quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Governo Egípcio anda aos papéis!

Um labirinto burocrático, indicações contraditórias e muita má vontade da administração pública parecem ser as novas armas dos fundamentalistas islâmicos no Egipto para privar os Bahá’ís de documentos de identidade, e consequentemente de direitos elementares de cidadania.

O caso mais recente que veio a público refere-se a uma criança que viu a sua inscrição recusada numa escola primária porque apenas possuía uma das antigas certidões de nascimento (manuscritas), em vez das novas certidões informatizadas (apenas acessíveis a muçulmanos, cristãos e judeus). O mais ridículo desta situação foi o facto da recusa da inscrição ter sido oficializada e autenticada num documento também manuscrito.

O cartoon abaixo é dedicado a este caso, e foi produzido pelo Mideast Youth.

theres-paper-then-theres-paper-human-rights-PT

(clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Incendiários atacam Bahá'ís no Irão



Atear fogo a casas, veículos e pessoas é a mais recente táctica da violência dirigida contra a Comunidade Baha’i no Irão. Depois de um incidente divulgado em diversos blogs (também referido aqui), a Comunidade Internacional Bahá’í divulgou ontem um comunicado onde descreve vários ataques incendiários contra Baha'is. Eis alguns exemplos:

15 de Julho. Pela 01H15 da manhã, vários cocktails molotov foram lançados contra o pátio da residência do Sr. Khusraw Dehghani e sua esposa Drª Huma Agahi, residentes em Vilashahr. Nos meses anteriores, várias ameaças anónimas pelo facto de ser Baha’i, levaram a Drª Agahi a fechar a sua clínica em Najafabad, onde exercera actividade médica durante 28 anos.

25 de Julho. O carro de um conhecido Bahá’í de Rafsanjan, em Kerman foi incendiado e destruído por motociclistas. Soheil Maeimi, o proprietário do veículo e 10 outras famílias Baha’is na cidade informaram que receberam cartas de um grupo que se intitula Movimento Juvenil Anti-Baha’i de Rafsanjan, onde se ameaça com jihad (guerra santa) contra os Baha’is.

10 de Junho. A propriedade de dois Bahá’ís idosos - Sr e Srªa Mousavi - residentes em Fars foi destruída pelo fogo depois de ter sido regada com gasolina. O casal e os seus dois filhos escaparam por pouco.

01 de Maio. A residência do Sr. Abdu’l-Baqi Rouhani, em Mazindaran, foi incendiada., no mesmo mês, em Karaj foi incendiado parte do edifício de apoio ao cemitério Bahá'í.

04 de Abril. A casa de um baha’i em Babolsar (norte do Irão) foi incendiada.

Fevereiro de 2008. Um comerciante de 53 anos, residente em Shiraz foi atacado, amarrado a uma árvore e regado com gasolina. Os seus raptores propunham-se queimá-lo vivo quando alguns transeuntes os surpreenderam. No mesmo mês, registaram-se várias tentativas de incêndio contra veículos e residências pertencentes a Bahá’ís.

No passado mês de Maio, as autoridades iranianas detiveram os membros da liderança informal da Comunidade Baha’i. Estes permanecem detidos na prisão de Evin, sem que tenha sido formulada qualquer acusação, sem que tenham acesso a advogados ou que possam contactar regularmente as suas famílias. Agora esta sequência de ataques incendiários deixa antever uma escalada de perseguições ainda mais sinistra. Para os Bahá’ís iranianos, a única esperança são os protestos internacionais vindos dos governos, das organizações internacionais, dos media e das opiniões públicas.

A organização Human Rights Watch, reagiu ao comunicado através da sua directora para assuntos do Médio Oriente, Sarah L. Withson. “Estes ataques incendiários são o resultado natural da mais recente campanha governamental para denegrir e atacar a comunidade Bahá’í, insultando pessoas e crenças em artigos na imprensa oficial e detendo vários dirigentes da comunidade com base em acusações não especificadas”, afirmou a Srª Withson. E acrescentou: “Quando as principais autoridades religiosas insistem em caracterizar os Bahá’ís como apóstatas e encorajam um clima de ódio contra a Comunidade Baha’i, é de esperar que este tipo de actos violentos lhes sejam dirigidos”.

Também o adido de imprensa da delegação iraniana nas Nações Unidas, Sr. Mohammad Mohammadi, reagiu ao comunicado da Comunidade Bahá’í, afirmando que “são apenas acusações não confirmadas”.

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Sobre este assunto:
Iran: Religious minority reports arson attacks (CNN)Arsonists in Iran target Baha’i Homes, vehicles (BWNS)

O Parecer de Freitas do Amaral

O momento alto do defeso futebolístico português foi sem dúvida o parecer de Freitas do Amaral sobre as decisões do Conselho de Justiça e as reacções que se seguiram. Assim que foi conhecido o teor desse parecer - que confirmava a despromoção do Boavista e o castigo ao presidente do FC Porto - sucederam uma série de reacções bem reveladoras de uma certa mentalidade tacanha e patética, que parece bem característica do dirigismo desportivo português.

Veja-se por exemplo a reacção de José Guilherme Aguiar, que se apressou a considerar o parecer como fantasioso, apesar de ter admitido que ainda não o tinha lido. Será que este jurista trabalha assim? Será que tem por hábito falar daquilo que não conhece?

Igualmente patético foi a reacção do actual presidente do Boavista, Álvaro Braga Júnior, ameaçando responsabilizar a Comissão Disciplinar da Liga e a Federação Portuguesa de Futebol, pela despromoção do Boavista. Porque será que não se lembra de responsabilizar nenhum elemento da família Loureiro?

Pior que isto, foi a reacção da SAD do FC Porto que anteriormente elogiara a escolha do Professor como sendo a mais ilustre autoridade do Direito Administrativo Português. Num comunicado, estes senhores consideraram o parecer como "excessivamente parcial". Talvez os senhores da SAD azul e branca admitissem que o parecer pudesse ser ligeiramente (ou medianamente) parcial; mas parcialidade excessiva é coisa que eles não admitem…

O parecer de Freitas do Amaral, como escreve hoje João Miguel Tavares no DN (num texto notável!), "sublinha apenas o óbvio, com a vantagem de sustentar esse óbvio com argumentos jurídicos irrefutáveis e numa linguagem compreensível por qualquer mortal". Na minha opinião, era importante que as consequências deste parecer, mais do que uma punição para um dirigente desportivo e de um clube, permitissem a credibilização do futebol português.

domingo, 27 de julho de 2008

João Ubaldo Ribeiro



Vencedor do Prémio Camões 2008! Finalmente...
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LISBOA (AFP) — O Prêmio Camões, o mais importante da literatura concedido a autores de língua portuguesa, foi entregue neste ano ao escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, informou neste sábado o Ministério da Cultura português.

