sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Nova Deli: Seminário aborda fim da Violência contra Crianças

Acabar com os maus-tratos e abusos contra crianças é um desafio global que deve ser abordado com urgência. Este foi um dos principais temas de um recente seminário intitulado "Acabar com a Violência contra Crianças", realizada nos arredores da Casa Bahá'í de Adoração, em Nova Deli (Índia).

"A protecção das crianças contra a violência exige prioridade de acção," declarou Dora Giusti - uma especialista em protecção à criança da UNICEF na Índia. "É necessária uma abordagem multi-facetada para construir um ambiente protector para as crianças."

O seminário em 22 de Novembro foi organizado para assinalar a Semana Nacional da Harmonia Comunitária, a celebração do Dia Mundial de Oração e Acção pelas Crianças, e para marcar 20 anos da adesão da Índia à Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. O evento foi patrocinado pela Comunidade Bahá'í da Índia, em associação com a Fundação Nacional para a Harmonia Comunitária, a Secção da Rede Global de Religiões para as Crianças do Norte da Índia, e da Aliança para os Direitos da Criança da Índia.

Entre os participantes encontravam-se representantes do governo, organizações não-governamentais, académicos, estudantes e jornalistas, juntamente com as famílias das regiões de Gujarat e Assam. Entre os temas abordados estavam a punição corporal, as políticas e processos para a protecção das crianças, e as causas subjacentes da violência na sociedade de hoje.

Shanta Sinha, Presidente da Comissão Nacional para a Protecção dos Direitos da Criança, enfatizou a necessidade de construir uma cultura de não-violência, se se pretende abordar a questão a longo prazo. Vinay Srivastava, professor de antropologia da Universidade de Deli, concordou, acrescentando que, enquanto os pais, educadores e cuidadores precisam de olhar para suas próprias atitudes e comportamentos para com as crianças, também deve haver estudos feitos para tratar a cultura da violência na sociedade e quais as estruturas que precisam de mudar.

"Um conceito essencial para o progresso nesta área é o de tutela, disse Farida Vahedi, director do Escritório Bahá'í Indiano de Relações Públicas, reconhecendo que "a cada criança nasce neste mundo como uma relação de confiança de toda a humanidade."

"Só quando o direito das crianças à educação espiritual, nutrição, saúde, habitação e segurança são assegurados é que elas podem vir a assumir a sua responsabilidade de trabalhar para o progresso da humanidade e do desenvolvimento", disse Vahedi.

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FONTE: In New Delhi, seminar explores ending violence against children (BWNS)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Verdade e Reconciliação

Um diálogo entre uma vítima Bahá'í e um agressor ex-membro da Associação Hojjatieh


Este vídeo foi filmado em 27 de Outubro de 2012 em Haia, na Holanda, pelo IHRDC Iran Human Rights Documentation Center. Nele regista-se uma conversa de verdade e reconciliação entre Ruhi Jahanpour - ums bahá'í que foi presa devido às suas crenças na República Islâmica do Irão durante a década de 1980 - e Abbas Mazaheri - um ex-membro da Associação Hojjatieh, que admite cometidos graves abusos dos direitos humanos contra a comunidade Bahá’í iraniana.

No dia do filme, Jahanpour estava em Haia para depor no Tribunal Iraniano – um tribunat ppopular criado para julgar crimes contra presos políticos e prisioneiros de consciência nas prisões do Irão na década de 1980. Mazaheri, que chorou ao ouvir o testemunho de Jahanpour e as recordações dos abusos que ele e os membros da Hojjatieh submeteram os Bahá’ís, aproximou-se epediu perdão a Jahanpour-lhe. O diálogo entre Jahanpour e Mazaheri levanta perguntas poderosas do que significa ser uma vítima e agressor, que que tipo de conversa é necessária sobre a responsabilidade e a responsabilização para que as sociedades curem os abusos do passado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Vencer o Cancro

Amanda Enayati, escritora e ensaísta americana descreve como se tornou escritora, como venceu o cancro, e de que forma a Fé Bahá'í a ajudou no processo de cura.

Programa A Fé dos Homens, emitido no dia 17-Dezembro-2012, na RTP2

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Para lá dos limites da capacidade humana


O massacre das crianças numa escola primária de Newton (Connecticut, EUA) comoveu o mundo.

