quarta-feira, 30 de abril de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Amanhã de manhã vais ser fuzilada
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| Mulheres Judias detidas em Budapeste, 1944 |
A Fé Bahá'í surgiu em meados do séc. XIX, e espalhou-se rapidamente por todo o mundo durante os seguintes 100 anos. Em pouco mais de um século, tornou-se a segunda fé mais dispersa no mundo.
A Fé Bahá'í é a única religião que cresceu mais rapidamente em todas as regiões das Nações Unidas nos últimos 100 anos do que a população em geral; [a Fé] Bahá’í foi, assim, a religião que mais cresceu entre 1910 e 2010, crescendo pelo menos duas vezes mais rápido que a população de praticamente todas as regiões da ONU (The World’s Religions in Figures: An Introduction to International Religious Demography, p. 59.)As primeiras comunidades Bahá'ís fora do Médio Oriente - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Índia e Alemanha – surgiram nas décadas 1890 e 1900. Os primeiros Bahá'ís alemães - Alma Knobloch e o Dr. Edwin Fischer, um dentista – conheceram a Fé quando eram imigrantes em Nova Iorque, e regressaram a Estugarda no início do século XX. Começando com essas duas pessoas, a comunidade Bahá’í alemã cresceu rapidamente.
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| Antigo e Novo Memorial de 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergentheim |
Apesar das angústias e tribulações da Primeira Guerra Mundial e da inflação galopante durante a República de Weimar, a comunidade Bahá’í floresceu durante a década de 1920. Em 1923 a comunidade Bahá’í alemã estava suficientemente bem estabelecida e formou uma das primeiras Assembleias Espirituais Nacionais Bahá'ís do mundo, o órgão dirigente democraticamente eleito pelos Bahá'ís do país.
E depois os nazis tomaram o poder.
Quando Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha, em 1937, ele acusou a religião de "tendências internacionais e pacifistas." Após decreto de Himmler, o governo nazi começou a atacar os Bahá’ís, primeiro destruindo o memorial público a 'Abdu'l-Bahá em Bad Mergntheim, e depois, em 1939, lançando na prisão os antigos membros da Assembleia Espiritual Nacional Bahá’í da Alemanha. Os Bahá’ís estiveram na cadeia, alguns durante longos períodos de tempo, sem acusações. Em 1942, ocorreram mais prisões. Muitos dos Bahá'ís da Alemanha e dos países vizinhos desapareceram nos campos de concentração nazis, e os pormenores sobre os seus destinos, como milhões de outros, provavelmente nunca será conhecido.
Ironicamente, em Maio de 1944 - exactamente cem anos após o surgimento da Fé Bahá'í - o governo alemão realizou um julgamento público de alguns dirigentes Bahá'ís presos em Darmstadt. Um conhecido Bahá’í alemão, Dr. Hermann Grossmann, pode aparecer e falar em defesa da Fé no julgamento, mas todos sabiam que o veredicto estava foi pré-definido. O governo considerou os Bahá’ís culpados, aplicou multas elevadas e proibiu todas as instituições Bahá’ís, ordenando que fossem imediatamente dissolvidas.
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| Renee Szanto-Felbermann |
Szanto-Felbermann, uma jornalista húngara criado na Alemanha e na Suíça na fé judaica, tornou-se a primeira Bahá’í húngara em 1937. Ela e toda a sua família foram apanhadas nas perseguições nazis contra Judeus e Bahá’ís em Budapeste durante a guerra; Szanto-Felbermann em várias ocasiões escapou por pouco às deportações e às marchas para os campos da morte. Apesar de várias prisões e situações limite, a sua inteligência e coragem mantiveram-na longe dos campos; mas muitos dos seus parentes e amigos mais próximos, tanto Judeus como Bahá'ís, não tiveram tanta sorte. Szanto-Felbermann começa a contar a sua história desta maneira:
Os dois oficiais alemães das SS olharam-me com as suas pistolas apontadas à minha cabeça. "O que está nesta caixa?", gritaram os alemães. "Abra-a."Através de uma combinação de pura sorte, coragem e oração, Renée, juntamente com a mãe e a filha, escaparam com vida. Também o marido, que trabalhava na resistência húngara contra os nazis, e corria grandes perigos ao tentar salvar outros, acabou por conseguir evitar o terrível destino de muitos dos seus compatriotas. A emocionante caminhada de Renée Szanto-Felbermann, como pesquisadora espiritual, escritora, Bahá’í e alvo de perseguição nazi, levam cada leitor a perceber como a gentileza e a graça podem por vezes superar um grande mal.
"Isto são livros e manuscritos sobre a minha religião, a religião Bahá’í". O oficial ajoelhou-se em frente da caixa, pegou numa folha de papel e começou a ler. Os seus olhos encontraram o seguinte texto [de Bahá'u'lláh] traduzido para alemão:
"Aqueles que estão intoxicados pela arrogância interpuseram-se entre ela e o infalível Medico Divino. Vede como eles enredaram todos os homens, inclusive a si próprios, na rede dos seus estratagemas", leu em voz alta.