Ubaldo Ribeiro é o oitavo escritor brasileiro a receber essa distinção. Nascido em 1941, na ilha de Itaparica, Bahia, João Ubaldo Ribeiro é autor de várias obras de sucesso, muitas delas traduzidas para o francês e o inglês, como "Viva o povo brasileiro" (1984) e "O sorriso do lagarto" (1989).

Ele recebeu o prêmio na véspera, em uma cerimônia na presença do presidente português Aníbal Cavaco Silva e de seu colega brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, que participaram em Portugal da cúpula dos países de língua portuguesa (CPLP).

O Prêmio Camões, no valor de 100.000 euros, foi criado em 1988 por Portugal e Brasil para distinguir os autores de língua portuguesa que contribuíram para enriquecer o patrimônio cultural e literário das duas nações.

sábado, 26 de julho de 2008

Barack Obama


No início de 2007, um amigo americano residente em Portugal dizia-me: "Há um candidato à Presidência dos Estados Unidos que me parece muito especial... É um orador fantástico. Fala como se fosse um estadista. É pena ser tão novo." Não me enganei quando percebi que ele se referia a Senador Barack Obama. Creio que foi desde esse momento que comecei a acompanhar com interesse especial a sua campanha presidencial.

O livro "A Audácia da Esperança" foi publicado em Portugal no início das primárias nos EUA, e permitiu-me conhecer as ideias de Obama. Ao longo desse livro pude descobrir paralelismos óbvios entre os ideais do Senador o os princípios Bahá’ís. Aspectos como a necessidade de unidade dos diferentes grupos sociais dos EUA, a importância da redução do fosso entre ricos e pobres, a urgência da eliminação de preconceitos raciais e sociais, a defesa da consulta alargada para resolução dos diversos problemas que afectam a América (sem descartar à partida nenhuma opinião), a valorização da diversidade étnica da sociedade americana (facto de que a sua família também é um exemplo),... são apenas algumas ideias a que um baha’i não pode deixar de ficar indiferente.

As suas opiniões sobre religião são particularmente interessantes. Além de evidenciar uma atitude pessoal em relação à religião que o leva a conciliar a fé com a razão e o senso comum, o quase-candidato democrata reconhece a diversidade religiosa da América - "Já não somos apenas uma nação cristã; também somos uma nação judaica, uma nação muçulmana, uma nação budista, uma nação hindu e uma nação de não-crentes" -, critica os que advogam que a religião seja obliterada do espaço público - "Imagine-se o segundo discurso de tomada de posse de Lincoln sem a referência aos «juízos do Senhor» ou o de Martin Luther King de «Eu tenho um sonho» sem referência a «todos os filhos de Deus». O facto de invocarem uma verdade superior ajudou a inspirar o que parecia impossível e a levar a nação a abraçar um destino comum" -, e advoga a separação entre Estado e Religião "como meio de proteger a liberdade individual na crença e prática religiosas, ajudar o Estado contra lutas sectárias e a defender a religião organizada contra as ingerências do Estado ou influências indevidas".

Estes e outros aspectos levam-me a encarar com alguma naturalidade o interesse que o Senador do Illinois desperta em alguns Bahá’ís. Com facilidade encontramos nas nossas Escrituras variadas referências à nação Americana, onde ressaltam as advertências sobre o problema do racismo como o mais importante desafio da sociedade americana (e onde os baha’is americanos se deviam empenhar a fundo na sua resolução!) e promessa de um futuro radiante da nação Americana quando conseguisse resolver este problema. Não tenho dúvidas que a eleição de um presidente afro-americano poderá ser um grande passo para combater o racismo na América; mas não me iludo ao ponto de pensar que será, só por si, a resolução definitiva desse problema.

No entanto, apesar do interesse que Barack Obama possa despertar em alguns Bahá’ís, dificilmente encontraremos um baha’i envolvido na sua campanha presidencial, ou uma instituição Bahá’í declarar o seu apoio formal ao senador do Illinois. No que toca a actividades de política partidária, preferimos não nos envolver; somos apenas eleitores cujo sentido de voto é ditado pela consciência de cada um.

Assim, não posso dizer que sou um apoiante entusiasta de Barack Obama; nunca serei apoiante de nenhum político; posso ter as minhas simpatias, mas daí até ao apoio vai uma grande distância. Vou certamente continuar a acompanhar com atenção o seu percurso político, sem nunca esquecer que a esmagadora maioria dos políticos de hoje não diz o que pensa, mas apenas diz o que é conveniente.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Programa "Caminhos", RTP, 1986

O programa caminhos foi criado para RTP para dar voz às minorias religiosas em Portugal. Em 1986, a Comunidade Bahá'í de Portugal participou pela primeira vez nesse programa. Aqui fica o excerto dessa participação.



Penso que para alguns Bahá'ís portugueses isto deve ser quase uma preciosidade histórica.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

No more Heroes!

No Mideast Youth levantou-se um bom debate a propósito da libertação de Samir Kuntar. Esra'a pergunta: Será que morrer por uma causa pela qual nos apaixonamos faz de ti automaticamente um herói? Se nesse processo mataste muitas pessoas inocentes, ainda és herói ou és assassino?

Já dei o meu contributo para esse debate.

E agora lembrei-me de um tema dos Stranglers: No More Heroes! Já fui feliz a ouvir isto!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Residência de familia bahá'í incendiada, em Kerman

Mihran Shakir e a sua família são baha’is e vivem em Kerman, no Irão. Durante várias semanas, a Sra Shakir recebeu ameaças telefónicas (provavelmente por serem Baha’is). Quando uma noite a família se ausentou para participar numa celebração baha’i, o seu carro foi atacado com uma bomba incendiária. Valeu-lhes a fraca potência do engenho e a rápida intervenção de alguns amigos; os estragos acabaram por ser de pouca monta.

