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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Liberdade

"Após ter sido prisioneiro durante quarenta anos, posso dizer-vos que a liberdade não é uma questão de local. É uma condição".


sábado, 5 de abril de 2014

Lutar por uma mão cheia de pó

Por Caitlin Shayda Jones.

Enquanto 'Abdu'l-Bahá embarcava no comboio que O levaria de Sacramento a Salt Lake City e Denver, as tropas otomanas na Europa recuavam da fronteira búlgara ao longo de uma frente que ia de Adrianópolis (Edirne) a Lozengrad (Kirklareli). A chuva forte que acompanhou a retirada persistiu durante três dias, e muitos homens desesperados largaram as suas armas ao longo da caminhada em direcção ao Bósforo.


A guerra já durava há algumas semanas. A Sérvia, a Grécia, o Montenegro e a Bulgária tinham formado uma aliança com o objectivo de recuperar todos os territórios europeus do Império Otomano. 'Abdu'l-Bahá passara pelos territórios onde eles lutavam; quando era jovem, tinha acompanhado o Seu pai, em pleno inverno, de Constantinopla até Adrianópolis, em mais um dos Seus exílios. Embora, agora estivesse a meio mundo de distância das batalhas, os sinais de guerra aproximavam-se cada vez mais fortes.

Quando 'Abdu'l-Bahá estava no comboio, vários funcionários ferroviários vieram dizer-Lhe que aquele era o mesmo comboio que O tinha levado à Califórnia. Após um breve diálogo, 'Abdu'l-Bahá perguntou-lhes: "Neste comboio há muitos passageiros gregos. Vocês sabem para onde eles vão? " Os funcionários afirmaram que eles iam juntar-se à guerra contra a Turquia.

"Deus não quer a guerra", disse 'Abdu'l-Bahá aos ferroviários. "Deus é bom para todos", afirmou. "Nós, também, deveríamos ser bondosos para com os outros". E prosseguiu: "Nós não devemos lutar por um punhado de pó . A terra é o nosso túmulo derradeiro. Será digno fazer a guerra e derramar sangue por este túmulo, quando Deus destinou que conquistássemos as cidades dos corações dos homens e nos deu um reino eterno?"

De facto, nessa mesma manhã, no Hotel Sacramento, 'Abdu'l-Bahá apelara aos californianos para que se tornassem "defensores da paz." O jornal The Sacramento Bee noticiava que Ele era "simples e modesto " quando Se sentava a falar para a sua audiência. Mas as Suas palavras eram fortes, e previam uma guerra ainda mais destruidora que se agigantava no horizonte.

"O continente Europeu parece um arsenal", disse 'Abdu'l-Bahá à Sua audiência, "um depósito de explosivos prontos a explodir, e uma faísca vai colocar toda a Europa em chamas, especialmente neste momento em que a questão dos Balcãs está perante o mundo".

A primeira Guerra dos Balcãs duraria até Maio do ano seguinte, e a maioria dos Estados europeus controlados pelo Império Otomano foram repartidos pelos membros da Liga dos Balcãs. As disputas sobre a divisão da Macedónia acabaram por levar a uma segunda guerra, apenas um mês depois, entre os antigos aliados.

"Visitei o vosso Capitólio e os seus jardins", disse 'Abdu'l-Bahá nessa manhã à Sua audiência. "Nenhum outro Capitólio tem um ambiente circundante tão belo. Tal como é imponente e se distingue acima de todos os outros, também o povo da Califórnia se pode tornar o mais perfeito e enaltecido altruísta do mundo."

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Texto original: To Fight For a Handful of Dust


Caitlin Shayda Jones é professora e escritora residente em Toronto (Canadá). Fez investigação e escreveu artigos para o site 239 Days in America.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Para lá dos limites da capacidade humana


O massacre das crianças numa escola primária de Newton (Connecticut, EUA) comoveu o mundo.

Nas muitas manifestações de solidariedade que se têm seguido, o serviço inter-religioso mereceu destaque em muitos órgãos de comunicação social internacionais. Neste evento, os representantes da comunidade Bahá’í leram alguns excertos das Escrituras que me parecem particularmente adequados. Num desses textos podemos ler as seguintes palavras de 'Abdu'l-Bahá dirigidas a uma mãe que perdeu um filho:
Ó tu, serva amada de Deus! Embora a perda de um filho seja verdadeiramente de partir o coração e esteja para lá dos limites da capacidade humana, ainda assim, a pessoa que sabe e compreende tem a certeza que o filho não foi perdido, mas pelo contrário, passou deste mundo para outro, e ela encontrá-lo-a no reino divino. Esse encontro será para a eternidade, enquanto neste mundo a separação é inevitável e traz consigo uma dor ardente.
‘Abdu’l-Bahá sabia bem o que era essa dor; Ele próprio também perdera um filho.

Pessoalmente intrigam-me as palavras “...para lá dos limites da capacidade humana”. Porque, apesar disso, alguns de nós suportam essa dor.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Londres: Membros do Governo e Parlamento homenageiam 'Abdu'l-Bahá

Membros do Governo e do Parlamento britânico receberam mais de 80 Bahá’ís num evento impar, para homenagear 'Abdu'l-Bahá, 100 anos depois da Sua visita à Grã-Bretanha. Foi a primeira vez que o governo britânico organizou uma recepção especial especificamente para a comunidade Bahá'í.

'Abdu'l-Bahá (1844-1921) foi o filho mais velho de Bahá'u'lláh e nomeado Seu sucessor como líder da Fé Bahá'í. De 1910 a 1913, após uma vida de exílio e de prisão, 'Abdu'l-Bahá fez uma série de viagens históricas para apresentar os ensinamentos de Bahá'u'lláh para audiências fora do Médio Oriente. As Suas duas visitas às ilhas britânicas ocorreram em Setembro de 1911, e de Dezembro de 1912 a Janeiro de 1913.



