domingo, 29 de dezembro de 2013

Mazgani: "Se não fosse músico, estaria perdido"

Texto de Vanessa Fidalgo publicado no Correio da Manhã, no passado dia 20 de Dezembro

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Não vive para agradar à crítica e canta para "espantar os males". Nascido no Irão, da infância passada em Setúbal, recorda com especial carinho as vitórias do seu Vitória.

Shahryar Mazgani nasceu em 1974 no Irão, mas vive há 35 anos em Portugal. Cresceu em Setúbal depois de a sua família ter deixado a terra natal por ser seguidora da religião bahá'i, num país intolerante para com outras crenças após a Revolução Islâmica de 1979. Licenciou-se em Direito, mas acabou por tornar-se músico. Agora vive em Lisboa e assume o privilégio de ser um cidadão do Mundo.

Mazgani trabalhou como fotógrafo, fez crítica de cinema e, na crise dos 30 anos, decidiu dedicar-se à música. Mas, não tinha mais do uma maquete gravada quando se viu distinguido pela exclusivíssima revista francesa ‘Les Inrockuptibles' como um dos 20 nomes a acompanhar na música europeia

Estreou-se em 2007, com ‘Song of the New Heart', que editou como artista independente. O seu mais recente álbum de estúdio, o terceiro, ‘Common Ground', foi gravado em Londres com os produtores John Parish e Mick Harvey, colaboradores habituais de PJ Harvey e de Nick Cave. Na quinta-feira apresenta no Teatro do Bairro, em Lisboa, pelas 23h30, as músicas de ‘Common Ground' em formato intimista. Repete no dia 14, na Tertúlia Castelense, na Maia.

* A resposta escolhida aparece sublinhada.

Em 2007, foi considerado um dos 20 melhores novos artistas musicais da Europa pela revista francesa de referência ‘Les Inrockuptibles'. Nunca antes um músico português tinha tido essa honra. Sente que...
a) Foi uma grande e boa surpresa, mas não vivo para agradar à crítica.
b) Serviu essencialmente para alavancar o arranque da minha carreira. As pessoas falaram muito nisso.
c) Foi fantástico. Ainda hoje tenho essas páginas de revista coladas nas paredes do meu quarto...

Considera que a sorte grande seria...
a) Ganhar um prémio chorudo nos jogos da Santa Casa, como quase todos os portugueses.
b) Ganhar um Grammy.
c) Gravar com Leonard Cohen, Tom Waits ou talvez com Nick Cave.

Mas se, por acaso, ganhasse mesmo o primeiro prémio do Euromilhões...
a) Fazia as malas e mudava-me já amanhã para Nova Iorque.
b) Pagava a dívida soberana de Portugal.
c) Pagava ao Leonard Cohen, ao Tom Waits e ao Nick Cave para gravarem um disco comigo.
d) Outra hipótese: Despedia o Cohen, o Waits e o Cave.

Nasceu no Irão, mas veio ainda em tenra idade viver para Portugal. Atualmente, sente-se:
a) Dividido entre duas culturas e formas de estar diferentes.
b) Saí muito pequeno. Mal me lembro do Irão.
c) Sinto-me mais português do que um pacato alentejano, um portuense ferrenho ou um lisboeta bairrista.
d) Outra hipótese: Sinto-me um privilegiado por poder estar dividido.

Se mandasse no País, a sua primeira medida governamental seria...
a) Sempre fui fã do Robin Hood: começava por tirar aos ricos para dar aos mais pobres.
b) Demitir-me.
c) Fazia as malas. Mais valia voltar para o Irão.

Antes da música, estudou Direito. Se não fosse músico, por esta altura acha que seria...
a) Advogado.
b) Jogador de futebol.
c) Estaria provavelmente desempregado.
d) Outra hipótese: Estaria muito perdido.

Se um dia escrevesse um romance inspirado em pessoas reais, não dispensaria personagens que lhe recordassem...
a) José Saramago e Pilar.
b) Paulo Portas, Pedro Passos Coelho e António José Seguro.
c) Dom Sebastião.
d) Outra hipótese: Pessoas que conheço bem.

Em tempos, escreveram que a sua música é "cinzenta e introspetiva, assombrada por medos e desilusões"...
a) Diria antes que é sóbria e equilibrada, apesar de apaixonada.
b) Quem canta seus males espanta.
c) De certa forma, somos todos um bocadinho assim...
d) Outra hipótese: "Quem canta seus males espanta", sem dúvida, mas esperando, no entanto, que a minha música não seja da forma que foi descrita.

E se saísse para a rua, além de gritar palavras de ordem, levaria...
a) O microfone.
b) O megafone.
c) Uma máquina de filmar. 

