segunda-feira, 30 de junho de 2008

Richard Dawkins e A Desilusão de Deus (4)

AINDA SOBRE CIÊNCIA E RELIGIÃO

No livro "A Desilusão de Deus" ("Deus, um delírio", na edição brasileira) o Professor Richard Dawkins, ao abordar a reacção das religiões face ao progresso científico, cita Carl Sagan:
Como é possível que nenhuma das grandes religiões tenha olhado para a ciência e concluído: «Isto é melhor do que pensávamos! O universo é muito mais vasto, mas misterioso, elegante e magnífico do que os nossos profetas disseram»? Em vez disso, dizem: «Não, não, não! O meu deus é um deus pequeno e eu quero que continue assim.» Uma religião, velha ou nova, que realçasse o esplendor do universo tal como ele nos é revelado pela ciência moderna, estaria em condições de mobilizar reservas de reverência e de espanto dificilmente suscitadas pelos credos convencionais (p. 37)
Aprecio duplamente estas palavras de Carl Sagan. Por um lado sou um admirador da sua obra e considero-o um dos mais extraordinários divulgadores da ciência no século XX. Pertenço àquela geração que ficou embriagada com a série Cosmos, e ainda hoje revejo com imenso prazer os episódios dessa série. Por outro lado, como Bahá'í aprecio o cepticismo de Carl Sagan em relação às concepções tradicionais de Deus e a diversos ensinamentos religiosos.


Temos que reconhecer que no relacionamento ciência-religião, a Fé Baha’i tem uma vantagem enorme em relação a outras religiões, pois apareceu quando os benefícios do progresso científico eram uma evidência. As outras grandes religiões mundiais têm tido dificuldade em adaptar-se à inovação e ao conhecimento científico moderno. É também um sinal de que cada religião tem o seu tempo.

O elogio da ciência e da razão repete-se nas escrituras Bahá’ís. Veja-se este pequeno excerto das Escrituras de Bahá'u'lláh onde é feito o elogio do conhecimento e dos cientistas:
O conhecimento é como asas para a vida do homem; é uma escada para a sua ascensão. A sua aquisição é uma incumbência a cada um. No entanto, o conhecimento dessas ciências deve ser adquirido de forma a poder beneficiar os povos da terra; e dessas que começam com palavras e terminam com palavras[1]. Grande, em verdade, é a condição dos cientistas e dos artífices entre os povos do mundo... Na realidade, o conhecimento é um verdadeiro tesouro para o homem, e uma fonte de glória, de graça, de êxtase de enaltecimento, de louvor e alegria para ele.[2]
Na verdade, a ciência é melhor do que muitos pensam; e o universo é incrivelmente fascinante, misterioso e imenso. Esse esplendor do universo, esse vislumbre da fascinante caminhada de evolução tecnológica e científica que ainda mal começamos, encontrei-o nas Escrituras Baha’ís.

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NOTAS:
[1] - Na minha opinião isto é uma referência à teologia especulativa.
[2] - Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Tajalliyat

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Um teste aos Direitos Humanos no Irão

O texto seguinte é a tradução do artigo Treatment of Bahais: A Test of Human Rights in Iran da autoria de Mehdi Khalaji. Foi publicado no site do Washington Institute e tem sido citado por vários blogs baha’is. Mehdi Khalaji é um "visiting fellow" do Wahshigton Institute, e tem abordado o papel da política no clericalismo xiita contemporâneo no Irão e no Iraque.
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Em 14 de Maio, o governo iraniano prendeu seis proeminentes líderes baha’is e acusou-os de "colocar em perigo a segurança nacional". O momento das detenções levou a especulações de que o governo iraniano estaria a tentar associar estes líderes à explosão de Abril num centro religioso em Shiraz, que matou catorze pessoas. Considerando que a instituição clerical iraniana acredita que a existência de minorias religiosas mina a ortodoxia xiita oficial, estas detenções são apenas mais um marco negro no longo e sombrio registo iraniano de protecção de direitos humanos individuais e liberdade religiosa.

Baha’is: uma ameaça à Ortodoxia Xiita

Ao contrário do Zoroastrismo, do Judaismo e do Cristianismo, o Bahaismo surgiu depois do Islão e afirma que lhe sucede. Um elemento central do Xiismo é a crença no Décimo Segundo Iman (também chamado Iman Oculto), um descendente de Ali que deve reaparecer nos tempos do fim. A religião baha'i teve origem com Ali Muhammad Shirazi (1819-1850), que declarou ser a porta para o Iman oculto e posteriormente declarou ser ele próprio o Iman. Ao afirmar ser esta importante figura religiosa, ele desafiou não apenas a instituição clerical, mas também a interpretação oficial dos textos sagrados. Apesar da fé Baha’i exigir explicitamente aos seus seguidores que não participem em actividades políticas, os governantes persas da época (a dinastia Qajar) viram as declarações de Shirazi como um desafio à legitimidade do Estado, pois o rei era o Chefe de Estado de um país xiita. Mais tarde, a dinastia Pahlevi resistiu à pressão clerical para fazer do anti-bahaismo uma politica oficial do governo.


Após a revolução iraniana de 1979, porém, essa política passou a ser aplicada, pois os clérigos viam a fé Baha’i como uma negação da sua legitimidade. Na Constituição da República Islâmica o Estado não reconhece o Bahaismo como religião e proíbe os seus membros de realizarem cerimónias e rituais em público. No tempo da revolução, dezenas de baha’is foram linchados e muitos foram presos. Aos Baha’is não era permitido estudar nas universidades ou trabalhar na função pública. Até no sector privado existem muitas restrições oficiais e oficiosas que dificultam a vida aos Baha’is.

Um presidente apocalíptico pressiona os Baha’is.

De uma forma geral, os baha’is foram tolerados durante a presidência de Muhammad Khatami (1997-2005), e alguns até obtiveram permissão para estudar em universidades oficiais (em vez de recorrerem a programas clandestinos de formação). Mas desde que Mahmoud Ahmadinedjad se tornou presidente em 2005, o governo aumentou a pressão sobre o grupo, expulsando os baha’is das universidades e afastando-os de algumas posições. Em Março de 2006, a Relatora Especial das Nações Unidas para a Liberdade de Religião e de Crença expressou a sua preocupação relativamente a uma carta de 2005 onde vários organismos governamentais iranianos eram instruídos a identificar e recolher informação sobre os Baha’is.

O governo de Ahmadinedjad argumenta que de acordo com a Constituição, o Bahaismo não é reconhecido e por isso não é protegido no Irão. A atitude mais dura do presidente em relação aos Baha’is também é motivada pelas suas visões apocalípticas e o seu apego à ideia do Iman Oculto. Ahmadinedjad, que acredita que o seu governo está sob a supervisão do Iman Oculto, não pode tolerar uma religião que nega a existência do Iman, apesar dos baha’is se manterem afastados da política. Em 23 de Maio, Sayyed Ahmad Alam al-Hoda, o líder das orações de Sexta-feira em Mashad e apoiante de Ahmadinedjad, afirmou que "o Bahaismo não é uma religião nem uma filosofia. Como podemos aceitar que estes soldados israelitas [referência aos Baha’is que têm a sua sede em Haifa, Israel] que têm o sangue um milhão de homens nas suas mãos, sejam livres no nosso país... e cometam qualquer tipo de crime?"