A recepção foi organizada pelo Departamento Governamental para as Comunidades e Autoridades Locais, na quarta-feira, 28 de Novembro. Ao dar as boas-vindas aos convidados, o secretário de Estado Eric Pickles, agradeceu a contribuição que os Bahá’ís têm dado à sociedade britânica. Elogiou os "momentos de gentileza" que ele tinha observado entre os Bahá’ís, e acrescentou: "Nós não seríamos tão unidos sem os Bahá’ís na nossa comunidade."

Don Foster - Ministro para a Integração - declarou que, entre todas as pessoas importantes do seu círculo eleitoral de Bath, sentia-se orgulhoso de incluir Ethel Rosenberg, membro fundador da comunidade Bahá'í da Grã-Bretanha.

"Vocês continuam a distinguir-se nas profissões, nas artes e, particularmente, nas áreas vitais da educação e da resolução de conflitos", disse ele aos Bahá’ís. "A importante afirmação" de Abdu'l-Bahá que "devemos procurar juntos a paz e que devem cessar as diferenças de raça e divisões entre as religiões, é tão verdadeira hoje como era então", acrescentou.

Kishan Manocha, falando em nome da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Reino Unido, agradeceu ao Sr. Pickles o ter sido o anfitrião deste evento, descrevendo-o como uma "enorme honra e prazer".

A escritora e atriz Annabel Knight - que é Bahá'í - observou que a visita de 'Abdu'l-Bahá foi uma ocasião marcante para a jovem comunidade, ajudando o pequeno grupo de Bahá’ís britânicos a cimentar a sua identidade e a colocar-se ao serviço da sua comunidade.

Tradução: Ivone Correia
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FONTE: A century on, legacy of ‘Abdu’l-Baha honored at UK government reception (BWNS)

sábado, 14 de abril de 2012

O “Sobrevivente” esquecido do Titanic

Artigo de Rainn Wilson, publicado no Huffington Post.

Como nos tem sido lembrado inúmeras vezes ao longo das últimas semanas, há cem anos atrás, o "inafundável" Titanic afundou-se no Atlântico Norte, levando consigo mais de 1500 vidas. A tragédia tem sido usada para relatos romanceados.

De todas as histórias, uma das mais extraordinárias é que de um persa com 68 anos de idade, que, na verdade, não estava a bordo do desafortunado navio, mas deveria estar.

Abbas Effendi - conhecido como 'Abdu'l-Bahá ou "Servo de Deus" - foi saudado pela imprensa, tanto na Europa e os EUA como um filósofo, um apóstolo da paz, e até mesmo o regresso de Cristo. Os seus admiradores americanos tinham-Lhe enviado milhares de dólares para comprar um bilhete no Titanic, e pediu-lhe que viajasse naquela grande opulência. Ele recusou e deu o dinheiro para obras de caridade.

"Fui convidado para viajar no Titanic", disse mais tarde, "mas meu coração não me levou a fazê-lo."

Em vez disso, 'Abdu'l-Bahá viajou para Nova Iorque no mais modesto SS Cedric. Os principais jornais de Nova Iorque noticiaram a sua chegada em 11 de Abril e a viagem que se seguiu durante oito meses de costa a costa. Este estrangeiro com turbante e "trajes orientais" era notícia de primeira página.

O New York Times informou que a sua missão era "acabar com preconceitos... preconceitos de nacionalidade, de raça, de religião". O artigo também o citava directamente: "Chegou o momento para a humanidade para hastear o estandarte da unidade do mundo humano, de modo que as fórmulas dogmáticas e superstições possam acabar."

A imprensa muitas vezes chamava-lhe profeta, especialmente um "profeta persa" (ah, aliteração!). Numa manchete, após a sua palestra na Universidade de Stanford, lia-se: "O Profeta diz que não é profeta." 'Abdu'l-Bahá era de facto o líder da - então recém-nascida - Fé Bahá'í, embora ele sempre negasse ser profeta.

Ele pregou a fé fundada pelo seu pai, Bahá'u'lláh, em meados do Séc. XIX, baseada na unidade de todas as religiões. Na época, havia apenas algumas centenas de Bahá’ís nos EUA; hoje existem 150.000. Dia após dia, mês após mês, as multidões em toda a América (muitas vezes na ordem dos milhares) reuniam-se para o ouvir falar. Nas sinagogas, ele elogiou Cristo. Nas igrejas, ele enalteceu os ensinamentos de Maomé. E ao longo das suas viagens a sua presença foi solicitada por luminares como Andrew Carnegie, Alexander Graham Bell e Kahlil Gibran.

Como se explica que 'Abdu'l-Bahá tenha inspirado tantos - esta figura obscura do oriente que passara mais de 40 anos preso devido à sua religião, que nunca frequentara a escola ou fora exposto à cultura ocidental?

Suspeito que tem algo a ver com não apenas com o que ele disse, mas com o que ele fez. "Ele é o único homem no mundo que na sua mesa de jantar reuniu persas, zorastrianos, judeus, cristãos, maometanos,"[sic], escreveu Kate Carew (a Liz Smith daquela época), do New York Tribune. Seguidamente, no artigo, sem a sua típica leviandade, ela descreve a visita 'Abdu'l-Bahá à Missão Bowery no Lower East Side - onde ele entregou pessoalmente moedas de prata para 400 pessoas sem-abrigo.

Durante sua visita aos EUA ele pôs de lado o protocolo social de segregação, insistindo que todos os lugares onde falava ser abertos a pessoas de todas as raças. Isso não agradava às grandes massas daquele tempo. No Great Northern Hotel na Rua 57 (agora o Meridien Parker), o gerente recusou-se veementemente a permitir a presença de negros no local.

"Se as pessoas virem que uma pessoa de cor entrou meu hotel, então nenhuma pessoa respeitável vai voltar a entrar aqui ", disse ele. Então, em alternativa, 'Abdu'l-Bahá organizou uma festa multirracial na casa de um dos seus seguidores, com muitos brancos a servir negros - um subversivo, uma noção perigosa na época.

Apenas entre os seres humanos a cor da pele é causa de discórdia, disse certa vez 'Abdu'l-Bahá. "Os animais, apesar de não possuírem razão e entendimento, não fazem das cores um motivo de conflito. Por que é que o homem, que tem a razão, cria conflito?"

