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sábado, 10 de março de 2018

No tempo de Cristo, eu acreditaria em quê?




Considera o passado. Quão numerosos, nobres e humildes, em todos os tempos, aguardaram ansiosamente o advento dos Manifestantes de Deus na pessoa santificada dos Seus Eleitos. Quantas vezes esperaram a Sua chegada, quantas vezes oraram para que soprasse a brisa da misericórdia divina, e surgisse a Beleza prometida por trás do véu da ocultação, e se manifestasse a todo o mundo. E sempre que os portais da graça se abriram e as nuvens da dádiva divina lançaram chuva sobre a humanidade, e a luz do Invisível brilhou no horizonte do poder celestial, todos eles O negaram e se afastaram do Seu rosto - o rosto do próprio Deus. Para verificar esta verdade, procura aquilo que foi registado em todo o Livro Sagrado. (Bahá’u’lláh, O Livro da Certeza, ¶3)

Nos dias imediatamente seguintes à crucificação de Jesus Cristo, pode ter parecido à maioria das pessoas que Ele tinha sido apenas um impostor, talvez um dos muitos que tinham proferido afirmações semelhantes e que, no fim, receberam o devido castigo. Aparentemente, os poderes existentes saíram vitoriosos: o “Messias” estava morto, os que lhe eram próximos estavam desmoralizados e escondidos; e os que mostraram simpatia pela sua mensagem encontravam-se silenciados e desiludidos.


Essa apreciação, porém, não considerava o verdadeiro poder de Cristo, que nasceu do Espírito Santo, e que não podia ser reconhecido de acordo com os padrões normais. Esse poder espiritual, actuando primeiramente sobre o seu pequeno grupo de discípulos, conseguiu transformar os primeiros Cristãos em gigantes espirituais cujas proezas estabeleceriam com sucesso a nova fé em todos os locais do mundo antigo. E com o passar do tempo, essa mesma força transformaria uma comunidade pequena e perseguida - que primeiramente era uma entre uma multidão de cultos e seitas contemporâneas - numa grande religião mundial. Afinal, Cristo triunfou.

Hoje, milhões de pessoas acreditam que Cristo tinha uma autoridade e um poder vindos de Deus. Os Seus feitos e os dos Seus seguidores - apesar da sua total falta de recursos materiais, autoridade política ou prestígio mundano - são hoje considerados pelos crentes como prova da Sua condição divina.

É importante lembrar que esta perspectiva histórica nos dá uma grande vantagem sobre as pessoas do mundo antigo. Pouquíssimas pessoas nos primeiros dias - até ao século II EC - seriam capazes de prever o futuro que estava reservado para a sua fé.

Provavelmente a seguinte pergunta ocorreu à maioria dos Cristãos e é tema incontáveis homilias e sermões: Em que é que eu teria acreditado se fosse vivo no tempo de Cristo?

É uma coisa séria que nos faz pensar. Quantos de nós teríamos reconhecido nosso Senhor e Salvador, num carpinteiro de Nazaré, durante a Sua vida ou em qualquer momento durante os dois séculos que se seguiram? Teríamos ficado sensibilizados pela história da Sua vida e ensinamentos, ou tê-Lo-íamos desprezado? Teríamos aceitado a explicação dos Evangelhos sobre como Ele cumpriu as promessas dos antigos profetas, ou ter-nos-íamos apegado às nossas próprias noções de como essas promessas deveriam ser cumpridas? Os nossos corações seriam tocados pelo Seu amor, pelo Seu sofrimento e pelo Seu sacrifício; ou, como a maioria dos outros, teríamos ficado indiferentes?

Muitas vezes, estas perguntas levam-nos a outra: se Ele voltasse hoje à terra em circunstâncias semelhantes, seríamos capazes de O reconhecer, ou falharíamos nesse teste?

Os feitos do Báb, a Sua personalidade, os seus ensinamentos e as suas provações apresentam um paralelo notável com a vida de Jesus de Nazaré. O Bab proclamou-se Mensageiro de Deus. Os Seus ensinamentos eram espiritualmente profundos e desafiadores. Durante a Sua própria vida, Ele atraiu para a Sua Causa milhares e milhares de seguidores devotados, muitos dos quais - tal como os primeiros cristãos - demonstrariam com o seu próprio sangue a sinceridade da sua fé.