Num dia normal, quando sai para a rua, o que tem de levar sempre consigo?
a) Um bloco e uma caneta, claro.
b) O cartão multibanco e o telemóvel.
c) A roupa, mas só porque tem mesmo de ser.

Cresceu em Setúbal. O que é que melhor traduziria as suas memórias de infância?
a) A pronúncia carregada de ‘erres' que ainda se ouve nas ruas.
b) O cheiro a choco frito das tasquinhas.
c) As vitórias do Vitória.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Jorge Bergoglio, o jesuíta

"O Espírito residente de Deus, que, na Era Apostólica da Igreja, animou os seus membros, a pureza original dos seus ensinamentos, o antigo brilho da sua luz, irá, sem dúvida, renascer e reviverá como consequência inevitável desta redefinição das suas verdades fundamentais, bem como a clarificação do seu propósito original." (Shoghi Effendi, 1936)*

As primeiras intervenções do Papa Francisco avivaram na minha memória estas palavras de Shoghi Effendi. Pode ainda ser cedo para saber se ele irá cumprir a desejada renovação da Igreja aguardada por tantos cristãos. Independentemente do que o futuro nos reserva, não tenho hesitações em afirmar que ele é uma figura inspiradora, e que em muitos aspectos se tornou uma influência positiva a nível mundial. Além das suas intervenções, a sua imagem de humildade e simplicidade, despertou uma curiosidade natural . Em Portugal, vários livros tentam satisfazer essa curiosidade tentando revelar quem é Jorge Bergoglio, que foi escolhido para liderar a Igreja Católica.

Um desses livros é de autoria dos jornalistas Francesca Ambrogetti e Sergio Rubim, e foi originalmente publicado em 2010, com o título “O Jesuíta”. Na introdução os autores formulam algumas das questões já pertinentes nessa época: “Quem é este docente que levava Jorge Luis Borges às suas aulas e lhe dava a ler os contos dos seus alunos? Quem é este pastor convencido que se deve passar de uma Igreja «reguladora da fé» para uma Igreja «transmissora e facilitadora da fé»? Quem é este ministro religioso que, de um modesto lugar numa residência jesuíta de Córdoba, passou a converter-se em poucos anos em Arcebispo de Buenos Aires, cardeal primaz da Argentina e presidente do Episcopado? Quem é em suma, este argentino de vida quase monacal, que esteve perto de ser Papa?”

Nesta obra encontramos um conjunto de entrevistas com o então Cardeal Bergoglio. Com um prólogo escrito pelo Rabino de Buenos Aires, Abraham Skorka, o livro apresenta uma sucessão de diálogos e questões que muitos de nós gostaríamos de colocar a Jorge Bergoglio. E as respostas – espontâneas, profundas e bem-humoradas – permitem perceber um pouco quem é este homem.

Na minha opinião este é um livro indispensável para compreender o novo papa e o rumo que a Igreja Católica pode tomar nos próximos anos. E é igualmente indispensável para todos os Bahá’ís que desejam manter um diálogo profundo e significativo com os Cristãos.

Deixo alguns excertos que me parecem particularmente relevantes:
Quando o trabalho não dá lugar ao ócio saudável, ao repouso reparador, então escraviza, porque a pessoa já não trabalha pela dignidade, mas sim pela competitividade. Está viciada a intenção pela qual está a trabalhar… (p. 37)

A origem da palavra nostalgia - do grego nostos algos - tem a ver com a ânsia de voltar ao lugar; é disto que fala a Odisseia. Essa é uma dimensão humana. O que Homero faz através da história de Ulisses é marcar o caminho de regresso ao seio da terra, ao seio materno da terra que nos deu à luz. Considero que perdemos a nostalgia como dimensão antropológica. Mas também perdemos a hora de educar, por exemplo, na nostalgia do lar. Quando guardamos os nossos mais velhos nos lares, com três bolinhas de naftalina no bolso, como se fossem um casaco ou um sobretudo, de alguma maneira temos a dimensão nostálgica doente porque, encontrarmo-nos com os nossos avós, é assumir um reencontro com o nosso passado (p.28-29)

Temos de saber que a vida não pode ser parida sem dor. Não são só as mulheres que sofrem ao trazer um filho ao mundo, mas todos nós, em coisas que realmente valem a pena e permitem crescer, temos de passar por momentos dolorosos. A dor é algo que está ligado à fecundidade. Atenção! Não é uma atitude masoquista, mas sim aceitar que a vida nos marca limites. (p.73-74)

Alguns escolhem uma missa pela forma como o sacerdote prega. Mas, dali a dois meses, dizem que o que não funciona bem é o coro, e então voltam a mudar. Há uma redução do religioso ao estético. Vai-se mudando de gôndola no supermercado religioso. É a religião como produto de consumo, muito ligada, a meu ver, a um certo teísmo difuso, prosseguido dentro dos parâmetros da New Age, onde se mistura muito a satisfação pessoal, o relax, o «estar bem». Isso está a ver-se especialmente nas grandes cidades, mas não é só um fenómeno que se dá entre pessoas cultas. Nos sectores humildes, nos bairros de lata, por vezes, vai-se buscar o pastor evangélico, porque «me toca». (p.84)

