Um documentário produzido em 1992.
Recuperado de uma velha cassete VHS existente aqui em casa.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Diário de Notícias, 25 de Novembro de 1926
Conforme escrevi no post anterior, também o Diário de Notícias referiu em Novembro de 1926 a visita de Martha Root e Florence Schoflocher ao nosso país. A imagem que se segue é a reprodução dessa notícia.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Diário de Lisboa, 26 de Novembro de 1926
Em Novembro de 1926, Lisboa recebeu a visita de duas crentes Bahá'ís: Martha Root e Florence Schoflocher. Tratou-se da primeira iniciativa realizada com o objectivo de divulgar e estabelecer a Fé Bahá'í no nosso país.
No âmbito desta iniciativa, realizaram Conferências no Clube Rotário, deram entrevistas para os jornais Diário Notícias (publicada em 25/11/1926) e Diário de Lisboa (publicada em 26/11/1926) e ofereceram livros sobre a Fé Bahá’í à Biblioteca Nacional.
A imagem que se segue é a reprodução da notícia publicada no Diário de Lisboa.

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No âmbito desta iniciativa, realizaram Conferências no Clube Rotário, deram entrevistas para os jornais Diário Notícias (publicada em 25/11/1926) e Diário de Lisboa (publicada em 26/11/1926) e ofereceram livros sobre a Fé Bahá’í à Biblioteca Nacional.
A imagem que se segue é a reprodução da notícia publicada no Diário de Lisboa.
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domingo, 28 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
Capitalismo, Dinheiro e Ética

Miguel Sousa Tavares hoje no Expresso:
(...)
Vi há dias uma manifestação de desempregados do Norte, gente que viu ir à falência uma série de empresas que nem sequer lhes pagaram os salários até ao encerramento. Eram duas centenas de trabalhadores em representação de cerca de 6000 que estão nestas condições e que reclamavam uma coisa muito simples: se há dinheiro do Estado para pagar os buracos dos Bancos, porque não há dinheiro para lhes pagar a eles e depois ir executar as empresas? De facto eles têm toda, absolutamente toda, a razão. Trata-se de 90 milhões de euros que lhes são devidos – em comparação com os mil milhões já injectados nessa vergonha que é o BPN ou os 450 milhões de aval (obviamente perdidos) nessa brincadeira do BPP. É indispensável que haja um mínimo de moralidade em toda esta escandaleira. É preciso que não sejam os contribuintes e os trabalhadores sem culpa alguma a pagar a factura dos crimes alheios, para que eles fiquem apenas menos ricos e impunes e possam, mais adiante, retomar o «business as usual» e voltar a reclamar os mesmos privilégios, atenções e louvores do costume. Por muito menos do que isto fizeram-se revoluções.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
50 anos da Fé Bahá'í em Portugal (1996)
Programa Caminhos, RTP2 (1996). Inclui reportagem sobre conferência que assinalou os 50 anos da Fé Bahá'í em Portugal, a evocação de antigos Bahá'ís portugueses, entrevistas com Rúhíyyih Khanum, e Bahá'ís de Espanha, ainda como um breve resumo da evolução histórica da Comunidade Bahá'í em Portugal e as actividades que tem vindo a desenvolver.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (7)
Escreve Fareed Zakaria no seu livro "O Mundo Pós Americano":
Os americanos raramente fazem comparações com os padrões globais, porque têm a certeza que o seu modo de fazer as coisas é o melhor e o mais avançado. O resultado é que estão cada vez mais desconfiados da era global emergente. Há um fosso crescente entre a elite americana com negócios internacionais e as classes cosmopolitas, por um lado, e a maioria do povo americano, por outro. Se não forem feitos esforços para reduzir esse fosso, a referida separação pode destruir a margem competitiva dos Estado Unidos e o seu futuro político. (p.51)Quantas pessoas fora dos Estados Unidos terão percebido este problema? E será apenas um problema americano? E poderemos falar apenas em dois grupos sociais com visões do mundo totalmente distintas (como se os uns fossem os bons e os outros os maus)? Não existem mais grupos sociais com características sociais bem distintas que por vezes colidem? E não existem coisas boas e más em quase todos esse grupos?
domingo, 21 de dezembro de 2008
Polícia Iraniana encerra escritórios de Shirin Ebadi
Várias Agências Noticiosas e canais de TV deram a conhecer esta tarde que as autoridades iranianas encerraram os escritórios de Shirin Ebadi, a conhecida prémio Nobel da Paz 2003 e prestigiada activista dos direitos humanos.
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COMENTÁRIO:
Shirin Ebadi e a sua filha têm sido alvos de diversas difamações e ofensas desde que a Drª Ebadi decidiu aceitar a defesa dos sete dirigentes Baha’is iranianos detidos no passado mês de Maio. Será que há alguma relação entre isto e o encerramento dos seus escritórios?
Teerão, 21 Dez (Lusa) - A polícia iraniana fechou hoje as instalações do Círculo de Defensores dos Direitos do Homem, dirigido pela Prémio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, marcando um endurecimento do poder em relação às organizações de direitos humanos.
"O encerramento dos nossos escritórios sem ordem judicial é um acto ilegal e vamos protestar", afirmou Shirin Ebadi, que se encontrava no local no momento da intervenção policial.
A polícia não apresentou qualquer justificação para o encerramento das instalações, mas a agência semi-oficial Mehr adiantou que foram fechados "sobre decisão judicial" porque o grupo não tem autorização do Ministério do Interior para "efectuar as actividades".
Os partidos políticos e as associações precisam de uma autorização do Ministério do Interior para serem reconhecidos legalmente.
"É evidente que este acto não é uma mensagem positiva para os activistas dos direitos do Homem, mas vamos continuar a fazer o nosso dever, sejam quais forem as circunstâncias", declarou Shirin Ebadi.
O Círculo dos Defensores dos Direitos do Homem foi fundado por um grupo de advogados, entre os quais a Prémio Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, e tem combatido a falta de respeito pelos direitos humanos, nomeadamente a multiplicação da pena de morte aplicada a menores de 18 anos.
O novo código penal iraniano tem sido igualmente alvo das críticas da organização, que, consideram, ignora os direitos das Mulheres e baseia-se numa interpretação "incorrecta" do Islão.
Depois de ter recebido o Nobel da Paz, Ebadi foi várias vezes ameaçada de morte, tendo o presidente Mahmoud Ahmadinejad ordenado um inquérito às ameaças e protecção policial à activista.
Ebadi tornou-se em 1974 a primeira mulher juiz do Irão, mas a revolução islâmica de 1979 vedou a magistratura às mulheres.
Ebadi prosseguiu, contudo, a sua actividade a favor dos direitos humanos nomeadamente das mulheres e das crianças.
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COMENTÁRIO:
Shirin Ebadi e a sua filha têm sido alvos de diversas difamações e ofensas desde que a Drª Ebadi decidiu aceitar a defesa dos sete dirigentes Baha’is iranianos detidos no passado mês de Maio. Será que há alguma relação entre isto e o encerramento dos seus escritórios?
«Provavelmente Deus não existe»
O artigo do Prof. Anselmo Borges, ontem no Diário de Notícias.
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É possível que já em Janeiro, nas ruas de Londres, as pessoas se deparem com cartazes no exterior dos autocarros com estes dizeres: "There's probably no God. Now stop worring and enjoy your life" (Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de preocupar-se e desfrute a vida).
Trata-se de uma campanha publicitária a favor do ateísmo, promovida pela Associação Humanista Britânica e apoiada pelo célebre biólogo darwinista R. Dawkins, professor da Universidade de Oxford, ateu militante e, segundo muitos, fundamentalista.

A campanha foi um êxito, pois rapidamente conseguiu fundos - dezenas de milhares de euros - mais que suficientes para pô-la em marcha. Segundo a jornalista Ariane Sherine, que a tinha sugerido em Junho, "fazer uma campanha em autocarros com uma mensagem tranquilizadora sobre o ateísmo seria uma boa forma de contrabalançar as mensagens de certas organizações religiosas que ameaçam os não cristãos com o inferno".
Para Dawkins, "a religião está acostumada a ter tudo grátis - benefícios fiscais, respeito imerecido e o direito a não ser ofendida, o direito a lavar o cérebro das crianças". Assim, "esta campanha de slogans alternativos nos autocarros de Londres obrigará as pessoas a pensar. Ora, pensar é uma maldição para a religião".
Logo que apareceu o anúncio da campanha, fui confrontado por um jornalista da TSF: se a achava provocatória. Respondi que até a achava interessante. De facto, era isso mesmo: obrigaria as pessoas a pensar nas questões essenciais, e Deus é uma dessas questões decisivas.
Constatei, mais tarde, que essa foi também a posição de líderes religiosos britânicos, que responderam favoravelmente à iniciativa. Aliás, qualquer um tem o direito de promover as suas ideias através de meios apropriados. A Igreja Metodista agradeceu inclusivamente a Dawkins pelo facto de encorajar um "contínuo interesse por Deus". A rev. Jenny Ellis disse: "Esta campanha será uma boa coisa, se levar as pessoas a comprometer-se com as questões mais profundas da vida." E acrescentou: "O cristianismo é para pessoas que não têm medo de pensar sobre a vida e o sentido."
É significativo aquele "provavelmente". Dawkins não sabe que Deus não existe e, por isso, escreve: "Provavelmente." A existência de Deus não é objecto de saber de ciência, à maneira das matemáticas ou das ciências verificáveis experimentalmente. Nisso, Kant viu bem: ninguém pode gloriar-se de saber que Deus existe e que haverá uma vida futura; se alguém o souber, "esse é o homem que há muito procuro, porque todo o saber é comunicável e eu poderia participar nele".
Afinal, também há razões para não crer, mas, quando se pensa na contingência do mundo, no dinamismo da esperança em conexão com a moral e na exigência de sentido último, não se pode negar que é razoável acreditar no Deus pessoal, criador e salvador, que dá sentido final a todas as coisas. Numa e noutra posição - crente e não crente -, entra sempre também algo de opcional.
Mas, nos cartazes, o mais impressionante é a segunda parte: "Deixe de preocupar-se e desfrute a vida." É claro que o que está subjacente a esta conclusão é a ideia de um Deus invejoso da vida e da alegria dos homens e das mulheres.
Se a primeira parte obriga os crentes a pensar, retirando da fé tudo o que de ridículo - pense-se em todas as superstições - lhe tem andado colado, a segunda tem de levá-los a "evangelizar" Deus. É preciso, de facto, reconhecer que houve e há muitos a quem "Deus" tolheu a vida, de tal modo que teria sido preferível nunca terem ouvido falar no seu nome - pense-se no horror do inferno, nas guerras e ódios em seu nome, no envenenamento da sexualidade, na estreiteza e humilhação a que ficaram sujeitos.
Agora que está aí o Natal, é ocasião para meditar no Deus que manifesta a sua benevolência e magnanimidade criadoras no rosto de uma criança. Jesus não veio senão revelar que Deus é amor, favorável a todos os homens e mulheres e querendo a sua realização plena. Perante um "deus" que os humilhasse e escravizasse, só haveria uma atitude digna: ser ateu.
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É possível que já em Janeiro, nas ruas de Londres, as pessoas se deparem com cartazes no exterior dos autocarros com estes dizeres: "There's probably no God. Now stop worring and enjoy your life" (Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de preocupar-se e desfrute a vida).
Trata-se de uma campanha publicitária a favor do ateísmo, promovida pela Associação Humanista Britânica e apoiada pelo célebre biólogo darwinista R. Dawkins, professor da Universidade de Oxford, ateu militante e, segundo muitos, fundamentalista.

A campanha foi um êxito, pois rapidamente conseguiu fundos - dezenas de milhares de euros - mais que suficientes para pô-la em marcha. Segundo a jornalista Ariane Sherine, que a tinha sugerido em Junho, "fazer uma campanha em autocarros com uma mensagem tranquilizadora sobre o ateísmo seria uma boa forma de contrabalançar as mensagens de certas organizações religiosas que ameaçam os não cristãos com o inferno".
Para Dawkins, "a religião está acostumada a ter tudo grátis - benefícios fiscais, respeito imerecido e o direito a não ser ofendida, o direito a lavar o cérebro das crianças". Assim, "esta campanha de slogans alternativos nos autocarros de Londres obrigará as pessoas a pensar. Ora, pensar é uma maldição para a religião".
Logo que apareceu o anúncio da campanha, fui confrontado por um jornalista da TSF: se a achava provocatória. Respondi que até a achava interessante. De facto, era isso mesmo: obrigaria as pessoas a pensar nas questões essenciais, e Deus é uma dessas questões decisivas.
Constatei, mais tarde, que essa foi também a posição de líderes religiosos britânicos, que responderam favoravelmente à iniciativa. Aliás, qualquer um tem o direito de promover as suas ideias através de meios apropriados. A Igreja Metodista agradeceu inclusivamente a Dawkins pelo facto de encorajar um "contínuo interesse por Deus". A rev. Jenny Ellis disse: "Esta campanha será uma boa coisa, se levar as pessoas a comprometer-se com as questões mais profundas da vida." E acrescentou: "O cristianismo é para pessoas que não têm medo de pensar sobre a vida e o sentido."
É significativo aquele "provavelmente". Dawkins não sabe que Deus não existe e, por isso, escreve: "Provavelmente." A existência de Deus não é objecto de saber de ciência, à maneira das matemáticas ou das ciências verificáveis experimentalmente. Nisso, Kant viu bem: ninguém pode gloriar-se de saber que Deus existe e que haverá uma vida futura; se alguém o souber, "esse é o homem que há muito procuro, porque todo o saber é comunicável e eu poderia participar nele".
Afinal, também há razões para não crer, mas, quando se pensa na contingência do mundo, no dinamismo da esperança em conexão com a moral e na exigência de sentido último, não se pode negar que é razoável acreditar no Deus pessoal, criador e salvador, que dá sentido final a todas as coisas. Numa e noutra posição - crente e não crente -, entra sempre também algo de opcional.
Mas, nos cartazes, o mais impressionante é a segunda parte: "Deixe de preocupar-se e desfrute a vida." É claro que o que está subjacente a esta conclusão é a ideia de um Deus invejoso da vida e da alegria dos homens e das mulheres.
Se a primeira parte obriga os crentes a pensar, retirando da fé tudo o que de ridículo - pense-se em todas as superstições - lhe tem andado colado, a segunda tem de levá-los a "evangelizar" Deus. É preciso, de facto, reconhecer que houve e há muitos a quem "Deus" tolheu a vida, de tal modo que teria sido preferível nunca terem ouvido falar no seu nome - pense-se no horror do inferno, nas guerras e ódios em seu nome, no envenenamento da sexualidade, na estreiteza e humilhação a que ficaram sujeitos.
Agora que está aí o Natal, é ocasião para meditar no Deus que manifesta a sua benevolência e magnanimidade criadoras no rosto de uma criança. Jesus não veio senão revelar que Deus é amor, favorável a todos os homens e mulheres e querendo a sua realização plena. Perante um "deus" que os humilhasse e escravizasse, só haveria uma atitude digna: ser ateu.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Uma curiosidade
O contador de visitantes por vezes surpreende-me com algumas visitas inesperadas. Este é um caso interessante. Alguém no Irão, numa organização intitulada "Justice Department Of Human Rights" chegou a este blog ao procurar no Google o seguinte conjunto de caracteres: A/RES/63/191.

