sábado, 30 de agosto de 2008

Liberation: Les bahaïs d’Iran en danger

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FOAD SABERAN né à Téhéran, médecin psychiatre à Paris.
QUOTIDIEN : mardi 26 août 2008
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Cela dure depuis près de deux ans. A l’heure de la prière matinale, dans des cours d’école de la République islamique de l’Iran, des maîtres et des maîtresses injurient, humilient les enfants de famille bahaïe devant leurs camarades, pour les amener à renier la religion de leurs parents. Ces enseignants obéissent à une directive du ministère de l’Education et de l’Instruction, datée de l’automne 2006. Ces scènes d’un autre âge me rappellent des souvenirs.

Je me souviens d’avoir subi, en 1954, sous la monarchie triomphante, avec les gamins bahaïs de ma classe, des maltraitances similaires de la part de notre professeur d’instruction religieuse. Je me souviens de ce que racontait ma mère. A 20 ans, dans les années 1930, cette institutrice, grande jeune femme épanouie, a failli être vitriolée, pour s’être promenée sans voile dans le bazar de Téhéran. Les femmes votaient dans la communauté bahaïe dès avant la Première Guerre mondiale. Je me souviens qu’en 1981, le professeur Manoutchehr Hakim, célèbre médecin des pauvres et bahaï, a été assassiné. Les autorités se sont empressées de confisquer ses biens et ceux de son épouse française.

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aqui ou aqui.

Iémen vai deportar Bahá'ís?



Alguns dos Bahá’ís detidos no passado mês de Junho no Iémen, correm o risco de vir a ser deportados para os seus países de origem, apesar de viverem com as suas famílias e trabalharem naquele país há mais de 25 anos. Isto significa que do grupo de seis detidos, três correm o risco de vir a ser deportados para o Irão (onde provavelmente os aguarda a prisão e tortura) e um quarto pode ser expulso para o Iraque. Outros dois detidos, de nacionalidade iemenita foram, entretanto, libertados.

Recorde-se que no passado mês de Junho um grupo de seis Bahá’ís foi detido na capital, Sanaa, após rusgas efectuadas nas residências de diversas famílias bahá’ís. Durante essas rusgas foram apreendidos diversos documentos, fotografias, CD’s e um computador.

A Comunidade Internacional Bahá’í tem acompanhado a situação e considerou que esta detenção sem a formalização de qualquer acusação é um caso de perseguição religiosa, recordando que a deportação de qualquer pessoa para um país onde enfrenta a possibilidade de tortura é uma violação da lei internacional.

As autoridades iemenitas têm dado a entender que as detenções se deveram a suspeitas de proselitismo ilegal, facto que tem sido negado pelos Baha’is. Actualmente existem no Iémen cerca de 250 Baha’is; estes sempre gozaram de uma relativa liberdade para praticar a sua religião.

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Sobre este assunto:
Baha'is imprisoned in Yemen may face imminent deportation to Iran (BWNS)
Update on arrested Baha’is in Yemen (MNBR)

Nélson Évora e João Ganço unidos pelo espiritual

Artigo do jornalista Nuno Amaral, publicado no Jornal de Notícias no passado dia 23-Agosto-2008
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Nélson Évora e João Ganço não são só um atleta e um treinador de sucesso. Partilham uma religião e uma filosofia, cujos princípios excedem a importância do desporto. A medalha de ouro olímpica é apenas um bónus...
Foi aos cinco anos que Ganço descobriu Évora em Odivelas, quando o agora campeão olímpico do triplo salto brincava com os filhos do treinador, ex-recordista nacional de salto em altura e primeiro português a passar os dois metros na disciplina, e este percebeu que o miúdo nascido na Costa do Marfim e de ascendência cabo-verdiana, tinha jeito para a actividade desportiva.

Desde então, e já passaram 18 anos, os dois desenvolveram uma relação de grande proximidade, que extravasa as fronteiras desportivas. Entre os dois há algo de místico e espiritual, levado à prática pelo facto de partilharem uma religião chamada "Fé Bahá'í", regida pela unidade, que define a Terra como um só país e a humanidade como os seus cidadãos e que foi fundada em 1844 na Pérsia, actual Irão. "A religião ajuda-nos no equilíbrio do nosso interior e a sabermos enfrentar a realidade. Também nos ensina a olhar mais para as coisas positivas do que para as negativas", afirmou o novo campeão olímpico, tendo esclarecido ontem que essa filosofia de vida nada tem a ver com resultados desportivos: "São valores em que acredito. Transporto para a vida tudo aquilo em que acredito, e não apenas para o desporto".

Nélson Évora define João Ganço como um "segundo pai", que o ajudou a aperfeiçoar as suas qualidades e a acreditar que era possível tornar-se um atleta de alta competição. Depois da vitória em Pequim, o saltador dedicou a vitória ao pai biológico, que passou os últimos dias numa cama de hospital devido a um problema de saúde grave, mas já se sabe que tem sempre o treinador na cabeça.

Durante a prova de anteontem, foi notória a importância da cumplicidade entre os dois, nas conversas que tiveram entre os saltos, nos olhares, na forma como saltaram ambos, um na pista e o outro na cadeira, para o desejado título olímpico. No final, abraçaram-se com a sensação de dever cumprido. "Foram 18 anos a lapidar um diamante. Não foi fácil, mas conseguimos que tudo corresse bem. A mentalidade forte que o Nélson Évora possui faz dele um campeão", referiu o treinador depois da vitória de anteontem, que não pôde ser festejada com excessos porque o álcool é uma das proibições impostas pela religião de que ambos são praticantes e é sabido que as saídas à noite não estão no roteiro habitual do atleta.

A "Fé Baha'í" ajuda também o saltador português a respeitar todos os adversários, como fez questão de dizer várias vezes antes dos Jogos Olímpicos, seja qual for o grau de favoritismo que lhe é atribuído. Por isso, também se entenderam como um desabafo as palavras de ontem do campeão olímpico, em resposta ao inglês Phillips Idowu, segundo classificado na final realizada anteontem, que disse antes da prova já se sentir o vencedor antecipado, chegando mesmo a definir-se como o Super-Homem. "Não me interessam as declarações dele. A frustração que o Idowu está a sentir é culpa dele. Devemos respeitar os nossos adversários em todas as situações e eu sempre fiz isso, ganhando ou não. Ele não o fez, pensou que já tinha a medalha de ouro no bolso, mas a medalha está do meu lado. Ele vai ter de aprender a viver com isso", disse o português. Com toda a calma do mundo…

domingo, 24 de agosto de 2008

sábado, 23 de agosto de 2008

Nelson Évora: um Bahá’í

O texto que se segue é a transcrição de um artigo João Bernard Garcia, publicado ontem no jornal 24 Horas, a propósito do relacionamento de Nelson Évora com a Fé Baha’i.
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As centenas de membros portugueses da comunidade Baha’í rejubilaram ontem de alegria com a conquista olímpica de Nélson Évora, um dos seus irmãos nesta fé.