"Isto parece muito suspeito", gritou, "amanhã de manhã vais ser fuzilada e atirada ao Danúbio, mas primeiro a Gestapo virá investigar." E apontando para minha mãe, gritou: "Ela também será fuzilada e lançada no Danúbio! E a criança também" (Rebirth, pags. 124-125)
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Texto original em inglês: In the Morning You Will Be Shot (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Um minuto de Meditação: Reflectir Deus
Um video produzido pela comunidade Bahá'í dos Estados Unidos.
domingo, 20 de abril de 2014
Ana Gomes: liberdade religiosa e diversidade cultural
Intervenção da eurodeputada Ana Gomes, no Parlamento Europeu, sobre liberdades religiosas e diversidade cultural.
sábado, 19 de abril de 2014
Ana Gomes: A Situação no Irão
Palavras da eurodeputada Ana Gomes, no Parlamento Europeu, a propósito da situação no Irão.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Os Bahá’ís e os Nazis
Por David Langness
Há alguns anos atrás, quando terminei uma palestra alguém me perguntou: "Qual é a anti-Fé Bahá'í? Por outras palavras, há um grupo no mundo, que representa o ponto de vista diametralmente oposto dos ensinamentos Bahá'ís?"
Tive de pensar na questão durante um minuto. Essa pergunta nunca me tinha passado pela cabeça. Pela minha experiência, os Bahá’ís são tipicamente pessoas afectuosas, bondosas, gentis e acolhedoras; assim, tentei imaginar o que podia parecer o oposto.
Foi então que me lembrei que Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha nazi, em 1937; e percebi que o partido nazi e as suas acções, provavelmente, estão muito próximo daquilo que pode representar o completo oposto da Fé Bahá'í.
Os nazis acreditavam numa raça superior, na superioridade eugénica e na supremacia dos arianos sobre qualquer outro ser humano. Os Bahá’ís acreditam na unicidade da raça humana, na eliminação de todos os preconceitos e na unidade da humanidade. Os nazis acreditavam no domínio militar de um país sobre todas as nações. Os Bahá'ís acreditam na terra como um só país. Os nazis acreditavam na violência e guerra. Os Bahá’ís acreditam na paz mundial. Os nazis acreditavam em exterminar os seus inimigos. Os Bahá'ís acreditam que devemos amar os nossos inimigos. Os nazis acreditavam no ódio. Os Bahá'ís acreditam no amor.
Adolfo Hitler tornou-se o símbolo de todas as coisas más no mundo; mas Himmler, que eu nomearia como um concorrente a esse título, juntamente com Estaline e Mao, foi o principal responsável pelos campos da morte. Nesses campos de concentração - que ele montou, e controlou - supervisionou pessoalmente o extermínio de seis milhões de judeus, cerca de meio milhão de ciganos, provavelmente cinco milhões de polacos e russos, e os números incontáveis de gays e Bahá’ís.
A maioria de nós pensa nos campos de concentração nazis como um dos pontos mais baixos da história humana. Mas a maioria não sabe que os campos nazis não foram os primeiros.
Na verdade, o termo campo de concentração nem sequer é alemão; surgiu originalmente - acreditem ou não – com os britânicos, que o criaram durante a Segunda Guerra dos Bóeres (1899-1902) na África do Sul. Inicialmente criados como "campos de refugiados" para os civis forçados a sair das suas casas por causa da guerra, o exército britânico expandiu as suas implacáveis cidades-tenda em 1900 para "concentrar" todos os apoiantes e simpatizantes da guerrilha, incluindo mulheres e crianças - e impedir os Bóeres, os colonos brancos de língua africânder da África do Sul, de conseguir apoio ou vantagens entre a população.
Juntamente com os seus campos de concentração o exército britânico lançou-se em acções de "terra queimada" para destruir todas as plantações, gado, casas e quintas. Salgaram campos agrícolas e envenenaram poços. Porquê? A maioria concorda que a guerra foi travada, como tantas outras, por causa do ouro. Os britânicos e os bóeres queriam ambos controlar as vastas minas de ouro de Witwatersrand, que na época produziam uma parcela significativa da riqueza mineral do mundo - e ambos pensaram que poderiam roubar o ouro aos africanos .
Foram os britânicos os primeiros a transformar os centros de internamento em tempo de guerra em campos de concentração? Não. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo; foi contra os nativos americanos, como os Navajos, no século XIX. Tenho um amigo próximo, uma artista Navajo, cuja bisavó foi internada em Fort Sumner por Kit Carson, o oficial genocida da cavalaria americana. Toda a sua família morreu, juntamente com milhares de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, os espanhóis criaram terríveis campos de internamento em Cuba, durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878). Os britânicos expandiram o conceito, e atingiram toda a África do Sul, limpando e despovoando vastas regiões do país. Enviaram a maioria dos combatentes Bóeres para prisões no estrangeiro, mas cerca de 28.000 mulheres e crianças Bóeres sofreram mortes terríveis, a maioria de doença e fome, nos brutais campos de concentração britânicos. Também se estima que mais de 14.000 africanos negros morreram nos seus próprios campos segregados.
