sábado, 30 de março de 2013

Paralelismos entre Jesus e o Báb

Num estudo dos martírios de Jesus e do Báb podemos encontrar vários paralelismos:
  • A idade do Báb e a duração da Sua missão são semelhantes à de Jesus.
  • Ambos foram sujeitos a julgamentos viciados cujas conclusões eram previsíveis.
  • O Báb foi morto na véspera do Ramadão; Jesus foi martirizado na véspera do Sabbath e durante a Páscoa pelas mesmas razões.
  • O Báb foi obrigado a desfilar pela cidade; Jesus foi aclamado na sua entrada em Jerusalém.
  • O Báb foi martirizado ao meio-dia; segundo o Evangelho de João, Jesus também foi levado a essa hora.
  • Ambos foram colocados acima do solo e tinham um companheiro de martírio a quem afirmaram irem para o Paraíso.
  • Bab instruiu os seus Discípulos a negar a sua Fé; muitos dos discípulos de Jesus fugiram e negaram-O para que a sua fé pudesse continuar.
  • Jesus e o Báb demonstraram um poder sobre o martírio que mostra que a sua morte foi voluntária.
  • Ambos foram trespassados por uma Arma (lança/espada).
  • Uma longa escuridão (e outros fenómenos naturais) seguiram-se às mortes de Jesus e do Báb.
  • Foram colocados guardas para vigiar os corpos de Jesus e do Báb para que os corpos não fossem roubados; mas nos dois casos não conseguiram cumprir a sua tarefa.

domingo, 24 de março de 2013

Capacitação: De quem? Com que meios? Para que fins?

Os conceitos de capacitação que opõem um grupo contra outro devem ser descartados em favor de uma nova visão, onde a transformação social é abordada como um empreendimento colectivo, no qual todas as pessoas podem participar.

Este é um dos principais temas de uma declaração apresentada pela Comunidade Internacional Bahá'í (BIC) para a recém-concluída Comissão da ONU sobre Desenvolvimento Social.

"O impulso para rectificar as desigualdades sociais é, sem dúvida, nobre, mas as dicotomias nós/eles apenas perpetuam e reforçam as divisões existentes", afirma a declaração, intitulada A capacitação como um mecanismo de transformação social.

"Uma cuidadosa atenção deve ser dada ao modo como a capacitação pode ser encarada enquanto empreendimento universal partilhado, e não algo em que os que" têm" conferem ao "não têm". Uma maneira de evitar esses extremos, é conceber a humanidade como um único organismo social, sugere a declaração.

"Implícito neste conceito estão características como a interdependência entre as partes e o todo, a indispensabilidade de colaboração, reciprocidade e ajuda mútua, a necessidade de diferenciar, mas também harmonizar os papéis, a necessidade de arranjos institucionais para facilitar em vez de oprimir, e a existência de um objectivo colectivo superior aos objectivos individuais de qualquer elemento constituinte. "

A declaração encontra-se entre as contribuições da BIC para Comissão deste ano, que se realizou em Fevereiro, e teve como tema prioritário a "capacitação de pessoas" no combate à pobreza, a integração social e o emprego pleno e decente.

A BIC patrocinou um painel de discussão sobre o tema. Entre os participantes estava a presidente da Comissão, Sewa Lamsal Adhikari, que afirmou que a capacitação é cada vez mais vista pela ONU como uma questão vital no tema da transformação social.

"A capacitação das pessoas está na raiz do desenvolvimento social", disse a Sra. Adhikari. "Está-se a tornar um dos principais factores que sustentam os esforços para atingirmos três objectivos centrais da Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social: Erradicação da pobreza, emprego pleno, produtivo e decente para todos, e integração social"

"Como tal, a capacitação é um meio para atingir os fins do desenvolvimento social". A Sra. Adhikari é Encarregada de Negócios da Missão Permanente do Nepal para as Nações Unidas.


Ming Hwee Chong, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, sugeriu que não foi por acaso que o tema tenha sido levado para o centro do palco dos debates sobre desenvolvimento social.

"É uma evolução natural das conversas sobre desenvolvimento", disse Chong, que moderou o painel. "É reflexo do que está acontecer em todo o mundo; é parte de uma expansão da consciência de quem somos, daquilo que é o nosso potencial, individualmente e colectivamente, como a raça humana."