David Ganço, amigo do campeão de triplo salto, e filho do treinador João Ganço, garante que o ouro foi “a prova de que Nélson é um bom ser humano, um bom atleta” e “esta foi a melhor forma de adoração a Deus”.

A atitude de querer melhorar tudo o que fazem é uma das imagens de marca dos cerca de 5 milhões de fiéis que em todo o mundo seguem os princípios de fé defendidos pelos profetas Bahá’u’lláh e Abdu’l-Bahá.



Nélson, tal como todos os outros crentes Baha’í, acredita que “a Terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos”; e que o Universo se rege pela “unidade”, “harmonia” e “espiritualidade”. Partindo destes princípios, os seus seguidores vêem nos Jogos Olímpicos o expoente máximo das suas convicções, como explica Carlos Jalali, um dos membros do Conselho da Comunidade em Portugal.

“Os Jogos são a imagem quase perfeita da unidade na diversidade que a nossa crença defende. Daí que tenha sido uma grande alegria ver o Nélson vencer o ouro olímpico. Eu sabia que ele estava fortemente motivado”, remata.

Mário Mota Marques, outro dos membros do Conselho Nacional da Comunidade Baha’í, reconhece que o nosso campeão é “uma pessoa tranquila, com muita espiritualidade, modéstia e força mental, que sabe dar o exemplo de correcção”.

Dos treinos na rua até ao ouro olímpico

Isso mesmo confirma David Ganço, amigo desde os quatro anos e vizinho de Nélson Évora em Odivelas, e seu irmão na fé Baha’í. “Ele é um excelente atleta que começou a ser treinado comigo pelo meu pai aqui nas ruas de Odivelas e que aos poucos foi evoluindo até chegar ao ouro olímpico”, conta.

Nélson passou os dias, e por vezes noites, em casa da vizinha família Ganço. Com eles frequentou aulas e reuniões Baha’í para crianças, com eles praticou desporto, brincou e se divertiu. “Somos como irmãos. Fazíamos tudo como se fôssemos uma família unida”, conta o amigo David, que ontem só conseguiu dar “meia dúzia de gritos de alegria” no telemóvel do pai, que está na China.

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O que significa ser um Baha’í?

Os seguidores da fé Baha’í acreditam na “eliminação de todas as formas de preconceito”, na “igualdade entre homens e mulheres”, na “harmonia entre ciência e religião”, na “paz mundial suportada por um governo mundial”, nas “soluções espirituais para os problemas económicos” e na “educação universal”.

Estas convicções pretendem criar unidade entre todos os povos e defendem a globalização com tanta convicção que chegam mesmo a afirmar que o “mundo é um país e a humanidade os seus cidadãos”.

Nélson é um fiel seguidor Baha’í. Mas também se distingue em desfiles de moda –é agenciado pela Glam – e pela participação em acções de solidariedade social. Ainda recentemente, leilou algumas fotos pessoais para fins de caridade. Foram vendidas por 300 euros e quem as comprou foi... a namorada.

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“A alma permanece para além da morte”

O estado de saúde do pai de Nélson Évora não terá abalado o estado de espírito do filho durante toda a sua estada em Pequim. Segundo Mário Mota Marques, membro do conselho nacional da comunidade Baha’í, da qual Nélson Évora faz parte, os crentes nesta fé vivem “num estado de grande serenidade” pois acreditam que “o corpo é apenas uma embalagem e que a alma permanece para além da morte”, conforme explicou em declarações ao 24horas. “Creio que a fé nisso terá ajudado Nélson quando pensou que o pior podia acontecer ao pai”, resume Mário Mota Marques, que também é amigo pessoal do medalha de ouro destes Jogos Olímpicos de Pequim.

Nélson Évora é um dos mais conhecidos membros desta comunidade e tem dado a cara publicamente pela fé Baha’í. (...)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Ouro Olímpico para um Bahá'í português!!!



Parabéns, Nelson Évora!

Nélson Évora conquistou a primeira medalha de ouro para Portugal nos Jogos Olímpicos de Pequim. O atleta, no salto triplo, alcançou a marca de 17m67 no seu quarto ensaio. Esta foi a segunda medalha do nosso país na China, após a de prata conquistada por Vanessa Fernandes no triatlo.

Nélson Évora não precisou de fazer o seu último salto para alcançar a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim. A marca do triunfo surgiu no quarto ensaio, com o português a registar 17m67.

Quando soube que tinha sido campeão, o atleta foi cumprimentar o treinador João Ganço entre lágrimas, numa clara demonstração de reconhecimento.

Évora, um dos poucos atletas nacionais que confirmaram as esperanças dos portugueses em si, não tremeu na final e logo no segundo salto registou 17m56, demonstrando que seria ele o alvo a abater.

No entanto, Phillips Idowu respondeu com 17m62 no terceiro salto e relegou o português para o segundo lugar.

Mas Évora reagiu e alcançou no salto seguinte a marca que lhe valeu o ouro, 17m67. O britânico ainda procurou no sexto ensaio superar o registo do português, mas acabou por falhar o seu salto, entregando o ouro ao português, que, recorde-se, também é o actual campeão mundial.

(via Diário Digital)

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ACTUALIZAÇÃO Nº1:
Muito se tem dito e escrito sobre os insucessos de diversos elementos da equipa olímpica portuguesa nestes Jogos Olímpicos de Beijing 2008. Para os que não hesitam em criticar esses atletas, lembro que há quatro anos atrás, Nelson Évora também foi infeliz na sua participação nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Tenham cuidado com o que dizem e o que escrevem. Podem estar a condenar futuros campeões olímpicos.