Outros Grupos que enfrentam Discriminação e Violência

Outras minorias religiosas, como os Sufis e os Derviches (ascetas conhecidos pela sua extrema pobreza e austeridade), também têm sofrido sob a República Islâmica. O Sufismo - no qual existem variantes xiitas e sunitas - possui uma interpretação esotérica do Islão. Os seguidores do Sufismo geralmente opoêm-se ao Islão institucionalizado e por esse motivo são frequentemente perseguidos pelo clero xiita. Os Sufis e os Derviches, tal como os Baha’is, evitam actividades políticas, uma atitude que está no âmago das suas crenças religiosas. Mas o governo iraniano vê estas duas minorias como uma ameaça não devido às suas actividades políticas, mas devido à sua própria existência.

A República Islâmica do Irão nunca admitiu que o anti-Sufismo é uma política oficial. No entanto, no Ministério da Segurança existe um departamento especial que recolhe informação sobre os membros da seita. Desde que Ahmadinejad chegou ao poder, o governo intensificou a pressão sobre ambos os grupos. Em Novembro de 2007, a polícia destruiu um centro religioso Sufi no Lorestão e prendeu dezenas de Derviches, em Fevereiro de 2006 destruiu um centro Derviche em Qom. Durante a operação, em que centenas de pessoas ficaram feridas, a polícia prendeu mais de um milhar de Derviches e expulsou o líder da cidade.

Em geral, todas as minorias religiosas não-xiitas e xiitas afastadas da linha principal, sofrem diversos graus de discriminação oficial e não-oficial na educação, no emprego e na aquisição de habitação. Isto até acontece com os sunitas. Apesar de existirem centenas de milhar de sunitas a viver em Teerão, o governo tem bloqueado sistematicamente os seus planos para construção de uma mesquita naquela cidade. O governo foi ao ponto de interromper cerimónias sunitas em parques públicos e até hostilizou sunitas que se reuniram nos jardins da embaixada paquistanesa para fazer orações.

Passos Perigosos na Pressão sobre as Minorias religiosas.

Em 20 de Maio, Gholam Hossein Elham, o porta-voz do governo iraniano, afirmou que a recente detenção de seis baha’is se deveu a motivos de segurança, e não devido às suas crenças religiosas. Declarou que eles estavam associados com "estrangeiros, especialmente Sionistas" e que trabalhavam "contra os interesses do Estado". Apesar do governo não fazer a alegação directamente, alguns observadores afirmaram que as detenções fazem parte de um esforço do governo para associar os líderes Baha’is com a explosão de 13 de Abril em Shiraz, onde morreram catorze pessoas e cerca de duzentas ficaram feridas. Depois de ter negado que a explosão fosse um ataque bombista, os funcionários governamentais contradisseram-se e afirmaram que se tratara de um ataque terrorista levado a cabo por “monárquicos” com ligações aos Estados Unidos e Reino Unido. Alguns dias depois, funcionários do Ministério da Segurança prenderam os líderes Baha’is.

Conclusão

A invocação das preocupações com a segurança nacional é a mais recente forma de perseguição da República Islâmica contra as minorias religiosas. Talvez os líderes iranianos acreditem que isto lhes permita aliviar a pressão de organizações internacionais de direitos humanos por violar a liberdade religiosa. Não obstante, a atitude do governo iraniano em relação às minorias religiosas, sejam elas pequenas seitas reconhecidas (Sufis e Derviches) ou religiões oficialmente não reconhecidas (Bahaismo) deve ser o critério fundamental para avaliar os direitos humanos e a liberdade religiosa no Irão.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Apreciações sobre o 3º Colóquio da CLR

Agora que terminou o 3º Colóquio Internacional "O Contributo das Religiões para a Paz" organizado pela Comissão da Liberdade Religiosa (CLR) aqui ficam algumas apreciações.


Penso que houve três intervenções que constituíram os momentos altos deste colóquio:

- A intervenção do Dr. Jónatas Machado, sobre liberdade religiosa em Portugal, pela forma e pelo conteúdo da sua apresentação.
- A intervenção do Dr. António Reis, sobre a laicidade em Portugal, interessante no conteúdo e apelativa por se tratar de um “não-crente”.
- A intervenção do Dr. Paulo Borges da União Budista Portuguesa que que ao usar da palavra começou por descrever o quão triste se sentia por saber que no Sri Lanka os Budistas levaram a cabo actos de perseguição a Cristãos Evangélicos. Com estas palavras, o professor Paulo Borges manifestou coragem, humildade e sinceridade tão necessárias ao diálogo inter-religioso.

As intervenções que menos gostei foram as dos representantes muçulmanos. O Iman Feisal Abdul Raouf (sunita e presidente da Cordoba Initiative) referiu os conflitos israelo-palestiniano e indo-paquistanês como se se tratassem de problemas religiosos. Na verdade, estes dois conflito são conflitos políticos, onde as partes invocam a identidade religiosa apenas para exacerbar ódios e “legitimar divinamente” a sua posição. Este palestrante foi incapaz de mencionar a situação dos Bahá’ís no Irão e o Egipto, dois casos de perseguição religiosa que não podem ser confundidos com qualquer tipo de conflito político, étnico, ou económico. Azim Nanji, director do Institute of Ismaili Studies, também foi omisso neste assunto.

Comentei este aspecto com alguns participantes no colóquio, e concordámos que os muçulmanos portugueses são bem diferentes destes palestrantes muçulmanos, que não têm qualquer problema em mencionar os bahá’ís e até os acolhem nos seus templos e mesquitas.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Why did the chicken cross the road?

An hilarious update... Enjoy!
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BARACK OBAMA: The chicken crossed the road because it was time for a CHANGE! The chicken wanted CHANGE!

JOHN McCAIN: My friends, that chicken crossed the road because he recognized the need to engage in cooperation and dialogue with all the chickens on the other side of the road.

HILLARY CLINTON: When I was First Lady, I personally helped that little chicken to cross the road. This experience makes me uniquely qualified to ensure -- right from Day One! -- that every chicken in this country gets the chance it deserves to cross the road. But then, this really isn't about me...

GEORGE W. BUSH: We don't really care why the chicken crossed the road. We just want to know if the chicken is on our side of the road, or not. The chicken is either against us, or for us. There is no middle ground here.

DR. PHIL: The problem we have here is that this chicken won't realize that he must first deal with the problem on 'THIS' side of the road before it goes after the problem on the 'OTHER SIDE' of the road. What we need to do is help him realize how stupid he's acting by not taking on his 'CURRENT' problems before adding 'NEW' problems.

OPRAH: Well, I understand that the chicken is having problems, which is why he wants to cross this road so bad. So instead of having the chicken learn from his mistakes and take falls, which is a part of life, I'm going to give this chicken a car so that he can just drive across the road and not live his life like the rest of the chickens.

COLIN POWELL: Now to the left of the screen, you can clearly see the satellite image of the chicken crossing the road...

ANDERSON COOPER - CNN: We have reason to believe there is a chicken, but we have not yet been allowed to have access to the other side of the road.

JOHN KERRY: Although I voted to let the chicken cross the road, I am now against it! It was the wrong road to cross, and I was misled about the chicken's intentions. I am not for it now, and will remain against it.

PAT BUCHANAN: To steal the job of a decent, hardworking American.

MARTHA STEWART: No one called me to warn me which way that chicken was going. I had a standing order at the Farmer's Market to sell my eggs when the price dropped to a certain level. No little bird gave me any insider information.

GRANDPA: In my day we didn't ask why the chicken crossed the road. Somebody told us the chicken crossed the road, and that was good enough.

BARBARA WALTERS: Isn't that interesting? In a few moments, we will be listening to the chicken tell, for the first time, the heart warming story of how it experienced a serious case of molting, and went on to accomplish its life long dream of crossing the road.