Toda a pessoa pode dar-nos alguma coisa e toda a pessoa pode receber alguma coisa de nós. O preconceito é como um muro que impede que nos encontremos. E os argentinos são muito preconceituosos; rotulamos imediatamente as pessoas para, no fundo, nos esquivarmos ao diálogo, ao encontro. Assim acabamos por fomentar o desencontro que, na minha opinião, atinge a categoria de verdadeira patologia social (p.114)

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* Shoghi Effendi, The World Order of Bahá'u'lláh, p. 185. A citação é de uma longa carta escrita em 1936. Nessa carta, Shoghi Effendi descreveu diversas transformações mundiais que afectariam povos e nações e transformariam o mundo numa civilização global. Algumas dessas transformações seriam crises profundas que afectariam várias instituições, nomeadamente as instituições religiosas.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Senado dos EUA aprova resolução condenando a perseguição aos Bahá’ís no Irão


Os senadores Dick Durbin esquerda) e Mark Kirk falando numa conferência de imprensa conjunta, em Chicago. Apesar de pertencerem a partidos diferentes, estes dois políticos são amigos e estão unidos na condenação da perseguição aos Bahá’ís do Irão. Foto: Associated Press.

Ao aprovar a da Resolução nº 75, apresentada pelos senadores Mark Kirk (Republicano) e Dick Durbin (Democrata), do Estado do Illinois, o Senado dos EUA condenou formalmente a perseguição enfrentada pela comunidade Bahá’í do Irão com a aprovação. No resumo desta resolução declara-se:
Condena o Irão por sua perseguição fomentada pelo Estado contra a sua minoria Bahá’í e sua contínua violação das Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos.

Apela ao Irão para libertar os sete dirigentes presos, os 12 educadores presos e todos os outros prisioneiros mantidos unicamente devido à sua religião.

Apela ao Presidente e ao Secretário de Estado, em cooperação com as nações responsáveis, para condenar violação continuada pelo Irão dos direitos humanos e a exigir a libertação de prisioneiros mantidos unicamente devido à sua religião.

Exorta o Presidente e o Secretário a utilizar todas a autoridade disponível, incluindo a Lei de Sanções Integrais Responsabilidade e Desinvestimento contra o Irão, de 2010, para impor sanções aos funcionários do governo iraniano e outras pessoas directamente responsáveis por abusos graves dos direitos humanos, incluindo os abusos contra a comunidade Bahá’í do Irão.

A resolução foi saudada pela Comunidade Bahá'í Americana. "Esta resolução é particularmente oportuna. Com o lançamento, no passado dia 26 de Novembro, do há muito aguardado projecto de Carta dos Direitos dos Cidadãos do presidente Rouhani, que, nos seus termos actuais, não protege as minorias religiosas que ainda não estão reconhecidos pela constituição iraniana, tal como os Bahá'ís, é importante que a situação dos Bahá'ís seja enfatizada, de modo a pressionar o Sr. Rouhani e altos funcionários iranianos a elaborar uma carta mais inclusiva", disse Kenneth E. Bowers, Secretário da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Estados Unidos, num comunicado de imprensa.

Segundo o Gabinete de Assuntos Externos dos Bahá’ís dos EUA, actualmente 116 Bahá’ís estão presos. Entre estes, sete foram condenados a 20 anos de prisão devido à sua liderança religiosa. Os seus nomes são Fariba Kamalabadi, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, Saeid Rezaie, Mahvash Sabet, Behrouz Tavakkoli, e Vahid Tizfahm.

Os Bahá’ís são a maior minoria religiosa do Irão, embora a religião tenha surgido naquele país no século XIX. O Relatório de 2012 da Comissão sobre Liberdade Religiosa Internacional declarou: "Desde 1979, as autoridades do governo iraniano mataram mais de 200 dirigentes Bahá’ís no Irão e expulsaram mais de 10.000 de empregos públicos e universitários."

Os senadores apresentaram a proposta de resolução em Março. "O Illinois é o lar do mundialmente conhecido Templo Bahá’í. Assim a situação dos Bahá’ís no Irão, tem um significado especial para os nossos cidadãos", afirmou Kirk. "A minha esperança é esta resolução traga a perseguição aos Bahá’ís e a questão dos direitos humanos no Irão para o primeiro plano da agenda internacional".