ACTUALIZAÇÃO Nº2:
Como nota de curiosidade, registei que nas últimas 12 horas, o GoogleBlogSearch identifica quase 500 referências a Nelson Évora. Aqui ficam os links dos blogs baha’is que fazem referência ao sucesso do nosso campeão olímpico:

Barnabas Quotidianus: Olympic gold for triple-jumping Baha’i (Note-se o fair-play britânico)
Bahai Views: On Best Ba-ha’i and Long Jumper in the World: Evora wins gold
Befriend Stranger: Olympic gold for a Portuguese Baha’i
Sharing is Caring: Baha’i takes Olympic Gold
Baha’i Perspectives: Hail the Olympic Hero!
Baha’i News UK: Bahá’í wins Olympic Triple Jump Gold
Mauxito: Bahá'í Olympics Gold Winner
Mulheres na Nova Era: Atleta Bahá'i traz ouro olímpico para Portugal
Elfo Verde: Campeão Olímpico
Estrellas del cielo del entendimiento: Nelson Evora - Bahá'í Gold Winner
La Fede Baha'i - Bassano del Greppa: BAHA'I MEDAGLIA D'ORO ALLE OLIMPIADI

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Egipto: Discriminação no acesso à Universidade

Universidade do Cairo: um espaço reservado a Muçulmanos e Cristãos

Violando ostensivamente uma decisão judicial, o Gabinete Oficial de Admissão à Universidade (um órgão do Governo Egípcio) está a negar aos candidatos bahá'ís o direitos de não preencher o campo de identificação religiosa nos impressos de candidatura, obrigando-os a identificar a sua religião como Muçulmana ou Cristã.

Segundo os media locais, Abdel Hamid Salama, o supervisor do Gabinete de Admissão, também recusou que os candidatos bahá'ís pudessem identificar correctamente a sua religião. Ainda avançou com as artimanhas tradicionais: “Primeiro escolhem entre Islão e Cristianismo e depois quando ingressarem na Universidade, mudam para Bahá'í.”

O Daily News do Egipto refere o caso de Adel Farag, cuja filha Latifa se está a candidatar, e a quem o Gabinete de Admissão registou como Muçulmana, apesar dela ser Baha’i. "Desde que Latifa nasceu, sempre pudemos colocar um traço na identificação religiosa na certidão de nascimento e em outros documentos oficiais", afirmou o Sr. Farag. "Isto mudou quando ela fez os exames do ensino secundário e foi obrigada a identificar-se como Muçulmana ou Cristã. Fiz uma apelo ao Ministro da Educação para que ela pudesse fazer os exames e ela passou."

Como já referi neste blog, o mesmo tipo de discriminação é enfrentado pelos Baha’is que tentam inscrever os seus filhos em escolas primárias.

Se num qualquer país europeu os muçulmanos fossem obrigados a identificarem-se como cristãos ou judeus para poderem ingressar nas universidades, imagino os protestos das virgens ofendidas do outro lado do Mediterrâneo!

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Fonte: Religion dilemma follows Bahai university applicants (Daily News, Egypt)

Seis Bahá’ís e nove Cristãos detidos no Iémen

Segundo a Associated Press, nove pessoas foram detidas no Iémen por se terem convertido ao Cristianismo. O caso foi confirmado por uma fonte oficial que não se quis identificar e não adiantou muitos detalhes. As detenções ocorreram entre Maio e Agosto; os detidos ainda permanecem sob custódia policial.

O Iémen é um país onde o Islão é a religião do Estado e a Sharia a fonte de toda a legislação; a conversão de muçulmanos pode ser punível com a morte. Em casos semelhantes anteriores, os detidos foram libertados após terem negado a sua fé e suplicado o regresso ao Islão.

Além disto, a polícia confirmou também a detenção de seis Bahá'ís iranianos residentes no país há mais de trinta anos. Estes seis Bahá’ís foram acusados de pertencer a um grupo rebelde. Apesar de não estar banida oficialmente no Iémen, a religião baha’i é considerada uma heresia (e consequentemente, hostilizada) pelo clero islâmico local.

Mansour Hayel, vice-presidente do Fórum Político Omar al-Gawi e activista dos direitos humanos no Iémen considerou que as detenções são um sinal da crescente influência de organizações extremistas islâmicas naquele país da Península Arábica.

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Shirin Ebadi contra-ataca!

Ao longo do dia de ontem várias agências noticiosas e jornais online noticiaram que Shirin Ebadi ia processar judicialmente a IRNA (Agência Noticiosa Oficial Iraniana) devido à divulgação de um artigo onde se diziam que a sua filha, Narges Tavasolian, se tinha convertido à Fé Bahá’í há cerca de um ano atrás. Também serão processados todos os media iranianos que divulgaram a notícia.

Recorde-se que no passado dia 6 de Agosto a Srª Ebadi e a sua filha negaram prontamente a notícia posta a circular, afirmando são e sempre foram xiitas. A notícia surgiu depois da Srªa Ebadi ter aceite (juntamente com outros dois advogados activistas dos direitos humanos) a defesa dos sete dirigentes baha’is que se encontram detidos na prisão de Evin desde o passado dia 14 de Maio. Para os observadores, tratou-se de uma forma de intimidação por parte das autoridades iranianas.

É importante ter presente que este tipo de alegação (num país governado por um regime fundamentalista islâmico, onde a religião Baha’i é perseguida) equivale a uma acusação de apostasia, um acto punível com a morte segundo o código penal iraniano. Assim, a notícia da IRNA é mais do que um acto de difamação: é uma ameaça oficial à segurança pessoal da advogada, sobretudo num momento em que se intensificam os ataques contra baha’is no Irão.

O envolvimento de Shirin Ebadi na defesa dos Direitos Humanos no Irão valeu-lhe o prémio Nobel da Paz em 2003. Em Abril, a advogada afirmara ter recebido ameaças de morte no seu escritório; algumas dessas ameaças eram assinadas por um grupo intitulado “Associação dos Anti-Baha’is”.

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Sobre este assunto:

Iran's ebadi lodges complaint over Bahai claim (AFP)Mme Ebadi porte plainte contre IRNA pour diffamation (La Croix)Iran: Nobel laureate files lawsuit against news agency (Jerusalem Post)Le prix Nobel de la paix Shirin Ebadi porte plainte contre IRNA (Yahoo - Quebec)

sábado, 16 de agosto de 2008

Persépolis 2

Onde estão os muçulmanos que defendem as minorias, que levantam a sua voz contra a opressão e a discriminação? Onde existe um grupo de muçulmanos do Médio Oriente que promova o diálogo e a cooperação entre as diversas comunidades religiosas e étnicas naqueles países?

A resposta está aqui!