Outros oradores do evento - intitulado "Capacitação: De quem? Com que meios? Para que fins?" - foram Rosa Kornfeld Matte (directora do Serviço Nacional do Idoso, no Chile) Corinne Woods, (diretora da Campanha do Milénio), e Yao Ngoran (Departamento da ONU de Assuntos Económicos e Sociais).

Um segundo painel de discussão promovido pela BIC em 8 de Fevereiro, intitulado "Capacitação em Acção", apresentou reflexões de profissionais de desenvolvimento de base.

Hou Sopheap, director executivo da Organização Cambojana de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação (CORDE), afirmou que a sua organização assume o "aprender fazendo" como abordagem que visa desenvolvimento de competências entre jovens, para que possam servir melhor as suas comunidades

A CORDE é uma organização de inspiração Bahá’í que oferece programas complementares de educação para mais de 3000 jovens no noroeste do Camboja. A CORDE encoraja os seus alunos a envolverem-se em actos de serviço nas comunidades de origem, além de trabalhos manuais. "Assim, tudo tem uma componente de estudo e de acção", acrescentou.

Judith Teresa Eligio-Martinez, coordenadora do programa da agência de inspiração Bahá’í, Associação Bayan nas Honduras, também declarou que o serviço está no centro do seu programa, que actualmente atinge cerca de 6000 alunos em idade do ensino secundário em 12 dos 18 departamentos das Honduras.

"Está assente na crença da capacidade do indivíduo para tomar decisões por si próprio, e para ajudar a desenvolver as capacidades dos três actores principais (do desenvolvimento da comunidade): o indivíduo, a comunidade e as instituições", afirmou Eligio-Martinez.

Desenvolvido na Colômbia por uma organização de inspiração Bahá’í, a FUNDAEC, o programa dá formação e coordena tutores baseados nas comunidades que, posteriormente, oferecem um ensino secundário adequado às áreas rurais.

"Nós consideramos o programa uma maneira criativa de obter educação, mas no seu centro está a ideia de serviço à humanidade e tornar o mundo um lugar melhor para viver, ao nível local, tanto quanto possível", disse Eligio-Martinez. "E assim, sentimos que estamos a contribuir para a capacitação."

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FONTE: BIC statement explores a new concept of empowerment (BWNS)

sexta-feira, 22 de março de 2013

No Ano Novo, Bahá'ís lembram "irmãos" perseguidos

Texto publicado ontem no blogue Actualidade Religiosa, de Filipe Avilez.
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Transcrição na íntegra da entrevista a Marco Oliveira, da comunidade Bahá’í de Portugal. Notícia original aqui.

Como é que surgiu o calendário Baha’í?
O calendário Baha’í inicia-se no dia 21 de Março. Coincide com o início da Primavera. É um calendário que se baseia no ano solar e tem 19 meses de 19 dias cada, e ainda alguns dias intercalares. Este mês que termina hoje, é de jejum, um mês de preparação para o ano novo em que vamos entrar.

Há aqui uma analogia com o que acontece no Cristianismo, com a Quaresma e com a Páscoa, há um período de preparação e depois um renascimento.

O ano novo é celebrado por todas as comunidades baha’í e em Portugal há diversas comemorações.

Mas não há também uma razão teológica?
Bahá'u'lláh era persa e na Pérsia o ano novo é sempre no 21 de Março e são essas raízes culturais que levaram a que se celebrasse o ano novo nesse dia.

Todas as comunidades celebram nesta altura, mas nalguns países há limitações à acção. Quais são os focos de maior preocupação? 
As zonas de maior preocupação são alguns países do médio-oriente, nomeadamente o Irão e o Egipto, onde os Baha’í vêem a sua actividade e até as suas vidas pessoais profundamente condicionadas devido a preconceito religioso. Naturalmente também nos lembramos desses crentes que estão a sofrer essas pressões.

No Egipto houve melhorias com a primavera árabe?
O Egipto é como uma panela de pressão que se abriu. Se se proporcionaram mais algumas liberdades aos cidadãos, essas liberdades foram aproveitadas para dar espaço a uma série de preconceitos contra os baha’í. Neste momento temos conhecimento de alguns grupos fundamentalistas que pedem que os baha’í sejam hostilizados de uma forma ainda mais ostensiva do que são actualmente.

