sábado, 29 de março de 2014

Sobre a Sexualidade e a minha fé como Bahá'í

Por Akin Odulate.


Hoje em dia todo o mundo parece obcecado com o debate sobre a sexualidade humana.

Tenho testemunhado o debate em Lagos, na Nigéria, onde uma lei anti-gay foi aprovada, enquanto outra lei recente legalizou o casamento com meninas de menores de idade. Vivo na América, mas passo muito do meu tempo em África, e assim conheço dois mundos, e eu vejo a relatividade da cultura e da sociedade de forma muito clara.

Hoje na Nigéria, um acto sexual consentido praticado por dois adultos é criminalizado, enquanto no outro caso, os actos sexuais não consentidos praticados por um adulto sobre uma criança são legalizados. Isto levanta a questão: "Qual é o padrão?" E essa pergunta, por sua vez, suscita outra pergunta: "Deve existir um padrão?"

Penso que o papel desempenhado pelos padrões se encontra na criação das condições necessárias para o "cultivo". O cultivo, por sua vez, permite o surgimento da diversidade funcional e a diversidade funcional é a qualidade identitária que diferencia a vitalidade cultural do caos. Por outras palavras, os padrões permitem que a diversidade se expresse apenas em formas que não perturbem o desenvolvimento colectivo. Isto é, essencialmente, o método como um jardim é criado no meio do mato. De facto, no centro de qualquer ecossistema, encontramos um conjunto de normas orgânicas que, em última instância determinam como se expressa o impulso de desenvolvimento de todo esse ecossistema.

Assim, a pergunta que faço aos legisladores nigerianos é esta: "O que é que vocês estão, exactamente, a tentar cultivar?" Porque se olharmos para os aspectos comuns das duas leis recentemente aprovadas, percebemos que, no fundo, ambas definem o sexo como um acto violento - um acto usado principalmente para violar outros.

Esta mesma pergunta também se coloca hoje a nós, Bahá’ís, no debate aceso sobre a sexualidade. Os Bahá’ís tentam seguir os ensinamentos de Bahá'u'lláh, especialmente quando Ele fala sobre a Sua missão de trazer à existência uma "nova raça de homens". Ele dá cinco exemplos de como essa raça de homens seria, e o primeiro exemplo centra-se na relação entre a sexualidade humana, ganância material e violência. Ele descreve que essa nova raça de homens não se vai se comportar em relação às mulheres e ao dinheiro da forma como tem feito até agora, não porque sejam diferentes, mas porque eles dominarão o ego.

Neste respeito, o autocontrole começa por exigir sinceridade em vez de obediência. Na verdade, um outro excerto da mesma epístola, Bahá'u'lláh apresenta uma alegoria sobre a diferença fundamental entre sinceridade e obediência, afirmando, essencialmente, que o seu trabalho é com aqueles que estão sinceramente interessados na Sua missão. O padrão que Bahá'u'lláh estabelece para a sexualidade humana assenta no controle e na expressão do impulso sexual, focando essa expressão no âmbito do casamento. Mas muitos dos debates que actualmente grassas nas nossas sociedades, reduzem o valor de um ser humano, ou mesmo toda a sua identidade, a uma mera avaliação de um dos pequenos aspectos comportamentais da sua vida diária.

Para mim, a questão é menos aquilo que um indivíduo acredita, e mais a forma como ele/ela age de acordo com essas crenças. Qualquer Bahá’í que se debate com um dos ensinamentos de Bahá'u'lláh, já se deparou com o impulso único e dominante nos processos de transformação: a necessidade de trabalhar e crescer espiritualmente através de dificuldades. Na verdade, a dificuldade em colocar o estilo de vida em conformidade com os ensinamentos Bahá'ís pode ser usada como uma definição de trabalho da vida diária de todos os Bahá'ís - desde aqueles que vivem no Irão (para quem a vontade de não negar a sua fé os coloca num perigo imediato e persistente) aos Bahá’ís individuais noutras partes do mundo (que têm dificuldade em cumprir as vigorosas leis contra maledicência e calúnias).

Assim como Bahá'í, estou pouco interessado no que os outros pensam das minhas crenças; estou interessado exclusivamente na forma como manifesto as minhas convicções na minha vida, de modo a expressar plenamente quem eu sou e o papel que desempenho no cultivar de uma "nova raça de homens". Mas, para mim, reduzir esse papel apenas a um reflexo de um aspecto da minha realidade - a minha sexualidade e a sua expressão - é, de facto, cultivar activamente a sociedade actual e seus valores deslocados. Isso vai contra a essência da mensagem de Bahá'u'lláh, uma mensagem em que acredito, mas que não tenho desejo de 'forçar' mais ninguém a acreditar.
Devemos ver em cada ser humano apenas aquilo que é digno de louvor. Quando isto for feito, podemos ser um amigo de toda a raça humana. No entanto, se olhamos as pessoas do ponto de vista das suas falhas, então ser um amigo para eles é uma tarefa gigantesca...

