quarta-feira, 30 de abril de 2008

Eleição da Casa Universal de Justiça



Nos últimos dias tem estado reunida a Décima Convenção Internacional Bahá’í.
O evento tem lugar em Haifa, e tem por objectivo eleger a Casa Universal de Justiça, o órgão supremo da Administração Baha’i.

Ontem decorreu a votação por parte de delegados de 170 países e territórios. Hoje foi anunciado o resultado da votação. Os membros eleitos para a Casa Universal de Justiça são:

* Farzam Arbab
* Kiser Barnes
* Peter Khan
* Hooper Dunbar
* Firaydoun Javaheri
* Paul Lample
* Payman Mohajer
* Shahriar Razavi (novo)
* Gustavo Correa (novo)
A foto acima foi tirada no momento em que os membros eleitos foram apresentados à Convenção.

Notícias sobre esta Convenção Internacional aqui.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Um Centurião e um Coronel

O texto é a minha colaboração no livro Evangelhos Comentados 2007; trata-se de pequeno comentário a uma excerto do evangelho de S.Lucas (7: 1-10).

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Tendo Jesus concluído todos os seus discursos ao povo que o escutava, entrou em Cafarnaum. Havia lá um centurião que tinha um servo a quem muito estimava e que estava à morte. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, rogando-lhe que o viesse curar. Aproximando-se eles de Jesus, rogavam-lhe encarecidamente: Ele bem merece que lhe faças este favor, pois é amigo da nossa nação e foi ele mesmo quem nos edificou uma sinagoga. Jesus então foi com eles. E já não estava longe da casa, quando o centurião lhe mandou dizer por amigos seus: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa; por isso nem me achei digno de chegar-me a ti, mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado. Pois também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens; e digo a um: Vai ali! E ele vai; e a outro: Vem cá! E ele vem; e ao meu servo: Faze isto! E ele o faz. Ouvindo estas palavras, Jesus ficou admirado. E, voltando-se para o povo que o ia seguindo, disse: Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé. Voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.

* * * * * * * * *

Centurião RomanoNas Escrituras Sagradas de todas as religiões, existem vários episódios e documentos em que o Manifestante de Deus é descrito como um mediador pluralista e não exclusivista. Nos Evangelhos e nas Escrituras Bahá’ís sucedem-se descrições de episódios com “pessoas de outros Credos”, em que estas manifestam a sua fé e dão provas do seu amor ao Mensageiro de Deus. As acções e palavras dos fundadores das grandes religiões mundiais revelam respeito e admiração pelos crentes sinceros entre as “pessoas de outras Fés”.

Este conceito está patente no Novo Testamento: Deus é Pai de todos os povos e ama todos os seus filhos; Ele é “a luz verdadeira que ilumina todos os homens” (Jn 1:9), e deseja que “todos os homens sejam salvos” (I Tim 2:4) que “aceita” todos os que “agem rectamente”(Ac 10:35). É neste contexto de um Deus que se dirige a toda a humanidade que o episódio do centurião romano (Lc 7:1-10) é particularmente tocante.

Um episódio semelhante em que um Manifestante de Deus é confrontado com um militar cuja fé é sincera, encontra-se também na história da religião bahá’í. O caso deu-se em Tabriz, na Pérsia, no ano de 1850. O Báb encontrava-se detido e a Sua sentença de morte havia já sido decretada pelo clero muçulmano. Para tentar provar a falsidade da Sua pretensão em ser o Prometido do Islão – que segundo as tradições islâmicas seria assassinado pelos próprios muçulmanos – os sacerdotes ordenaram que a execução fosse realizada com um fuzilamento por um regimento arménio (cristão).

O comandante do regimento, o coronel Sam Khan, ficou muito perturbado com a tarefa. Tinha ouvido muitas coisas sobre o Báb e temia que a execução despertasse a ira de Deus. Assim que lhe entregaram o Báb, disse-lhe: “Eu professo a Fé Cristã, e não vos desejo qualquer mal. Se a Vossa Causa for a Causa da Verdade, livrai-me da obrigação de derramar o vosso sangue.

O Báb tranquilizou-o: “Segui as vossas instruções, e se a vossa intenção for sincera, o Omnipotente poderá certamente aliviar-vos da Vossa dificuldade.

Pouco tranquilo, Sam Khán prosseguiu a sua tarefa; a execução iria decorrer na praça principal da cidade, que já estava apinhada de gente. Ordenou aos seus homens que colocassem um prego no muro e neste amarrassem duas cordas; nestas cordas o Báb e Anis - um dos Seus discípulos - foram suspensos. Depois, o regimento colocou-se em três fileiras, cada uma com duzentos e cinquenta homem; à ordem de fogo, as fileiras dispararam uma após outra. O barulho e o fumo dos disparos encheram a praça.

Quando o fumo dissipou, a multidão ficou perplexa com o que via. Anís estava em pé diante deles, ileso e sorrindo, e o Báb desaparecera. As balas apenas tinham cortado as cordas em que eles tinham sido suspensos.

Começou então uma frenética busca do Báb. Por fim, encontraram-No sentado na Sua cela, concluindo a conversa, que fora interrompida, com o Seu secretário. “Terminei a Minha conversa. Agora podeis proceder ao cumprimento da Vossa intenção”, foram as Suas palavras quando O encontraram.