BILL GATES: I have just released eChicken2008, which will not only cross roads, but will lay eggs, file your important documents, and balance your checkbook. Internet Explorer is an integral part of the Chicken. This new platform is much more stable and will never cra...#@&&^(C% ......... reboot.

ALBERT EINSTEIN: Did the chicken really cross the road, or did the road move beneath the chicken?

BILL CLINTON: I did not cross the road with THAT chicken. What is your definition of chicken?

AL GORE: I invented the chicken!

DICK CHENEY: Where's my gun?

A BAHA'I ANSWER: To join a study circle!

O primeiro edifício giratório

As agências noticiosas distribuíram hoje uma notícia segundo a qual as cidades de Moscovo e Dubai iriam receber os primeiros edifício giratório do mundo. Mas a verdade é que já existe um edifício giratório: fica em Curitiba, no bairro Ecoville, e foi inaugurado há alguns anos.


O edifício designado Suíte Vollard é uma das muitas atracções da capital do Paraná. Cada apartamento possui uma área de 287 m2 e os preços rondam os 200.000 euros. Os apartamentos podem giram nos dois sentidos, podendo o movimento ser activado por comando de voz.

Para quê Moscovo e Dubai, se já temos Curitiba?

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Primeiro edifício giratório vai ser construído no Dubai (DN)
Arquiteto cria prédio que se movimenta (Estadão)

terça-feira, 24 de junho de 2008

O Contributo das Religiões para a Paz

Aqui fica a transcrição da notícia do Público sobre o primeiro dia do 3º Colóquio Internacional "O Contributo das Religiões para a Paz".
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Crentes propõem um "G8" das religiões e António Costa anuncia apoio à criação de um museu judaico em Lisboa

Um "G8" que congregue líderes religiosos, para promover a compreensão entre os povos, foi ontem sugerido por René Samuel Sirat, vice-presidente da Conferência dos Rabinos Europeus, durante o III colóquio da Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), que hoje termina no Fórum Lisboa.

O rabino Sirat, uma das mais destacadas personalidades do judaísmo, já propôs a mesma ideia em outras duas assembleias inter-religiosas. Na última, em Janeiro, em Alexandria (Egipto), a ideia foi apoiada por unanimidade. Mas Sirat diz que há ainda muito caminho para andar.

No colóquio, surgiram várias ideias para que as religiões possam dar o seu contributo para a paz, tema do colóquio. Paulo Borges, presidente da União Budista Portuguesa, propôs que os líderes religiosos peregrinassem em conjunto a lugares importantes das diversas religiões. O patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, desafiou a CLR a desenvolver o estudo comparado das religiões.

António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou para breve a abertura da estação arqueológica da cidade muçulmana no Castelo de São Jorge. O apoio à criação de um museu judaico na capital é outra ideia para promover o diálogo inter-religioso.

Na sessão de abertura, José Sócrates afirmou que nas democracias a liberdade religiosa "não é um tema fácil nem está resolvido", nem tão-pouco é "um dado adquirido". Pediu, por isso, que os políticos se empenhem permanentemente na sua defesa.

Referindo-se ao modo como os políticos devem lidar com a religião, Sócrates citou o primeiro Presidente americano, George Washington: "Com delicadeza, gentileza e afecto." E disse que "nada há mais profundamente humano que a religião".

Para o primeiro-ministro, o Estado laico deve significar neutralidade perante as religiões, mas de modo a que todas tenham espaço para afirmar as suas crenças.
"Neutralidade não significa o não reconhecimento do valor ético de todas as religiões", afirmou. "Acredito profundamente no contributo das religiões para a paz", um valor que, diz o primeiro-ministro, "tão esquecido tem andado na política internacional".

Ao abrir o colóquio, Mário Soares, presidente da CLR, professou a sua fé "nas virtudes do diálogo inter-religioso e entre crentes e não crentes". O cardeal-patriarca de Lisboa referiu-se ao "processo complexo" de construção da paz, que tem exigências éticas, políticas, económicas e religiosas. O contributo das religiões para a paz depende da "fidelidade dos crentes" aos princípios em que acreditam. Mas a "simples liberdade de consciência tem um longo caminho a percorrer".

Vassilios Tsirmpas, evangélico grego, acentuou a necessidade de pedir perdão pela arrogância que continua a marcar várias tradições religiosas.

O rabino René Samuel Sirat diz que ainda há muito caminho para andar até à criação de uma grande entidade multi-religiosa

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Outras noticias sobre este evento:

“A liberdade religiosa não está resolvida” (Correio da Manhã)
D. José Policarpo critica Concordata (Correio da Manhã)
Sócrates diz que liberdade religiosa não está resolvida (Diário Digital)
Sócrates apela a respeito pela liberdade religiosa (TVI)

A Arte de fazer Títulos



Não há nada como um título bem polémico para chamar a atenção do leitor, não é verdade?

Pois o Diário de Notícias parece ter ter procurado um título assim para descrever o 3º Colóquio Internacional organizado pela Comissão de Liberdade Religiosa. Além de sensacionalista, este título é falso. Não só o Cardeal Patriarca de Lisboa esteve presente na sessão de abertura, como dois representantes de organizações católicas (Comunidade de S. Egídio e Fundação Ajuda à Igreja que sofre) também participaram nos trabalhos.

A notícia completa do DN está aqui.

domingo, 22 de junho de 2008

Mário Soares alerta para risco de guerra de civilizações

O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Mário Soares, alertou hoje que pode ocorrer uma guerra de civilizações se as religiões não forem um factor de paz.

«As religiões devem discutir umas com as outras. Todas têm a verdade revelada e quem tem a verdade revelada pensa que tem o exclusivo e por isso é difícil conjugar, mas tenho verificado em encontros ecuménicos que é possível encontrar pontos comuns e é isso que é preciso desenvolver», disse.

Mário Soares falava aos jornalistas num encontro com a presença do ministro da Justiça para apresentar o III Colóquio Internacional da Comissão da Liberdade Religiosa sobre «O contributo das religiões para a paz», a decorrer em Lisboa segunda e terça-feira.

«O mundo está muito complicado. Se as religiões não forem um factor de paz pode acontecer que se entre numa guerra de civilizações e isso seria o pior de tudo que pode acontecer», disse.

Apesar do risco a que se refere, Mário Soares tem uma visão optimista sobre a questão até porque considera possível um dialogo entre as religiões em busca de pontos de convergência.

Ao contrário do que defende o cientista político Samuel Huntington, no livro «Choque de Civilizações», de que este seria o século das lutas religiosas, o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa defende que o mundo está muito longe disso.

«Não quero entrar na geoestratégia, mas estou convencido que se Obama ganhar as eleições isso desaparece como um sopro», frisou.

O grande desafio que hoje se coloca às religiões, acrescentou, é que, tendo sido elas durante muitos séculos factores de conflito - muitos deles também políticos por não existir a separação Estado/Igreja - encontrem agora caminhos para a paz.

«A guerra é tão má para o homem que a humanidade tem de se dar conta que tem de fazer um grande esforço no diálogo e isso tem de começar pelas igrejas», acrescentou.
O encontro, cuja sessão de abertura será presidida pelo primeiro-ministro, é para Mário Soares um momento importante e inédito em Portugal por juntar representantes de varias confissões religiosas.

«Gostaríamos que os debates fossem animados, que as pessoas se pronunciassem porque realmente as religiões é difícil discutirem umas com as outras».

O ministro da Justiça, Alberto Costa, destacou também a importância do colóquio internacional que debaterá não só o contributo das religiões para a paz como a questão da liberdade religiosa.

