domingo, 30 de junho de 2013
Os Anos em Bagdade
Um extenso relato do período em que Bahá'u'lláh esteve exilado em Bagdade (1853-1863), que na época era uma capital provincial do Império Otomano. As circunstâncias da revelação de diversos livros e epístolas, as actividades de crentes e inimigos, e a declaração da Sua Missão no jardim de Ridvan são os principais tópicos deste livro.
A reler nestes dias.
Para quem preferir, existe uma tradução brasileira deste livro.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Destruição da Casa de Bahá'u'lláh, em Bagdade
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| Aspecto da Casa de Bahá'u'lláh, em Bagdade |
O edifício em causa (cuja foto publiquei recentemente neste blog) era conhecido como “A Mais Grandiosa Casa” (Bayt-i-A'zam) e “A Casa de Deus”. Foi residência de Bahá'u'lláh entre 1853 e 1863 (com excepção de dois anos em que Ele esteve retirado perto da cidade de Sulaymaniyah). A Casa situava-se no distrito Kadhimiya, na margem ocidental do rio Tigre.
No Kitab-i-Aqdas, Bahá'u'lláh designara esta Casa em Bagdade e a Casa do Báb, em Shiraz (Irão), como locais de peregrinação. Durante o exílio em Edirne, Bahá'u'lláh revelou duas epístolas (Suriy-i-Hajj) onde descreve os rituais a seguir em cada uma destas peregrinações. Décadas mais tarde, 'Abdu'l-Bahá também designaria o Santuário de Bahá'u'lláh, na Terra Santa, como local de peregrinação.
Em 1922, a Casa de Bagdade foi confiscada por autoridades xiitas, hostis à Fé Bahá’í. A Liga das Nações apoiou uma reclamação apresentada pela Comunidade Bahá’í, mas o edifício nunca mais foi devolvido. Há alguns anos atrás, ficámos a saber que o edifício se encontrava em boas condições (tinha sofrido diversas obras de restauro) e era usada como hospedaria para peregrinos xiitas.
A destruição da Mais Grandiosa Casa recorda-me umas palavras de Bahá'u'lláh:
"Não lamentes, ó Casa de Deus, se o véu da tua santidade for rasgado pelos infiéis. Deus adornou-te no mundo da criação, com a jóia da Sua lembrança. Esse ornamento jamais poder ser profanado por homem algum. Para ti dirigem-se, sob todas as condições, os olhos do teu Senhor. Ele, em verdade, dará ouvidos à oração de todo aquele que te visitar, que circular ao teu redor e O invocar em teu nome. Ele verdadeiramente, é o Perdoador, o Todo Misericordioso” (Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh - LVII)---------------------------------------------------------
Sobre este assunto:
The House of Bahá’u’lláh, Baghdád ‘Iráq
Bahá'í pilgrimage
domingo, 23 de junho de 2013
A Face do Terror Budista
A edição mais recente da revista Time apresenta na sua capa a foto de um monge budista e o título: A Face do Terror Budista. O monge em causa é birmanês, chama-se U Wirathu e é o líder espiritual do Movimento Nacionalista Budista 969 de Myanmar (a antiga Birmânia). Os seus incitamentos ao ódio contra a minoria muçulmana valeram-se o título de “Bin-Laden Birmanês”.
Para muitas pessoas não pode deixar de ser surpreendente que a religião fundada por Siddhartha Gautama - o Buda - há 2500 anos e cujo nome é sinónimo de não-violência e bondade possa ser base de desenvolvimento de movimentos extremistas religiosos.
Nos anos mais recentes, os budistas ganharam grande popularidade e simpatia no mundo ocidental: na década de 1960, um monge budista vietnamita imolou-se em protesto contra o regime ditatorial do Vietname do Sul; em 2007 os monges budistas birmaneses lideraram uma tentativa de democratização da Birmânia; e em todas as livrarias podemos encontrar livros sobre o Dalai Lama, alguns deles bastante interessantes.
Toda a religião se pode corromper. Os seus valores podem ser envenenados por ideias contrárias aos seus princípios. O que devia ser um instrumento de amor, pode transformar-se num instrumento de ódio.
O Budismo não está imune a estes problemas.
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A LER:
The Face of Buddhist Terror (TIME) (link alternativo)
Straying From the Middle Way: Extremist Buddhist Monks Target Religious Minorities (TIME)
Is Time magazine's Wirathu the face of Buddhist terrorism in Burma? (The Telegraph, Australia)
Extremist Myanmar monk lashes out at Time after being called Buddhism’s ‘face of terror’ (Washington Post)
Monks, Journalists decry Time Magazine’s cover portrayal ofU Wirathu as Buddhist terrorist (Eleven, Myanmar)
segunda-feira, 17 de junho de 2013
O que significa a eleição de Hassan Rouhani
Vai ser difícil para o presidente eleito instituir uma verdadeira mudança sob o olhar do Líder Supremo Ali Khamenei, que comanda a sua própria unidade da Guarda Revolucionária e tem poder para anular os decretos presidenciais. Os problemas que perpetuam a discriminação e perseguição contra as minorias étnicas e religiosas no Irão estão enraizados e será difícil para Rouhani ultrapassá-los, especialmente porque os conservadores e a linha-dura controlam todos os sectores religiosos, parlamentares e governamentais. Rouhani vai ter muita dificuldade para impor a sua agenda "moderada".