Em Portugal como é a comunidade?
Em Portugal há cerca de 4000 baha’í, a maioria são portugueses. Costumo dizer que a comunidade é uma espécie de amostra da sociedade portuguesa, temos pessoas de todo o género, desde o engenheiro doutorado ao trabalhador das obras, os médicos e os universitários, os empresários e os desempregados, jovens e reformados. Temos pessoas de todos os extractos e grupos em Portugal. Também há algumas famílias de origem persa que surgiram sobretudo depois da revolução iraniana, que chegaram como refugiados e depois se instalaram em Portugal e que deram o seu contributo para o desenvolvimento da comunidade.

No seu caso particular, como chegou ao conhecimento da religião Baha’í?
Nasci numa família católica, os meus pais são católicos praticantes. Em 1984 conheci a fé baha’í, no Bairro dos Olivais, em Lisboa. Percebi que o meu barbeiro era baha’í e estava a falar dessa religião a outra pessoa. Achei interessante, entrei na conversa, coloquei questões, investiguei e passados cinco meses aceitei a fé baha’í. A família não gostou muito mas também não aceitou mal. A minha mãe disse que preferia ter um filho com alguma espiritualidade e sentido do divino e do sagrado, mesmo não sendo católico, que ter um filho que se diz católico mas na prática não seria nada disso.

É uma religião muito conhecida pela sua tolerância…
Exacto. O fundador encorajou-nos com as seguintes palavras: “Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de fraternidade e união”, é isso que tentamos fazer.

quinta-feira, 21 de março de 2013

RENASCENÇA: Comunidade Bahá’í entra hoje no ano 170



Começa hoje o ano 170 da Era Bahá’í, segundo o calendário utilizado pelos seguidores de Bahá'u'lláh, considerado um profeta.

A religião tem as suas raízes no Islão e, culturalmente, na Pérsia, de onde era originário o seu fundador. O dia 21 de Março é, nesta antiga cultura, a data em que se assinala a passagem de ano, que assim coincide com o início da Primavera.

Marco Oliveira, um português que segue esta fé, explica que com o começo do ano chega ao fim um mês de jejum, que se assemelha à Quaresma para os cristãos: “É um calendário que se baseia no ano solar e tem 19 meses de 19 dias cada, e ainda alguns dias intercalares. Este mês que termina foi de jejum, de preparação para o ano novo em que vamos entrar. Há aqui uma analogia com o que acontece no Cristianismo, com a Quaresma e com a Páscoa, há um período de preparação e depois um renascimento.”

A data é, portanto, de celebração, o que vai acontecer em Portugal mas noutros países vai ser mais comedido: “As zonas de maior preocupação são alguns países do médio-oriente, nomeadamente o Irão e o Egipto, onde os Bahá’í vêem a sua actividade e até as suas vidas pessoais profundamente condicionadas devido a preconceito religioso. Naturalmente também nos lembramos desses crentes que estão a sofrer essas pressões”, diz Marco Oliveira.

A comunidade portuguesa é relativamente recente e composta por cerca de 4.000 pessoas, a maioria dos quais portugueses: “Costumo dizer que a comunidade é uma espécie de amostra da sociedade portuguesa, temos pessoas de todo o género, desde o engenheiro doutorado ao trabalhador das obras, os médicos e os universitários, os empresários e os desempregados, jovens e reformados.”

“Temos pessoas de todos os extractos e grupos em Portugal. Também há algumas famílias de origem persa que surgiram sobretudo depois da revolução iraniana, que chegaram como refugiados e depois se instalaram em Portugal e que deram o seu contributo para o desenvolvimento da comunidade”, explica Marco Oliveira.

A religião, cujo membro português mais famoso será Nelson Évora, é conhecida pela tolerância e abertura ao diálogo: “O nosso fundador encorajou-nos com as seguintes palavras: ‘Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de fraternidade e união’, é isso que tentamos fazer.”

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Fonte: Comunidade Bahá’í entra hoje no ano 170 (Rádio Renascença)

Naw Ruz Greeting from ُEgypt 21 march 2013 عيد نيروز سعيد من ام الدنيا

segunda-feira, 18 de março de 2013

O poder da religião

Texto de Ana Campos, publicado no jornal Expresso, 15 de Março de 2013 
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 Poderá uma determinada religião ser um obstáculo ou um incentivo ao desenvolvimento socioeconómico?