«Não me recordo de nenhuma realização a este nível se ter verificado em Portugal. Esse é um aspecto que marca uma nova forma de afirmação da Comissão da Liberdade Religiosa», disse.

A sessão de abertura da conferência terá como oradores o primeiro-ministro, José Sócrates, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D.José Policarpo e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

No primeiro painel dedicado aos contributos das religiões para a paz estarão representantes de varias confissões religiosas como o Hinduísmo, o Judaísmo, a Aliança Evangélica, Islão sunita e ismaelita, a União Budista Portuguesa, a Igreja Ortodoxa Grega e os Baha´is.

O tema «Liberdade religiosa do mundo actual» será abordado pelo coordenador da Ajuda à Igreja que Sofre para o relatório sobre a liberdade religiosa no mundo enquanto a liberdade religiosa em Portugal será um tema desenvolvido pelo professor Jónatas Machado, da faculdade de direito da Universidade de Coimbra.

Já no que respeita ao tema «Crentes e não crentes face à laicidade» programada para o segundo dia do colóquio, está previsto que seja abordado por António Reis, professor da Universidade Nova de Lisboa e grão-mestre da Maçonaria, e por Agostino Giovagnoli, da Comunidade de S.Egídio.

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FONTE: Religião: Se religiões não forem factor de paz pode ocorrer uma guerra de civilizações - Mário Soares (LUSA)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Haja paciência!

Em 1925, o Egipto tornou-se o primeiro país muçulmano a reconhecer a fé Baha’i como uma religião independente. Passados 80 anos, os Baha’is do Egipto continuam a enfrentar discriminações que os impedem de obter documento de identidade. Naquele país os bilhetes de identidade são necessários para inscrever as crianças nas escolas, aceder a cuidados de saúde, criar e gerir uma empresa. Sem bilhetes de identidade, um egípcio não pode exercer os seus direitos de cidadania. (ver este vídeo)

E apesar de, em Janeiro de 2008, uma decisão judicial ter decretado que os Baha’is têm direito a obter bilhetes de identidade como qualquer outro cidadão egípcio, o Governo ainda não implementou esta decisão. Como se isso não bastasse, um advogado do Conselho de Investigação Islâmico do Egipto iniciou um acção judicial com o objectivo de atrasar todo o processo.

...entretanto há milhares de baha’is indocumentados à espera!

Minorias Religiosas no Egipto

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Bahá'ís detidos contactaram familiares


(clique na imagem para aceder à notícia da CNN)

Notícias recebidas do Irão dão conta que a Sra. Mahvash Sabet, a secretária do grupo de liderança ad hoc dos bahá’ís iranianos, teve a oportunidade de fazer um telefonema para a sua família no passado dia 3 de Junho. Sabe-se agora depois de ter sido detida em Mashad no dia 5 de Março – data desde a qual esteve incomunicável, foi transferida para a prisão de Evin, em Teerão, no passado dia 26 de Maio.

A Sra. Fariba Kamalabadi também teve a oportunidade de fazer um breve telefonema para a sua filha, tendo assegurado que estava em boas condições de saúde. Alguns dias mais tarde, funcionários da prisão pediram à família da Sra. Kamalabadi que levassem à prisão os óculos para leitura. Também a família do Sr. Vahid Tizfahm recebeu um pedido de funcionários da prisão para que levassem roupas do seu familiar. Nenhuma das famílias teve a oportunidade de ver os seus familiares quando foi levar estes objectos à prisão de Evin.

Por seu lado, o Sr. Jamaloddin Khanjani teve a possibilidade de fazer um breve telefonema para a sua família.

O facto destes prisioneiros Bahá’ís terem tido a possibilidade de contactar as suas famílias de forma limitada não esconde os aspectos mais graves desta situação. Nenhum deles cometeu qualquer crime. Nenhum deles foi acusado. Apenas estão detidos porque são Bahá’ís.

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NOTA: Para acompanhar os novos desenvolvimentos sobre a situação dos Baha'is no Irão, o BWNS tem agora uma página intitulada Iran Update. Toda a informação ali contida foi validada pela Comunidade Internacional Bahá'í.

Obrigado Scolari!



Foram cinco anos em que Portugal teve uma equipa de que jogou um futebol agradável. As vitórias morais foram substituídas por vitórias reais. Não ganhámos nenhum titulo nestes cinco anos, mas fomos mais longe do que alguma vez tínhamos ido. Não foste infalível, não foste um constante vencedor, mas foste muito melhor do que aqueles que te precederam.

Que sejas feliz e vitorioso no Chelsea!

Richard Dawkins e A Desilusão de Deus (3)

A CIÊNCIA E A RELIGIÃO

A valorização do conhecimento científico na análise dos ensinamentos religiosos é o princípio que orienta Richard Dawkins no seu livro A Desilusão de Deus (“Deus, um delírio”, na edição brasileira) . Afinal ele é um cientista e naturalmente considera e deve ser a ciência a validar as crenças religiosas, e não o contrário. As maiores críticas do biólogo britânico vão para aquelas convicções religiosas que contradizem abertamente o conhecimento científico, e chegam mesmo a opor-se ao progresso da ciência. Considere-se, por exemplo, os seguintes excertos:

Os criacionistas procuram avidamente uma lacuna no conhecimento ou na compreensão da actualidade. Uma vez encontrado aquilo que parece uma lacuna, presume-se que, por defeito, deve ser Deus a preenchê-la. O que preocupa os teólogos ponderados como [Dietrich] Bonhoeffer é que as lacunas vão diminuindo à medida que a ciência avança, arriscando-se assim Deus a acabar por não ter mais nada para fazer, nem nenhum sítio para se esconder. [p.160]

…o facto de o DI [Intelligent Design] não possuir provas próprias, mas medrar como erva daninha nas lacunas deixadas pelo conhecimento científico, convive mal com a necessidade que a ciência tem de identificar e anunciar essas mesmas lacunas como condição para as investigar. Neste respeito, a ciência encontra-se aliada a sofisticados teólogos como Bonhoeffer; unidos contra inimigos comuns que são a teologia naïve e populista e a teologia das lacunas proposta pelo desígnio inteligente. [p.161-162]
Além de rejeitar um conceito ingénuo sobre Deus (o deus “tapa-buracos”), o Professor Dawkins identifica a incompatibilidade entre algumas crenças religiosas e o conhecimento científico para demonstrar a falsidade dessas crenças. Por outro lado, fica claro que o verdadeiro alvo das suas críticas nada tem a ver com os teólogos “sofisticados” e “ponderados”. Dir-se-ia que o autor sugere que quando a religião está contra a ciência, então é mera superstição.

Será isto uma posição radical?

A importância da razão é repetidamente afirmada nas Escrituras Bahá’ís. Segundo Bahá'u'lláh, a inteligência e a razão são uma dádiva de Deus ao ser humano: “Esta dádiva dotou o homem com capacidade de discernir a verdade em todas as coisas, conduzindo-o àquilo que é correcto e ajudando-o a descobrir os segredos da criação” [1]. A ciência é resultado do uso sistemático destas dádivas divinas.

Uma análise, mesmo que superficial, das Escrituras Bahá’ís permite perceber a ênfase na importância atribuída ao conhecimento científico e na necessidade de coerência entre Ciência e Religião. Durante as Suas visitas à Europa e aos Estados Unidos, 'Abdu'l-Bahá abordou este princípio diversas vezes. Em 1911, em Paris, afirmou:
Não existe contradição há entre a verdadeira religião e ciência. Quando uma religião se opõe à ciência, torna-se mera superstição: aquilo que é contrário ao conhecimento é ignorância.