O curioso é que "A/RES/63/191" é o código que identifica a Resolução aprovada pela Assembleia geral da ONU onde se condena o Irão pelas suas práticas de Direitos Humanos.
O curioso é que "A/RES/63/191" é o código que identifica a Resolução aprovada pela Assembleia geral da ONU onde se condena o Irão pelas suas práticas de Direitos Humanos.
A Fé no feminino
Assembleia Geral da ONU: Profunda preocupação pela situação dos Direitos Humanos no Irão
NAÇÕES UNIDAS - A Assembleia Geral das Nações Unidas adoptou a quinta-feira (18-Dezembro) uma resolução (A/RES/63/191 ) que expressa "profunda preocupação por sérias violações dos direitos humanos" no Irão.
A resolução, que foi aprovada por 69 votos contra 54, criticou explicitamente o Irão pelo uso da tortura, elevada número de execuções, "repressão violenta" das mulheres, e "crescente discriminação" contra Bahá'ís, Cristãos, Judeus, Sufis, Sunitas, e outras minorias.

"O Irão deve reflectir sobre este voto e tirar ilações, onde, tristemente, países como a Finlândia ou Fidji são mostram mais preocupação com os direitos dos cidadãos iranianos comuns do que próprio Governo Iraniano", disse Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional de Bahá'í nas Nações Unidas.
"A Assembleia Geral é o órgão mais representativo do mundo, e o facto desta ser a 21ª resolução desde 1985 onde se expressa preocupação pelos direitos humanos no Irão, não deixam dúvidas que isto não se trata de um caso de «politização», como o Governo Iraniano gosta de dizer, mas de um interesse genuíno por direitos universalmente reconhecidos."
"Lamentavelmente, apesar de condenações como esta e de um relatório recente do Secretário Geral da ONU, a situação dos direitos humanos no Irão piora a cada dia que passa. Não obstante, temos esperanças que manifestações de preocupação como esta levem os dirigente iranianos a repensar a sua atitude face aos direitos humanos", afirmou.
A Sra Dugal notou igualmente que o Irão se está a preparar para a Revisão Periódica Universal no Conselho de Direitos Humanos em 2010. O Irão deve perceber a preocupação da Comunidade Internacional e fazer todos os esforços para melhorar seu deplorável registo de violações de Direitos Humanos.
A resolução de hoje foi proposta pelo Canadá e patrocinada por mais outros 40 países. Também faz referência ao recente relatório do secretário geral Ban Ki-moon, divulgado em Outubro, que igualmente expressou o preocupação pelos direitos humanos no Irão, e apela ao Irão que responda às "preocupações substantivas" ali expressas.
Nesse relatório, o Sr. Ban afirmou que "há um número de impedimentos sérios à plena protecção dos direitos humanos" no Irão. Do mesmo modo, manifestou preocupação pela tortura, execuções, direitos das mulheres, e a discriminação contra as minorias. [Ler o relatório detalhado aqui]
A resolução pede ao Secretário Geral que prepare uma actualização sobre progresso do Irão durante o próximo ano. Também apela ao Irão para que "ponha termo à hostilização, intimidação e perseguição de opositores políticos e de defensores das direitos humanos, libertando pessoas detidas arbitrariamente ou com base nas suas ideias políticas" e "que ponha fim à impunidade das violações de direitos humanos."
A resolução regista especificamente os ataques contra Bahá'ís, notando "evidências crescentes dos esforços do Estado para identificar e monitorizar os Bahá'ís, impedindo que os membros da fé de Bahá'í de frequentar a universidade, de se sustentarem economicamente, e a detenção de sete dirigentes Bahá'ís sem acusação ou acesso a representação legal."
A Senhora Dugal recordou que, actualmente, estão presos pelo menos 20 Bahá'ís, incluindo sete dirigentes nacionais que foram detidos em Março e Maio e se encontram na prisão de Evin sem acusação. Mais de 100 outros foram presos e libertados sob caução durante os últimos quatro anos como parte de um esforço de perseguição apoiado pelo Governo.
Resultados da Votação
A FAVOR: Albânia, Andorra, Argentina, Austrália, Áustria, Bahamas, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Botswana, Bulgária, Canada, Chile, Costa Rica, Croácia, Chipre, Republica Checa, Dinamarca, El Salvador, Estónia, Fidji, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Honduras, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Kiribati, Letónia, Libéria, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Ilhas Marshall, México, Micronésia (Estados Federados da), Mónaco, Montenegro, Nauru, Holanda, Nova Zelandia, Noruega, Palau, Panamá, Peru, Polónia, Portugal, Republica da Moldava, Roménia, Santa Lucia, Samoa, San Marino, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, suécia, Suíça, Antiga Republica Jugosláva da Macedónia, Timor-Leste, Tuvalu, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Vanuatu.
CONTRA: Afeganistão, Argélia, Arménia, Azerbaijão, Bahrain, Bangladesh, Bielorússia, Belize, China, Cômoros, Congo, Cuba, Coreia do Norte, Equador, Egipto, Eritrea, Gâmbia, Guine-Conakri, Índia, Indonésia, Irão, Cazaquistão, Kuwait, Kirguizistão, Líbano, Líbia, Malawi, Malásia, Mauritânia, Marrocos, Myanmar, Nicarágua, Niger, Oman, Paquistão, Qatar, Federação Russa, Arábia Saudita, Senegal, Sérvia, Somália, África do Sul, Sri Lanka, Sudão, Síria, Tadjiquistão, Togo, Tunísia, Turquemenistão, Uzbequistão, Venezuela, Vietname, Iémen, Zimbabwe.
ABSTENÇÕES: Angola, Antigua and Barbuda, Barbados, Benin, Butão, Bolívia, Brasil, Brunei, Burkina Faso, Burundi, Camarões, Cabo Verde, Republica Centro Africana, Tchad, Colômbia, Costa do Marfim, Dominica, Republica Dominicana, Etiópia, Geórgia, Gana, Granada, Guatemala, Guiné-Bissau, Guiana, Haiti, Jamaica, Jordânia, Quénia, Laos, Lesoto, Mali, Mauritius, Mongólia, Moçambique, Namíbia, Nepal, Nigéria, Papua Nova Guiné, Paraguai, Filipinas, Coreia do Sul, Ruanda, St. Kitts e Nevis, Saint Vincent e Granadines, São Tome e Príncipe, Serra Leoa, Singapura, Ilhas Salomão, Suriname, Suazilândia, Tailândia, Uganda, Emirados Árabes Unidos, United Tanzânia, Uruguai, Zâmbia.
AUSENTES: Camboja, Congo, Djibuti, Guiné Equatorial, Gabão, Iraque, Madagáscar, Maldivas, Seychelles, Tonga, Trinidad e Tobago, Turquia.
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FONTES:
UN General Assembly expresses "deep concern" about human rights in Iran (BWNS)
General Assembly adopts 52 Resolutions, 6 Decisions recommended by Third Committee... (UN)
A resolução, que foi aprovada por 69 votos contra 54, criticou explicitamente o Irão pelo uso da tortura, elevada número de execuções, "repressão violenta" das mulheres, e "crescente discriminação" contra Bahá'ís, Cristãos, Judeus, Sufis, Sunitas, e outras minorias.