E esta é mais uma das suas iniciativas. Um vídeo que usa imagens do filme Persépolis (recentemente referido neste blog) para mostrar ao mundo a situação dos Baha’i no Irão.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sobre o conflito na Geórgia

Muitos analistas, comentadores e outra intelectualidade "bem-pensante" que nunca ouviram falar da Geórgia olham para o conflito militar naquele país como um simples confronto entre David e Golias. Não obstante essa confessada ignorância, não hesitam em expressar a sua solidariedade para com a pequena Geórgia, agora destruída pela poderosa máquina de guerra russa (este post de Fernanda Câncio é um excelente exemplo disso).

Claro que qualquer pessoa minimamente informada conhece os tiques imperialistas do actual regime russo: os abusos dos direitos humanos, os ataques à liberdade de imprensa, as nunca esclarecidas relações entre grupos políticos e grandes empresam, os massacres na Tchetchénia…

Mas será isso suficiente para expressar solidariedade com a Geórgia? Veja-se o que afirma o Relatório do Departamento de Estado Norte-Americano sobre os Direitos Humanos na Geórgia (2007). Veja-se o que afirma uma organização como a Human Rights Watch sobre os Direitos Humanos naquele país! Vejam como o Fórum 18 descreveu a situação da liberdade religiosa sob aquele regime.

Afinal, quando dois malfeitores lutam entre si, fará sentido expressar solidariedade por algum deles? Pela minha parte, a solidariedade vai apenas para os civis inocentes apanhados no meio do conflito.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Foi bonita a Escola, pá!...

Aqui ficam algumas fotos da Escola de Verão realizada pela Comunidade Baha'i de Portugal. Os vídeos surgirão daqui a algum tempo.













Fotos gentilmente cedidas por H.Vasco

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Baha’i: a Derradeira Religião Global


Aqui fica a tradução de um artigo de Perry Yeatman, publicado na semana passada no Huffington Post.
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Durante anos, reflecti sobre a área da religião. O meu pai nasceu numa antiga família Quaker da Pensilvânia. A minha mãe era da Igreja Episcopal. Frequentei a catequese Episcopal e a Igreja Episcopal. Mas na faculdade criei amizades com muito católicos. Quando tinha trinta anos, foram os ateus e os judeus. E quando casei, fi-lo com alguém que raramente pensava em religião, fosse ela qual fosse.

Mas ainda me interessa; mais, e não menos, do que – digamos, há 15 anos atrás. Ainda ontem estive num jantar em casa de uma amiga. Ela é uma judia conservadora caçada com um cristão não praticante. Falemos das diferenças entre ser espiritual e ser religioso; falámos das diferenças entre as religiões, entre católicos e episcopais, entre judeus ortodoxos e conservadores, etc. Foi verdadeiramente interessante. Ela é muito clara e convicta na sua fé. E eu sinto-me num conflito. As minhas ideias e valores são claros. Mas considero as práticas da religião organizada - virtualmente de todas elas - confusas. Cada uma das principais fés do mundo tem qualquer coisa que eu valorizo, que respeito e que me toca. Mas cada uma também parece ter qualquer coisa que me perturba ou choca com aquilo que sou e com aquilo que defendo. Talvez seja por isso que recentemente tenha gravitado para a fé Quaker, pois sinto que envolve um sentido espiritual básico e essencial, com rituais e cerimónias limitadas mas com muita substância.

Isto aconteceu até há algumas semanas atrás quando descobri uma fé totalmente nova – da qual não sabia praticamente nada, até então.

Tendo vivido em praticamente em toda a parte do mundo, foi surpreendente para mim encontrar o que me parece ser a mais recente religião global, exactamente aqui, ao fundo da rua, em Wilmette, Illinois. No templo Baha’i. Não sou certamente uma especialista - até agora apenas passei algumas horas a estudá-la - mas os seus princípios nucleares são o motivo pelo qual digo que pode ser a derradeira religião global. Segundo o folheto que peguei no templo, os princípios essenciais da fé Baha’i são os seguintes:
  • Eliminação de todas as formas de preconceito
  • Igualdade entre homens e mulheres
  • Harmonia entre ciência e religião
  • Paz mundial suportada por um governo mundial
  • Soluções espirituais para os problemas económicos
  • Educação universal
Sei que há muita gente no mundo que prefere não viver segundo estes princípios, mas por mim pensei: uau! Isto é o mais próximo que estive de encontrar um grupo em que - pelo menos à superfície - não existia nada com o qual discordasse. Não tenho a certeza se percebi o que significa “soluções espirituais para os problemas económicos”, mas imagino que seja algo do género: temos de usar mais do que uma calculadora para resolver as desigualdades económicas do mundo… Assim, vi nesta religião uma descoberta intrigante. (Para os que sempre a conheceram, perdoem a minha ignorância. Não sou, nem nunca fui, algo parecido com uma especialista em religião ou uma estudiosa; por isso imagino que não seja surpreendente que a minha educação religiosa esteja claramente incompleta.)

De qualquer forma, não estou aqui a tentar converter ninguém. Nem sequer tenho a certeza do que vou fazer com esta descoberta. Mas em tempos como estes em que a religião está no coração de tantos problemas no mundo, penso que vale a pena como, e se, é possível para nós adoptar uma abordagem mais global, uma que seja mais baseada na fé e na espiritualidade do que no dogma. E se conseguirmos, sem perder as nossas identidades, optar por uma abordagem mais ampla e inclusiva às questões que hoje enfrentamos enquanto cidadãos globais de forma a encontrar algumas respostas mais duradouras para conflitos de já duram há muito tempo. Talvez seja ingénuo, mas é talvez seja exactamente isto que necessitamos: ver para lá do que dizem os especialistas e os entrincheirados, e avançarmos para soluções mais pragmáticas e inclusivas. Talvez o menor seja o maior quando se trata de uma abordagem global a este tipo de questões e talvez a Fé Baha’i tenha algo a ensinar a todos nós... É apenas um pensamento... de alguém que ainda está à procura da sua própria resposta.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Prisão de Evin, secção 209

Portão de entrada na Prisão de Evin, Teerão
Nos muitos blogs criados por exilados políticos iranianos, pode-se encontrar diversos posts que referem que a detenção dos sete dirigentes bahá'ís na prisão de Evin. O facto dos detidos se encontrarem em isolamento, leva alguns desses bloggers a concluírem que eles se encontram na "secção 209". Este sector da prisão é conhecido sobretudo por albergar prisioneiros políticos detidos por algum órgão do governo iraniano ou pelas autoridades religiosas. Todos os reconhecem como prisioneiros políticos, excepto o governo iraniano.