Durbin acrescentou: "A perseguição religiosa aos Bahá'ís no Irão é uma violação de um dos nossos mais elementares direitos humanos. Esta resolução não só irá aumentar a consciência sobre a situação no Irão, mas que também irá lembrar a comunidade internacional que ainda deve pressionar mais pela segurança e justiça para as minorias religiosas em todo o mundo. A Comunidade Bahá’í no Irão merece as mesmas liberdades religiosas que gozam os nossos vizinhos Bahá’ís no Illinois".

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Traduzido e adaptado de: Senate Resolution 75 Condemns Baha'i Persecution In Iran: Senators Kirk And Durbin Pass Bill (Huffington Post)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sete dirigentes Bahá’ís detidos enviam carta ao presidente Rouhani

Os sete dirigentes Bahá'ís actualmente detidos
Os sete dirigentes Bahá’ís iranianos actualmente detidos escreveram uma carta ao presidente Hassan Rouhani, comentando a sua proposta de "Carta dos Direitos dos Cidadãos". Durante campanha eleitoral, no início deste ano, o presidente prometeu a Carta, afirmando que teria como objectivo acabar com a discriminação com base na raça, sexo ou religião. A versão preliminar da Carta foi publicada num site governamental no dia 26 de Novembro de 2013, e foi dado um prazo de 30 dias para os cidadãos iranianos fazerem comentários sobre a mesma.

Os sete dirigentes Bahá'ís estão presos há mais de cinco anos, cumprindo penas de prisão de 20 anos por acusações injustas relacionados exclusivamente com as suas convicções e práticas religiosas; estas são as penas mais severas atribuídas a prisioneiros de consciência no Irão.

Abaixo segue-se tradução da carta (sublinhados a amarelo são da minha responsabilidade)

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Excelentíssimo Dr. Hassan Rouhani,

Na vida de cada nação, existem momentos de profundo significado, quando acções aparentemente simples podem virar o rumo da história, quando antigos mal-entendidos podem começar a ser resolvidos, e quando se pode iniciar um novo capítulo no destino de um povo. O recente apelo público de Vossa Excelência para a participação num discurso comum sobre os direitos e responsabilidades dos cidadãos acendeu nos corações a luz da esperança de que esse momento possa ter chegado para o povo do Irão, e para o destino desta terra sagrada. Prezando esse convite, somos impelidos por um dever moral para com a nossa pátria, e, especialmente, por uma profunda preocupação com a juventude do nosso país, a juntar a nossa voz a este discurso digno de nota.

Empreendemos esta acção dentro da nossa cela na prisão, apesar dos consideráveis obstáculos no nosso caminho, como um grupo de cidadãos cumpridores da lei, que foram detidos há mais de cinco anos e, desde então, estão detidos apenas devido aos nossos esforços para administrar os assuntos internos da Comunidade Bahá'í do Irão. Escrevemos esta carta neste momento crítico e decisivo para que a história não nos julgue como tendo falhado o nosso dever.

Excelência,

Embora o simples facto de demonstrar interesse na análise e defesa dos direitos da pessoa humana seja, em si, altamente significativo, consideramos ser necessário declarar aqui enfaticamente que, na nossa perspectiva, a unidade de todos os povos e a sua liberdade fundamental não são meras construções civis e legais; são princípios espirituais, cuja fonte é o Criador Divino, que fez toda a humanidade a partir da mesma substância. O povo do Irão, justificadamente, deseja prosperar e florescer nas suas vidas individuais e colectiva. Deseja ver os seus filhos progredir, a sua juventude caminhar rumo ao progresso, e a sua nação desfrutar de um estado de paz e tranquilidade. No entanto, certamente, nenhuma dessas aspirações se pode realizar a menos que as condições sociais e legais permitam que todos os elementos constituintes da sociedade sejam tratados de forma igual e satisfatória, para que todos os indivíduos tenham os seus direitos humanos básicos, e para que ninguém seja subjugado e oprimido devido à sua etnia, género, crença religiosa ou qualquer outra distinção.