No passado fim-de-semana a família ausentou-se e a sua residência foi incendiada. Às primeiras horas da manhã do dia 18 de Julho um dos vizinho sentiu um intenso cheiro a fumo e chamou o bombeiros. Depois de extinto o incêndio, soube-se que um dos vizinhos ouviu uma pequena explosão por voltas das 3H30 da madrugada mas não deu grande importância ao ruído; outros vizinhos dizem ter visto vultos suspeitos no telhado. Os investigadores, porém, insistem que o incêndio se deveu a um curto-circuito na instalação eléctrica.

A dimensão dos estragos é bem visível nas fotos seguintes que foram tiradas na residência da família no dia seguinte.









segunda-feira, 21 de julho de 2008

Morrer na praia

Esta é das notícias/imagens mais escandalosas e nojentas de hoje.

Duas meninas ciganas afogaram-se acidentalmente na praia de Torregaveta, em Nápoles. Diversos relatos divergem sobre o que as meninas faziam na praia, o que as terá levado a aventurarem-se na água, e a forma como se afogaram. Mas algumas imagens captadas quando os seus corpos sem vida jaziam cobertos por toalhas na areia da praia estão a chocar o mundo; veja-se a indiferença de alguns banhistas – gozando o dia de sol - perante a proximidade dos cadáveres das crianças.

Que sociedade é esta que dá tão pouco valor à vida das crianças?





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Sobre este assunto:
Italian outrage over Roma drowning photos (CNN)
Gypsy girls' corpses on beach in Italy fail to put off sunbathers (Guardian)
Itália: banhistas indiferentes aos corpos de duas crianças ciganas no areal (Publico)

El equilibro y armonía de la arquitectura Bahai, Patrimonio de la Humanidad


Los santuarios de la religión Bahai en Israel, declarados recientemente Patrimonio de la Humanidad, inspiran su armoniosa arquitectura en el mismo principio que su fe: la unidad de todos los pueblos, razas y tradiciones.

Esta religión monoteísta minoritaria, que nació hace tan sólo un siglo y medio en Irán y cuenta con apenas cinco millones de fieles, ha logrado en este breve período caracterizarse por una arquitectura propia, que busca reflejar en sus edificios la principal creencia de esta fe: que el mundo es un gran país y la humanidad entera una gran familia.

Los mausoleos que acogen los restos de sus principales profetas, Bab y Baha'u'llah, están situados en la costa mediterránea de Israel y son los lugares más sagrados para los Bahai, centro de peregrinación de sus seguidores y atractivo para miles de turistas.

Quizás el más impresionante es la tumba del Bab, ubicada en el Monte Carmelo de la ciudad de Haifa, un edificio neoclásico coronado por una cúpula dorada y rodeado de jardines exquisitamente diseñados que descienden a lo largo de un kilómetro en dieciocho majestuosas terrazas.

El otro santuario en Israel conserva los restos del segundo profeta de los Bahai, Baha'u'llah, en la ciudad árabe israelí de San Juan de Acre, tan sólo unos kilómetros al norte de Haifa.

En el Monte Carmelo, plantas, fuentes y estatuas están dispuestos de forma simétrica a lo largo de las verdes terrazas ajardinadas que dominan desde lo alto de la ciudad mediterránea para producir un efecto calmante e invitar al paseo sosegado, la paz y la meditación.

Más de un centenar de personas, muchas de ellas voluntarias Bahai, cuidan a diario que ninguna hoja, flor o piedra estén fuera de sitio.

Al igual que los templos de oración Bahais, los seguidores de todas las religiones están invitados a rezar en estos jardines, porque la creencia de que existe un sólo Dios y que todas las religiones proceden de él es central en la fe Bahai.

'La declaración de Patrimonio de la Humanidad tiene toda la lógica para nosotros, porque consideramos que la fe Bahai, sus jardines, sus santuarios y sus templos son para todo el mundo, no están restringidos a nuestros fieles', explica a Efe Douglas Moore, portavoz de la Comunidad Internacional Bahai en Haifa.

'El diseño de nuestras casas de oración y jardines refleja la belleza y una estética y ética de refinamiento excepcional que conduce a la espiritualidad y a la elevación. La innovación y el diseño son parte de un proceso creativo que comienza con la creencia en Dios y se expresa desde ahí', añade.

Los edificios Bahai tratan de crear una atmósfera que permita el florecimiento del pensamiento positivo y a los que acuda gente de todas las creencias y culturas.

Los centros se levantan y conservan con la aportación exclusiva de fieles de esta fe, prohibida en Irán y que vive dificultades en otros países, como Egipto.

'Dar donaciones generosas y sacrificadas es parte de las obligaciones espirituales de los Bahai', explica Moore, que añade que los creyentes deben calcular cuánto dinero necesitan para vivir y, de lo que les sobra, aportar al menos un 19 por ciento a su iglesia.

Según él, en América Latina hay decenas de miles de fieles, entre los que resalta la comunidad boliviana, formada por unas 40.000 personas, así como las establecidas en Panamá, donde hay una casa de oración, y en Chile, donde se está construyendo un nuevo templo.

Los Bahai no tienen clérigos y se organizan de forma democrática, con consejos locales y nacionales que se eligen por votación y cuyo mayor exponente es la Casa Universal de la Justicia.

Sus ceremonias religiosas son sencillas y sus fieles deben ser castos, no tener relaciones sexuales fuera del matrimonio y pensar y vestir de forma modesta, de acuerdo con la cultura en la que vivan.

Tienen prohibido beber alcohol, requieren del consentimiento de los padres para casarse y pueden divorciarse, aunque se desaconseja.

Esta religión promueve los matrimonios inter-raciales, defiende la igualdad de hombres y mujeres y persigue la eliminación del racismo y los prejuicios.

Para llegar a ello, defiende la armonía en todas sus formas y propone la adopción de un idioma universal y el establecimiento de una sola moneda y sistemas de peso y medición únicos para todo el planeta.

