/04 de 21 de Maio, que regula actualmente o exercício da liberdade de consciência e de religião no país, permite a realização de cultos às igrejas não legalizadas e não estabelece prazos limites para as congregações regularizarem a sua situação jurídica, depois de criadas ou implantadas em território nacional.
(...)
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COMENTÁRIO: Naturalmente que eu gostaria de saber o que se passa com os bahá'ís de Angola. Se alguém tiver informações, deixe aqui um comentário, por favor.
Isto, sim, é uma gaffe jornalística!
É o que dá ter teclados em que a tecla «I» está mesmo ao lado da tecla «O».
E depois começamos a pensar: "Se um guarda-redes levou com seis pintos... então é frangueiro" ou "Deixou entrar golos que até uma criança defendia..."
Para os leitores brasileiros, devo esclarecer que a palavra «pinto» aqui em Portugal não tem o mesmo significado.
;-)
domingo, 16 de março de 2008
Os filhos do último Profeta

Aqui fica a transcrição do artigo publicado ontem na revista Única (do jornal Expresso).
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Reportagem de Mário Robalo (texto) e Tiago Miranda (fotografias)
Seis milhões de bahá’ís em todo o mundo celebram, na próxima sexta-feira, o Ano Novo. Afirmando-se o «manifestante de Deus», substituindo todos os anteriores[1], o persa Bahá'u'lláh profetizou, no século XIX, a instauração de um governo mundial para todos povos e a união de todas as fés. Em Portugal, existem nove mil fiéis.
Os miúdos fixam-se no olhar de Neda que lhes fala com uma ternura cativante: «Porque dizemos 'bom-dia' aos nossos pais, pela manhã, quando não sabemos ainda o que vai acontecer?» A pergunta provoca um coro de desconcertantes respostas. Mas Núria, apoiando o rosto moreno entre as mãos, coloca a sua questão, quase excessiva para os seus dez anos: «É porque queremos que os outros também estejam felizes...» Neda agarra a ideia, dando-lhe coerência: «Pois... é como se alguém estivesse a tossir por cima de vocês, ficariam constipados. O mesmo se passa quando olhamos a vida de forma positiva. Essa nossa alegria passa para os outros, é contagiante.»
Aos sábados, a iraniana Neda Bakhshandegi faz, com o marido e as três filhas, o percurso entre Évora e Lisboa. Não apenas para animar um grupo de crianças no Centro Nacional Bahá'í, «mas também para que a família não perca a relação com a comunidade», diz enquanto agasalha Sama Isabel, a filha mais nova, de 8 meses, para regressarem a casa numa tarde cinzenta e húmida. Esta mulher, que herdou do pai o gosto pela arquitectura, teve de fugir da sua Teerão natal quando tinha 12 anos, juntamente com os pais e um irmão, em Maio de 1978, um ano antes da revolução do ayatolah Khomeni. «Foi a instituição islâmica que criou o mal-estar», acusa ao evocar um ambiente depressivo que então já se vivia, com pessoas a anotarem as matrículas dos carros de quem os visitava. Os diferentes regimes iranianos desencadearam uma feroz perseguição contra os crentes bahá’ís, que agora entram no ano 164[2]. Em 1844[3], Bahá'u'lláh proclama-se o profeta anunciado pelas fés judaica, cristã e muçulmana. Desde então, o número de fieis condenados à morte já ultrapassou os 20 mil. O clero islâmico considera-os heréticos. Depois da proclamação da República islâmica do Irão, os funcionários públicos bahai foram despedidos e mais de 200 execuções foram confirmadas pela ONU e a União Europeia (UE), que por diversas vezes condenaram a situação de prisões arbitrárias e desaparecimentos. A última condenação da UE foi em Fevereiro, lamentando «a expulsão de estudantes de liceus e universidades». Após a entrada de Khomeni, mais de 700 mil bahá’ís[4] viram-se forçados a abandonar o país. Portugal acolhe uma centena.Neda e a família acabaram por chegar a Nova Jersey (EUA) com visto de refugiados. Em Israel, durante um trabalho voluntário na sede da sua religião, conheceu Shakib Shahidian, um iraniano refugiado com a família em Portugal desde os 10 anos. Agora Neda dedica o seu tempo a suscitar vontades para acções cívicas, como a realização de concertos a favor de uma associação de pais de crianças deficientes ou a limpeza de uma barragem de abastecimento à cidade de Évora com crianças de escolas.