Profundamente perturbado com o ocorrido, Sám Khán recusou-se a permitir que os seus homens disparassem de novo e ordenou-lhes que abandonassem a praça. Foi então necessário chamar outro regimento para realizar o fuzilamento; para isso foi necessário recorrer a um regimento muçulmano. Uma vez mais o Báb, e Anís foram suspensos no pátio. Quando o regimento se preparava para disparar, o Báb dirigiu estas últimas palavras à multidão que O fitava:

Se tivésseis acreditado em Mim, ó geração perversa, cada um de vós teria seguido o exemplo deste jovem que, em grau, é superior à maioria de vós, e de bom grado se teria se sacrificado em Meu caminho. Dia virá em que Me tereis reconhecido; nesse dia, Eu terei deixado de estar convosco.”

Desta vez as balas acertaram no alvo. Os corpos do Báb e de Anís ficaram cravados de balas e horrivelmente mutilados; mas as suas faces permaneceram quase intactas.

Apesar das circunstâncias dos episódios do Centurião Romano e do Coronel Arménio serem diferentes, é possível notar paralelismos na sinceridade da sua fé e na humildade de ambos perante os Manifestantes de Deus. Também o facto de professarem crenças diferentes da maioria da sociedade onde viviam, é outro aspecto comum entre eles. Em ambos os episódios podemos perceber que a Mensagem de Deus não se destina a um povo específico, mas tem um carácter universal. E se nas palavras de Jesus podem sugerir que o mundo Romano estaria mais receptivo à Sua mensagem do que o mundo judaico, o que poderá sugerir o episódio com o Coronel Arménio?

domingo, 27 de abril de 2008

A crise alimentar

Chamo a vossa atenção para o tema de fundo da edição de hoje do Público. Destaco dois excertos:

(...)

Desta vez, não se trata de calamidades naturais ou guerras civis, mas de uma fome causada pela vertiginosa subida dos preços. Quem se revoltou não foram os 845 milhões que hoje sofrem de "malnutrição crónica", mas aqueles que não se resignam a nela cair e se batem pelo futuro dos filhos.

Os governos temem a generalização dos tumultos, pois mesmo que as ajudas sejam rápidas, as causas permanecem. E receiam, acima de tudo, o contágio das classes médias, também afectadas mesmo se de uma forma menos dramática. É que, nesse caso, se passaria do motim, à revolta social e política.

Os motins forçam os governos a tomar medidas: em muitos países o pão ou o arroz foram subsidiados; perante o alarme, os governos de países produtores suspenderam as exportações; em muitos, a tropa foi posta na rua, e guardar padarias ou armazéns de arroz; a comunidade internacional começou a organizar uma ajuda de emergência, enquanto se espera uma retoma da exportação de cereais pelos países que têm reservas.

(...)

Países como as Filipinas, a Indonésia, o Egipto ou a Nigéria sabem que a sua segurança alimentar está ameaçada. Outros, como o Vietname, a Tailândia ou a Índia, os maiores exportadores de arroz, tratam de preservar as suas reservas de forma racional: têm de garantir o abastecimento e oscilam entre auxiliar os vizinhos, para segurança própria, ou maximizar o lucro. A redução das exportações funcionou como factor de perturbação, criando pânico e provocando uma situação crítica nos países importadores, dos africanos às Filipinas ou à Bolívia.

(...)

Jorge Almeida Fernandes

* * * * * * * * *

Mas, ao contrário dos óculos de sol e dos parafusos dos automóveis, o pão e o leite têm um valor primordial que os separa da categoria dos bens sujeitos às regras exclusivas do mercado – até a Wall Mart, um ícone do capitalismo global, restringiu a venda de arroz. Resolver a crise alimentar actual e garantir que no futuro haja menos pessoas a lutar pela sobrevivência é mais que um problema económico ou político. É, fundamentalmente, um imperativo moral.

Editorial assinado por Manuel Carvalho

Teologia e modéstia

Frei Bento Domingues escreve hoje no Público:
(...)

No campo da teologia, a modéstia é a regra. De Deus tanto mais saberemos quanto mais nos apercebermos que excede tudo o que dele pensamos saber. Daí a importância da chamada "teologia negativa". Ela não permite repouso em nenhuma afirmação.

(...)

Pluralismo e ignorância

Frei Bento Domingues escreve hoje no Público:
(...)

Neste momento vive-se uma situação paradoxal: por um lado exalta-se o pluralismo religioso e, por outro, afirma-se, com insistência, que as religiões são todas as mesma coisa, são todas equivalentes. Deus, se existe, é só um e não vale a pena andar a esforçar-se por mostrar concepções diferentes acerca do que se sabe muito pouco. Quando se afirma o pluralismo religioso, talvez se procure defender as minorias para não serem esmagadas pela maioria e enterrar de vez a intolerância e as guerras de religião. Quem diz que, afinal, as religiões são todas a mesma coisa não sabe muito de nenhuma.

A ignorância pode ser ou não atrevida. O ignorante pode desejar conhecer, escolhendo métodos adequados para a descoberta. Mas pode, também, ficar por leituras avulsas que alimentam alguma curiosidade para conversas de circunstância, aumentando o número de pretensiosos pseudo-eruditos.

(...)