Jovem, corajoso e dócil, o Báb possuía uma natureza afectuosa que exercia uma influência magnética e transformadora sobre aqueles com quem contactava. Realizou um ministério breve e tumultuoso com uma determinação implacável e - para muitos observadores - com um desprezo quase imprudente pela Sua própria segurança pessoal. Embora não fosse rico e não pertencesse a uma das classes instruídas ou dominantes, Ele - graças ao poder divino da Sua personalidade e da Sua palavra - fundou uma nova fé que desafiou as tradições e os dogmas da ordem existente.

O Báb foi forçado a viajar sem destino ao longo do Seu ministério. Experimentou a adulação das massas, apenas para, no final, vê-las voltarem-se contra Ele. Foi o alvo da ira dos poderes estabelecidos - em especial do clero. Nos últimos meses, foi interrogado pelos mais altos funcionários, religiosos e governamentais, que mais tarde proferiram a Sua sentença da morte. Finalmente, sofreu uma execução pública cruel, recusando-Se até ao fim a renunciar às Suas afirmações ou comprometer a Sua doutrina.

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Kenneth E. Bowers é autor do livro “God Speaks Again” e vive com a família em Chicago. Actualmente é membro da Assembleia Espiritual Nacional ds Estados Unidos

domingo, 10 de julho de 2016

Morrer por alguma coisa? As mortes de Cristo e do Báb

Por Hussein Ahdieh.


Você morreria por alguma coisa? Consegue pensar em alguma coisa - a sua família, as suas crenças, os seus valores, as suas convicções - que tenha mais valor do que a sua vida física?

Neste ano, durante a comemoração do Martírio do Báb, dei comigo a pensar nestas questões e sobre de sacrifício final do Bab. O Báb, o arauto da Fé Bahá'í, deu a Sua vida desejando fazer levar avante vários ideais e trazer ao mundo um novo conjunto de convicções progressistas. Depois, o meu pensamento foi para o martírio de Tahirih - essa grande seguidora do Báb e defensora da emancipação das mulheres - e em seguida, para os outros, incluindo os meus próprios antepassados. Estes incluíam homens válidos que morreram lutando em defesa própria durante os tumultos de Nayriz em 1850 e 1853, e também mulheres, idosos e até mesmo crianças que morreram numa marcha da morte de Nayriz para Shiraz, em 1853. Todos eles seguiam os novos ensinamentos das religiões Bábi e Bahá’í e todos eles sofreram tremendamente pelas suas crenças. Para além destes casos óbvios, testemunhamos agora milhares de Bahá’ís contemporâneos cujas vidas são interrompidas ao ser-lhes negada a assistência médica, ou prejudicadas pela humilhação diária ou negação de acesso ao ensino superior.

Os martírios do Báb e Tahirih foram consentidos. Eles proclamaram um novo sistema de crença que ameaçava a autoridade e política e eclesiástica; e como resultado, foram vítimas de assassinato decretado pelo Estado. Eles aceitaram as suas mortes físicas resolutamente. Depois deles, milhares de Bábis e Bahá’ís morreram com a mesma atitude nas mãos de multidões ou do Estado. A sua conduta espiritual, tal como os mártires cristãos no Império Romano, identificou-os como pessoas comuns que apenas queriam viver pacificamente e seguir uma nova religião. Por causa disso, foram submetidos a horrores indescritíveis.

Local de Martírio do Báb, em Tabriz (Irão)
Mas porque a Fé Bahá'í valoriza a racionalidade acima da obediência cega aos mullahs locais, os Bahá’ís tinham tendência a ser melhor sucedidos do que os seus vizinhos, frequentemente agarrados a processos tradicionais. E porque os princípios Bahá’ís destacam a importância da educação das raparigas, as futuras mães de todos, as gerações seguintes de Bahá’ís floresceram. Isso provocou inveja entre os que ficaram para trás devido à ignorância; e a inveja em grande escala levou a mais perseguições.

Até agora, todas as gerações de Bábis e Bahá’ís no Irão sofreram. Além disso, o nosso sofrimento tem sido voluntário. Poderíamos afastar-nos da nossa Fé. Mas não o fizemos, não o fazemos e não o faremos.