Estudos demonstram que as religiões preponderantes nos países desenvolvidos acreditam que os indivíduos podem controlar relativamente o seu destino, contribuindo assim para o seu desenvolvimento. Ao contrário, as religiões que promovem a resignação, atribuindo ao indivíduo um papel irrelevante no seu próprio destino, demonstram um subdesenvolvimento da sociedade onde estão inseridas.

Não se trata de classificar uma religião como sendo melhor ou superior a outra, mas os valores de cada uma influenciam fortemente toda a sociedade independentemente de se ser crente ou não crente dessa religião ou de nenhuma. As pessoas comportam-se de maneira diferente perante os mesmos estímulos económicos ou na falta deles. Atitudes negativas ou positivas perante o progresso material, direitos humanos, valor da vida são transmitidos de diferente maneira por cada religião, sendo que cada uma tem o seu próprio conceito relativamente a cada assunto. As diferenças também se encontram na maior importância que se dá aos fins ou aos meios para se atingir esses fins. Se a prioridade está no presente ou no futuro.

Obviamente que as culturas mudam constantemente, mesmo que seja lentamente, e as religiões tentam adaptar-se mantendo a continuidade dos seus valores e tradições na sociedade. Um determinado país que pretende o seu próprio desenvolvimento socioeconómico não deve renunciar nunca aos seus valores no engano de que assim o vai conseguir. É importante ouvir o que os outros têm a dizer mas é fundamental que se tenha a noção de que também temos algo importante a dizer e a transmitir aos outros. É tudo uma questão de perspetivas. As culturas não têm de ser renunciadas para se copiar outras, têm de ser reinventadas respeitando os seus próprios valores para a promoção do desenvolvimento social e económico.

domingo, 17 de março de 2013

A torre Azadi


A torre Azadi (“Liberdade”), um ex-libris de Teerão, concebida em 1966 pelo arquitecto Bahá’í Hossein Amanat.

Hossein teve que fugir do Irão quando o governo islâmico rotulou os seguidores da religião Bahá’í como “infiéis sem protecção”. Hoje, Hossein vive no Canadá.

Oxalá um dia os iranianos possam celebrar a verdadeira liberdade junto desta torre.

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Sobre este assunto, recomendo: A trip to Iran (The Atlantic)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Francisco I

Um dos aspectos curiosos da Epístola de Bahá'u'lláh ao Papa é que além de anunciar a ser o novo Manifestante de Deus, Ele indica ao Papa como deve cumprir a sua missão.


Ó Papa! Rasga os véus. Aquele que é o Senhor dos Senhores veio envolto em nuvens, e o decreto foi cumprido por Deus, o Todo-Poderoso, o Irrestrito... Ele, em verdade, desceu outra vez do Céu, assim como dali desceu na primeira vez. Acautela-te para não disputar com Ele tal como fizeram os fariseus com Ele (Jesus), sem um sinal ou prova clara. À Sua direita fluem as águas vivas da graça, e à Sua esquerda o Vinho selecto da justiça, enquanto antes dele marcham os anjos do Paraíso, segurando os estandartes dos Seus sinais. Acautela-te para que nenhum nome te exclua de Deus, o Criador da terra e do céu. Deixa o mundo atrás de ti, e volve-te para o teu Senhor, através de qual toda a terra foi iluminada... Resides em palácios enquanto Aquele que é o Rei da Revelação vive na mais desolada das moradas? Abandona-os àqueles que os desejam, e volve a tua face com júbilo e deleite para o Reino... Levanta-te em nome do teu Senhor, o Deus de Misericórdia, entre os povos da terra, e segura no Cálice da Vida com as mãos da confiança e primeiro bebe dele, e oferece-o depois a todos os que a ele se voltaram entre os povos de todas as crenças...
Bahá'u'lláh, Epístola ao Papa Pio IX

terça-feira, 12 de março de 2013

Deputado Brasileiro em defesa dos Bahá'ís do Irão

Intervenção do deputado brasileiro Walter Feldman (PSDB-SP) na Camara dos Deputados em Brasília, no dia 06 de Março de 2013:
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Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, hoje venho informar o lançamento do novo relatório especial da Comunidade Internacional Bahá’í intitulado “Violência e Impunidade: atos da agressão contra a comunidade bahá'í no Irã”.