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FONTE: Terra Actualidad - EFE (18-07-2008)

Leituras

Comment Internet défie le gouvernement égyptien, par Ahmad Zaki Osman (Point de Bascule, Canada)
Les Bahaïs : une minorité opprimée au Moyen-Orient (Tolerance.ca)
UNESCO: inscription de lieux saints Bahaïs (CCTV, China)

Persepolis

Já vi o filme Persepolis, de Marjan Satrapi. Uma maravilha que nos descreve o olhar de uma criança (e depois uma jovem) iraniana sobre os acontecimentos dos anos 1980 e 1990 no seu país. Aqui fica o trailer e uma entrevista de Marjan Satrapi durante o Festival de Cinema de Nova Iorque.





Este DVD já está à venda em Portugal.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Happy Birthday Nelson Mandela

Nelson Mandela

Tolerância Religiosa: a nova exportação Saudita

Patrocinada pelo rei Abdullah da Arábia Saudita decorre em Madrid uma conferência inter-religiosa que reuniu Muçulmanos, cristãos, judeus e budistas. A iniciativa contou com a anuência da casa real espanhola (que cedeu o Palácio do Prado) e a participação de conhecidas individualidades como o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, o activista americano Jesse Jackson, diversos membros do governo espanhol, e ainda o cardeal Jean Louis Tauran (Representante do Papa Bento XVI), presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso.

O Rei Abdullah é cumprimentado pelos participantes na Conferência de Madrid
Na sessão de abertura, o monarca saudita afirmou: "Trago comigo uma mensagem da nação islâmica representada pelos seus teólogos e pensadores que se reuniram na cidade de Meca, uma mensagem que anuncia que o Islão é a religião da moderação, da ponderação e da tolerância".

A iniciativa do rei Abdullah foi elogiada como sendo “corajosa”. Os seus admirdores lembram que ele foi o primeiro monarca saudita a encontrar-se com o Papa. E acrescentam provavelmente ele será criticado por radicais islâmicos por se ter reunido com judeus “sionistas” em Madrid.

Mas esta iniciativa saudita também recebeu uma boa dose de críticas. Há quem considere tudo isto uma mera jogada de propaganda e recorde que o Wahabismo (a corrente sunita praticada na Arábia Saudita) é uma das mais conservadoras e intolerantes formas de religião. Diga-se, a propósito que no mesmo dia da inauguração da conferência, um saudita ismaeli que já cumpriu 15 anos de prisão por ofensas a Maomé, acaba de ser condenado à morte pelo mesmo motivo.

Claro que tudo isto é muito estranho.

Na minha opinião estamos perante um enorme jogo de hipocrisia. Considere-se por exemplo, porque é que a conferência se realiza em Madrid e não em Meca, ou qualquer outro local da Arábia Saudita. O motivo é simples: o reino Saudita é o único país árabe em que o culto das religiões não-muçulmanas está proibido; dificilmente ali se poderiam reunir rabinos e bispos (já para não falar de sacerdotes budistas).

Depois podemos questionar a legitimidade moral da Arábia Saudita para promover uma iniciativa destas. Afinal é naquele país que os livros escolares ensinam que judeus e cristãos são macacos e porcos, que os xiitas são politeístas, que as universidades americanas de Beirute e do Cairo são parte de uma cruzada contínua, que se ensina como se devem matar homossexuais e apóstatas, e se demonizam Baha’is e Ahmadiyyas.

Enfim. Quem quiser pode acreditar que depois do petróleo e do wahabismo, a tolerância religiosa é agora a nova exportação saudita. Pela minha parte apenas lamento que essa mesma tolerância religiosa não seja usada para consumo interno naquele país.

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Sobre este assunto:
Saudi king appeals for tolerance (BBC)
Le roi Abdallah, promoteur du dialogue interreligieux (Le Monde)
Ouverture saoudienne (Le Monde - Editorial)
Las grandes religiones dialogan en Madrid para mejorar su imagen (El Pais)
Religiones para acabar con la "barbarie terrorista" (El Pais)
Saudi king opens Madrid inter-faith conference (JPost)
Saudi Arabia to present new image at Madrid forum (Khaleej Times)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Será o Egipto um Estado sem Lei?

Ao longo dos últimos meses tenho referido neste blog a situação dos bahá’ís no Egipto; a introdução de um sistema informático de criação de Bilhetes de Identidade que apresentava apenas três opções para que os cidadãos egípcios assinalassem a sua identidade religiosa, obrigada - na prática - os bahá’ís a mentir e a negar a sua religião para obter documentos de identidade. E sem documentos de identidade, um cidadão egípcio vê-se privado dos mais elementares direitos de cidadania: acesso a serviços de saúde, acesso à educação, registo de casamento, nascimentos, óbitos, herança… Em resumo: os baha’is ficam reduzidos a uma condição de não cidadania.

O processo arrastou-se demoradamente nos tribunais, até que no dia 29 de Janeiro deste ano um tribunal decidiu que os baha’is – como qualquer cidadão egípcio – têm direito a possuir documentos de identidade, podendo o campo de identificação religiosa nestes documentos ser preenchido com espaços em branco ou com traços (---).

Mas a verdade é que até hoje nenhum baha’i egípcio conseguiu obter documentos de identidade! E como já aqui referi, a situação chegou a um ponto em que as escolas recusam a inscrição de crianças de famílias baha’is por que estas não possuem documento de identidade.

Quando questionados pela imprensa e por ONG’s sobre os atrasos na aplicação desta decisão judicial, responsáveis do Governos Egípcios limitam-se a pedir paciência, afirmando que as alterações necessárias não são simples.

Como se não bastasse esta burocracia governamental (que parece não ser nada inocente!) surgiu agora a notícia de que o Ministro dos Assuntos Religiosos, Sr. Zaqzouq, deu instruções às mesquitas do Egipto para que atacassem os Bahá’ís; junto com essas instruções seguiu um livro intitulado “Os Baha’is e a posição do Islão”. Este livro é uma mera repetição da tradicional propaganda anti-islâmica: os baha’is são apóstatas, a sua religião é uma “epidemia intelectual”, têm ligações ao sionismo, querem destruir o Islão, etc …

Claro que nos podemos questionar até que ponto as audiências egípcias destes sermões de sexta-feira serão assim tão ignorantes ao ponto de acreditar neste tipo de propaganda. Mas há outras questões mais importantes: porque é que o Ministro dos Assuntos Religiosos lança uma campanha de ódio contra os Bahá’ís, no mesmo momento em que o Ministro do Interior tenta resolver o problema? Porque é que o Governo Egípcio não respeita a decisão de um tribunal? Estará o Egipto a tornar-se um Estado sem lei?