«A fé bahá'í é uma ferramenta que nos permite participar, de modo responsável, na construção de uma cultura de respeito por toda a humanidade e pela Natureza», reconhece Shakib. E este professor de Engenharia Agrícola na Universidade de Évora recupera as profecias de Bahá'u'lláh sobre a «nova civilização mundial» que será sustentada por uma federação governativa universal: eliminação da pobreza, garantia de cuidados de saúde e de ensino para todos, criação de uma língua universal[5], reconhecimento da harmonia da religião com a razão e o conhecimento científico, e igualdade entre mulher e homem.A chegada a Portugal em 1976, «causou uma sensação de alívio para a família». Os pais de Shakib, médicos, eram ameaçados constantemente, apesar de prestarem serviço em pequenas aldeias no sul do Irão. «O meu pai chegou a receber um 'recado' com uma faca desenhada. Por isso, «viver em Vila Nova de Gaia com uma única panela em casa, que servia para aquecer a água do banho e fazer comida, não significou qualquer incómodo». Até ir para Évora fazer o curso, os pais sobreviveram a vender flores e plantas. Demorou sete anos até que a mãe conseguisse um lugar no Hospital de Peso da Régua. Em Angola, onde trabalhou numa empresa agrária, Shakib voltou a experimentar o ambiente de medo que experimentara na sua terra. «Quando cheguei a Luanda, os bahá'ís ainda tinham de esconder os livros sob o chão das casas»
Quem nunca teve de suportar a violência da perseguição religiosa foi Margarida e João Ganso, treinador do atleta Nelson Évora, também bahá’í. Ele e a mulher conheceram a fé depois de Abril de 1974 – até àquela data a polícia política por diversas vezes invadiu as reuniões dos crentes bahá’ís. Nascidos em famílias católicas, o seu abandono da Igreja «não resultou de nenhuma atitude de rebeldia», confessa Margarida, para quem «a opção pela fé bahá’í significou um passo em frente», devolvendo-lhe outra dimensão das religiões. «Na Igreja Católica, a certeza da fé apenas reside na sua doutrina. Agora tenho a noção de que existe algo de válido noutras religiões...» A ideia desta advogada é interrompida pelo seu filho David «apenas» quer acrescentar: «Nunca tentei mostrar a um amigo que outra religião está errada. Ela está correcta, mas incompleta, porque Deus vai-se revelando progressivamente.» Os ensinamentos bahá’ís sustentam que cada «manifestante de Deus» - Krishna, Zoroastro, Abraão, Moisés, Buda, Jesus e Maomé - revelou partes do plano divino para a Humanidade. Bahá'u'lláh trouxe «a mensagem da unidade», que se concretizará na «cidadania mundial». Foi esta convicção que levou David, engenheiro civil, 24 anos, a integrar um grupo de dança teatral internacional bahá’í, com jovens de 10 nacionalidades diferentes.Durante um ano percorreram um sem-número de países, «transmitindo mensagens de confiança na Humanidade». O pai de David recorda entretanto que, antes da conversão, o casal procurou respostas em outras Igrejas cristãs. João Ganso sublinha que os «benefícios» da sua nova fé se revelaram a nível do relacionamento humano: «O ambiente na família melhorou significativamente. Oramos juntos, quando temos dificuldades. E eu que vivi em Angola trazia uma ponta de racismo. Agora estou inserido num grupo de pessoas africanas que frequentam a nossa casa.»
A casa de Maryam Sanai, na Praia da Rocha (Portimão), também está disponível todas as sextas-feiras para acolher um grupo de cerca de 20 pessoas. Reúnem-se para dialogar sobre temas tão diversos como «as mulheres lideres no mundo» ou «a relação de afecto entre pais e filhos». Um dia, numa acção da fé bahá’í, esta iraniana ouviu alguém sustentar que o desenvolvimento humano precisa de nutrição. «Foi como um clique a despertar-me para uma acção concreta». A partir de então, sempre que surge a oportunidade, «particularmente junto de pais com filhos ainda pequenos», Maryam integra na conversa «a necessidade de desenvolvermos virtudes que alimentam o nosso interior e as relações humanas». Não se trata de proselitismo camuflado, garante. Até porque a sua fé não lho permite. Ela própria tem experiência de que a religião não se impõe: «É uma busca individual, que se cultiva naturalmente, mas que primeiro passa por uma decisão íntima.»Quando chegou a Portugal, em 1980, com o marido, Siavash Sanai e a filha Tina, então com três anos, Maryam trazia como currículo a sua carreira de jornalista na televisão estatal do Irão. Por causa da sua convicção religiosa foi, primeiro «desterrada para a biblioteca» e, depois, despedida. Oito anos antes tinha casado com um arquitecto, em cuja família diversos membros foram presos ou executados por confessarem Bahá'u'lláh.
Ao chegar a Portimão, Siavash ainda pensou poder ali exercer a sua profissão. «Um engano». Uma empresa de construção quis aproveitar-se da sua formação. Como não podia assinar projectos, «pagavam um ordenado tão pequeno, 33 contos (hoje 165 euros), que quase não dava para pagar os 28 (140 euros) da renda da casa». A casa onde agora recebem as pessoas que aderem à iniciativa de Maryam foi projectada por ele. E o negócio de peles e malas garante-lhes a sobrevivência. Inicialmente aventuraram-se a tomar conta de uma mercearia. «Um atrevimento. Ainda não falávamos português», lembra Siavash, interrompido pela mulher, para recordar que «eram os clientes quem nos ensinava o nome dos produtos» Mas não bastava a simpatia da clientela.
O negócio era fraco, e, entretanto, em 1985, nascera-lhe um rapaz, Sahba. «Chegámos a não ter dinheiro para levar os filhos ao médico», diz Maryam, concluindo com satisfação: «Mas tudo se conseguiu». O filho está a terminar o curso de engenharia em Lisboa, onde participa na actividade da comunidade. A filha, Tina, exerce medicina em Beja. E no quotidiano de tensão rodeado de problemas humanos, esta médica diz sustentar-se no lema bahá’í: «Sejam actos e não palavras o vosso adorno».