O documento de 48 páginas que está sendo lançado hoje,6 de março, registra a escalada de violência direcionada contra a comunidade bahá’í iraniana e o grau de impunidade que garante que que perpetradores permaneçam livres de processos ou punições.

Sua relevância não pode deixar de ser considerada tendo em vista as várias vezes que esta Casa presenciou relatos de graves violações de direitos humanos na República Islâmica do Irã. O documento é uma prova absoluta de que atos completamente contrários à cultura de paz são frequentes naquele país.

Durante o período de 2005 até o final de 2012, a Comunidade Internacional Bahá’í registrou 52 casos em que bahá’í foram torturados ou mantidos em confinamento solitário enquanto se encontravam detidos. Outros 52 incidentes em que bahá’ís foram fisicamente agredidos – algumas vezes nas mãos de agentes de governo e outras nas de agressores à paisana ou não identificados – também foram registrados, assim como outros 49 incidentes de ataques incendiários contra residências e lojas, mais de 30 casos de vandalismo e pelo menos 42 incidentes de destruição de cemitérios.

Ainda assim, em nenhum desses incidentes, houve processo pelos crimes.

Portanto, quero também chamar atenção para um momento decisório em que a humanidade se encontra. Na próxima semana acontecerá na 22ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a votação do projeto de resolução que definirá a renovação ou não do mandato do Relator Especial para as questões de direitos humanos no Irã, o Senhor Ahmed Shaheed.

Como parlamentar brasileiro e defensor de direitos humanos, considero essencial que o Brasil vote a favor deste projeto de resolução. É essencial, diante dos ideais democráticos defendidos pela nação brasileira, que o Brasil se manifeste a favor da renovação deste mandato e se atente para as questões que serão levantadas no relatório do Relator Especial, que deve ser apresentado no próximo dia 11.

O Brasil, como membro atual do Conselho de Direitos Humanos da ONU tem aqui mais elementos para sustentar seu apoio ao Relator Especial sobre direitos humanos no Irã.

Na confiança de que meus Nobres colegas aqui presentes tenham o mesmo interesse de resolução de conflitos, espero que todos e todas roguem para que o Brasil assuma uma postura favorável à justiça e aos direitos humanos no Irã. Convido os parlamentares aqui presentes para que façam o seu papel para concretizar o direito de acesso à justiça e para que a violação de direitos humanos sofrida pelos cidadãos da humanidade seja freada.

Era o que tinha a dizer.
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FONTE: Deputado Walter Feldman, 06 de março de 2013

domingo, 10 de março de 2013

Quatro adolescentes Bahá’ís detidos e interrogados

Numa atitude sem precedentes, agentes do Ministério da Informação na cidade iraniana de Semnan, prenderam quatro jovens estudantes Bahá’ís, sem conhecimento das respectivas famílias. Os agentes deslocaram-se a duas escolas secundárias, interromperam as aulas e levaram os jovens (Sina Fena'ayan, Armin Allah Vardi, Ramin Amiri e Yunes Hanjani) para a sede dos serviços do Ministério naquela cidade.

Os agentes interrogaram os adolescentes durante várias horas; foram ameaçados e encorajados a trabalhar como informadores das autoridades. A todos foi perguntado o que sabiam sobre Ardeshir Fenaeyan (um outro Bahá’í de Semnan, detido em 12 de Fevereiro)

As famílias apenas perceberam que se passavam algo de errado quando os jovens não regressaram a casa. Dirigiram-se à escola e, só após muita insistência, o director os informou sobre o sucedido.

Após o interrogatório, os adolescentes foram libertados.

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Sobre este assunto:
Unprecedented arrest of Baha’i students without their families’ knowledge
Four Baha'i high school students arrested
Four Bahai school children arrested in Semnan


quarta-feira, 6 de março de 2013

Violência com Impunidade

Actos de Agressão contra a Comunidade Bahá'í do Irão

Num relatório divulgado hoje em Genebra, a Comunidade Internacional Bahá’í documenta centenas de incidentes - que incluem tortura, agressão física, fogo posto, vandalismo, profanação de cemitérios e do abuso contra crianças em escolas - dirigidos contra a Comunidade Bahá'í do Irão desde 2005 - tudo realizado com impunidade absoluta dos atacantes.