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Sobre este assunto:
Baha'is of Egypt Submerge into More Confusion (Baha’i Faith in Egypt and Iran)
Department of Civil Status leads discrimination against Baha’is (MNBR)
Publication in Egypt incites hatred against Baha’is (MNBR)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Porque é que os Islamitas perseguem os Bahá’ís

Por Amil Imani (artigo publicado no American Thinker)
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As ideias e as crenças, incluindo a religião, são o software que determina o nosso comportamento. E algum software do passado já não funciona porque está ultrapassado em relação às necessidades do tempo e também porque está infectado com vírus destrutivos.

Basta um exame rápido para mostrar que o software do Islão, com o tempo, está demasiado manipulado por incontáveis seitas, sub-seitas e escolas, de tal forma que dificilmente pode ser considerado um sistema unitário de crença. E as pessoas são as suas ideias. Qualquer ataque às crenças e às ideias provoca um atacante à acção.


O choque de crenças, o velho versus o novo, é o motivo para os Islamitas libertarem o seu poder contra a recente iconoclástica fé Bahá’í. Na verdade, os bahá’ís reverenciam o Islão, a tal ponto que alguns lhe chamam a “luz do Islão”, porque, apesar de reter alguns princípios islâmicos, também aboliu um conjunto de práticas e leis islâmicas consideradas contraproducentes e ultrapassadas. Os Bahá'ís afirmam que a sua fé não é um máquina de destruição que pretende arruinar a casa de Deus chamada religião: uma casa profundamente dividida onde todos afirmam adorar o mesmo Deus, e no entanto mantêm a opressão, a luta e a morte uns aos outros em nome do mesmo Deus.

Os Bahá'ís têm uma visão da humanidade muito cor-de-rosa, e mesmo irrealista. Afirmam que o seu objectivo para cada ser humano, independentemente de todas as considerações, é usufruir de todos os direitos concedidos por Deus e ser-lhe permitido adorar o seu criador na forma que considerar adequado. Têm uma espécie de visão idílica do mundo, onde cada pessoa viverá como um membro valioso da família humana. Aparentemente já conseguiram uma resposta positiva de 6 a 7 milhões de pessoas de todas as etnias, religiões e nacionalidades. Esta visão pode não converter os restantes 6-7 mil milhões de pessoas nos tempos mais próximos, mas sem dúvida que está muito distante da ideia islamita de forçar o mundo à chamada Ummah com a sua lei da sharia do tempo da idade da pedra.

Os Bahá'ís acreditam que Deus envia os seus professores à sua escola, de tempos a tempos, com novas lições, que ajudam os povos a progredir para novos níveis de humanidade. O problema, acreditam eles, é que as pessoas se agarram aos ensinamentos da escola antiga e ao velho professor, e resistem teimosamente a aceitar um novo professor com os seus ensinamentos. Os bahá'ís vêem os profetas de Deus como renovadores que surgem de tempos a tempos para derrubar os muros de separação e reunir os filhos de Deus numa aula comum ao ar livre, longe das absurdas masmorras do exclusivismo e da ignorância.

Abaixo apresentam-se alguns ensinamentos bahá'ís que colidem com o Islão e que levam os Islamitas a fazer tudo o que podem para destruir a nova religião

* O Povo de Deus. Os Muçulmanos acreditam eu são o povo escolhido por Deus e não reconhecem qualquer outro sistema de crença como legítimo. Os Bahá'ís acreditam que todos os povos são escolhidos por Deus; apenas existe um Deus, uma religião de Deus, e um povo de Deus que é a raça humana.

* Pérolas de um colar. Os Muçulmanos proclamam Maomé é o selo dos Profetas; que Deus enviou o melhor e derradeiro mensageiro à humanidade, e que qualquer outro pretendente a mensageiro é um impostor e merece ser morto. Os Baha’is acreditam que Deus sempre enviou os seus professores com novas e actualizadas lições para educar a humanidade e continuará a fazê-lo no futuro. Têm existido incontáveis professores divinos no decorrer da história humana que apareceram a vários povos. Os Bahá'ís afirmam que estes professores são como pérolas de um colar e que Bahá'u'lláh é a mais recente mas não a última pérola.

* Pensamento independente. A imitação cega é um anátema para os Bahá'ís. Os Bahá'ís acreditam que a mente humana e a dádiva da razão devem guiar as pessoas nas suas tomadas de decisão sobre todos os assuntos. Para este fim, atribuem uma importância primordial à educação e à independente pesquisa da verdade.

Os Bahá'ís consideram a educação das mulheres tão importante quanto a dos homens, pois as mulheres são as primeiras educadoras das crianças, e podem desempenhar o seu papel ao serem educadas. Por contraste, o Muçulmanos procuram as autoridades religiosas para orientação e frequentemente privam as mulheres de educação e de pensamento independente.

Como reconhecimento da importância do pensamento independente, ninguém nasce Bahá'í. Quando se nasce Muçulmano, é-se considerado Muçulmano para toda a vida. Se alguém decide abandonar o Islão, é rotulado como apóstata e, os apóstatas são automaticamente condenados à morte. Por contraste, cada criança que nasce numa família Baha’i deve tomar a sua decisão independente sobre se deseja, ou não, ser Baha’i. a liberdade de escolha e o pensamento independente são estimados pelos Baha’is, em profundo contraste com as mentes fechadas dos Islamitas.

* Religião e Ciência. Os Bahá'ís acreditam que a verdade transcende todas as fronteiras. A verdade científica e a verdade religiosa emanam da mesma fonte universal. São como duas faces da mesma moeda. Para os baha’is a ciência e a religião são como as duas asas de um pássaro que permite à humanidade voar para os cumes do sue potencial; qualquer crença religiosa que contradiga a ciência é superstição. Os Muçulmanos acreditam que a sua escritura e dogma religioso, independentemente de se provar a sua falsidade, são superiores à ciência.

* Igualdade de géneros. Os Muçulmanos sustentam a posição, expressamente declarada no Alcorão, que os homens são governantes das mulheres. Os Bahá'ís rejeitam esta noção e subscrevem a igualdade incondicional de direitos para os dois sexos. Estes princípios Bahá'ís emancipam metade da humanidade de um estatuto de subserviência doméstica para outro de plena participação e progresso humano.