Alguns factos interessantes/chocantes sobre a secção 209:
  • O número de prisioneiros aumentou drasticamente nos últimos 18 meses, tendo atingido valores semelhantes aos que se observaram no início da década de 1980;
  • Entre os detidos encontram-se estudantes, jornalistas, bloggers, editores de jornais, activistas dos direitos humanos, intelectuais e baha’is;
  • Poucos foram acusados de algum crime; grande parte deles é sujeita a torturas;
  • Os detidos são sujeitos a condições de verdadeira crueldade, incluindo a chamada “tortura branca”, em que o detido fica isolado numa cela sem janelas e com uma luz artificial constantemente ligada, por vezes durante meses. Os espancamentos são frequentes;
  • A Secção 209 ficou especialmente conhecida com o caso de Zahra Kazemi, uma fotógrafa de Montreal, detida quando tirava fotografias no exterior da prisão, em 2003. Uma vez detida, foi brutalmente torturada e espancada até à morte;
  • Desde então, têm sido feitos vários pedidos para encerrar esta secção devido à sua natureza brutal e sombria. Esses pedidos sempre caíram em orelhas moucas e a secção continua em pleno funcionamento.
  • As autoridades prisionais não têm um controlo efectivo sobre o que se passa no interior das prisões iranianas. Diversas organizações controlam diferentes blocos de celas. A aplicação de detenção solitária ou de “tortura branca” não tem de ser autorizado pelo governo. As facções que empregam estes métodos estão ligadas à "linha dura" do regime e ao líder supremo. O Ministério da Segurança costuma ameaçar as famílias dos detidos.
Para ter uma imagem mais real das condições de detenção e daquilo a que os detidos são sujeitos, aqui fica um excerto de um relato de Ahmad Batebi sobre a sua experiência na prisão de Evin:
"Os carcereiros colocaram-lhe uma venda nos olhos e batiam-lhe com cabos de metal até que ele desmaiava; depois esfregavam sal nas suas feridas para o acordar e continuavam a torturá-lo ainda mais, batendo-lhe nos testículos e pontapeando-lhe os dentes. Também lhe enfiaram a cara num balde de excrementos até que ele a inalasse. Amarram-lhe as mãos atrás das costas e penduraram-no no tecto. Noutras ocasiões, amarraram-no com uma cadeira e mantiveram-no acordado noite após noite. Fizeram-no ouvir gravações que lhe diziam ser a sua mãe a ser torturada".
Talvez isto nos permita imaginar aquilo que, neste preciso momento, está a acontecer aos baha’is na prisão de Evin.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Difamar e desacreditar

Por várias vezes ouvi o meu pai contar que, no tempo da ditadura, Marcelo Caetano se referia a Mário Soares "um obscuro advogado". Era uma forma que o antigo regime tinha para desacreditar quem combatia pela liberdade e questionava o antigo regime. Penso que muitos portugueses se limitarão a sorrir quando se lembram que essa expressão foi aplicada a um homem com o percurso político como o Dr. Mário Soares.

Curiosamente a situação repete-se hoje no Irão. E não há motivo para sorrir!

Ontem, a agência de notícias iraniana IRNA, declarou, citando "fontes bem informadas", que a filha de Shirin Ebadi – Prémio Nobel da Paz (2003) e conhecida activista dos Direitos Humanos –se tinha convertido à religião Bahá'í, há cerca de um anos atrás. Num país islâmico onde a Fé Bahá’í é uma religião proscrita, esta acusação é uma forma de desacreditar qualquer pessoa; para a mentalidade islâmica, incorre-se aqui no crime de apostasia, um crime punido com a pena de morte!

Esta acusação surgiu pouco depois de se saber que Shirin Ebadi, juntamente com outros dois advogados Abdolfatah Soltani e Hadi Esmailzadeh (ambos activistas dos Direitos Humnos) tinham aceite a defesa dos sete dirigentes bahá’ís detidos no passado mês de Maio.

Sobre as notícias postas a circular pela agência IRNA, a activista iraniana, declarou hoje: "Orgulho-me de dizer que a minha família e eu somos xiitas! Acreditamos que os Baha'is, como qualquer ser humano, tem direito a um advogado; mas isto não significa que concorde com as suas crenças. Quando defendemos um acusado político, seja «Mohajed», comunista, fundamentalista ou nacionalista, isso não significa que aprove as suas convicções. Lamento que tentem assustar-me com estas acusações só para que eu não me atreva a defender alguém".

Desacreditar e difamar quem questiona as decisões do Governo. É uma das estratégias de qualquer regime repressivo. Já vimos este filme em Portugal.

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Sobre este assunto:
Iran's Ebadi denies state media report on daughter (AFP)
Islamic Republic regime is playing game with European states ! (Iran Watch)
Iran's Nobel winner condemns smear campaign against her daughter (EarthTimes)
Daughter not Bahai, says Ebadi (The Peninsula)
Ebadi nie des information sur la conversion de sa fille au bahaisme (La Croix)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Richard Dawkins e A Desilusão de Deus (5)

RELIGIÃO: PLACEBO OU MEDICAMENTO?

No livro "A Desilusão de Deus" ("Deus, um delírio", na edição brasileira) o Prof Richard Dawkins defende que "o poder que a religião tem de consolar não a torna verdade" (p. 415) e estabelece uma curiosa comparação entre a religião e os placebos.
Parte do que um médico pode dar a um paciente é consolo e confiança. Ora isto e algo que não deve ser posto de parte sem mais nem menos. O meu médico não pratica literalmente a cura pela fé, através da imposição das mãos, mas muitas foram as vezes em que me senti instantaneamente «curado» de pequenos males por uma voz tranquilizadora que vinha de um rosto ladeado por um estetoscópio. (...)

Será a religião um placebo que prolonga a vida ao reduzir o stresse? Talvez, embora a teoria tenha de se submeter ao severo crivo dos cépticos que chamam a atenção para as muitas circunstâncias em que a religião provoca mais stresse do que aquele que liberta. (p.206-207)
Esta comparação, só por si, é redutora pois ignora outras características da religião, nomeadamente o seu poder transformador a nível individual e social. Certamente que o Prof. Dawkins não ignora que os ensinamentos possuem esse potencial; é interminável a lista de pessoas que inspiradas por ideais religiosos deram um contributo positivo para a humanidade.