Como pode o homem acreditar ser real aquilo que a ciência provou ser impossível? Acreditar, a despeito da razão, é antes superstição ignorante, do que fé. Os verdadeiros princípios de todas as religiões estão em conformidade com os ensinamentos da ciência. [2]
É óbvio que 'Abdu'l-Bahá não rejeita a religião; pelo contrário, afirma que quando existe conflito entre ciência e religião, então estamos na presença de um entendimento incorrecto de um ensinamento religioso. Note-se que 'Abdu'l-Bahá usa expressões como “verdadeira religião” e “verdadeiros princípios” para se referir às religiões que não estão em contradição com a ciência.

Existe um paralelismo óbvio na condenação que 'Abdu'l-Bahá e Richard Dawkins fazem da religião que se opõe à ciência. Mas também há uma diferença: o Professor fica-se pela denúncia da falsidade das interpretações literais; 'Abdu'l-Bahá aponta a superior importância do sentido simbólico do Texto Sagrado.

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REFERÊNCIAS
[1] – Selecção dos Escritos de Baha’u’llah, XCV
[2] - 'Abdu'l-Bahá, Palestras em Paris, (12 de Novembro, 1911)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Porque é que a Fé Baha'i não é um culto?


Se alguém tem dúvidas, aqui fica a tradução e adaptação do post "reasons why the bahai faith is not a cult", no Baha'i Library Forum. Os critérios foram identificados no livro"Combating Cult Mind Control" de Steven Hassan.


1. O que os novos membros encontram

Cultos Perigosos: Em muitos cultos, uma pessoa só percebe em que é que se meteu depois de assumir um compromisso.
Fé Bahá'í: Aquilo que se vê é o que se encontra; não existem segredos.

2. Como são recolhidos os fundos

Cultos Perigosos: Existem operações comerciais e/ou contribuições obrigatórias (frequentemente em consideráveis percentagens) por parte dos membros.
Fé Bahá'í: Não existem empreendimentos comerciais; não circulam bandejas para o ofertório e as doações são completamente voluntárias e apenas por parte dos membros da comunidade.

3. Figura Carismática Central

Cultos Perigosos
: Os cultos geralmente possuem uma figura central viva que vive à custa dos aderentes.
Fé Bahá'í: Não existe uma figura central viva desde 1957; também não existe clero e a administração é feita por instituições eleitas livremente entre os membros.

4. Investigação da Verdade

Cultos Perigosos: Aos membros é dito com frequência que é perigoso investigar outras religiões.
Fé Bahá'í: Os Baha’is são encorajados a investigar todas as religiões e a apreciar a verdade onde quer que ela se encontre.

5. Controlo do Comportamento (segundo a definição de Steven Hassan)

Cultos Perigosos: Aos membros é dito onde devem viver, o que vestir e o que (e quanto) comer. O dormir e a liberdade de movimentos pode ser limitada.
Fé Bahá'í: Os Bahá'ís não vivem em comunas, mas no mundo real, como indivíduos normais. Não vestem roupas especiais. A sua religião não tem restrições alimentares, salvo a abstenção de álcool e um período de jejum de 19 dias, durante o qual não ingerem alimentos e bebidas durante o dia. Os Bahá'ís podem dormir o que quiserem, comer o que lhes apetecer, e trabalhar e viver onde desejarem.

6. Controlo do Pensamento (segundo a definição de Steven Hassan)

Cultos Perigosos: Com regularidade usam-se técnicas para fazer parar de pensar, como cânticos e discursos prolongados em e línguas estrangeiras, criando um tipo de atmosfera hipnótica.
Fé Bahá'í: Os cânticos e as orações não são prolongados, e a sua intenção não é bloquear o pensamento. O pensamento e a investigação são encorajados.

7. Controlo Emocional (segundo a definição de Steven Hassan)

Cultos Perigosos: A culpa e o medo são frequentemente usados para controlar os membros; também se encontra um alternar de elogio e humilhação pública, confissão forçada, e doutrinação contra o abandono do grupo.
Fé Bahá'í: É proibida a confissão e humilhação dos outros. Os membros são livres de abandonar a Comunidade sem que isso se torne um estigma.

8. O que acontece a pessoas que abandonam a religião

Cultos Perigosos: As pessoas que abandonam os cultos são consideradas perigosas e frequentemente ostracizadas (ou hostilizadas)
Fé Bahá'í: Regra geral é permitido aos Baha’is manterem laços de amizade com pessoas que abandonaram a comunidade. As únicas excepções vão para os casos em que as pessoas são declaradas “violadores da Aliança” pela Casa Universal de Justiça, devido às suas tentativas de criar divisões na comunidade. Não existe condenação daqueles que abandonam voluntariamente a Fé Bahá'í.

No Conselho de Direitos Humanos...

A representante da Comunidade Internacional Bahá'í apresenta a situação dos líderes bahá'ís detidos no Irão, na 8ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

domingo, 15 de junho de 2008

Caçar humanos

Tradução do artigo Hunting Humans, da autoria de Nema e publicado no Iranian.com
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Sob a sombra da questão nuclear, a situação dos direitos humanos no Irão deteriorou-se de forma constante. Os adeptos da linha dura exploraram os receios de um conflito com os Estados Unidos para marcar a reforma como uma conspiração estrangeira contra o Islão. Na semana passada[14-Maio-2008], a detenção de sete líderes da pacífica minoria Baha'i – um bode expiatório do regime clerical – foi um desenvolvimento ameaçador.

O Canadá condenou prontamente as detenções, um acto consistente com a sua liderança nas resoluções das Nações Unidas sobre direitos humanos no Irão, nas quais os Baha’is aparecem destacados. Mas as detenções têm um significado mais amplo, pois uma tal perseguição é um teste à tolerância sob uma constituição teocrática que condiciona a condição dos direitos humanos à filiação numa religião aprovada.

As recentes detenções fizerem surgir o espectro da perseguição sistemática aos líderes Baha’is sob acusações de heresia durante os primeiros anos da República Islâmica. Um relatório de 1985 das ONU caracterizava esta inquisição religiosa como genocida. As vítimas incluíram Mona Mahmudnizhad, uma adolescente cujo “crime” era ter dado aulas a crianças baha’is que tinham sido expulsas da escola por motivos religiosos.

Omid Tavakoli é um residente em Ottawa, cujo pai é um dos que foram recentemente presos, nada sabe sobre o seu paradeiro e teme que ele tenha sido torturado. A avaliar pelo caso Zahra Kazemi, que deu aos canadianos um vislumbre das famosas prisões de Teerão, os seus receios são bem fundamentados.

Segundo o Artigo 13 da Constituição, os 350.000 Baha’is do Irão não são reconhecidos como uma minoria religiosa legítima, ao contrário dos Judeus, Cristãos e Zoroastrianos do país. Segundo os clérigos da linha dura, isto confina-os à condição de "infiéis" sem protecção legal.

Esta interpretação radical da sharia é claramente contrária às obrigações do Irão, uma vez que Teerão é signatária de convenções da ONU sobre direitos humanos. Também é contrária à visão de respeitados académicos muçulmanos que consideram a liberdade religiosa um princípio fundamental do Alcorão. A política iraniana de intolerância revela a face de um regime que manipula cinicamente o Islão como instrumento de poder e usa a propagação do ódio para legitimar a sua governação autoritária.