A propaganda e o teólogo

Frei Bento Domingues escreve hoje no Público:
(...)

Os meios de comunicação foram abundantes na cobertura do acontecimento [a visita do Papa aos EUA] e, no geral, realçaram o êxito das intervenções do bispo de Roma. Terá, no entanto, resultados indesejáveis se as comunidades católicas continuarem a reduzir o seu horizonte ao que faz, diz e deixa fazer e de dizer Bento XVI.

O culto da personalidade vive dessa preguiça. Ainda há bem poucos anos, era inimaginável um Papa melhor que João Paulo II. Qualquer discordância era vista como uma infidelidade à Igreja. Neste momento não se perde nenhuma oportunidade para exaltar o Papa teólogo e receber, como palavra divina, tudo quanto sai da sua boca ou da sua pena. Já não é suficiente que seja um bom teólogo, com uma boa carreira académica, entre muitos outros teólogos e académicos de várias correntes. A propaganda tenta fazer dele o teólogo, o único, no meio do deserto.

(...)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Bahá'í World Congress, New York, 1992

Em Novembro de 1992, trinta e cinco mil baha'is de todo o mundo reuniram-se em Nova Iorque, num congresso que assinalava o centenário do falecimento de Bahá'ulláh, o fundador da religião Bahá'í. Se as reuniões baha'is primam pela diversidade cultural e étnica dos participantes, esta foi uma demonstração da diversidade mundial da Comunidade Bahá'í.

Todo o congresso teve a solenidade e o encanto necessários para assinalar uma ocasião destas. Além das diversas intervenções, as manifestações culturais e artísticas dos diversos intervenientes ficaram na memória dos participantes.

O que se segue é um vídeo, produzido pela própria organização do Congresso onde se exibem os momentos mais marcantes desses dias em que decorreu o congresso.







Este vídeo foi convertido a partir de uma velha cassete VHS. Pode também ser visto aqui.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Uma mensagem de Pervez Musharraf

Acontece, com cada vez mais regularidade, que Presidentes, Monarcas e Chefes de Governo felicitem a Comunidade Baha’i por ocasião dos seus dias festivos. Acontece no Naw-Ruz (o Ano novo) e também acontece no Ridvan (que celebramos durantes estes dias). Estas mensagens são considerados gestos de cortesia e reflectem um reconhecimento da importância que a Comunidade Baha’i atingiu nesse país.

Mas quando uma mensagem dessas vem de um chefe de Estado de um país maioritariamente muçulmano, então o facto é surpreendente. Segundo o jornal paquistanês The News, o Presidente Pervez Musharraf, enviou à comunidade Bahá'í do Paquistão uma mensagem de felicitações por ocasião do Festival de Ridvan que agora se comemora.

Na mensagem lia-se: "As minorias são um elemento sagrado para Paquistão. O fundador da nação afirmou este princípio na criação do Paquistão, dizendo que deve ser assegurada uma política de igualdade, liberdade e segurança para todas as comunidades".

O presidente Musharraf também afirmou que todas as religiões ensinam valores elevados, como a igualdade, a justiça social e os direitos humanos, tal como o Islão defende um tratamento justo e igualdade para todos. "O Ridvan é também uma oportunidade para nos lembrarmos e reafirmarmos o nosso empenho no trabalho duro em benefício da humanidade. Desejo um Ridvan muito feliz à comunidade Baha'i, em especial aos que vivem no Paquistão.”

A mensagem reflecte uma boa dose de coragem por parte do Presidente Musharraf. Recorde-se que a situação política do Paquistão é bastante instável e este acto poderá ser usado contra ele. Imagino que não faltarão vozes extremistas a denunciá-los como “amigo dos Bahá'ís”.

domingo, 20 de abril de 2008

Um Memorial no Largo de S. Domingos

Na próxima terça-feira, 22 de Abril, às 11H00, o Presidente da Câmara Municipal, o Presidente da Comunidade Israelita e o Patriarcado de Lisboa irão inaugurar, no Largo de S. Domingos em Lisboa, um Memorial composto por três peças que evocam:
  • O massacre dos Judeus ocorrido em 1506;
  • O gesto de purificação da memória e de reconciliação celebrado naquele local por D. José Policarpo, no ano 2000;
  • A dedicação do largo, pela Câmara Municipal, aos valores da tolerância.
Este é o culminar de uma iniciativa lançada em 2006 pela Comunidade Israelita de Lisboa, quando foi proposta a realização de um Memorial evocativo dos 500 anos do Massacre dos Judeus. Esta proposta recebeu o apoio imediato da Igreja Católica, contribuindo por seu lado, com uma escultura evocativa do gesto e das palavras de reconciliação do Patriarca de Lisboa no ano 2000: “Como comunidade majoritária nesta cidade, há perto de mil anos, a Igreja Católica reconhece profundamente manchada a sua memória por esses gestos e palavras, tantas vezes praticados em seu nome, indignos da pessoa humana e do Evangelho que ela anuncia”.

Só em 2008 a Câmara de Lisboa aprovou esta iniciativa conjunta, associando-se à mesma, através da colocação de uma placa alusiva ao acontecimento e de um mural que propõe Lisboa como cidade de tolerância.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Jose Luis Marques

Em 2 de Agosto de 1990, o Jornal das 9 (da RTP2) emitiu o que considero ter sido uma das melhores reportagens que a alguma vez vi sobre a Fé Bahá'í. Na altura realizava-se em Oeiras a Escola de Verão. O convidado especial era Jose Luis Marques, um ex-sacerdote Católico que aceitara a Fé Bahá'í; era ele o autor do livro "Cartas a um bom Católico".