O actual discurso sobre os direitos dos cidadãos gira em torno de uma carta que está a ser elaborada; mas acreditamos que, além de procurar comentários sobre o conteúdo do documento, o seu convite é uma oportunidade para todos reflectirmos sobre o estado do nosso país e considerarmos o carácter da sociedade em que desejamos viver. Para essa reflexão para ser eficiente, parece essencial que comecemos por nos questionar sobre o estado da nossa sociedade e do ambiente em que queremos criar as gerações futuras. Devemos olhar profundamente para os nossos corações. Tendo em conta que a nossa terra sofreu todo tipo de preconceito, discriminação, agressão e males sociais - um sofrimento cujas consequências são visíveis em todos os sectores da vida colectiva da nossa nação, devemos perguntar-nos: quais são, verdadeiramente, os princípios mais importantes que cumpririam as nossas mais altas aspirações para o nosso país, e quais são os meios para estabelecer esses princípios? Como é que respeitamos a nobreza de cada indivíduo? Como é que se pode fomentar um ambiente construtivo em que todos os diferentes elementos integrantes da sociedade podem prosperar? Quais são as condições necessárias que permitiriam às mulheres contribuir com a sua participação plena? Como queremos que as crianças sejam tratadas? Como podemos permitir que minorias étnicas, religiosas ou outras possam dar o seu contributo para melhorar a sociedade, em pé de igualdade com os outros? O que deve ser feito para que as diferenças de pontos de vista e crenças sejam devidamente respeitados? Como podemos erradicar a violência da nossa sociedade? Como vamos garantir o direito à educação para todos? Estes são alguns dos pensamentos que devemos ter presente quando procuramos os princípios que devem nortear a nossa sociedade e moldar a formulação dos direitos dos seus cidadãos.

Excelência,

Procurar as perspectivas dos vários elementos da sociedade sobre o futuro pode, é claro, representar um primeiro passo na construção de um país evoluído; mas o que é de importância fundamental é que os currículos escolares do país sejam revistos para garantir que o solo está preparado para que uma cultura de progresso crie raízes, uma cultura baseada em princípios fundamentais, como a nobreza da humanidade e a igualdade de todos perante a lei.

Documentar os direitos dos cidadãos e consagrá-los numa carta pode muito bem ser uma iniciativa importante no processo de desenvolvimento de um país, mas se essa carta não for cuidadosamente elaborada, ou - pior ainda - se for deliberadamente concebida como uma forma de exclusão, poderá ser usada como instrumento para justificar a discriminação e perpetuar a opressão. Portanto, além dos benefícios que se obtêm a partir de um discurso livre e aberto e programas educativos apropriados, é imperativo para a protecção dos direitos das pessoas, em primeiro lugar, promulgar leis que protejam explicitamente esses direitos, e, em segundo, moldar as estruturas necessárias que impeçam uma interpretação arbitrária da lei. O despedimento de milhares de cidadãos Bahá’ís de cargos na administração pública, a execução de mais de duas centenas de Bahá'ís inocentes, a expulsão de milhares de estudantes das universidades, as penas impostas, durante os últimos oito anos, a centenas de Bahá’ís - e, na verdade, o que aconteceu no nosso próprio caso, com um processo judicial que levou a uma pena de prisão de vinte anos para cada um de nós, são lições salutares que ilustram nosso argumento e demonstram amplamente a necessidade de salvaguardas na forma como a lei é aplicada. Em todos os anos que tivemos a honra de servir a Comunidade Bahá'í do Irão, as autoridades tinham pleno conhecimento do nosso envolvimento neste trabalho. Então, um dia, como resultado de pensamento distorcido e do capricho de certos indivíduos com cargos de autoridade, foi decidido que o nosso serviço devia ser considerado ilegal e, consequentemente, passámos quase seis anos atrás das grades.

Excelência,

Se não forem concebidas soluções eficientes, sob condições em que os direitos individuais podem ser espezinhados tão arbitrariamente, quem pode ter a certeza de que o destino que se abateu hoje sobre nós, não cairá amanhã sobre ele.

Para concluir, desejamos a Vossa Excelência todo o sucesso no seu serviço sincero para a grande nação do Irão no caminho da justiça, liberdade e igualdade.

Respeitosamente,

Vahid Tizfahm
Jamaloddin Khanjani
Saeid Rezaie
Mahvash Shahriari
Behrouz Tavakkoli-Azizi
Fariba Kamalabadi
Afif Naimi

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FONTE: Seven imprisoned Baha’i leaders send letter to President Rouhani (BWNS)

Três mulheres Bahá'ís libertadas


Segundo a agência HRANA, três mulheres Bahá’ís que se encontravam detidas na prisão de Semnan terão saído em liberdade condicional. Uma dessas mulheres, Zohreh Nick Aeen, foi libertada juntamente com o seu filho no dia 10 de Dezembro. As outras duas Taraneh Turabi e Anisa Fanaian foram libertadas no dia 11 de Dezembro.

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Sobre este assunto:  
Three Baha’i women prisoners were released from Semnan prison (HRANA)
Mães e bebés numa prisão iraniana

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

África do Sul: Bahá'ís homenageiam Nelson Madela


O Governo Sul-Africano agradeceu à sociedade e às organizações e comunidades religiosas que no passado domingo realizaram eventos para celebrar e reflectir sobre a vida de Nelson Mandela. Estes eventos fazem parte de uma semana de celebrações que culminarão com o funeral do antigo Chefe de Estado sul-africano, na próxima 6ª feira.

Em Durban, a comunidade Bahá’í preferiu transformar a dor em alegria, organizando uma festa de crianças para homenagear o legado de Madiba na ajuda aos jovens.