Os alemães, que colonizaram o vizinho Sudoeste Africano (actual Namíbia), aprenderam rapidamente a táctica. Em 1904, o Exército Imperial Alemão criou vários campos de concentração e o Campo de Extermínio da Ilha de Shark teve um papel horrível no genocídio das tribos Herero e Namaqua.
Tudo junto, campos de concentração como os gulags soviéticos, as prisões de trabalho e “re-educação” dos chineses e os campos de trabalho forçado dos nazis assumem uma enorme e horrível dimensão durante o último século. Ninguém sabe quantas pessoas morreram em todos esses campos e, mas os historiadores estimam que entre 1 a 10 milhões morreram nos gulags, entre 15 a 27 milhões morreram nos campos de trabalho chineses. A maioria dos historiadores concorda que os campos nazis mataram pelo menos 10 a 11 milhões de civis e prisioneiros de guerra, entre 1933 e 1945.
Embora dos Bahá'ís europeus fossem em número reduzido em 1930, os ensinamentos Bahá'ís tinham atraído um grupo significativo de intelectuais, escritores e artistas de alto perfil (muitos de origem judaica) na Alemanha, assim como nos países do Leste Europeu (a comunidade Bahá’í alemã foi fundada em 1905). Como resultado desse crescimento Himmler, em nome do governo alemão, proibiu a Fé Bahá'í em 1937. Consequentemente, muitos Bahá’ís morreram.
Como podem os seres humanos mostrar tanta crueldade? Esta série de artigos vai explorar esse período da história, analisará a pouco conhecida Bahá’í durante o regime nazi, e tentará responder a questões importantes descritas no parágrafo seguinte (retirado de uma declaração da Casa Universal de Justiça, o órgão dirigente internacional da Comunidade Bahá’í):
Texto Original: The Baha’is and the Nazis (bahaiteachings.org)
David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Há alguns anos atrás, quando terminei uma palestra alguém me perguntou: "Qual é a anti-Fé Bahá'í? Por outras palavras, há um grupo no mundo, que representa o ponto de vista diametralmente oposto dos ensinamentos Bahá'ís?"
Tive de pensar na questão durante um minuto. Essa pergunta nunca me tinha passado pela cabeça. Pela minha experiência, os Bahá’ís são tipicamente pessoas afectuosas, bondosas, gentis e acolhedoras; assim, tentei imaginar o que podia parecer o oposto.
Foi então que me lembrei que Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha nazi, em 1937; e percebi que o partido nazi e as suas acções, provavelmente, estão muito próximo daquilo que pode representar o completo oposto da Fé Bahá'í.
Os nazis acreditavam numa raça superior, na superioridade eugénica e na supremacia dos arianos sobre qualquer outro ser humano. Os Bahá’ís acreditam na unicidade da raça humana, na eliminação de todos os preconceitos e na unidade da humanidade. Os nazis acreditavam no domínio militar de um país sobre todas as nações. Os Bahá'ís acreditam na terra como um só país. Os nazis acreditavam na violência e guerra. Os Bahá’ís acreditam na paz mundial. Os nazis acreditavam em exterminar os seus inimigos. Os Bahá'ís acreditam que devemos amar os nossos inimigos. Os nazis acreditavam no ódio. Os Bahá'ís acreditam no amor.
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| Heinrich Himmler |
A maioria de nós pensa nos campos de concentração nazis como um dos pontos mais baixos da história humana. Mas a maioria não sabe que os campos nazis não foram os primeiros.
Na verdade, o termo campo de concentração nem sequer é alemão; surgiu originalmente - acreditem ou não – com os britânicos, que o criaram durante a Segunda Guerra dos Bóeres (1899-1902) na África do Sul. Inicialmente criados como "campos de refugiados" para os civis forçados a sair das suas casas por causa da guerra, o exército britânico expandiu as suas implacáveis cidades-tenda em 1900 para "concentrar" todos os apoiantes e simpatizantes da guerrilha, incluindo mulheres e crianças - e impedir os Bóeres, os colonos brancos de língua africânder da África do Sul, de conseguir apoio ou vantagens entre a população.
Juntamente com os seus campos de concentração o exército britânico lançou-se em acções de "terra queimada" para destruir todas as plantações, gado, casas e quintas. Salgaram campos agrícolas e envenenaram poços. Porquê? A maioria concorda que a guerra foi travada, como tantas outras, por causa do ouro. Os britânicos e os bóeres queriam ambos controlar as vastas minas de ouro de Witwatersrand, que na época produziam uma parcela significativa da riqueza mineral do mundo - e ambos pensaram que poderiam roubar o ouro aos africanos .