Aqui fica essa reportagem (da autoria da jornalista Maria Júlia Fernandes), recuperada de uma cassete VHS bem antiga.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Wangari Maathai

Wangari Maathai, nasceu num meio rural no Quénia, ainda durante os tempos coloniais britânicos. Teria o mesmo destino de outras meninas quenianas (ter filhos e trabalhar a terra) se não fosse o apoio da mãe e de um irmão para que estudasse numa missão católica. Anos mais tarde aproveitou, a oportunidade de concluir os seus Estados Unidos; era um tempo em que a Fundação Kennedy convidava centenas de estudantes africanos a prosseguir os seus estudos em universidades americanas.

É na América que assiste à independência do Quénia e ao assassinato do presidente Kennedy. Após regressar ao seu país começam as primeiras desilusões: as tensões étnicas estão longe de permitir criar uma sociedade justa; os preconceitos sexistas são muitas vezes um enorme obstáculo.

Wangari trabalha durante muitos anos na universidade e dedica o seu tempo a investigar e a sensibilizar as populações para os problemas ambientais. Anos após a independência era claro para ela que a corrupção e as políticas de desenvolvimento profundamente erradas levaram a pobreza e a destruição do ambiente no seu país.

A sua determinação e coragem valeram-lhe a hostilidade do governo autocrático queniano; foi alvo de diversas campanhas para denegrir a sua imagem pública; as agressões físicas sucederam-se e esteve presa várias vezes. Mas essa sua determinação também despertou a atenção de diversas organizações internacionais que começaram a apoiar as suas iniciativas.

Em 2004, recebeu o prémio Nobel da Paz.

A sua auto-biografia foi publicada em Portugal no final do ano passado. Tem por título «Indomável: uma luta pela liberdade». A ler.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

Um Mestrado que não lembra ao diabo!

Custa a acreditar, mas é mesmo verdade. A Universidade do Algarve tem mesmo um Mestrado em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe.


Para quem não acredita, veja a página 9 deste documento.

Claro que eu fico a aguardar as próximas iniciativas académicas. Quem sabe... uma Pós-Graduação em Técnicas de Matraquilhos... ou um Doutoramento em Bronzeados e Biquínis...

Com cursos destes quem é que quer saber do Modelo Finlandês?

Carme Chacon

É das imagens mais belas que, nos últimos dias, nos chegaram de Espanha

Carme Chacon, recém-empossada Ministra da Defesa de Espanha passa revista às tropas. Está grávida de sete meses.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Novas ameças de morte a Shirin Ebadi

(Foto da revista Time)

Shirin Ebadi, prémio Nobel da Paz (2003) e destacada activista iraniana dos Direitos Humanos afirmou hoje ter recebido ameaças de morte. A advogada - que durante a última década defendeu vários casos de atropelo direitos humanos no Irão - já recebeu anteriormente várias ameaças de morte. Nos últimos tempos, as ameaças intensificaram-se e alargaram-se à sua família.

As diversas mensagens têm sido deixadas no edifício do seu escritório; advertem-na a "ter cuidado com a língua" e acusam-na de ter um "comportamento não-islâmico que coincide com as atitudes bahá’ís". Uma outra mensagem era mais ameaçadora: "Shirin Ebadi, a tua morte está próximo".

Outras das ameaças recebidas são assinadas por um grupo que se intitula "Associação dos anti-Bahais". Deixaram um aviso: "Shirin Ebadi, dissemo-te para desistires da fé não-Islâmica e de inspiração Baha’i. Mas tu continuas a servir os estrangeiros e os Baha’is, e até a tua filha está envolvida. Se a matarmos, tu perceberás".

Recorde-se que os Baha’is são considerados apóstatas pela Republica Islâmica do Irão, que não lhes concede qualquer direito legal, ao contrário do que acontece com outras minorias.

Sobre todas estas ameaças, a Srª Ebadi afirmou: “Apenas defendo as vitimas de [violações] de direitos humanos, sem lhes cobrar qualquer dinheiro. Quem deseja a minha morte não tem animosidade pessoal. São aquelas pessoas que estão contra as minhas ideias; por isso, encontrar a pessoa que me enviou as cartas com ameaças não é uma tarefa difícil”

A Srª Ebadi, - cujo trabalho na promoção de direitos das mulheres e crianças tem irritado o clero xiita - tem repetidamente expressado a sua preocupação pela situação dos Bahá'ís iranianos, particularmente nas situações recentes em que lhes foi negado o acesso ao ensino superior.

A vencedora do Prémio Nobel afirmou à Reuters que a condição dos Direitos Humanos regrediu no Irão, registando-se agora um crescente número de prisioneiros políticos e o mais elevado valor de execuções de pena capital per capita, a nível mundial.

Numa entrevista alguns dias após as eleições parlamentares de 14 de Março, Ebadi afirmou que o Irão usava as eleições como um disfarce para a falta de verdadeira democracia no seu sistema estritamente controlado.