* Participação na tomada de decisão. O Islão, pela sua própria natureza é patriarcal e autoritário. Os Bahá'ís acreditam no valor da tomada de decisão através da consulta; neste processo, todos, independentemente de toda e qualquer consideração, têm uma voz no processo de tomada de decisão. Este processo participativo de tomada de decisão elimina a prerrogativa do clero Islâmico que tem tomado decisões de acordo com os seus interesses e vantagens. Também, em todos os níveis da sociedade, incluindo a família, todos os membros têm a oportunidade – diria mesmo a responsabilidade - de dar a conhecer os seus pontos de vista sem receios. Os ensinamentos Bahá'ís enfatizam claramente este compromisso com um processo democrático de tomada de decisão: “A centelha da verdade surge apenas após o choque de diferentes opiniões”.

* Visão global. Os Baha’is adoram os países onde nasceram, mas alargam esse amor a todo o planeta e aos seus povos. Os Baha’is acreditam que o amor não tem limites e não há necessidade de limites. Pode-se amar o seu país natal e simultaneamente amar o mundo inteiro. Este amor ao mundo é frequentemente usado como argumento pelos Islamitas para acusar os Baha’is de traição ao seu país natal. É por este motivo que os mulllahs que governam o Irão acusam falsamente os Baha’is de serem agentes de Israel sionista e do seu apoiante americano.

* Erradicação de preconceitos. Qualquer tipo de preconceitos é estranho à fé Baha’i e destrói gravemente o princípio essencial de unidade da humanidade. O preconceito contra outros é explorado pelos Islamitas. Em contraste, as escrituras Baha’is afirmam: "… quanto aos preconceitos religiosos, racial, nacional e político: estes preconceitos atacam as raízes da vida humana. Todos eles geraram derramamento de sangue e a ruína do mundo. Enquanto estes preconceitos sobreviverem, haverá guerras terríveis e contínuas."

* Abolição do sacerdócio. Um dos grandes pontos de conflito envolve a abolição do clero. Os Baha’is acreditam que a humanidade amadureceu suficientemente ao ponto de já não necessitar de uma casta de clero profissional para servir as necessidades religiosas dos povos. Com um golpe único, este ensinamento coloca milhares de mullahs e Imans no desemprego, o que leva poderosa casta de clero improdutivo a lutar para reter as suas posições parasitárias e altamente privilegiadas.

É imperativo que os povos livres do mundo defendam a liberdade de consciência, incluindo a liberdade de religião, independentemente das crenças pessoais de cada um. É por este motivo que, enquanto pessoa que não é baha’i, considero ser meu dever falar em nome destas pessoas pacíficas, fortemente perseguidas por Islamistas selvagens.

domingo, 13 de julho de 2008

Rui Pereira, Ministro da Administração Interna



O tiroteio ocorrido nos últimos dias no Bairro da Quinta da Fonte (um bairro na periferia de Lisboa) não são novidade para os moradores do bairro; são novidade para a sociedade portuguesa apenas porque a televisão transmitiu imagens dos incidentes, imagens de uma verdadeira guerrilha urbana. Se não fosse a televisão, isto teria sido notícia?

Rui Pereira, actual Ministro da Administração Interna, pareceu-me uma das muitas pessoas neste país que ficaram surpreendidas com os acontecimentos. Mas o seu curriculo à frente do Ministério da Administração Interna não nos sugere que o problema possa ser resolvido; o mais provavel é que venha a ser esquecido...

Como alguém disse uma vez, o problema dos nossos dirigentes políticos é que provêem da alta classe média e desconhecem os problemas de outros estratos sociais. Talvem não fosse má ideia que o Sr. Rui Pereira fosse viver para o Bairro da Quinta da Fonte durante um ano. Só para sentir o que é viver diariamente com aqueles problemas de insegurança e vandalismo. E com ele podiam ir outros políticos, analistas, comentadores encartados e até jornalistas. Daqui a um ano todos falariam com conhecimento de causa. E até talvez surgissem algumas soluções.

sábado, 12 de julho de 2008

As transformações necessárias na Igreja Católica

Anselmo Borges escreve hoje no Diário de Notícias:
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Quando se pensa nas transformações do mundo moderno, percebe-se quanto será necessário, sem perder o núcleo da sua mensagem, a Igreja mudar. Dificilmente serão aceitáveis estruturas piramidais, sem participação activa, democrática. As mulheres andam magoadas com a Igreja e vão, legitimamente, exigir tratamento de igualdade. A Igreja não pode pregar os direitos humanos para fora, não os praticando dentro dela. Um dogmatismo rígido e inflexível, sem uma sadia opinião pública, não lhe é de modo nenhum favorável.

Depois, há vícios que é preciso combater, como proclama, do alto dos seus 81 anos, o cardeal Carlo Martini, considerado papabilis durante anos. Para ele, "o vício clerical por excelência" é a inveja. Há muitas pessoas dentro da Igreja "consumidas" pela inveja, perguntando: "Que mal cometi eu para nomearem fulano como bispo e não a mim?"

Para Martini, há outros pecados capitais fortemente presentes na Igreja: a vaidade e a calúnia. "Que grande é a vaidade na Igreja! Vê-se nos hábitos. Antes, os cardeais exibiam capas de seis metros de cauda de seda. A Igreja reveste-se continuamente de ornamentos inúteis. Tem essa tendência para a ostentação, o alarde."

E "o terrível carreirismo" clerical, especialmente na Cúria Romana, "onde todos querem ser mais"? Por isso, "certas coisas não se dizem, já que se sabe que bloqueiam a carreira". Isso é "péssimo para a Igreja". A verdade brilha pela ausência, pois "procura-se dizer o que agrada ao superior e age-se como cada um imagina que o superior gostaria, prestando deste modo um fraco serviço ao Papa".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Publicidade Religiosa (2)



Mais estranho que um anúncio de uma empresa de mudanças que nos exorta a confiar em Deus, é uma etiqueta de roupa que proclama que Jesus é o caminho. O caso chegou-me às mãos através de uma peça de roupa comprada no Brasil. Não sei que aceitação tem uma iniciativa destas nos diferentes estratos da sociedade brasileira; a minha irmã (que mora há alguns anos em Curitiba) afirma: "Pegou moda nas etiquetas dessa empresa. E o que mete raiva é que os produtos deles têm qualidade!"

