sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (4)

A Mediatização da Violência

A propósito dos recentes ataques terroristas em Mumbai, tenho de partilhar convosco mais este pequeno excerto do livro de Fareed Zakaria, O Mundo Pós-Americano:
O carácter imediato das imagens e a intensidade das notícias num ciclo de vinte e quatro horas combinam-se para produzir exageros constantes. Todas as alterações climáticas são «a tempestade do século». Cada bomba que explode aparece nas NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA. É difícil relativizar tudo isto porque a revolução na informação é muito recente. Não tivemos imagens diárias dos cerca de 2 milhões de pessoas que morreram nos campos do Cambodja na década de 1970 ou do milhão de pessoas que pereceram na guerra Irão-Iraque na década de 1980. Nem sequer tivemos imagens da guerra no Congo na década de 1990, na qual morreram milhões de pessoas. Mas agora vemos quase diariamente filmagens ao vivo dos efeitos de bombas improvisadas, de carro armadilhados ou de mísseis - acontecimentos trágicos, é verdade, mas que a maior parte das vezes não causam mais de dez vítimas. O carácter aleatório da violência terrorista, o facto de o alvo serem civis e a facilidade com que as sociedades modernas são penetradas por este tipo de violência aumentam a nossa preocupação. «Podia ter sido eu», dizem as pessoas depois de um ataque terrorista.

Parece um mundo muito perigoso. Mas não é. A probabilidade de morrermos em consequência da violência organizada é baixa e está a diminuir. Os dados revelam que a tendência geral se afasta da das guerras entre grandes países, o tipo de conflito que causa de facto grande quantidade de vítimas. (p. 17-18)
Não será caso para pedir um pouco mais de responsabilidade aos media? Afinal que qualidade tem um meio de comunicação social que corre desesperadamente atrás do imediatismo da notícia e esquece aquilo que verdadeiramente é notícia?

Juventude e Diálogo Inter-Religioso



Encontro “Juventude e Diálogo Inter-Religioso

Auditório do Museu do Oriente - Lisboa, 2 de Dezembro de 2008

Programa

14.00h - Recepção dos participantes

14.30h - Sessão de Abertura
  • Ministro da Presidência: Dr. Pedro Silva Pereira
  • Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa: Doutor Mário Soares
  • Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural: Dra. Rosário Farmhouse
  • Presidente da Fundação Oriente: Dr. Carlos Monjardino

15.00h - Mesa-redonda “Juventude e Diálogo Inter-Religioso”

Moderador: Prof. Doutor José Manuel Pureza

Intervenientes:
  • Comunidade Hindu de Portugal: Dr. Virech Maugi, Presidente da Associação Juventude Hindu de Portugal
  • Comunidade Israelita de Lisboa: Dr. Miguel Curiel Presidente da União Portuguesa de Estudantes Judeus
  • União Budista Portuguesa: Dr. Rui Lopo, Membro da Direcção da União Budista Portuguesa
  • Cristãos Católicos: Dr. Filipe d’Avillez, Jornalista da Rádio Renascença
  • Cristãos Protestantes: Dr. Tiago Oliveira, Pastor da Igreja Evangélica Baptista da Graça
  • Comunidade Islâmica de Lisboa: Dr. Mahomed Munir Mussa, Membro da Comunidade Islâmica de Lisboa
  • Comunidade Muçulmana Ismaili: Dr.ª Zohora Pirbhai
  • Comunidade Bahá’í de Portugal: Eng.º Marco Oliveira, Membro da Comunidade Bahá’í de Portugal
16.00h – Debate

16.30h – Comentário: Doutor Mário Soares

16.45h - A Dimensão do Diálogo Inter-Religioso no ACIDI:
  • Apresentação pelo Prof. Doutor Paulo Mendes Pinto do Calendário Inter-Religioso para o ano de 2009 “Celebração do Tempo”.
  • Assinatura do Protocolo de Cooperação entre o ACIDI e a GEBALIS, para a defesa e valorização da diversidade religiosa na cidade de Lisboa, pela Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural Dr.ª Rosário Farmhouse e pelo Presidente do Conselho de Administração da Gestão dos Bairros Municipais de Lisboa Dr. Luís Natal Marques.
17.15h – Apresentação pelo P. Nuno Gonçalves, Provincial da Companhia de Jesus, do livro de Maria Manuela Lopes-Cardoso: ANTÓNIO VIEIRA pioneiro e paradigma de Interculturalidade

17.35h – Encerramento pela Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Dra. Rosário Farmhouse

17.45h – Momento cultural e de convívio:

  • Excertos do bailado “Nos Caminhos dos Céus” pelo grupo Para Além do Movimento, direcção artística de Manuela Varella Cid.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (3)

Uma Paz Menor?

Escreve Fareed Zakaria no seu livro "O Mundo Pós Americano":
A guerra e a violência organizada diminuíram dramaticamente ao longo das duas últimas décadas. Ted Robert Gurr e a sua equipa de académicos do Centro para o Desenvolvimento Internacional e para a Gestão de Conflitos da Universidade de Maryland seguiram os dados cuidadosamente e chegaram à seguinte conclusão: «A magnitude geral da guerra global diminuiu cerca de 60 por cento [desde meados da década de 1980], tendo caído em 2004 para o seu nível mais baixo desde a década de 1950». A violência aumentou regularmente durante a Guerra Fria – seis vezes entre a década de 1950 e o início da década de 1990 –, mas atingiu o máximo pouco antes do colapso da União Soviética, em 1991, e a «extensão da guerra no interior dos estados ou entre eles diminuiu para metade na primeira década após o fim da Guerra Fria». Steven Pinker, professor em Harvard versado numa série de áreas, defende que «hoje em dia, estamos provavelmente a viver o período mais pacífico de toda a existência da nossa espécie.» (p.17)
Será que Fareed Zakaria nos apresenta algumas evidências da Paz Menor?