As palestras de 'Abdu'l-Bahá tocaram as audiências com uma simplicidade radical. E mesmo assim ele apresentou ideias com as quais os americanos ainda se debatem um século mais tarde: a necessidade de verdadeira harmonia racial e a igualdade de género, a eliminação de extremos de riqueza e pobreza, os perigos do nacionalismo e do fanatismo religioso, e uma insistência na pesquisa independente da verdade. Já ouvimos falar disto em 2012?

A sua missão de unidade - disseminada por toda a nossa nação há cem anos - deve ser comemorada juntamente com as mensagens de Gandhi, o Dalai Lama e Martin Luther King Jr.


'Abdu'l-Bahá em Brooklyn, 1912


No seu primeiro discurso público nos EUA - na Igreja da Ascensão de Nova York na 5ª Avenida e Rua 10 - 'Abdu'l-Bahá saudou o progresso material da América nas artes, agricultura e comércio, mas advertiu também para o desenvolvimento das nossas potencialidades espirituais.

"Para o homem são necessárias duas asas; uma asa é a força física e a civilização material; a outra é o poder espiritual e a civilização divina; é impossível voar só com uma asa."

A palestra teve lugar no dia 14 de Abril de 1912. Mais tarde, naquele mesmo dia, o Titanic embatia num iceberg.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Baha’is Europeus assinalam Centenário das viagens de 'Abdu'l-Bahá

Os Bahá'ís da Europa têm vindo a comemorar o 100º aniversário das históricas viagens de 'Abdu'l-Bahá ao Ocidente, reflectindo sobre as qualidades do seu carácter único. Em França, Suíça e Reino Unido, grupos de crentes têm estudado a vida de 'Abdu'l-Bahá e debatido como se podem hoje inspirar nos Seus serviços à comunidade que os rodeia.

'Abdu'l-Bahá (1844-1921) foi o filho mais velho de Bahá'u'lláh e Seu sucessor nomeado como o chefe da Fé Bahá'í. Após a Revolução dos Jovens Turcos de 1908, quando todos os presos políticos e religiosos do Império Otomano - incluindo 'Abdu'l-Bahá e Sua família - foram libertados, Ele começou a planear a apresentação, em pessoa, dos ensinamentos Bahá’ís ao mundo, para além Médio-Oriente. Em Agosto de 1911, partiu do Egipto para França, permanecendo primeiro alguns dias em Marselha, antes de ir para Thonon-les-Bains e, depois, para Genebra, na Suíça, durante quatro dias.

Bahá'ís de Bristol reunidos frente à residência ocupada por 'Abdu'l-Bahá quando esteve naquela cidade

ESFORÇOS INCANSÁVEIS

Nos dias 27-28 de Agosto, realizou-se um encontro na Universidade de Genebra para reflectir sobre o significado da permanência de 'Abdu'l-Bahá na Suíça e a sua relevância para o trabalho da comunidade Bahá'í de hoje. "A noção de serviço esteve sempre presente durante todo o fim-de-semana. Nós vimos como o exemplo de Abdu'l-Bahá nos inspira a servir: como Ele estimulou a criação de comunidades, como Ele serviu a humanidade, e influenciou o pensamento público. Estas são as mesmas coisas em que os Bahá’ís estão a trabalhar agora", observou John Paul Vader, membro da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'ís da Suíça.

"O que realmente impressionou a todos foi o facto de 'Abdu'l-Bahá ter sido capaz de empreender uma viagem tão extenuante, numa idade tão avançada", acrescentou o Dr. Vader. "Nós, mesmo em condições muito confortáveis muitas vezes consideramos que viajar, mesmo durante uma hora, é um pouco cansativo - mas vimos como Ele foi incansável nos Seus esforços."

Numa mensagem enviada em Abril deste ano, a Casa Universal de Justiça sublinhava como 'Abdu'l-Bahá, durante as Suas viagens, expôs os ensinamentos Bahá’ís em "casas e salões, igrejas e sinagogas, parques e praças públicas, carruagens de comboio e transatlânticos, clubes e sociedades, escolas e universidades. "

"Para todos, sem distinção - funcionários, cientistas, trabalhadores, crianças, pais, exilados, activistas, religiosos, cépticos - Ele transmitiu o amor, a sabedoria e o conforto, quaisquer que fossem as necessidade de cada um", escreveu a Casa Universal de Justiça.

Na escola Bahá'í anual, realizada em Evian, França, de 27 Agosto a 3 Setembro, os participantes exploraram o significado do que é "seguir o caminho de 'Abdu'l-Bahá", quando falaram sobre as actividades atuais das suas comunidades

"Pensamentos de 'Abdu'l-Bahá estiveram sempre presentes, nas principais palestras e em cada momento artístico", disse Laurence Dia, um dos organizadores da escola. "Percebemos que, seguindo os Seus passos, encontraríamos as forças de que necessitamos, para irmos em frente com os nossos esforços - e ir mais longe"

GLORIOSA MENSAGEM DE UNIDADE

'Abdu'l-Bahá chegou a Londres para uma estadia de quatro semanas, no dia 4 de Setembro de 1911. No Seu primeiro discurso público - dado na igreja City Temple, seis dias após a Sua chegada à cidade - Ele disse à congregação: "A dádiva de Deus para esta época luminosa é o conhecimento da unidade da humanidade e da unidade fundamental de religião ".

Em todo o Reino Unido, grupos de amigos têm vindo a utilizar o centenário como uma oportunidade para estudar a forma de aplicar as lições de 'Abdu'l-Bahá nas suas próprias vidas.

Em 10 de Setembro, na cidade de Reading - por exemplo – os Bahá'ís reuniram-se com os seus vizinhos para estudar as palavras que Ele tinha proferido no City Temple, exactamente 100 anos antes. Um participante, motorista de táxi de Gana, comentou sobre como o amor e a unidade mencionada no "discurso de Abdu'l-Bahá estava presente no espírito deste encontro". Outro vizinho, de origem nepalesa, mencionou a "gloriosa mensagem de unidade" de 'Abdu'l-Bahá.

