sábado, 30 de junho de 2012

Como é que Deus "salva" ou transforma...?

Será o entendimento Evangélico da salvação apenas através da fé e da graça a única forma de compreender e experimentar como o Divino toca e transforma os humanos? Poderão os Evangélicos impor uma forma particular de experimentar Deus, tal como se encontra na Bíblia, às outras religiões? Por exemplo, poderá a experiência muçulmana de “submissão a Deus”, ou a mensagem de Buda sobre iluminação, ou o sentido Hindu de moksha como unidade total com Brahman, o Derradeiro, ou o sentido chinês de viver na harmonia do ying-yang – poderão estes ser também formas diferentes de experimentar e falar sobre como Algo Mais entra ou emana do ser humano de forma a mudar o individuo e o mundo?

Se existem outras formas pelas quais o Divino “salva” e transforma, outras formas que são importantes não apenas para outros povos mas para toda a humanidade, então o diálogo não é apenas uma “competição sagrada” em que as várias reivindicações do tipo “único e exclusivo” tentam perceber que tem razão. Terá de ser um diálogo em que as religiões terão de se confrontar e corrigir mutuamente; tem de ser um diálogo em que as religiões devem cooperar, em vez de competir. Se Deus se revela e salta através de muitas religiões e não apenas uma, então o diálogo deve permitir que as religiões, ouvindo-se mutuamente, aprendam mais sobre este Deus que é sempre mais do que alguma delas pode alguma vez saber.

Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 59

terça-feira, 26 de junho de 2012

Rio+20: “Optimismo e Esperança” para uma acção unificada

Ao participar na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a Comunidade Internacional Bahá'í (BIC) defendeu a ideias de que os líderes mundiais que procuram promover o desenvolvimento sustentável devem adoptar o princípio de “que cada um de nós entra no mundo como um guardião do todo e, por sua vez, tem uma quota-parte de responsabilidade pelo bem-estar de todos.”

Numa declaração dirigida à Conferência, afirma-se que a ideia de uma "tutela de abrangência mundial" desafia as “bases éticas de lealdades que não vão além do Estado-nação.” E acrescenta: “ Enquanto um grupo de nações achar que os seus interesses estão em oposição a outros, o progresso será limitado e de curta duração”.

Entre as outras áreas destacadas pelo BIC estão: a necessidade de uma abordagem baseada em princípios de tomada de decisão colectiva e a importância de abordar os dois extremos do espectro pobreza-riqueza.

Mais de 80 chefes de Estado e de Governo, juntamente com cerca de 50.000 representantes de organismos internacionais, sociedade civil, e outros grupos, participaram da Conferência, que teve como objectivo avaliar o progresso no desenvolvimento sustentável desde a Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992.

Uma economia verde e o quadro institucional, foram os dois temas principais em discussão, relativos ao desenvolvimento sustentável, que foram abordados pela BIC, em numerosos fóruns durante as últimas semanas.

O Secretário Geral da ONU na abertura da Conferência Rio+20


Participaram na Rio+20 treze delegados da BIC, o que representa uma grande diversidade de origens. “O ponto em comum nas nossas contribuições foi o aperfeiçoamento da humanidade”, disse o delegado Daniel Perell. “Procuramos trocar ideias sobre temas como a tutela e a unidade da humanidade - tudo com o objectivo geral de ajudar a criar uma civilização justa, e global, que seja sustentável a longo prazo”.

Além de participar da Conferência principal, os bahá'ís também organizaram, co-patrocinaram, ou participaram de uma vasta gama de eventos e conferências paralelas, nomeadamente:

Um painel de discussão sobre a “eliminação dos extremos de riqueza e pobreza num contexto de economia verde”, que explorou as dimensões sociais, económicas e morais da crescente desigualdade de rendimentos.

Participação na “Blast Juventude” - uma conferência paralela das Nações Unidas para os jovens, realizada de 7 a 12 de Junho; patrocinou um workshop interactivo sobre “tutela no contexto do desenvolvimento sustentável.”

A re-dedicação de um monumento à paz, construído em 1992 pelo BIC e pela comunidade Bahá'í do Brasil, como uma contribuição para a Cimeira da Terra. A escultura em forma de ampulheta contém terra de quase 150 países. Assistiram à cerimónia, Sha Zukang - Secretário-Geral da Rio +20 e Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Assistência na Cimeira dos Povos, no Rio de Janeiro, em paralelo com a conferência da sociedade civil. Os Bahá'ís brasileiros estiveram envolvidos na organização de workshops sobre “princípios espirituais para o desenvolvimento” e “papel social das religiões”.

“Somos desafiados aqui na Rio+20 a olhar para além do interesse nacional e das fidelidades, e a preocuparmo-nos com o bem-estar do todo”, disse Daniella Hiche, directora dos Direitos Humanos, da Comunidade Bahá'í do Brasil, numa conferência de imprensa realizada na sede da Rio+20.

A delegada da BIC, May Akale, resumindo todo o evento, observou: “Os desafios são complexos, as expectativas da humanidade são elevadas, e as decepções no ritmo do progresso podem ser profundas”.