Lembro que o termo "Paz Menor" é usado nas Escrituras Baha’is para definir uma paz política entre as nações. Shoghi Effendi definiu-o como um processo gradual em que as nações da terra, ainda inconscientes da Revelação de Bahá'u'lláh aplicariam os princípios gerais por Ele enunciados, reconheceriam unidade da humanidade e procederiam à unificação política do planeta, criando um Governo Mundial.

Na minha opinião (e isto é uma opinião muito pessoal!) o processo da paz menor iniciou-se no final do século XX. Não é um processo de evolução linear; tem tido (e continuará a ter) os seus avanços e recuos. O que Fareed Zakaria nos apresenta são algumas evidências deste processo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Uma boa pergunta

Porque é que a Igreja Católica ainda tem medo do prazer carnal? Podemos compreender que a Igreja recorda o carácter sagrado da vida. Mas a sexualidade, veiculada através de um amor autêntico, não constitui ela também uma experiência do sagrado?

Frederic Lenoir, Editorial da revista nº 32 do Le Monde des Religions
NOTA: Será que algum bahá'í se lembra de um comentário de Rúhíyyih Khanum sobre sexo? Creio que foi feito numa conferência em Lisboa...

sábado, 22 de novembro de 2008

Falha mais um estratagema iraniano!

Como referi anteriormente, nos corredores da ONU, desenrolou-se uma intensa batalha diplomática. No Terceiro Comité da Assembleia Geral, o Canadá (apoiado por 40 países) apresentou uma proposta de resolução sobre a situação dos direitos humanos no Irão; para impedir o debate sobre este tema, o governo iraniano apresentou uma moção de «no-action» sobre essa proposta.

Lembro que uma moção «no-action» é um procedimento interno de funcionamento da ONU que impede os estados-membros de debater uma resolução. Trata-se de um estratagema usado por alguns países quando pretendem evitar tomar posição em assuntos políticos sensíveis, como os direitos humanos, e escapar ao escrutínio internacional.


Ontem (21-Novembro) esta batalha diplomática teve o seu epílogo. Primeiramente a moção iraniana foi rejeitada (81 votos contra, 71 a favor, 28 abstenções) e poucos minutos depois a proposta de resolução Canadiana foi aprovada (70 votos a favor, 51 contra e 60 abstenções). Agora a proposta de resolução será enviada à Assembleia Geral para aprovação final em meados de Dezembro.

A proposta de resolução aprovada expressa “profunda preocupação pela actual violação sistemática dos direitos humanos” no Irão, referindo especialmente casos confirmados de tortura, execuções públicas e repressão violenta de grupos com «mulheres que exercem o seu direito de reunião pacífica».

O mesmo documento apela ao Irão que “ponha termo à hostilização, intimidação e perseguição de opositores políticos e defensores de direitos humanos, libertando pessoas presas arbitrariamente, ou devido às suas ideias políticas” e a “realizar os devidos procedimentos legais e a acabar com a impunidade para as violações de direitos humanos”.

A proposta de resolução refere ainda, com especial detalhe, os ataques aos Bahá'ís, mencionando "crescente evidências de esforços do Estado para identificar e monitorizar os Bahá'ís, impedindo que os membros da Fé Baha’i frequentem universidades e consigam um sustento económico, assim como a detenção de sete dirigentes baha’is sem qualquer acusação ou acesso a um representante legal."


A Comunidade Internacional Bahá'í, na pessoa da sua representante na ONU, Bani Dugal, felicitou aquele organismo internacional pelo resultado da votação e comentou: "Esperamos que estas moções «no-acton» que são usadas como estratagemas processuais para evitar uma discussão legitima sobre assuntos de direitos humanos, se tornem agora uma coisa do passado. Se assim for, isto representa uma vitória para os direitos de todos os povos."

"Esta moção permitia aos governos uma caminho fácil para escapar às suas responsabilidades de proteger os direitos humanos a nível internacional; com esta rejeição, abriu-se caminho para uma profunda investigação sobre os abusos dos direitos humanos no Irão."

"O uso de moções processuais permite que países sem escrúpulos a oportunidade de fechar os olhos aos actos repressivos de um estado membro, e simultaneamente fingir que se preocupam com os direitos humanos. A comunidade Internacional não devia continuar a tolerar isto. Se tivesse sido aprovada, seria uma afronta para todos aqueles iranianos, particularmente os residentes no Irão, que tão corajosamente falaram contra os abusos do seu Governo."

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Sobre este assunto:
Iran fails to halt U.N. assembly rights resolution (Reuters)
UN rejection of Iranian ‘no-action motion’ is victory for human rights, say Baha’is (BWNS)
Iran human rights resolution passes at UN (Barnabas Quotidianus)
Third Committee of the UN General Assembly condemns widespread human rights violations in Iran (NCRI)
Tehran slams Canada over anti-Iran human rights resolution (ISNA)
Canada Welcomes Adoption of UN Human Rights Resolution on Iran (Government of Canada)
Irán no logra detener resolución sobre derechos de Asamblea ONU (Reuters)

Arquivo fotográfico da revista LIFE

No arquivo fotográfico da revista LIFE, recentemente disponibilizado no Google, é possível encontrar algumas fotos relacionadas com os Bahá'ís dos Estados Unidos. Basta ir ao site e digitar a palavra «bahai». A foto que se segue encontra-se nesse arquivo. É de autoria de George Skadding e foi feita em 1950.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Herança e Reconhecimento

Um testemunho de um descendente de Bahá'ís iraquianos

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O texto que se segue é uma tradução do artigo publicado no Washington Post/Newsweek, intitulado Faith as heritage, faith as recognition e de autoria de Remz Pokorny. O auror é um académico da Brandeis University que se dedica à área da Ciência Política e Estudos do Médio Oriente. O texto foi descoberto via Muslim Network for Baha’i Rights.
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Vamos começar pelo início: a minha mãe é uma refugiada iraquiana, em fuga do país onde nasceu devido a perseguição religiosa. O meu pai vem de uma família de classe média alta no Kansas, e quando criança foi viver para o estado de Washington.