-----------------------------------------------Sobre este assunto:
Iran's Ebadi says she has received death threats (AFP)
Top Iranian dissident threatened (BBC)
Iran's Ebadi says threats against her increasing (Reuters)
Iran: Shirin Ebadi menacée de mort (le JDD.fr)

Relações Estado - Confissões Religiosas

Um excerto da coluna de opinião do prof. Anselmo Borges, no passado sábado no Diário de notícias:

(...)

Pessoalmente, penso que não seria necessária uma Concordata. Para maior liberdade e autenticidade evangélica da Igreja, seria mesmo de evitá--la, bastando uma lei geral de liberdade religiosa, que não ignoraria a proporcionalidade numérica e a influência histórica do catolicismo. Evitar-se-ia desse modo a impressão frequente de se estar em presença de um "Estado" espiritual frente ao Estado temporal.

(...)

Tanto o Estado como a Igreja têm de assumir que o Estado é laico. A sociedade, essa, não é laica, mas pluralista: a maioria da população é religiosa, com filiação católica, mas há outras confissões religiosas e também ateus, agnósticos e indiferentes.

Enquanto forças vivas da sociedade, tem de reconhecer-se à Igreja e às diferentes confissões religiosas liberdade para anunciarem a sua mensagem, que implica também denúncias de injustiças e pronunciamentos nos domínios da sociedade e dos seus valores e antivalores. Mas, dentro do pluralismo de valores, a Igreja, no cumprimento da sua missão, tem de contar com a sua força moral e espiritual de convicção e não com a força do braço secular.

(...)

domingo, 13 de abril de 2008

Esperemos que não se aproveitem...

Ontem à noite as agências noticiosas davam conta de uma explosão ocorrida numa mesquita em Shiraz no Irão. Entre as vítimas havia 10 mortos e mais de uma centena de feridos. Hoje os media e vários blogs fazem eco da notícia e revelam alguns detalhes. Na mesquita em causa, decorriam semanalmente reuniões onde os clérigos repetidamente amaldiçoavam os Wahabis e os Bahá'ís. Foi durante um desses discursos que a explosão ocorreu.

Entretanto, fontes oficiais iranianas referem que no local também se realizava uma exposição sobre a guerra Irão Iraque. Dessa exposição faziam parte algumas munições, e algumas delas teriam sido a causa da explosão.

Mesmo que tenha sido esta a causa, não seria de admirar que alguns radicais atribuíssem ao baha’is a culpa por esta explosão. Era mais um pretexto para aumentar a hostilidade contra os bahá'ís. Geralmente, os radicais islâmicos do Irão costumam aproveitar-se destas situações...

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ACTUALIZAÇÃO nº 1: Para o exterior as autoridades passam a mensagem de que se tratou de um acidente; mas internamente vai-se transmitindo a ideia de que os Bahá'ís e os Wahabis são os responsáveis pelo sucedido. E é suposto Bahá'ís e Wahabis estarem a trabalhar lado a lado com estes objectivos. Está-se mesmo a ver!...
Para quem sabe persa, veja aqui, aqui e aqui. Note-se já temos aqui apelos à morte dos Bahá'ís.

ACTUALIZAÇÃO nº 2: Circulam e-mails a acusar os baha'is: Bahai bombers in Shiraz?

sábado, 12 de abril de 2008

Uma fatwa anti-Bahá'í

Alguma vez leram uma fatwa anti-bahá’í?

Eu nunca tinha lido nenhuma. Até que me deparei com isto: Refuting the Kaffir Bahai Movement (Fatwa) Felizmente alguém se deu ao trabalho de traduzir isto para inglês.

Algumas das acusações são típicas da propaganda do Islão radical; outras são verdadeiras pérolas de ignorância e preconceito. Ainda me dei ao trabalho de refutar parte das acusações sobre as crenças bahá’ís. Vamos lá a ver se alguém volta a apagar o meu comentário...

Quando li este documento, primeiro pensei na tacanhez mental do indivíduo que escreveu isto. Em que raio de mundo vive ele? Em que tipo de Deus acredita ele ao ponto de pensar que só uma religião detém o exclusivo da verdade, ou que uma qualquer outra religião é uma ameaça à integridade espiritual dos seus companheiros de crença? Depois fiquei preocupado; numa sociedade fechada, com uma parte significativa da população que seja pouco instruída, pouco habituada à diversidade religiosa, onde a palavra de um clérigo pode ter força de lei, quantas pessoas acreditarão neste tipo de coisas?

Felizmente nem todos os muçulmanos pensam assim. Houve mesmo quem compreendesse que as afirmações ridículas desta fatwa são mais gravosas para o Islão do que para a religião Bahá’í. E lá está um comentário a mostrar isso mesmo.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Sam Harris e o Fim da Fé (8)

FIM DA FÉ OU FIM DO DOGMATISMO?