Foram os britânicos os primeiros a transformar os centros de internamento em tempo de guerra em campos de concentração? Não. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo; foi contra os nativos americanos, como os Navajos, no século XIX. Tenho um amigo próximo, uma artista Navajo, cuja bisavó foi internada em Fort Sumner por Kit Carson, o oficial genocida da cavalaria americana. Toda a sua família morreu, juntamente com milhares de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, os espanhóis criaram terríveis campos de internamento em Cuba, durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878). Os britânicos expandiram o conceito, e atingiram toda a África do Sul, limpando e despovoando vastas regiões do país. Enviaram a maioria dos combatentes Bóeres para prisões no estrangeiro, mas cerca de 28.000 mulheres e crianças Bóeres sofreram mortes terríveis, a maioria de doença e fome, nos brutais campos de concentração britânicos. Também se estima que mais de 14.000 africanos negros morreram nos seus próprios campos segregados.
Os alemães, que colonizaram o vizinho Sudoeste Africano (actual Namíbia), aprenderam rapidamente a táctica. Em 1904, o Exército Imperial Alemão criou vários campos de concentração e o Campo de Extermínio da Ilha de Shark teve um papel horrível no genocídio das tribos Herero e Namaqua.
Tudo junto, campos de concentração como os gulags soviéticos, as prisões de trabalho e “re-educação” dos chineses e os campos de trabalho forçado dos nazis assumem uma enorme e horrível dimensão durante o último século. Ninguém sabe quantas pessoas morreram em todos esses campos e, mas os historiadores estimam que entre 1 a 10 milhões morreram nos gulags, entre 15 a 27 milhões morreram nos campos de trabalho chineses. A maioria dos historiadores concorda que os campos nazis mataram pelo menos 10 a 11 milhões de civis e prisioneiros de guerra, entre 1933 e 1945.
Embora dos Bahá'ís europeus fossem em número reduzido em 1930, os ensinamentos Bahá'ís tinham atraído um grupo significativo de intelectuais, escritores e artistas de alto perfil (muitos de origem judaica) na Alemanha, assim como nos países do Leste Europeu (a comunidade Bahá’í alemã foi fundada em 1905). Como resultado desse crescimento Himmler, em nome do governo alemão, proibiu a Fé Bahá'í em 1937. Consequentemente, muitos Bahá’ís morreram.
Como podem os seres humanos mostrar tanta crueldade? Esta série de artigos vai explorar esse período da história, analisará a pouco conhecida Bahá’í durante o regime nazi, e tentará responder a questões importantes descritas no parágrafo seguinte (retirado de uma declaração da Casa Universal de Justiça, o órgão dirigente internacional da Comunidade Bahá’í):
De um ponto de vista Bahá’í, o facto da humanidade adorar a ídolos inventados por si própria tem importância não por causa dos acontecimentos históricos associados a essas forças, por muito horríveis que sejam, mas pelas lições que nos ensinam. Olhando para o mundo crepuscular em que essas forças diabólicas pairavam sobre o futuro da humanidade, devemos questionar qual a fraqueza da natureza humana que a tornou vulnerável a essas influências. Ver em alguém como Benito Mussolini a figura do "homem do destino", sentir a obrigação de compreender as teorias raciais de Adolfo Hitler como algo diferente de resultados auto-evidentes de uma mente doente, acolher seriamente a reinterpretação da experiência humana através de dogmas que deram à luz a União Soviética de José Estaline – um propositado abandono da racionalidade por parte de um segmento considerável da liderança intelectual da sociedade exige uma explicação para posteridade. (Century of Light, p. 62)----------------------------------
Texto Original: The Baha’is and the Nazis (bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
Quando a religião se torna maligna
Por David Langness.
Charles Kimball, académico conhecido e presidente do Departamento de Religião da Universidade Wake Forest, publicou um livro notável há alguns anos atrás, intitulado When Religion Becomes Evil (Quando a religião se torna maligna). O Dr. Kimball não tem aversão à fé e não é ateu - na verdade, é ministro baptista ordenado - mas o livro descreve o que ele, após uma vida de investigação, considera como os cinco sinais de corrupção na religião :
Nos próximos artigos desta série sobre o mal que a religião pode provocar, vamos examinar estes sinais de alerta e investigar o que os ensinamentos Bahá’ís dizem sobre cada uma delas.
A análise persuasiva e perspicaz de Kimball em When Religion Becomes Evil esboça uma crescente percepção que já começou a chegar a grupos de fé, nacionalidades e classes em todo o mundo: a religião, que ele designa como "a força mais poderosa e penetrante sobre a terra", pode tornar-se corrupta, destrutiva e perigosa:
Com este conceito em mente, os ensinamentos Bahá'ís apresentam a ascensão e queda da religião como um processo natural e orgânico:
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Texto original: When Religion Itself Becomes Evil
Texto anterior: Os Ateus dizem que a Religião provoca Ignorância e Ódio
David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
Charles Kimball, académico conhecido e presidente do Departamento de Religião da Universidade Wake Forest, publicou um livro notável há alguns anos atrás, intitulado When Religion Becomes Evil (Quando a religião se torna maligna). O Dr. Kimball não tem aversão à fé e não é ateu - na verdade, é ministro baptista ordenado - mas o livro descreve o que ele, após uma vida de investigação, considera como os cinco sinais de corrupção na religião :
- Reivindicações de verdade absoluta;
- Exigências de obediência cega;
- Definir o momento "ideal";
- Os fins justificam os meios;
- Declarar guerra santa.