Num encontro em Epsom, realizada no mesmo dia, a Presidente do Município - Conselheira Sheila Carlson - disse que achava que as crianças em idade escolar deveriam aprender sobre 'Abdu'l-Bahá, juntamente com Martin Luther King e Madre Teresa.

No aniversário da viagem de 'Abdu'l-Bahá para Bristol, 23-25 de Setembro, actores, contadores de histórias e músicos mostraram factos ocorridos no fim-de-semana que Ele passou na cidade e da profunda impressão que causou nas pessoas que encontrou.

A RESPOSTA DE AMOR

Em Londres, uma peça especialmente encomendada, representando a visita de 'Abdu'l-Bahá, vista através dos olhos da sua anfitriã, Lady Blomfield, foi estreada em 15 de Setembro no cenário histórico do Leighton House Museum.

Na audiência estavam pessoas que hoje vivem em Cadogan Gardens 97, o bloco de apartamentos onde 'Abdu'l-Bahá permaneceu durante a Sua visita. Um comentou que foi "maravilhoso aprender um pouco mais da história fascinante da minha casa."

"Foi tão extraordinário encontrar a filha de uma mulher que lá mora e testemunhar o seu espanto com a história espiritual do edifício", disse Sarah Perceval, que escreveu o roteiro e interpretou o papel de Lady Blomfield.

"Toda a gente teve uma resposta tão sincera, esta noite ... Realmente uma resposta de amor", disse ela.

MENSAGEM REAL

Dois dias depois, foram representados extractos da peça, na igreja de St. John, Smith Square, onde a Comunidade Bahá’í deWestminster, se reuniu com os seus amigos, 100 anos depois de 'Abdu'l-Bahá Se ter dirigido a esta congregação, a convite do então Arquidiácono de Westminster, Basil Wilberforce.

Um dos destaques do encontro foi uma mensagem especial enviada pela princesa Helena, bisneta da rainha Maria da Roménia (1875-1938), que foi a primeira personalidade real a abraçar os ensinamentos Bahá’ís.

"Para mim, a mensagem desta grande fé é tão importante hoje como sempre foi", escreveu a princesa Helena. "Numa sociedade cada vez mais secular, onde as forças do mercado, o consumismo desenfreado e o egoísmo são considerados virtudes, a Fé Bahá'í oferece uma forma alternativa de vida, enraizada na propagação da justiça, da unidade e do estabelecimento da paz para trazer prosperidade e bem-estar colectivos

“Historicamente... os mensageiros de semelhante radicalismo, foram considerados subversivos. Isto parece ter sido verdade para 'Abdu'l-Bahá que, por causa da Sua profunda fé na bondade de Deus e na Sua orientação, passou a maior parte da sua vida no exílio.

"Homens inferiores ter-se-iam tornado amargos por estarem separados da sua terra natal, mas isso não aconteceu com Abdu'l-Bahá. Ele escolheu um caminho diferente e tornou-Se um grande embaixador da paz e da justiça, e um hóspede bem-vindo entre todos os povos de boa vontade e fé. Essas pessoas são únicas, inspiradoras e desafiadoras, e nós precisamos de ouvir as suas mensagens de esperança", escreveu a princesa Helena.

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FONTE: European Baha'is mark centenary of 'Abdu'l-Baha's journeys (BWNS)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

'Abdu'l-Bahá em Paris

Faz hoje 100 anos que 'Abdu'l-Bahá chegou a Paris.
Ontem no programa Caminhos, assinalámos este evento.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Recordando a visita de 'Abdu'l-Bahá a Washington D.C.

This segment documents a tour of sites visited by 'Abdu'l-Baha, son of the Prophet-Founder of the Baha'i Faith Baha'u'llah, during his historic visit to Washington D.C. in 1912. The tour ends with the annual Color of Worship celebration at Howard University.

'Abdu'l-Baha DC Tour from Jack On the Road on Vimeo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Recordar o legado de 'Abdu'l-Bahá ao Egipto

Enquanto uma carta aberta dos Bahá’ís do Egipto, apelando a uma reflexão nacional sobre o futuro do país, desperta grande interesse, os debates semelhantes entre os egípcios de 100 anos atrás foram recuperados num livro intitulado Abbas Effendi e recentemente publicado. Esta obra, de autoria de Suheil Bushrui, Professor da Universidade de Maryland, apresenta a história de 'Abdu'l-Bahá a um público moderno de língua árabe, em grande parte desconhecedor de Seu legado para a sociedade.

O livro está disponível em edição impressa e também para download a partir do blog Baha'i Faith in Egypt.

Durante a Sua estadia em Alexandria, entre Setembro de 1910 e Agosto de 1911, 'Abdu’l-Bahá contactou com os egípcios de todas as áreas da sociedade sobre os princípios fundamentais necessários para a construção de uma sociedade pacífica e próspera.

A praça Mohammed Ali, em Alexandria, num postal da época em que 'Abdu'l-Bahá esteve no Egipto
 
"Pensei que era importante apresentar a 'Abdu’l-Bahá, não necessariamente como um líder religioso", disse o professor Bushrui, "mas mais como uma grande mente, que foi capaz de transmitir uma compreensão da importância da religião num momento em que civilização materialista predominava na Europa e na América, e o mundo muçulmano era subjugado por ambições políticas e outras."

"Devo dizer - mesmo para mim que tenho sido Bahá’í durante toda a minha vida - que ao escrever deste livro me tornei muito mais consciente da personalidade única de 'Abdu’l-Bahá e do Seu enorme sucesso na promoção do diálogo cultural e religioso entre os mundos do Oriente e do Ocidente", acrescentou o professor Bushrui.

O livro já recebeu elogios de pensadores árabes contemporâneos, cuja simpatia por 'Abdu’l-Bahá ecoa a dos seus homólogos de há um século atrás.

Edmund Ghareeb, um especialista em assuntos Oriente Médio reconhecido internacionalmente, descreveu o livro como "um trabalho pioneiro e altamente informativo." Segundo o Dr. Ghareeb , "Abbas Effendi é uma peça sabedoria incrivelmente cuidada e informativa, que faz uma importante contribuição para o conhecimento do Oriente Médio num período crucial da sua história moderna, e aumenta consideravelmente o nosso conhecimento sobre este reformador único..."