Ninguém sabe o que o futuro pode trazer - que testes e dificuldades irão surgir. Mas sabemos que as qualidades da perseverança e do sacrifício, quando confrontam a adversidade, dão uma nova esperança mundo. Agora, os esforços e as confirmações dos Bábis e dos primeiros Bahá’ís são uma fonte de inspiração. Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá'í, comparou o martírio do Bab ao martírio de Cristo:
Na realidade, não seria exagero dizer que em lugar algum de toda a extensão da literatura religiosa mundial, excepto nos Evangelhos, encontramos algum registo relacionado com a morte de qualquer um dos fundadores das religiões do passado comparável ao martírio sofrido pelo Profeta de Shiraz [o Bab]. Um fenómeno tão estranho, tão inexplicável, confirmado por testemunhas oculares, corroborado por homens de reconhecida competência, e admitido pelo governo, assim como por historiadores não-oficiais entre as pessoas que tinham jurado hostilidade eterna à Fé Bábí, pode ser considerado verdadeiramente como a mais maravilhosa manifestação das potencialidades únicas com as quais tinha sido dotada a Dispensação prometida por todas as Revelações do passado. A paixão de Jesus Cristo, e, na verdade, todo o Seu ministério público, por si só oferece um paralelo com a Missão e morte do Báb, um paralelo que nenhum estudante de religião comparada pode deixar de perceber ou ignorar. Na juventude e humildade do Inaugurador da Dispensação Bábi; na extrema brevidade e turbulência do Seu ministério público; na rapidez dramática com que esse ministério atingiu o seu clímax; na ordem apostólica que Ele instituiu, e na primazia que Ele conferiu a um dos seus membros; na coragem do Seu desafio às convenções rituais e leis consagradas pelo tempo, que tinham sido tecidas pela religião em que Ele próprio tinha nascido; no papel que uma hierarquia religiosa, oficialmente reconhecida e firmemente arreigada, desempenhou como principal instigador dos ultrajes que Ele sofreu; nas indignidades que se acumularam sobre Ele; na brusquidão da Sua prisão; no interrogatório a Que foi submetido; no escárnio derramado, e na flagelação infligida sobre Ele; na afronta pública que Ele aguentou; e, por fim, na Sua suspensão ignominiosa perante o olhar de uma multidão hostil - em tudo isto não podemos deixar de discernir uma semelhança notável com as características distintivas da carreira de Jesus Cristo.

Deve ser lembrado, no entanto, que, além de o milagre associado à execução do Báb, Ele, ao contrário do fundador da religião Cristã, não deve ser apenas considerado como o autor independente de uma Dispensação divinamente revelada, mas também deve ser reconhecido como o Arauto de uma nova Era e inaugurador de um grande ciclo profético universal. Nem o facto importante deve ser esquecido que, enquanto os principais adversários de Jesus Cristo, durante a Sua vida, foram os rabinos judeus e os seus associados, as forças formadas contra o Báb representavam os poderes civis e eclesiásticos combinados da Pérsia, que, desde o momento da Sua declaração até à hora da Sua morte, persistiram, uniram-se e, com todos os meios à sua disposição, conspiraram contra os defensores e difamaram os princípios da sua Revelação. (Shoghi Effendi, God Passes By, p. 56)
Ambos, Cristo e o Báb, morreram voluntariamente por um conjunto de ideais universais centrados no amor, na paz e na unidade. Os Seus sofrimentos e os Seus triunfos deviam fazer-nos perguntar se há alguma coisa pela qual podíamos morrer.

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Texto original: What Would You Die For? The Deaths of Christ and the Bab (www.bahaiteachings.org)

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Hussein Ahdieh nasceu em Nayriz, no Irão. Na sua adolescência foi viver para os Estados Unidos, onde mais tarde estudou História da Europa e concluiu um Doutoramento em Educação. Foi um elemento chave na criação da Harlem Preparatory School, de Nova Iorque; foi director do Programa de Estudos Superiores da Universidade de Fordham. É autor dos livros Abdu'l-Bahá in New York, AWAKENING: A History of the Babí and Bahá'í Faiths in Nayriz e de numerosos artigos e ensaios.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Fortaleza de Chiriq


Fotografia da fortaleza de Chiriq (no Azerbeijão Persa) onde o Báb esteve detido durante vários meses.
Esta foto foi disponibilizada por Ramin Abrishamian, no grupo "Baha'i Studies", no Facebook. Inicialmente esta foto foi colocada na página "Old Tehran Pictures".