Com qualidade ou não, na minha perspectiva (e lembro que culturalmente eu sou português) os autores desta iniciativa parecem não ter percebido o ridículo da sua iniciativa. Claro que não pude deixar de imaginar Jesus vestindo um pijama de cores topázio e preto. Ficaria bem original, bem diferente daquelas imagens estereotipadas com túnicas brancas.

Talvez isto seja apenas um choque cultural. Mas serve para lembrar uma coisa: um método de divulgação de uma mensagem religiosa pode ser aceitável e digno num país e inaceitável e indigno noutro. Infelizmente, nem todas as religiões se lembram da diversidade cultural do planeta.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Santuários Bahá'ís declarados Património da Humanidade

Santuário do Báb, no Monte CarmeloO Comité da UNESCO para o Património Mundial anunciou ontem (08/Julho), no Canadá, a classificação dos lugares sagrados Bahá’ís em Haifa e na Galileia Ocidental como Património da Humanidade. Estes lugares sagrados bahá’ís juntam-se a uma lista de lugares internacionalmente reconhecidos como a Grande Muralha da China, as Pirâmides, o Taj Mahal e Stonehenge.

A lista do Património Mundial da UNESCO inclui diversos lugares de importância religiosa global, como o Vaticano, a Cidade Velha de Jerusalém e os restos das estátuas budistas de Bamiayn no Afeganistão. Os dois santuários Bahá’ís são os primeiros locais ligados a uma tradição religiosa recente a ser adicionados à lista da UNESCO.

Estes dois santuários - um perto de cidade de Akka (também reconhecida como património da humanidade) e outro no Monte Carmelo - são os lugares onde repousam os restos mortais de Bahá'u'lláh e do Báb, os fundadores da Fé Baha’i. Os Baha’is acreditam que Bahá'u'lláh e o Báb foram mensageiros de Deus; os seus santuários são local de peregrinação para os Baha’is. O túmulo de Bahá'u'lláh é o ponto focal das orações dos Baha’is de todo o mundo, e tem uma importância comparável ao Muro das Lamentações para os Judeus ou a Kaaba para os Muçulmanos.

Recorde-se que Bahá'u'lláh foi exilado para Akka, que na época fazia parte do Império Otomano, onde veio a falecer em 1892. O Bab foi executado no Irão em 1850, tendo os seus restos mortais sido posteriormente transferidos para Haifa.

Os dois santuários são famosos pelos jardins que os rodeiam. Além de serem visitados por peregrinos baha’is, estes locais atraem centenas de milhar de visitantes e turistas todos os anos.


Reagindo a esta declaração da UNESCO, o secretário-geral da Comunidade Internacional Baha’i Albert Lincoln afirmou: “Acolhemos com agrado este reconhecimento da UNESCO, que salienta a importância dos locais sagrados de uma religião que em 150 anos evoluiu de um pequeno grupo confinado ao Médio Oriente para uma comunidade global espalhada em praticamente todos os países do mundo. Estamos particularmente gratos ao Governo de Israel por ter apresentado esta candidatura junto da UNESCO”

A lista de Património Mundial foi criada em 1972 pela UNESCO com o objectivo de identificar, proteger e preservar locais de “património cultural e natural de proeminente valor universal”. Até hoje, 184 nações assinaram a Convenção do Património Mundial que define as normas gerais para a selecção de locais. Hoje existem mais de 850 locais reconhecidos, incluindo áreas naturais como o Serengueti na África Oriental e a grande barreira de coral na Austrália.

O Comité do Património Mundial é composto por 21 países signatários da Convenção do Património Mundial, e reúne-se anualmente. A lista anunciada hoje inclui 19 lugares culturais (onde se inclui também a antiga fortaleza portuguesa de Malaca) e 8 lugares naturais.

COMENTÁRIO: O Irão é signatário da Convenção do Património Mundial. Poderá esta nomeação fazer com que as autoridade iranianas pensem duas vezes antes de voltar a destruir património Baha'i no Irão? E o Hezbollah voltará a lançar mísseis sobre Haifa? O Tehran Times ignora este facto e apenas salienta que entre os nomeados de hoje há uma igreja arménia entre os locais nomeados. E, no entanto, com esta nomeação a UNESCO reconhece que os fundadores da religião Baha’i possuem um "proeminente valor universal"...

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A ler:
Twenty-seven new sites inscribed (UNESCO)
Baha'i shrines chosen as World Heritage sites (BWNS)
People can sense the presence of God (BWNS)
UNESCO lists three new heritage sites from Israel to South Pacific (AFP)
World Heritage Committee inscribes 27 of 43 sites to UNESCO's list (Xinhua)
Bahai Gardens named World Heritage Site (YNetNews.Com)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Publicidade Religiosa (1)



A foto acima foi tirada em Lisboa, e mostra um cartaz que colado numa dessas caixas transformadoras de electricidade. Ter-me-ia passado despercebido não fosse a frase de rodapé: “Feliz é o homem que confia em Deus”. É uma estranha forma de incentivar a fé. Mas não pude deixar de sorrir perante o que me parece ser a ingenuidade dos autores do cartaz.

Que se pode esperar de uma empresa que nos incentiva a confiar em Deus? Sempre que contratei os serviços de alguma empresa a minha primeira preocupação foi sempre perceber que confiança me merece essa empresa (e os seus empregados!). E se alguma vez durante a prestação de serviços contratada me lembrei do Criador, foi porque o serviço não estava a correr nada bem. E mesmo nesse momento não foi exactamente uma prece. Foi mais uma expressão do género: "Ai meu Deus! O que é que esses tipos estão a fazer?!..."

Este é o tipo de propaganda religiosa perfeitamente contraproducente na sociedade portuguesa. Imagino que os autores do cartaz não tiveram essa percepção. Ou então visavam um segmento de mercado totalmente oposto àquele em que eu me integro!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O novo ano lectivo no Egipto

Novo Ano Lectivo no Egipto
(clique na imagem para aumentar)

Mais uma inciativa do Mideast Youth. Por vezes o humor é uma fantástica forma de protesto!

domingo, 6 de julho de 2008

TGV ou Aeroporto?