"O Irão deve reflectir sobre este voto e tirar ilações, onde, tristemente, países como a Finlândia ou Fidji são mostram mais preocupação com os direitos dos cidadãos iranianos comuns do que próprio Governo Iraniano", disse Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional de Bahá'í nas Nações Unidas.
"A Assembleia Geral é o órgão mais representativo do mundo, e o facto desta ser a 21ª resolução desde 1985 onde se expressa preocupação pelos direitos humanos no Irão, não deixam dúvidas que isto não se trata de um caso de «politização», como o Governo Iraniano gosta de dizer, mas de um interesse genuíno por direitos universalmente reconhecidos."
"Lamentavelmente, apesar de condenações como esta e de um relatório recente do Secretário Geral da ONU, a situação dos direitos humanos no Irão piora a cada dia que passa. Não obstante, temos esperanças que manifestações de preocupação como esta levem os dirigente iranianos a repensar a sua atitude face aos direitos humanos", afirmou.
A Sra Dugal notou igualmente que o Irão se está a preparar para a Revisão Periódica Universal no Conselho de Direitos Humanos em 2010. O Irão deve perceber a preocupação da Comunidade Internacional e fazer todos os esforços para melhorar seu deplorável registo de violações de Direitos Humanos.
A resolução de hoje foi proposta pelo Canadá e patrocinada por mais outros 40 países. Também faz referência ao recente relatório do secretário geral Ban Ki-moon, divulgado em Outubro, que igualmente expressou o preocupação pelos direitos humanos no Irão, e apela ao Irão que responda às "preocupações substantivas" ali expressas.Nesse relatório, o Sr. Ban afirmou que "há um número de impedimentos sérios à plena protecção dos direitos humanos" no Irão. Do mesmo modo, manifestou preocupação pela tortura, execuções, direitos das mulheres, e a discriminação contra as minorias. [Ler o relatório detalhado aqui]
A resolução pede ao Secretário Geral que prepare uma actualização sobre progresso do Irão durante o próximo ano. Também apela ao Irão para que "ponha termo à hostilização, intimidação e perseguição de opositores políticos e de defensores das direitos humanos, libertando pessoas detidas arbitrariamente ou com base nas suas ideias políticas" e "que ponha fim à impunidade das violações de direitos humanos."
A resolução regista especificamente os ataques contra Bahá'ís, notando "evidências crescentes dos esforços do Estado para identificar e monitorizar os Bahá'ís, impedindo que os membros da fé de Bahá'í de frequentar a universidade, de se sustentarem economicamente, e a detenção de sete dirigentes Bahá'ís sem acusação ou acesso a representação legal."
A Senhora Dugal recordou que, actualmente, estão presos pelo menos 20 Bahá'ís, incluindo sete dirigentes nacionais que foram detidos em Março e Maio e se encontram na prisão de Evin sem acusação. Mais de 100 outros foram presos e libertados sob caução durante os últimos quatro anos como parte de um esforço de perseguição apoiado pelo Governo.
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Resultados da Votação
A FAVOR: Albânia, Andorra, Argentina, Austrália, Áustria, Bahamas, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Botswana, Bulgária, Canada, Chile, Costa Rica, Croácia, Chipre, Republica Checa, Dinamarca, El Salvador, Estónia, Fidji, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Honduras, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Kiribati, Letónia, Libéria, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Ilhas Marshall, México, Micronésia (Estados Federados da), Mónaco, Montenegro, Nauru, Holanda, Nova Zelandia, Noruega, Palau, Panamá, Peru, Polónia, Portugal, Republica da Moldava, Roménia, Santa Lucia, Samoa, San Marino, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, suécia, Suíça, Antiga Republica Jugosláva da Macedónia, Timor-Leste, Tuvalu, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Vanuatu.
CONTRA: Afeganistão, Argélia, Arménia, Azerbaijão, Bahrain, Bangladesh, Bielorússia, Belize, China, Cômoros, Congo, Cuba, Coreia do Norte, Equador, Egipto, Eritrea, Gâmbia, Guine-Conakri, Índia, Indonésia, Irão, Cazaquistão, Kuwait, Kirguizistão, Líbano, Líbia, Malawi, Malásia, Mauritânia, Marrocos, Myanmar, Nicarágua, Niger, Oman, Paquistão, Qatar, Federação Russa, Arábia Saudita, Senegal, Sérvia, Somália, África do Sul, Sri Lanka, Sudão, Síria, Tadjiquistão, Togo, Tunísia, Turquemenistão, Uzbequistão, Venezuela, Vietname, Iémen, Zimbabwe.
ABSTENÇÕES: Angola, Antigua and Barbuda, Barbados, Benin, Butão, Bolívia, Brasil, Brunei, Burkina Faso, Burundi, Camarões, Cabo Verde, Republica Centro Africana, Tchad, Colômbia, Costa do Marfim, Dominica, Republica Dominicana, Etiópia, Geórgia, Gana, Granada, Guatemala, Guiné-Bissau, Guiana, Haiti, Jamaica, Jordânia, Quénia, Laos, Lesoto, Mali, Mauritius, Mongólia, Moçambique, Namíbia, Nepal, Nigéria, Papua Nova Guiné, Paraguai, Filipinas, Coreia do Sul, Ruanda, St. Kitts e Nevis, Saint Vincent e Granadines, São Tome e Príncipe, Serra Leoa, Singapura, Ilhas Salomão, Suriname, Suazilândia, Tailândia, Uganda, Emirados Árabes Unidos, United Tanzânia, Uruguai, Zâmbia.
AUSENTES: Camboja, Congo, Djibuti, Guiné Equatorial, Gabão, Iraque, Madagáscar, Maldivas, Seychelles, Tonga, Trinidad e Tobago, Turquia.
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FONTES:
UN General Assembly expresses "deep concern" about human rights in Iran (BWNS)
General Assembly adopts 52 Resolutions, 6 Decisions recommended by Third Committee... (UN)
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Incêndio no antigo Centro Bahá'í de Teerão
No passado dia 11 de Dezembro, uma notícia divulgada pela IRNA (agência noticiosa iraniana) dava conta do seguinte:
Hoje (quinta-feira) o anfiteatro do Centro de Arte da Organização para a Propagação do Islão, situado na Rua Hafez, entre as ruas Samieh e Taleqani, sofreu um incêndio.Este texto esteve disponível em língua persa no dia 11 de Dezembro neste endereço. Uma semana mais tarde, a notícia tinha sido alterada, tendo sido eliminados todas as referências à Fé Bahá’í. É o lápis azul do governo iraniano...
O presente edifício é usado como Centro de Arte, possui mais de 2000 metros quadrados e foi construído com um estilo arquitectónico clássico. Antes da Revolução este edifício era usado como Hadiratu’l-Quds ou centro de adoração pelos Baha’is.
Segundo o repórter da IRNA, os bombeiros do quartel 108 em Teerão chegaram imediatamente ao local e após 30 minutos de combate às chamas conseguiram extinguir o incêndio. Deste incidente não resultou qualquer perda de vidas.
O Hadiratu’l-Quds - que significa paraíso - era um centro de adoração para os Baha’is de Teerão. Tinha uma estrutura magnifica seguindo estilo de arquitectura Qajar, empregando uma considerável quantidade de espelhos tradicionais e ladrilhos decorativos; estava rodeado jardins e pomares verdejantes. O edifício de dois andares tem um anfiteatro com tectos altos e ornamentação refinada.
Após a Revolução Islâmica o edifício foi confiscado. Graças ao trabalho de artistas islâmicos revolucionários, como Murteza Avini, Muhsen Makhmalbaf e muitos outros, foi transformado num local para expressão da arte islâmica revolucionária.
A Fé Bahá’í é uma comunidade mundial com mais de oito milhões de seguidores. A Fé Baha’i começou no Irão; o seu seguidor é conhecido com Bahá'u'lláh.
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FONTE: Former Baha’i Center of Tehran Suffers Fire (Iran Press Watch)
A Absolutização da Vida
O parágrafo seguinte é um pequeno excerto de um ensaio intitulado “A Vida Natural” escrito Dietrich Bonhoeffer entre 1940 e 1941. Este ensaio foi publicado no ano passado em Portugal num livro intitulado «Ética» (Assírio & Alvim).
Muitas religiões e sistemas filosóficos tentam apresentar respostas para uma questão complexa como «Qual o propósito da vida?» Talvez seja uma pergunta tão antiga quanto a espécie humana; pode ser que faça parte da nossa natureza indagarmos os motivos mais profundos da nossa existência.
Bonhoeffer - teólogo luterano de admirável cuja dimensão humana e coragem - rejeita a ideia de que possamos existir por acaso ou apenas para estar vivos; é uma posição comum a quem se recusa acreditar que o ser humano é apenas um pedaço de matéria que tomou consciência de si próprio. Na verdade, se o propósito da nossa existência é viver e gozar a vida durante algumas décadas, então somos levados a reconhecer que se trata de uma existência vazia, que não nos leva a lado nenhum.
Nas Escrituras Bahá’ís, encontramos duas respostas a esta questão. Por um lado, é-nos apresentado um propósito individual quando Bahá'u'lláh afirma que cada ser humano foi criado para "conhecer e adorar" o Criador. Não se trata de um convite a uma vida de recolhimento, meditação e contemplação; o conhecimento de Deus consegue-se através do conhecimento dos Seus Mensageiros e a adoração expressa-se no serviço aos nossos semelhantes (não será isto a reafirmação do ágape cristão?).
Por outro, o fundador da religião Bahá’í afirma que a humanidade tem um propósito colectivo: desenvolver "uma civilização em progresso contínuo". Na verdade, os grupos sociais ou instituições que puderem dar um contributo para o desenvolvimento de ciências, artes, valores, hábitos e comportamentos dos povos, terão, certamente, atingido esse propósito.
Assim, nas Escrituras Bahá’ís a vida é apresentada como um meio para atingir uma finalidade dupla. E fugindo aos perigos da absolutização e do niilismo, como adverte Bonhoeffer, a vida é encarada como instrumento de desenvolvimento que visa a realização plena do indivíduo enquanto ser humano e membro de uma sociedade.
A vida que se põe de modo absoluto como um fim para si mesma autodestrói-se. O vitalismo desemboca necessariamente no niilismo, na destruição total do natural. A vida em si é, pois, um nada, um abismo, uma queda; é movimento sem fim, sem objectivo, movimento para o nada. Nunca descansa antes de ter implicado tudo neste movimento aniquilador. Este vitalismo está presente na vida individual e comunitária. Nasce da falsa absolutização de um conhecimento de per si justo, isto é, de que a vida não é um só um meio para um fim, antes um fim em si mesma; e também este conhecimento vale quer para a vida individual, quer para a vida colectiva. (p.146)
Muitas religiões e sistemas filosóficos tentam apresentar respostas para uma questão complexa como «Qual o propósito da vida?» Talvez seja uma pergunta tão antiga quanto a espécie humana; pode ser que faça parte da nossa natureza indagarmos os motivos mais profundos da nossa existência.Bonhoeffer - teólogo luterano de admirável cuja dimensão humana e coragem - rejeita a ideia de que possamos existir por acaso ou apenas para estar vivos; é uma posição comum a quem se recusa acreditar que o ser humano é apenas um pedaço de matéria que tomou consciência de si próprio. Na verdade, se o propósito da nossa existência é viver e gozar a vida durante algumas décadas, então somos levados a reconhecer que se trata de uma existência vazia, que não nos leva a lado nenhum.
Nas Escrituras Bahá’ís, encontramos duas respostas a esta questão. Por um lado, é-nos apresentado um propósito individual quando Bahá'u'lláh afirma que cada ser humano foi criado para "conhecer e adorar" o Criador. Não se trata de um convite a uma vida de recolhimento, meditação e contemplação; o conhecimento de Deus consegue-se através do conhecimento dos Seus Mensageiros e a adoração expressa-se no serviço aos nossos semelhantes (não será isto a reafirmação do ágape cristão?).
Por outro, o fundador da religião Bahá’í afirma que a humanidade tem um propósito colectivo: desenvolver "uma civilização em progresso contínuo". Na verdade, os grupos sociais ou instituições que puderem dar um contributo para o desenvolvimento de ciências, artes, valores, hábitos e comportamentos dos povos, terão, certamente, atingido esse propósito.
Assim, nas Escrituras Bahá’ís a vida é apresentada como um meio para atingir uma finalidade dupla. E fugindo aos perigos da absolutização e do niilismo, como adverte Bonhoeffer, a vida é encarada como instrumento de desenvolvimento que visa a realização plena do indivíduo enquanto ser humano e membro de uma sociedade.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Rusgas
De acordo com Activistas Iranianos dos Direitos Humanos, na madrugada do passado dia 14 de Dezembro, no Irão, agentes do Ministério da Segurança efectuaram várias rusgas simultâneas em residências de bahá’ís na cidade de Semnan.
Algumas famílias foram agredidas durante estas rusgas, e foi confiscado diversos documentos e objectos pessoais. As informações transmitidas para o exterior por diversas testemunhas afirmam que estas rusgas tinham um claro propósito de incutir medo e confusão nas famílias.
Confirma-se a detenção de um Bahá'í, sobre o qual não há qualquer informação adicional.
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FONTE: Agents of the Intelligence Ministry Raided Baha’i Households in Semnan (Iran Press Watch)
Algumas famílias foram agredidas durante estas rusgas, e foi confiscado diversos documentos e objectos pessoais. As informações transmitidas para o exterior por diversas testemunhas afirmam que estas rusgas tinham um claro propósito de incutir medo e confusão nas famílias.
Confirma-se a detenção de um Bahá'í, sobre o qual não há qualquer informação adicional.
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FONTE: Agents of the Intelligence Ministry Raided Baha’i Households in Semnan (Iran Press Watch)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Vera Jardim questiona acordo com Igreja
Artigo publicado hoje no Diário de Notícias (Rita Carvalho e Fernanda Câncio)
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Assistência religiosa: Confissões minoritárias à margem do processo
O anúncio, pela ministra da saúde, da existência de um acordo entre o Governo e a Igreja Católica sobre o novo regime de assistência religiosa nos hospitais está a suscitar reacções de perplexidade. É o caso de Vera Jardim, deputado do PS e principal autor da lei de liberdade religiosa (em vigor desde 2001), que apresentou já um requerimento a solicitar esclarecimentos à ministra da Saúde, e de Mário Soares, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, afirma-se "apanhado de surpresa".
De acordo com a lei da liberdade religiosa, a comissão a que Soares preside deve dar parecer sobre assuntos que se prendam com a aplicação da dita lei, como é o caso do novo regime de assistência religiosa nos hospitais, que deverá estatuir a igualdade de acesso a todas as confissões e acabar com o monopólio da católica. Mas até agora a comissão não foi consultada - essa é uma das questões suscitadas por Vera Jardim no seu requerimento. A outra é a de saber "se esse acordo abrange a assistência religiosa prestada por outras confissões ou se, em alternativa, está prevista a celebração desses acordos".
O DN conseguiu saber junto do ministério que o "acordo" é na verdade o novo regulamento da assistência religiosa nos hospitais, que "tem como objectivo assegurar a todas as confissões religiosas legalmente reconhecidas condições que permitam o livre exercício dessa assistência aos utentes que a solicitarem". A "auscultação da Igreja Católica" é entendida pelo Governo como "uma decorrência da Concordata assinada entre o Estado português e o Vaticano". Na véspera de se completarem quatro anos da ratificação do acordo internacional, o governo parece - de acordo com o ministro da presidência, Pedro Silva Pereira, que está a tutelar as negociações no que respeita à regulamentação da Concordata - ter obtido"o aval da Igreja" num dos dossiers que mais polémica suscitou no processo (recorde-se o protesto da hierarquia católica, ocorrido no Verão de 2007, em relação a um projecto de lei sobre esta matéria).
Mas é precisamente a necessidade desse "aval" que suscita a perplexidade de Vera Jardim: "A Concordata nesta matéria não exige nada. Não faz sentido o Ministério da Saúde entabular negociações com uma confissão, e para mais aquela que teve sempre a posição dominante, quando o que está em causa nesta nova lei é assegurar o acesso às confissões minoritárias."
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Assistência religiosa: Confissões minoritárias à margem do processo
O anúncio, pela ministra da saúde, da existência de um acordo entre o Governo e a Igreja Católica sobre o novo regime de assistência religiosa nos hospitais está a suscitar reacções de perplexidade. É o caso de Vera Jardim, deputado do PS e principal autor da lei de liberdade religiosa (em vigor desde 2001), que apresentou já um requerimento a solicitar esclarecimentos à ministra da Saúde, e de Mário Soares, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, afirma-se "apanhado de surpresa".
De acordo com a lei da liberdade religiosa, a comissão a que Soares preside deve dar parecer sobre assuntos que se prendam com a aplicação da dita lei, como é o caso do novo regime de assistência religiosa nos hospitais, que deverá estatuir a igualdade de acesso a todas as confissões e acabar com o monopólio da católica. Mas até agora a comissão não foi consultada - essa é uma das questões suscitadas por Vera Jardim no seu requerimento. A outra é a de saber "se esse acordo abrange a assistência religiosa prestada por outras confissões ou se, em alternativa, está prevista a celebração desses acordos".
O DN conseguiu saber junto do ministério que o "acordo" é na verdade o novo regulamento da assistência religiosa nos hospitais, que "tem como objectivo assegurar a todas as confissões religiosas legalmente reconhecidas condições que permitam o livre exercício dessa assistência aos utentes que a solicitarem". A "auscultação da Igreja Católica" é entendida pelo Governo como "uma decorrência da Concordata assinada entre o Estado português e o Vaticano". Na véspera de se completarem quatro anos da ratificação do acordo internacional, o governo parece - de acordo com o ministro da presidência, Pedro Silva Pereira, que está a tutelar as negociações no que respeita à regulamentação da Concordata - ter obtido"o aval da Igreja" num dos dossiers que mais polémica suscitou no processo (recorde-se o protesto da hierarquia católica, ocorrido no Verão de 2007, em relação a um projecto de lei sobre esta matéria).
Mas é precisamente a necessidade desse "aval" que suscita a perplexidade de Vera Jardim: "A Concordata nesta matéria não exige nada. Não faz sentido o Ministério da Saúde entabular negociações com uma confissão, e para mais aquela que teve sempre a posição dominante, quando o que está em causa nesta nova lei é assegurar o acesso às confissões minoritárias."
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Sem fronteiras
Esta é uma das mais conhecidas fotos do nosso planeta. Foi obtida pelos astronautas da missão Apolo 17, em 7 de Dezembro de 1972, no momento em que abandonavam a órbita terrestre a caminho da lua.
Nas cores laranja e branca que ressaltam no fundo azul não se vislumbram fronteiras; fica a ideia de que o planeta é o nossa pátria comum.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Ele é Bahá'í e escolheu ser excelente
Primeira parte da reportagem de Margarida Santos Lopes (fotos de Nuno Ferreira Santos) sobre Nelson Évora e a Fé Bahá'í (Público, 12-Dez-2008)
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O corpo é de ouro, mas o coração é bahá'i
A religião que professa desde os 16 anos pede que seja excelente. Foi influenciado por João Ganço, o treinador que o ajudou a ser campeão olímpico. Ainda recebe parabéns pela medalha de Pequim, mas o objectivo é saltar mais alto. Uma "mão divina" pode explicar "um centímetro a mais". Por Margarida Santos Lopes (texto) e Nuno Ferreira Santos (fotos)
Fedross Imani não trouxe o saltério, instrumento de cordas com que o rei David acompanhava os Salmos, mas veio Catherine Fiero com a sua harpa. Ela toca e canta: "We are all waves of one sea/we are all leaves of one tree/we are all flowers of one garden." Os fiéis escutam-na em silêncio, sob o olhar melancólico de 'Abdu'l Bahá, filho de Bahá'u'lláh, o Profeta dos bahá'is, cujo retrato ocupa lugar central numa pequena sala de cortinas azuis e heras cor de laranja.
É domingo à tarde, e Fedross está particularmente orgulhoso. Não só porque o palestrante da celebração de hoje, no Centro Bahá'i em Lisboa, é o seu filho Navid, mas porque na audiência está Nelson Évora, o atleta que personifica um dos valores máximos desta religião: a excelência.
O atleta medalha de ouro do triplo salto nos Jogos Olímpicos de Pequim é a estrela do dia, ainda que a sede da comunidade ostente no portão de entrada uma outra estrela. Tem nove pontas e representa a "unidade na diversidade" que inspirou "Cathy": o sabeanismo (os sabeus ainda hoje vivem no Iémen, Iraque, Paquistão e Afeganistão), o hinduísmo, o judaísmo, o zoroastrismo, o budismo, o cristianismo, o babismo e o bahá'ismo.
Depois de distribuir beijos, abraços e sorrisos, Nelson Évora sentou-se na segunda fila, entre a mulher e o filho do seu treinador, João Ganço. Navid, professor de artes marciais, dissertou sobre "a influência da educação no carácter do ser humano", e o "menino de ouro" foi várias vezes citado como um bom exemplo. O que se prepara "para atingir a perfeição".
Nelson ouviu-o com atenção e deu o seu testemunho: "O importante é estar sempre em movimento e trabalhar muito, porque a excelência é o lado físico e o lado espiritual." Sentada a pouca distância, a romena Iona Gheorghe lançou um piropo, que fez o atleta soltar o riso e roer ainda mais as unhas, e declarou, com esfuziante alegria: "Eu cheguei aqui há dois anos vinda de um país que foi uma ditadura. Era ortodoxa, mas senti sempre um vazio. Só a fé bahá'i me deixou completa."
Várias cabeças acenaram em concordância. Uma delas, a da harpista Catherine, que a Orquestra Nacional de São Carlos dispensou. "Eu vim de Nova Iorque, e sinto-me feliz desde que há 30 anos aceitei Bahá'u'lláh como mensageiro de Deus", dirá ao P2 a antiga cristã metodista, no final de uma hora de debate de ideias e duas orações. "We are all stars in the sky/ we are all one in God's eye", emociona-se ao recitar o seu livro de cânticos. "We are angels of fire and snow/we see the light and away we go."