Os Bahá’ís vêem muitas semelhanças entre os ensinamentos de Mandela e os princípios da Fé Bahá’í. A forma como Madiba viveu a sua vida servindo os outros é um exemplo que deve ser conhecido pelas crianças Bahá’ís.

A representante Bahá’í, Hannah Mangenda, afirmou: "A principal ideia que lhe identificamos, e que é o princípio fundamental da Fé Bahá’í, é a unidade na diversidade. E o mesmo se aplica à ideia de não julgar os outros em função da cor da pele, origens, religião, idade, género. Tudo isto foram coisas que ele exemplificou de forma maravilhosa".

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FONTE: Baha'i community celebrates Madiba's life (eNCA)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sobre a morte da Nelson Mandela

Mensagem da AEN dos Bahá'ís da África do Sul

6 de Dezembro de 2013

Aos seguidores de Bahá'u'lláh na África do Sul e ilha de St. Helena

Amados amigos,

Esta carta é enviada para partilhar com vocês uma informação sobre o recente anúncio do falecimento do nosso ex-presidente Nelson Mandela.

O Chefe de Estado da África do Sul anunciou hoje que todas as comunidades são encorajadas a realizar encontros de oração comemorativos no próximo domingo, 8 de Dezembro de 2013 , como bem entenderem. A Assembleia Nacional sente que é muito apropriado responder a este apelo como uma resposta natural aos nossos sentimentos de respeito à memória de Tata Madiba.

A Assembleia enviou um comunicado ao gabinete da Presidência para expressar as condolências e orações da comunidade Bahá'í da África do Sul, que incluía a seguinte citação das Escrituras Bahá'ís:

"Um bom carácter é, na verdade, o melhor manto para os homens de Deus. Com isso, Ele adorna os templos dos seus amados. Por Minha vida! A luz de um bom carácter excede a luz do sol e o brilho do mesmo." " Um acto justo é dotado de um poder que pode levantar o pó e fazê-lo passar para lá do céu dos céus. Ele pode desfazer todos os vínculos em pedaços, e tem o poder de restaurar a força que se consumiu e desapareceu. "

Com caloroso carinho e saudações,

A Assembleia Espiritual Nacional
dos Bahá'ís da África do Sul

Bahrain: Bahá’ís recebidos no parlamento

A maioria das notícias sobre os Bahá’ís em países de maioria muçulmana não é agradável. Mas esta não tem data de desagradável. É curiosa. Passaria despercebida se se passasse em qualquer outro país. Mas porque vem do Bahrain, merece a nossa atenção.

Um membro do Parlamento Bahrain, o Sr. Ahmad as-Sa’ati recebeu um grupo Baha’is do Bahrain que fizeram uma visita de cortesia ao Parlamento. Ao receber a delegação, o Sr. As-Sa’ati afirmou que aprecia o contacto com todas as pessoas do país, que preza todos os seus cidadãos leais, de diferentes religiões e denominações. Declarou ainda que ao longo da história, e nos dias de hoje, o Bahrain tem sido um país que abraça os seguidores de diferentes religiões e ideologias, respeita as virtudes e características especiais de todas as comunidades, e permite a liberdade de crença e culto. Isto enriqueceu e fortaleceu sua civilização ao longo dos séculos. Por fim, acrescentou que a constituição do Bahrain não discrimina os cidadãos com base em raça, género ou religião e que os cidadãos têm direitos e deveres iguais.

Os representantes Bahá’ís afirmaram o seu orgulhoso em ser cidadãos do Bahrain e disseram que não sofrem discriminação por parte dos seus concidadãos, sendo livres para praticar a sua religião. Descreveram o tipo de actividades que desenvolvem no país e manifestaram a vontade de participar em qualquer projecto que possa promover a unidade nacional, a paz e a fraternidade entre os seus cidadãos.

O Bahrain é um país muçulmano, em que a lei islâmica é uma das principais fontes de legislação. A sua população (não contando com trabalhadores emigrantes) é cerca de 70% xiitas e 30% sunitas.

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FONTE: Bahraini Bahais received at parliament (Sen’s daily)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Impuros - A minoria Bahá’í proscrita no Irão

Artigo de  Anthony Vance, porta-voz da Comunidade Bahá'í dos EUA, publicado no Huffington Post. Os links e os sombreados são da minha responsabilidade.
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Qualquer pessoa que tenha visto o filme "A Lista de Schindler" lembra-se da cena em que o protagonista do filme é temporariamente detido por beijar uma prisioneira judia de um campo de trabalho num momento raro de celebração. Esta era uma violação das leis raciais do regime nazi, que se baseavam em teorias que afirmavam que o "sangue" (ou genes) judaico era prejudicial para a sociedade e que, em alguns casos, os judeus eram mesmo portadores de uma contaminação perigosa.