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Porque é que os Bahá'ís comemoram o martírio do Báb

Artigo de Brent Poirier publicado hoje no Huffington Post.
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Numa zona rural de New Hampshire, onde vivo com a minha esposa, há uma igreja Congregacional, que remonta ao século XIX. Que relação pode haver entre esta encantadora igreja da New England, com o seu espírito acolhedor e convidativo, e o martírio do Báb na Pérsia há 160 anos, que hoje Baha'is comemoram?

O ministério da Báb - o primeiro dos dois fundadores da Fé Bahá'í - começou em 1844 na Pérsia (actual Irão). "Báb" é um título que significa "porta" ou "portão" em árabe. Nesse ano, o seu primeiro acto foi revelar os significados mais profundos da história de José, uma narrativa que se encontra no livro do Génesis e no Alcorão. José é uma figura profética que cruza várias linhas, sendo reverenciada por judeus, cristãos, muçulmanos e bahá'ís.

Mesmo se considerado como um acontecimento histórico, a história de José e os seus irmãos é uma das histórias mais comoventes na literatura mundial - uma história de superioridade espiritual e da inveja que gerou; de traição e de perdão; de reconciliação e de paz.

Resumidamente, os irmãos de José pediram ao pai que lhes confiasse José, prometendo cuidar dele. Invejosos do seu favor aos olhos do pai, eles colocaram-no num poço e, posteriormente, venderam-no como escravo. Anos mais tarde, durante um período de fome, eles foram ao Egipto para comprar comida. Durante esses anos José sofreu, mas acabou por ascender a uma posição de destaque sendo responsável pelos armazéns de alimentos. Os irmãos entraram na presença de José, mas não o reconheceram. José ofereceu-lhes pão; eles foram novamente à sua presença e ele deu-se a conhecer. Por fim, eles reconheceram-no. Feliz por se reunir com os seus irmãos, ele disse-lhes para não se zangarem; abraçou-os e chorou.

Gostaria de partilhar o meu entendimento pessoal sobre o significado desta história. "Com efeito, na história de José e seus irmãos há mensagens para todos os que buscam a verdade" (Alcorão 12:8).

Eu entendo essa história como simbolizando o maior de todos os acontecimento na Terra: a sucessão de mensageiros, a quem Bahá'ís chamam Manifestantes de Deus, que vem à terra ao longo dos tempos para levar a Palavra de Deus renovada. A promessa dos irmãos de José ao seu pai para cuidar de José simboliza a Grande Aliança entre Deus e a humanidade - a promessa de Deus de enviar esses guias espirituais, e a promessa da humanidade a Deus para tratar dignamente os Seus Manifestantes, e para ouvir os seus conselhos. E embora a humanidade aguarde ansiosamente o seu aparecimento, quando os Manifestações de Deus surgem, a humanidade não os reconhece, rejeita-os, e persegue-os. Por fim, eles são reconhecidos, e assumem o seu lugar de proeminência.

O ponto central é o reconhecimento: Na história, os irmãos não reconhecem as características físicas de José, mas o significado é muito mais profundo. A humanidade não reconhecer facilmente os seus maiores benfeitores - não sem primeiro sofrer devido à falta de orientação. Os mesmos elementos encontram-se na história do fracasso dos discípulos em reconhecer Jesus Cristo, nas narrativas pós-ressurreição, como na estrada de Emaús, no último capítulo do Evangelho de Lucas.

Há um outro significado, e esta é especificamente uma interpretação Baha'i. O Bab anunciou a vinda do "Verdadeiro José", outro Manifestante de Deus, Bahá'u'lláh, que em breve Lhe iria suceder e sofrer nas mãos do Seu irmão. Detido numa masmorra em Teerão, conhecida como o Buraco Negro, Bahá'u'lláh, o Fundador da Fé Bahá'í, tentou "despertar o mundo e unir todos os que habitam na terra". Na verdade, as escrituras bahá'ís vêem isso como a missão de cada Manifestante Divino. Bahá'u'lláh escreveu: "Os Mensageiros de Deus foram enviados, e seus livros foram revelados, com o objectivo de promover o conhecimento de Deus, e de promover a unidade e a comunhão entre os homens."