No mesmo livro em que acusa as religiões abraâmicas de serem fontes de muitos males que afligem a humanidade, Sam Harris apresenta opiniões surpreendentes sobre a espiritualidade humana:
A história da espiritualidade humana e a história das nossas tentativas para explorar e modificar dados da consciência através de métodos como o jejum, o canto, a privação sensorial, a oração, a meditação e o consumo de plantas psicotrópicas. Não há dúvida que experiências deste tipo podem ser conduzidas de modo racional. Na verdade estes são alguns dos únicos meios de que dispomos para determinar até que ponto a condição humana pode ser deliberadamente transformada. (p.233)

No coração da religião, esconde-se uma semente de verdade, porque a experiência espiritual, o comportamento ético e as comunidades fortes são essenciais à felicidade humana. No entanto, as nossas tradições religiosas são intelectualmente caducas e politicamente ruinosas. Embora a experiência espiritual seja claramente uma propensão da mente humana, não precisamos de acreditar em nada de insuficientemente comprovado para a concretizar. É óbvio que tem de ser possível juntar a razão , a espiritualidade e a ética no nosso pensamento sobre o mundo. Isto seria o princípio de uma abordagem racional das nossas preocupações pessoais mais profundas. E seria o fim da fé. (p.245)
Imagino que o facto de Sam Harris considerar a espiritualidade como aspecto inerente à condição humana seja surpreendentemente para muitos ateus. Pode ser que algum queira comentar sobre esse assunto.

Como bahá'í também acredito que em cada religião existe uma semente de verdade. Já referi isso em posts anteriores. E também acredito que as “tradições religiosas” (entendo isto como sinónimo de instituições religiosas) têm tido um papel significativo na cristalização e anulação do poder regenerador da religião.

Talvez a ideia mais forte destas palavras do autor d’O Fim da Fé seja a necessidade de harmonia entre espiritualidade e razão. O equilíbrio entre estas duas facetas humanas é também um princípio bahá’í. Mas não penso que esta abordagem racional à espiritualidade humana não seria o fim da fé. Parece-me mais correcto dizer que seria o fim do dogmatismo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Karl Barth e D. T. Niles

Em 1935, o prestigiado teólogo protestante, Karl Barth, encontrou-se pela primeira vez com D. T. Niles, um missionário e teólogo metodista do Sri Lanka, que viria a tornar-se um dos grandes impulsionadores do diálogo inter-religioso naquele país. Parte da conversa ficou para a posteridade:

- Todas as outras religiões são falsas, declarou Barth

Niles perguntou-lhe quantos hindus tinha conhecido.

-Nenhum, foi a resposta.

Neles perguntou-lhe então como é que ele sabia que a religião hindu era falsa.

- À priori, afirmou Barth

Niles limitou-se a abanar a cabeça e a sorrir.

* * * * * * * * *

Apesar de 1935 se viverem tempos de intolerância e todo o ambiente político e social ser mais apelativo ao confronto do que ao diálogo, este pequeno episódio é bem revelador daquilo em que consiste o exclusivismo religioso: a ignorância. Que adianta uma teologia ser apelativa, maravilhosa e até consistente, se se fecha ao mundo e ignora a sua realidade e diversidade?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A to Z of Belief: The Baha'i Faith (BBC, 1990)

No início dos anos 1990, a BBC da Irlanda do Norte emitiu uma série de programas intitulados "A to Z of Belief". A ideia era permitir que várias pessoas pudessem colocar todas as suas questões a um(a) defensor(a) de uma qualquer ideologia ou crença. Nesse programa era frequente ver perguntas feitas em tom de provocação; com isso a agressividade despontava em todo o tipo de respostas e afirmações.

Num desses programas, foi convidado um bahá'í. Não é um programa tranquilo, mas segundo contam amigos da Irlanda do Norte, aquele foi dos programas menos agressivos a que tinham assistido.





sábado, 5 de abril de 2008

Egipto: uma evolução positiva

Na semana que agora termina, um artigo no jornal Al-Masry Al-Youm anunciou que o Ministro do Interior não iria recorrer da decisão do Tribunal Administrativo - de 29 de Janeiro - que reconheceu aos baha'is egípcios o direito de possuir bilhetes de identidade e certidões de nascimento. Na verdade, o prazo para recorrer da sentença (dois meses) já tinha expirado; e esta foi uma forma aceitável para o Governo se livrar de uma caso complexo que tinha em mãos.

De acordo com esta decisão, o Ministério do Interior emitirá bilhetes de identidade onde a identificação de filiação religiosa ficará preenchida com dois traços (“--“). E apressaram-se a esclarecer: "Isto não implica um reconhecimento da religião Bahá’í". Não houve qualquer esclarecimento sobre a possibilidade de emissão de bilhetes de identidade para cidadãos que desejem que a religião não seja mencionada nos seus documentos.

Entretanto, o Ministério da Educação emitiu um comunicado onde afirma que os alunos que desejem completar o ensino secundário terão de escolher entre fazer um exame sobre Islão ou Cristianismo; só existem estas duas possibilidades! Fica por aberto qual a religião que os alunos podem preencher nos impressos de inscrição para estes exames.

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FONTES:
Egypt's Ministry of Interior Will Not Appeal Ruling on Baha'is (Baha’i Faith in Egypt)
Egypt's Interior Ministry Decides on "Dashes" for Baha'i IDs (Baha’i Faith in Egypt)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Vietname: 33 anos depois...

Se há fotos marcantes na história da comunidade bahá’í, esta é uma delas. Foi tirada recentemente na Cidade de Ho Chi Min, no Vietname, e mostra o encontro entre uma representante da Casa Universal de Justiça e um alto representante do Governo Vietnamita.



O que se passou, então?