Numa crítica publicada no jornal libanês As-Safir, o autor Mahmud Shurayh salientou como 'Abdu'l-Bahá "não via nenhum constrangimento em ensinar as mensagens de Cristo e Maomé nas sinagogas judaicas, a mensagem de Maomé nas igrejas cristãs e a mensagem da religião em encontros ateístas, porque ele viu na união do ocidente e oriente um portal para um mundo novo onde reinariam a unidade, ajustiça e a paz."

O conhecido poeta libanês Henri Zoghaib comentou que 'Abdu'l-Bahá foi o primeiro a iniciar um diálogo sério entre as religiões. E acrescentou: "Com este livro descobri a natureza dos ensinamentos que 'Abdu'l-Bahá divulgou sobre a unidade de oriente e ocidente, e da Sua mensagem apelando à unicidade das religiões."

ADMIRADORES PROEMINENTES

Aos 66 anos de idade - e estando livre para viajar depois de uma vida como prisioneiro e exilado - 'Abdu’l-Bahá chegou ao Egipto para descansar um mês, mas acabou por ficar um ano inteiro por motivos de saúde. No entanto, Ele acreditava que tinha uma missão especial a realizar no Egipto, observa o professor Bushrui. "Primeiramente, revivificar a verdade e pureza da fé religiosa - fosse muçulmano ou cristão. E seguidamente, reunir Oriente e o Ocidente."

Numerosos egípcios proeminentes, incluindo o último Kediva do Egipto e Sudão - Hilmi Abbas Pasha - mostravam uma reverência especial pelo líder da Fé Bahá'í. "O jurista e estudioso Muhammad Abduh também admirava muito 'Abdu'l-Baha e escreveu-Lhe uma carta", conta o professor Bushrui. "Quando a ler, pode ver que é de alguém que reconheceu que 'Abdu'l-Bahá tinha uma luz divina especial no seu coração e mente."


May Rihani - sobrinha de Ameen Rihani, o pai fundador da literatura árabe-americana e outro dos admiradores de 'Abdu'l-Bahá - descreveu o livro Abbas Effendi, como uma "dádiva para a humanidade." "Nós precisamos da voz 'Abdu'l-Bahá mais do que nunca nestes actuais tempos de turbulência, de fanatismo religioso, de incompreensões entre as culturas do mundo, e de fácil disposição para o confronto", comentou a Sra. Rihani.


Um século depois, os ecos da voz de ‘Abdu’l-Baha podem ser ouvidos na carta aberta dos bahá'ís egípcios de hoje aos seus concidadãos. A carta afirma que a aceitação do princípio da unicidade da humanidade "exige uma profunda reavaliação de cada um ou nossas próprias atitudes, valores e relações com os outros - e, por fim, uma transformação no coração do homem".

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rua de Camões, nº 4, Paris

Entrámos no Centro Bahá'í de Paris com a esperança de encontrar algum livro ou DVD. Sempre podia haver por ali alguma novidade (ou raridade) editorial que valesse a pena. Depois de sermos recebidos com a cortesia habitual, a nossa anfitriã lançou a pergunta: "Voulez-vous visiter la residence de 'Abdu'l-Bahá à Paris?"

Quem resiste a um convite destes? Eu nem sabia que o local podia ser visitado!

Foi em Paris que surgiu a primeira comunidade Baha’i da Europa Ocidental. Era por Paris que passavam muitos dos peregrinos que no início do século XX iam em peregrinação à Terra Santa, para visitar 'Abdu'l-Bahá. Nos escritos de 'Abdu'l-Bahá sucedem-se as exortações e os conselhos aos Baha’is em Paris. De certa forma, Paris tornou-se o berço da Fé Baha’i na Europa.

Entre 1911 e 1913 'Abdu'l-Bahá visitou a cidade 3 vezes, Numa dessas ocasiões demorou-Se mais quase 10 semanas. Instalou-se num apartamento na Rua de Camões, nº 4. Ali recebia visitantes e proferiu várias palestras que hoje temos registadas no livro "Palestras em Paris".

Em 1996, Armindo Pedro, um Bahá'í português residente em França, descobriu que o apartamento estava à venda e informou a Comunidade Bahá'í de França. Algum tempo depois, A Casa Universal de Justiça deu instruções para a aquisição daquele espaço. E hoje os Bahá'ís podem visitar aquela residência que no território europeu ocupa o terceiro lugar em termos de importância espiritual.

Assim, conhecer aquele apartamento era um convite irresistível.

No dia e hora marcada, entrámos naquele espaço simples e acolhedor. Mantêm-se muitos dos aspectos originais, nomeadamente o soalho, as paredes e as portas. O pouco mobiliário não é original, mas data daquela época. Permite-nos imaginar aquele espaço há 100 anos atrás.

Durante os 90 minutos que ali estivemos apreciámos a dignidade do local, e pudemos fazer as nossas orações. Não pude deixar de me lembrar dos Bahá'ís de Portugal e, pouco depois, quando nos foi oferecido um chá, enviar a muitos dos amigos um SMS especial.

Não resisto em partilhar convosco algumas imagens, apesar de serem de pouca qualidade (foram obtidas com a máquina de filmar).




Jardins do Trocadero. 'Abdu'l-Bahá costumava passear por aqui.


A Torre, vista dos Jardins do Trocadero


O homem que dá nome à rua, também está ali representado


















Livros de Orações disponíveis em muitas línguas

terça-feira, 30 de novembro de 2010

New York Times, 30 de Novembro de 1921

A notícia do falecimento de 'Abdu'l-Bahá, ocorrido dois dias antes, em Haifa.



(clique na imagem para ampliar)

Obtido aqui.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

The Secret of Divine Civilization

An explanation from the Research Department of the Universal House of Justice concerning several questions about the book "The Secret of Divine Civilization", by 'Abdu'l-Bahá

Secret of Divine Civilization UHJ1991June20

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sheik Bahai



O Ministério da Cultura Iraniano anunciou recentemente a realização do Dia da Memória da Arquitectura, um evento cujo objectivo é homenagear o trabalho do Sheik Bahai, um arquitecto persa que viveu alguns séculos antes da religião bahá’í ter aparecido naquele país.