Nos próximos artigos desta série sobre o mal que a religião pode provocar, vamos examinar estes sinais de alerta e investigar o que os ensinamentos Bahá’ís dizem sobre cada uma delas.
A análise persuasiva e perspicaz de Kimball em When Religion Becomes Evil esboça uma crescente percepção que já começou a chegar a grupos de fé, nacionalidades e classes em todo o mundo: a religião, que ele designa como "a força mais poderosa e penetrante sobre a terra", pode tornar-se corrupta, destrutiva e perigosa:
Como as instituições humanas, todas as religiões estão sujeitas à corrupção. As principais religiões que têm resistido ao teste do tempo fizeram-no através de um processo contínuo de crescimento e reforma, um processo que liga continuamente as pessoas de fé - judeus, hindus, muçulmanos, budistas, cristãos e outros - com as verdades vitais existentes no âmago da sua religião. (When Religion Becomes Evil, pág. 38-39).Mas, Kimball diz-nos que independentemente da linguagem que usam ou dos princípios que defendem, são as acções das pessoas de fé que realmente as definem:
O que quer que as pessoas religiosas possam dizer sobre o amor de Deus ou o mandato da sua religião, quando o seu comportamento em relação aos outros é violento e destrutivo, quando causa sofrimento entre os seus próximos, podemos ter certeza que a religião foi corrompida e a reforma é desesperadamente necessária. (Ibid , pág. 39)Os Bahá’ís têm uma visão única sobre esta dinâmica, pois as Escrituras Bahá’ís descrevem os ciclos históricos de ascensão e queda das grandes religiões numa perspectiva mais ampla, lógica e realista. As seguintes palavras de 'Abdu'l-Bahá, proferidas numa época que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, sintetiza essa perspectiva:
Não podemos continuar a viver de acordo com leis e costumes dos tempos antigos.O termo "evolução moral", descreve sucintamente o conceito Bahá'í de revelação progressiva, que vê a religião como um sistema único, em que todos os Fundadores das grandes Religiões formam uma sequência de professores morais de toda a humanidade. Visto desta forma, com Deus sendo o educador supremo de todos nós, cada uma das sucessivas religiões forma um elo na grande corrente cadeia da existência, um degrau na escada de consciência, uma etapa na escola da espiritualidade. E entendido desta forma, a religião - como qualquer outro organismo vivo - tem um ciclo de vida natural, um ciclo de estações e um propósito sequencial na evolução da humanidade.
Tudo se transforma. O actual governo de França não se pode adaptar às exigências da Idade Média. Tudo evolui e o mesmo acontece com a religião - como testemunham as doutrinas que hoje perdem a sua influência. Todos os rituais e cerimónias religiosas, quando cumpridos fielmente, tornam-se causa de destruição e luta. Vejam a guerra nos Balcãs. Conseguem imaginar algo mais terrível? Homens levantam-se contra os seus irmãos e ambos os exércitos acreditam que actuam de acordo com leis morais. Se cada lado colocar em prática os verdadeiros princípios da sua própria religião, não poderia haver mais conflito.
Este é o dia em que os dogmas devem ser sacrificados pela nossa busca da verdade. Devemos deixar tudo para trás, excepto o que é necessário para as necessidades de hoje; não nos devemos apegar a qualquer forma ou ritual que esteja oposição à evolução moral. ('Abdu’l-Bahá , Divine Philosophy, pp 67-68)
Com este conceito em mente, os ensinamentos Bahá'ís apresentam a ascensão e queda da religião como um processo natural e orgânico:
A partir da semente da realidade, a religião tornou-se uma árvore onde cresceram ramos, folhas, flores e frutos. Após algum tempo, esta árvore entrou em decadência. As folhas e as flores murcharam e morreram, a árvore adoeceu e tornou-se infrutífera. Não é razoável que o homem se apegue à velha árvore, alegando que as suas forças vitais estão na sua plenitude, que o seu fruto é inigualável e a sua existência eterna. A semente da realidade deve ser novamente plantada nos corações humanos, para que uma nova árvore possa crescer aí e novos frutos divinos refresquem o mundo. Isto quer dizer que as nações e os povos que agora divergem na religião serão levados à unidade, as imitações serão abandonadas e a própria fraternidade universal será estabelecida. A guerra e conflitos cessarão entre a humanidade; todos se reconciliarão como servos de Deus. Pois todos estão abrigados sob a árvore da Sua providência e misericórdia. Deus é bom para todos, Ele é o doador de bênçãos para todos... ('Abdu'l-Bahá, Baha’i World Faith, p. 225)
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Texto original: When Religion Itself Becomes Evil
Texto anterior: Os Ateus dizem que a Religião provoca Ignorância e Ódio
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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
sábado, 12 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Parlamento Europeu irrita dirigentes iranianos
Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução em que condena "a contínua e sistemática violação dos direitos fundamentais" no Irão e pediu que diplomatas que focassem as suas atenções nos direitos humanos durante as suas negociações com a República Islâmica. A resolução do Parlamento Europeu destaca as restrições à liberdade
de expressão no Irão, incluindo o continuado encerramento da associação
de jornalistas iranianos, e condena a "persistente repressão e
discriminação com base na religião, crença, etnia, género e orientação
sexual".