Depois de no ano passado o Governo Vietnamita ter permitido as actividades da Comunidade Baha’i, este ano foi eleita a Assembleia Nacional Espiritual dos Bahá’ís do Vietname. É a primeira vez que os baha’is vietnamitas elegem uma órgão desde a unificação, em 1975. O facto do Governo Vietnamita ter autorizado este evento, e dos media estatais terem dado atenção ao evento, revela o nível de reconhecimento que os Bahá’ís alcançaram naquele país.

A Assembleia Nacional foi eleita numa Convenção Nacional, onde estiveram presentes baha’is de todo o país. Também estiveram presentes representantes de comunidades baha’is do Camboja, Indonésia, Laos, Singapura e Tailândia.

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FONTES:
Vietnamese Baha'is reach milestone with election of National Spiritual Assembly (BWNS)
Le Baha'i dispose du statut officiel (Le Courrier du Vietnam)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sam Harris e o Fim da Fé (7)


RELIGIÃO: PROGRESSO OU RETROCESSO?

No livro O Fim da Fé, Sam Harris critica as ortodoxias religiosas por fecharem a porta a “abordagens mais sofisticadas da espiritualidade”(p.23). É curioso que num livro onde abundam críticas violentas às religiões abraâmicas, se encontrem também apelos ao desenvolvimento de novas formas de espiritualidade, e ao progresso da religião. O contraste entre estas duas ideias é surpreendente.
O progresso da religião, como noutros domínios, deve ser uma questão de investigação no presente, e não uma mera repetição de doutrinas no passado. Aquilo que é verdade hoje deveria ser observável agora, e passível de descrever em termos não insultuosos em relação a tudo o resto que sabemos do mundo. Nesta medida todo o projecto se afirma retrógrado, já que não consegue resistir às mudanças que se operam em nós culturalmente, tecnologicamente e até eticamente. (p.25)

A maior parte daquilo que hoje consideramos sagrado só o é pela simples razão de assim ter sido considerado no passado (p. 27)

Não há nenhuma razão para que a capacidade de nos apoiarmos emocional e espiritualmente não evolua com a tecnologia, a política e a cultura em geral. Na verdade, a haver algum futuro para a humanidade, é forçoso que isso aconteça. (p.43)
Penso que a maioria dos Bahá'ís identificarão estas frases de Sam Harris com duas ideias chave: o progresso e a necessidade de livre (e independente!) pesquisa da verdade.

A nossa experiência colectiva enquanto espécie leva-nos a acreditar que as sociedades e as civilizações não conseguem progredir se a transmissão de conhecimento assentar na mera repetição de ideias e processos do passado. Também sabemos que as grandes evoluções em diversas áreas do conhecimento se deram quando se questionaram conceitos transmitidos. O que seria hoje a ciência se Copérnico ou Darwin não tivessem questionado as ideias do passado? Haveria liberdade ou democracia se os pais do Iluminismo não tivessem posto em causa as instituições tradicionais e os costumes da sua época?

Mas a evolução também existe na história das religiões. O aparecimento de cada religião constituiu um ponto de rotura com as religiões do passado; é nesse momento que se questionam dogmas, rituais, instituições e tradições; é também aí que se lançam as bases de uma nova etapa da evolução espiritual e social de um, ou mais, povos.

Nas palavras acima citadas encontro um apelo a que se ponham de lado os dogmas e tradições, e se investigue realmente o que existe na essência das religiões. É a defesa da livre e independente pesquisa da verdade; nesta matéria, não posso deixar de concordar com o autor d’O Fim da Fé.

Por outro lado, quando Sam Harris declara que "todo o projecto [religioso] se afirma retrógrado", leio nas suas palavras uma expressão de frustração pelo facto de muitas instituições religiosas não serem capazes de se adaptar à modernidade. É como se tivessem ficado cristalizadas nos seus dogmas e rituais, e de forma arrogante se proclamam detentoras exclusivas de verdades absolutas.

Não creio que todo a religião seja retrógrada. Prefiro antes acreditar que todo o projecto religioso tem o seu tempo. É como uma planta. A semente germina, surge uma pequena planta, que ao longo do tempo crescerá, dará os seus frutos, e por fim definhará e acabará por morrer. Acontece com todas as religiões. Incluindo a minha.

Programa «Nós»

Uma reportagem sobre a Fé Bahá'í, num programa dedicado às comunidade imigrantes no nosso país.



Kot: obrigado pelo vídeo! :-)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Crianças Bahá'ís???

No livro A Desilusão de Deus, o Professor Richard Dawkins apresenta a sua opinião sobre os rótulos religiosos que se colocam às crianças:
A nossa sociedade, incluindo o sector não religioso, aceitou a ideia absurda de que é normal e correcto doutrinar crianças pequenas na religião dos pais e colar-lhes rótulos religiosos - «criança católica», «criança protestante», «criança judia», «criança muçulmana», etc -, embora não o faça com outros rótulos comparáveis: não há crianças conservadoras, nem crianças liberais, nem republicanas ou democratas. Por favor, por favor, vamos despertar as nossas consciências a este respeito e vamos aos arames sempre que ouvirmos algo do género. Uma criança não é uma criança cristã, nem é uma criança muçulmana, é sim uma criança filha de pais cristãos ou filha de pais muçulmanos. Esta última nomenclatura, já agora, seria um óptimo despertador de consciências para as próprias crianças. Uma criança a quem se diga que é «filha de pais muçulmanos» aperceber-se-á imediatamente que a religião é algo que ela poderá adoptar - ou rejeitar - quando tiver idade suficiente para tal. (p. 403)
Lembrei-me desta opinião do Professor Dawkins depois de recentemente ter ouvido a expressão «crianças bahá’ís». É algo que não faz sentido. O mais correcto é usar a expressão «criança de família bahá’í». Aliás, a adesão à Fé Bahá’í só é permitida após os 15 anos de idade; espera-se que a partir dessa idade os jovens tenham a maturidade necessária (e a liberdade suficiente) para decidirem por si próprios se desejam ou não ser bahá’ís.