Essas teorias perniciosas são, naturalmente, rejeitadas por sólidos dados científicos e hoje, geralmente, consideradas como resultado particularmente extremo de séculos de anti-semitismo na Europa. Embora os conceitos nazis se focassem concentrassem numa raça ou etnia e se destacassem pelos seus resultados brutais, há semelhanças surpreendentes com conceitos utilizados hoje no Irão que visam atingir as crenças do indivíduo.

Recentemente, um conhecido jornalista iraniano e antigo acérrimo defensor do regime, Mohammad Nourizad, visitou a casa de uma família Bahá’í no Irão para expressar o seu arrependimento pela situação da família. Durante a visita, ele aceitou uma chávena de chá de uma criança Bahá’í de 4 anos de idade e deixou-se fotografar beijando os pés da criança.

Os pais da criança - Kamran Rahimian e a sua esposa Faran Hessami - estão presos por terem trabalhado como instrutores de psicologia no BIHE (Instituto Bahá'í de Educação Superior). O BIHE foi criado pela comunidade Bahá’í, a maior minoria religiosa não-muçulmana do país, em 1987, como resposta à política do regime iraniano de excluir jovens Bahá'ís de ensino superior. As palavras de Nourizad, juntamente com a foto dele a beijar os pés da criança, provocaram muitas discussões no Irão, à medida que a fotografia e a história se espalharam pelas redes sociais. A comunicação social ocidental pegou na história e viu nela um acto de contrição por parte de Nourizad.

No entanto, é importante compreender que, no contexto da cultura iraniana, foi muito mais do que isso.

Lembro-me de histórias da década de 1980 em que os prisioneiros Bahá'ís no Irão eram levados de olhos vendados entre as suas celas e salas de interrogatório. Por vezes, os guardas para evitar tocar nos Baha'is, seguravam na ponta de um lápis e diziam ao prisioneiro para segurar na outra extremidade, de modo a conseguir guiar o prisioneiro sem ter de lhe tocar.

Num artigo publicado este ano, uma conhecida advogada iraniana, Mehrangiz Kar, recordou uma situação em que representava um cliente Baha'i que lhe tinha fornecido documentos. Kar estava satisfeita por ver que o julgamento era presidido por um juiz jovem, com educação formal em direito, com bom aspecto; assumiu que seria provável que ele tivesse menos preconceitos contra os Bahá'ís.

Quando o juiz estendeu a mão para receber os documentos, parou de repente e perguntou se os papéis tinham vindo do cliente Baha'i; depois retirou a mão, pegou um lenço de papel, e só então recebeu os documentos, certificando-se que a sua pele não tocava neles.

O conceito de purificação ritual encontra-se enraizado em várias tradições religiosas, incluindo do Islão e do Judaísmo. Hoje, ainda é aceite por muitos muçulmanos iranianos. O Governo Iraniano tomou medidas legais para se certificar que esta se aplica às profissões que os Bahá’ís podem exercer. Numa carta datada de 9 de Abril de 2007, o Gabinete de Supervisão de Locais Públicos da Força de Informação e Segurança Pública da província de Teerão enviou para os comandantes regionais da polícia e para os chefes das forças de informação e segurança, instruções para impedir os Bahá’ís de exercer um vasto leque de profissões, incluindo "negócios de elevado rendimento". A mesma carta também proibia os Bahá’ís de exercer em 25 "categorias de actividades sensíveis" e negócios, que incluem a indústria do turismo, a venda de computadores, publicações e uma vasta gama de negócios alimentares. Em relação a este último, a carta estabelece o seguinte: "De acordo com os cânones religiosos, não serão emitidas autorizações de trabalho para os seguidores da perversa seita Bahaista em categorias de negócios relacionados ao Taharat [limpeza] (1. Restauração em salas de recepção; 2. Buffets e restaurantes; 3. Mercearias; 4. Lojas de kebab; 5. Cafés; 6. Lojas de alimentos e supermercados; 7. Gelatarias, lojas de sumos de frutas e refrigerantes; 8. Confeitarias; 9. Esplanadas)"

Assim, ao visitar uma residência Bahá’í, ao beber chá em chávenas usadas pelos seus anfitriões, e ao beijar os pés da criança "impura", Nourizad estava a fazer muito mais do que expressar arrependimento. Ele estava a desafiar os fundamentos teológicos nas mentes de muitos iranianos, especialmente os seus clérigos, de que a perseguição e marginalização dos Bahá’ís na sociedade são justificáveis.

Para muitos, a simples menção da palavra Bahá’í tem sido um tabu. Um documentário realizado em 2011 - Tabu Iraniano" - por um iraniano cineasta muçulmano, Reza Allamehzadeh, abordou abertamente este tabu e as suas raízes históricas.