O facto passaria despercebido não fosse um cartaz promocional do evento publicado pelo Ministério da Cultura Iraniano, ter sido impresso com a foto de 'Abdu'l-Bahá como Sheik Bahai. Os cartazes foram afixados na cidade de Kashan.

Quando num regime que se tem dedicado nos últimos anos a perseguir e estrangular financeira e culturalmente a comunidade bahá’í, os funcionários do Estado cometem uma gaffe destas... eu tenho de rir!

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Os envelopes

Mais outra foto conhecida da viagem de 'Abdu'l-Bahá na América. Até há pouco tempo não tinha reparado que algumas das crianças nesta foto têm envelopes nas mãos.


Num domingo de Maio de 1912, 'Abdu'l-Bahá encontrou-se com as crianças que frequentavam a Escola Dominical Baha'i de Chicago. Falou pessoalmente com cada uma delas e, como lembrança, ofereceu a cada uma um envelope com pétalas de flores que tinham estado no Seu quarto. Após esse encontro, levou as crianças ao Lincoln Park . Nessa ocasião foram tiradas algumas das fotos mais conhecidas da Sua viagem aos Estados Unidos. O fotógrafo era A.C. Killius.

Depois de tirar uma foto apenas com as crianças, foi tirada esta com as crianças e os adultos que estavam presentes. Aqui vêem-se claramente os envelopes nas mãos de algumas crianças.

Também presente nesta foto está Grace Robarts (a mulher à direita com um véu na cabeça). Ela cuidava do apartamento onde 'Abdu'l-Bahá estava alojado. Nesta foto, ela tem nas mãos um cesto que continha os envelopes que foram entregues às crianças; no cesto ainda se vêem algumas flores que vieram do quarto de 'Abdu'l-Bahá. O Mestre tinha pedido mais flores para a reunião com as crianças, não fosse dar-se o caso de não haver envelopes suficientes.

Quando fiz a minha peregrinação à Terra Santa há cerca de 15 anos, era hábito oferecer aos peregrinos bahá'ís um envelope com pétalas de flores que tinha estado no túmulo de 'Abdu'l-Bahá ou do Báb. Era uma lembrança simples mas com um significado tremendo para um bahá'í. Naturalmente que ainda conservo essa lembrança. Mas quando soube a história desta foto, não pude deixar de pensar que aquelas crianças tiveram muita sorte em receber aquelas flores das mãos do próprio 'Abdu'l-Bahá.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

A história por detrás da foto

Depois de ter permitido que fossem tiradas fotos com um grupo de crentes e admiradores na visita ao Lincoln Park de Chicago, em Maio de 1912, o fotografo começou a sentir-se à vontade para tirar outras fotos. A foto seguinte foi tirada no momento em que 'Abdu'l-Bahá se debruçava para o fosso onde estava o urso polar no zoo desse parque.



'Abdu'l-Bahá parece fascinado com o animal, mas a expressão da maioria dos Seus acompanhantes sugere uma história diferente. Parecem mais interessados no fotógrafo.

Na verdade, houve aqui uma pequena conspiração. Tinha sido pedido ao fotografo que captasse uma imagem dos cabelos brancos de 'Abdu'l-Bahá, saindo debaixo do turbante e descendo sobre o Seu manto. Pensaram que depois de ver o urso polar, 'Abdu'l-Bahá se voltaria e teriam então o momento para conseguir a foto desejada. Pouco depois desta foto ser tirada, as pessoas que estavam atrás de 'Abdu'l-Bahá recuaram sorrateiramente para permitir que o fotografo montasse rapidamente o tripé e conseguisse a foto pretendida. O Mestre continuou fascinado pelo urso polar até ao momento em que o fotógrafo tirou a tampa da objectiva; nesse momento 'Abdu'l-Bahá voltou-se, riu-se, tocou-lhe com a Sua bengala, estragando-lhe assim o esquema combinado.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Dastam Begir, 'Abdu'l-Bahá

A foto seguinte foi tirada em 1903 por Helen Cobes, durante uma visita a 'Abdu'l-Bahá na Terra Santa. É das fotos mais curiosas conseguidas pelos primeiros peregrinos ocidentais.



Alguns dos primeiros Bahá'ís ocidentais que visitaram 'Abdu'l-Bahá na Terra Santa levaram consigo máquinas fotográficas. Nas fotos dessas primeiras peregrinações encontramos imagens de 'Akká, Haifa e Bahji. No entanto, não encontramos qualquer foto de 'Abdu'l-Bahá; provavelmente Ele queria que aqueles primeiros peregrinos centrassem as suas atenções em Bahá'u'lláh e não em Si próprio.

Em 1903, Helen Cobes foi tão insistente com 'Abdu'l-Bahá, que Ele acabou por dizer que apenas podia fotografar a Sua mão. De regresso aos Estados Unidos, a foto foi partilhada com alguns crentes; alguns chamaram-lhe "A Mão que segura o Mundo"

Naqueles tempos, os Baha'is Americanos que não podiam visitar 'Abdu'l-Bahá na Terra Santa, costumavam enviar fotografias suas para 'Abdu'l-Bahá. Nesta imagem é visível a foto de uma noiva, provavelmente uma dessas primeiras crentes americanas.

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NOTA: "Dastam Begir, 'Abdu'l-Bahá" (Dá-me a tua mão, 'Abdu'l-Bahá) é o titulo de uma canção frequentemente entoada por bahá'ís iranianos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

1918, o ano da ansiedade

Os anos da Primeira Guerra Mundial foram para os baha'is do Ocidente, anos de ansiedade. 'Abdu'l-Bahá vivia na Palestina (que era um província do Otomana); não existiam comunicações com o Ocidente. Apenas se recebiam informações vagas sobre o Mestre. Só havia certeza que Ele corria perigo de vida. Quando Império Otomano (aliado dos impérios Alemão e Austro-Húngaro) começou a dar sinais de evidente fraqueza face aos avanços aliados, as ameaças contra 'Abdu'l-Bahá (que vivia na Palestina) subiram de tom.