Contrastando com as reformas do tempo de Mohammed Khatami, a administração do Presidente Mahmoud Ahmadinejad intensificou a propaganda de ódio contra os Baha’is nos media controlados pelo governo, onde são demonizados como agentes russos, britânicos, imperialistas americanos, para não falar no Sionismo e até no Wahabismo. Um relatório de 2007 da ONU, elaborado pela relatora paquistanesa Asma Jahangir revelou que o Ministério da Segurança tem estado a recolher informação detalhada sobre os baha’is em todo o Irão. As ameaças de morte, os ataques, as profanações de cemitérios e locais de adoração, a negação de pensões e educação universitária, a hostilização de crianças [de famílias] baha’is nas escolas, tudo isto indicia uma campanha concertada para estrangular esta comunidade no país onde nasceu.

Tal como a repressão dos reformistas islâmicos, dos advogados de direitos humanos, intelectuais, movimentos estudantis, grupos de mulheres sindicatos, e de outros elementos que apelam à construção de um Irão pacífico e aberto, a perseguição aos Baha’is é, acima de tudo, uma medida do desespero do próprio regime. Um governo que tem legitimidade e trabalha para os direitos e bem-estar dos seus cidadãos não necessita de medidas extraordinárias para eliminar minorias do seu seio. E o que é mais trágico é a traição a uma civilização com mais de 2500 anos que atingiu os picos da prosperidade devido à sua capacidade de abraçar o pluralismo e a diversidade.

Existem sinais de esperança, porém, quando os iranianos comuns rejeitam as mentiras com que têm sido alimentados ao longo dos últimos 30 anos pela liderança clerical. Para dar apenas um exemplo, a recente expulsão de um estudante Baha’i de um liceu, provocou um protesto expontâneo de estudantes muçulmanos, revoltados com o facto de um dos seus colegas estar a ver negado o direito à educação apenas devido a motivos religiosos. Existem cada vez mais apelos para que eminentes advogados de direitos humanos, como a Prémio Nobel Shirin Ebadi, a favor de uma Constituição em que todos os cidadãos gozem dos mesmos direitos, independentemente das suas crenças religiosas.

Enquanto os iranianos comuns enfrentam os males do declínio económico, corrupção e repressão por entre o surgimento de uma cultura pós ideológica, muitos questionam a descrição dos Baha’is como fonte de mal. A liderança iraniana tem uma escolha. Ou liberta os baha’is detidos e respeita os seus direitos humanos básicos, ou persiste em proclamar cinicamente uma teologia medieval impotente que confirmará a sua irrelevância e apressará a sua morte.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Shirin Ebadi considera que la situación de los derechos humanos en Irán ha empeorado

Ginebra, 9 jun (EFE).- La Premio Nobel de la Paz iraní Shirin Ebadi considera que la situación de los Derechos Humanos en su país ha empeorado en los dos últimos años.

"La violación de los Derechos Humanos en mi país se ha exacerbado en los dos últimos años, desde que el mundo sólo se fija en el tema nuclear, la situación de los Derechos Humanos ha empeorado", declaró Ebadi en Ginebra en un encuentro con la prensa.

La Premio Nobel viajó a la sede europea de Naciones Unidas para participar de un seminario sobre la situación de los Derechos Humanos en Irán.

Ebadi explicó que su país sigue violando los Derechos Humanos de las mujeres al impedirles divorciarse, de los menores al ser juzgados y condenados como un adulto, y de los defensores de los Derechos Humanos que son encarcelados sin cesar.

Asimismo, se refirió a la libertad religiosa y a la persecución que sufre la comunidad Baha'i por pertenecer a una religión no autorizada por el régimen islámico.

Consultada sobre la posibilidad de que la situación cambie si el presidente Mahmud Ahmadinejad no es reelegido, Ebadi recordó que el problema no es un gobierno o otro "sino como el gobierno trata a sus ciudadanos".

Con respecto al nuevo presidente del Parlamento iraní, Ali Larijani, considerado como un posible sucesor de Ahmadinejad, la premio Nobel dijo que de ser elegido no será "más que una continuación de la situación actual".

Y recordó que Larijani "ha sido siempre parte de las altas esferas del Gobierno y cuando fue director de la radio televisión pública hubo una fuerte censura".

Por eso afirmó que sería necesaria una presencia de relatores especiales de Naciones Unidas en el país, algo que hasta la fecha, ha impedido el régimen.

Con respecto al funcionamiento de la Consejo de Derechos Humanos de la ONU, Ebadi se mostró escéptica y dijo que no ha dado los resultados obtenidos, aunque abogó por seguir trabajando para mejorar su funcionamiento para que sea más efectivo.

"Desvincularse no es una solución", afirmó en referencia a la reciente decisión del gobierno de Estados Unidos de abandonar su puesto como observador del Consejo.

Ebadi dijo que no tiene previsto entrevistarse con la Alta Comisionada de Derechos de la ONU, Louise Arbour, durante su estancia en Ginebra, pero destacó que ya mantuvo una larga conversación con ella cuando visitó Irán.

Finalmente Ebadi dejó claro que aunque está comprometida con la defensa de los Derechos Humanos en todo el mundo "bajo ninguna circunstancia" abandonará su país.

E se o Irão mudasse de rumo?

O que aconteceria se as vozes de Martin Luther King, Mahatma Gandhi e John F. Kennedy inspirassem os actuais líderes iranianos?

Um dos melhores vídeos que já vi no YouTube!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Dia da Raça

«Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas», afirmou Cavaco Silva, Presidente da República no passado dia 09 de Junho.

Aqui fica a minha homenagem às raças portuguesas. Não sei se têm LOP, mas tratando-se de raças portuguesas e devem ser respeitadas, não só no 10 de Junho mas todos os dias!

Serra da Estrela


Serra de Aires


Rafeiro do Alentejo


Podengo Portugês


Perdigueiro Português


Cão de Gado Transmontano


Cão de Água Português


Castro Laboreiro


Barbado da Terceira


Cão de Fila de S. Miguel


AGORA A SÉRIO: Não há uma raça portuguesa, uma raça espanhola, uma raça brasileira... A espécie humana deve ser considerada como uma espécie única, apesar de poder apresentar variantes étnicas.

E agora, José?



Foi fácil anunciar a construção de um novo aeroporto (se bem que ainda não tenhamos percebido a sua necessidade), um TGV ou mais auto-estradas. Foi ambiciosa a declaração sobre o desejo de importar o "modelo finlandês". E muito bem intencionadas foram as iniciativas no âmbito do plano tecnológico.

Mas agora o assunto é mais sério: a paralisação dos camionistas ameaça asfixiar a economia do país nos próximos dias. É verdade que a greve é um direito de qualquer trabalhador; mas ninguém deve ser impedido de trabalhar. Por esse motivo, considero inadmissível que centenas de camionistas sejam impedidas de trabalhar devido à actuação de "piquetes de greve".

Os aumentos de preços (sejam combustíveis ou alimentos) afectam todos os portugueses. Se o Governo ceder às exigências de um grupo profissional, então terá de ceder às exigências de todos. Desta forma, exige-se coragem a este Governo. Para o bem e para o mal, esta é a hora de José Sócrates. Afinal, um bom governante revela-se nos momentos difíceis.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ser Português...

O jornal Público dedica hoje algumas páginas a um inquérito sobre identidade nacional realizado pelo International Social Survey Programme. Das conclusões do estudo, o jornal destaca a importância que os portugueses atribuem à religião como factor de identificação nacional, aspecto em que apenas somos ultrapassados pela Polónia, Bulgária, Filipinas, Israel, África do Sul e Venezuela.