A descoberta aos 16 anos
Os fiéis estão num exíguo hall (em breve o edifício será demolido para construir um maior) a partilhar bolinhos, queijos e sumos - lanche com que tradicionalmente terminam os encontros - e já Nelson Évora e João Ganço subiram à biblioteca para contarem como chegaram à "verdade".
"Eu era muito novo, tinha uns nove ou dez anos", revela o jovem, num misto de serenidade e nervosismo. "Costumava frequentar a casa do professor, em Odivelas, para brincar com o filho [David Ganço]. Lembro-me de ir às aulas de crianças sem saber para que serviam, mas depois percebi que o objectivo era transmitir valores. Éramos ensinados a não mentir e tínhamos de passar a teoria à prática. Eu e o David começávamos por mentir e depois víamos o resultado dessa mentira."
Ao contrário do que possa parecer, a "viagem espiritual" de Nelson, 24 anos, filho de uma costa-marfinense e de um cabo-verdiano, não começou na casa do vizinho João Ganço, antigo recordista do salto em altura. "A minha mãe foi sempre a mais religiosa da família", diz. "É católica mas não praticante. Acredita em Deus e sempre me ensinou a acreditar em Deus. Na sua maneira religiosa de estar e ser, deu-me os valores que me ajudarem a tornar-me bahá'i. Ela não seguiu o meu caminho, mas respeita o meu."
O momento decisivo aconteceu aos 16 anos, numa "escola de Verão em Monchique", mais uma vez na companhia do amigo David Ganço. "Eu era jovem, mas os meus ideais, a minha forma de vida, já eram bahá'is. Só faltava declarar-me e assim fiz." Encontrar respostas não é ter certezas, avisa Nelson. "Nada fica definido para o resto da vida. Tudo é questionável. Por exemplo, e só agora falo disto, há pouco tempo, uma amiga morreu de repente, num acidente, e voltaram-me as perguntas. Porquê?"
Perdoar Udowu Phillips
Será que Nelson duvidou da existência de Deus quando o seu pai adoeceu gravemente antes dos Jogos de Pequim? "O meu pai adoeceu por um motivo", afirma, sem precisar. "Quando há um motivo, não há perguntas a fazer. Coloquei mais perguntas, quando a minha amiga morreu, do nada. Ela era uma pessoa que procurava a excelência. E aconteceu-lhe aquilo. Ainda não consigo aceitar a morte."
Para outras adversidades, porém, já encontrou defesas. Quando o britânico Udowu Phillips reagiu muito mal ao segundo lugar (17,62m), o português que já era campeão do mundo desvalorizou os insultos. "A culpa é dele porque fez mal o exercício. Eu entrei em prova, sabia que estava bem. A primeira coisa que fiz, mesmo sabendo o que ele dissera de mim, foi estender-lhe a mão e falar com ele. Não guardo ressentimentos."
Há um episódio que Nelson Évora recorda, na sua primeira competição internacional, o campeonato do mundo 2003/04, em Budapeste, quando no meio do corredor uma atleta se atravessou à sua frente. "Eu tinha apostado tudo naquele salto e não consegui saltar. Desconcentrei-me e isso desmoralizou-me. Podia ter protestado. Não o fiz. Não me arrependo. Essa atitude enriqueceu-me como ser humano e desportivamente."
Nunca fez nada de errado? "Claro que fiz! Às vezes temos de experimentar as coisas más para saber onde os erros nos levam. Nem sempre chegamos lá quando nos dizem 'Não vás por aí'. Se faço mal, peço perdão sem dificuldade. Sei que todos erramos, que tenho defeitos e os outros também."
E quando ganha, o Nelson que saltou 17,67m sente que a fé o ajuda? "Eu e o professor trabalhámos muito, e eu só tinha de estar o mais concentrado possível. O que aconteceu depois, na prova, são coisas que me ultrapassam. Porquê um centímetro a mais ou a menos? Há coisas físicas, é certo, mas aqui atribuo uma mão divina. Para alguns, talvez seja sorte. Eu vejo mais além."
"Quero chegar mais longe, sem dúvida!", frisa Nelson. "Vou ter de estar muito equilibrado a todos os níveis. Se atingir os meus objectivos, e mesmo se não os atingir, essa procura servirá de exemplo de vida, para mim, e para os que acompanharem o meu percurso até lá. As pessoas ainda estão a pensar na medalha olímpica, mas eu, um dia depois, já estava a pensar noutra coisa. Noutra etapa, noutra prova."
A PIDE e Bach
João Ganço insiste no que já antes dissera noutras entrevistas: "Não foi só a fé bahá'i que deu a vitória ao Nelson. Foi um conjunto de factores e um deles foi a fé. Estamos há muito tempo juntos e sentimos o que temos e o que podemos fazer."
Sobre o seu percurso religioso, o treinador desvenda: "Eu era católico, mas tinha muitas dúvidas. Depois do meu casamento [mera formalidade pela igreja], eu e a minha mulher decidimos investigar várias religiões. Fomos ter com tudo o que era seita. Budistas, muçulmanos, o Mr. Moon e até as Testemunhas de Jeová. Era uma necessidade pessoal e espiritual."
"Quando pegava na Bíblia e começava a ler, interrogava-me. Havia coisas que não entendia. Também me questionava sobre a razão de ser de tantas religiões com tantos crentes. Onde estava a verdade? Foi a fé bahá'i que deu resposta às minhas dúvidas. Quando os outros textos religiosos foram revelados, a mentalidade era outra. Precisamos de outras orientações, mais avançadas. A época de Bahá'u'lláh [1817-1892] é a mais recente."
João Ganço demorou cinco anos a tornar-se bahá'i. "Há pessoas que chegaram lá logo pelo coração. Eu precisei de investigar. A minha mulher, os meus filhos e até a minha sogra são bahá'is. Alguns dos meus atletas, não só o Nelson, são bahá'is. Não pressionámos ninguém. Foram sentindo a atmosfera, sentiram-se bem e foram aderindo."
Nelson é o seu orgulho: "O primeiro passo não fui eu que o dei, foram os pais dele, que são católicos e são excelentes. A educação base foi da família. Depois, sentiu a influência bahá'i. Hoje, ele é mais conhecido pelo seu lado humano do que pela medalha. E eu fico contentíssimo, porque, um dia, ele deixará de ser atleta [estuda Marketing e Publicidade] mas continuará a ser uma pessoa."
Orgulho na fé que segue há 50 anos é também o que sente Mário Mota Marques, um dos nove membros eleitos da Assembleia Bahá'i de Lisboa. Sempre foi um "estudioso das religiões", apesar de a sua família não ser religiosa. Começou por ler o Bhagavad Gita, dos hindus. Aos 16 anos, foi conduzido ao centro bahá'i por um amigo que continua a ser agnóstico.
O amigo vive em Nova Iorque e é músico. Sempre se corresponderam. Uma das suas cartas falava de Bach, mas a PIDE, que frequentemente batia à porta de Mário Marques de madrugada (esta religião foi perseguida até ao 25 de Abril de 1974), implicou porque leu bahá'i. "Entravam e vasculhavam tudo", recorda o responsável, que também não se esquece de outra visita da polícia política a uma sala onde crianças tinham actividades lúdicas. "Os agentes chegaram, olharam para o papel de cenário com desenhos coloridos e perguntaram se eram planos para ataques a quartéis."
Os maus tempos passaram. Hoje, a fé bahá'i está reconhecida oficialmente e tem as suas próprias aulas de religião e moral nas escolas públicas, e um programa na RTP2.
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O corpo é de ouro, mas o coração é bahá'i
A religião que professa desde os 16 anos pede que seja excelente. Foi influenciado por João Ganço, o treinador que o ajudou a ser campeão olímpico. Ainda recebe parabéns pela medalha de Pequim, mas o objectivo é saltar mais alto. Uma "mão divina" pode explicar "um centímetro a mais". Por Margarida Santos Lopes (texto) e Nuno Ferreira Santos (fotos)
Fedross Imani não trouxe o saltério, instrumento de cordas com que o rei David acompanhava os Salmos, mas veio Catherine Fiero com a sua harpa. Ela toca e canta: "We are all waves of one sea/we are all leaves of one tree/we are all flowers of one garden." Os fiéis escutam-na em silêncio, sob o olhar melancólico de 'Abdu'l Bahá, filho de Bahá'u'lláh, o Profeta dos bahá'is, cujo retrato ocupa lugar central numa pequena sala de cortinas azuis e heras cor de laranja.
É domingo à tarde, e Fedross está particularmente orgulhoso. Não só porque o palestrante da celebração de hoje, no Centro Bahá'i em Lisboa, é o seu filho Navid, mas porque na audiência está Nelson Évora, o atleta que personifica um dos valores máximos desta religião: a excelência.
O atleta medalha de ouro do triplo salto nos Jogos Olímpicos de Pequim é a estrela do dia, ainda que a sede da comunidade ostente no portão de entrada uma outra estrela. Tem nove pontas e representa a "unidade na diversidade" que inspirou "Cathy": o sabeanismo (os sabeus ainda hoje vivem no Iémen, Iraque, Paquistão e Afeganistão), o hinduísmo, o judaísmo, o zoroastrismo, o budismo, o cristianismo, o babismo e o bahá'ismo.
Depois de distribuir beijos, abraços e sorrisos, Nelson Évora sentou-se na segunda fila, entre a mulher e o filho do seu treinador, João Ganço. Navid, professor de artes marciais, dissertou sobre "a influência da educação no carácter do ser humano", e o "menino de ouro" foi várias vezes citado como um bom exemplo. O que se prepara "para atingir a perfeição".
Nelson ouviu-o com atenção e deu o seu testemunho: "O importante é estar sempre em movimento e trabalhar muito, porque a excelência é o lado físico e o lado espiritual." Sentada a pouca distância, a romena Iona Gheorghe lançou um piropo, que fez o atleta soltar o riso e roer ainda mais as unhas, e declarou, com esfuziante alegria: "Eu cheguei aqui há dois anos vinda de um país que foi uma ditadura. Era ortodoxa, mas senti sempre um vazio. Só a fé bahá'i me deixou completa."
Várias cabeças acenaram em concordância. Uma delas, a da harpista Catherine, que a Orquestra Nacional de São Carlos dispensou. "Eu vim de Nova Iorque, e sinto-me feliz desde que há 30 anos aceitei Bahá'u'lláh como mensageiro de Deus", dirá ao P2 a antiga cristã metodista, no final de uma hora de debate de ideias e duas orações. "We are all stars in the sky/ we are all one in God's eye", emociona-se ao recitar o seu livro de cânticos. "We are angels of fire and snow/we see the light and away we go."
A descoberta aos 16 anos
Os fiéis estão num exíguo hall (em breve o edifício será demolido para construir um maior) a partilhar bolinhos, queijos e sumos - lanche com que tradicionalmente terminam os encontros - e já Nelson Évora e João Ganço subiram à biblioteca para contarem como chegaram à "verdade".
"Eu era muito novo, tinha uns nove ou dez anos", revela o jovem, num misto de serenidade e nervosismo. "Costumava frequentar a casa do professor, em Odivelas, para brincar com o filho [David Ganço]. Lembro-me de ir às aulas de crianças sem saber para que serviam, mas depois percebi que o objectivo era transmitir valores. Éramos ensinados a não mentir e tínhamos de passar a teoria à prática. Eu e o David começávamos por mentir e depois víamos o resultado dessa mentira."
Ao contrário do que possa parecer, a "viagem espiritual" de Nelson, 24 anos, filho de uma costa-marfinense e de um cabo-verdiano, não começou na casa do vizinho João Ganço, antigo recordista do salto em altura. "A minha mãe foi sempre a mais religiosa da família", diz. "É católica mas não praticante. Acredita em Deus e sempre me ensinou a acreditar em Deus. Na sua maneira religiosa de estar e ser, deu-me os valores que me ajudarem a tornar-me bahá'i. Ela não seguiu o meu caminho, mas respeita o meu."
O momento decisivo aconteceu aos 16 anos, numa "escola de Verão em Monchique", mais uma vez na companhia do amigo David Ganço. "Eu era jovem, mas os meus ideais, a minha forma de vida, já eram bahá'is. Só faltava declarar-me e assim fiz." Encontrar respostas não é ter certezas, avisa Nelson. "Nada fica definido para o resto da vida. Tudo é questionável. Por exemplo, e só agora falo disto, há pouco tempo, uma amiga morreu de repente, num acidente, e voltaram-me as perguntas. Porquê?"
Perdoar Udowu Phillips
Será que Nelson duvidou da existência de Deus quando o seu pai adoeceu gravemente antes dos Jogos de Pequim? "O meu pai adoeceu por um motivo", afirma, sem precisar. "Quando há um motivo, não há perguntas a fazer. Coloquei mais perguntas, quando a minha amiga morreu, do nada. Ela era uma pessoa que procurava a excelência. E aconteceu-lhe aquilo. Ainda não consigo aceitar a morte."
Para outras adversidades, porém, já encontrou defesas. Quando o britânico Udowu Phillips reagiu muito mal ao segundo lugar (17,62m), o português que já era campeão do mundo desvalorizou os insultos. "A culpa é dele porque fez mal o exercício. Eu entrei em prova, sabia que estava bem. A primeira coisa que fiz, mesmo sabendo o que ele dissera de mim, foi estender-lhe a mão e falar com ele. Não guardo ressentimentos."Há um episódio que Nelson Évora recorda, na sua primeira competição internacional, o campeonato do mundo 2003/04, em Budapeste, quando no meio do corredor uma atleta se atravessou à sua frente. "Eu tinha apostado tudo naquele salto e não consegui saltar. Desconcentrei-me e isso desmoralizou-me. Podia ter protestado. Não o fiz. Não me arrependo. Essa atitude enriqueceu-me como ser humano e desportivamente."
Nunca fez nada de errado? "Claro que fiz! Às vezes temos de experimentar as coisas más para saber onde os erros nos levam. Nem sempre chegamos lá quando nos dizem 'Não vás por aí'. Se faço mal, peço perdão sem dificuldade. Sei que todos erramos, que tenho defeitos e os outros também."
E quando ganha, o Nelson que saltou 17,67m sente que a fé o ajuda? "Eu e o professor trabalhámos muito, e eu só tinha de estar o mais concentrado possível. O que aconteceu depois, na prova, são coisas que me ultrapassam. Porquê um centímetro a mais ou a menos? Há coisas físicas, é certo, mas aqui atribuo uma mão divina. Para alguns, talvez seja sorte. Eu vejo mais além."
"Quero chegar mais longe, sem dúvida!", frisa Nelson. "Vou ter de estar muito equilibrado a todos os níveis. Se atingir os meus objectivos, e mesmo se não os atingir, essa procura servirá de exemplo de vida, para mim, e para os que acompanharem o meu percurso até lá. As pessoas ainda estão a pensar na medalha olímpica, mas eu, um dia depois, já estava a pensar noutra coisa. Noutra etapa, noutra prova."
A PIDE e Bach
Sobre o seu percurso religioso, o treinador desvenda: "Eu era católico, mas tinha muitas dúvidas. Depois do meu casamento [mera formalidade pela igreja], eu e a minha mulher decidimos investigar várias religiões. Fomos ter com tudo o que era seita. Budistas, muçulmanos, o Mr. Moon e até as Testemunhas de Jeová. Era uma necessidade pessoal e espiritual."
"Quando pegava na Bíblia e começava a ler, interrogava-me. Havia coisas que não entendia. Também me questionava sobre a razão de ser de tantas religiões com tantos crentes. Onde estava a verdade? Foi a fé bahá'i que deu resposta às minhas dúvidas. Quando os outros textos religiosos foram revelados, a mentalidade era outra. Precisamos de outras orientações, mais avançadas. A época de Bahá'u'lláh [1817-1892] é a mais recente."
João Ganço demorou cinco anos a tornar-se bahá'i. "Há pessoas que chegaram lá logo pelo coração. Eu precisei de investigar. A minha mulher, os meus filhos e até a minha sogra são bahá'is. Alguns dos meus atletas, não só o Nelson, são bahá'is. Não pressionámos ninguém. Foram sentindo a atmosfera, sentiram-se bem e foram aderindo."
Nelson é o seu orgulho: "O primeiro passo não fui eu que o dei, foram os pais dele, que são católicos e são excelentes. A educação base foi da família. Depois, sentiu a influência bahá'i. Hoje, ele é mais conhecido pelo seu lado humano do que pela medalha. E eu fico contentíssimo, porque, um dia, ele deixará de ser atleta [estuda Marketing e Publicidade] mas continuará a ser uma pessoa."
Orgulho na fé que segue há 50 anos é também o que sente Mário Mota Marques, um dos nove membros eleitos da Assembleia Bahá'i de Lisboa. Sempre foi um "estudioso das religiões", apesar de a sua família não ser religiosa. Começou por ler o Bhagavad Gita, dos hindus. Aos 16 anos, foi conduzido ao centro bahá'i por um amigo que continua a ser agnóstico.
O amigo vive em Nova Iorque e é músico. Sempre se corresponderam. Uma das suas cartas falava de Bach, mas a PIDE, que frequentemente batia à porta de Mário Marques de madrugada (esta religião foi perseguida até ao 25 de Abril de 1974), implicou porque leu bahá'i. "Entravam e vasculhavam tudo", recorda o responsável, que também não se esquece de outra visita da polícia política a uma sala onde crianças tinham actividades lúdicas. "Os agentes chegaram, olharam para o papel de cenário com desenhos coloridos e perguntaram se eram planos para ataques a quartéis."
Os maus tempos passaram. Hoje, a fé bahá'i está reconhecida oficialmente e tem as suas próprias aulas de religião e moral nas escolas públicas, e um programa na RTP2.
Guia para compreender a fé do novo Mensageiro Bahá'u'lláh
Segunda parte da reportagem de Margarida Santos Lopes sobre Nelson Évora e a Fé Bahá'í (Público, 12-Dez-2008)
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"(...) E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal."
Eça de Queirós
A Correspondência de Fradique Mendes (1900)
Nascer na Pérsia e morrer em Israel
A religião bahá'i é a segunda mais disseminada geograficamente, depois do cristianismo - está presente em todos os cantos do mundo - 200 grupos étnicos, tribais e raciais em 235 países e territórios dependentes. Foi fundada em 1844 por Bahá'u'lláh, que declarou publicamente ser "o Mensageiro de Deus para a nossa era", o último depois de Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo e Maomé, até aparecer um outro ainda mais magnífico. Bahá'u'lláh significa "A Glória de Deus" e é o título de Husayn-'Ali, nascido em Teerão de uma família da nobreza persa, a 12 de Novembro de 1817. O seu pai era um abastado governador de província, mas ele recusou um cargo político e preferiu dedicar-se a acções de filantropia. Juntou-se depois a um comerciante de Shiraz chamado Siyyid 'Ali-Muhammad, posteriormente conhecido como Báb (Porta), o fundador da fé babí e uma espécie de João Baptista que anunciou Bahá'u'lláh como "o Prometido de todas as religiões". Quando Báb foi executado em 1850, Bahá'u'lláh foi primeiro detido e depois desterrado para o Iraque.
Em 1863, foi de novo exilado para Constantinopla e em 1868 foi deportado para Akka, na Palestina otomana. Morreu em 1892. O lugar onde está sepultado, no Monte Carmelo, em Israel, é o maior santuário dos bahá'is.
Da América para Lisboa
Em 1844, várias páginas do III volume do Dicionário Popular, dirigido por Manuel Pinheiro Chagas, já se referiam ao Báb como precursor de Bahá'u'lláh, mas a fé bahá'i só foi divulgada em Portugal em 1926, com a chegada das crentes americanas Martha Root e Florence Schoflocher. Em Lisboa, proferiram conferências no Clube Rotário, deram entrevistas ao Diário de Notícias e ao Diário de Lisboa e ofereceram livros sobre a nova religião à Biblioteca Nacional. A comunidade só começou, porém, a ser formada a partir de 1943, depois da vinda para Lisboa de Virgínia Orbinson (que vivia em Madrid) e Valeria Nichols (que viajou dos EUA). Instalaram-se no Hotel Victoria, na Avenida da Liberdade, e uma das primeiras almas que "conquistaram" foi a da proprietária de uma loja de alta-costura no Chiado. A 20 de Abril de 1949, foi eleito o primeiro Conselho Bahá'i Local de Lisboa e a 20 de Outubro de 1957 foi inaugurado o Centro Bahá'i.
A religião de todas as religiões
Ainda que perseguidos como uma "heresia" por fundamentalistas islâmicos, sobretudo no Irão, onde muitos têm sido executados, os bahá'is - sete milhões a nível mundial e uns dez mil em Portugal - não parecem temer o futuro. Estão, aliás, convencidos de que "a paz mundial não é apenas possível mas inevitável". Monoteístas em "progressiva evolução" (aceitam a Bíblia e o Corão), o seu livro mais sagrado é o Kitáb-i-Aqdas, parte de um grande corpo de escrituras onde Bahá'u'lláh ensina que "a Terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos". Entre os vários princípios e leis estão, designadamente, a eliminação de preconceitos de qualquer natureza (raça, classe, crença); a igualdade de oportunidades, direitos e deveres entre o homem e a mulher; a eliminação dos extremos de pobreza e de riqueza; e a harmonia entre religião e ciência.
Assembleias sem clero
Não há clero na fé bahá'i. A vida colectiva da comunidade bahá'i é administrada por conselhos consultivos de nove membros. Como não há candidaturas individuais, são eleitos os crentes mais votados, a nível local, nacional e internacional, para as assembleias Espirituais Locais, Assembleias Espirituais Nacionais e Casa Universal da Justiça - a sede que funciona em Haifa (Israel).
Como rezam os bahá'is?
Através da oração e da meditação, individual ou na comunidade (seja no centros bahá'i ou nas casas dos crentes - onde frequentemente há música, debate de ideias e partilha de alimentos). O trabalho com espírito de serviço também é considerado adoração a Deus. As escrituras desta religião contêm numerosas preces para vários objectivos e ocasiões.
Casamento monogâmico
Para os bahá'is, a família é a unidade básica da sociedade, e o casamento monogâmico é a base da vida familiar. Cada um escolhe o seu parceiro, mas os pais "têm o direito e a obrigação de avaliar se dão o seu consentimento" aos filhos. O casamento é efectuado na presença de duas testemunhas designadas pelo conselho local bahá'i, numa cerimónia simples (embora a festa possa ser opulenta) em que o casal recita o seguinte versículo: "Todos nós cumpriremos a vontade de Deus." O primeiro casamento baha'i, reconhecido em Portugal foi o de David Ganço (filho do treinador de Nelson Évora), em 22 de Março de 2008. Os casamentos inter-raciais são encorajados para sublinhar a unidade da raça humana.
Divórcio com "um ano de paciência"
Um casal bahá'i pode divorciar-se, mas, primeiro, marido e mulher terão de fazer uma tentativa de reconciliação. Vivem separados pelo menos um ano - "um ano de paciência" - e se, depois desta experiência, ainda desejarem o divórcio, este é concedido.
Prioridade às filhas na educação
Os bahá'is são ardentes defensores da igualdade entre homens e mulheres, mas atribuem grande importância às mães e às filhas. As mães são consideradas vitais na formação dos jovens como "força poderosa para mudar as sociedades". Se um casal tiver um rapaz e uma rapariga mas apenas tiver posses para educar um, a prioridade deve ser dada à rapariga, porque "as desigualdades entre homens e mulheres dependem da educação e da oportunidade, não das capacidades".
Contribuições voluntárias e secretas
Todas as contribuições para o Fundo Bahá'i são voluntárias e confidenciais. Ninguém pode ser pressionado a contribuir, e só são aceites contribuições de não bahá'is para projectos sociais, económicos ou educativos.
Proibição de filiação partidária
Os crentes bahá'is estão proibidos de serem membros de partidos políticos, porque consideram que as acções políticas de natureza partidária não respondem aos problemas universais. Isso não significa que não possam assumir posições públicas sobre questões "puramente sociais e morais" e votar nos candidatos que considerem mais capazes de mudar o mundo. Este princípio de não envolvimento na política relaciona-se com o ensinamento bahá'i de lealdade ao governo em exercício.
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"(...) E Fradique, com toda a singeleza, confessou que se demorara tanto nas margens do Eufrates, por se achar casualmente ligado a um movimento religioso que, desde 1849, tomava na Pérsia um desenvolvimento quase triunfal."
Eça de Queirós
A Correspondência de Fradique Mendes (1900)
Nascer na Pérsia e morrer em Israel
A religião bahá'i é a segunda mais disseminada geograficamente, depois do cristianismo - está presente em todos os cantos do mundo - 200 grupos étnicos, tribais e raciais em 235 países e territórios dependentes. Foi fundada em 1844 por Bahá'u'lláh, que declarou publicamente ser "o Mensageiro de Deus para a nossa era", o último depois de Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo e Maomé, até aparecer um outro ainda mais magnífico. Bahá'u'lláh significa "A Glória de Deus" e é o título de Husayn-'Ali, nascido em Teerão de uma família da nobreza persa, a 12 de Novembro de 1817. O seu pai era um abastado governador de província, mas ele recusou um cargo político e preferiu dedicar-se a acções de filantropia. Juntou-se depois a um comerciante de Shiraz chamado Siyyid 'Ali-Muhammad, posteriormente conhecido como Báb (Porta), o fundador da fé babí e uma espécie de João Baptista que anunciou Bahá'u'lláh como "o Prometido de todas as religiões". Quando Báb foi executado em 1850, Bahá'u'lláh foi primeiro detido e depois desterrado para o Iraque.
Em 1863, foi de novo exilado para Constantinopla e em 1868 foi deportado para Akka, na Palestina otomana. Morreu em 1892. O lugar onde está sepultado, no Monte Carmelo, em Israel, é o maior santuário dos bahá'is.
Da América para Lisboa
Em 1844, várias páginas do III volume do Dicionário Popular, dirigido por Manuel Pinheiro Chagas, já se referiam ao Báb como precursor de Bahá'u'lláh, mas a fé bahá'i só foi divulgada em Portugal em 1926, com a chegada das crentes americanas Martha Root e Florence Schoflocher. Em Lisboa, proferiram conferências no Clube Rotário, deram entrevistas ao Diário de Notícias e ao Diário de Lisboa e ofereceram livros sobre a nova religião à Biblioteca Nacional. A comunidade só começou, porém, a ser formada a partir de 1943, depois da vinda para Lisboa de Virgínia Orbinson (que vivia em Madrid) e Valeria Nichols (que viajou dos EUA). Instalaram-se no Hotel Victoria, na Avenida da Liberdade, e uma das primeiras almas que "conquistaram" foi a da proprietária de uma loja de alta-costura no Chiado. A 20 de Abril de 1949, foi eleito o primeiro Conselho Bahá'i Local de Lisboa e a 20 de Outubro de 1957 foi inaugurado o Centro Bahá'i.
A religião de todas as religiões
Ainda que perseguidos como uma "heresia" por fundamentalistas islâmicos, sobretudo no Irão, onde muitos têm sido executados, os bahá'is - sete milhões a nível mundial e uns dez mil em Portugal - não parecem temer o futuro. Estão, aliás, convencidos de que "a paz mundial não é apenas possível mas inevitável". Monoteístas em "progressiva evolução" (aceitam a Bíblia e o Corão), o seu livro mais sagrado é o Kitáb-i-Aqdas, parte de um grande corpo de escrituras onde Bahá'u'lláh ensina que "a Terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos". Entre os vários princípios e leis estão, designadamente, a eliminação de preconceitos de qualquer natureza (raça, classe, crença); a igualdade de oportunidades, direitos e deveres entre o homem e a mulher; a eliminação dos extremos de pobreza e de riqueza; e a harmonia entre religião e ciência.
Assembleias sem clero
Não há clero na fé bahá'i. A vida colectiva da comunidade bahá'i é administrada por conselhos consultivos de nove membros. Como não há candidaturas individuais, são eleitos os crentes mais votados, a nível local, nacional e internacional, para as assembleias Espirituais Locais, Assembleias Espirituais Nacionais e Casa Universal da Justiça - a sede que funciona em Haifa (Israel).
Como rezam os bahá'is?
Através da oração e da meditação, individual ou na comunidade (seja no centros bahá'i ou nas casas dos crentes - onde frequentemente há música, debate de ideias e partilha de alimentos). O trabalho com espírito de serviço também é considerado adoração a Deus. As escrituras desta religião contêm numerosas preces para vários objectivos e ocasiões.
Casamento monogâmico
Para os bahá'is, a família é a unidade básica da sociedade, e o casamento monogâmico é a base da vida familiar. Cada um escolhe o seu parceiro, mas os pais "têm o direito e a obrigação de avaliar se dão o seu consentimento" aos filhos. O casamento é efectuado na presença de duas testemunhas designadas pelo conselho local bahá'i, numa cerimónia simples (embora a festa possa ser opulenta) em que o casal recita o seguinte versículo: "Todos nós cumpriremos a vontade de Deus." O primeiro casamento baha'i, reconhecido em Portugal foi o de David Ganço (filho do treinador de Nelson Évora), em 22 de Março de 2008. Os casamentos inter-raciais são encorajados para sublinhar a unidade da raça humana.
Divórcio com "um ano de paciência"
Um casal bahá'i pode divorciar-se, mas, primeiro, marido e mulher terão de fazer uma tentativa de reconciliação. Vivem separados pelo menos um ano - "um ano de paciência" - e se, depois desta experiência, ainda desejarem o divórcio, este é concedido.
Prioridade às filhas na educação
Os bahá'is são ardentes defensores da igualdade entre homens e mulheres, mas atribuem grande importância às mães e às filhas. As mães são consideradas vitais na formação dos jovens como "força poderosa para mudar as sociedades". Se um casal tiver um rapaz e uma rapariga mas apenas tiver posses para educar um, a prioridade deve ser dada à rapariga, porque "as desigualdades entre homens e mulheres dependem da educação e da oportunidade, não das capacidades".
Contribuições voluntárias e secretas
Todas as contribuições para o Fundo Bahá'i são voluntárias e confidenciais. Ninguém pode ser pressionado a contribuir, e só são aceites contribuições de não bahá'is para projectos sociais, económicos ou educativos.
Proibição de filiação partidária
Os crentes bahá'is estão proibidos de serem membros de partidos políticos, porque consideram que as acções políticas de natureza partidária não respondem aos problemas universais. Isso não significa que não possam assumir posições públicas sobre questões "puramente sociais e morais" e votar nos candidatos que considerem mais capazes de mudar o mundo. Este princípio de não envolvimento na política relaciona-se com o ensinamento bahá'i de lealdade ao governo em exercício.
sábado, 13 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Bush: God, The Bible, Faith, Evolution and Creation
Numa entrevista a um canal de TV nos EUA, George W.Bush expressou publicamente algumas das suas ideias sobre religião, fé, evolucionismo e criacionismo. Como seria de esperar, são opiniões diferentes das minhas.
De tudo o que afirmou, os comentadores destacam o facto dele ter afirmado que não acredita na Bíblia literalmente. Este é dos poucos aspectos em que tenho de concordar com Bush.
Imagino que algumas pessoas ficaram espantadas por só agora ele afirmar publicamente essa ideia. Eu fico espantado por haver quem fique chocado por haver quem se escandalize com as suas opiniões sobre o literalismo bíblico.
Vá lá a gente perceber a América profunda!
De tudo o que afirmou, os comentadores destacam o facto dele ter afirmado que não acredita na Bíblia literalmente. Este é dos poucos aspectos em que tenho de concordar com Bush.
Imagino que algumas pessoas ficaram espantadas por só agora ele afirmar publicamente essa ideia. Eu fico espantado por haver quem fique chocado por haver quem se escandalize com as suas opiniões sobre o literalismo bíblico.
Vá lá a gente perceber a América profunda!
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Bahá'ís assinalam Dia dos Direitos Humanos
O Dia dos Direitos Humanos foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1950, para assinalar o aniversário da adopção da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 10 de Dezembro de 1948. Esta data não é indiferente aos Bahá’ís, que um pouco por todo o mundo realizam diversos eventos para assinalar a efeméride.
Em Nova Iorque, a Comunidade Internacional Bahá'í organiza um seminário sobre “Liberdade de Crença ou Religião: Perspectivas e Desafios após Sessenta anos de Protecção das Nações Unidas.”
Este seminário, que teve lugar no dia 8 de Dezembro, contou com dois painéis de debate com a presença, onde estiveram presentes: Felice Gaer do Instituto Jacob Blaustein que trabalha para a Comissão sobre Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos; Azza Karam do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA); Cole Durham do Centro Internacional para Estudos sobre Legislação e Religião da Universidade de Brigham Young; e Malcolm Evans da Faculdade de Direito da Universidade de Bristol.
"O Dia dos Direitos Humanos tem um significado especial este ano porque os direitos humanos parecem estar sob ataques vindos muitos lados”, disse Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, que também falará no evento em Nova Iorque. "Este ano, devido ao 60° aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos, é ainda mais importante, uma vez que o documento define os padrões normativos mais fortes para a liberdade de religião ou crença."
Pelo Mundo
Todos os anos existem diversas Comunidades Bahá'ís que organizam e participam em eventos que assinalam o Dia dos Direitos Humanos. Aqui ficam alguns exemplos do que aconteceu nesta semana:
No Canadá, os bahá'ís estão realizam ou participam em mais de 10 eventos, incluindo a “Conferência sobre Direitos Humanos e Dignidade Global”, que teve lugar em Victoria, British Columbia, nos dias 6 e 7 de Dezembro. Vários eventos com participação bahá'í realizaram-se em diversas universidades do Canadá, incluindo McGill em Montreal, e, em British Columbia, a Universidade Simon Fraser e a Universidade de British Columbia. Celebrações locais ocorreram em Chilliwack, Abbottsford, Colwood, Maple Ridge e Langley (British Columbia), e também em Richmond Hill e Okaville (Ontário).
No Brasil, os Bahá'ís participaram da XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, que se terá lugar em Brasília entre os dias 15 e 18 de Dezembro. São esperadas cerca de 1.500 pessoas, entre delegados eleitos nos 26 estados e no Distrito Federal, além de convidados e observadores.
A Comunidade Bahá'í do Brasil preparou, em parceria com o Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos, uma nova edição da “Passarela dos Direitos Humanos”, uma exibição de 30 painéis representando os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Passarela foi projectada para ser um corredor pelo qual as pessoas podem passar e observar os 30 artigos. A nova edição da Passarela foi elaborada utilizando linguagem e desenhos elaborados por alunos do ensino médio de uma escola do Guará, uma das cidades próximas de Brasília, com apoio financeiro parcial da Organização dos Estados Ibero-Americanos.
No Reino Unido, a Comunidade Bahá'í produziu dois folhetos para serem distribuídos em escolas e universidades acerca da perseguição aos Bahá'ís no Irão e sua correlação com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com foco específico no direito à educação.
"Os nossos jovens bahá'ís de várias localidades estão vão organizar seminários, eventos e apresentações”, disse Robert Weinberg, um porta-voz dos Bahá'ís do Reino Unido. Weinberg acrescentou que os bahá'ís também apoiam uma carta aberta, assinada por diversos educadores, líderes religiosos e académicos de várias partes da Grã Bretanha que critica a política iraniana de negar aos bahá'ís o acesso ao ensino superior. A carta foi divulgada no Dia dos Direitos Humanos.
Na Áustria, a Comunidade Bahá'í organizou um evento no dia 6 de Novembro de 2008 no Centro Bahá'í de Viena, marcando a prisão e assassinato de Bahá'ís de origem judaica durante a II Guerra Mundial. A cerimónia também celebrou os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Na Índia, os Bahá'ís estão a realizar um programa em Lucknow dedicado à erradicação da pobreza infantil, em colaboração com o escritório do UNICEF em Uttar Pradesh.
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FONTE: Baha'is mark 60th anniversary of Human Rights Declaration
Em Nova Iorque, a Comunidade Internacional Bahá'í organiza um seminário sobre “Liberdade de Crença ou Religião: Perspectivas e Desafios após Sessenta anos de Protecção das Nações Unidas.”Este seminário, que teve lugar no dia 8 de Dezembro, contou com dois painéis de debate com a presença, onde estiveram presentes: Felice Gaer do Instituto Jacob Blaustein que trabalha para a Comissão sobre Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos; Azza Karam do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA); Cole Durham do Centro Internacional para Estudos sobre Legislação e Religião da Universidade de Brigham Young; e Malcolm Evans da Faculdade de Direito da Universidade de Bristol.
"O Dia dos Direitos Humanos tem um significado especial este ano porque os direitos humanos parecem estar sob ataques vindos muitos lados”, disse Bani Dugal, a representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, que também falará no evento em Nova Iorque. "Este ano, devido ao 60° aniversário da Declaração Universal de Direitos Humanos, é ainda mais importante, uma vez que o documento define os padrões normativos mais fortes para a liberdade de religião ou crença."
Pelo Mundo
Todos os anos existem diversas Comunidades Bahá'ís que organizam e participam em eventos que assinalam o Dia dos Direitos Humanos. Aqui ficam alguns exemplos do que aconteceu nesta semana:
No Canadá, os bahá'ís estão realizam ou participam em mais de 10 eventos, incluindo a “Conferência sobre Direitos Humanos e Dignidade Global”, que teve lugar em Victoria, British Columbia, nos dias 6 e 7 de Dezembro. Vários eventos com participação bahá'í realizaram-se em diversas universidades do Canadá, incluindo McGill em Montreal, e, em British Columbia, a Universidade Simon Fraser e a Universidade de British Columbia. Celebrações locais ocorreram em Chilliwack, Abbottsford, Colwood, Maple Ridge e Langley (British Columbia), e também em Richmond Hill e Okaville (Ontário).
No Brasil, os Bahá'ís participaram da XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, que se terá lugar em Brasília entre os dias 15 e 18 de Dezembro. São esperadas cerca de 1.500 pessoas, entre delegados eleitos nos 26 estados e no Distrito Federal, além de convidados e observadores.A Comunidade Bahá'í do Brasil preparou, em parceria com o Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos, uma nova edição da “Passarela dos Direitos Humanos”, uma exibição de 30 painéis representando os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Passarela foi projectada para ser um corredor pelo qual as pessoas podem passar e observar os 30 artigos. A nova edição da Passarela foi elaborada utilizando linguagem e desenhos elaborados por alunos do ensino médio de uma escola do Guará, uma das cidades próximas de Brasília, com apoio financeiro parcial da Organização dos Estados Ibero-Americanos.
No Reino Unido, a Comunidade Bahá'í produziu dois folhetos para serem distribuídos em escolas e universidades acerca da perseguição aos Bahá'ís no Irão e sua correlação com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com foco específico no direito à educação.
"Os nossos jovens bahá'ís de várias localidades estão vão organizar seminários, eventos e apresentações”, disse Robert Weinberg, um porta-voz dos Bahá'ís do Reino Unido. Weinberg acrescentou que os bahá'ís também apoiam uma carta aberta, assinada por diversos educadores, líderes religiosos e académicos de várias partes da Grã Bretanha que critica a política iraniana de negar aos bahá'ís o acesso ao ensino superior. A carta foi divulgada no Dia dos Direitos Humanos.
Na Áustria, a Comunidade Bahá'í organizou um evento no dia 6 de Novembro de 2008 no Centro Bahá'í de Viena, marcando a prisão e assassinato de Bahá'ís de origem judaica durante a II Guerra Mundial. A cerimónia também celebrou os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Na Índia, os Bahá'ís estão a realizar um programa em Lucknow dedicado à erradicação da pobreza infantil, em colaboração com o escritório do UNICEF em Uttar Pradesh.
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FONTE: Baha'is mark 60th anniversary of Human Rights Declaration
Actividades do CRC - Dezembro
Evocação do Padre José Felicidade Alves
Convívio e reflexão testemunhal sobre um percurso cívico e eclesial
Dia 16 de Dezembro de 2008 às 18h00m (3ª feira)
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa. (metro Baixa-Chiado)
Concerto de Natal
Sol Occasum Nesciens (O Sol não conhece o Ocaso)
Dia 19 de Dezembro de 2008 às 19h30m (6ª feira)
Iniciativa do Centro Nacional de Cultura com o apoio do CRC
Convívio e reflexão testemunhal sobre um percurso cívico e eclesial
Dia 16 de Dezembro de 2008 às 18h00m (3ª feira)
- Guilherme d’Oliveira Martins
- Frei Bento Domingues
- Diana Andringa
- Manuel Vilas Boas
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa. (metro Baixa-Chiado)
Concerto de Natal
Sol Occasum Nesciens (O Sol não conhece o Ocaso)
Dia 19 de Dezembro de 2008 às 19h30m (6ª feira)
- Corelis – Coro do Tribunal da Relação de Lisboa
- Maestro Vítor Roque Amaro
- Organista Daniel Oliveira
Iniciativa do Centro Nacional de Cultura com o apoio do CRC
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Calendário Inter-Religioso e Civil
Foi publicado pela Paulinas com apoio do ACIDI, e colaboração de diversas comunidades religiosas radicadas em Portugal. Contém os feriados não só do Cristianismo, mas também do Islão, do Judaísmo, do Budismo, do Hinduísmo e da Fé Bahá'í. Além disso inclui várias datas especiais dos calendário civil, como os dias nacionais dos diversos Estados da União Europeia e diversas datas especiais invocadas pelas Nações Unidas para chamar a atenção para problemas mundiais.