'Abdu'l-Bahá, em Haifa, no jardim de Sua casa


No final de 1917 e início de 1918, vários bahá'ís ingleses tentaram interceder junto do governo e do estado-maior inglês para que fizessem todos os esforços com o objectivo de preservar a vida de 'Abdu'l-Bahá. A Sra. Whyte [1], expôs o problema ao seu filho, Frederick Whyte, que era membro do Parlamento britânico. Este por sua vez, escreveu a Sir Mark Sykes, em 25 de Janeiro de 1918:
Recebi uma carta da minha mãe onde ela me diz ter conhecimento que Abdul Baha corre risco de vida em Haifa. O correspondente da minha mãe acredita - como se pode ver na carta em anexo - que podemos fazer alguma coisa para o salvar. Presumo que não necessito de gastar o seu tempo a descrever quem é Abdul Baha, cuja personalidade e trabalho lhe são bem conhecidos. Mas como sabe, ele tem um bom número de seguidores (se lhes podemos chamar assim) neste país; e, em geral, existem várias pessoas, como eu, que estão muito interessadas no seu trabalho e estão preparadas para fazer alguma coisa que garanta que as Autoridades Militares na Palestina estão cientes da sua presença. Sei que em tempos Lord Cruzon ficou muito impressionado com o Movimento Bahai na Pérsia; talvez ele queira interessar-se por este assunto agora[2].

Cartas como esta permitiram tiveram alguma receptividade junto das autoridades britânicas. Uma semana mais tarde a Sra Whyte recebia uma carta do Foreign Office onde se lia:
Recebi instruções do Sr. Secretário Balfour para acusar a recepção da sua carta... e a informar que ele solicitou ao Alto-Comissário do Governo de Sua Majestade para o Egipto que chamasse a atenção das Autoridades Militares Britânicas para a presença de Abdul Baha em Haifa, e pediu-lhes que ele e a sua família fossem tratados com toda a consideração no caso de se dar um avanço das forças britânicas na Palestina.[3]

Entre os bahá'ís do ocidente a ansiedade e a incerteza relativamente ao destino de 'Abdu'l-Bahá manteve-se até Setembro desse ano. Nesse mês, as forças britânicas lideradas pelo general Allenby avançaram na Palestina; em dia 23 de Setembro, tomaram a cidade de Haifa. Encontraram Mestre e a Sua família vivos e bem de saúde. Foi o fim da ansiedade.


Grupo de Cavalaria Indiana entra em Haifa, no final da Primeira Guerra Mundial

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NOTAS
[1] – A Sra Whyte recebera 'Abdu'l-Bahá, em Edimburgo, durante umas das visitas do Mestre à Europa.
[2] – File 16762/W44: FO 3713396, citado em The Bábi and Bahá'í Religions, 1844-1944; Some Contemporary Western Accounts, pag 334.
[3] - Idem.
Sobre os anos da guerra na Palestina ver o post Há 84 anos...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2004

1898: Os Primeiros Peregrinos Ocidentais

Em 1891 um bahá'í persa, Ibrahim Khayru'llah, instalou-se nos Estados Unidos e começou a viajar por várias cidades divulgando a Mensagem de Bahá'u'lláh. Graças ao seu trabalho, no final do séc. XIX, existiam já os primeiros grupos bahá'ís no continente americano. Alguns dos primeiros crentes são recordados e referidos com respeito e admiração pelos bahá'ís de hoje. Nomes como Thornton Chase (o primeiro americano a aceitar a Causa de Bahá'u'lláh) e Lua Getsinger (uma das mais dedicadas crentes americanas, a quem 'Abdu'l-Bahá atribuiu o titulo de Liva – "Estandarte"), encontram-se com facilidade na literatura bahá'í.

Entre as pessoas que tomaram conhecimento da religião Bahá'í devido aos esforços de Lua Getsinger estava a Sra Phoebe Hearst, esposa do senador George Hearst. Em 1898, a Sra Hearst decidiu ir à Terra Santa para se encontrar com 'Abdu'l-Bahá; também resolveu convidar alguns bahá'ís – entre os quais Edward e Lua Getsinger - para a acompanhar nessa viagem.

Este pequeno grupo incluia Helen Goodall, Isabella Brittingham, Lillian Kappes, Arthur Dodge, Edward Getsinger, Howard MacNutt, Paul Dealy, Chester Thatcher, e ainda Robert Tuner, um empregado negro da Sra Hearst. 'Abdu'l-Bahá mostrou sempre um enorme carinho por este último e Tuner tornar-se-ia o primeiro bahá'í afro-americano. Em Paris, um pequeno número de americanos juntou-se aos peregrinos: duas sobrinhas da Sra Hearst, a Sra Thornburgh e a sua filha e também May Bolles. No Egipto, houve ainda outros crentes que se juntaram ao grupo.

No dia 10 de Dezembro de 1898 - passam hoje 106 anos - este pequeno grupo de peregrinos ocidentais chegou a Haifa. Foi a primeira vez que crentes bahá'ís provenientes do Ocidente estiveram frente-a-frente com 'Abdu'l-Bahá; um momento histórico, poucas vezes recordado entre os bahá'ís.


Podemos avaliar o impacto desta peregrinação naqueles crentes, lendo as suas memórias e notas de viagem[1]. São descrições carregadas de emoção e onde transparece o fascinio que 'Abdu'l-Bahá lhes causava. A Sra. Thornburgh escreveu:
«Tomámos, então, um pequeno e miserável barco até Haifa[2]. Também aqui houve uma tempestade e fomos sacudidos sem piedade naquele vapor antiquado. Após a chegada fomos para um hotel, onde permanecemos até anoitecer, pois era muito perigoso - para nós e para 'Abdu'l-Bahá – que estrangeiros fossem vistos a entrar na cidade do sofrimento.