Assim é nossa incumbência, quando dirigimos o nosso olhar para as outras pessoas, para ver onde eles se excedem, e não onde eles falham. ('Abdu'l-Bahá, Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, nº 144)
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Texto original em inglês: On Human Sexuality and My Faith as a Baha’i (Baha’iTeaching.org)

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Akin Odulate, é um Baha'i nascido na Nigéria e residente nos Estados Unidos; é administrador da empresa de consultoria Dawning Systems, Inc. É pai de três filhos, tem mestrado em Gestão da Comunicação da Annenberg School, em Los Angeles e um bacharelato em Cinema e Televisão na George Lucas Film School at USC.

quarta-feira, 26 de março de 2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

Há 136 Bahá’ís presos no Irão...

...mas o Sr. Larijani acha que não!

Diane Alai, a representante da comunidade Bahá’í, reagiu às declarações feitas por Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano, no passado dia 17 Março, que afirmou que no Irão não existem Bahá'ís que estejam presos devido à sua religião.

O Sr. Larijani
"Actualmente há 136 Bahá’ís nas prisões da República Islâmica que foram presos apenas porque são Bahá’ís. Eles não cometeram nenhum outro crime", afirmou a srª Alai à organização International Campaign for Human Rights in Iran. Acrescentou que alguns Bahá’ís presos foram acusados de participar em "organizações ilegais" ou "espionagem para países estrangeiros", mas não foi apresentada qualquer evidência que provasse tais acusações.

"O sr. Larijani deve estar mal informado sobre a actual situação da comunidade Bahá’í no Irão", declarou a Srª Alai, "Caso contrário saberia que os jovens Bahá’ís não podem frequentar a universidade, que os cemitérios Bahá’ís são demolidos por tractores e que as lojas pertencentes a Bahá’ís são encerradas estão quando seus donos fecham os estabelecimentos durante os feriados Bahá’ís."

A srª Alai acrescentou que representantes de dezenas de países se reuniram com relator especial da ONU, Ahmed Shaheed para expressar as suas preocupações sobre violações de direitos humanos contra os Bahá’ís no Irão.

A representante da Comunidade Bahá'í, que apresentou um relatório à 25 ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, neste mês, afirmou que o governo iraniano não está preparado para assumir as suas responsabilidades em questões de direitos humanos e, portanto, é incapaz de cooperar para resolvê-los.

A srª Alai elogiou um grupo de activistas civis no Irão, que escreveu recentemente uma carta aberta ao presidente Rouhani pedindo direitos Bahá’ís que devem ser respeitados. "Este foi um passo muito positivo e importante", afirmou. "Todos os dias vemos mais iranianos comuns que defendem os Bahá'ís."

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FONTE: Despite Officials’ Claims, 136 Baha’is Held in Prison, Says Representative

sábado, 22 de março de 2014

A Revelação Progressiva e as Religiões "Estranhas"

Por Tom Tai-Seale.


Fanatismo e adesão dogmática às velhas crenças tornaram-se a fonte central de animosidade entre os homens, o obstáculo ao progresso humano, a causa da guerra e conflito, o destruidor da paz, da serenidade e bem-estar no mundo. ('Abdu'l-Bahá, Promulgation of Universal Peace, p. 439).
Para cada um de nós nesta extraordinária nova era na história da humanidade, o nosso dever mais sagrado significa examinar as nossas convicções religiosas. Como 'Abdu'l-Bahá sugere acima, o conflito religioso não é apenas o mais profundo inimigo da humanidade; a construção de uma estrutura de sociedade que nos inclua a todos também exige nos libertemos desse conflito.

Somente uma sociedade construída sobre verdades espirituais profundas tem alguma possibilidade de resistir ao teste do tempo. Podemos construir essa sociedade se cada um de nós - independentemente das nossas origens religiosas, independentemente da grandeza das nossas convicções - fizer uma pausa para investigar os fundamentos da sua fé religiosa, à luz das novas informações sobre religião, que nos permitem a vivência numa sociedade global. Devemos ousar perguntar a nós próprios, que parte da nossa religião é essencial e que parte pode ser descartada? Em termos bíblicos, devemos determinar a diferença entre o trigo e o joio.

Claro que os Bahá’ís não acreditam que se possa fazer isso sem ajuda. Vamos precisar de uma validação divina. No entanto, podemos e devemos reconhecer a natureza do nosso dilema religioso: no meio de infindáveis e diferentes declarações intra-religiosas e inter-religiosas, o essencial deve ser verdade, e a verdade é só uma.

O primeiro passo na busca dessa verdade passa pelo questionar das nossas fontes de informação.

Pense, num minuto, nos seus conhecimentos sobre religião, sobre os seus sentimentos gerais em relação às várias religiões mundiais. Você considera algumas religiões como familiares e outras como estranhas? Muita gente pensa assim; então, comecemos por aí.