Também recentemente o secretário-geral das Nações Unidas, tinha feito acusações semelhantes, afirmando que o Sr. Rouhani pouco tinha feito para melhorar a situação dos direitos humanos desde que tinha assumido o cargo de presidente.
O Irão reagiu com irritação a estas declarações, com o seu Ministério das Relações Exteriores descrevendo-as como "infundadas e inaceitáveis". O ayatollah Sadeq Larijani, chefe do sistema judicial iraniano, disse que a resolução era unilateral, interferia nos assuntos internos do Irão e revelava a arrogância dos europeus para com o seu país. "A resolução não tem valor e não merece atenção; mas mostra a natureza arrogante dos ocidentais", disse o ayatollah Larijani num encontro com juízes e altos funcionários judiciais, de acordo com a agência Fars.
"Infelizmente, os Europeus ainda repetem os seus comentários mesquinhos contra o povo e o governo iraniano e não prestam atenção às respostas documentadas que lhes são dadas; eles fazem declarações unilaterais sem prestar atenção às respostas repetidamente dadas pelas autoridades da República Islâmica", afirmou o ayatollah.
Também o Sr. Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano (e familiar do ayatollah Sadeq Larijani), rejeitou que no Irão seja feita "qualquer forma de discriminação e violação de direitos, devido a [uma pessoa] ser Bahá’í", e acrescentou que ninguém fica privado de educação ou é levado a tribunal só por ser Bahá’í.
Segundo a Iranian Labor News Agency (ILNA), no passado domingo (06 de Abril), o Sr. Larijani, referiu-se às denúncias de violações dos direitos das minorias no Irão, declarando que "os relatórios sobre direitos humanos iranianos que afirmam que os direitos das minorias são violados são mentiras grosseiras, são racistas e sectários, e são contrários a padrões de direitos humanos".
O mesmo dirigente enfatizou que a Fé Bahá'í não é uma religião reconhecida no Irão e disse: "Os funcionários governamentais nunca oprimiram ninguém por ser Bahá'í, pois eles acreditam que, segundo a Constituição todos os cidadãos iranianos tem alguns direitos, e não podem ser privados dos seus direitos, como é declarado na Constituição."
Esta afirmação surge em resposta às repetidas denúncias da Comunidade Internacional Bahá’í e de defensores de direitos das minorias no Irão de que após a revolução, os Bahá’ís foram impedidos de frequentar as universidades e de exercer funções na administração pública.
Padideh Sabeti, porta-voz da comunidade Bahá'í, rejeitou a declaração de Larijani, e declarou à BBC Persa: "Todos os que estão na prisão e são Baha'is estão presos por causa da sua religião. A Comunidade Bahá’í não é a única que diz isso - os advogados que os defendem também dizem que não há o menor vestígio de evidência que sustente a detenção e prisão dessas pessoas; tudo isto se baseia apenas no fanatismo religioso. O Sr. Larijani devia estudar o assunto para perceber qual é o problema."
Segundo a Comunidade Internacional Bahá'í actualmente estão detidos "dezenas de Bahá’ís" devido às suas crenças. As autoridades iranianas, por seu lado, acusam infundadamente estas pessoas de ter relacionamentos com Israel.
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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Chief judge condemns EU 'interference' in human rights as arrogance (The Guardian)
Javad Larijani: People are not deprived of education or put on trial solely because of being Baha’is (IPW)
Sadeq Larijani, Head of the Judicial System of Iran: We don’t have conflicts with Baha’is merely because someone is a Baha’i (IPW)
European parliament angers Iran with human rights resolution (The Guardian)
Judiciary Chief: EP Resolution against Iran Worthless (FARS)
Official Makes Rare Admission of Baha’is’ Equal Rights in Domestic Media (ICHRI)
Também recentemente o secretário-geral das Nações Unidas, tinha feito acusações semelhantes, afirmando que o Sr. Rouhani pouco tinha feito para melhorar a situação dos direitos humanos desde que tinha assumido o cargo de presidente.
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| Parlamento Europeu |
"Infelizmente, os Europeus ainda repetem os seus comentários mesquinhos contra o povo e o governo iraniano e não prestam atenção às respostas documentadas que lhes são dadas; eles fazem declarações unilaterais sem prestar atenção às respostas repetidamente dadas pelas autoridades da República Islâmica", afirmou o ayatollah.