"Toda a situação coloca os Bahá'ís numa posição impossível, porque apenas podem pedir justiça e protecção às mesmas autoridades que sistematicamente incitam ao ódio contra eles e a um sistema judicial que trata praticamente todos os Bahá’ís detidos como inimigos do Estado ", disse Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas em Genebra.

"Este relatório mostra que os ataques contra os Bahá’ís são engendrados por agentes do governo e activamente encorajados por autoridades e pelo clero xiita iraniano - e que os agressores estão bem conscientes que continuarão impunes", acrescentou a Sra. Ala'i.

Intitulado "Violência com Impunidade: Actos de Agressão contra a Comunidade Bahá'í do Irão", o relatório de 45 páginas apresenta casos de estudos e estatísticas que evidenciam uma crescente onda de violência contra os Bahá’ís - e a completa ausência de punição para os atacantes.

Centrando-se num período de sete anos (2005-2012), o relatório declara que houve pelo menos 52 casos em que Bahá'ís foram torturados ou mantidos em prisão solitária durante a detenção. De igual forma, documenta outros incidentes em que 52 Bahá'ís foram agredidos fisicamente, por funcionários governamentais (alguns à paisana) ou por ou atacantes não identificados.

O relatório também descreve 49 actos de fogo posto contra residências e estabelecimentos comerciais pertencentes a Bahá’ís, e 42 casos de profanação do cemitério. Também se registaram 30 casos de vandalismo contra propriedades Bahá'ís, mais de 200 casos de ameaças, e cerca de 300 incidentes de abuso contra crianças em escolas.


"Muitos dos ataques documentados no relatório - como os casos de tortura ou agressão na prisão - são realizados directamente por agentes do governo", disse a Ala'i. "Outros ataques, tais como incêndio, profanação do cemitério, e vandalismo, ocorrem a meio da noite, por indivíduos não identificados.

"Mas em todos os casos, esses agressores devem ser levados à justiça, como é exigido pelas leis internacionais de que o Irão é signatário. A falta de vontade do Governo para julgar esses crimes é mais um elemento da sua campanha global de perseguição religiosa contra a minoria Bahá’í ", acrescentou Ala'i.

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FONTE: Increasing violence against Iranian Baha'is engineered by government (BWNS)
RELATORIO: Violence with Impunity: Acts of aggression against Iran's Baha'i community 

domingo, 3 de março de 2013

Press TV, em Lisboa



Acho normal que a Press TV (um canal de TV financiado pelo regime iraniano) faça uma reportagem sobre a manifestação que ontem tivemos em Lisboa. É bom que dediquem algum tempo de emissão aos problemas que existem em Portugal.

Mas melhor ainda era se dedicassem ao problema dos Bahá’ís no Irão o mesmo tempo e preocupação que dedicam aos problemas que existem em Portugal.

E de preferência com isenção!

sábado, 2 de março de 2013

Bahá'í mothers in Iran



Os responsáveis por esta situação:
Ali Khamenei: Lider Supremo do Irão
Sadeq Larijani: Chefe do Sistema Judicial Iraniano
Heydar Asiabi: Procurador-Geral na cidade de Semnan

sexta-feira, 1 de março de 2013

A liberdade que definha para os Bahá'ís no Irão

Por Winston Nagan, professor de Direito e Director-Fundador do Instituto de Direitos Humanos e Desenvolvimento para a Paz na Universidade da Flórida, e ex-presidente do conselho de administração da Amnistia Internacional dos EUA (1989-91).

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Imagine viver em Semnan, no Irão, uma cidade a cerca de 120 quilómetros a leste de Teerão, onde as minorias religiosas têm sido particularmente perseguidas pelo governo. Aí, mais de uma dúzia de empresas pertencentes aos membros da sua comunidade de fé foram encerradas nos últimos três anos. Prisões, convocações para interrogatórios e detenções curtas e prolongadas são a norma. Como membro da Fé Bahá’í, a maior minoria religiosa não-muçulmana no Irão, você está acostumado à insegurança. No entanto, agora você é uma mãe com um bebé em casa e a preocupação torna-se ainda maior porque o seu pior pesadelo tornou-se realidade.