Os meus pais conheceram-se num fireside - uma reunião informal onde um assunto espiritual é apresentado e debatido - em Concord, New Hampshire; o meu pai trabalhava na redacção do Bonton Globe e a minha mãe tinha acabado de chegar ao país. Se não se tivessem envolvido na Comunidade Bahá’í, não teriam namorado ou decidido casar-se, trazendo-me a mim e ao meu irmão ao mundo.

No início que a minha identidade era ambígua, quase indefinível. Mas desde o berço que a minha mãe me familiarizou com a sua língua, o árabe. Contou-me a história da sua perseguição como Baha’i no Iraque, que é uma narrativa infeliz de muitos baha’is no mundo islâmico. O pai e a mãe dela estiveram presos durante seis anos na década de 1970.

"Ahli chanow bel sijin min ani chinit jahala," recordava-me sempre a minha mãe. "Os meus pais estiveram presos quando eu era criança".

Quando as pessoas ouviam a minha mãe dizer que os seus pais estiveram na prisão, a questão era sempre a mesma: "Meu Deus, porquê?"

Imagino que o seu primeiro pensamento podia ser que os meus avós eram marginais ou criminosos. Mas a resposta da minha mãe chocava-os.

"Estiveram presos porque eram Baha’is", dizia. "Porque eram Baha’is".

Desde muito cedo que a minha mãe me transmitiu um sentido de orgulho Bahá'í. Ela adorava falar sobre a sua família e a sua contribuição para a narrativa Bahá'í. Uma das suas tias recebeu o título de "Cavaleiro de Bahá'u'lláh" pelo seu papel na fundação da Comunidade Baha’i de Chipre. Falava dos anos 1960 como um tempo heróico para os Bahá'ís do Iraque. O seu pai, apesar de estar a ficar cego, defendia destemidamente a Fé contra os agentes do governo iraquiano que tinham por hábito aparecer no Centro Nacional Baha’i em Bagdade e maltratar quem quer que encontrassem.

O meu avô era membro do conselho nacional dos Baha’is do Iraque, e por isso era uma das primeiras pessoas com quem eles queriam falar. Eles apontavam para as pilhas de escrituras baha’is nos arquivos nacionais e diziam: "Vamos levar estes livros".

A resposta do meu avô era: "Espere só um minuto e leia-os primeiro; depois diga-me se há algum mal em ter estes livros".

Os agentes acabaram por confiscar toda a biblioteca de livros baha’is, mas mesmo assim ficaram impressionados com a audácia do meu avô em defender a sua fé.

A abordagem da minha mãe ao educar-me como Baha’i era essencialmente emocional. As histórias que me contava e as orações que me ensinava foram uma parte importante do meu crescimento, desenvolvendo a emoção e uma profunda ligação com a narrativa da minha fé, que ainda é perseguida no Irão, a terra onde surgiu.

A abordagem do meu pai era diferente. A sua relação comigo sempre foi carinhosa, mas muito diferente da minha mãe. Ao contrário dela, ele não tinha sido educado como Baha’i. Apenas se tornou Bahá'í após anos de pesquisa espiritual durante a sua juventude. Encontrou a Fé no início da escola secundária, mas tinha dúvidas e questões que o fizeram ignorar a religião durante algum tempo.

Após anos de trabalho jornalístico a cobrir eventos políticos teve uma daquele momentos “Aha!” em que compreendeu que lhe tinha escapado algo importante na vida.

"Porque é que te tornaste Baha’i?" perguntava-lhe.

A sua resposta geralmente era algo do género: "Era a única coisa que fazia sentido para mim".

Sentido. Sempre pensei que isso era uma forma interessante de olhar a religião.

O meu pai deu uma nova luz ao significado de «pesquisar a verdade» ou «seguir um caminho espiritual em busca da paz». Ensinou-me a nunca tomar as coisas como garantidas ou a ficar demasiado confortável com a minha identidade Bahá'í herdada.

Na verdade, ele salientava e a minha mãe confirmava, que as crianças Bahá'ís são encorajadas nas nossas sagradas escrituras a "investigar a verdade de forma independente", e não apenas a declararem-se baha’is por tradição da história familiar. Por fim, acabei por aceitar a minha identidade religiosa devido aos meus esforços para explorar as suas verdades e à relevância para as minhas necessidades pessoais e necessidades do nosso tempo. Não foi apenas porque aquela era a forma com que eu tinha sido educado.

Não obstante, estas duas visões únicas, mas não mutuamente exclusivas sobre a fé - emocional e racional - moldaram-me enquanto jovem crente. Tenho as minhas raízes, mas questiono-me. Sou desprendido, mas sou determinado. Não considero as duas perspectivas como opostas, mas como complementares. O mesmo se passa com a minha exposição às culturas Oriental e Ocidental.

Tal como o casamento dos meus pais, sinto que estou a contribuir para a constante evolução da narrativa da Fé Bahá'í, que tem visto milhões de pessoas de origens tão diversificadas, e por vezes, irreconciliáveis, unirem-se para trabalhar pela unidade da humanidade.

"Tão poderosa é a luz da unidade", escreve Bahá'u'lláh "que pode iluminar a terra inteira".

À vendas nas Estações dos Correios



Em França, claro!

Para assinalar os 50 anos da primeira ligação aérea entre França e Israel, os Correios Franceses emitiram um selo em que, para simbolizar Israel foi escolhido o Santuário do Báb, em Haifa.

Batalha Diplomática nos Bastidores

O Terceiro Comité da Assembleia Geral da ONU vai analisar nos próximos dias uma resolução proposta pelo Canadá que condena o regime iraniano pelos abusos de direitos humanos (em que os Baha’is também são vítimas). A proposta é apoiada pelos país da União Europeia e por diversos outros países.