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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (6)
Escreve Fareed Zakaria no seu livro "O Mundo Pós Americano":
Os Estados Unidos continuam a ser de longe o país mais poderoso, mas estão num mundo com vários outros poderes importantes e com mais capacidade de afirmação e actividade por parte de todos os actores. Este sistema internacional híbrido - mais democrático, dinâmico, aberto e interligado - é aquele em que é provável que vivamos ainda durante algumas décadas. É mais fácil definir aquilo que não é do que aquilo que é; é mais fácil descrever a era de que nos estamos a afastar do que a era na qual entramos – e daí o mundo pós-americano.Penso que Fareed Zakaria é particularmente feliz nesta análise. Considero-a um vislumbre de um dos requisitos da próxima etapa na evolução do relacionamento entre as nações. E penso que as suas palavras não se aplicam apenas à política externa americana, mas também à política externa da União Europeia e dos países Europeus.
(...)
Na ordem internacional de hoje, os avanços acarretam compromissos. Nenhum país consegue tudo o que quer. Estas ideias são fáceis de escrever, mas difíceis de pôr em prática. Implicam que se aceite o crescimento do poder e influência de outros países, assim como da preeminência dos seus interesses e preocupações. Este equilíbrio - entre acomodação e discussão - constitui o principal desafio para a política externa americana nas próximas décadas. (p. 48-49)
domingo, 7 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (5)
Uma Ordem Mundial Ultrapassada
Escreve Fareed Zakaria no seu livro "O Mundo Pós Americano":
Uma reformulação similar seria necessária no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Além da abolição do direito de veto, seria importante que algumas novas potências - como o Brasil e a Índia - adquirissem um estatuto de membros permanentes. Também seria importante que países como o Reino Unido e a França abdicassem desse estatuto a favor da União Europeia (claro que será difícil convencer Britânicos e Franceses a ceder neste ponto).
Uma coisa parece-me certa: o surgimento de uma nova ordem mundial (conforme antecipado nas Escrituras Baha’is) não será algo que acontecerá do dia para a noite; será certamente um processo lento e de transformação gradual. Espero que a relevância que o G-20 agora começa a obter, seja um pequeno passo na construção de um novo equilibro no relacionamento entre povos e nações.
Escreve Fareed Zakaria no seu livro "O Mundo Pós Americano":
Para fazer frente a uma crise financeira global, o G-20 parece assumir um protagonismo interessante; houve uma cimeira em Washington em Novembro, e já se anuncia outra em Londres para o mês de Abril. Não deixa de ser interessante ver o G-20 começar a substituir o G-8, na medida em que representa um processo de tomada de decisão mais alargado e envolvendo mais parceiros. É certo que o G-20 não pode ser visto como uma nova ordem mundial; mas, comparado com o G-8, é certamente uma organização que cujo equilíbrio de poderes reflecte mais correctamente a realidade do nosso mundo de hoje.Os mecanismos tradicionais de cooperação internacional são relíquias de uma época já passada. O sistema das Nações Unidas representa uma configuração de poder que já passou de moda. Os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas são os vencedores de uma guerra que acabou há sessenta anos. Esse organismo não inclui o Japão ou a Alemanha, a segunda e a terceira maiores economias do mundo (a taxas de câmbio de mercado), da mesma maneira que não inclui nem a Índia, que é a maior democracia do mundo, nem nenhum país da América Latina ou África. O Conselho de Segurança exemplifica a antiga estrutura de governação global em sentido geral. O G8 não inclui nem a China, que já é a quarta maior economia do mundo, nem a Índia e a Coreia do Sul, que já estão no décimo segundo e no décimo terceiro lugares. Tradicionalmente o Fundo Monetário Internacional é sempre dirigido por um europeu, enquanto que o Banco Mundial o é por um americano. Esta tradição, tal como os costumes de um antigo clube de países selectos, pode ser encantadora e divertida para os próprios, mas para os que não fazem parte deste clube selecto é uma hipocrisia e um ultraje. (p. 43-44)
Uma reformulação similar seria necessária no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Além da abolição do direito de veto, seria importante que algumas novas potências - como o Brasil e a Índia - adquirissem um estatuto de membros permanentes. Também seria importante que países como o Reino Unido e a França abdicassem desse estatuto a favor da União Europeia (claro que será difícil convencer Britânicos e Franceses a ceder neste ponto).
Uma coisa parece-me certa: o surgimento de uma nova ordem mundial (conforme antecipado nas Escrituras Baha’is) não será algo que acontecerá do dia para a noite; será certamente um processo lento e de transformação gradual. Espero que a relevância que o G-20 agora começa a obter, seja um pequeno passo na construção de um novo equilibro no relacionamento entre povos e nações.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
No Parlamento em Brasília (4)
Intervenção do Deputado Pompeo de Mattos (Bloco/PDT-RS) no Congresso Nacional Brasileiro no dia 19 de Novembro de 2008.
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Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
Venho a esta tribuna destacar o trabalho de um religião mundial, independente, que possui suas próprias regras e escrituras sagradas, surgida na antiga Pérsia, atual Irã, em 1844. A chamada Fé Bahá'í não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio.
A Comunidade Bahá'í tem aproximadamente 7 milhões de adeptos; é a segunda religião mais difundida no mundo, superada apenas pelo cristianismo, conforme afirma a Enciclopédia Britância. Os bahá'ís residem em 178 países, em praticamente todos os territórios e ilhas do globo.