A Pérsia naqueles dias estava tomada pelo zelo milenarista - e isto leva-me de volta à igreja na nossa comunidade. O pastor dessa igreja deixou o púlpito em 1844 para se juntar aos Milleritas, um grupo de antevia o regresso de Cristo vindo dos céus em 1843 ou 1844, com base na profecia de Daniel de 2.300 dias. O ano de 1844 coincidiu com as profecias de 1.260 dias encontrado no livro do Apocalipse, e o ano de 1260 no calendário islâmico, desconhecido para eles. As profecias judaicas, cristãs e muçulmanas coincidiam.

Em 1850, os principais seguidores do Báb, tinham sido todos mortos, e o próprio Báb estava preso. Em 9 de Julho desse ano, em circunstâncias notáveis narradas em detalhe aqui, o Báb foi condenado à morte por fuzilamento.

Até ao fim, o Báb falou com coragem e mostrou uma grande ternura. Ele escrevera: "O caminho para a orientação é de amor e compaixão, não de força e coerção". Vou reflectir sobre estes aspectos, neste dia solene: Coragem em afirmar a verdade de Deus a um outro, tal como o vemos, e gentileza em dar a plenitude dos nossos corações uns aos outros, mesmo quando somos mal compreendidos. Podemos procurar o significado mais profundo de outras Escrituras, e ver a sua base em comum?

José abraçou os seus irmãos e chorou. Também deveremos nós vaguear por terras distantes durante mais anos de conflito antes de nos abraçarmos e chorarmos? Ou podemos seguir o conselho dos Livros Sagrados, e o exemplo de José, e esforçamo-nos, segundo as palavras de Bahá'u'lláh, para "revivificar o mundo, enobrecer a sua vida, e regenerar os seus povos"?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

quinta-feira, 28 de julho de 2005

O Desterro do Báb em Mah-Ku (2)

Em Julho de 1847, a decisão do primeiro-ministro persa de isolar o Báb no forte de Mah-Ku teve um efeito inesperado. Longe do contacto com familiares e crentes, o Báb teve a tranquilidade necessária para revelar e registar os Seus ensinamentos. Até à data do Seu encarceramento, o Báb tinha revelado o equivalente a cinco mil versículos. Muito desses escritos tinham sido destruídos por pessoas com medo do que lhes pudesse acontecer no caso de serem apanhados com esses documentos na sua posse.

O primeiro Babi a chegar a Mah-Ku deixou um relato da forma como eram revelados os escritos no forte:
"A voz do Báb, enquanto Ele ditava os ensinamentos e princípios da Sua Fé, podia ser claramente ouvida por aqueles que moravam perto da montanha. A melodia da Sua entoação, o fluxo rítmico dos versículos que emanavam dos Seus lábios, captava nossos ouvidos e penetrava na nossa própria alma. A montanha e o vale ecoavam a majestade da Sua voz. Os nossos corações vibravam até às profundezas com o apelo das Suas palavras."[1]


Ruínas da Fortaleza de Mah-Ku, onde o Báb esteve desterrado durante nove meses.

Durante aqueles meses, o Báb revelou nove comentários ao Alcorão; também foram escritos várias epístolas ao Xá Muhammad, a vários clérigos das principais cidades persas e ainda de Najaf e Kerbala. Foi também durante esse tempo que foi revelado um trabalho intitulado "As Sete Provas", o Bayan Árabe e o Bayan Persa (este último contém oito mil versículos e é o livro mais importante da religião Babi) [2].

No Bayan (em português, "Expressão" ou "Elocução"), o Báb revoga as leis islâmicas relativas a práticas como oração, jejum, casamento, divórcio e herança, apesar de afirmar repetidamente a divindade de Maomé. Além disso revela um conjunto de leis e afirma repetidamente que quando aparecer "Aquele que Deus tornará Manifesto", Ele poderá aprovar ou alterar as leis reveladas no Bayan. O livro contém explicações sobre termos teológicos como Paraíso, Inferno, Morte, Ressurreição e Juízo Final. Neste livro, o Báb não nomeia qualquer sucessor ou intérprete dos Seus ensinamentos.

Foi também durante o exílio em Mah-Ku, que o Bab recebeu a visita de Mulla Husayn, o Seu primeiro discípulo[3]. Este vivia em Mashad, na província de Khurasan - no extremo nordeste da Pérsia - e decidira viajar a pé até Mah-Ku[4]. Vários crentes em Mashad tentaram persuadi-lo a viajar a cavalo ou numa caravana. Mulla Husayn manteve sempre a sua decisão e apenas permitiu que um crente o acompanhasse. A viagem decorreu sem incidentes; foram sempre recebidos por babis nas várias vilas e cidades por onde passavam; em Teerão, encontrou-se com Bahá'u'lláh.