Não é por acaso que, nas várias entrevistas à comunicação social, o ex-presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, raramente, ou nunca, mencionou a palavra " Bahá'í ", em resposta a perguntas sobre a perseguição da comunidade Bahá’í. Em vez disso, ele usou expressões como "esse grupo" quando os referiu. Mais recentemente, em 29 de Julho, o líder supremo, o Ayatollah Ali Khamenei, reemitiu uma fatwa proibindo a socialização com a "seita perversa e enganadora", terminologia utilizado para se referir aos Bahá'ís.

Durante os últimos dez anos, porém, uma série de factores começaram a corroer este preconceito: a crescente consciência, muito facilitada pela Internet, sobre a natureza pacífica da comunidade Bahá’í; a grande circulação de uma carta aberta de 2009, dirigida à comunidade Bahá’í e assinada por mais de 250 conhecidos intelectuais e artistas iranianos, principalmente na diáspora, expressando "vergonha" pela forma como Irão tem tratado a sua minoria Bahá’í; a impopularidade do regime e da falta de credibilidade, que tem minado a sua propaganda anti-Bahá’í; o desejo da Prémio Nobel Shirin Ebadi em ser advogada do grupo de sete dirigentes Bahá’ís detidos, e a declaração do outrora sucessor oficial do Ayatollah Khomeini - o falecido Ayatollah Hussein Ali Montazeri - que em 2008 declarou que aos Bahá'ís devem ser concedidos "direitos de cidadania".

Agora, num momento em que a perseguição fomentada pelo Estado contra os Bahá’ís tem vindo a aumentar, Nourizad tocou corajosamente no cerne da questão e desafiou o preconceito profundamente enraizado de que os Bahá’ís, só por acreditar numa religião que surgiu após o Islão, são tão degenerados ao ponto de ser "impuros". Esperemos que o futuro demonstre que Nourizad desempenhou um papel relevante no desmantelamento de uma construção tão distorcida e destrutiva da realidade.

Entretanto, no meio deste ambiente, o Ocidente não pode permitir que a recente "ofensiva de charme" do governo iraniano se transforme em complacência sobre os direitos humanos. Vale a pena ressaltar que não havia Bahá'ís entre os 11 prisioneiros de consciência libertados em Setembro, imediatamente antes da visita do Presidente Rouhani à ONU. O governo iraniano também não revelou qualquer progresso na resolução do assassinato, em 24 de Agosto, de Ataollah Rezvani, um conhecido Bahá’í na cidade de Bandar Abbas, que tinha sido alvo de repetidas ameaças, tanto de funcionários do Ministério da Informação, como de telefonemas anónimos. A ausência de uma investigação séria consolida ainda mais a visão de muitos clérigos que o sangue Bahá’í é "mobah", o que significa que pode ser derramado impunemente, um estatuto que outras minorias religiosas iranianas reconhecidas pela Constituição Iraniana - cristãos, judeus e zoroastrianos - apesar dos seus sérios problemas com perseguições, não partilham com os Bahá’ís.

No dia 14 de Outubro, rusgas em 14 residências Bahá’ís na cidade de Abadeh foram seguidas por interrogatórios por funcionários do governo durante o qual os ocupantes das residências foram instados a deixar a cidade ou enfrentar eventuais esfaqueamentos; supostamente, os funcionários afirmaram que os habitantes da cidade estavam furiosos e prontos a atacá-los. Estas acções desmentem as declarações de tolerância do presidente Rouhani e outros altos funcionários e não augura nada de bom para o futuro imediato da comunidade Bahá’í. Cerca de 115 Bahá’ís permanecem nas prisões do Irão - o número mais alto em duas décadas - e, pelo menos, outros 430 com processo judiciais em curso, correm risco de ser presos.

Nos próximos meses, os responsáveis políticos fariam bem em considerar que a sinceridade das intenções do Irão para melhorar a sua imagem de direitos humanos e para se projectar como um actor responsável na comunidade internacional poderia mais exacta se fosse avaliada pelas suas acções em relação aos Bahá’ís. A libertação dos 115 prisioneiros Bahá’ís seria um início sério. No entanto, em última instância, os Bahá’ís nunca estarão livres de perigo e os seus direitos como cidadãos nunca estarão firmemente seguros enquanto a elite clerical do Irão não seguir o exemplo da Nourizad e repudiar publicamente os conceitos teológicos que os designa como "impuros" e o seu sangue como "mobah". Isso é o mínimo exigido pela aplicação de normas universais civilizadas, consagradas nos tratados internacionais de direitos humanos - dos quais o Irão é signatário - incluindo o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

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FONTE: 'Unclean' -- Iran's Outcast Baha'i Minority (Huffington Post)