A Comunidade Bahá'í, que está estabelecida no Brasil desde 1921, tem aqui um contingente de aproximadamente 57 mil pessoas. Tudo começou com a vinda da Sra. Leonora Holsapple Armstrong para o Brasil. A Sra. Armstrong faleceu na Bahia, em 1980, e desde aquele ano Assembléias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais de Vereadores de diversas capitais e cidades brasileiras a têm homenageado, concedendo seu nome a praças e logradouros públicos. Dentre essas citamos Manaus, Vitória, Natal, Rolândia, Londrina, Juiz de Fora.
Hoje os bahá'ís integram as mais diversas classes sociais, culturais e econômicas, residentes em aproximadamente 1.215 cidades e municípios brasileiros, em todas as regiões.
A Comunidade Bahá'í é reconhecida no Brasil por estabelecer projetos de desenvolvimento econômico e social em diversas regiões do País.
Como Parlamentar e Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, gostaria de expressar minha preocupação com prisões e perseguições impostas aos bahá'ís no Irã, onde muitos têm sido mantidos presos sem acesso a advogados, sem comunicação com suas famílias e sem que tenham qualquer acusação formal contra eles. Seu único "crime" é o de pertencer a uma religião não reconhecida pelo Estado iraniano. Essas pessoas presas são cidadãos iranianos que formam um grupo que tinha como responsabilidade cuidar dos interesses comunitários dos bahá'ís no Irã, que conta com mais de 300 mil seguidores. Eram responsáveis por coordenar as aulas de virtudes e reforço escolar para crianças, bem como reuniões de orações, funerais e outras atividades administrativas e de adoração.
Nobres colegas, já se passaram meses desde a prisão de um grupo, sem que se saiba em que condições estão sendo mantidos. E, agora, a informação que recebemos é de que eles teriam "confessado" ser espiões de Israel, organizados em um grupo anti-Islã e anti-Irã. Ora, pois essa é uma grande mentira! Quem conhece os bahá'ís sabe que eles não se envolvem em disputas políticas, sabe que eles são obedientes às leis nacionais sob as quais vivem. Tanto o é que aquele grupo de 7 bahá'ís atuava com o pleno conhecimento das autoridades iranianas, que desde 1979 baniu as instituições da Fé Bahá'í no Irã, assassinando seus membros eleitos naquele ano e em 1981.