“O que é óbvio é que estamos a evoluir para uma acção unificada. Ainda há muito a fazer, mas as possibilidades de relacionamento para desenvolver e avançar na implementação do que foi acordado no Rio são infinitas. E essa é a fonte de grande esperança e optimismo”.

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FONTE: Rio+20: "Hope and optimism" for unified action (BWNS)

domingo, 17 de junho de 2012

Lowell Johnson (1920-2012)

Há cerca de 20 anos atrás, quando preparava um curso de aprofundamento sobre a Aliança, tive necessidade de encomendar um livro sobre o assunto. Intitulava-se The Eternal Covenant, e era escrito Lowell Johnson, um Bahá’í residente na África do Sul. Um ano depois tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o autor, numa Convenção Internacional. Passados tantos anos, não me lembro das palavras que trocámos na altura; mas a imagem do senhor de cabelo branco e sorriso jovial ficou sempre na minha memória.

Na última semana, o site oficial dos Bahá’ís dos EUA anunciou que Lowell Johnson falecera em Joanesburgo, África do Sul, em 25 de Abril de 2012, poucos dias antes de seu 92º aniversário.

Nascido em 1920 em Ethan, Dakota do Sul (EUA), Lowell cresceu nas áreas de Mitchell e Spearfish. Como um sargento do Exército dos EUA, recebeu uma Estrela de Bronze pelo serviço como operador de rádio na Segunda Guerra Mundial. Mais tarde alargou a sua experiência de rádio com um diploma de mestre pela Universidade Northwestern, em Evanston, Illinois.

Em 1949, quando ensinava escrita para rádio na Universidade de Siracusa (Nova Iorque), Lowell descobriu e abraçou a Fé Bahá’í. Tornou-se imediatamente um divulgador entusiasta da Fé, e nos anos seguintes serviu em diversas comissões Bahá’ís e ainda na comissão de supervisão da Escola Bahá’í de Green Acre.

Em 1952 casou-se com Edith Segen, e começara a estudar a possibilidade de se mudarem para outro país com o objectivo de ajudar o desenvolvimento da Fé, em resposta a um apelo de Shoghi Effendi. No ano seguinte mudaram-se como pioneiros Bahá’ís para a Cidade do Cabo, África do Sul.

Alguns meses depois, Lowell conseguiu o seu primeiro emprego numa emissora de rádio. Nas três décadas seguintes, na Cidade do Cabo e, mais tarde, em Joanesburgo, tornou-se conhecido como locutor da South African Broadcasting Corporation em programas de jazz e artes dramáticas.

No início de sua presença na África do Sul, Shoghi Effendi transmitiu instruções de que o ensino e o desenvolvimento da Fé na África do Sul devia se concentrar nos africanos, através de actividades cuidadosas e discretos.

Edith Johnson escreveu mais tarde que, como as leis do apartheid e da sociedade branca impediam reuniões inter-raciais, isso significava uma "vida dupla" para o Johnsons e outros pioneiros americanos e europeus. Edith e Lowell escolheram lugares para morar, onde amigos africanos, "mestiços" e curiosos podiam ir e vir atraindo pouca ou nenhuma atenção dos vizinhos brancos. Ela descreveu esses encontros como tranquilos e alegre, em quartos forrados com pesadas cortinas.

A partir de 1962, Lowell foi eleito para a Assembléia Espiritual Nacional da África do Sul. Serviu nessa instituição durante 33 anos consecutivos, a maior parte do tempo como secretário. Nos primeiros anos, a área de acção dessa Assembleia estendia-se a vários países.

Ao longo dos anos, viajou muito para promover a fé, bem como ajudar a formar e consolidar comunidades Bahá’ís na África Austral e Ocidental. Tinha por hábito encorajar outros Bahá’ís a ir para a África do Sul, temporária ou permanentemente, para apoiar as actividades da Fé. Mantinha correspondência, partilhava oportunidades de emprego e ajudava as pessoas a estabelecerem-se após a sua chegada.

Também visitava frequentemente a América do Norte, investindo tempo a inspirar e educar muitas comunidades locais, incluindo algumas na sua terra natal, Dakota do Sul.

Escreveu vários livros sobre temas Bahá'ís, alguns dos quais foram publicados em todo o mundo. Entre estes encontram-se The Eternal Covenant, sobre a força unificadora central da Fé; Remember My Days, uma história da vida de Bahá'u'lláh, escrita para os jovens; e Reginald Turvey / Vida e Arte, sobre um artista que também foi fundador da comunidade Bahá’í da África do Sul.

Num ensaio escrito em 1970, Lowell apresentou a sua perspectiva Bahá’í sobre o relacionamento pessoal com o Criador:
"Cada parte do mundo tem o seu próprio modo de vida, que pode - ou não - basear-se na virtude. Mas quando uma pessoa se muda para um novo local onde o modo de vida é diferente, ele encontra novos padrões de moralidade e acção, e ele é forçado a decidir entre o antigo e o novo. É então que ele deve procurar a sua alma para descobrir o que é a verdade. E pode descobrir que não se conhece suficientemente bem para fazer a escolha certa. Em seguida, as falhas começam a aparecer...