Mas o regime iraniano não se faz rogado e tem desenvolvido todos os esforços possíveis para neutralizar a proposta de resolução. E os diplomatas canadianos junto da ONU confirmaram a a actividade frenética do lobby iraniano para conseguir aprovar um voto de “No Action” sobre a moção canadiana.

Segundo esses diplomatas, existem cerca de 40 países (entre 192) cujo voto pode mudar de acordo com uma multiplicidade de interesses. Entre esses países encontra-se a Sérvia que se encontra dividida pois ressente-se da atitude da UE face ao Kosovo, e simultaneamente pretende aderir à UE. Também o Quénia e a Etiópia, que apesar grandes destinatários do auxílio Canadiano, já mostraram no passado que podem mudar de posição em troca de ofertas de investimento iraniano e promessas de apoio político noutras organizações internacionais.

Além do Canadá e de outros países europeus, existem diversas organizações não-governamentais e grupos de exilados iranianos que têm feito múltiplas pressões para que a moção seja aprovada. Uma dessas organizações é a comunidade Bahá’í, cuja chefe de delegação junto da ONU recordou a situação dos sete dirigentes detidos no passado mês de Maio, e em relação aos quais não foi formulada qualquer acusação.

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Sobre este assunto:
Iranians push for “no action” on UN human rights resolution (Barnabas Quotidianus)
Canada pushing hard for Iran censure (Canada.com)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Byblos



Lisboa hoje ficou mais pobre: hoje fechou a Byblos.

Para mim era a maior e a melhor livraria de Lisboa. Era um dos meus locais de peregrinação semanal obrigatória. Ali comprei vários livros e DVD’s; e ali também almocei diversas vezes. Gostava daquele espaço amplo, e da facilidade com que conseguia encontrar qualquer livro.

Lamento que o sonho de Américo Areal (Administrador da Byblos) se tenha tornado um pesadelo. E também lamento a situação dos seus empregados (sempre atenciosos e eficientes).

As minhas horas de almoço vão ficar um pouco mais vazias.

Ai que saudades do Scolari!

Se o futebol é um desígnio nacional, então, a selecção mostrou que Portugal está em recessão. E as perspectivas de crescimento são negativas.



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (2)

O Poder dos Estados-Nação

No seu livro, O Mundo Pós Americano, Fareed Zakaria escreve:
Um aspecto desta nova era é a difusão do poder dos estados, que assim chega a outros actores. Os «demais» que estão a crescer constituem um grupo que inclui muitos actores não estatais. Há grupos e indivíduos a ganhar autonomia e a fortalecer a sua posição na hierarquia; a centralização e o domínio central estão a ser enfraquecidos. Há funções que já foram controladas pelos governos e agora são partilhadas por organizações internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a União Europeia (EU). Há grupos não governamentais a crescer como cogumelos; aparecem todos os dias em todos os países e tratam dos assuntos mais variados. As empresas e os capitais mudam de uns lugares para os outros, procurando a melhor localização para os seus negócios, premiando assim alguns governos e punindo outros. Há grupos terroristas com a Al Qaeda, cartéis de droga, insurrectos e milícias de todo os tipos a encontrar espaço para operar nos recantos e nas fendas do sistema internacional. O poder está a sair dos estados-nação, para cima, para baixo, e para os lados. Num tal ambiente, as aplicações tradicionais do poder nacional, tanto a nível económico como militar, estão a tornar-se menos eficientes. (p. 14)
Os Estados – enquanto comunidades politicamente organizadas – não estão condenados a desaparecer; mas num mundo globalizado, os limites da sua autoridade e o seu relacionamento com Organizações Internacionais tem, inevitavelmente, de ser realinhados com as novas realidades em que vivemos hoje.

A este propósito dizia-me um amigo que «a inquestionável soberania dos Estados vale tanto como a divindade dos antigos imperadores romanos». Achei a comparação bem interessante. E lembrei-me daquelas palavras de Bahá'u'lláh “"Que não se vanglorie quem ama o seu país, mas antes quem ama o mundo inteiro. A terra é um só país e humanidade os seus cidadãos.”

Ao contrário do que alguns sugerem, Bahá'u'lláh não entendia o amor à pátria como irrelevante; esse sentimento é importante, mas neste momento é-nos exigido que aceitemos uma lealdade mais ampla do que alguma vez aceitámos, sem abdicarmos de outras lealdades menores.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Estes Bahá’ís Congoleses...



Há coisas que - decididamente - são difíceis de compreender para um Europeu. As províncias do Kivu, na República Democrática do Congo, são hoje descritas pelos media como regiões dilaceradas pela guerra. Pois numa dessas províncias, mais concretamente na cidade de Uvira, realizou-se uma das 41 conferências regionais Bahá’ís. E ali estiveram presentes cerca de 800 pessoas, algumas provenientes do Kivu-Norte, do Burundi e do Ruanda.

Não imagino o que seja viver num clima de guerra civil. Nunca passei por uma situação dessas. E fico perplexo quando percebo que há pessoas para quem isso não é um impedimento para participar numa conferência Baha’i. Se calhar, estes bahá’ís congoleses têm muita coisa para me ensinar.

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FONTE: Baha’is gather in DRC despite war, other challenges (BWNS)

Não deixe que uma notícia estrague um bom título!

Apareceu hoje na imprensa online em Portugal:

Taxa de desemprego sobe para 7,7% (Expresso)

PM: Descida do desemprego contraria tendência internacional (Diário Digital)

Quando será que os senhores dos media e da política vão perceber o trabalho das ditas centrais de comunicação apenas serve para descredibilizar os políticos e as instituições da República?

domingo, 16 de novembro de 2008

Hilda Xavier Rodrigues

Graças ao Eduardo Santos, podemos agora divulgar um vídeo com uma entrevista feita à Hilda Xavier Rodrigues. Recordo que a Hilda Xavier Rodrigues e o seu marido José Xavier Rodrigues receberam títulos de "Cavaleiro de Bahá'u'lláh" por terem sido os primeiros Bahá'ís a estabelecerem-se na Guiné-Bissau (Setembro, 1953).