Essas pessoas, presas no último 14 de maio, trabalhavam como voluntárias para ajudar seus correligionários e eram constantemente monitoradas em suas atividade. Mas nunca se negaram a prestar esclarecimentos sobre o que vinham fazendo. Mesmo assim, foram presas e estão correndo risco de vida pelo simples fato de pertencerem à Fé Bahá'í.
Como Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias desta Casa, caros colegas Parlamentares, preciso dizer que esta é uma gravíssima violação de direitos humanos.
Sr. Presidente, o Governo brasileiro não pode ignorar ações violadoras como essas, provinda do Irã, que, como o Brasil, é signatário das convenções e tratados internacionais sobre direitos humanos.
De forma absurda, o Governo iraniano tem acusado os bahá'ís de trabalharem como espiões do Governo israelense como forma de justificar perante os muçulmanos o tratamento dispensado aos de Fé Bahá'í. Entretanto, o povo iraniano conhece os bahá'ís, os tem como vizinhos e amigos, e já não acredita mais na farsa que os seus governantes tentam lhes vender. Eles sabem que a ligação dos bahá'ís com Israel é muito mais antiga do que a própria existência de Israel como Estado, e se dá meramente pelo fato de o profeta-fundador de sua Fé ter morrido naquela região há mais de 150 anos, após ter sido exilado pelo Império Otomano, na cidade de Acre.
A iraniana e muçulmana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz, foi uma das que se levantou para defender os bahá'ís do Irã. Em conseqüência, jornais iranianos acusam sua filha de se ter convertido do Islã para a Fé Bahá'í, ato considerado apostasia, sendo uma ofensa para o Governo Islãmico do Irã, o que resulta em pena de morte.
Shirin Ebadi declarou que tem orgulho de dizer que sua família é xiita, mas que no tribunal ela defenderá os bahá'ís.
Em maio deste ano, a União Européia declarou "séria preocupação acerca da contínua e sistemática discriminação e perturbação aos bahá'ís do Irã por causa de sua religião".
No último dia 1º de agosto, o Parlamento dos Estados Unidos condenou a perseguição aos bahá'ís no Irã, com 407 votos a favor e apenas 3 contra. Outras dezenas de países se manifestaram em defesa dos bahá'ís no Irã e espero realmente que o Brasil também se manifeste, pois o Governo do Irã está preparando o corredor da morte para os bahá'ís e para os de outras minorias e grupos vulneráveis.
Sr. Presidente, informo que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados está enviando uma manifestação à Embaixada do Irã no Brasil, transmitindo nossa séria preocupação quanto ao destino daqueles bahá'ís encarcerados.
Muito obrigado.
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FONTE: Comunidade Bahá’í do Brasil - SNAE
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Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
Venho a esta tribuna destacar o trabalho de um religião mundial, independente, que possui suas próprias regras e escrituras sagradas, surgida na antiga Pérsia, atual Irã, em 1844. A chamada Fé Bahá'í não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio.
A Comunidade Bahá'í tem aproximadamente 7 milhões de adeptos; é a segunda religião mais difundida no mundo, superada apenas pelo cristianismo, conforme afirma a Enciclopédia Britância. Os bahá'ís residem em 178 países, em praticamente todos os territórios e ilhas do globo.

A Comunidade Bahá'í, que está estabelecida no Brasil desde 1921, tem aqui um contingente de aproximadamente 57 mil pessoas. Tudo começou com a vinda da Sra. Leonora Holsapple Armstrong para o Brasil. A Sra. Armstrong faleceu na Bahia, em 1980, e desde aquele ano Assembléias Legislativas Estaduais e Câmaras Municipais de Vereadores de diversas capitais e cidades brasileiras a têm homenageado, concedendo seu nome a praças e logradouros públicos. Dentre essas citamos Manaus, Vitória, Natal, Rolândia, Londrina, Juiz de Fora.
Hoje os bahá'ís integram as mais diversas classes sociais, culturais e econômicas, residentes em aproximadamente 1.215 cidades e municípios brasileiros, em todas as regiões.
A Comunidade Bahá'í é reconhecida no Brasil por estabelecer projetos de desenvolvimento econômico e social em diversas regiões do País.
Como Parlamentar e Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da Câmara dos Deputados, gostaria de expressar minha preocupação com prisões e perseguições impostas aos bahá'ís no Irã, onde muitos têm sido mantidos presos sem acesso a advogados, sem comunicação com suas famílias e sem que tenham qualquer acusação formal contra eles. Seu único "crime" é o de pertencer a uma religião não reconhecida pelo Estado iraniano. Essas pessoas presas são cidadãos iranianos que formam um grupo que tinha como responsabilidade cuidar dos interesses comunitários dos bahá'ís no Irã, que conta com mais de 300 mil seguidores. Eram responsáveis por coordenar as aulas de virtudes e reforço escolar para crianças, bem como reuniões de orações, funerais e outras atividades administrativas e de adoração.
Nobres colegas, já se passaram meses desde a prisão de um grupo, sem que se saiba em que condições estão sendo mantidos. E, agora, a informação que recebemos é de que eles teriam "confessado" ser espiões de Israel, organizados em um grupo anti-Islã e anti-Irã. Ora, pois essa é uma grande mentira! Quem conhece os bahá'ís sabe que eles não se envolvem em disputas políticas, sabe que eles são obedientes às leis nacionais sob as quais vivem. Tanto o é que aquele grupo de 7 bahá'ís atuava com o pleno conhecimento das autoridades iranianas, que desde 1979 baniu as instituições da Fé Bahá'í no Irã, assassinando seus membros eleitos naquele ano e em 1981.

Essas pessoas, presas no último 14 de maio, trabalhavam como voluntárias para ajudar seus correligionários e eram constantemente monitoradas em suas atividade. Mas nunca se negaram a prestar esclarecimentos sobre o que vinham fazendo. Mesmo assim, foram presas e estão correndo risco de vida pelo simples fato de pertencerem à Fé Bahá'í.
Como Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias desta Casa, caros colegas Parlamentares, preciso dizer que esta é uma gravíssima violação de direitos humanos.
Sr. Presidente, o Governo brasileiro não pode ignorar ações violadoras como essas, provinda do Irã, que, como o Brasil, é signatário das convenções e tratados internacionais sobre direitos humanos.
De forma absurda, o Governo iraniano tem acusado os bahá'ís de trabalharem como espiões do Governo israelense como forma de justificar perante os muçulmanos o tratamento dispensado aos de Fé Bahá'í. Entretanto, o povo iraniano conhece os bahá'ís, os tem como vizinhos e amigos, e já não acredita mais na farsa que os seus governantes tentam lhes vender. Eles sabem que a ligação dos bahá'ís com Israel é muito mais antiga do que a própria existência de Israel como Estado, e se dá meramente pelo fato de o profeta-fundador de sua Fé ter morrido naquela região há mais de 150 anos, após ter sido exilado pelo Império Otomano, na cidade de Acre.
A iraniana e muçulmana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz, foi uma das que se levantou para defender os bahá'ís do Irã. Em conseqüência, jornais iranianos acusam sua filha de se ter convertido do Islã para a Fé Bahá'í, ato considerado apostasia, sendo uma ofensa para o Governo Islãmico do Irã, o que resulta em pena de morte.
Shirin Ebadi declarou que tem orgulho de dizer que sua família é xiita, mas que no tribunal ela defenderá os bahá'ís.
Em maio deste ano, a União Européia declarou "séria preocupação acerca da contínua e sistemática discriminação e perturbação aos bahá'ís do Irã por causa de sua religião".
No último dia 1º de agosto, o Parlamento dos Estados Unidos condenou a perseguição aos bahá'ís no Irã, com 407 votos a favor e apenas 3 contra. Outras dezenas de países se manifestaram em defesa dos bahá'ís no Irã e espero realmente que o Brasil também se manifeste, pois o Governo do Irã está preparando o corredor da morte para os bahá'ís e para os de outras minorias e grupos vulneráveis.
Sr. Presidente, informo que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados está enviando uma manifestação à Embaixada do Irã no Brasil, transmitindo nossa séria preocupação quanto ao destino daqueles bahá'ís encarcerados.
Muito obrigado.
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FONTE: Comunidade Bahá’í do Brasil - SNAE
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
No Parlamento em Brasília (3)
Intervenção do Deputado Carlos Abicalil (PT-MT) no Congresso Nacional Brasileiro no dia 19 de Novembro de 2008.
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Sr. Presidente, Deputado Manato, muito obrigado.
Prezados colegas, o meu pronunciamento de hoje tem 4 objetivos. O primeiro deles é saudar nosso companheiro Sérgio Mamberti (...)
(...)Aproveito, por fim, para manifestar minha solidariedade aos que confessam a Fé Bahá'í, particularmente no Irã, onde suas lideranças estão presas em condições desumanas.
Nas últimas décadas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Comunidade Bahá'í no Irã tem sido exposta a uma torrente de perseguições e diversas campanhas nacionais que difamam a imagem da religião que mais de 300 mil pessoas optaram por seguir naquele País.
Autoridades religiosas e governamentais, que têm sido sempre os investigadores da crueldade imposta às crianças, jovens e adultos da Comunidade Bahá'í, continuam a negar-lhes direitos outorgados por todas as nações defensoras dos direitos humanos.
O governo iraniano os proíbe de responder às calúnias que espalham sobre eles e suas crenças, ao mesmo tempo em que mantém clima de intimidação que severamente ameaça aqueles que se prontificam a ajudá-los.
Documentos secretos do Supremo Conselho Cultural Revolucionário, datados de 1991 e revelados em 1993 - que solicito que sejam anexados a este pronunciamento, juntamente com a manifestação da Secretaria Nacional de Assuntos Externos da Comunidade Bahá'í do Brasil - deixam clara a ação discriminatória contra a minoria Bahá'í, nas restrições tanto ao acesso à educação e ao emprego quanto às oportunidades econômicas e à liberdade de expressão de sua fé.
Em episódio mais recente, os 7 membros do grupo coordenador das atividades administrativas e comunitárias dos Bahá'ís foram presos em Teerã, sendo mantidos até hoje em condições desconhecidas, sem acesso a advogados, sem contato com suas famílias.
Esses indivíduos, que trabalham voluntariamente em atividades de culto, aulas de virtude para crianças, funerais e casamentos, agora são injustamente acusados de serem espiões de Israel, de atuarem contra o Irã e contra o Islã.
Mas este tipo de acusação infundada já não encontra ressonância nem no contexto nacional, muito menos no internacional. As pessoas que conhecem a Comunidade Bahá'í, sabem dos princípios que regem suas ações em favor do desenvolvimento humano e do seu compromisso espiritual com o não-partidarismo; observam sua coesão como comunidade religiosa presente em todas as regiões do mundo e sua atuação dedicada aos direitos humanos e à promoção da paz, inclusive no Brasil.
Por todos os lados, a ONU e autoridades de Estados nacionais têm-se levantado para defender a liberdade religiosa e os direitos humanos que estão sendo violados no Irã.
Naquele país, administradores escolares, professores, pais e alunos têm manifestado sua repulsa ao tratamento vergonhoso dado às crianças da Comunidade Bahá'í nas escolas; amigos e vizinhos têm-se recusado a permitir que funcionários do governo entrem ilegalmente em lares da Comunidade Bahá'í; estudantes universitários e professores têm particular e publicamente afirmado sua desaprovação às negativas injustificáveis de acesso de jovens estudantes da Comunidade Bahá'í às universidades; servidores públicos têm respondido com simpatia aos esforços que os Bahá'ís no Irã têm enviado para assegurarem seus direitos; jornalistas têm demonstrado frustração diante de sua incapacidade de publicar a verdade sobre a gritante violação de direitos dos Bahá'ís; e existem sinais de que membros esclarecidos do clero desejam que essa ação contra os Bahá'ís seja sustada.
Em diversas partes do mundo onde existe liberdade de expressão, como é o caso do Brasil, intelectuais e autoridades expressam repúdio e perplexidade pelo tratamento que está sendo imposto a grupos específicos, como é o caso das minorias religiosas.