Todos os membros da família Sanai estão naturalizados portugueses, situação que não escapou à vigilância do governo islâmico de Teerão. Através de um «comissário», fez saber que a família não deve voltar à pátria. Siavash retribui: «no meu país nasci como um estrangeiro, em Portugal sou da casa. Aqui a religião nunca foi um perigo nem um obstáculo.»
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A «GLÓRIA DE DEUS»
Bahá'u'lláh, que significa «glória de Deus», nasceu na Pérsia em 1817, com o nome de Mirzá Husayn-Al [6]. O governo do seu país e as autoridades islâmicas não toleraram que ele se tivesse anunciado como o «manifestante de Deus» e «o prometido» - o último profeta de todas as religiões do passado[7]. Acabaram por lhe decretar o exílio e sucessivas detenções.
Faleceu a 29 de Maio de 1892, em Akka (Israel)[8] onde se encontra sepultado. As suas escrituras são consideradas revelações divinas para os seis milhões de crentes dispersos por mais de 200 países.
A fé bahá’í fundamenta-se na necessidade de «regenerar a Humanidade» com vista à formação de um governo único para todas as nações.
Os bahá’ís não têm clero nem culto[9]. O casamento é uma instituição e o divórcio é tolerado. O álcool e as drogas estão proibidas. Também lhes está vedada a participação na política partidária bem como cargos de governação.
Os lideres locais e nacionais são eleitos[10], a exemplo do seu órgão máximo, a Casa Universal de Justiça, em Israel. A primeira notícia sobre a fé bahá’í é dada em 1926, durante uma conferência no Clube Rotário, em Lisboa. Antes, Eça de Queiroz já se referira , em «correspondência de Fradique Mendes», ao triunfo de um movimento religioso na Pérsia, chamado «babismo». Por diversas vezes, a PIDE interrompeu as reuniões da comunidade, confiscando livros de orações e documentos internos. Alguns dos seus membros tiveram mesmo de responder na sede daquela polícia. Mário Marques, actual director dos Assuntos Externos, foi um dos crentes que, por diversas vezes, foram inquiridos pelos agentes da polícia política do Estado Novo.
* * * * * * * * *
COMENTÁRIO
Mesmo podendo passar a ideia errada de que a Comunidade Bahá'í em Portugal é maioritariamente constituida por refugiados iranianos, penso que este artigo apresenta uma interessante imagem do que são os baha’is em Portugal, das suas preocupações e interesses. Existem pequenos detalhes (que assinalei ao longo do texto) no texto que não são totalmente correctos e, por esse motivo, merecem alguns esclarecimentos.
[1] - Bahá'u'lláh não pretende substituir os Manifestantes anteriores. Ele apresenta-Se como mais um na sucessão de Mensageiros Divinos que acreditamos que Deus tem enviado à Humanidade. Também não acreditamos que Ele seja o último, no futuro a Humanidade terá outras necessidades, e por esse motivo é natural que surjam novos Mensageiros Divinos.
[2] - Segundo calendário Bahá’í, vamos entrar no ano 165.
[3] - Baha'u'llah anunciou a Sua missão em 1863 (a um conjunto restrito de pessoas) e em 1867 (de uma forma pública).
[4] - É um número exagerado. No Irão vivem cerca de 300.000 a 350.000 baha’is. Nos Estados Unidos o número de refugiados baha’is iranianos ronda os 10.000.
[5] - O sobre este tema, os princípios bahá’ís defendem a criação ou adopção de uma língua auxiliar internacional.
[6] - O nome próprio de Bahá'u'lláh era Husayn-'Alí.
[7] - Bahá'u'lláh apresentou-Se como o prometido de todas as religiões, mas nunca afirmou que a sua revelação fosse derradeira ou a última.
[8] - Quando Bahá'u'lláh faleceu, ainda não existia Estado de Israel. Seria mais correcto afirmar que ele faleceu em Akka, na Palestina Otomana.
[9] - O que se considera culto? Se estamos a falar de actividades praticadas ciclicamente seguindo um certo conjunto de regras (mesmo que genéricas), então poderemos considerar as Festas de 19 Dias como uma acto de culto. E também existem um conjunto mínimo de rituais; veja-se a Oração Diária Longa, ou a cerimónia de casamento.
[10] – Não se trata da eleição de lideres, mas sim de órgãos administrativos. Nenhum membro eleito de um órgão da administração bahá’í pode ser considerado um líder.
Alem disto, numa das fotos que acompanha a reportagem há uma legenda que refere 'Abdu'l-Bahá como "Guardião da Fé». O titulo de Guardião da Fé não se aplica a 'Abdul-Bahá, mas sim ao Seu neto, Shoghi Effendi.
sexta-feira, 14 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
Quem foi o idiota que fez isto?