"Tudo o que vem de Deus é bom; portanto, Deus não semeou falhas dentro de nós. Esta veio de alguma experiência, ou foi ensinado por alguém. Ou talvez seja o outro lado de uma virtude que ainda não foi desenvolvida. Mas, a maneira de descobrir é orar e meditar - especialmente meditar. Compare-se... as acções actuais com os padrões mantidos por Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. Pouco um pouco a pessoa vai começar a conhecer-se melhor, e a virtude crescerá."

Numa mensagem de homenagem dirigida à Assembleia Espiritual Nacional da África do Sul, a Casa Universal de Justiça escreveu: "Ficámos consternados ao saber do falecimento do amado Lowell Johnson. As suas quase seis décadas de serviço como um promotor inflexível da Causa em toda a África Austral são lembradas com profunda gratidão. A sua dedicação à Causa de Deus, a devoção à Aliança, o amor por África e seus povos, o entusiasmo pelo ensino, mais de trinta anos como membro da sua Assembleia Espiritual Nacional, e grandes esforços para documentar a história dos primeiros anos da Fé na região, são um testamento duradouro de uma vida de serviço consagrado."

Adeus, Lowell.
Encontramo-nos no Reino de Abhá!

domingo, 10 de junho de 2012

Jinoos Noorani e Roofia Beidaghi, prisioneiras de consciência

Jinoos Noorani e Roofia Beidaghi

Jinoos Noorani e Roofia Beidaghi, duas Bahá’ís iranianas residentes na província de Semnan, começaram a cumprir a pena de prisão a que foram condenadas, depois de terem sido chamadas à prisão de Semnan.

Jinoos Noorani e Roofia Beidaghi tinham sido condenadas – cada uma – a um ano de prisão, sendo consideradas culpadas de "propaganda contra o Estado" e "participação na organização Bahá'í" por um tribunal de primeira instância; as suas penas foram posteriormente confirmada por um tribunal de recurso.

Roofia Beidaghi foi presa na sua loja na sua cidade natal de Sangsar no Outono de 2010 e Jinoos Noorani foi detida no inverno de 2011. Estiveram ambas detidas no Departamento de Informação de Semnan antes de serem libertados sob fiança.

Actualmente, as duas mulheres encontram-se na ala feminina da Prisão Semnan, conhecida suas péssimas condições de higiene e excesso de população prisional, onde são mantidas numa cela com outras 60 prisioneiras, a maioria dos quais são traficantes de drogas.

O pai de Roofia, Goudarz Beidaghi, foi preso em Março de 2010, e foi condenado a um ano de prisão e exílio de três anos da província de Semnan, sob a acusação de "propaganda contra o Estado". A loja da família em Sangsar foi selada em Abril de 2011 e sua licença comercial já foi revogada.
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FONTE: Noorani, Beidaghi: Prisoners of the day (www.iranian.com)

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Jesus é o único Salvador?

Se isto é verdade [Jesus é o único Salvador], e se é apenas com base na Bíblia e na tradição Cristã que os Cristãos sabem que Jesus é o único Salvador, então levanta-se uma outra questão: o que é que os Cristãos fazem quando o seu conhecimento de outras religiões lhes diz que, na verdade, pessoas de outras religiões fazem afirmações sobre os seus fundadores ou mestres que são muito semelhantes àquilo que os Cristãos dizem sobre Jesus? Podem não usar expressões como “Salvador” ou “Filho de Deus” (apesar de alguns o fazerem), mas falam sobre estes indivíduos como meios através dos quais se ouviu a voz de Deus (Muhammad), ou como um mestre através do qual chegaram ao esclarecimento e ao Nirvana (Buda), ou como o Glorioso que os ama e lhes diz o que realmente são (Krishna, Buda Amitaba). Garantidamente, temos de ter mais cuidado a fazer comparações fáceis e a usar o nosso telescópio Cristão para interpretar o universo dos povos de outras religiões. Tal como questiona Raimon Panikkar, se Jesus, Buda, Muhammad e Krishna não são “análogos” (expressam a mesma ideia e visão), não serão “homólogos” (desempenham a mesmo papel ou função)?

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Paul F. Knitter, Introducing Theologies of Religions, p. 58 


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sadaf Sabetian, prisioneira de consciência

Sadaf Sabetian, é uma cidadã iraniana que professa a Fé Bahá’í, e residia em Sari. Em Maio de 2011, foi detida e posteriormente transferida para Teerão, juntamente com outras duas pessoas ligadas ao BIHE (Universidade Bahá’í Online). Em Fevereiro deste ano foi condenada a dois anos de prisão pelo Ramo 15 do Tribunal Revolucionário de Teerão.

Posteriormente foi libertada sob fiança.

Em 27 Maio foi detida no aeroporto de Teerão, quando se preparava para gozar umas breves férias no estrangeiro. Apesar do tribunal nunca a ter proibido de viajar para o exterior, Sadaf foi imediatamente levada para a prisão de Evin, onde começou a cumprir a pena a que fora condenada em Fevereiro.

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FONTE: Sadaf Sabetian: Prisoner of the day (iranian.com)