Recordemos que foi sob a liderança de Ahmadinejed que o Irão testemunhou um aumento da repressão contra grupos minoritários e ataques contra activistas, jornalistas e académicos, em particular os Bahá’ís. Os próximos anos de Rouhani serão interessantes, mesmo que sejam ineficazes, e vale a pena estudar a sua postura para com as minorias étnicas e religiosas. O problema, porém, é que Rouhani não disse muito sobre o tema, com excepção do seguinte:
"Eu não estabeleço diferenças entre os artigos 3,15, 19 e 22 da Constituição Iraniana. A nação iraniana é um povo e quem estabelece diferenças entre curdos, turcos, baluchis, turcomanos, árabes e persas não é um iraniano "É uma observação vaga, uma tímida afirmação diplomática. É provável que os Bahá'ís do Irão - ou qualquer das minorias iranianas - não vejam qualquer acção forte de Rouhani em sua defesa; mas talvez possam ver uma redução da perseguição contra as suas comunidades. O Irão pode ter eleições, mas isso não significa que seja democrático - o teste decisivo para a democracia é a igualdade de direitos de todos os cidadãos, incluindo as minorias.
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FONTE: What Does Hassan Rouhani, Iran’s New Reformist Leader, Mean For Baha’is in Iran? (MNBR)
sábado, 15 de junho de 2013
EURONEWS: Sobhan, a Baha'i Iranian refugee
When I was in school, we had religious courses, and our teacher was saying Islam is the best religion in the world. And other religions are completely wrong and you cannot go by their rules. So as a baha'i child, I was thinking that maybe there was something wrong with me.Maybe my family is saying wrong things to me. Or maybe school teaching something wrong.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Compreender a vida e o mundo
Ao longo da história, homens e mulheres desenvolveram muitas e diversificadas visões do mundo, concepções muito diferentes do que significa a vida no mundo, sobre quais são os problemas humanos fundamentais, e como podemos solucionar esses problemas. Cada grande civilização, e mesmo cada tribo, desenvolveu um ou mais modelos (ou imagens) conceptuais para compreender, interpretar e orientar a vida humana; e os seres humanos moldaram (e readaptaram) as suas vidas, instituições, valores e práticas de acordo com essas várias visões da realidade e dos humanos. É das visões primordiais deste tipo que nasceram as diferentes tradições religiosas. Nas suas práticas, instituições e rituais religiosos, os humanos descobriram orientação para a vida, encontraram uma interpretação sobre o significado da existência humana e a forma como deve ser vivida. Ou podemos dizer ainda, que foi a sua busca por orientação na vida, a sua tentativa de alcançar um entendimento sobre a existência humana e a forma como deve ser vivida, que os humanos criaram e desenvolveram as várias tradições religiosas, dando assim vida aos diversos significados que hoje temos.
Religious Diversity, Historical Consciousness and Christian Theology in The Myth of Christian Uniqueness, p. 7
sábado, 8 de junho de 2013
Bases para uma Cristologia Bahá'í
O texto que se segue é uma tradução do post A Basic Bahá’í Christology, de Hankownings, publicado no blog A Rational Faith. O conteúdo do texto servirá certamente de base a muitas conversas e debates.
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Compreender a pessoa de Jesus Cristo e o seu significado Divino é importante não só para a sua posição teológica na Fé Bahá'í, mas também porque a linguagem usada para ligar o aspecto humano de Cristo com o Seu aspecto Divino tem implicações sociais. Por exemplo, tal como escrevi num post anterior, a masculinidade de Cristo é considerada como parte da sua "identidade essencial" na doutrina Católica, na medida em é usada para negar às mulheres o acesso ao sacerdócio. Outro exemplo: James Cone afirma que "Jesus é negro" na análise dos relatos dos Evangelhos, que descrevem que Jesus e Deus estão do lado dos oprimidos, notando que Jesus pertencia a uma minoria judaica na Palestina romana e que subverteu os valores culturais judaicos e romanos.
A fim de chegar a uma cristologia social básica, precisamos de examinar a linguagem usada para descrever e explicar Cristo nas Escrituras Bahá'ís. Excluindo-se as muitas passagens em que "Cristo" é uma metonímia para o Cristianismo, as que lidam com o significado teológico da sua divindade e da sua morte (que eu abordei noutras ocasiões), e as que simplesmente o citam como orador, as seguintes passagens revelam algo sobre a natureza e pessoa de Cristo. Nota: de maneira nenhuma isto é uma lista exaustiva, especialmente porque 'Abdu'l-Bahá fez centenas de referências a Cristo.
Nas Escrituras do Báb:
Nas Escrituras de Bahá'u'lláh:
Nas Escrituras de 'Abdu'l-Bahá:
Nos escritos de Shoghi Effendi:
Assim, pode-se afirmar que, para os Bahá’ís, o relato do Evangelho reflecte Jesus tal como entendido no contexto da Revelação Bahá'í - que também aceita o Alcorão. Então, o que é que revela sobre a nossa compreensão de Cristo e da Revelação que nos separa do Cristianismo contemporâneo? Embora existam diferenças teológicas óbvias, aqui estou principalmente preocupado com as implicações sociais.