Mas o curioso desta comparação feita pelo biólogo britânico reside no facto de Bahá’u’lláh descrever os Mensageiros de Deus com médicos divinos:
Os Profetas de Deus devem ser considerados como médicos cuja tarefa consiste em promover o bem-estar do mundo e dos seus povos, para que, através do espírito da unidade, possam curar a doença de uma humanidade dividida. (SEB, XXXIV)

O Médico Omnisciente tem o Seu dedo no pulso da humanidade. Ele compreende a doença e receita, com a sua infalível sabedoria, o remédio. Cada era tem o seu próprio problema e cada alma a sua especial aspiração. O remédio que o mundo necessita nas suas aflições actuais não pode ser, jamais, o mesmo que foi necessário para uma era anterior. (SEB, CVI)

Considerai o mundo como o corpo humano, o qual, apesar de na sua criação ter sido total e perfeito, tem sido afligido, por várias motivos, com graves perturbações e doenças. Nem por um só dia obteve sossego; pelo contrário, a sua doença tornou-se mais grave, pois foi sujeito ao tratamento de médicos ignorantes, que se entregaram plenamente aos seus desejos pessoais e erraram de um modo lastimável. E se, numa ocasião, através do cuidado de um médico competente, um membro desse corpo foi curado, os outros continuavam aflitos como antes. (SEB, CXX)
Assim, diria que cada Mensageiro tem os medicamentos adequados à época em que aparece. Os "medicamentos" receitados para épocas anteriores não dão os necessários aos dias de hoje; os seus efeitos poderão ser parciais, nulos ou até indesejáveis. Em alguns casos poderão ter apenas o efeito de um placebo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Quanto vale uma confissão obtida na sinistra prisão de Evin?



Agências noticiosas com a Reuters e AFP deram ontem a conhecer que segundo o jornal iraniano Resalat, o grupo de sete bahá'ís detidos pelas autoridades iranianas tinham confessado ter estabelecido uma organização ilegal com ligações a Israel e a outros países, cujo objectivo era minar o sistema Islâmico. O jornal citava uma fonte de um Tribunal Revolucionário (que geralmente tratam de assuntos de segurança nacional) dizendo que os sete detidos tinham confessado, facto que justificava a sua detenção. Não houve qualquer comentário oficial por parte das autoridades iranianas.

A Comunidade Internacional Bahá'í reagiu de imediato a estas notícias negando veementemente qualquer sugestão de que os Baha’is iranianos estejam envolvidos em qualquer actividade subversiva. "A comunidade Baha’i não se envolve em actividades políticas; o seu único «crime» é praticarem a sua religião. A gravidade das acusações faz-nos temer pela vida destes sete indivíduos."

Bani Dugal, a porta-voz da Comunidade Internacional Baha’i, voltou a esclarecer que os sete Baha’is detidos eram membros de uma Comissão que supervisiona as necessidades dos 300.000 Baha’is no Irão. "As sugestões de conluio com o Estado de Israel é categoricamente falsa e enganadora. As autoridades iranianas jogam com o facto do centro administrativo mundial baha’i estar situado no norte de Israel", afirmou.

"O governo iraniano ignora completamente o facto histórico bem conhecido da Fé Baha’i ter estado centrada no Irão até 1853, altura em que as autoridades expulsaram o profeta fundador da religião Bahá'í, forçando-o a um exílio e posterior encarceramento em Akká (Acre), nas costa oriental do Mediterrâneo, sob domínio do regime turco Otomano. Essa região hoje é parte do Estado de Israel", acrescentou a Srª Dugal.

COMENTÁRIO: Mais do que a crueldade da situação, espanta-me a ingenuidade com que as autoridades iranianas têm tratado todo este caso. Primeiro insinuaram que os baha’is estavam envolvidos num atentado bombista em Shiraz; acabaram por esquecer essa acusação quando um grupo sunita reivindicou o ataque. Depois, afirmaram que os sete bahá'ís detidos constituíam uma ameaça à segurança nacional; mas nunca apresentaram em público qualquer prova, ou evidência (nem se deram ao trabalho de falsificar provas ou criar sites anónimos na Internet que sustentassem as acusações). Agora cria-se uma fuga de informação, onde uma acusação se baseia em supostas confissões obtidas na prisão de Evin.

Mas quanto vale uma confissão obtida na sinistra prisão de Evin? E que isenção se pode esperar do sistema judicial de um país cuja constituição priva, explicitamente, de quaisquer direitos civis os membros da maior minoria religiosa?

É evidente que a situação deste sete detidos é muito grave. E a prova disso é que outras notícias vindas do Irão dão conta da execução de uma mulher acusada de ter ligações a Israel. Uma acusação semelhante à que é feita agora contra estes sete baha’is detidos.

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Sobre este assunto:
Report says Iran accuses arrested Baha'is of Israel links (IHT)
Report says Iran accuses arrested Baha'is of Israel links (Reuters)
Baha’is reject allegations of subversive activity in Iran (BWNS)
Baha'i believers set up organisation connected with Israel in Iran - report (GulfNews)
Iran alleges Israeli-Baha’i link (MNBR)
Iran claims Baha’i confession (The National)
Iran: Baha'is confessed to taking orders from Israel (Haaretz)
Irán: acusan a Bahais de vínculos con Israel (Aurora)
La Comunidad Bahai internacional negó las acusaciones en su contra sobre complotar contra el régimen iraní (AJN)

domingo, 3 de agosto de 2008

El equilibrio y armonía de Bahai

La religión monoteísta de los profetas Bab y Bahaullah se caracteriza por tener una arquitectura propia, que busca reflejar en sus edificios la principal creencia de esta fe: que el mundo es un gran país y la humanidad entera una gran familia. Los santuarios están ubicados en el Monte Carmelo de Haifa, en Israel

ANA CÁRDENES / EFE
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HAIFA / ISRAEL.- Los santuarios de la religión Bahai en Israel, declarados recientemente Patrimonio de la Humanidad, inspiran su armoniosa arquitectura en el mismo principio que su fe: la unidad de todos los pueblos, razas y tradiciones.

Esta religión monoteísta minoritaria, que nació hace tan sólo un siglo y medio en Irán y cuenta con apenas cinco millones de fieles, ha logrado en este breve período caracterizarse por una arquitectura propia, que busca reflejar en sus edificios la principal creencia de esta fe: que el mundo es un gran país y la humanidad entera una gran familia.

Los mausoleos que acogen los restos de sus principales profetas, Bab y Bahaullah, están situados en la costa mediterránea de Israel y son los lugares más sagrados para los Bahai, centro de peregrinación de sus seguidores y atractivo para miles de turistas.

Quizás el más impresionante es la tumba del Bab, ubicada en el Monte Carmelo de la ciudad de Haifa, un edificio neoclásico coronado por una cúpula dorada y rodeado de jardines exquisitamente diseñados que descienden a lo largo de un kilómetro en dieciocho majestuosas terrazas.