Fernando Madrinha escrevia ontem no Expresso:
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O que sei, porque está à vista de todos, é que os preços dos combustíveis não vão parar de subir – podem até baixar conjunturalmente, mas nunca para os valores de há um ano ou daí para trás. Pela simples razão que o petróleo já mal chega para as encomendas e chegará cada vez manos. Ora, o delírio dos preços não pode deixar de ter efeitos ruinosos no transporte aéreo, como já se está a ver com a TAP e com a generalidade das companhias. As próprias «low-cost» passarão, em breve, a «high-cost» ou à falência. E até que se encontrem substitutos para os hidrocarbonetos, é muito provável que viajar de avião, assim como viajar de automóvel a gasolina ou gasóleo, volte a ser o luxo de há 30 anos ou 20.

Ora o comboio – especificamente o de alta velocidade – apresenta-se como uma alternativa ao avião, válida e de futuro, dentro de cada continente. Daí não se perceber bem por que é que entre as contestadas grandes obras anunciadas, o TGV aparece como a primeira a abater. Mais depressa se compreenderia o finca-pé no adiamento do novo aeroporto. Afinal, se a procura do avião diminuir, como tudo parece indicar, a Portela pode servir por muitos mais anos do que aqueles que os peritos calcularam numa situação global completamente diferente da que hoje vivemos. Mas isto, claro está, é o que ocorre a quem nada sabe de aeroportos e TGV. Nem de certas campanhas políticas desencadeadas para eleitor ver.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Agenda Cultural



CRC - CENTRO DE REFLEXÃO CRISTÃ

CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008

8 de Julho de 2008 às 18h30m

A Oposição Católica ao Estado Novo 1958-1974 (Apresentação do livro)
  • Fernando Rosas
  • Guilherme d’Oliveira Martins
  • João Miguel Almeida (autor)
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Escolas Egípcias recusam inscrição de crianças Bahá'ís

Segundo noticiava ontem a versão online do jornal egípcio Daily News, as escolas egípcias estão a recusar a inscrição de crianças de famílias baha’is. Isto acontece cinco meses após uma decisão de um tribunal Egípcio ter reconhecido o direitos dos membros desta minoria religiosa poderem receber bilhetes de identidade sem indicação da sua filiação religiosa.


Adel Ramadan, um advogado da Egyptian Initiative for Personal Rights (EIPR) – a organização que defendeu o caso dos Baha’is – afirma que as escolas se recusam a aceitar os antigos documentos de identidade. Pode parecer estranho que os Baha’is ainda não possuam os novos documentos de identificação (produzidos por um sistema informático), e se vejam forçados a usar os antigos documentos. Mas a verdade é que as autoridades egípcias têm vindo a protelar a implementação da decisão judicial; esta atitude mantém os Baha’is como cidadãos sem direitos. Recorde-se que sem os novos bilhetes de identidade um cidadão egípcio não pode ter acesso a serviços básicos como assistência médica, abrir uma conta num banco, casar, registar um filho, etc.

Na opinião de Adel Ramadan, o Ministério do Interior (responsável pela emissão de bilhetes de identidade) escusa-se a implementar uma decisão judicial, e o Ministério da Educação segue uma política que viola a Constituição.

Imaginem só o que aconteceria se alguma escola na Europa inventasse um pretexto burocrático qualquer para recusar a inscrição de crianças muçulmanas? Quantas notícias de jornal se imprimiriam sobre este assunto? Quantos minuto dedicariam os telejornais? Quantos debates e editoriais? Quanta intelectualidade bem pensante se escandalizaria com essa “Islamofobia”? Quantos embaixadores de países muçulmanos pediriam esclarecimentos ou seriam chamados aos seus países?

E o que fazem hoje os jornais europeus sobre a situação dos Baha’is no Egipto? O que dizem os telejornais, os editoriais, os intelectuais? Porque é que ninguém se escandaliza com a “bahai-ofobia” nos países muçulmanos? Não é estranho que seja apenas um jornal egípcio a dar esta notícia?

terça-feira, 1 de julho de 2008

A voz das Mulheres laureadas

Seis laureadas com o Prémio Nobel publicaram uma declaração apelando ao governo iraniano para libertar imediatamente os sete dirigentes baha’is iranianos detidos em Teerão.

Estas seis mulheres, pertencentes à organização Nobel Women’s Initiative exigiram que o Governo Iraniano garantisse a segurança dos Baha’is - presos na Prisão de Evin, sem acesso a advogados e não tendo sido acusados de nada - e lhes concedessem liberdade incondicional.

As subscritoras desta declaração são:
  • Betty Williams and Mairead Corrigan Maguire, fundadoras do Peace People in Northern Ireland e vencedoras do Prémio Nobel da Paz em 1976;
  • Rigoberta Menchu Tum, uma proeminente advogada da reconciliação etnico-cultural na Guatemala e Prémio Nobel da Paz em 1992;
  • Jody Williams, professora e activista internacional pela proibição das minas terrestres, vencedora do Prémio em 1997;
  • Shirin Ebadi, advogada activista dos direitos humanos e vencedora em 2003;
  • Professora Wangari Muta Maathai, professora, ambientalista e activista queniana, vencedora do Nobel em 2004.
Na sua declaração pode-se ler:
"Notámos com preocupação as notícias da detenção de seis proeminentes Baha’is em 14 de Maio de 2008. Sabemos que a Sra. Fariba Kamalabadi, o Sr. Jamaloddin Khanjani, o Sr. Afif Naeimi, o Sr. Saeid Rezaie, o Sr. Behrouz Tavakkoli, e o Sr. Vahid Tizfahm são membros de um grupo informal designado «Os Amigos no Irão» que coordena as actividades da comunidade Baha’i no Irão. Sabemos ainda que outro membro dos «Amigos no Irão», a Sra. Mahvash Sabet tem estado detida desde 5 de Março de 2008. Registamos a nossa profunda preocupação pelas crescentes ameaças e perseguições contra a Comunidade Bahá’í do Irão."

"Apelamos ao Governo Iraniano para assegure a liberdade destes indivíduos e lhes conceda a liberdade incondicional imediata."
A Nobel Women's Initiative foi fundada em 2006 por seis mulheres laureadas . representando a América do Norte, América Latina, Europa, Médio Oriente e África – com o objectivo de contribuir para a construção da paz, fomentando actividades com mulheres em todo o mundo. Até hoje apenas 12 mulheres venceram o prémio Nobel da Paz