Primeiro, afirmo que a revelação Bahá'í pode interpretar-se a si própria - e com isso pretendo dizer que podemos usar conceitos em certas passagens para interpretar outras passagens. Uma vez que a Fé proclama uma genuína igualdade social, além de igualdade ontológica entre todos os seres humanos, independentemente da sua identidade ('Abdu'l-Bahá: Philadelphia Talk, 9 de junho de 1912), podemos afirmar que a cristologia Bahá'í não faz da masculinidade de Cristo a parte essencial de seu ser "Cristo". Penso que isto está ainda mais patente em diversos autores Bahá'ís que usam apenas os títulos masculinos "Filho" e "Filho de Maria" para se referir à sua humanidade na sua essência e ao seu género na circunstância. Por outro lado, a Fé não condiciona a posição do Manifestante ao sexo masculino; apesar de todos os Manifestantes conhecidos até hoje terem sido homens, isso não limita necessariamente todos os futuros Manifestantes a serem do sexo masculino, e Deus tem capacidade para nomear uma mulher como Manifestante (Bahá'u'lláh, Súriy-i-Vafa). Por estes motivos, não acho que seja possível fazer declarações ou apoiar argumentos teológicos de discriminação de género baseadas na figura de Cristo.
Em termos de raça, Jesus é reconhecido como um Judeu, mas em oposição à elite judaica e aparentemente sem poder. Ele é, portanto, uma minoria face à cultura dominante dos romanos, assim como uma minoria dentro de sua própria cultura judaica. Apesar disso, somos informados de que, como um reflexo do poder de Deus e da "Quinta-essência de Fé", ele tem pleno poder espiritual. Creio que isto subscreve pelo menos uma afirmação fundamental da teologia da libertação de Cone, de que Deus, em Cristo - na perspectiva Bahá'í - parece ser um Deus que favorece os pobres, os fracos e os oprimidos.
Além da Cristologia de género e racial, a principal representação de Cristo é aquele que subscreve a unidade. Ele é uma personalidade sagrada que morre tanto para redenção individual como para a união das pessoas. Apesar de Shoghi Effendi esclarecer que a mensagem de Cristo não inclui um imperativo da Unidade Mundial - tal como a mensagem Bahá'í - 'Abdu'l-Bahá ainda afirma que a mensagem de Cristo transcendeu o contexto e uniu com linhas religiosas os povos europeus culturalmente distintos. Obviamente, esta não era uma unidade completa ou permanente, pois tanto cismas religiosos como separações políticas dividiram a Europa várias vezes; mas chegou a um ponto onde todas as potências europeias professavam Cristo e as virtudes cristãos eram padrão de vida. Neste sentido, a cristologia Bahá'í ignora a identidade específica de Cristo e foca-se nas qualidades da sua personalidade que levam à unidade - qualidades que os Bahá’ís acreditam que ambos os sexos e todas as raças devem cultivar como a paz, misericórdia e compaixão. É neste quadro que os Bahá’ís vêem Jesus Cristo, no Novo Testamento e no Alcorão.
Assim, o Cristo Bahá'í - pelo menos do meu ponto de vista limitado - serve melhor como um ponto de partida para debates sobre Teologia Feminista e Teologia da Libertação do que o Cristo tradicional do Cristianismo, na medida em que temos acesso directo a um Cristo livre de limitações contextuais de género ou raça, e também porque - como Shoghi Effendi reconhece - não contem um Cristo enterrado sob a tradição cristã.
No entanto, não creio que tudo isto represente uma análise completa ou adequada de uma "Cristologia" Bahá'í, mas servirá como uma introdução geral ao debate e representa uma lista que poderei usar em posts futuros. Além disso, acho que a Fé Bahá'í fica mais beneficiada por uma "Teologia da Manifestação" - uma espécie de Cristologia comparativa que analisa não apenas Jesus, mas também Maomé, Bahá'u'lláh, Moisés, e os outros. O Kitab-i-Íqán fornece um exemplo básico disso. No Cristianismo, a Cristologia serve não só para articular a crença propriamente dita, mas também explicar Deus a uma audiência humana - o que na Fé Bahá'í se realiza melhor através dos Manifestantes, sem um foco exclusivo num deles. Enquanto o Cristianismo se concentra exclusivamente sobre a figura de Cristo, os Bahá'ís têm nove Manifestantes cujas vidas e contexto social fornecem as bases para formulações teológicas.
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Compreender a pessoa de Jesus Cristo e o seu significado Divino é importante não só para a sua posição teológica na Fé Bahá'í, mas também porque a linguagem usada para ligar o aspecto humano de Cristo com o Seu aspecto Divino tem implicações sociais. Por exemplo, tal como escrevi num post anterior, a masculinidade de Cristo é considerada como parte da sua "identidade essencial" na doutrina Católica, na medida em é usada para negar às mulheres o acesso ao sacerdócio. Outro exemplo: James Cone afirma que "Jesus é negro" na análise dos relatos dos Evangelhos, que descrevem que Jesus e Deus estão do lado dos oprimidos, notando que Jesus pertencia a uma minoria judaica na Palestina romana e que subverteu os valores culturais judaicos e romanos.