O vídeo da entrevista tem quase uma hora de duração. Foi dividido em 6 partes para ser facilmente carregado no YouTube. Aqui fica esse testemunho histórico dos primeiros tempos da Fé Bahá'í em Portugal.

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Hilda explica onde conheceu a Fé Bahá'í e como é que o Xavier Rodrigues se tornou Bahá'í:



Os tempos de pioneira na Guiné-Bissau e em Angola.



As primeiras pioneiras bahá'ís em Portugal (Louise Baker e Virginia Orbinson):



Lembrança de alguns dos primeiros crentes e pioneiros Bahá'ís em Portugal:



Recordações das viagens à Terra Santa e a presença no Congresso Mundial de Londres (1963).



Uma mensagem final aos Baha'is:

sábado, 15 de novembro de 2008

Armed with the power of thy name


Devon Gundry - "Armed" from Justin Baldoni on Vimeo.

Este é, muito provavelmente o melhor vídeo musical de inspiração Bahá'í que vi até hoje.

É profundo,... tocante,... brilhante

A letra é uma pequena frase de uma oração revelada por Bahá'u'lláh:
Armed with the power of Thy name nothing can ever hurt me, and with Thy love in my heart all the world’s afflictions can in no wise alarm me.

Armado com o poder do Teu nome nada me pode magoar, e com o Teu amor no meu coração todas as aflições do mundo de modo algum me podem alarmar.
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Aqui fica a ficha técnica do Vídeo


Director: Justin Baldoni
Cinematography: Reuben Steinberg
Editor: Bayard Stryker and Justin Baldoni
Cast: Devon Gundry, Alex Rocco, Eva La Rue, Kaya La Rue, Darrow Igus, Shannon Rocco, Red Grammer, Benny Cassette, Melissa Ordway, Lindsay Lugsch
Wardrobe/Set Design: Sharon Lee
Makeup: Molly Craytor
Special Effects: Jerry Wang

Produced by Justin Baldoni

Music Produced and performed by Devon Gundry and Kelly Snook
Mixed and Engineered by Kelly Snook


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UPDATE by RB:
Devon Gundry is the son of Nikki Gundry, the sister of Bambi Betts. Bob and Nikki Gundry were pioneers to Portugal and Devon lived in Estoril for a few years. They returned to Portugal for a visit in 1999. By that time Devon had a sister and a brother to accompany him to his one time home. Nikki and Bob think fondly of their pioneering post!

Bahá'ís no Iémen

Quatro pessoas correm o risco de ser expulsas do Iémen apenas por serem Baha'is. O seu destino será o Irão, o pior local onde um baha'i pode viver nos dias de hoje.

Este vídeo dá conta da situação.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Meia-Vitória

Notícia publicada ontem na edição online do jornal Egypt Daily News:
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CAIRO: O Tribunal Judicial Administrativo do Cairo decidiu a favor de um estudante Baha’i que pretendia receber um novo cartão de identidade que lhe permitiria retomar os seus estudos na Universidade de Alexandria.

A decisão foi divulgada numa sessão supervisionada pelo chefe sistema judicial administrativo e chefe-delegado do Conselho Estatal Mohamed Ahmed Attiya, que determinou ser direito de Hady Hassan Ali receber o novo cartão nacional de identidade.

Desta forma, Attiya ordenou ao Ministério do Interior que atribua a Ali um novo caertão de identidade, de forma a que ele possa preencher todas as formalidades para ser readmitido na universidade.

Os cartões nacionais de identidade no Egipto identificam a religião do portador, e o Egipto apenas reconhece o Judaísmo , o Cristianismo e o Islão, fato que tem causado miríades de obstáculos para os Baha’is.

O tribunal declarou que apesar da Constituição egípcia garantir o direito de crença aos seus cidadãos, o Bahaismo não é reconhecido como religião oficial e por isso não podia ser registado em documentos oficiais. No entanto, uma vez que princípios básicos dos direitos humanos dão aos cidadãos o direito de provar a sua identidade no seu país, Attiya decretou que o campo de identificação da filiação religiosa fosse deixado em branco ou assinalado com uma marca.

(...)

Ali interpôs uma acção judicial contra o decano da Universadade de Alexandria, os Ministérios do Interior e da Defesa entre outros, por estar impossibilitado de continuar os seus estudos devido à falta de cartão de identidade.

Anteriormente Ali vira recusado pelo Ministério do Interior um pedido de cartão de identidade; por esse motivo não conseguiu preencher todos os formulários necessários para comprovar a sua situação militar, fato que o levou a ser expulso da universidade.

O tribunal salientou que enquanto aqueles que não eram seguidores das três religiões reconhecidas tinham direito aos cartões de identidade, apenas podiam praticar a sua religião no interior dos seus lares e não tinham direito a lugares públicos de adoração, pois apenas as religiões reconhecidas pelo Estado podiam ser praticadas em espaços públicos.

O tribunal acrescentou que o veredicto não era um reconhecimento da fé Baha’i no enquadramento Estado, mas apenas um caminho alternativo para que aqueles que seguem esta fé possam tratar dos seu assuntos legais no Egipto.

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COMENTÁRIO: Esta decisão tem uma faceta positiva: o reconhecimento dos direitos cívicos de um cidadão Egípcio, que é Bahá'í. Neste aspecto, temos de ficar felizes com esta notícia. No entanto, a mesma decisão do tribunal reafirma a situação de ostracismo social em que devem viver as religiões não reconhecidas pelos Estado Egípcio (e não seria de admirar que esta segunda declaração tivesse sido emitida apenas para acalmar os radicas da Irmandade Muçulmana). Assim, diria que esta decisão é uma "meia-vitória".