Aprendemos que as religiões são "estranhas" através de má informação. Geralmente isso começa quando aceitamos uma verdade parcial ou um exagero como uma verdade plena. Considere-se algumas desses falsos conhecimentos: os Hindus são politeístas; os Budistas não têm Deus; os Zoroastrianos têm dois deuses; os Judeus afastaram-se de Deus; os Cristãos acreditam que apenas eles serão salvos; os Muçulmanos espalham a sua religião pela espada... Na verdade, tudo o que muitas pessoas sabem sobre as outras religiões são falsos aforismos como estes. Usando esses entendimentos desajustados, muitos adeptos religiosos, fazem esforços consideráveis a menosprezar pessoas de outras religiões. Os ensinamentos Bahá’ís refutam completamente essa ideia. Bahá'u'lláh escreve:
Que às diversas comunhões da terra, e aos múltiplos sistemas de crença religiosa, nunca seja permitido promover o sentimento de animosidade entre os homens, é, neste Dia, a essência da fé de Deus e da Sua religião. (Epístola ao Filho do Lobo, parag. 17).
De facto, os Bahá’ís tentam combater e eliminar os desentendimentos e preconceitos religiosos a que as pessoas se agarram. Bahá'u'lláh aconselha:
Preparai-vos os vossos esforços, ó povo de Bahá, para que, porventura, o turbilhão da contenda e conflito religioso que agita os povos da terra possa ser imobilizado, para que todos os seus vestígios possam ser completamente eliminados. Por amor a Deus, e aos que O servem, levantai-vos ajudar esta sublime e monumental Revelação. O fanatismo e o ódio religioso são um fogo que devora o mundo, e cuja violência ninguém pode extinguir. A Mão do poder divino pode, só por si, livrar a humanidade desta aflição desoladora. (Epístola ao Filho do Lobo, parag. 18)
Bahá'u'lláh aconselha os Bahá’ís: "Associai-vos com os seguidores de todas as religiões, num espírito de amizade e fraternidade". E Bahá’ís acreditam firmemente que:
... a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa, que a Revelação Divina é um processo contínuo e progressivo, que todas as grandes religiões do mundo têm origem divina, que os seus princípios elementares estão em completa harmonia, que os seus objectivos e propósitos são o mesmo, que os seus ensinamentos são apenas facetas de uma verdade, que as suas funções são complementares, que diferem apenas em aspectos não-essenciais das suas doutrinas, e que as suas missões representam sucessivas etapas na evolução espiritual da sociedade humana. (Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, p. v.)

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Texto Original: Progressive Revelation and “Foreign” Faiths


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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A & M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press

terça-feira, 18 de março de 2014

Cosmos e a Fé Bahá’í

Por Mitko Gerensky, no blog Befriend Stranger.

Durante minha juventude na Bulgária comunista, vi na televisão estatal um programa fascinante pelo notável cientista americano Carl Sagan, "Cosmos", que reafirmou o meu fascínio pela ciência e pela incansável busca da verdade. A noção de Deus quase não existia na minha vida diária pois a ideologia estatal do materialismo histórico tinha naquela época obliterado na maioria das pessoas da minha geração qualquer referência a um Criador inteligente. No entanto, sempre houve uma busca por algo mais do que os olhos podiam ver. Apaixonei-me pela ficção científica como uma ferramenta criativa que dava as asas à minha imaginação e antevia um mundo em que todos coexistíamos pacificamente e explorávamos o universo. Ao terminar a universidade, conheci um grupo de Bahá’ís que me disse que de acordo com Bahá'u'lláh, a ciência e a religião devem estar em harmonia. A minha descrença transformou-se num abraço à evolução da religião através da sua revelação progressiva. Tornei-me Bahá’í.

Cosmos: Uma Odisseia no Espaço-Tempo
Ontem, vi o primeiro episódio do inspirador - e actualizado - da série Cosmos: Uma Odisseia no Espaço-Tempo, desta vez conduzido pela vedeta da ciência, Neil deGrasse Tyson, que é o verdadeiro sucessor de Carl Sagan.


Fiquei tão fascinado e inspirado com o primeiro episódio que hoje voltei a vê-lo com as minhas filhas que gostaram muito. A mais jovem, Juliet, comentou o quão pequena se sentia ao testemunhar a imagem notável da vastidão do universo. E quem é que não se sente pequeno ao perceber que a Criação é ilimitada, o que para mim, apesar de (ou devido a) ter crescido como ateu, é uma grande prova da existência de um Criador infinito.