Nas muitas manifestações de solidariedade que se têm seguido, o serviço inter-religioso mereceu destaque em muitos órgãos de comunicação social internacionais. Neste evento, os representantes da comunidade Bahá’í leram alguns excertos das Escrituras que me parecem particularmente adequados. Num desses textos podemos ler as seguintes palavras de 'Abdu'l-Bahá dirigidas a uma mãe que perdeu um filho:
Ó tu, serva amada de Deus! Embora a perda de um filho seja verdadeiramente de partir o coração e esteja para lá dos limites da capacidade humana, ainda assim, a pessoa que sabe e compreende tem a certeza que o filho não foi perdido, mas pelo contrário, passou deste mundo para outro, e ela encontrá-lo-a no reino divino. Esse encontro será para a eternidade, enquanto neste mundo a separação é inevitável e traz consigo uma dor ardente.
‘Abdu’l-Bahá sabia bem o que era essa dor; Ele próprio também perdera um filho.

Pessoalmente intrigam-me as palavras “...para lá dos limites da capacidade humana”. Porque, apesar disso, alguns de nós suportam essa dor.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Omid Djalili sobre a Fé Baha'i



Omid Djalili, o conhecido actor, comediante e escritor Anglo-Iraniano - que é Bahá'í - fala sobre o livro "The Baha'i Faith in Words and Images" com os autores John Danesh e Seena Fazel.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

28 Bahá’ís detidos no Irão por verem vídeos na Internet

Hoje em Teerão, o Procurador-chefe anunciou que as autoridades prenderam 28 cidadãos por supostas ligações com redes de TV sediadas fora do país que defendem a religião Bahá’í, que é perseguida no Irão.

O comunicado divulgado pela agência semi-oficial de notícias Mehr cita Abbas Jafari Dowlatabadi e - recorrendo à tradicional linguagem propagandística do regime fundamentalista - afirma que agentes da segurança prenderam elementos de uma "rede de contra-revolucionários" em 10 locais distintos de Teerão. O mesmo comunicado acrescenta que os detidos estavam em contacto próximo com as redes de TV, que defendem a Fé Bahá’í.

Esta notícia coincide com o anúncio do lançamento de um site iraniano para partilha de vídeos que pretende ser alternativa ao YouTube (cujo acesso é proibido no Irão).

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FONTE: Iran arrests 28 over links to foreign-based TV networks advocating banned Baha’i religion (Washington Post)

sábado, 8 de dezembro de 2012

Londres: Membros do Governo e Parlamento homenageiam 'Abdu'l-Bahá

Membros do Governo e do Parlamento britânico receberam mais de 80 Bahá’ís num evento impar, para homenagear 'Abdu'l-Bahá, 100 anos depois da Sua visita à Grã-Bretanha. Foi a primeira vez que o governo britânico organizou uma recepção especial especificamente para a comunidade Bahá'í.

'Abdu'l-Bahá (1844-1921) foi o filho mais velho de Bahá'u'lláh e nomeado Seu sucessor como líder da Fé Bahá'í. De 1910 a 1913, após uma vida de exílio e de prisão, 'Abdu'l-Bahá fez uma série de viagens históricas para apresentar os ensinamentos de Bahá'u'lláh para audiências fora do Médio Oriente. As Suas duas visitas às ilhas britânicas ocorreram em Setembro de 1911, e de Dezembro de 1912 a Janeiro de 1913.



A recepção foi organizada pelo Departamento Governamental para as Comunidades e Autoridades Locais, na quarta-feira, 28 de Novembro. Ao dar as boas-vindas aos convidados, o secretário de Estado Eric Pickles, agradeceu a contribuição que os Bahá’ís têm dado à sociedade britânica. Elogiou os "momentos de gentileza" que ele tinha observado entre os Bahá’ís, e acrescentou: "Nós não seríamos tão unidos sem os Bahá’ís na nossa comunidade."

Don Foster - Ministro para a Integração - declarou que, entre todas as pessoas importantes do seu círculo eleitoral de Bath, sentia-se orgulhoso de incluir Ethel Rosenberg, membro fundador da comunidade Bahá'í da Grã-Bretanha.

"Vocês continuam a distinguir-se nas profissões, nas artes e, particularmente, nas áreas vitais da educação e da resolução de conflitos", disse ele aos Bahá’ís. "A importante afirmação" de Abdu'l-Bahá que "devemos procurar juntos a paz e que devem cessar as diferenças de raça e divisões entre as religiões, é tão verdadeira hoje como era então", acrescentou.