Um utilizador do forum Pilgrimage to Santiago de Compostela chamou a atenção para o vandalismo que têm sido alvo os marcos auxiliares nos Caminhos de Santiago. A maioria destes marcos está cobertos de graffitis. Até aqui nada de especial. Afinal os graffitis têm-se espalhado por cidades e vilas do nosso país, mais na forma de vandalismo do que de verdadeira arte.
Mas, surpreendentemente, em alguns destes marcos auxiliares, encontram-se inscrições como «BAHA'I» e «BAHA'I.ORG» (a foto de cima é apenas um exemplo).
É óbvio que qualquer pessoa poderia fazer isto. Mas suspeito que se trate de obra de um baha’i. Muito provavelmente trata-se de alguém que pensa que isto desperta a curiosidade das pessoas pela Fé Bahá’í. Ainda para mais levando-as ao site oficial internacional, onde poderão encontrar informações fidedignas sobre a religião fundada por Bahá’u’lláh.
Mas será um acto de vandalismo contra um elemento que é parte integrante do património religioso do Cristianismo um acto legítimo de divulgação da Fé Bahá’í?
É óbvio que não! Isto nada tem a ver com a divulgação da Fé Bahá’ís (ou “ensinar a Fé”, como gostam de dizer os bahá’ís). É apenas uma actividade de proselitismo ordinário, com laivos de intolerância religiosa! Quantos bahá’is gostariam de ver os seus templos, ou centros administrativos, vandalizados com graffitis fazendo publicidade a outras religiões? Resumindo: se foi um bahá'í que fez isto, então além de vândalo, é idiota!
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ACTUALIZAÇÃO:
Mais fotos. Começo a acreditar que o autor destas inscrições não bate bem...


quarta-feira, 12 de março de 2008
Relatório sobre Direitos Humanos - 2007
Foi ontem apresentado pelo Departamento de Estado Norte-Americano o Relatório Anual sobre Práticas de Direitos Humanos referente ao ano de 2007. O documento analisa detalhadamente a situação dos direitos humanos em praticamente todos os países do mundo e sob diversas vertentes: desaparecimentos, tortura, tratamento desumano, condições de centros de detenção, detenções arbitrárias, funcionamento dos tribunais, existência de prisioneiros políticos, liberdade de expressão e de imprensa, liberdade de internet, liberdade académica e cultural, liberdade de reunião, liberdade de associação, liberdade de religião, discriminações governamentais e sociais, liberdade de deslocação, protecção a refugiados, eleições e participação política, corrupção e transparência governamental, tráfico de pessoas, direitos das mulheres, direitos das crianças, minorias étnicas e religiosas, trabalho forçado, condições de trabalho, etc
A existência de comunidades bahá’ís em diversos países do mundo não passou despercebida aos autores do relatório. No capítulo que descreve a situação dos direitos humanos no Irão, a palavra «bahá'í» é mencionada 48 vezes; no capítulo do Egipto, 19 vezes; no capítulo da Jordânia 12 vezes...
Mas nem todas as referências aos bahá’ís são descrições de abusos ou atentados aos direitos humanos. No capítulo sobre Portugal, afirma-se que os bahá’ís são um dos grupos religiosos que, no nosso país, já podem celebrar casamentos com efeitos civis. Penso que é a primeira vez que um relatório do Departamento de Estado menciona a presença dos Bahá’is em Portugal.
terça-feira, 11 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
A Biografia de Gandhi
Gandhi é uma das mais fascinantes personagens do séc. XX. O seu nome é evocado com regularidade e tornou-se um sinónimo de não-violência; os seus ensinamentos são tidos por muita gente como a receita para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica; a sua vida foi tema de uma clássico do cinema.Há alguns meses atrás foi publicado no nosso país, uma tradução da sua auto-biografia ("A minha vida e as minhas experiências com a verdade", Editorial Bizâncio). O livro foi escrito em 1925, quando o autor estava na prisão, e descreve a sua vida desde a infância até 1920. Este texto tornou-se um documento popular e influente, não apenas na Índia, mas também durante os anos da luta pelos Direitos Cívicos nos EUA e do movimento Solidariedade na Polónia.
Como o subtítulo indica, mais do que uma biografia, estamos na presença de um conjunto de relatos sobre experiências com a verdade. Segundo Gandhi, “a verdade é um princípio soberano , que engloba vários outros. Ela não é apenas a autenticidade da palavra, mas também a do pensamento. Não é a verdade relativa da nossa percepção, mas a Absoluta, o Princípio Eterno, que é Deus. Há inúmeras definições de Deus, porque são inúmeras as suas manifestações, que inundam o meu ser de admiração e respeito e, ao mesmo tempo, me atormentam.”
Ao descrever a sua vida como uma caminhada espiritual e moral, Gandhi tem a humildade suficiente para não omitir os seus erros, defeitos ou contradições. Desta forma, poderá ser surpreendente para muitos leitores ficar a saber que o relacionamento do autor com a esposa nem sempre foi um mar de rosas; que nas suas palavras se percebe algum arrependimento por não ter investido mais na educação dos filhos; e que o seu apoio às autoridades inglesas durante a Guerra dos Boers e durante a Primeira Guerra Mundial são atitudes difíceis de perceber.