Também o Sr. Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano (e familiar do ayatollah Sadeq Larijani), rejeitou que no Irão seja feita "qualquer forma de discriminação e violação de direitos, devido a [uma pessoa] ser Bahá’í", e acrescentou que ninguém fica privado de educação ou é levado a tribunal só por ser Bahá’í.
Segundo a Iranian Labor News Agency (ILNA), no passado domingo (06 de Abril), o Sr. Larijani, referiu-se às denúncias de violações dos direitos das minorias no Irão, declarando que "os relatórios sobre direitos humanos iranianos que afirmam que os direitos das minorias são violados são mentiras grosseiras, são racistas e sectários, e são contrários a padrões de direitos humanos".
O mesmo dirigente enfatizou que a Fé Bahá'í não é uma religião reconhecida no Irão e disse: "Os funcionários governamentais nunca oprimiram ninguém por ser Bahá'í, pois eles acreditam que, segundo a Constituição todos os cidadãos iranianos tem alguns direitos, e não podem ser privados dos seus direitos, como é declarado na Constituição."
Esta afirmação surge em resposta às repetidas denúncias da Comunidade Internacional Bahá’í e de defensores de direitos das minorias no Irão de que após a revolução, os Bahá’ís foram impedidos de frequentar as universidades e de exercer funções na administração pública.
Padideh Sabeti, porta-voz da comunidade Bahá'í, rejeitou a declaração de Larijani, e declarou à BBC Persa: "Todos os que estão na prisão e são Baha'is estão presos por causa da sua religião. A Comunidade Bahá’í não é a única que diz isso - os advogados que os defendem também dizem que não há o menor vestígio de evidência que sustente a detenção e prisão dessas pessoas; tudo isto se baseia apenas no fanatismo religioso. O Sr. Larijani devia estudar o assunto para perceber qual é o problema."
Segundo a Comunidade Internacional Bahá'í actualmente estão detidos "dezenas de Bahá’ís" devido às suas crenças. As autoridades iranianas, por seu lado, acusam infundadamente estas pessoas de ter relacionamentos com Israel.
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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Chief judge condemns EU 'interference' in human rights as arrogance (The Guardian)
Javad Larijani: People are not deprived of education or put on trial solely because of being Baha’is (IPW)
Sadeq Larijani, Head of the Judicial System of Iran: We don’t have conflicts with Baha’is merely because someone is a Baha’i (IPW)
European parliament angers Iran with human rights resolution (The Guardian)
Judiciary Chief: EP Resolution against Iran Worthless (FARS)
Official Makes Rare Admission of Baha’is’ Equal Rights in Domestic Media (ICHRI)
sábado, 5 de abril de 2014
Lutar por uma mão cheia de pó
Por Caitlin Shayda Jones.
Enquanto 'Abdu'l-Bahá embarcava no comboio que O levaria de Sacramento a Salt Lake City e Denver, as tropas otomanas na Europa recuavam da fronteira búlgara ao longo de uma frente que ia de Adrianópolis (Edirne) a Lozengrad (Kirklareli). A chuva forte que acompanhou a retirada persistiu durante três dias, e muitos homens desesperados largaram as suas armas ao longo da caminhada em direcção ao Bósforo.
A guerra já durava há algumas semanas. A Sérvia, a Grécia, o Montenegro e a Bulgária tinham formado uma aliança com o objectivo de recuperar todos os territórios europeus do Império Otomano. 'Abdu'l-Bahá passara pelos territórios onde eles lutavam; quando era jovem, tinha acompanhado o Seu pai, em pleno inverno, de Constantinopla até Adrianópolis, em mais um dos Seus exílios. Embora, agora estivesse a meio mundo de distância das batalhas, os sinais de guerra aproximavam-se cada vez mais fortes.
Quando 'Abdu'l-Bahá estava no comboio, vários funcionários ferroviários vieram dizer-Lhe que aquele era o mesmo comboio que O tinha levado à Califórnia. Após um breve diálogo, 'Abdu'l-Bahá perguntou-lhes: "Neste comboio há muitos passageiros gregos. Vocês sabem para onde eles vão? " Os funcionários afirmaram que eles iam juntar-se à guerra contra a Turquia.
"Deus não quer a guerra", disse 'Abdu'l-Bahá aos ferroviários. "Deus é bom para todos", afirmou. "Nós, também, deveríamos ser bondosos para com os outros". E prosseguiu: "Nós não devemos lutar por um punhado de pó . A terra é o nosso túmulo derradeiro. Será digno fazer a guerra e derramar sangue por este túmulo, quando Deus destinou que conquistássemos as cidades dos corações dos homens e nos deu um reino eterno?"