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Universidade Turca escolhe um Bahá'í para Decano

Esta notícia estava hoje na edição online do jornal turco Hurriyet Daily News. O texto é de autoria de İzgi Güngör. É verdadeiramente surpreendente que isto aconteça na Turquia. Compare-se agora o caso desta Universidade Turca com as Universidade Iranianas onde os jovens baha’is são expulsos de forma sistemática... É óbvio que nem todos os países de maioria muçulmana são iguais.
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ANKARA - Um dirigente Baha'i na Turquia foi nomeado Decano da Faculdade de Ciências e Letras da Middle East Technical University (METU).

O Professor Cüneyt Can, director do Gabinete de Assuntos Externos da Comunidade Baha’i na Turquia, tornou-se o primeiro Decano Baha’i na Turquia após servir durante nove anos como Decano Delegado.

“Sou um estudante da METU e há anos que ocupo lugares administrativos. Não esperava qualquer discriminação devido à minha fé e a minha nomeação não me surpreendeu”, afirmou [o professor] Can ao Hurriyet Daily News. Os Baha’is são aderentes de um movimento religioso que teve origem no Irão no século 19 e enfatizam a unidade espiritual da humanidade.

A nomeação ocorre numa altura em que o Governo tem levantado a voz do nacionalismo e os discursos oficiais parecem ignorar a existência de minorias no país.

Os Baha’is, porém, nem sequer são considerados uma minoria pois a sua entidade não é reconhecida pelo Governo Turco, apesar de existirem cerca de 100.000 membros Baha’is na Turquia.

Uma oportunidade para os Baha’is

Os Baha’is não podem declarar a sua identidade religiosa nos seus cartões de identidade porque está não está incluída nas opções.

“É um desenvolvimento importante para a comunidade Baha’i aqui e também para a Turquia, o facto de eu ter tido esta oportunidade enquanto Baha’i” afirmou acrescentando que não enfrentou dificuldades no seu trabalho devido à sua fé.

O número de académicos Baha’is na Turquia é muito reduzido, enquanto que outras áreas profissionais incluem números proporcionais de membros Baha’is. O processo de nomeação foi bastante democrático, afirma [o professor] Can.

“Toda a gente sabe que eu sou Baha’i. Fui eleito apesar disso. Tenho uma identidade de académico, de cientista e de director no interior da METU; mas sou um representante da comunidade Baha’i fora da METU. Tenho muito cuidado para não misturar as duas coisas e actuo de forma rigorosa no meu emprego”, notou.

Fundada no Irão no século 19 por Baha’u’llah, a fé Baha’i é considerada como o grupo religioso com crescimento mais rápido no mundo. A religião tem cerca de seis milhões de seguidores em todo o mundo e procura a unidade e a paz mundial como soluções par aos problemas da era moderna.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

90 anos depois do Armistício



Passam hoje 90 anos sobre o Armistício, o fim da grande guerra, aquela guerra que era suposto pôr fim a todas as guerras. Se pensarmos que se seguiu outra guerra ainda mais cruel e sangrenta podemos concluir que tudo foi um esforço em vão, uma enorme ilusão.

Gostaria de saber o que sentiu o meu avô naquele dia, depois de viver tantos meses na trincheiras lamacentas da Flandres. Mas o tempo apagou essas memórias. «Ele era muito sucinto sobre as histórias que contava sobre a guerra», diz-me o meu pai, «E como capitão-médico via imensa gente estropiada e morta. Não gostava de lembrar aqueles tempos horríveis».

A 90 anos de distância dou por mim a pensar para que serviu o sacrifício do meu avô. E acabo por me lembrar das palavras de Bahá'u'lláh: "Essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas cessarão e a Mais Grandiosa Paz virá."

No olhar do professor...

O texto que se segue foi publicado no blog IranPressWatch e é uma tradução de um texto do Sr. Saeed Hanaee Kashan, um professor de literatura inglesa na Universidade de Shaheed Beheshti, no Irão.
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Na passada segunda-feira, dei uma aula às 8 horas da manhã. Os meus estudantes e eu liamos em voz alta um texto em inglês, quando, de repente notei que dois dos meus alunos, sem o livro de textos à sua frente, mantinham-se educadamente sentados com os braços cruzados sobre o peito e apenas olhavam para mim. Perguntei-lhe: «Esqueceram-se de trazer os textos para a aula?» Um deles respondeu: «Fomos expulsos da Universidade e apenas viemos despedir-nos de si».

Sem me controlar, perguntei: «Porquê?». Ele respondeu: «O que quer dizer com ‘Porquê?’ Está a perguntar porque é que fomos expulsos?» Talvez ele estivesse surpreendido por eu ter feito aquela pergunta; no fundo ele queria dizer: «Como é que você não sabe?!» Ele tentou explicar, mas interrompi-o: «Muito bem. Não é importante». Eu sabia o motivo da sua expulsão. Mas quando os vi na sala de aula pensei que o assunto tivesse sido resolvido de uma forma aceitável. Por isso hesitei e fiz a pergunta.

Quando a aula terminou, o mais velho veio ter comigo e disse-me: «Fomos expulsos porque somos Bahá’ís. Só lhe queria dizer que o motivo da nossa expulsão está nas nossas convicções religiosas e não se deve a nenhuma falha moral». Era um homem de meia-idade, quase calvo e parcialmente grisalho. Aparentava 45 anos de idade. O outro era uma mulher, com cerca de 20 anos e era a minha melhor aluna.

Uma ou duas semanas antes, quando recebi uma carta do gabinete de segurança da universidade ordenando-me que impedisse estes dois alunos de assistir às minhas aulas, imaginei todo o tipo de razões excepto a religião. Nunca pensei que aqueles dois estudantes fossem Baha’is. Na verdade, como é que uma pessoa pode saber isso? Não se pode descobrir as convicções religiosas de uma pessoa pela leitura das expressões faciais – a menos que alguém tenha inventado sinais que revelem a sua religião. Por isso a primeira coisa que me ocorreu era que tinham visto estes dois a falar muito entre si, ou que imaginassem outras coisas sobre o relacionamento entre os dois. E talvez os dois já tivessem ouvido essas teorias e não quisessem ter má reputação.