Mas a humildade do relato também passa pelo facto de Gandhi não se vangloriar dos seus feitos, mas apenas descrever o que viveu à luz dos princípios da não violência apenas como se se tratasse de uma ilustração pessoal.
Uma obra para ler e reflectir.
sábado, 8 de março de 2008
Os Sindicatos dos Professores
No Expresso de hoje o Editorial e Miguel Sousa Tavares apresentam algumas ideias sobre a contestação dos sindicatos de professores ao novo sistema de avaliação. Tenho de concordar com estas ideias.
Do Editorial do Expresso:
Já todo o país ouviu os sindicatos dos professores dizerem que não são contra as avaliações, mas sim contra esta avaliação,
Muito bem, eis o desafio, a próxima prova: façam o favor de dizer como seria a avaliação que defendem. Quem a faria, que efeitos teria? Dela dependeria o salário do professor?
Eis o que podem elucidar antes ou depois da manifestação. Só para ficarmos descansados e percebermos que causa nobre os move.
De Miguel Sousa Tavares:
Os sindicatos da Educação tiveram uma contribuição decisiva para sucessivas gerações de alunos prejudicados e para a derrota nacional na frente educativa. Nunca tivemos falta de professores, falta de escolas, falta de dinheiro para a Educação. Gastamos como em nenhum outro sector e, em percentagem do PIB, mais do que a maioria dos países europeus. E tudo isto serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje ou para acumular taxas terceiro-mundistas de abandono escolar. Eu. Se fosse professor, estaria, no mínimo, incomodado com os resultados. Porque é preciso muita má fé para sustentar que a culpa foi apenas dos Ministros da Educação que tivemos – todos, sem excepção, incompetentes.
(...)
Mas, no essencial, ela [Maria de Lurdes Rodrigues, a Ministra da Educação] tem razão e todos nós que não estaremos hoje a desfilar em Lisboa, já o percebemos. Ela quer mudar as coisas, recusa conformar-se com os resultados de trinta anos a nada fazer; a corporação quer que tudo o que é determinante continue na mesma.
Todos percebemos que a gestão das escolas não pode ser tarefa única dos professores, mas de grande parte da sociedade civil interessada e isto é o que mais atinge uma corporação cuja sobrevivência depende da auto-regulação desresponsabilizadora – vejam como os magistrados ficam logo abespinhados de cada vez que alguém sugere invadir o que chamam a sua sagrada “independência”, que é a causa primeira da total falência da justiça. Todos percebemos que um professor que falta às aulas ou vê os seus alunos a nada aprenderem, e não se preocupa com isso não pode e não deve progredir na carreira e ganhar o mesmo que outro que se preocupa com os seus alunos e com as aulas. Todos percebemos que um professor que falta a uma aula pode e deve ser substituído por outro que está na escola , sem aula para dar e dentro do seu horário de trabalho – como sucede todos os dias e com a maior naturalidade cá fora, no mundo ‘civil’, em qualquer empresa ou local de trabalho. É isto o essencial.
Do Editorial do Expresso:
Já todo o país ouviu os sindicatos dos professores dizerem que não são contra as avaliações, mas sim contra esta avaliação,
Muito bem, eis o desafio, a próxima prova: façam o favor de dizer como seria a avaliação que defendem. Quem a faria, que efeitos teria? Dela dependeria o salário do professor?
Eis o que podem elucidar antes ou depois da manifestação. Só para ficarmos descansados e percebermos que causa nobre os move.
De Miguel Sousa Tavares:
Os sindicatos da Educação tiveram uma contribuição decisiva para sucessivas gerações de alunos prejudicados e para a derrota nacional na frente educativa. Nunca tivemos falta de professores, falta de escolas, falta de dinheiro para a Educação. Gastamos como em nenhum outro sector e, em percentagem do PIB, mais do que a maioria dos países europeus. E tudo isto serviu para nada, para formar gerações de ignorantes, sem préstimo no mercado de trabalho de hoje ou para acumular taxas terceiro-mundistas de abandono escolar. Eu. Se fosse professor, estaria, no mínimo, incomodado com os resultados. Porque é preciso muita má fé para sustentar que a culpa foi apenas dos Ministros da Educação que tivemos – todos, sem excepção, incompetentes.(...)
Mas, no essencial, ela [Maria de Lurdes Rodrigues, a Ministra da Educação] tem razão e todos nós que não estaremos hoje a desfilar em Lisboa, já o percebemos. Ela quer mudar as coisas, recusa conformar-se com os resultados de trinta anos a nada fazer; a corporação quer que tudo o que é determinante continue na mesma.