Anoitecer e Amanhecer

Apesar de ter sido ateu na minha juventude, nunca deixei de me maravilhar com o poderoso papel que a religião desempenhou como inspiradora de conhecimento - juntamente com a sua revelação – e as tentativas que fez para o silenciar durante o seu declínio. "Nightfall", um romance brilhante escrito pelos meus dois escritores preferidos de ficção científica, Isaac Asimov e Robert Silverberg, ilustrava, aquilo que me tinha sido apresentado na Fé Bahá'í: que, de facto, a verdadeira ciência e a verdadeira religião não têm de ser mutuamente exclusivas. Apesar de ter a certeza que "Cosmos" e a sua atitude em relação à religião e a Deus pode ser interpretado de inúmeras maneiras, para mim, pessoalmente, reafirma a crença de que por detrás da incrível Criação existe um Criador inteligente, e a religião - tal como a ciência - continuará a actualizar-se através daquilo a que a Fé Bahá'í chama revelação progressiva, a fim de nos iluminar e nos guiar para a plena realização do glorioso destino da humanidade.

Hoje à noite, após o encontro de oraçoes, decidi procurar referências nas Sagradas Escrituras a alguns dos tremendos diversificados e interligados tópicos da série "Cosmos". Não surpreendentemente, encontrei uma infinidade de citações inspiradoras que as imagens de "Cosmos" parecem ilustrar de forma tão bela. Aqui, por razões de brevidade, deixo apenas algumas:
"Magnificado seja o Teu nome, ó Senhor meu Deus! És Aquele a quem todas as coisas adoram e que venera a ninguém, Aquele que é o Senhor de todas as coisas e vassalo de nenhuma, Aquele que conhece todas as coisas e é conhecido de nenhuma. Desejaste-Te tornar-Te conhecido aos homens e, assim, através de uma palavra da Tua boca, trouxeste a criação à existência e formaste o universo. Não há outro Deus senão Tu, o Formador, o Criador, o Omnipotente, o Mais Poderoso." (Prayers and Meditations by Bahá’u’lláh, pag. 6)

"Uma gota do oceano encapelado da Sua infinita mercê adornou toda a criação com o ornamento da existência, e um sopro, emanado do Seu incomparável Paraíso envolveu todos os seres com o manto da Sua santidade e glória. Um salpico das insondáveis profundezas da Sua vontade soberana e predominante chamou das profundezas do nada absoluto à existência uma criação de infinita extensão e imortal duração. As maravilhas da Sua generosidade não podem cessar, e o fluxo da Sua graça misericordiosa jamais será detido. O processo da Sua criação não teve início, e não poderá ter fim.

Em cada era e ciclo, Ele, através da luz esplendorosa emanada dos Manifestantes da Sua maravilhosa Essência, tem recriado todas as coisas, de modo que nada nos céus e na terra que reflicta os sinais da Sua glória seja privado das emanações da Sua misericórdia, nem desespere das chuvas dos Seus favores. Como são abrangentes as maravilhas da Sua infinita graça! Vede como têm impregnado a criação inteira. Tamanha é a sua virtude que não se encontra em todo o universo um só átomo que não declare as evidências do Seu poder, que não glorifique o Seu santo Nome ou expresse a luz fulgente da Sua unidade. Tão perfeita e vasta é a Sua criação, que nunca alguma mente ou coração poderá, por mais apurada ou pura que seja, abranger a natureza da mais insignificante das Suas criaturas e, muito menos, sondar o mistério d'Aquele que é o Sol da Verdade, Aquele que é a Essência invisível e incognoscível. (…)

Como me sinto confuso, insignificante que sou, ao tentar sondar as sagradas profundezas do Teu conhecimento! Quão fúteis os meus esforços ao imaginar a magnitude do poder inerente à Tua obra - a revelação do Teu poder criador! Como podem os meus olhos, que não têm a faculdade de se perceberem a si próprios, alegar terem discernido a Tua Essência, e como pode o meu coração, já incapaz de entender o que significam as suas próprias potencialidades, ter a pretensão de haver abarcado a Tua natureza? Como posso eu dizer que Te tenha conhecido, quando a criação inteira se encontra perplexa diante do Teu mistério, e como posso confessar eu não Te ter conhecido, quando, eis, todo o universo proclama a Tua Presença e dá testemunho da Tua verdade? (Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh , sec. XXVI)
Vocês já viram a série "Cosmos"? Que ideias vos inspirou? Que perguntas levantou? Que respostas vos deu?

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Texto Original: Cosmos and the Baha’i Faith (Befriend Stranger)

sábado, 15 de março de 2014

Os Ateus dizem que a Religião provoca Ignorância e Ódio

Por David Langness.