El otro santuario en Israel conserva los restos del segundo profeta de los Bahai, Bahaullah, en la ciudad árabe israelí de San Juan de Acre, tan sólo unos kilómetros al norte de Haifa.

Invitación a la paz
En el Monte Carmelo, plantas, fuentes y estatuas están dispuestos de forma simétrica a lo largo de las verdes terrazas ajardinadas, que dominan desde lo alto de la ciudad mediterránea para producir un efecto calmante e invitar al paseo sosegado, la paz y la meditación.

Más de un centenar de personas, muchas de ellas voluntarias Bahai, cuidan a diario que ninguna hoja, flor o piedra estén fuera de sitio.

Al igual que los templos de oración Bahais, los seguidores de todas las religiones están invitados a rezar en estos jardines, porque la creencia de que existe un sólo Dios y que todas las religiones proceden de él es central en la fe Bahai.

“La declaración de Patrimonio de la Humanidad tiene toda la lógica para nosotros, porque consideramos que la fe Bahai, sus jardines, sus santuarios y sus templos son para todo el mundo, no están restringidos a nuestros fieles”, explica a Efe Douglas Moore, portavoz de la Comunidad Internacional Bahai en Haifa.

Innovación y diseño
“El diseño de nuestras casas de oración y jardines refleja la belleza y una estética y ética de refinamiento excepcional que conduce a la espiritualidad y a la elevación. La innovación y el diseño son parte de un proceso creativo que comienza con la creencia en Dios y se expresa desde ahí”, añade el vocero de esta organización religiosa que cada vez cobra más seguidores a nivel mundial.

Datos sueltos
Los edificios Bahai tratan de crear una atmósfera que permita el florecimiento del pensamiento positivo y a los que acuda gente de toda creencia y cultura.

Los centros se levantan y conservan con el aporte exclusivo de fieles de esta fe, prohibida en Irán y que vive dificultades en otros países, como Egipto.

Dar donaciones generosas y sacrificadas es parte de las obligaciones espirituales de los Bahai. Los creyentes deben calcular cuánto dinero necesitan para vivir y, de lo que les sobra, aportar al menos un 19 por ciento a su iglesia.

Bahais en Venezuela
La Sede Nacional de los Baháís (o Bahais) de Venezuela es centro en el país de las actividades baháís y está localizada en Caracas. A parte de la Sede Nacional, existen también sedes locales en Valencia y en Maracaibo, pero, ya que hay comunidades baháís en muchas otras localidades. También se hace común que los baháís se reúnan en cualquier sitio, como casas y al aire libre. En la Sede Nacional, ubicada en Colinas de Bello Monte, todos los domingos a las 10:00 a.m. se ofrece una reunión hogareña informal a la que están invitados todos. (http//bci.org/venezuela/donde)

Bolivia, Chile y Panamá reúnen miles de fieles
Según Douglas Moore, portavoz de la Comunidad Internacional Bahai en Haifa, en América Latina hay decenas de miles de fieles, entre los que resalta la comunidad boliviana, formada por unas 40.000 personas, así como las establecidas en Panamá, donde hay una casa de oración, y en Chile, donde se está construyendo un nuevo templo.

Los Bahai no tienen clérigos y se organizan de forma democrática, con consejos locales y nacionales que se eligen por votación y cuyo mayor exponente es la Casa Universal de la Justicia.
Sus ceremonias religiosas son sencillas y sus fieles deben ser castos, no tener relaciones sexuales fuera del matrimonio y pensar y vestir de forma modesta, de acuerdo con la cultura en la que vivan.

Tienen prohibido beber alcohol, requieren del consentimiento de los padres para casarse y pueden divorciarse, aunque se desaconseja.

Esta religión promueve los matrimonios inter-raciales, defiende la igualdad de hombres y mujeres y persigue la eliminación del racismo y los prejuicios.

Para llegar a ello, defiende la armonía en todas sus formas y propone la adopción de un idioma universal y el establecimiento de una sola moneda y sistemas de peso y medición únicos para todo el planeta.

Extendida
Según el Anuario de la Enciclopedia Británica de 1992, la fe Bahai es la segunda religión más extendida en el mundo entre las religiones independientes, de acuerdo al número de países en que se encuentra representada: está establecida en 247 países y territorios.

Los bahais provienen de entre más de 2.100 grupos étnicos, raciales y tribales y totalizan aproximadamente seis millones de fieles en el mundo.

Los principales pasajes de las Escrituras bahais se han traducido a 802 idiomas. La idea central de la Fe Bahai gira en torno a la humanidad como una única raza y al día de su unificación en una sociedad mundial.

El Año Nuevo (llamado Naw Rúz) puede sugerir una comida elaborada, pero no tiene por qué ser así. A veces se toma un refrigerio abundante pero otras veces puede ser sólo pan y agua. La Fe Bahai contempla 11 días sagrados al año, nueve de los cuales requieren que no se realice trabajo.


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Publicado no El Tiempo (Venezuela) - 03-Agosto-2008

sábado, 2 de agosto de 2008

Uma campanha da perseguição contra uma fé da tolerância

Aqui fica a tradução de um artigo de BENJAMIN BALINT, publicado ontem no Wall Street Journal.
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No início deste verão, a UNESCO adicionou os lugares sagrados Baha’is aqui [de Israel] à sua lista de locais de Património Mundial. Responsáveis Baha’is saudaram o anúncio com entusiasmo. “[Ele] destaca a importância dos lugares sagrados de uma religião que em 150 anos evoluiu de um pequeno grupo situado apenas no Médio Oriente para uma comunidade mundial com os seguidores em virtualmente todos os países,” disse Albert Lincoln, secretário geral da comunidade internacional Baha’i, sedeada em Haifa. Os Baha'is, dedicados à idéia de que todas as grandes religiões ensinam as mesmas verdades fundamentais sobre um Deus incognoscível, são agora mais de cinco milhões. O Sr. Lincoln acrescentou que o grupo está “particular grato ao governo de Israel por ter apresentado esta candidatura.”

Existem impressionantes locais de culto Baha’i numa dúzia de cidades, desde Nova Deli, na Índia, à sede americana em Wilmette, Illinois. Mas encontramos nas encostas íngremes do Monte Carmêlo, na costa oriental do Mediterrâneo, um local de 100 acres que alberga os arquivos Baha’is e a Casa Universal de Justiça, um edifício neoclássico onde reside o órgão governativo mundial (constituído por nove membros eleitos) e uma equipa de mais de 600 funcionários. No centro literal e espiritual do local, está o santuário de Mirza Ali Muhammad, conhecido como o Bab (“porta”) - o precursor que em 1844 anunciou esta fé monoteísta - que ali se encontra sepultado num mausoléu de cúpula dourada.