Na véspera do Naw-Ruz[5] de 1848, estava apenas a um dia viagem de Mah-Ku. Nessa noite, o comandante do forte teve um outro sonho misterioso. Nesse sonho, o Profeta Maomé e um dos Seus companheiros vinham visitar o forte de Mah-Ku. ‘Ali Khan viu o Profeta aparecer na ponte sobre o rio que banha a vila de Mah-Ku; lançou-se aos Seus pés e beijou o manto. Acordou em sobressalto. Vestiu a sua melhor roupa e apressou-se para a ponte. Ao romper do dia, avistou dois vultos (Mulla Husayn e o seu companheiro) sobre a ponte. E tal como no sonho, acreditou tratar-se do Profeta e um dos Seus companheiros; ajoelhou-se e beijou a roupa de Mulla Husayn. Com todo o respeito e humildade e ofereceu-se para os levar a cavalo até ao forte; mas Mulla Husayn quis concluir a caminhada no forte.


Ruínas da Fortaleza de Mah-Ku, onde o Báb esteve desterrado durante nove meses.

O Bab recebeu calorosamente Mulla Husayn e decidiu celebrar aquele Naw-Ruz com aquele Seu primeiro discípulo e os Seus secretários. Com a crescente admiração de 'Ali Khan pelo Báb, foi fácil conseguir autorização para que Mulla Husayn pernoitasse no forte. Durante nove dias, Mulla Husayn permaneceu no forte; teve muitas e prolongadas conversas com o Báb. O Báb foi aconselhando Mulla Husayn sobre as formas de divulgar a nova religião e as cidades que devia visitar. Um dia disse-lhe:
"Os dias da tua estadia nesta região aproximam-se do fim... Alguns dias depois da tua partida deste local, transferir-Nos-ão para outra montanha. Quando chegares ao teu destino, as notícias da Nossa partida de Mah-Ku chegar-te-ão."[7]
Aqueles nove dias foram o último encontro entre Mulla Husayn e o Báb. Durante a despedida o Báb profetizou ainda alguns actos heróicos que viriam a ser cometidos por Mulla Husayn. Dias mais tarde, o primeiro-ministro ordenou que o Báb fosse encarcerado em Chiriq, uma outra fortaleza do Azerbaijão persa.

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NOTAS
[1] - The Dawnbreakers, pag. 249.
[2] - Para ter uma ideia do volume do texto é importante ter presente que o Alcorão possui 6616 versículos.
[3] - Ver O Primeiro Acto.
[4] - A distância entre os dois locais é cerca de 1600 Km.
[5] - O ano novo persa, que se celebra em 21 de Março.
[6] - Sobre este sonho e este tipo de experiências ver comentário num post anterior.
[7] - The Dawnbreakers, pag. 259.

sexta-feira, 5 de novembro de 2004

Na Cidade de ‘Abbás, o Grande

No Outono de 1846, a fama do Báb na cidade de Shiraz incomodava profundamente o clero muçulmano. O governador da cidade, sensível às preocupações da hierarquia religiosa dominante estimulou a repressão contra a recém-nascida comunidade Babí. Alguns crentes e familiares do Báb começaram a ser ameaçados; outro viram os seus bens saqueados. O povo de Shiraz foi avisado que se uma única folha dos escritos do Báb fosse encontrada na posse de alguém, as consequências seriam muito severas.

O Báb decidiu então mudar-se para Isfáhan[1]. Conhecida também como a Cidade de 'Abbás, o Grande, Isfáhan tinha sido a capital da Pérsia nos tempos da dinastia Safavid (1501-1732). O Xá 'Abbás é recordado entre os persas como um dos seus mais ilustres monarcas dessa dinastia, e, também, por ter expulso os portugueses do golfo pérsico. Na cidade existem ainda vários edifícios e monumentos imponentes que datam do reinado de 'Abbás.

Naquela época, a cidade já tinha perdido o esplendor de outros tempos. O governador era um eunuco de origem georgiana, Manuchihr Khan. Tinha sido vendido como escravo em criança e educado como muçulmano. Como muitos outros eunucos, tornou-se funcionário governamental. As suas qualidades pessoais levaram-no a ser merecedor da confiança do Xá e a ser nomeado governador da província de Isfáhan. Era temido pela sua crueldade, mas reconheciam-lhe a justiça e a capacidade de proteger os mais fracos.