A fim de chegar a uma cristologia social básica, precisamos de examinar a linguagem usada para descrever e explicar Cristo nas Escrituras Bahá'ís. Excluindo-se as muitas passagens em que "Cristo" é uma metonímia para o Cristianismo, as que lidam com o significado teológico da sua divindade e da sua morte (que eu abordei noutras ocasiões), e as que simplesmente o citam como orador, as seguintes passagens revelam algo sobre a natureza e pessoa de Cristo. Nota: de maneira nenhuma isto é uma lista exaustiva, especialmente porque 'Abdu'l-Bahá fez centenas de referências a Cristo.
Nas Escrituras do Báb:
- Cristo encarna "O Verbo", é o filho de Maria, não é um "terceiro de três", e não é, em essência, igual a Deus (Qayyúmu'l-Asmá)
Nas Escrituras de Bahá'u'lláh:
- "Aquele que ajudámos com o Espírito Santo" (Proclamação de Bahá'u'lláh)
- "O Espírito de Deus" [Também um nome de Cristo usado no Alcorão] (Proclamação de Bahá'u'lláh)
- "Filho de Maria", "O Filho", "Manifestante do Todo-Misericordioso", "Quinta-essência da Fé " (Chamamento do Senhor dos Exércitos)
- "Posteriormente, com a aprovação de Annas, o mais erudito dos teólogos do seu tempo, e Caifás, o sumo-sacerdote, a Sua bendita pessoa sofreu o que a pena tem vergonha de mencionar e é incapaz de descrever. O mundo inteiro com toda a sua imensidão já não conseguia mantê-lo, até que finalmente Deus o elevou ao céu." (Chamamento do Senhor dos Exércitos)
- Era aguardado ansiosamente pelos judeus, mas foi rejeitado pelos seus sábios (Selecções, XXXV)
- "Aquele com quem os doutores judeus discutiram" (Epístola ao Filho do Lobo)
- "Aquele que não casou" (Epístola ao Filho do Lobo)
- "Sua santidade" (Epístola ao Filho do Lobo)
- Foi-lhe negado um lugar de descanso; resistiu (Epístola ao Filho do Lobo)
- "Veio com soberania e poder" (Chamamento do Senhor dos Exércitos)
- "A fragrância da Sua vinda foi libertada sobre eles e a Sua beleza foi revelada" (Chamamento do Senhor dos Exércitos)
- "Foi sacrificado como redenção pelos pecados e iniquidades de todos os povos da terra" - o que Cristo quis e pediu (Selecções, XXXII)
- "Infundiu toda a criação com uma nova capacidade", "derramou o esplendor da Sua glória sobre todas as coisas criadas" (Selecções, XXXVI).
- Realizou os milagres de conduzir os descrentes à fé (Selecções, XXXVI)
- Rejeitado pelos dirigentes judeus, sofreu, manteve a sua posição em "paz", exteriormente parecia fraco, interiormente estava cheio de Poder Divino - um verdadeiro "Rei" - enfrentou esses terríveis "inimigos" que levaram à sua morte (Kitab-i-Íqán)
- Era capaz de "perceber pensamentos," podia "perdoar os pecados" (Kitab-I-Íqán)
- Podemos deduzir através das várias referências que Bahá'u'lláh aprovava o Evangelho de João; o Kitab-i-Íqán também afirma a validade espiritual da narrativa cristã.
Nas Escrituras de 'Abdu'l-Bahá:
- Cumpriu espiritualmente as profecias judaicas; é um cumprimento não literal (Respostas a Algumas Perguntas)
- Agiu de formas que os Papas não reflectiram (Promulgação da Paz Universal)
- O Alcorão relata o nascimento de Cristo, e confirma a infância (Promulgação da Paz Universal)
- Afirmou Moisés como um Profeta; ressuscitou espiritualmente; confirmam-se relatos básicos do evangelho (Promulgação da Paz Universal)
- Reflectia Deus; representava o Poder Espiritual (Promulgação da Paz Universal, Respostas a Algumas Perguntas)
- Promotor da Unidade (Promulgação da Paz Universal)
- As diferentes visões teológicas cristãs devem-se à ausência de sucessor designado (Promulgação da Paz Universal)
- "A realidade de Cristo é ilimitada" (Promulgação da Paz Universal)
- A linguagem trinitária é simbólica; não é literalmente expressiva do ser de Deus (Respostas a Algumas Perguntas)
Nos escritos de Shoghi Effendi:
- Não nomeou um sucessor ou intérprete infalível (Ordem Mundial de Bahá'u'lláh)
- A mensagem de Cristo focava-se na redenção individual, não necessariamente na Unidade Mundial (Ordem Mundial de Bahá'u'lláh)
- Os Bahá'ís amam Cristo; mas Cristo, conforme revelado nas igrejas cristãs, está coberto por tradições religiosas e não inteiramente autêntico quanto à verdadeira natureza de Cristo (Light of Divine Guidance)
- O nascimento Virginal é afirmado como milagroso, mas isso ainda é diferente do que a ciência considera um "nascimento virginal" (High Endeavors, 87)
- A Alma de Cristo é pré-existente (High Endeavors)
- A vida de Cristo assemelha-se à vida do Báb (Presença de Deus)
- "Os discípulos de Cristo" (presumivelmente imitando Cristo) abandonaram todos os bens terrenos e, na pobreza, viajaram pelo mundo proclamando Cristo e a Sua mensagem (Bahá'í Administration)
- "A Filiação e Divindade de Jesus Cristo são destemidamente afirmadas, a inspiração divina do Evangelho é plenamente reconhecida, a realidade do mistério da Imaculada da Virgem Maria é confessado, e a primazia de Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, é mantida e defendida." (O Dia Prometido Chegou)
- A Bíblia não é literalmente histórica; está subordinada ao Alcorão e às Escrituras Bahá’ís (Directives from the Guardian)
Assim, pode-se afirmar que, para os Bahá’ís, o relato do Evangelho reflecte Jesus tal como entendido no contexto da Revelação Bahá'í - que também aceita o Alcorão. Então, o que é que revela sobre a nossa compreensão de Cristo e da Revelação que nos separa do Cristianismo contemporâneo? Embora existam diferenças teológicas óbvias, aqui estou principalmente preocupado com as implicações sociais.