Todos percebemos que a gestão das escolas não pode ser tarefa única dos professores, mas de grande parte da sociedade civil interessada e isto é o que mais atinge uma corporação cuja sobrevivência depende da auto-regulação desresponsabilizadora – vejam como os magistrados ficam logo abespinhados de cada vez que alguém sugere invadir o que chamam a sua sagrada “independência”, que é a causa primeira da total falência da justiça. Todos percebemos que um professor que falta às aulas ou vê os seus alunos a nada aprenderem, e não se preocupa com isso não pode e não deve progredir na carreira e ganhar o mesmo que outro que se preocupa com os seus alunos e com as aulas. Todos percebemos que um professor que falta a uma aula pode e deve ser substituído por outro que está na escola , sem aula para dar e dentro do seu horário de trabalho – como sucede todos os dias e com a maior naturalidade cá fora, no mundo ‘civil’, em qualquer empresa ou local de trabalho. É isto o essencial.
quinta-feira, 6 de março de 2008
A qualidade da Comunicação Social

A qualidade da Comunicação Social é frequentemente posta em causa. O fenómeno não é recente, nem exclusivamente português. Provavelmente é tão antigo quanto a própria Comunicação Social. Há cerca de cem anos atrás Gandhi percebeu este problema; e também compreendeu que teremos de viver com ele:
A imprensa é uma grande força, mas, assim como um torrente descontrolada de água submerge paisagens inteiras e devasta plantações, assim também uma pena descontrolada só serve para destruir. Se o controlo for externo, torna-se mais venenoso do que a falta de controlo. Só pode ser vantajoso se exercido internamente. Se esta linha de raciocínio for correcta, quantos jornais do mundo passariam pelo teste? Mas quem poria fim aos inúteis? E quem deveria ser o juiz? Os úteis e os inúteis, assim como o bem e o mal de forma geral, têm de continua a existir juntos, e o ser humano tem de fazer a sua escolha.[1]No sec. XIX, Bahá'u'lláh , o fundador da religião bahá’í também percebeu o potencial da imprensa. Ao referir-se a um jornal turco que O caluniava, escreveu:
As páginas de jornais que surgem subitamente são, em verdade, o espelho do mundo. Reflectem os feitos e as preocupações dos diversos povos e raças - reflectem e também os dão a conhecer. São um espelho dotado de audição, visão e expressão oral. É este um fenómeno poderoso e espantoso. Cumpre a seus redactores, porém, purificarem-se dos impulsos das paixões e desejos malignas e adornarem-se com as vestes da justiça e equidade. Devem investigar as situações, tanto quanto lhes seja possível, certificando-se dos factos, e então registrá-los por escrito. [2]Não conheço nenhum jornalista que goste de fazer um mau trabalho. Mas conheço jornalistas cujos patrões não se regem por valores éticos, mas apenas pelo lucro; muitas vezes são esses patrões os principais responsáveis pela qualidade do trabalho que os jornalistas produzem. Neste aspecto as palavras de Gandhi parecem actuais. E as palavras de Bahá'u'lláh bem poderiam ser o mote para um código de ética da comunicação social.
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NOTAS
[1] – Mahatma Gandhi, A Minha Vida e as Minhas Experiências com a Verdade, p.264
[2] – Epístolas de Bahá'u'lláh, Tarazat
quarta-feira, 5 de março de 2008
Rain Wilson, no NEBY 2008
Rain Wilson, actor conhecido da série The Office, fala para uma plateia de 800 pessoas durante o Northeast Baha'i Youth Festival 2008, em Stamford, Connecticut, EUA. Mais do que uma palestra sobre religião, o actor mostra como o humor e a arte de representar estão no seu sangue. Mas no âmago das suas palavras há mensagens simples: que cada um siga o seu caminho espiritual.
Não deixa de ser curioso que, apesar de ter nascido numa família bahá’í, Rain Wilson afastou-se desta religião quando tinha 20 anos. Não era um renegado ou um apóstata. Como ele próprio diz, estava a fazer aquilo que os baha’is são encorajados a fazer: investigar individualmente a verdade.
terça-feira, 4 de março de 2008
Kirguizistão: legalizar a falta de liberdade religiosa?
O Kirguizistão (também chamado Kirguízia) é um daqueles países esquecidos na Ásia Central de que raramente ouvimos falar. A não ser que ali ocorra alguma guerra ou revolução, ou que alguma organização não governamental ali instalada dê a conhecer algum evento relevante.
Foi o que aconteceu com a notícia do Forum 18, que nos relata como uma nova Lei da Religião está a causar indignação entre as minorias religiosas daquele país. A cláusula mais polémica é a que exige como requisito para o reconhecimento oficial que uma comunidade tenha 200 crentes adultos; esta possibilidade motivou protestos de Ortodoxos Russos, Católicos Romanos, várias Igrejas Protestantes, Testemunhas de Jeová e Bahá’ís. Para os dirigentes das comunidade religiosas minoritárias esta nova lei é apenas uma legalização da repressão e perseguição contra as minorias religiosas. Um Bahá’í afirmou: "O nosso país tem tantos problemas urgentes: pobreza, falta de medicamentos, SIDA, crime, corrupção. Porque é que as autoridades não se dedicam a eles em vez de dificultar a vida aos crentes religiosos?"
Os Bahá’ís queixam-se de não terem sido ouvido durante o processo de elaboração da lei que os afectará e questionam a necessidade de reconhecimento obrigatório. "Religiões mundiais - como a Fé Bahá’í – não podem ser banidas; somos uma religião legalizada e estamos registados no Ministério da Justiça e na agência Estadual. Vejam os nossos princípios; não nos envolvemos em política. Não estamos a fazer nada de mal; pelo contrário só estamos a fazer bem".