Uma série de filósofos, pensadores e comentadores ateus escreveram livros e ensaios influentes ao longo das últimas décadas, afirmando cada um deles que a religião se tornou uma força de ódio, violência e mal no mundo. Escritores como Sam Harris, Christopher Hitchens e Richard Dawkins publicaram manifestos ateus populares. A maioria dos seus livros, como a seguinte citação de O Fim da Fé, contêm alguma variante sobre a ideia da religião como um "mero acidente da história", onde "é considerado normal na nossa sociedade acreditar que o criador do universo pode ouvir as nossas preces, mas considera-se como sintoma de doença mental a convicção de que ele pode comunicar connosco em código morse através do baquetear da chuva na janela do nosso quarto"(p. 78). Na verdade, Harris e outros, equiparam constantemente a religião à loucura, e clamam por uma visão ateísta e racional da realidade baseada apenas nos aspectos mais elevados da natureza humana. Harris afirma que:
Os únicos anjos que precisamos invocar são as da nossa melhor natureza: a razão, honestidade e amor. Os únicos demónios que devemos temer são aqueles que se escondem dentro de todos os espíritos humanos: a ignorância, o ódio, a ganância e a fé, que é seguramente obra do diabo (p.253).
Pode ser surpreendente perceber que, em muitos aspectos - mas não todos - os ensinamentos Bahá’ís realmente concordam com partes importantes desta análise. É claro que, ao contrário dos filósofos ateus, os Bahá’ís acreditam em Deus. No entanto, 'Abdu'l-Bahá exortou-nos a afastarmo-nos completamente de qualquer religião que leve a humanidade à desunião, ao ódio e à guerra:
... os ensinamentos divinos estão destinados a criar um vínculo de unidade no mundo humano e estabelecer as bases do amor e da comunhão entre os homens. A religião divina não é um motivo de discórdia e desentendimento. Se a religião se torna a fonte de antagonismo e conflito, então a ausência de religião é preferível. A religião está destinada a despertar a vida do corpo político; se se torna causa da morte para a humanidade, a sua não existência seria uma bênção e benefício para o homem. (Foundations of World Unity, p. 22)
Na verdade, Bahá’u’llah proclamou os ensinamentos Bahá’ís devido ao declínio profundo e desastroso da religião; porque os ensinamentos das anteriores religiões se tinham corrompido; porque a ignorância, o ódio e a ganância floresceram em nome da religião, por todo o mundo. Os ensinamentos Bahá’ís apelam a uma nova fé, revitalizada em Deus; à compreensão da realidade mística subjacente a todas as coisas; a uma re-dedicação das virtudes espirituais eternas da razão, honestidade e amor. A visão Bahá’í do futuro da humanidade consagra o conceito de iluminação humana através de uma crença positiva e benéfica de que Deus não nos deixou sem orientação:
Depois de cada noite há um amanhecer. Na suprema sabedoria de Deus está decretado que, quando as trevas do ódio e hostilidade religiosa, a obscuridade da ignorância religiosa, a superstição e imitações cegas cobrirem o mundo, o Sol da Verdade levantar-se-á e o espírito da realidade manifestar-se-á e reflectir-se-á nos corações humanos... Em breve, a escuridão terminará por completo, e as regiões do Oriente tornar-se-ão completamente iluminadas; a inimizade, o ódio, a ignorância e o fanatismo não permanecerão; os poderes satânicos que destroem a igualdade humana e unidade religiosa serão destronados, e as nações viverão em paz e harmonia, sob a bandeira desfraldada da unicidade da humanidade. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pags 440-441)
Em muitos aspectos, os novos ateus salientam o mesmo tópico que Bahá'u'lláh no século 19, e 'Abdu'l-Bahá fez há um século - que os dogmas ultrapassados e rituais antiquados, sistemas de crenças sectários e divisivos, todos se tornam uma aflição colectiva para a humanidade, em vez de um remédio:
A religião deve ser motivo de afecto. Deve ser um portador de alegria. Se se tornar a causa da diferença, seria melhor bani-la. Se se torna fonte de ódio, ou a guerra, seria melhor que não existisse. Se um remédio provoca ainda mais doenças, é melhor descartar remédio. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 82) 
 Não há dúvida que os novos escritores e filósofos ateus descobriram esta verdade auto-evidente da idade moderna, ao perceber que a humanidade tem que descartar as suas crenças antiquadas e encontrar um novo caminho em direcção ao seu destino. Mas essa verdade parcial incide apenas sobre a escuridão do inverno, e ignora a luz da nova primavera. Essa verdade parcial não consegue ter a visão global, nem captar todo o âmbito do ciclo da história humana em que vivemos e lutamos agora. Mais importante ainda, essa verdade parcial deixa de fora o surgimento de Bahá'u'lláh, o portador de uma nova fé para a humanidade.

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Texto Original: Atheists Say Religion Causes Ignorance and Hatred (bahaiteachings.org)

Texto anterior: Religião: o Agente Mais Nocivo neste Planeta? 

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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 12 de março de 2014

sábado, 8 de março de 2014

Religião: o Agente Mais Nocivo neste Planeta?

Por David Langness.