Perguntei-lhe: «Porque é que foi expulso após dois anos? Eles não sabiam que você era Baha’i e só agora é que descobriram? Você escondeu a sua religião das autoridades?»

Ele respondeu: «Não. Tenho tentado entrar na universidade nos últimos 25 anos. Em 2004, o presidente Khatami e o Sr. Mehrpour, insistiram na obediência à Constituição e conseguiram garantir os nossos direitos de ingressar em instituições de ensino superior. Mas agora, outras formas de direitos civis estão disponíveis para nós, excepto esta [i.e., a frequência de faculdades e universidades].»

Fiquei profundamente baralhado. Como era possível que alguém cuja família pratica abertamente [a religião] Baha’i, e que vive no meio de Muçulmanos, que durante 12 anos estuda na escola primária e secundária, lhe seja dito, quando atinge a universidade, que lhe é proibida mais escolaridade?! Como é que alguém pode ficar noivo, ter filhos, pagar impostos, fazer serviço militar, combater na guerra, mas não lhe é permitida a entrada na universidade?! Porque é que a universidade há-de ser o local onde algumas pessoas não têm o direito de entrar? E porque é que após todas estas lutas, após a invocação da Constituição que lhes garantiu o direito de frequentar universidades, esse direito foi suspenso?

Como resposta não tinha muito para lhe dizer, excepto expressar-lhe o meu pesar.

Alguns dias antes deste diálogo, almocei com um amigo e colega, um homem profundamente instruído, devoto e de proeminência reconhecida. Disse-me: «Alguns estudantes do Departamento vieram ter comigo e pediram que os professores liderassem a ajuda a estes dois estudantes». Foi este comentário que me fez compreender que o problema destes dois alunos não residia em algum comportamento imoral, mas tinha uma base religiosa.

O meu amigo prosseguiu: «Disse-lhe que não podia fazer nada. Mesmo em circunstâncias normais, estamos todos sob todos os tipos de pressões e ataques, e alguns sectores chamam-nos todos os nomes, como seculares, irreligiosos, etc, etc. Isso já são problemas suficientes para nós, e não precisamos que também nos rotulem como simpatizantes Baha’is. Isto é um assunto que tem de ser resolvido pela Lei Constituicional. 98% da população votou favoravelmente esta Constituição e segundo este texto apenas as religiões reconhecidas podem gozar de direitos civis. Não podemos agir contra o texto explícito da Constituição».

Ao ouvir estas palavras fiquei perplexo. E agitado, respondi: »Mas a Constituição não é assim; ela exige muita interpretação. Não foi o Ayatollah Khomeini que afirmou em Paris que os Marxistas gozariam de todos os direitos civis na Republica islâmica, e que o véu não era necessário para as mulheres? Não era o Ayatollah Motahari que queria levar professores Marxistas para as escolas religiosas? Não era o Dr. Shariati que fazia do versículo corânico “Não existe compulsão na religião” um slogan dos seus livros? E recentemente não foi o Ayatollah Montazeri que defendeu os direitos cívicos dos Baha’is? Os Estudantes Baha’is não chegaram às nossas universidades após 12 anos de estudos nas escolas primárias e secundárias da Republica Islâmica? As suas vidas e os seus bens não está protegidos pela lei?»

O meu amigo abanou afirmativamente a cabeça e disse: «Sim, o Ayatollah Montazeri recentemente defendeu-os». Mas continuou renitente; talvez os estudantes baha’is não tivesse identificado a sua religião nos impressos do exame nacional e a sua verdadeira religião apenas tivesse sido descoberta agora.

Mas ele não queria continuar a conversa e ficámos por ali.

Durante todo o dia fiquei ali a pensar que não devia deixar de dizer o que queria sobre “religião e liberdade”. Será que a religião e a liberdade não são sinónimos? Como podemos abordar este assunto e encontrar uma resposta?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (1)



Olhemos à nossa volta. O edifício mais alto do mundo é actualmente de Taipei e vai ser proximamente ultrapassado por outro que está a ser construído no Dubai. O homem mais rico do mundo é mexicano e a maior empresa cotada na bolsa é chinesa. Os maiores aviões do mundo são construídos na Rússia e na Ucrânia, a maior refinaria está a ser construída na Índia e as maiores fábricas situam-se na China. Londres está a tornar-se o principal centro financeiro mundial e é nos Emirados Árabes Unidos que está o fundo de investimento mais rico do mundo. O que foram ícones especificamente americanos estão agora nas mãos de outros países. A maior roda gigante do mundo está em Singapura. O maior casino não é de Las Vegas, é de Macau, cidade que ultrapassou Las Vegas em receitas anuais de jogo. A indústria cinematográfica de maior peso tanto em termos de número de filmes como de bilhetes vendidos é Bollywood e não Hollywood. Até os centros comerciais, esse grande desporto dos Americanos, se tornaram globais. Dos dez maiores centros comerciais de todo o mundo, só um está nos Estados Unidos; o maior do mundo situa-se em Pequim. Este tipo de listagens é arbitrário, mas é notável que, há apenas dez anos, os Estados Unidos estavam no topo em muitas dessas categorias, se não mesmo em todas. (p. 12)
Esta pequena lista de factos dá o mote ao livro de Fareed Zakaria: no mundo actual estão a surgir novas potências que seguem alguns dos padrões de desenvolvimento do Ocidente e começam-se afirmar como parceiros com os quais é necessário dialogar. Os países que no passado eram meros espectadores da arena internacional, tornaram-se agentes intervenientes com um peso inegável, que em algumas áreas rivalizam com os Estados Unidos e com a Europa.