Primeiro, afirmo que a revelação Bahá'í pode interpretar-se a si própria - e com isso pretendo dizer que podemos usar conceitos em certas passagens para interpretar outras passagens. Uma vez que a Fé proclama uma genuína igualdade social, além de igualdade ontológica entre todos os seres humanos, independentemente da sua identidade ('Abdu'l-Bahá: Philadelphia Talk, 9 de junho de 1912), podemos afirmar que a cristologia Bahá'í não faz da masculinidade de Cristo a parte essencial de seu ser "Cristo". Penso que isto está ainda mais patente em diversos autores Bahá'ís que usam apenas os títulos masculinos "Filho" e "Filho de Maria" para se referir à sua humanidade na sua essência e ao seu género na circunstância. Por outro lado, a Fé não condiciona a posição do Manifestante ao sexo masculino; apesar de todos os Manifestantes conhecidos até hoje terem sido homens, isso não limita necessariamente todos os futuros Manifestantes a serem do sexo masculino, e Deus tem capacidade para nomear uma mulher como Manifestante (Bahá'u'lláh, Súriy-i-Vafa). Por estes motivos, não acho que seja possível fazer declarações ou apoiar argumentos teológicos de discriminação de género baseadas na figura de Cristo.
Em termos de raça, Jesus é reconhecido como um Judeu, mas em oposição à elite judaica e aparentemente sem poder. Ele é, portanto, uma minoria face à cultura dominante dos romanos, assim como uma minoria dentro de sua própria cultura judaica. Apesar disso, somos informados de que, como um reflexo do poder de Deus e da "Quinta-essência de Fé", ele tem pleno poder espiritual. Creio que isto subscreve pelo menos uma afirmação fundamental da teologia da libertação de Cone, de que Deus, em Cristo - na perspectiva Bahá'í - parece ser um Deus que favorece os pobres, os fracos e os oprimidos.
Além da Cristologia de género e racial, a principal representação de Cristo é aquele que subscreve a unidade. Ele é uma personalidade sagrada que morre tanto para redenção individual como para a união das pessoas. Apesar de Shoghi Effendi esclarecer que a mensagem de Cristo não inclui um imperativo da Unidade Mundial - tal como a mensagem Bahá'í - 'Abdu'l-Bahá ainda afirma que a mensagem de Cristo transcendeu o contexto e uniu com linhas religiosas os povos europeus culturalmente distintos. Obviamente, esta não era uma unidade completa ou permanente, pois tanto cismas religiosos como separações políticas dividiram a Europa várias vezes; mas chegou a um ponto onde todas as potências europeias professavam Cristo e as virtudes cristãos eram padrão de vida. Neste sentido, a cristologia Bahá'í ignora a identidade específica de Cristo e foca-se nas qualidades da sua personalidade que levam à unidade - qualidades que os Bahá’ís acreditam que ambos os sexos e todas as raças devem cultivar como a paz, misericórdia e compaixão. É neste quadro que os Bahá’ís vêem Jesus Cristo, no Novo Testamento e no Alcorão.
Assim, o Cristo Bahá'í - pelo menos do meu ponto de vista limitado - serve melhor como um ponto de partida para debates sobre Teologia Feminista e Teologia da Libertação do que o Cristo tradicional do Cristianismo, na medida em que temos acesso directo a um Cristo livre de limitações contextuais de género ou raça, e também porque - como Shoghi Effendi reconhece - não contem um Cristo enterrado sob a tradição cristã.
No entanto, não creio que tudo isto represente uma análise completa ou adequada de uma "Cristologia" Bahá'í, mas servirá como uma introdução geral ao debate e representa uma lista que poderei usar em posts futuros. Além disso, acho que a Fé Bahá'í fica mais beneficiada por uma "Teologia da Manifestação" - uma espécie de Cristologia comparativa que analisa não apenas Jesus, mas também Maomé, Bahá'u'lláh, Moisés, e os outros. O Kitab-i-Íqán fornece um exemplo básico disso. No Cristianismo, a Cristologia serve não só para articular a crença propriamente dita, mas também explicar Deus a uma audiência humana - o que na Fé Bahá'í se realiza melhor através dos Manifestantes, sem um foco exclusivo num deles. Enquanto o Cristianismo se concentra exclusivamente sobre a figura de Cristo, os Bahá'ís têm nove Manifestantes cujas vidas e contexto social fornecem as bases para formulações teológicas.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Cinco Anos de Injustiça
A Situação Penosa dos Bahá'ís no Irão
O texto que se segue é de autoria do Dr. Firuz Kazemzadeh, professor emérito de história na Universidade de Yale e ex-comissário na Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional. Foi publicado ontem na secção On Faith do Washington Post.