Há uns dias atrás, um amigo historiador e eu tivemos uma longa discussão sobre religião. Quando ele soube da minha crença na Fé Bahá’í, desafiou-me dizendo: "Eu penso que a religião tem sido responsável pela maior parte dos problemas da humanidade ao longo da história."

Ele ficou surpreendido quando concordei.

Disse-lhe que Bahá'u'lláh, o Profeta e Fundador da Fé Bahá'í, falou abertamente contra todas as formas antiquadas, dogmáticas e degeneradas de religião. Na verdade, Bahá'u'lláh culpou os dirigentes corruptos das religiões pelo caos e confusão no mundo, e pelo sofrimento dos Profetas de Deus:
Os dirigentes da religião, em todas as épocas, têm impedido o seu povo de atingir as margens da salvação eterna, na medida em que possuem o controlo da autoridade nas suas poderosas mãos. Alguns por desejo de poder, outros por falta de conhecimento e compreensão, têm sido a causa da privação do povo. Com o seu consentimento e autoridade, todo o Profeta de Deus sorveu do cálice do sacrifício, e elevou o Seu voo até aos cumes da glória. Que indescritíveis crueldades, aqueles que ocuparam lugares de autoridade e de erudição, infligiram sobre os verdadeiros Monarcas do mundo, essas Joias da virtude divina! Contentando-se com um poder transitório, privaram-se de uma soberania eterna. (O Livro da Certeza, parágrafo. 15)
Depois da nossa discussão, penso que o meu amigo percebeu que os Bahá’ís têm uma visão distinta, científica e factual da história da religião. Acreditamos, expliquei-lhe, nas origens puras e altruístas de todas as grandes religiões. Acreditamos que os ensinamentos originais dos profetas e fundadores das grandes religiões do mundo têm constituído o principal instrumento para a definição do carácter moral, ordem e harmonia no mundo. Mas os Bahá’ís também consideram que o clero, que assumiu o poder e o controle das mentes das pessoas, alterou e adulterou lentamente a pureza desses ensinamentos originais, substituindo-os por dogmas e superstições, e usou a sua posição para promover os seus próprios interesses. A religião degradou-se gradualmente e tornou-se corrupta, conflituosa e morta, desprovida dos seus ideais, inspiração e intenção originais.


Em cada ciclo de revelação religiosa ocorreu este padrão de declínio gradual e renovação por revelação. Como em todas as coisas, o novo substitui o antigo. A verdadeira religião, quando aparece no mundo, traz amor e unidade para a humanidade. Mas, como dizem claramente as escrituras Bahá’ís, quando essa intenção original é corrompida por "líderes" religiosos, a religião pode tornar-se "o agente mais nocivo neste planeta":
A verdadeira religião é a base da civilização divina. A civilização material é semelhante ao corpo; civilização divina é semelhante ao espírito. Um corpo sem espírito está morto, embora se possa vestir com a maior beleza e formosura.
Em resumo, por religião entendemos esses laços necessários que têm poder de unir. Esta sempre foi a essência da religião de Deus. Esta é a dádiva eterna de Deus! Este é o objectivo de ensinamentos e as leis divinas! Esta é a luz da vida eterna! Mas que desgraça! Mil vezes que desgraça, quando esta base sólida é abandonada e esquecida, e os líderes das religiões constroem um conjunto de superstições e rituais que estão em completo desacordo com o pensamento basilar. E porque estas ideias artificiais diferem umas das outras, estas causarão contenda que gera conflitos e termina em guerra e derramamento de sangue; o sangue de pessoas inocentes é derramado, os seus bens são pilhados e os seus filhos tornam-se cativos e órfãos.

Assim, a religião que estava destinada a tornar-se a causa da amizade tornou-se a causa da inimizade. A religião, que era para ser como mel doce, é transformada em veneno amargo. A religião, cuja função era iluminar a humanidade, tornou-se factor de obscurantismo e tristeza. A religião, que devia conferir consciência sobre a vida eterna, tornou-se um diabólico instrumento de morte. Enquanto estas superstições forem utilizadas e estas redes de dissimulação e hipocrisia estiverem disponíveis, a religião será o agente mais nocivo neste planeta. Estas tradições obsoletas, que são herdadas até aos dias de hoje, devem ser abandonadas, e assim, livres das superstições do passado, devemos investigar o propósito original. A base sobre a qual construíram as super-estruturas será vista como uma, e única, realidade absoluta; e porque a realidade é indivisível, a unidade e a amizade plenas serão instituídas e a verdadeira religião de Deus revelar-se-á em toda a sua beleza e sublimidade na assembleia do mundo. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, pags. 161-162.)
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Texto Original: Religion - The Most Harmful Agency on the Planet? (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

terça-feira, 4 de março de 2014

Ayatollah Mesbah Yazdi: "Direitos iguais para Bahá’ís e Judeus é contra o Islão"

Ayatollah Mesbah Yazdi
Num discurso para professores e seminaristas, o Ayatollah Mesbah Yazdi, um influente clérigo de linha-dura do regime iraniano, afirmou: "Houve quem avançasse com um plano para os direitos de cidadania e queira dar direitos iguais aos Bahá’ís, aos judeus e aos muçulmanos e ... Nós nunca poderemos aceitar isso." Esta foi uma referência inequívoca ao projecto de Carta dos Direitos de Cidadania apresentado pelo governo de Rouhani, em Novembro passado.