O livro de Fareed Zakaria não se dedica à decadência dos Estados Unidos, mas antes à ascensão de outros países, como a Índia, a China e o Brasil. Como consequência surge a necessidade de procurar novos equilíbrios políticos e económicos. Mas essa procura não poderá continuar a ser ditada apenas pela Europa e pelos EUA; no actual cenário internacional, é vital para o bem de toda a humanidade que as soluções para os nossos problemas comuns sejam encontradas em diálogo com estes novos parceiros internacionais.

As transformações que testemunhamos no nosso planeta são referidas por alguns autores Bahá’ís como o resultado da acção simultânea de um processo de desintegração e de um processo de integração; por outras palavras, há uma velha ordem mundial que está a desaparecer, e uma nova civilização que está a nascer. Este livro de Fareed Zakaria faz luz sobre o que é o processo de integração e para onde eles nos pode levar nas próximas décadas.

Lúcido e objectivo nas suas análises, Zakaria transmite-nos uma imagem positiva desse novo mundo que está a nascer. Por todos estes motivos, considero este livro de leitura obrigatória para qualquer Bahá’í.

domingo, 9 de novembro de 2008

Kristallnacht



Faz hoje 70 anos que no Reich Nazi uma onda de violência sem precedentes se abateu sobre os judeus alemães. Numa única noite, em diversas cidades e vilas alemãs, mais de 200 sinagogas foram destruídas e milhares de estabelecimentos comerciais e residências particulares de famílias judaicas foram saqueados e destruídos. Nessas mesma noite, dezenas de judeus foram mortos e mais de 25.000 foram detidos e enviados para campos de concentração.

Esses acontecimentos - conhecidos como a Kristallnacht (A Noite Cristal) - são hoje referidos como o início da perseguição e erradicação sistemática dos judeus alemães, e prenuncio da calamidade (Shoah) que posteriormente se abateria sobre eles.

A data de hoje, tem, portanto, uma importância especial para a comunidade judaica. É um momento especial em que se recorda a memória das vítimas daquele dia e também as vítimas dos anos que se seguiram.

Mas os ataques a minorias étnicas, religiosas, políticas não são um pesadelo do passado. Srebrenica e o Ruanda aconteceram há pouco tempo; o Darfur e o Tibete acontecem ainda hoje. E quantos outros acontecem ainda sem que os media internacionais lhes dêem a devida atenção?

Hoje devia ser feriado - dia de reflexão - em todo o mundo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Manuel Clemente: Portugal e os Portugueses (2)

O Cristianismo é uma realidade ribeirinha

Um dos capítulos do livro "Portugal e os Portugueses", de D. Manuel Clemente, intitula-se “O Cristianismo é uma realidade ribeirinha”. Ao longo do texto, o autor refere que Cristo nasceu e viveu numa Palestina romanizada; os Evangelhos relatam diversos episódios relacionados com o mar e as águas. A água e o mar surgem com diversos significados nas Escrituras Cristãs. Dir-se-ia que para espalhar a Mensagem era necessário atravessar o mar. Ir mais alem, superar-se a si próprio, aventurar-se no desconhecido.

Depois sucedem-se as comparações com a História de Portugal e da Europa. A Palestina não chegava para os primeiros cristãos; a Europa não chegava para os europeus. Os primeiros lançaram-se na aventura missionária; os segundos naquilo a que chamamos "as descobertas". Logo aqui questionei: será isto uma comparação legítima para nós, pessoas do século XXI? Poderá a coragem e o desprendimento daquela primeira geração de missionários cristãos, ser comparável à sede de conquista, e às ambições de poder dos governantes das potências europeias (incluindo Portugal)?

As analogias entre a história Bíblica e a história secular de Portugal levam o autor a exageros óbvios. Por exemplo, quando afirma que Jesus não saiu da Palestina e forçou os seus discípulos a atravessar os mares, e seguidamente se colocam o Infante D. Henrique e D. João II (p.81) como se fossem herdeiros espirituais dessa missão evangelizadora, então corremos o risco de sacralizar as personagens da história ou de secularizar as personagens da fé.

Como escrevi noutro post, acho interessante uma reflexão que nos leve a procurar o lugar do Divino na história dos homens. Mas não podemos forçar a presença do Divino na história humana; não faz sentido tentar procurar em diversos episódios históricos, justificações, analogias ou inspirações de carácter religioso, quando é óbvio que esses episódios nada têm de religioso. Isso é quase tentar rescrever a história.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Good luck, Mr. President!


Independentemente das leituras políticas que se possam fazer, ninguém deixará de reconhecer que este é um momento histórico. Barack Obama foi eleito 44º Presidente dos Estados Unidos. O dia é histórico para a América e para o mundo espera começar a ver outra imagem desse grande país.

Não consigo imaginar a dimensão e o âmbito dos desafios que aguardam o Presidente Obama. É certo que ele não é nenhum messias, nem tem nenhuma solução mágica para resolver todos os problemas que hoje assolam a América e a Aldeia Global. Certamente que conseguirá as suas vitórias e também terá a sua dose de insucessos. E terá aquela momentos em que não lhe será possível tomar a melhor decisão, mas apenas a decisão menos má.

Assim, faço votos que Barack Obama esteja à altura do desafio e que a história o recorde como um grande presidente.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Insuficiência de quem?



Bilhete dirigido por um cliente preocupado a um banco:

"Dada a crise internacional que assola os bancos neste momento, se um dos meus cheques for devolvido por "INSUFICIÊNCIA DE PROVISÃO", como é que eu poderei saber se isso se refere a mim ou a vocês?"

(recebida por email)

O que Jorge Sampaio não viu no Irão...

A destruição do Cemitério Bahá'í de Ghaemshahr!

Um vídeo publicado feito pela Human Rights Activists in Iran.



(via Muslim Network for Baha'i Rights)

domingo, 2 de novembro de 2008

Só por curiosidade...



Que empresa é que auditou e certificou as contas do Banco Português de Negócios durante os últimos anos?