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"Eu nunca vi minha mãe tão arrasada como quando ela voltou de uma visita à prisão de Evin para ver a minha irmã, Fariba", recorda Iraj Kamalabadi ao descrever a visita da sua mãe à sua irmã, Fariba Kamalabadi, no Irão. Tinham passado quatro anos desde que a mãe e a irmã se tinham visto uma à outra. Kamalabadi explicou que durante a visita da sua mãe, cada minuto de espera parecia um ano. Finalmente, uma voz áspera chamou, "Visitantes de Fariba Kamalabadi, cheguem à frente."
Como a mãe de Kamalabadi avançou ansiosa e não viu sua filha, começou a entrar em pânico; imediatamente a sua neta chamou-a para uma janela onde estava um rosto desconhecido, mas sorridente. Atrás do vidro estava sentada uma senhora de idade, com cabelos brancos, as maçãs do rosto pronunciadas, e um rosto cheio de manchas escuras.
Era sua filha. Incrédula e em choque, não conseguiu controlar lágrimas.
No passado dia 14 de Maio de 2013 assinalaram-se cinco anos desde que os sete Bahá’ís do Irão, incluindo Fariba Kamalabadi, foram presos, julgados à porta fechada, e condenado a 20 anos de prisão. O seu crime: liderança informal de uma comunidade, a maior minoria religiosa não-muçulmana do país, proibida pelo governo da República Islâmica como seita subversiva e "perversa".
Relatos na comunicação social controlada pelo governo iraniano afirmam que os sete membros dos Yaran-i-Iran ("amigos do Irão"), como o grupo era conhecido - Sra. Fariba Kamalabadi, Sr. Jamaloddin Khanjani, Sr. Afif Naeimi, o Sr. Saeid Rezaie, Sra. Mahvash Sabet, Sr. Behrouz Tavakkoli, e o Sr. Vahid Tizfahm - foram acusados formalmente de espionagem, actividades de propaganda contra a ordem islâmica, estabelecimento de uma administração ilegal, cooperação com Israel, envio de documentos secretos para fora do país, actos contra a segurança do país, e corrupção na terra. Os sete negaram categoricamente todas as acusações.
À medida que o processo legal avançava, aos sete Yaran foi negado o acesso a advogados por mais de um ano e só lhes foi permitida uma hora de consulta antes do início do julgamento. Foram condenados sem que o governo apresentasse qualquer evidência da sua suposta culpa.
O destino dos cinco homens e duas mulheres foi partilhado ao longo dos últimos 34 anos por centenas de outros Bahá’ís - médicos, advogados, funcionários públicos, empresários e agricultores - acusados e condenados por actividades anti-islâmica, espionagem, e "corrupção na terra". Em muitos casos, foram simplesmente condenados por serem Bahá’ís.
Em anos recentes, a pressão sobre a comunidade Bahá’í iraniana tem vindo a aumentar. O número de Bahá’ís na prisão duplicou nos últimos dois anos para mais de 110 e houve um aumento significativo de casos de ameaças, prisões, espancamentos, intimidação e destruição de propriedades.
Nos últimos anos, em Semnan, uma cidade situada a nordeste de Teerão, os mullahs pregaram nas mesquitas e em seminários especiais sobre a necessidade de combater os infiéis Bahá’ís. Estes sermões provocaram ataques contra indivíduos Bahá’ís e seus negócios. Quando foram incendiadas casas, a polícia não fez qualquer tentativa para capturar os incendiários. Na verdade, as autoridades governamentais foram coniventes com os mullahs e juntaram-se ao ataque. Licenças comerciais foram revogadas às empresas dos Bahá'ís, privando os seus funcionários (tanto Bahá’ís como Muçulmanos) da sua subsistência. Nem mesmo as crianças não foram poupadas.
Em 2012, pelo menos duas mulheres foram, e continuam, detidas juntamente com os seus filhos. Não houve recurso pois as autoridades cooperam com as instituições clericais. Actos similares foram perpetrados contra Bahá’ís de Yazd, Shiraz, Isfahan, Gorgan, e outras cidades e aldeias, grandes e pequenas.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU chamou repetidamente a atenção para as violações dos direitos humanos por parte do governo do Irão e a Assembleia Geral da ONU condenou os actos de violência e privação de direitos humanos contra os Bahá’ís e outras minorias religiosas. Os parlamentos de vários países aprovaram resoluções exigindo que os direitos humanos de todas as minorias sejam respeitados. O Congresso dos EUA aprovou 12 resoluções (apoiadas pelos dois partidos) condenando especificamente o tratamento dos Bahá’ís iranianos, tendo o mais recente ocorrido em 1 de Janeiro deste ano. Tais protestos têm tido um efeito inibidor sobre as autoridades iranianas, que prestam pelo menos um pouco de atenção às opiniões da comunidade internacional.
É importante manter o holofote da verdade sobre o Irão e, enquanto se presta atenção a questões nucleares e outras, não podemos fechar os olhos às políticas repressivas e acções do governo iraniano contra seu próprio povo.
Enquanto não soubermos quantas mais vezes a mãe de Kamalabadi poderá visitá-la, é claro que essa injustiça não pode continuar. Cinco anos é algo inaceitável.