A raiva do sr. Yazdi incidia no princípio de que todos os cidadãos são iguais perante a lei. "Todos os cidadãos iranianos, independentemente do seu sexo, etnia, riqueza, classe social, raça, etc., desfrutam de direitos de cidadania e as garantias previstas em normas e regulamentos", declara primeiro artigo do projecto da Carta. A frase não inclui o termo "religião", provavelmente de forma intencional, mas o "etc." deixa muito espaço para especulação. Alguns radicais têm sido rápidos a especular que isto poderá abrir espaço para a Comunidade Bahá’í, que tem sido incansavelmente hostilizada desde o início da Revolução Islâmica.

"O padrão é sempre o Islão", disse Yazdi aos alunos da escola teológica. "Direitos humanos ocidentais e direitos de cidadania, significando igualdade entre os Muçulmanos e os Bahá’ís, não tem relação com o Islão. Estes direitos, conforme descritos pelo Ocidente, vão totalmente contra o Islão, a constituição e o caminho do Imam [Ayatollah Khomeini]. O povo deste país, que sofreu agruras e deu tantos mártires, não aceitaria nada que vá contra o Islão. Claro que, mesmo aqueles que não são muçulmanos devem ser respeitados. Eles têm direitos, que o Islão reconhece."

Cidadãos de segunda-classe

O Ayatollah Yazdi defendeu que a desigualdade religiosa é aceitável. "O Islão nunca considera um judeu e um muçulmano como iguais", declarou. "Apesar do Islão ter conferido alguns direitos aos judeus, isso não significa que eles sejam iguais em todos os direitos. Por vezes isso é designado «cidadania de segunda classe». Podem chamar-lhe o que quiserem, mas isso não muda a realidade."


Activistas de direitos humanos e comentadores liberais têm feito várias críticas à Carta dos Direitos, classificando-a como "elegante, mas inútil" e uma "miscelânea de coisas"; mas o sr. Yazdi vê a carta como um texto anti-Islâmico, tanto na letra, como no espírito.

Uma fantasia marginal

O espírito, é claro, vem das pessoas que redigiram o projecto sob as ordens de Rouhani. Dirigindo-se aos estudantes, o sr. Yazdi afirmou que aqueles que promovem os direitos de cidadania estão errados sobre o Islão e errados sobre a história da República Islâmica. E acrescentou que quando os defensores dos direitos de cidadania citam o respeito do Ayatollah Khomeini pelas práticas democráticas, como o direito a votar, eles estão a distorcer as suas palavras. Eles acreditam que Khomeini "foi uma figura política e um herói nacional que se opôs ao antigo regime - que prejudicava o país - e queria estabelecer um sistema que seria mais vantajoso para o povo." Mas, segundo o sr. Yazdi, isso é simplesmente falso. "As pessoas que pensam assim são seculares e, na sua opinião, o bem e o mal consistem em coisas materiais", declarou, acrescentando que, para essas pessoas "o mal é o atraso material e a ausência de bem-estar; simultaneamente, o bem está na utilização de tecnologia e em proporcionar uma vida boa para todos. Eles acreditam que a religião é algo marginal, uma fantasia."

O Islão era absolutamente central no pensamento de Khomeini, afirmou o sr. Yazdi. "Quando ele disse que a sociedade enfrentava um grande perigo, ele queria dizer um grande perigo para o Islão. Isso era algo que não era importante para muitos políticos."

Um estudante perguntou: "As pessoas que querem igualdade de direitos para todos os cidadãos são inimigas do Islão? ". "Eles não são realmente inimigos do Islão", foi a resposta, "mas esta é a forma como eles veem o mundo, especialmente se a pessoa foi educada em Inglaterra ou noutro lugar assim, porque nesses lugares eles falam dos direitos humanos, dos direitos de cidadania e outros direitos com tal reverência que, gradualmente, o aluno chega a considerá-los como a questão mais importante." O sr. Yazdi acrescentou que, apesar de ter 80 anos, ainda poderia cair sob a influência da retórica ocidental, se viajasse para um desses países. Então seria lógico supor que um "jovem que não tenha compreensão profunda dos princípios islâmicos" possa ser particularmente vulnerável à influência.

Este não é o primeiro ataque à proposta de Carta de Direitos Humanos do presidente Rouhani. Mas é o ataque mais significativo. E é de esperar que surjam mais ataques.