A Comunidade Bahá’í de Bishkek (capital do país) tem mais de 200 crentes adultos; mas existem mais de 30 comunidades no país que não atingem esse número. E desconfiam das verdadeiras intenções do Governo: "Se apresentarmos uma lista de 200 adultos, com nomes completos, moradas, números de telefone, isto poderá trazer problemas."
Os Bahá’ís têm ainda presente o episódio que ocorreu há dois anos atrás. Nessa altura, após a eleição da sua Assembleia Espiritual Nacional (AEN), a Agência Estadual convocou os membros eleitos e tentou pressioná-los; quiseram saber porque tinham escolhido aquela religião, de onde obtinham os seus fundos, e porque é que os estrangeiros faziam parte da AEN. Insistiram que os estrangeiros se deviam registar como missionários, apesar de residirem e trabalharem no país há vários anos. Outro episódio igualmente desagradável que os Bahá’ís também recordam foi a Lei de 1997 que exigiu que todas as comunidades religiosas se registassem novamente: um processo lento e burocrático que custou muito dinheiro.
Será esta mais um caso a merecer a atenção dos Eslovenos que presidem à União Europeia?
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FONTE: KYRGYZSTAN: Repressive Decree withdrawn, but work on new Religion Law speeded up (Forum 18)
Foi o que aconteceu com a notícia do Forum 18, que nos relata como uma nova Lei da Religião está a causar indignação entre as minorias religiosas daquele país. A cláusula mais polémica é a que exige como requisito para o reconhecimento oficial que uma comunidade tenha 200 crentes adultos; esta possibilidade motivou protestos de Ortodoxos Russos, Católicos Romanos, várias Igrejas Protestantes, Testemunhas de Jeová e Bahá’ís. Para os dirigentes das comunidade religiosas minoritárias esta nova lei é apenas uma legalização da repressão e perseguição contra as minorias religiosas. Um Bahá’í afirmou: "O nosso país tem tantos problemas urgentes: pobreza, falta de medicamentos, SIDA, crime, corrupção. Porque é que as autoridades não se dedicam a eles em vez de dificultar a vida aos crentes religiosos?"
Os Bahá’ís queixam-se de não terem sido ouvido durante o processo de elaboração da lei que os afectará e questionam a necessidade de reconhecimento obrigatório. "Religiões mundiais - como a Fé Bahá’í – não podem ser banidas; somos uma religião legalizada e estamos registados no Ministério da Justiça e na agência Estadual. Vejam os nossos princípios; não nos envolvemos em política. Não estamos a fazer nada de mal; pelo contrário só estamos a fazer bem".
A Comunidade Bahá’í de Bishkek (capital do país) tem mais de 200 crentes adultos; mas existem mais de 30 comunidades no país que não atingem esse número. E desconfiam das verdadeiras intenções do Governo: "Se apresentarmos uma lista de 200 adultos, com nomes completos, moradas, números de telefone, isto poderá trazer problemas."
Os Bahá’ís têm ainda presente o episódio que ocorreu há dois anos atrás. Nessa altura, após a eleição da sua Assembleia Espiritual Nacional (AEN), a Agência Estadual convocou os membros eleitos e tentou pressioná-los; quiseram saber porque tinham escolhido aquela religião, de onde obtinham os seus fundos, e porque é que os estrangeiros faziam parte da AEN. Insistiram que os estrangeiros se deviam registar como missionários, apesar de residirem e trabalharem no país há vários anos. Outro episódio igualmente desagradável que os Bahá’ís também recordam foi a Lei de 1997 que exigiu que todas as comunidades religiosas se registassem novamente: um processo lento e burocrático que custou muito dinheiro.
Será esta mais um caso a merecer a atenção dos Eslovenos que presidem à União Europeia?
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FONTE: KYRGYZSTAN: Repressive Decree withdrawn, but work on new Religion Law speeded up (Forum 18)
segunda-feira, 3 de março de 2008
Neuroteologia
Fará sentido falar de "neuroteologia", um ramo da ciência que se propõe estudar a ligação entre a experiência religiosa e a actividade cerebral? Se existe uma região do cérebro a que alguns cientistas denominam como "ponto de Deus", então será que estamos "programados" para acreditar no transcendente? Será a experiência religiosa um artefacto do cérebro? Teremos no nosso corpo um "gene de Deus", tal como existe um “gene da homossexualidade” ou “gene da infidelidade”?
Este tipo de questões entram numa área onde os domínios da fé e da ciência se sobrepõem. Podem despertar polémicas e debates intermináveis. E são suficientemente interessantes para serem tema de um artigo de fundo do número de Janeiro/Fevereiro da revista Le Monde des Religions.

O artigo refere com detalhe as investigações do neurologista Andrew Newberg que observou a actividade cerebral (com uma técnica de captação de imagens do cérebro) de monges budistas em meditação, e de monges franciscanos em oração. O tipo de actividade cerebral dos monges budistas no momento em que sentiram uma “fusão com o universo”, era muito semelhante ao de monges franciscanos no momento em que afirmaram sentir uma “proximidade intensa” com Deus. Será que isto significa que Deus existe? Ou poderemos concluir que tudo se passa apenas no cérebro?