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FONTE: Five years of injustice: The plight of seven Baha’i leaders in Iran (Washington Post)
O texto que se segue é de autoria do Dr. Firuz Kazemzadeh, professor emérito de história na Universidade de Yale e ex-comissário na Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional. Foi publicado ontem na secção On Faith do Washington Post.
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"Eu nunca vi minha mãe tão arrasada como quando ela voltou de uma visita à prisão de Evin para ver a minha irmã, Fariba", recorda Iraj Kamalabadi ao descrever a visita da sua mãe à sua irmã, Fariba Kamalabadi, no Irão. Tinham passado quatro anos desde que a mãe e a irmã se tinham visto uma à outra. Kamalabadi explicou que durante a visita da sua mãe, cada minuto de espera parecia um ano. Finalmente, uma voz áspera chamou, "Visitantes de Fariba Kamalabadi, cheguem à frente."
Como a mãe de Kamalabadi avançou ansiosa e não viu sua filha, começou a entrar em pânico; imediatamente a sua neta chamou-a para uma janela onde estava um rosto desconhecido, mas sorridente. Atrás do vidro estava sentada uma senhora de idade, com cabelos brancos, as maçãs do rosto pronunciadas, e um rosto cheio de manchas escuras.
Era sua filha. Incrédula e em choque, não conseguiu controlar lágrimas.
No passado dia 14 de Maio de 2013 assinalaram-se cinco anos desde que os sete Bahá’ís do Irão, incluindo Fariba Kamalabadi, foram presos, julgados à porta fechada, e condenado a 20 anos de prisão. O seu crime: liderança informal de uma comunidade, a maior minoria religiosa não-muçulmana do país, proibida pelo governo da República Islâmica como seita subversiva e "perversa".
Relatos na comunicação social controlada pelo governo iraniano afirmam que os sete membros dos Yaran-i-Iran ("amigos do Irão"), como o grupo era conhecido - Sra. Fariba Kamalabadi, Sr. Jamaloddin Khanjani, Sr. Afif Naeimi, o Sr. Saeid Rezaie, Sra. Mahvash Sabet, Sr. Behrouz Tavakkoli, e o Sr. Vahid Tizfahm - foram acusados formalmente de espionagem, actividades de propaganda contra a ordem islâmica, estabelecimento de uma administração ilegal, cooperação com Israel, envio de documentos secretos para fora do país, actos contra a segurança do país, e corrupção na terra. Os sete negaram categoricamente todas as acusações.
À medida que o processo legal avançava, aos sete Yaran foi negado o acesso a advogados por mais de um ano e só lhes foi permitida uma hora de consulta antes do início do julgamento. Foram condenados sem que o governo apresentasse qualquer evidência da sua suposta culpa.
O destino dos cinco homens e duas mulheres foi partilhado ao longo dos últimos 34 anos por centenas de outros Bahá’ís - médicos, advogados, funcionários públicos, empresários e agricultores - acusados e condenados por actividades anti-islâmica, espionagem, e "corrupção na terra". Em muitos casos, foram simplesmente condenados por serem Bahá’ís.
Em anos recentes, a pressão sobre a comunidade Bahá’í iraniana tem vindo a aumentar. O número de Bahá’ís na prisão duplicou nos últimos dois anos para mais de 110 e houve um aumento significativo de casos de ameaças, prisões, espancamentos, intimidação e destruição de propriedades.
Nos últimos anos, em Semnan, uma cidade situada a nordeste de Teerão, os mullahs pregaram nas mesquitas e em seminários especiais sobre a necessidade de combater os infiéis Bahá’ís. Estes sermões provocaram ataques contra indivíduos Bahá’ís e seus negócios. Quando foram incendiadas casas, a polícia não fez qualquer tentativa para capturar os incendiários. Na verdade, as autoridades governamentais foram coniventes com os mullahs e juntaram-se ao ataque. Licenças comerciais foram revogadas às empresas dos Bahá'ís, privando os seus funcionários (tanto Bahá’ís como Muçulmanos) da sua subsistência. Nem mesmo as crianças não foram poupadas.
Em 2012, pelo menos duas mulheres foram, e continuam, detidas juntamente com os seus filhos. Não houve recurso pois as autoridades cooperam com as instituições clericais. Actos similares foram perpetrados contra Bahá’ís de Yazd, Shiraz, Isfahan, Gorgan, e outras cidades e aldeias, grandes e pequenas.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU chamou repetidamente a atenção para as violações dos direitos humanos por parte do governo do Irão e a Assembleia Geral da ONU condenou os actos de violência e privação de direitos humanos contra os Bahá’ís e outras minorias religiosas. Os parlamentos de vários países aprovaram resoluções exigindo que os direitos humanos de todas as minorias sejam respeitados. O Congresso dos EUA aprovou 12 resoluções (apoiadas pelos dois partidos) condenando especificamente o tratamento dos Bahá’ís iranianos, tendo o mais recente ocorrido em 1 de Janeiro deste ano. Tais protestos têm tido um efeito inibidor sobre as autoridades iranianas, que prestam pelo menos um pouco de atenção às opiniões da comunidade internacional.
É importante manter o holofote da verdade sobre o Irão e, enquanto se presta atenção a questões nucleares e outras, não podemos fechar os olhos às políticas repressivas e acções do governo iraniano contra seu próprio povo.