O destaque feito pelo jornal incide nas respostas à seguinte questão:

Que factores são importantes na definição do que é ser português?
(% respostas Importante + Muito Importante)

Sentir-se português 94,9
Saber falar português 94,7
Ter cidadania portuguesa 92,5
Respeitar leis portuguesas 92
Ter nascido em Portugal 91,4
Viver em Portugal 89
Antepassados portugueses 83,9
Ser religioso 68,5


Algumas destas respostas pre-definidas são subjectivas e dão azo a diversas especulações. Por exemplo, O que se entende por “sentir-se português”? Será isto uma mera identificação socio-cultural? Terá implícito um sentimento nacionalista saudável ou exacerbado? E como se expressa no relacionamento com outros portugueses? E no relacionamento com estrangeiros?

E que se entende por "ser-se religioso"? Estaremos a falar da anuência à doutrina oficial de uma religião (neste caso a Igreja Católica), de uma prática religiosa regular (missa dominical), ou de um qualquer sucedâneo religioso que se manifesta na forma de cultos marianos, posse de imagens de santos e participação em festividades populares (procissões e romarias)?

Mesmo considerando questionável a forma como este estudo foi feito (ou a forma como o jornal o apresenta), tenho de reconhecer que os resultados nos apresentam uma imagem de um certo tipo de portugueses. Para o bem e para o mal, estes são – provavelmente – a maioria dos cidadãos portugueses.

Mas há uma outra questão que merece atenção.

Quais são as principais fontes do orgulho em ser português?
(% respostas Importante+Muito importante)

História 91,8
Desporto 86,5
Literaturas e Artes 84,8
Ciência e Tecnologia 52,9
Forças Armadas 52,5
influência no Mundo 39,4
Democracia 38,7
Tratamento justo dos cidadãos 35,2
Economia 21,5
Segurança Social 18,9


O orgulho patriótico apenas parece ter maior incidência em actos do passado histórico e proezas desportivas, do que no desenvolvimento técnico e científico. A democracia, a justiça a economia e a segurança social não são motivos de grande orgulho. Não será isto um sinal claro de que há muita coisa mal neste país?

A propósito: Para mim não me faz confusão jogadores de futebol como o Deco ou o Pepe serem portugueses e jogarem pela selecção nacional. Muitos portugueses tornaram-se brasileiros, e vejo com naturalidade que também existam brasileiros que se tornem portugueses. O mesmo se passa com angolanos, moçambicanos, guineenses, s. tomenses, cabo verdianos e timorenses.

O Verdadeiro Dia de Portugal

Octávio dos Santos (jornalista e escritor) escreve hoje no jornal Público:

E qual deveria ser o – verdadeiro – Dia de Portugal? Existem várias hipóteses, diferentes alternativas. 24 de Junho (de 1128), dia da Batalha de S. Mamede: ou 25 de Julho (de 1139), dia da Batalha de Ourique – momentos decisivos da ascensão e aclamação de D. Afonso Henriques enquanto Rei, e, por arrastamento, da formação e da consolidação de Portugal. 5 de Outubro (de 1143!), dia da assinatura do Tratado de Zamora, que reconheceu – pela primeira vez – a independência do nosso país. 1 de Dezembro (de 1640), quando se restaurou a independência.

Porém, o dia que mais atributos reúne para merecer a designação de – verdadeiro – Dia de Portugal é 14 de Agosto. Nesta data, em 1385, a Batalha de Aljubarrota – culminar de uma crise que proporcionou (por uma vez) uma notável coesão entre os diferentes estratos da população – assegurou, mais do que a sobrevivência da nação, a sua futura expansão: confirmou como rei D. João I, que fundou a dinastia de Avis e gerou a Ínclita Geração, primeira responsável pelos Descobrimentos. (…)

Só mesmo os ignorantes, os indiferentes e os interesseiros é que podem continuar a defender o 10 de Junho como o Dia de Portugal.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Laicidade

Anselmo Borges, ontem no Diário de Notícias, escreveu mais uma daquelas coisas que eu gostaria de ter escrito.
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A laicidade não deve confundir-se com laicismo. Este não se contenta com um Estado neutro do ponto de vista confessional e garantindo a liberdade religiosa de todos. Vai mais longe, exigindo um programa positivo, de tal modo que o Estado reivindica para si uma vocação de transmissão de uma mundividência total do mundo, da vida e da própria morte. O combate pela imposição deste programa a executar pelo Estado-pedagogo foi travado sobretudo em países católicos por causa de um catolicismo intransigente e, por vezes, em lutas duras, ao clericalismo contrapôs-se o anticlericalismo e a laicidade desembocou em laicismo.

A exigência de laicidade não significa que as religiões devam ser remetidas exclusivamente para o foro íntimo. Deve ser-lhes garantido o direito de expressão no espaço público e entre o Estado e as Igrejas deveria estabelecer-se um clima de respeito e mesmo de colaboração.

Aliás, há múltiplas possibilidades no arranjo jurídico das relações entre a(s) Igreja(s) e o Estado, como disse, em 2004, o antigo Presidente da República Federal da Alemanha Johannes Rau, referindo-se à união Europeia: "As relações Igreja-Estado são reguladas de modo muito diverso na Europa, indo das Igrejas de Estado na Escandinávia ao laicismo francês. Nós, na Alemanha, escolhemos um outro caminho impregnado pelo conceito de 'secularidade esclarecida' do bispo Wolfgang Huber. Se o Estado e as Igrejas estão claramente separadas na Alemanha, trabalham, no entanto, em conjunto em muitos domínios e no interesse de toda a sociedade. Feitas bem as contas, considero esta a via justa e não vejo qualquer razão para nos associarmos ao laicismo dos nossos vizinhos e amigos franceses."

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Les bahaïs, persécutés en Iran

Artigo publicado ontem no jornal francês, Liberation.
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Signe d’un durcissement idéologique du régime ou d’une lutte de plus en plus acharnée entre factions, la petite communauté bahaï fait à nouveau l’objet de persécutions en Iran. Avec la récente arrestation de six responsables, une femme et cinq hommes, celle-ci n’a plus de direction. Le septième membre - une femme - de ce comité d’ailleurs très informel et très discret avait déjà été appréhendé le 5 mars. Détenus à Téhéran, ils sont accusés d’«avoir agi contre la sécurité nationale et d’avoir noué des liens avec des étrangers».En janvier, 54 membres de cette communauté, estimée à quelque 300 000 personnes (5 millions dans le monde), ont été condamnés à des peines de prison, trois d’entre eux à quatre ans, les autres à un an avec sursis. Les juges les accusaient de prosélytisme à Chiraz, une des villes où les membres de cette religion monothéiste fondée au XIXe siècle sont nombreux.

Sacrilège. Persécutés depuis l’avènement de la République islamique, en 1979, - ils l’étaient aussi épisodiquement du temps du chah - les bahaïs, dans leur majorité, n’ont pourtant jamais voulu quitter l’Iran. Pour le régime islamique, leur foi est sacrilège puisque, tout en vénérant le prophète Mahomet, ils croient à l’existence d’un dernier messager de Dieu, Bahaullah, mort en 1892, et enterré, circonstance aggravante, en Israël, près de Haïfa.

Les premières années de la révolution ont été terribles pour les bahaïs. Les neuf membres de leur assemblée spirituelle ont disparu, sans doute exécutés. Selon des sources bahaïes, quelque 200 personnes ont été tuées depuis 1980, ce que Téhéran nie.