Kishan Manocha, falando em nome da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Reino Unido, agradeceu ao Sr. Pickles o ter sido o anfitrião deste evento, descrevendo-o como uma "enorme honra e prazer".

A escritora e atriz Annabel Knight - que é Bahá'í - observou que a visita de 'Abdu'l-Bahá foi uma ocasião marcante para a jovem comunidade, ajudando o pequeno grupo de Bahá’ís britânicos a cimentar a sua identidade e a colocar-se ao serviço da sua comunidade.

Tradução: Ivone Correia
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FONTE: A century on, legacy of ‘Abdu’l-Baha honored at UK government reception (BWNS)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quando César quer ser Deus

Esther Mucznik, ontem no Público:

O que se passa neste momento no Egipto é decisivo. Depois da eleição, em Junho deste ano, de Muhammad Morsi para presidente do Egipto, parecia abrir-se um novo ciclo em que o poder se estabilizava (e concentrava) nas mãos da Irmandade Muçulmana.
(...)Elaborado à pressa por uma assembleia constituinte totalmente composta por adeptos da Irmandade Muçulmana e salafistas, (depois da demissão em protesto de um terço dos deputados) o projecto constitucional mantém os “princípios da Sharia como fonte principal da legislação”, em conformidade com a antiga Constituição. Mas acrescenta uma nova disposição, segundo a qual esses princípios deverão ser interpretados à luz da doutrina sunita, permitindo uma leitura mais rigorista da lei islâmica. Tem uma formulação ambígua relativamente à protecção dos direitos dos cidadãos, condicionada “à verdadeira natureza da família” e “à ordem pública e moral”, proíbe os “insultos à pessoa individual” e os “insultos ao profeta”, o que abre a porta à censura, “reconhece as religiões do Livro”, mas exclui as outras, em particular os Bahai… Em relação às mulheres, o texto contempla a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, lembrando no entanto o papel do Estado na salvaguarda do “equilíbrio entre as obrigações da mulher no quadro familiar e o seu trabalho público”… É contra esta versão constitucional considerada demasiado religiosa e perigosa para as liberdades que se ergue uma oposição que inclui laicos, cristãos e muçulmanos, mulheres e homens, pessoas do povo e da burguesia.
(...)Os princípios contidos no Corão, na Torá ou na Bíblia podem ser uma das fontes de inspiração para o poder político ou até da lei geral de um país, mas em nenhum caso a podem amarrar ou determinar. A separação entre as duas esferas é condição indispensável da liberdade individual de religião e consciência, é condição de um Estado de direito e democrático. Judeus, muçulmanos e cristãos podem lutar para influenciar as leis, os costumes, as tradições. Mas a esfera da sua influência é de ordem moral, não tem necessariamente tradução jurídica. Podem defender a proibição do aborto e até da contracepção, mas não podem legislar nesse sentido. O seu afastamento do poder é não só a garantia do carácter democrático da sociedade, como também da sua própria idoneidade como instituições religiosas.(...)

sábado, 1 de dezembro de 2012

Egipto vai proibir crianças Bahá’ís em escolas públicas

A Irmandade Muçulmana apoia a discriminação das minorias

De acordo com um artigo recente publicado no jornal egípcio Al-Sabah (A Manhã) , o actual ministro da Educação, Dr.Ibrahim Ghoniem, que também é membro da Irmandade Muçulmana, afirmou que não será permitida a admissão de crianças Bahá’ís em escolas públicas .

A entrevista abordava a sua visão sobre o futuro da educação no Egipto, e as suas intenções a respeito das acções do Ministério da Educação, a estrutura administrativa do sistema de ensino e suas relações com as diversas autoridades e sistemas relacionados com o Ministério.

Quando lhe foi perguntado "o que é a posição do Ministério sobre o direito dos "filhos" dos Bahá'ís a serem admitidos nas escolas do Ministério?" ele respondeu: "A lei da nação, com base nas leis do estado civil, é que ela não reconhece mais do que três religiões. [A Fé] Bahá’í não é nenhuma das três, e portanto os seus filhos não têm direito de admissão nas escolas do Ministério. "

Excerto da entrevista do Sr. Ghoniem ao jornal Al-Sabah

Muitos leitores poderão ver nestas palavras mais uma indicação de que a “Primavera Árabe” está a ser substituída por um “Inverno Árabe”. Outros denunciarão a crueldade de uma decisão profundamente injusta de um regime que afirma basear as suas leis na religião. E outros apontarão a mentalidade retrógrada de políticos que consideram justa uma decisão que visa discriminar alguns cidadãos com base em factores religiosos.