Enquanto não soubermos quantas mais vezes a mãe de Kamalabadi poderá visitá-la, é claro que essa injustiça não pode continuar. Cinco anos é algo inaceitável.
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FONTE: Five years of injustice: The plight of seven Baha’i leaders in Iran (Washington Post)
terça-feira, 4 de junho de 2013
Omid Djalali: Falo para o Governo Iraniano em nome das mulheres. Isto é absurdo!
Há uma piada que Omid Djalili diz nos seus scketeches rotineiros, que sempre recebe uma boa gargalhada e que ele me repete assim que nos encontramos. "Geralmente chamam-me misógino, sobretudo as mulheres; mas o que é que elas sabem? Elas nem sequer são homens!", afirma orgulhosamente. Fazer luz sobre questões contundentes do sexismo ao terrorismo é o que Djalili faz melhor.
Hoje à noite, o charmoso e simpático comediante britânico-iraniano que está habituado a fazer as pessoas rirem, tem, porém, uma tarefa difícil. Ele vai estar frente a uma multidão académica Londrina para falar de uma antologia de poemas, escrita por uma ex-professora de 55 anos de idade, actualmente encarcerado na infame prisão iraniana de Evin. Ela (juntamente com outros seis) foi presa há cinco anos, "simplesmente devido à sua fé" e os seus poemas lançam luz sobre o rigoroso regime islâmico do Irão. É óbvio que Djalili já fez piadas sobre a injustiça no Irão e no Médio Oriente, mas apresentar o livro Poemas da Prisão a uma audiência de intelectuais e amantes de livros como um assunto sério é uma tarefa um tanto difícil.
De certa forma, é por isso que ele o faz, diz-me Djalili enquanto toma um chá de hortelã. Djalili é sem dúvida o mais famoso comediante iraniano na Grã-Bretanha de hoje, e também segue a mesma fé que a professora detida. Ele é Bahá'í. O facto de ele falar sobre o assunto no Reino Unido permite aumentar muito mais consciência do que a professora poderia por si própria. E ele pode fazer isso de uma maneira suficientemente leve para captar a imaginação das massas.
"Para mim, o humor sempre foi uma ferramenta para ficar acima de situações de ódio e sofrimento. Tenho algumas piadas, algumas coisas na manga, para destacar o absurdo nesta noite", diz ele.
A história dos sete ex-dirigentes da comunidade Bahá'í, que foram presos em 2008 sob acusações "forjadas", também é um assunto perto do seu coração. Há pouco tempo atrás, o tio de Djalili foi detido na mesma prisão exactamente pelo mesmo motivo: ser Bahá'í. É também pela mesma razão o cómico nascido em Londres não viaja para o Irão, o país onde seus pais nasceram, por recear ser preso.
"Tudo isto é ridículo", diz ele. "Para mim é absurdo falar do Governo iraniano; vou fazer alguns comentários humorísticos sobre isso porque é a única maneira. Ter um comediante a usar o escudo da ironia e a espada da verdade, a denunciar as coisas ridículas da sociedade. Quem melhor do que um comediante fazer isso? "
Continuar a ler o texto (em inglês)
Hoje à noite, o charmoso e simpático comediante britânico-iraniano que está habituado a fazer as pessoas rirem, tem, porém, uma tarefa difícil. Ele vai estar frente a uma multidão académica Londrina para falar de uma antologia de poemas, escrita por uma ex-professora de 55 anos de idade, actualmente encarcerado na infame prisão iraniana de Evin. Ela (juntamente com outros seis) foi presa há cinco anos, "simplesmente devido à sua fé" e os seus poemas lançam luz sobre o rigoroso regime islâmico do Irão. É óbvio que Djalili já fez piadas sobre a injustiça no Irão e no Médio Oriente, mas apresentar o livro Poemas da Prisão a uma audiência de intelectuais e amantes de livros como um assunto sério é uma tarefa um tanto difícil.
De certa forma, é por isso que ele o faz, diz-me Djalili enquanto toma um chá de hortelã. Djalili é sem dúvida o mais famoso comediante iraniano na Grã-Bretanha de hoje, e também segue a mesma fé que a professora detida. Ele é Bahá'í. O facto de ele falar sobre o assunto no Reino Unido permite aumentar muito mais consciência do que a professora poderia por si própria. E ele pode fazer isso de uma maneira suficientemente leve para captar a imaginação das massas.
"Para mim, o humor sempre foi uma ferramenta para ficar acima de situações de ódio e sofrimento. Tenho algumas piadas, algumas coisas na manga, para destacar o absurdo nesta noite", diz ele.
A história dos sete ex-dirigentes da comunidade Bahá'í, que foram presos em 2008 sob acusações "forjadas", também é um assunto perto do seu coração. Há pouco tempo atrás, o tio de Djalili foi detido na mesma prisão exactamente pelo mesmo motivo: ser Bahá'í. É também pela mesma razão o cómico nascido em Londres não viaja para o Irão, o país onde seus pais nasceram, por recear ser preso.
"Tudo isto é ridículo", diz ele. "Para mim é absurdo falar do Governo iraniano; vou fazer alguns comentários humorísticos sobre isso porque é a única maneira. Ter um comediante a usar o escudo da ironia e a espada da verdade, a denunciar as coisas ridículas da sociedade. Quem melhor do que um comediante fazer isso? "
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