Mas isto não é a sua imaginação. Esta é a realidade para os Bahá’ís no Irão. A Freedom House, uma organização de monitorização da liberdade religiosa, reportou que três mães pela primeira vez - a Sra. Zohreh Nikayin, a Sra. Taraneh Torabi, e a Sra. Neda Majidi - foram presas no país por serem Bahá’ís. Cada uma está na prisão juntamente com o seu bebé de menos de um ano. Também vi relatórios que indicam que, desde Setembro de 2012, ao filho da Sra. Nikayin, Resam, contraiu uma infecção intestinal e desenvolveu um problema no ouvido, foi receitado um medicamento e ordenado o regresso à prisão; o filho da Sra. Torabi, Barman, contraiu uma doença pulmonar e foi hospitalizado. A Sra. Majidi tem estado na prisão com seu bebé desde Dezembro de 2012. Nos últimos meses, tivemos conhecimento de vagas de prisões de Bahá'ís e encerramentos de estabelecimentos comerciais em diversas cidades do Irão, e mais recentemente, em Gorgan e Hamadan.

O que poderia motivar o Estado a cometer tão flagrantes violações das normas internacionais ao decretar a prisão de crianças? Terá preconceito religioso ido tão longe ao ponto de eliminar qualquer sentimento de empatia, ou, neste caso, vergonha?

Historicamente, os abusos de direitos humanos no Irão têm sido acompanhados de perto pelo governo dos EUA e pela comunidade internacional, e este ano não é diferente. A sessão extraordinária do Congresso no dia de Ano Novo trouxe algum alívio emocional para as famílias americanas com familiares no Irão e outros que se preocupam com as perseguições religiosas naquele país, quando a Câmara dos Representantes aprovou a Resolução 134. Esta destaca e condena os abusos contra os direitos humanos cometidos pelo governo do Irão, em particular contra a comunidade Bahá’í.

Mulheres na Prisão de Evin
Na sua declaração de apoio na véspera de Ano Novo no plenário da Câmara, a presidente cessante da Comissão de Assuntos Estrangeiros, Ileana Ros-Lehtinen, acrescentou que a resolução "insta o Presidente e o Secretário de Estado a usar as medidas já promulgadas na lei da Comprehensive Iran Sanctions, Accountability, and Divestment Act of 2010 para sancionar funcionários iranianos responsáveis por violações dos direitos humanos contra os Bahá'ís e outros". E acrescentou: "Eu sou uma co-autora dessa legislação, e essas medidas não estão lá para simples exibição. Elas estão lá para punir os responsáveis por esses crimes, e impedir futuras violações dos direitos humanos. "Numa altura em que profundas tensões partidárias têm sido a norma na Câmara, foi notável o facto desta resolução, apresentado pelo deputado Robert Dold (R-Ill.), ter recebido 78 republicanos e 68 democratas como co-patrocinadores antes de ser posta à votação.

Apenas 12 dias antes da aprovação da Resolução 134, em 20 de Dezembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução onde levanta uma série de preocupações sobre direitos humanos no Irão, incluindo, entre outras, a "crescente perseguição e violações dos direitos humanos contra pessoas pertencentes a minorias religiosas não reconhecidas, especialmente membros da Fé Bahá’í e seus defensores, incluindo ataques crescentes, um aumento no número de prisões e detenções, e a restrição de acesso ao ensino superior por motivos religiosos."

Esta resolução acrescenta a necessidade de "eliminar a criminalização dos esforços para proporcionar educação superior aos jovens Bahá’ís a quem é negado o acesso às universidades iranianas" e "para libertar os sete dirigentes Bahá'ís detidos desde 2008, e para conceder todos os Bahá'ís, incluindo aqueles que estão presos devido às suas crenças, a plena aplicação da lei e os direitos que estão garantidos constitucionalmente."

Identificar, envergonhar e sancionar os autores individuais de flagrantes violações dos direitos humanos tornou-se, nos últimos anos, uma forma popular de por fim à impunidade. Se este ano revelará maior uso deste meio para mitigar o sofrimento dos Bahá’ís, Cristãos, Sufis e Sunitas do Irão, e tantos outros que sofrem o abuso é uma questão que o governo dos EUA e a comunidade internacional terão de considerar. Enquanto isso, a resolução 134 e a resolução recente da ONU lançam uma luz brilhante sobre as violações dos direitos humanos pelo governo iraniano de direitos e levam esperança para as Sras. Nikayin, Torabi e Majidi, e para seus filhos.

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Texto original em inglês: Freedom languishes for Baha’is in Iran