Note-se que isto não representa uma quebra de compromisso com a minha religião, ou um qualquer hesitação na minha fé. Irei tentar passar os meus valores e as minhas convicções religiosas para os meus filhos; se não o fizesse, aí poder-se-ia questionar a minha fé. E se eles um dia se tornarem baha’is, espero que isso seja fruto de uma decisão pessoal - livre e amadurecida -, e não apenas o resultado de pressões externas.

A Mulher de César



Os media anunciaram hoje que Jorge Coelho - ex-ministro e destacado dirigente político - vai integrar a administração e da comissão executiva da Mota Engil, uma grande empresa de construção que tem ganho vários concursos de obras públicas.

Como diziam os romanos: “À mulher de César, não basta sê-lo [séria], é preciso parecê-lo”

terça-feira, 1 de abril de 2008

Charlie Chaplin e a visão de um mundo novo

Se pudesse eleger o melhor excerto político de todos os filmes de Charlie Chaplin, escolheria este:



O mais espantoso deste excerto são as semelhanças com as as palavras de Shoghi Effendi no livro The World Order of Bahá'u'lláh (pag. 203-204) onde o Guardião da Fé Bahá’í expõe a sua visão sobre o futuro colectivo da Humanidade:

«A unidade do género humano, tal como Bahá'u'lláh anteviu, compreende o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, crenças e classes estejam estreita e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos seus estados membros, e a liberdade e iniciativa pessoal dos seus membros individuais, sejam garantidas de um modo definitivo e completo. Esta comunidade mundial deve, tanto quanto podemos antecipar, incluir uma legislatura mundial, cujos membros na qualidade de representantes de todo a espécie humano, por fim controlarão todos os recursos das respectivas nações componentes e formularão as leis que forem necessárias para regular a vida, satisfazer as necessidades e harmonizarão as relações de todas as raças e povos entre si. Um governo mundial, apoiado por uma força internacional, executará as decisões dessa legislatura mundial, aplicará as leis por ela criadas, e protegerá a unidade orgânica da inteira comunidade mundial. Um tribunal mundial deverá julgar toda e qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema universal, sendo a sua decisão irrevogável e final. Um sistema de intercomunicação mundial será concebido, envolvendo todo o planeta, e, livre de qualquer limitação ou restrição nacional, funcionará com admirável rapidez e perfeita regularidade. Uma metrópole mundial agirá como centro nevrálgico de uma civilização mundial, o foco para o qual convergirão as forças unificadoras da vida e do qual hão de irradiar as suas influências energéticas. Uma língua mundial será criada ou escolhida entre as línguas existentes e será ensinado em todas as escolas de todas as nações federadas como auxiliar à língua nativa. Uma escrita mundial, uma literatura mundial, um sistema uniforme de moeda, de pesos e medidas simplificarão e facilitarão o intercâmbio e entendimento entre as nações e raças da humanidade. Numa tal sociedade mundial, a ciência e a religião, as duas forças mais potentes da vida humana, reconciliar-se-ão, cooperando e desenvolvendo-se harmoniosamente. A imprensa, sob tal sistema, embora venha a ter plena liberdade de expressão das diversificadas opiniões e convicções da humanidade, deixará de ser perniciosamente dominada por interesses, particulares ou públicos; e será liberta da influência de governos e povos em contenda. Os recursos económicos do mundo serão organizados, as suas fontes de matérias primas serão exploradas e completamente utilizadas, os seus mercados serão coordenados e desenvolvidos e a distribuição dos seus produtos será regulada de um modo equitativo.

As rivalidades, os ódios e as intrigas entre as nações cessarão, e os preconceitos e animosidades raciais serão substituídos por amizade, entendimento mútuo e cooperação. Os motivos de conflito religioso serão definitivamente eliminados as barreiras e as restrições económicas serão completamente abolidas e a desmedida distinção entre classes será eliminada. Desaparecerão a pobreza extrema, por um lado e, por outro, a excessiva acumulação de bens. A enorme quantidade de energia que se desperdiça com a guerra, quer económica ou política, será dedicada a fins como a extensão do âmbito das invenções humanas e do desenvolvimento técnico, o aumento da capacidade produtiva da humanidade, o extermínio das epidemias, a ampliação das pesquisas científicas, a adopção dos mais altos padrões de saúde física, a aperfeiçoamento estimulação do cérebro humano, a exploração dos recursos do planeta que ainda não foram utilizados ou descobertos, o prolongamento da vida do homem, a promoção de qualquer outro meio de estimular a vida intelectual, moral e espiritual de toda a humanidade.»