A Paris, Foad Saberan, psychiatre bahaï d’origine iranienne, estime que les conditions des bahaïs se sont gravement détériorées depuis l’arrivée au pouvoir de Mahmoud Ahmadinejad, en 2005. «Nous sommes le seul groupe humain où les enfants sont persécutés sur instruction du ministère de l’Education. Ainsi, dans certaines écoles, chaque matin, on fait sortir du rang les écoliers bahaïs et les enseigants incitent leurs copains à les insulter et à les humilier pour leur foi.» «Aujourd’hui, la vie d’un bahaï ne vaut rien. Tous les sadiques ont les mains libres pour s’attaquer à eux en toute impunité», ajoute-t-il.

Luttes internes. L’arrestation récente des responsables bahaïs est intervenue après l’attentat contre une mosquée de Chiraz, d’abord imputée par le régime aux fanatiques wahhabites, puis aux bahaïs, communauté pacifique qui, à la différence des autres minorités (sunnite, chrétienne, zoroastrienne et juive) ne peut avoir aucun représentant légal.

Plus qu’un raidissement idéologique, cette vague de persécutions semble s’inscrire dans les luttes internes du régime à l’approche des élections présidentielles de l’an prochain. Le 14 mai, le grand ayatollah Ali Montazeri est intervenu courageusement en leur faveur, demandant qu’ils puissent vivre comme des citoyens en Iran et bénéficier de la compassion de l’islam. Comme ce religieux, pressenti pour succéder à l’imam Khomeiny puis écarté du pouvoir, est toujours en exil intérieur dans la ville sainte de Qom, il n’est pas sûr que sa fatwa n’ait pas un effet contraire.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Richard Dawkins e A Desilusão de Deus (2)

A HIPÓTESE DE DEUS

No livro "A Desilusão de Deus" ("Deus, um delírio", na edição brasileira) o Professor Richard Dawkins defende que é quase certa a inexistência de um Deus sobrenatural. O tipo de divindade que pretende criticar nem sempre é claro; primeiro afirma que vai "...falar apenas de deuses sobrenaturais, dos quais o mais familiar à maioria dos leitores é Javé, o Deus do Antigo Testamento" [p. 45] e posteriormente proclama que pretende "...atacar Deus, todos os deuses, tudo o que seja sobrenatural, onde e sempre que tenha sido ou venha a ser inventado"[p. 62].


Com bons argumentos lógicos Richard Dawkins questiona o tipo de Deus revelado no Antigo Testamento [p. 55], a Trindade [p. 58-59], os santos [p. 60], o marianismo [p. 60]. Seguidamente refuta diversos argumentos a favor da existência de Deus: as Cinco Vias de S. Tomás, o argumento ontológico, o argumento da beleza, o argumento da experiência pessoal, o argumento das Escrituras, etc...

O mais interessante dos seus argumentos é a forma como demonstram a debilidade de algumas ideias de Deus (incluindo aquelas que assentam em interpretações literais do Antigo Testamento ou em conceitos antropomórficos). Apesar destas posições, o autor parece disposto a debater uma ideia de Deus, desde que não haja ideias preconcebidas:
Os meus amigos teólogos voltam repetidamente à sua ideia de que tinha de haver uma razão pela qual existe algo em vez de nada. Deve ter havido uma causa primeira para tudo, e então dê-se-lhe o nome de Deus… sim, disse eu, mas deve ter sido algo simples, e por isso, seja lá o que for que lhe chamemos, Deus não é um nome adequado (a menos que explicitamente lhe retiremos toda a carga que a palavra Deus comporta nas mentes da maior parte dos crentes). [p. 195]
E como fica um bahá'í face a estas críticas? Será que a posição do Prof. Dawkins é uma rejeição do conceito de Deus que encontramos nas Escrituras Bahá’ís?

Bahá'u'lláh descreve Deus como “essência incognoscível”, “santificado acima de todos os atributos”, e “enaltecido acima e para lá de proximidade e afastamento”; o criador transcende todas as características humanas e não existe nenhuma relação directa entre Ele e a criação (por outras palavras, a Sua essência não se manifesta directamente ao ser humano). Além disso, possuímos uma compreensão limitada e nunca perceberemos a verdadeira natureza de Deus; nem vale a pena tentar! Sendo assim, as provas tradicionais sobre a existência de Deus (como as Cinco Vias de S. Tomás de Aquino) não são convincentes, pois apenas tentam demonstrar a existência de um ser.

Segundo a religião Bahá’í a vontade de Deus é transmitida ciclicamente à humanidade pelos Profetas fundadores das grandes religiões mundiais. Mas as Escrituras Baha’is também sugerem que a acção de Deus e as leis da natureza estão interligadas entre si; desta forma, podemos considerar as leis naturais que regulam a evolução como uma extensão da vontade de Deus.

Note-se que este conceito baha'i não é estanho a algumas correntes do Cristianismo. Ainda recentemente Frei Bento Domingues escrevia no jornal Público: «De Deus tanto mais saberemos quanto mais nos apercebermos que excede tudo o que dele pensamos saber. Daí a importância da chamada "teologia negativa".»

Em resumo: as críticas e os argumentos do Professor Dawkins na refutação de diversos conceitos humanos sobre Deus, deviam, no mínimo, convidar à reflexão.

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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Deus, a Essência Incognoscível
Deus e os Profetas
Provas da Existência de Deus (Moojan Momen)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Questões sobre Laicidade (12)

Conferências de Maio 2008 do Centro de Reflexão Cristã.
O debate e o encerramento da 4ª Conferência: "Portugal, Democracia Laica e Plural".







segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Oposição Católica ao Estado Novo (1958-1974)



Uma das minhas leituras recentes foi "A Oposição Católica ao Estado Novo (1958-1974)". Trata-se de uma obra João Miguel Almeida (investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade da Universidade Nova de Lisboa) onde se analisam os diferentes momentos e episódios em que grupos de católicos progressistas afirmaram abertamente a sua oposição à ditadura portuguesa.

O livro descreve as circunstâncias e consequências de eventos marcantes, como o exílio do Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1959); o concílio do Vaticano II (1962-1965) e a encíclica Pacem Terris (1963); a suspensão e excomunhão do Padre Felicidade Alves (1968); as diversas publicações clandestinas (ou semi-clandestinas) onde católicos progressistas davam a conhecer os seus pontos de vista e faziam eco da imprensa europeia; o relacionamento conturbado com a Santa Sé (Paulo VI visitou Fátima(1967) e mais tarde recebeu os lideres dos movimentos de libertação africanos (1970)); e a vigília na capela do Rato (1972).

A oposição católica não era uma força organizada; seria mais correcto afirmar que se tratava de um estado de espírito que animou diversos homens e mulheres a partir de 1958. Trabalhando à revelia da hierarquia da Igreja Católica (que apesar de não fazer política, abençoava e legitimava moralmente a ditadura), as suas acções e iniciativas mostraram uma cada vez maior oposição à guerra colonial, e um empenho crescente na defesa da liberdade e da democracia.

O livro merece, portanto, uma leitura atenta, sobre tudo de quem tem um interesse sobre o relacionamento da Igreja Católica com o Estado Português durante o antigo regime.

NOTA: Se algum dos visitantes brasileiros deste blogue puder recomendar um livro equivalente sobre a oposição católica à ditadura no Brasil, ficaria muito agradecido.

domingo, 1 de junho de 2008

Questões sobre Laicidade (11)

Conferências de Maio 2008 do Centro de Reflexão Cristã.
Intervenção do Pe. Peter Stilwell , na 4ª Conferência: "Portugal, Democracia Laica e Plural".