Para concluir, convém lembrar que entre o clero iraniano há quem tenha opiniões totalmente diferentes do sr. Yazdi

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Traduzido e adaptado de: Ayatollah Mesbah Yazdi: "Equal Rights for the Baha'is and the Jews are Against Islam" (IranWire)

sábado, 1 de março de 2014

Comparar as Religiões, Procurar a Verdade

Um texto de Tom Tai-Seale.


Aquele conselho humano perpétuo e universal - Conhece a Ti Mesmo - surgiu provavelmente entre os filósofos gregos. Hoje, podemos acrescentar um outro conselho: conheçam os vossos sistemas de crença.

À medida que investigamos as diferentes religiões vamos, inevitavelmente, descobrir diferenças entre elas. É importante ressaltar que essas diferenças podem ser apenas o resultado de uma expressão cultural - e, portanto, existem apenas no nome e na forma. Os Bahá’ís acreditam que a maioria das diferenças religiosas apenas existe na superfície; se investigarmos a fundo, percebemos que todas as grandes religiões concordam:
Portanto, as religiões divinas [os profetas de Deus] estabelecidas têm uma fundação; os seus ensinamentos, provas e evidências são um só; no nome e na forma elas diferem, mas na realidade elas concordam e são a mesma. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 151)
Mesmo diferenças nas Escrituras pode ser mais no nome e na forma, do que inicialmente poderiam parecer. Após uma análise cuidadosa, fica claro que a Escritura é de dois tipos: um tipo aborda a fé, moral e ética, e define a nossa relação com Deus. O outro tipo aborda as circunstâncias particulares dos destinatários da Escritura - as necessidades da época e das pessoas que viviam nesse tempo. Destes dois tipos de Escritura surgiram dois tipos de leis: sociais e espirituais. Quando comparadas, as verdadeiras religiões dão conselhos muito semelhantes em relação aos fundamentos de uma vida espiritual, apesar de poderem variar muito quando comparamos os seus componentes sociais e temporais. Bahá'u'lláh diz-nos que grande parte da diferença entre as religiões
"…deve ser atribuída aos diferentes requisitos das eras em que foram promulgadas." (Epístola ao Filho do Lobo, p. 13)
Sermão da Montanha, por James Tissot
A dificuldade para compararmos religiões está em determinar quanto das necessidades da época e da capacidade dos povos moldaram a religião em causa. As palavras de Cristo, em que Ele dizia que tinha muitas coisas para nos dizer mas que ainda nãos as podíamos compreender (João, 16:12) aplica-se igualmente bem aos fundadores das outras religiões.

Os primeiros destinatários de uma religião determinam, em grande medida, o que será revelado nessa religião, pois os seres humanos têm uma compreensão limitada. Os Profetas têm que usar os nossos instrumentos de linguagem e conceitos para comunicar connosco, e como esses instrumentos diferem de cultura para cultura, o resultado final da religião também pode diferir.

Além disso, os ensinamentos religiosos raramente são registados na perfeição. Transmitidos oralmente, toda a aprendizagem espiritual inclui a inevitabilidade da interpretação e a possibilidade da distorção. Quando as pessoas deixam de considerar cuidadosamente as diferentes interpretações, o resultado é muitas vezes um conflito terrível:
Na medida em que as interpretações humanas e imitações cegas são diferem muito, os conflitos e as contendas religiosas surgiram entre os homens; a luz da verdadeira religião foi extinta e a unidade do mundo da humanidade foi destruída. ('Abdu'l- Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 141)
Assim, em cada era, as pessoas têm a oportunidade dupla para dar forma à religião: proporcionam a linguagem e os conceitos que os Profetas usam e também controlam, até certo ponto, o que se passa após o falecimento do Profeta. Por este motivo, será sempre difícil saber quanto do que recebemos é parte daquilo que foi ensinado pelo Profeta.

Esta perda natural de inspiração significa que a religião deve ser renovada em cada era, porque num determinado momento no tempo, necessitamos novamente de orientação espiritual. Ainda ouvimos os antigos ensinamentos - mas eles parecem já ser adequados aos tempos, ou nós não somos capazes de adequar os tempos aos ensinamentos. Quando isso acontece, sentimos uma urgência em reconciliar a nossa fé e os tempos.

Quando surge a nova religião, porém, esta nunca é totalmente nova. Cada nova religião deve levar-nos de regresso às antigas raízes da religião – à parte comum e essencial que todas as religiões partilham. Mas, além disso, também deve impulsionar-nos para a nova luz dos nossos tempos. Todo este processo de reafirmação de verdades antigas e crescimento é aquilo que os Bahá'ís designam por Revelação Progressiva. A nova religião pode trazer diferentes leis, costumes, rituais e celebrações; mas nas verdades espirituais essenciais terão sempre mais semelhanças do que diferenças em relação à antiga religião.

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Texto Original: Comparing Religions, Looking for Truth (bahaiteachings.org)


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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A & M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press