Quando a noite caiu, tomámos uma carruagem que nos levou ao longo da areia dura junto ao «mar para lá do Jordão» que nos levou às portas da cidade-prisão. Ali, o nosso condutor, que era de confiança, arranjou maneira de entrarmos. Lá dentro encontrámos os amigos à nossa espera e subimos umas escadas irregulares que nos levaram até Ele. À nossa frente seguia alguém com uma vela cuja luz projectava sombras estranhas nas paredes daquele local silencioso.

De repente, a luz incidiu sobre uma forma que inicialmente parecia uma visão de luz e bruma. Era o Mestre que a luz nos revelava. O Seu manto branco, o cabelo longo e prateado, e os olhos azuis brilhantes davam a impressão de um espírito em vez de um ser humano. Tentamos dizer-Lhe o quão profundamente gratos estávamos por Ele nos receber. "Não", respondeu Ele, "vocês foram simpáticos por terem vindo..."

Então sorriu e nós reconhecemos a Luz que Ele possuía e o esplendor que emanava da Sua face nobre e elegante. Foi uma experiência espantosa. Nós, quatros visitantes do mundo ocidental, sentimos que a nossa viagem, com todos os seus inconvenientes tinha sido um pequeno preço a pagar por um tal tesouro, enquanto recebiamos o espírito e as palavras do Mestre; para isto tinhamos atravessado montanhas, mares e nações para o encontrar. Assim começou o nosso trabalho de «espalhar os ensinamentos», de «mencionar o nome de Bahá'u'lláh e dar a Sua Mensagem a conhecer ao Mundo» [3]
Alguns peregrinos ficaram com um tão grande fascínio por 'Abdu'l-Bahá que afirmavam ser Ele o regresso de Jesus Cristo. O Mestre corrigiu-os; Ele era apenas o "Servo de Bahá". Passado uns anos a Sra. Phoebe Hearst, que tinha organizado a peregrinação, fez a seguinte descrição:


«Apesar da minha estadia em Acca ter sido muito curta – estive ali apenas três dias – garanto-lhe que esses três dias foram os mais memoráveis da minha vida; e, no entanto, ainda me sinto incapaz de os descrever mesmo que ligeiramente.

Do ponto de vista material tudo era muito simples, mas a atmosfera espiritual que prevalecia no local e se manifestava nas vidas e actos dos crentes, foi verdadeiramente maravilhosa e algo que nunca tinha experimentado. É necessário vê-los para saber que eles são umas pessoas santas.

Não tentarei descrever o Mestre. Afirmo apenas que acredito com todo o meu coração que Ele é o Mestre e que a minha maior benção é ter sido privilegiada por ter estado na Sua presença e ter visto o Seu rosto santificado. A Sua vida é uma vida de Cristo, e todo o Seu ser irradia pureza e santidade.

Sem dúvida que 'Abbas Effendi é o Messias deste dia e desta geração e não necessitamos de procurar outro.» [4]
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NOTAS
[1] - An Early Pilgrimage de May Bolles Maxwell e In Galilee de Thorton Chase são, talvez os mais conhecidos.
[2] – Vinham do Egipto.
[3] – Chosen Highway, pag. 235-236
[4] – Bahá'í World, vol.VII, pag. 801

domingo, 5 de dezembro de 2004

1912: Adeus, America

No dia 5 de Dezembro de 1912 'Abdu'l-Bahá deixava a América. Tinham passado duzentos e trinta e nove dias durante os quais viajara pelas principais cidades americanas, divulgando a Mensagem de Seu Pai. Nem o facto de ter passado praticamente toda a Sua vida preso e exilado o inibia de falar perante o mais diverso tipo de audiências: igrejas, sinagogas, mesquitas, congregações, associações filantrópicas.

Além destas actividades os bahá'ís americanos, nas cidades que visitava, organizavam com regularidade encontros e festejos de recepção ao Mestre. Vários livros de memórias dos crentes desse tempo relatam centenas de episódios reveladores do Seu carácter e do que é o mais perfeito exemplo de vida Bahá'í [1].


Naquele dia 5 de Dezembro de 1912, no porto de Nova Iorque, num dos salões do S.S. Celtic, onde se apinhavam mais de 100 crentes, falou pela última vez aos bahá'ís americanos[2]:

Este é o meu último encontro convosco. Estas são as minhas palavras finais de exortação. Repetidamente vos tenho chamado à causa da unidade do mundo da humanidade anunciando que todos os seres humanos são servos do mesmo Deus... Deveis mostrar a maior generosidade e amor a todas as nações do mundo, pondo de lado o fanatismo, e abandonando os preconceitos de religião, raça e nação… Quem ofende o próximo, ofende a Deus. Deus ama a todos igualmente. Sendo isto verdade, porque deverão as ovelhas lutar entre si? Elas devem agradecer a Deus e manifestar-Lhe gratidão. E o melhor método de agradecer a Deus é pelo amor: deveis amar-vos uns aos outros. Acautelai-vos para que não ofendeis coração algum, nem faleis mal de qualquer pessoa na sua ausência… Fazei todos os esforços para levar alegria aos desanimados, alimentar os famintos, vestir os pobres e glorificar os humildes. Ajudai os desamparados e manifestai benevolência para com os vossos semelhantes...

Empenhai-vos de coração e alma para que, graças aos vossos esforços, a luz da paz universal possa brilhar e as trevas da hostilidade e inimizade se dispersem de entre os homens; que todos os homens se tornem uma só família e convivam em amor e generosidade; que o Oriente possa ajudar o Ocidente e o Ocidente possa levar ajuda ao Oriente; pois todos são habitantes de um só planeta, povo de uma raiz comum, e ovelhas do mesmo rebanho...
[3]


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NOTAS
[1] - O mais conhecido entre nós talvez seja
Portais para a Liberdade de Colby Yves. Mas existem outros como o Diário de Juliet Thompson e Memories of 'Abdu'-Bahá, de Ramona Allen Brown.
[2] - A despedida de 'Abdu'l-Bahá no salão do S.S. Celtic é descrita por Colby Yves no livro "Portais para a Liberdade" (
capítulo 14)
[3] - O texto completo (em inglês) das palavras de despedida de 'Abdu'l-Bahá encontra-se no
Promulgation of Universal Peace.