O autor da experiência apenas é possível ver o que se passa no cérebro; nada nos permite afirmar que Deus existe ou não. Da mesma forma que quando alguém pensa numa tarte de maçãs, podemos dizer que isso tem um efeito no cérebro dessa pessoa; mas não podemos dizer se a tarte de maçãs existe ou não.
O artigo refere ainda as opiniões do neurocientista Mario Beauregard – que investiga a relação entre a neurologia e as experiências místicas – de Richard Davidson – que tem estudado os benefícios da meditação na capacidade de concentração e na velocidade de envelhecimento do cérebro - e de Michael Persinger - um neurobiologista, inventor de um capacete capaz de estimular actividade numa região do cérebro, criando uma sensação de "presença transcendente" ou de "felicidade cósmica".
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Sobre este assunto:
The God Experiments (Discover)
Spiritual Neurology (Economist)
God on the Brain (BBC)
Este tipo de questões entram numa área onde os domínios da fé e da ciência se sobrepõem. Podem despertar polémicas e debates intermináveis. E são suficientemente interessantes para serem tema de um artigo de fundo do número de Janeiro/Fevereiro da revista Le Monde des Religions.

Comparação entre o cérebro num estado normal (à esquerda) e num estado de meditação.
Nota-se uma diminuição de actividade no lobo parietal (em baixo, à direita),
uma região associada à capacidade de se situar no espaço e de distinguir o "ser" do "não-ser".
Nota-se uma diminuição de actividade no lobo parietal (em baixo, à direita),
uma região associada à capacidade de se situar no espaço e de distinguir o "ser" do "não-ser".
O artigo refere com detalhe as investigações do neurologista Andrew Newberg que observou a actividade cerebral (com uma técnica de captação de imagens do cérebro) de monges budistas em meditação, e de monges franciscanos em oração. O tipo de actividade cerebral dos monges budistas no momento em que sentiram uma “fusão com o universo”, era muito semelhante ao de monges franciscanos no momento em que afirmaram sentir uma “proximidade intensa” com Deus. Será que isto significa que Deus existe? Ou poderemos concluir que tudo se passa apenas no cérebro?
O autor da experiência apenas é possível ver o que se passa no cérebro; nada nos permite afirmar que Deus existe ou não. Da mesma forma que quando alguém pensa numa tarte de maçãs, podemos dizer que isso tem um efeito no cérebro dessa pessoa; mas não podemos dizer se a tarte de maçãs existe ou não.
O artigo refere ainda as opiniões do neurocientista Mario Beauregard – que investiga a relação entre a neurologia e as experiências místicas – de Richard Davidson – que tem estudado os benefícios da meditação na capacidade de concentração e na velocidade de envelhecimento do cérebro - e de Michael Persinger - um neurobiologista, inventor de um capacete capaz de estimular actividade numa região do cérebro, criando uma sensação de "presença transcendente" ou de "felicidade cósmica".
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Sobre este assunto:
The God Experiments (Discover)
Spiritual Neurology (Economist)
God on the Brain (BBC)
domingo, 2 de março de 2008
Atacados com um cocktail molotov!
Na passada noite de 25 de Fevereiro, a família Dana (4 pessoas, todos bahá'ís), residente em Shiraz (sul do Irão), preparava-se para jantar, quando o som de vidros que se partiam seguido de uma explosão abalou a casa.
Rapidamente a entrada da casa ficou envolta em chamas. Foram lançados vários baldes com água para apagar o fogo; mesmo assim, várias janelas ficaram com os vidros desfeitos devido à intensidade do calor.
Posteriormente foi chamada a polícia e tendo sido feita uma participação da ocorrência. Vestígios de um cocktail molotov eram evidentes e foram recolhidos pelas autoridades.
Ficam aqui as fotos tiradas pouco depois do incidente.



Atendendo ao crescendo de propaganda anti-baha'i nos media iranianos e a vários actos intimidatórios que se registaram nos últimos meses, bem nos poderemos questionar se este será o primeiro de vários incidentes.
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FONTE: Muslim Network for Baha'i Rights
Rapidamente a entrada da casa ficou envolta em chamas. Foram lançados vários baldes com água para apagar o fogo; mesmo assim, várias janelas ficaram com os vidros desfeitos devido à intensidade do calor.
Posteriormente foi chamada a polícia e tendo sido feita uma participação da ocorrência. Vestígios de um cocktail molotov eram evidentes e foram recolhidos pelas autoridades.
Ficam aqui as fotos tiradas pouco depois do incidente.



Atendendo ao crescendo de propaganda anti-baha'i nos media iranianos e a vários actos intimidatórios que se registaram nos últimos meses, bem nos poderemos questionar se este será o primeiro de vários incidentes.
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FONTE: Muslim Network for Baha'i Rights
sábado, 1 de março de 2008
O que é o Ayyam-i-Há?
Dois bahá'ís explicam o que significam os Dias Intercalares do calendário Bahá'í.
What is Ayyam-i-Há?
Two bahá'í friends present their explanation on the Intercalary Days of the Bahá'í Calendar.
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