Incontáveis pessoas da diáspora iraniana demonstram simpatia para com os Bahá'ís, exaltam a coragem daqueles que estão sendo reprimidos no Irã e buscam saber mais sobre os princípios que fortalecem suas vidas.
Os países tidos como defensores dos direitos universais têm-se levantado e desaprovado as ações do governo iraniano.
O apoio dos Parlamentares brasileiros é essencial para que autoridades brasileiras se manifestem contra qualquer tipo de discriminação religiosa e difamatória contra os Bahá'ís.
Os 60 mil Bahá'ís brasileiros contam, realmente, com a grande força social, política e institucional brasileira para garantir a sobrevivência de seus irmãos iranianos com dignidade, justiça e cidadania, como é de direito de todo ser humano.
Pelo fim da intolerância e na defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, expresso meu apelo para que a representação brasileira nos fóruns internacionais se posicione em favor desta causa.
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FONTE: Comunidade Bahá’í do Brasil - SNAE
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Sr. Presidente, Deputado Manato, muito obrigado.
Prezados colegas, o meu pronunciamento de hoje tem 4 objetivos. O primeiro deles é saudar nosso companheiro Sérgio Mamberti (...)
(...)Aproveito, por fim, para manifestar minha solidariedade aos que confessam a Fé Bahá'í, particularmente no Irã, onde suas lideranças estão presas em condições desumanas.
Nas últimas décadas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Comunidade Bahá'í no Irã tem sido exposta a uma torrente de perseguições e diversas campanhas nacionais que difamam a imagem da religião que mais de 300 mil pessoas optaram por seguir naquele País.Autoridades religiosas e governamentais, que têm sido sempre os investigadores da crueldade imposta às crianças, jovens e adultos da Comunidade Bahá'í, continuam a negar-lhes direitos outorgados por todas as nações defensoras dos direitos humanos.
O governo iraniano os proíbe de responder às calúnias que espalham sobre eles e suas crenças, ao mesmo tempo em que mantém clima de intimidação que severamente ameaça aqueles que se prontificam a ajudá-los.
Documentos secretos do Supremo Conselho Cultural Revolucionário, datados de 1991 e revelados em 1993 - que solicito que sejam anexados a este pronunciamento, juntamente com a manifestação da Secretaria Nacional de Assuntos Externos da Comunidade Bahá'í do Brasil - deixam clara a ação discriminatória contra a minoria Bahá'í, nas restrições tanto ao acesso à educação e ao emprego quanto às oportunidades econômicas e à liberdade de expressão de sua fé.
Em episódio mais recente, os 7 membros do grupo coordenador das atividades administrativas e comunitárias dos Bahá'ís foram presos em Teerã, sendo mantidos até hoje em condições desconhecidas, sem acesso a advogados, sem contato com suas famílias.
Esses indivíduos, que trabalham voluntariamente em atividades de culto, aulas de virtude para crianças, funerais e casamentos, agora são injustamente acusados de serem espiões de Israel, de atuarem contra o Irã e contra o Islã.
Mas este tipo de acusação infundada já não encontra ressonância nem no contexto nacional, muito menos no internacional. As pessoas que conhecem a Comunidade Bahá'í, sabem dos princípios que regem suas ações em favor do desenvolvimento humano e do seu compromisso espiritual com o não-partidarismo; observam sua coesão como comunidade religiosa presente em todas as regiões do mundo e sua atuação dedicada aos direitos humanos e à promoção da paz, inclusive no Brasil.
Por todos os lados, a ONU e autoridades de Estados nacionais têm-se levantado para defender a liberdade religiosa e os direitos humanos que estão sendo violados no Irã.
Naquele país, administradores escolares, professores, pais e alunos têm manifestado sua repulsa ao tratamento vergonhoso dado às crianças da Comunidade Bahá'í nas escolas; amigos e vizinhos têm-se recusado a permitir que funcionários do governo entrem ilegalmente em lares da Comunidade Bahá'í; estudantes universitários e professores têm particular e publicamente afirmado sua desaprovação às negativas injustificáveis de acesso de jovens estudantes da Comunidade Bahá'í às universidades; servidores públicos têm respondido com simpatia aos esforços que os Bahá'ís no Irã têm enviado para assegurarem seus direitos; jornalistas têm demonstrado frustração diante de sua incapacidade de publicar a verdade sobre a gritante violação de direitos dos Bahá'ís; e existem sinais de que membros esclarecidos do clero desejam que essa ação contra os Bahá'ís seja sustada.
Em diversas partes do mundo onde existe liberdade de expressão, como é o caso do Brasil, intelectuais e autoridades expressam repúdio e perplexidade pelo tratamento que está sendo imposto a grupos específicos, como é o caso das minorias religiosas.

Incontáveis pessoas da diáspora iraniana demonstram simpatia para com os Bahá'ís, exaltam a coragem daqueles que estão sendo reprimidos no Irã e buscam saber mais sobre os princípios que fortalecem suas vidas.
Os países tidos como defensores dos direitos universais têm-se levantado e desaprovado as ações do governo iraniano.
O apoio dos Parlamentares brasileiros é essencial para que autoridades brasileiras se manifestem contra qualquer tipo de discriminação religiosa e difamatória contra os Bahá'ís.
Os 60 mil Bahá'ís brasileiros contam, realmente, com a grande força social, política e institucional brasileira para garantir a sobrevivência de seus irmãos iranianos com dignidade, justiça e cidadania, como é de direito de todo ser humano.
Pelo fim da intolerância e na defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, expresso meu apelo para que a representação brasileira nos fóruns internacionais se posicione em favor desta causa.
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FONTE: Comunidade Bahá’í do Brasil - SNAE
Coexistência no Irão
O vídeo que se segue não tem uma única palavra que eu perceba!
Mas sinto que é muito bom...
Mas sinto que é muito bom...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Os párias do Irão
Excerto de um artigo publicado no jornal online Pavyand:
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(...)
Erfan Sabeti, um Bahá’í Persa e candidato a Ph.D. em Estudos Religiosos na Universidade de Lancaster, tem orgulho na sua fé apesar de ter sofrido por ser expansivo. "Um dia um professor deu-me quatro bofetadas em frente dos meus colegas e chamou-me infiel impuro que poluía o Alcorão", afirma Sabeti. Aos Baha’is como Sabeti que declaram abertamente a sua fé é negada a entrada na universidade no Irão. "O Governo Iraniano restringe o acesso à educação para emudecer e limitar o desenvolvimento da nossa comunidade na esperança de impedir a transmissão de cultura, liderança e herança", declara Sina Mossayeb, um candidato a Ph.D em História na Universidade de Columbia, que está a escrever a sua tese de doutoramento sobre os grupos religiosos minoritários no Irão. Em Maio de 2006, as autoridades prenderam 54 jovens Bahá’ís que estavam a ensinar inglês, matemática e temas não religiosos a crianças desfavorecidas na zona sul da cidade de Shiraz, segundo a Human Rights Watch. Nenhum dos jovens baha'is foi acusado de qualquer crime.
Em 1987 a comunidade lançou um instituição underground designada "Bahá'í Institution for Higher Education". Sabeti frequentou a instituição entre 1994 e 1998 e recorda-se de entregar exames através de um serviço postal amador dirigido por jovens bahá’ís com motociclos. "No meu tempo, tínhamos muitas aulas em casas particulares, mas hoje é mais seguro ter sessões online e correspondência via email", declara Sabeti. Crescer como Baha’i no Irão é comparável a crescer como «intocável» na Índia. "Senti-me discriminado na escola e ainda me recordo das palavras abusivas de outros estudantes", diz Kazim Hakim, que trocou o Irão pela Inglaterra em 1963, e agora vive em Nova Iorque. "A Fé Bahá’í é distorcida porque a maioria das pessoas não pensa por si própria e apenas ouve os mullahs". E, triste, acrescenta: "É tão estranho porque a [Fé] Bahá’í é a religião mais tolerante e receptiva. Os mullahs vêem-nos como uma ameaça."
Todas as instituições administrativas Bahá'ís, nacional e locais, foram banidas pelo governo iraniano, e os lugares sagrados baha'is, cemitérios e propriedades da comunidade foram confiscados, vandalizados ou destruídos, segundo a Comunidade Internacional Baha'i. O Governo continua a negar à comunidade a permissão para actos de culto públicos ou realização de actividades religiosas, conforme o relatório de 2007 da Human Rights Watch. Segundo Lawson, a fé Baha’i é frequentemente vista como uma "conspiração Ocidental", pois muitos Bahá'ís eram considerados como estando no "bolso do Xá" e com ligações sionistas. O Centro Mundial Baha’i situa-se na zona de Haifa/Akká no norte de Israel, o que complica a vida dos baha’is persas, dadas as relações tensas entre o Irão e Israel. "Os Baha’is e o Wahhabis são o trabalho do colonialismo", afirma Khan Madrasehr, que ensina na Escola Teológica Khan de Shiraz, no Irão. "São um dos estratagemas das Super Potências para criar instabilidade e apanhar o peixe em águas agitadas".
No Irão, mais de 200 Bahá’ís foram executados ou mortos, centenas foram presos e dezenas de milhar viram-se privados de emprego, pensões, negócios e oportunidades de educação, de acordo com a Comunidade Internacional Bahá’í. "Nos últimos dez anos a situação deteriorou-se com um aumento de detenções e expropriações", afirmou Aaron Emmel, o porta-voz do Gabinete de Direitos Humanos dos Bahá’ís dos Estados Unidos. "Foram recentemente divulgadas cartas pessoais sobre a política do Governo de identificar e monitorizar os Bahá’ís, facto que é apenas um dos mais sinistros desenvolvimentos", afirmou. A Amnistia Internacional exigiu publicamente um esclarecimento sobre as cartas. No início deste ano, o Irão condenou três membros da fé Baha’i a quatro anos de prisão por ameaças à segurança e 51 outros a penas suspensas. Apesar da situação dos Bahá’ís se ter deteriorado nos anos recentes, a estigmatização é anterior à Revolução Islâmica de 1979. "Os Bahá’ís sempre foram párias no Irão tal como os Judeus na Europa", afirmou Todd Lawson, professor de Civilizações do Próximo e Médio Oriente na Universidade de Toronto, que tem escrito sobre a Fé Bahá’í. "A política iraniana está tão fracturada que existe um estado de incerteza em os Baha’is são uma bola de arremesso".
(...)
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Leia o artigo completo (em inglês): The Baha'is of Iran
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(...)
Erfan Sabeti, um Bahá’í Persa e candidato a Ph.D. em Estudos Religiosos na Universidade de Lancaster, tem orgulho na sua fé apesar de ter sofrido por ser expansivo. "Um dia um professor deu-me quatro bofetadas em frente dos meus colegas e chamou-me infiel impuro que poluía o Alcorão", afirma Sabeti. Aos Baha’is como Sabeti que declaram abertamente a sua fé é negada a entrada na universidade no Irão. "O Governo Iraniano restringe o acesso à educação para emudecer e limitar o desenvolvimento da nossa comunidade na esperança de impedir a transmissão de cultura, liderança e herança", declara Sina Mossayeb, um candidato a Ph.D em História na Universidade de Columbia, que está a escrever a sua tese de doutoramento sobre os grupos religiosos minoritários no Irão. Em Maio de 2006, as autoridades prenderam 54 jovens Bahá’ís que estavam a ensinar inglês, matemática e temas não religiosos a crianças desfavorecidas na zona sul da cidade de Shiraz, segundo a Human Rights Watch. Nenhum dos jovens baha'is foi acusado de qualquer crime.
Em 1987 a comunidade lançou um instituição underground designada "Bahá'í Institution for Higher Education". Sabeti frequentou a instituição entre 1994 e 1998 e recorda-se de entregar exames através de um serviço postal amador dirigido por jovens bahá’ís com motociclos. "No meu tempo, tínhamos muitas aulas em casas particulares, mas hoje é mais seguro ter sessões online e correspondência via email", declara Sabeti. Crescer como Baha’i no Irão é comparável a crescer como «intocável» na Índia. "Senti-me discriminado na escola e ainda me recordo das palavras abusivas de outros estudantes", diz Kazim Hakim, que trocou o Irão pela Inglaterra em 1963, e agora vive em Nova Iorque. "A Fé Bahá’í é distorcida porque a maioria das pessoas não pensa por si própria e apenas ouve os mullahs". E, triste, acrescenta: "É tão estranho porque a [Fé] Bahá’í é a religião mais tolerante e receptiva. Os mullahs vêem-nos como uma ameaça."
Todas as instituições administrativas Bahá'ís, nacional e locais, foram banidas pelo governo iraniano, e os lugares sagrados baha'is, cemitérios e propriedades da comunidade foram confiscados, vandalizados ou destruídos, segundo a Comunidade Internacional Baha'i. O Governo continua a negar à comunidade a permissão para actos de culto públicos ou realização de actividades religiosas, conforme o relatório de 2007 da Human Rights Watch. Segundo Lawson, a fé Baha’i é frequentemente vista como uma "conspiração Ocidental", pois muitos Bahá'ís eram considerados como estando no "bolso do Xá" e com ligações sionistas. O Centro Mundial Baha’i situa-se na zona de Haifa/Akká no norte de Israel, o que complica a vida dos baha’is persas, dadas as relações tensas entre o Irão e Israel. "Os Baha’is e o Wahhabis são o trabalho do colonialismo", afirma Khan Madrasehr, que ensina na Escola Teológica Khan de Shiraz, no Irão. "São um dos estratagemas das Super Potências para criar instabilidade e apanhar o peixe em águas agitadas".
No Irão, mais de 200 Bahá’ís foram executados ou mortos, centenas foram presos e dezenas de milhar viram-se privados de emprego, pensões, negócios e oportunidades de educação, de acordo com a Comunidade Internacional Bahá’í. "Nos últimos dez anos a situação deteriorou-se com um aumento de detenções e expropriações", afirmou Aaron Emmel, o porta-voz do Gabinete de Direitos Humanos dos Bahá’ís dos Estados Unidos. "Foram recentemente divulgadas cartas pessoais sobre a política do Governo de identificar e monitorizar os Bahá’ís, facto que é apenas um dos mais sinistros desenvolvimentos", afirmou. A Amnistia Internacional exigiu publicamente um esclarecimento sobre as cartas. No início deste ano, o Irão condenou três membros da fé Baha’i a quatro anos de prisão por ameaças à segurança e 51 outros a penas suspensas. Apesar da situação dos Bahá’ís se ter deteriorado nos anos recentes, a estigmatização é anterior à Revolução Islâmica de 1979. "Os Bahá’ís sempre foram párias no Irão tal como os Judeus na Europa", afirmou Todd Lawson, professor de Civilizações do Próximo e Médio Oriente na Universidade de Toronto, que tem escrito sobre a Fé Bahá’í. "A política iraniana está tão fracturada que existe um estado de incerteza em os Baha’is são uma bola de arremesso".
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Leia o artigo completo (em inglês): The Baha'is of Iran
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