Embora o Bab tenha sido executado por insurreição e heresia em 1850, em Tabriz, no Irão, os seus seguidores levaram os seus restos mortais para a Terra Santa na década de 1880, e sepultaram-no aqui 1909, seguindo instruções do fundador da fé, Mirza Hussein Ali. Bahá'u'lláh (“Glória do Deus”), como o fundador é conhecido, chegou à região em 1868 como um prisioneiro dos otomanos depois de ter sido exilado da Pérsia, acusado de actividades revolucionárias e da conspiração assassinar o Xá.

Actualmente, o recinto atrai mais meio milhão visitantes por ano, incluindo os peregrinos Baha’is que vêm para visitas de nove dias, e os turistas que vêm passear nos jardins em forma de imaculados terraços curvos imaculados no exterior do santuário - nove acima e nove abaixo deste. Os terraços, projectados por Fariburz Sahba, e terminados em 2001, correspondem aos 18 primeiros discípulos Baha’is. Exigem uns 80 jardineiros e um custo de manutenção anual de aproximadamente 4 milhões de dólares.

Contudo, nem tudo vai calmo para Bahaismo. Apesar de toda a benevolência seus membros usufruem dos seus anfitriões israelitas (seguindo uma instrução de Bahá'u'lláh emitida imediatamente depois da sua chegada aqui, a religião nem procura nem aceita convertidos em Israel), eles sofrem a perseguição miserável em países islâmicos. E mais do que em qualquer outro lugar, no Irão Em nenhuma parte mais assim do que em Irão, o berço da fé.

Em Maio, seis dirigentes da comunidade de Baha’i foram presos em Teerão; permanecem incomunicáveis. As detenções são mas a mais recente vaga de um ódio de duas décadas dirigido contra uma fé considerada uma heresia muçulmana. Durante o regime Pahlevi (1927-79), as escolas Baha’is foram forçadas a encerrar, e a sua literatura foi proibida. O exército dos Xá destruiu o Centro Nacional Baha’i em Teerão em 1955.

Após a revolução dos ayatollahs de 1979, as coisas ficaram ainda piores para os Baha’is. Os guardas revolucionárias destruíram a casa do Bab, em Shiraz, e construíram uma mesquita sobre os escombros. Posteriormente, arrasaram a mansão que tinha pertencido ao pai de Bahá'u'lláh. Os oficiais iranianos usaram escavadoras para destruir cemitérios Baha’is em Najafabad e em Yazd, e em Babol, profanaram a sepultura de Quddus, um dos primeiros discípulos do Bab.

Esses incidentes iniciaram uma purga sistemática, apoiada pelo Governo. Os Baha’is foram expulsos das universidades, sujeitos à intimidação e à prisão arbitrária, e ficaram sem liberdade de culto. Todos os funcionários públicos Baha’is foram demitidos. Em 1991, o secretário do Supremo Conselho Cultural Revolucionário de Irão, Seyyed Mohammad Golpaygani, emitiu uma directiva, aprovada pessoalmente pelo Ayatollah Ali Khamenei, declarando que o “emprego estará recusado às pessoas que se identificam como Baha’is.” Alguns fiéis foram denunciados como agentes sionistas e torturados. Ao todo, os Baha’is afirmam que mais de 200 crentes foram executados no Irão desde o início da revolução, incluindo 10 mulheres de Baha’is enforcadas por darem aulas de religião às crianças.

É difícil imaginar uma corrente de intolerância religiosa mais pura do que o fanatismo que grassa na classe dirigente do Irão. É tão difícil quanto imaginar uma essência de tolerância mais pura do que aquela que caracteriza os Baha’is, que reconhece Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Jesus e Maomé como mensageiros divinos; que pregam o pluralismo, a igualdade entre os sexos, a instrução universal e a harmonia entre o conhecimento secular e religioso; e que insistem na unidade da humanidade, ao ponto de encorajarem explicitamente o casamento inter-racial.

A intolerância odeia a tolerância acima de tudo. No mesmo momento em que a UNESCO decidiu reconhecer aquilo que chama “o valor universal proeminente” dos santuários de Carmêlo e aquilo que representam, os mullahs são impelidos a perseguir estes crentes que emergiram no coração do próprio Islão -- e quem representam um futuro que o Islão fanático, desastrosamente, preferiu rejeitar.

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O Sr. Balint, é um escritor residente em Jerusalem, e editorialista do jornal Jerusalém Post.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Bahá’ís obtêm pleno reconhecimento no Vietname

A Comunidade Bahá’í do Vietname foi reconhecida como comunidade religiosa de pleno direito pelo Governo Vietnamita. Numa cerimónia realizada em Ho Chi Min City no passado dia 25 de Julho, o Presidente da Comissão para os Assuntos Religiosos do Governo Vietnamita, Sr. Nguyen Thuc Trong, entregou o certificado de reconhecimento oficial aos representantes da Assembleia Espiritual Nacional (AEN) dos Baha’is do Vietname.

Este reconhecimento é o acto final do processo de reconhecimento, que incluiu a eleição da AEN depois de um interregno de muitos anos. Na prática, isto significa que a Comunidade Bahá’í do Vietname está oficialmente reconhecida como organização religiosa e pode desenvolver actividades em pé de igualdade com outras religiões que obtiveram igual reconhecimento.

A agência de notícias governamental referiu-se ao evento considerando que o reconhecimento da religião Bahá’í “abre um novo rumo para o desenvolvimento de toda a comunidade Baha’i, motiva os seus seguidores a contribuir mais para as actividades sociais e humanitárias e a esforçarem-se por preservar os valores espirituais tradicionais”.

A Fé Bahá’í estabeleceu-se no Vietname em 1954, e a primeira AEN foi eleita 10 anos mais tarde. Em meados dos anos 1970, as actividades formais da comunidade foram suspensas. Hoje em dia os Baha’is vietnamitas empenham-se na consolidação da sua comunidade, lançando projectos de desenvolvimento social - principalmente na área da educação - que visam beneficiar todos os vietnamitas.

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Sobre este assunto:
Recognition for Baha’i religion (Vietnam News)
Baha’i community recognised as religious organisation (Vietnam Net)
Religion : la Communauté de Baha'i reconnue officiellement (Le Courrier)
Vietnam recognizes Baha’is as religious community (BWNS)