De facto, nessa mesma manhã, no Hotel Sacramento, 'Abdu'l-Bahá apelara aos californianos para que se tornassem "defensores da paz." O jornal The Sacramento Bee noticiava que Ele era "simples e modesto " quando Se sentava a falar para a sua audiência. Mas as Suas palavras eram fortes, e previam uma guerra ainda mais destruidora que se agigantava no horizonte.
"O continente Europeu parece um arsenal", disse 'Abdu'l-Bahá à Sua audiência, "um depósito de explosivos prontos a explodir, e uma faísca vai colocar toda a Europa em chamas, especialmente neste momento em que a questão dos Balcãs está perante o mundo".
A primeira Guerra dos Balcãs duraria até Maio do ano seguinte, e a maioria dos Estados europeus controlados pelo Império Otomano foram repartidos pelos membros da Liga dos Balcãs. As disputas sobre a divisão da Macedónia acabaram por levar a uma segunda guerra, apenas um mês depois, entre os antigos aliados.
"Visitei o vosso Capitólio e os seus jardins", disse 'Abdu'l-Bahá nessa manhã à Sua audiência. "Nenhum outro Capitólio tem um ambiente circundante tão belo. Tal como é imponente e se distingue acima de todos os outros, também o povo da Califórnia se pode tornar o mais perfeito e enaltecido altruísta do mundo."
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Texto original: To Fight For a Handful of Dust
Caitlin Shayda Jones é professora e escritora residente em Toronto (Canadá). Fez investigação e escreveu artigos para o site 239 Days in America.
Enquanto 'Abdu'l-Bahá embarcava no comboio que O levaria de Sacramento a Salt Lake City e Denver, as tropas otomanas na Europa recuavam da fronteira búlgara ao longo de uma frente que ia de Adrianópolis (Edirne) a Lozengrad (Kirklareli). A chuva forte que acompanhou a retirada persistiu durante três dias, e muitos homens desesperados largaram as suas armas ao longo da caminhada em direcção ao Bósforo.
A guerra já durava há algumas semanas. A Sérvia, a Grécia, o Montenegro e a Bulgária tinham formado uma aliança com o objectivo de recuperar todos os territórios europeus do Império Otomano. 'Abdu'l-Bahá passara pelos territórios onde eles lutavam; quando era jovem, tinha acompanhado o Seu pai, em pleno inverno, de Constantinopla até Adrianópolis, em mais um dos Seus exílios. Embora, agora estivesse a meio mundo de distância das batalhas, os sinais de guerra aproximavam-se cada vez mais fortes.
Quando 'Abdu'l-Bahá estava no comboio, vários funcionários ferroviários vieram dizer-Lhe que aquele era o mesmo comboio que O tinha levado à Califórnia. Após um breve diálogo, 'Abdu'l-Bahá perguntou-lhes: "Neste comboio há muitos passageiros gregos. Vocês sabem para onde eles vão? " Os funcionários afirmaram que eles iam juntar-se à guerra contra a Turquia.
"Deus não quer a guerra", disse 'Abdu'l-Bahá aos ferroviários. "Deus é bom para todos", afirmou. "Nós, também, deveríamos ser bondosos para com os outros". E prosseguiu: "Nós não devemos lutar por um punhado de pó . A terra é o nosso túmulo derradeiro. Será digno fazer a guerra e derramar sangue por este túmulo, quando Deus destinou que conquistássemos as cidades dos corações dos homens e nos deu um reino eterno?"
De facto, nessa mesma manhã, no Hotel Sacramento, 'Abdu'l-Bahá apelara aos californianos para que se tornassem "defensores da paz." O jornal The Sacramento Bee noticiava que Ele era "simples e modesto " quando Se sentava a falar para a sua audiência. Mas as Suas palavras eram fortes, e previam uma guerra ainda mais destruidora que se agigantava no horizonte.
"O continente Europeu parece um arsenal", disse 'Abdu'l-Bahá à Sua audiência, "um depósito de explosivos prontos a explodir, e uma faísca vai colocar toda a Europa em chamas, especialmente neste momento em que a questão dos Balcãs está perante o mundo".
A primeira Guerra dos Balcãs duraria até Maio do ano seguinte, e a maioria dos Estados europeus controlados pelo Império Otomano foram repartidos pelos membros da Liga dos Balcãs. As disputas sobre a divisão da Macedónia acabaram por levar a uma segunda guerra, apenas um mês depois, entre os antigos aliados.
"Visitei o vosso Capitólio e os seus jardins", disse 'Abdu'l-Bahá nessa manhã à Sua audiência. "Nenhum outro Capitólio tem um ambiente circundante tão belo. Tal como é imponente e se distingue acima de todos os outros, também o povo da Califórnia se pode tornar o mais perfeito e enaltecido altruísta do mundo."
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Texto original: To Fight For a Handful of Dust
Caitlin Shayda Jones é professora e escritora residente em Toronto (Canadá). Fez investigação e escreveu artigos para o site 239 Days in America.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Um minuto de Meditação: Amor e Felicidade
Um vídeo produzido pela comunidade Bahá'í dos Estados Unidos.
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