É verdade que com esta decisão o Egipto se afasta da modernidade e da democracia; o seu governo deixa de ser um governo de todos os egípcios para ser apenas um governo da Irmandade Muçulmana; a democracia egípcia ignora os mais elementares direitos humanos e passa a ser uma ditadura da maioria; o Ministério da Educação, que devia investir no bem-estar de todas as crianças egípcias, aposta em práticas ancestrais de discriminação (que também existiam no regime anterior).

Um outro aspecto das palavras do Sr. Ghoniem (que tem fama de ser um prestigiado educador) é bem revelador da mentalidade sexista dos novos governantes egípcios. O ministro refere apenas os "filhos" e ignorando completamente as "filhas"! Será que as filhas não existem? É esta a nova linguagem moderna e revolucionária, dos responsáveis pela educação da futura geração de egípcios? Onde está a igualdade de género? Será que as "filhas" estão isentas desta visão iluminada do Sr. Ministro? Poderão entrar nas escolas, ou será que nem sequer são dignas de consideração?


Mas será que um regime onde as crianças são privadas do direito à educação devido apenas às convicções religiosas dos seus pais, merecedor do apoio de organizações internacionais como o BERD e o FMI? Podem os países ocidentais fechar os olhos a estes actos e entregar um cheque ao Governo Egípcio como se tudo estivesse bem?

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SOBRE ESTE ASSUNTO:

ONU aprova resolução sobre Direitos Humanos no Irão

Edifício Sede da ONU
Citando uma longa lista de abusos, uma comissão da ONU expressou a sua "profunda preocupação" com "as contínuas e recorrentes” violações dos direitos humanos no Irão. Por uma votação de 83 contra 31 (e 68 abstenções), a Terceira Comissão da Assembleia Geral apelou ao Irão para parar com essas violações, para libertar os prisioneiros de consciência, e abrir as suas portas aos monitores internacionais dos direitos humanos.

Entre outras coisas, a resolução destaca o uso alarmante da pena de morte no Irão, a perseguição sistemática contra defensores dos direitos humanos, jornalistas e bloggers, e da "profunda desigualdade de género e violência contra as mulheres”. Também foi expressa a preocupação com a discriminação contínua contra as minorias, incluindo a perseguição aos Bahá’ís iranianos.

Esta foi a 25ª Resolução sobre as violações dos direitos humanos no Irão, pela Terceira Comissão, desde 1985 - e sua extensão e especificidade reflete o alarme contínuo da comunidade internacional relativamente ao aumento da violência do Governo contra os cidadãos iranianos, disse Bani Dugal, a principal representante da "Comunidade Bahá’í Internacional junto das Nações Unidas.

A Srª Dugal acrescentou: "A atmosfera no Irão continua a piorar para todos os cidadãos iranianos. Se o seu ponto de vista for diferente do regime autoritário do Irão, ficam imediatamente em sério perigo."

"Para os Bahá'ís - que são a maior minoria religiosa não muçulmana do Irão – continua a haver uma perseguição persistente, cada vez pior, às mãos do Governo e seus agentes, a qual tem sido acompanhada por um aumento de violência e uma intensificação deliberada de pressão, que visam despedaçar a vida da Comunidade Bahá’í como um todo, com o objectivo de destruir a sua viabilidade", declarou.

Referiu ainda que mais de 115 bahá'ís estão atrás das grades devido às suas convicções religiosas, e que mais algumas centenas estão a ser julgados em tribunal, à espera de saber qual será o seu destino.

O texto da resolução - que foi apresentada pelo Canadá e co-patrocinada por 43 outros países - também apela ao Irão para cooperar mais com os monitores dos direitos humanos da ONU, nomeadamente permitindo-lhes que visitem o Irão, e pede ao secretário-geral da ONU para informar, no próximo ano, sobre o progresso do Irão no cumprimento das suas obrigações no que respeita aos direitos humanos.

Tradução: Ivone Correia
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FONTE: UN vote registers "deep concern" over Iran's human rights violations (BWNS)