Quando o Báb se ia aproximando da cidade de Isfáhan, escreveu uma carta ao Governador Manuchihr Khan solicitando-lhe que indicasse o local onde pudesse viver. Sensibilizado com a cortesia e o estilo da carta do Báb, o Governador deu ordens ao mais importante líder religioso da província, o Imam Jumih, para receber o Báb na Sua casa e acolhê-Lo de forma calorosa e generosa. Ordenou ainda a várias pessoas que tratassem de escoltar o Báb.

Na época, já existia em Isfáhan um número considerável de Bábís. Durante a estadia do Báb em Isfáhan, a Sua fama espalhou-se ainda mais por toda cidade. Todos os dias uma multidão de pessoas vinha vê-Lo e ouvir as Suas palavras. Existem relatos de vários episódios passados nesses dias em Isfáhan; desde as pessoas que queriam guardar a água usada pelo Báb antes das suas orações, até aos comentários sobre capítulos do Alcorão revelados em resposta a pedidos de alguns clérigos.

A crescente popularidade do Báb, começou a incomodar o clero da cidade, que ficava com medo de perder o seu prestígio e poder. Começaram a espalhar rumores sobre Ele, na esperança de levantar suspeitas a Seu respeito. Com os boatos e as acusações crescentes contra o Jovem de Shiraz, o Governador, preocupado com a situação, decidiu convocar uma reunião com o clero muçulmano e o Báb. Nessa reunião foram-Lhe colocadas várias questões; abordavam assuntos como a filosofia, a teologia, e a jurisprudência islâmica. O Báb respondeu a todas em termos simples, mas eloquentes.

Manuchihr Khan, que assistiu à reunião e impediu que os clérigos avançassem com insultos contra o Jovem, percebeu que os sacerdotes não se iam dar por vencidos. Após a reunião convidou o Báb a mudar-se para a sua própria residência e a ficar sob sua protecção pessoal. Na verdade, alguns dias após essa reunião, os clérigos muçulmanos reuniram-se e decretaram a pena de morte para o Báb.

Em casa, durante longas horas de conversa com o Báb, Manuchihr Khan começou gradualmente a compreender a grandeza da Sua Revelação. Um dia, quando estava sentado com o Báb no jardim da sua casa, o Governador dirigiu-Lhe estas palavras:


"O Todo-Poderoso dotou-me de grandes riquezas. Não sei como melhor usá-las. Agora que fui levado, pela ajuda de Deus, a reconhecer esta Revelação, é meu ardente desejo consagrar todas os meus bens à promoção dos Seus interesses e à difusão do Seu Nome. É minha intenção dirigir-me, com a Vossa permissão, a Teerão, e fazer todo possível para que Xá Muhammad, cuja confiança em mim é firme e inabalável, aceite esta Causa."[2]
A esta demonstração de fé e devoção, o Báb respondeu:

"Que Deus vos recompense pelas vossas nobres intenções. Tão elevado propósito é para Mim ainda mais precioso do que o próprio acto. No entanto, os vossos dias e os Meus estão contados; são demasiadamente curtos para ser possível que Eu os presencie e para permitir que atinjais a realização das vossas esperanças. Não será pelos meios que vós ingenuamente imaginais que uma Providência omnipotente conseguirá o triunfo da Sua Fé. Por intermédio dos pobres e humildes desta terra, pelo sangue que eles derramarão no Seu caminho, é que o Soberano Omnipotente assegurará a preservação e a consolidação dos alicerces da Sua Causa. Esse mesmo Deus, no mundo vindouro, colocará sobre a vossa cabeça a coroa de glória imortal e derramará sobre vós as Suas bênçãos inestimáveis. Da duração da Vossa vida terrena restam apenas três meses e nove dias, após os quais, com fé e certeza, vos apressareis à vossa morada eterna."[3]
Três meses e nove dias mais tarde, o governador faleceu tal como o Báb havia predito. Poucos dias depois da sua morte, o seu sucessor enviou uma mensagem ao Xá em Teerão perguntando-lhe o que deveria fazer com o Báb. O Xá ordenou-lhe que enviasse o Báb, disfarçado, para a capital, onde pretendia encontrá-Lo. Assim, acompanhado por uma escolta montada, o Báb iniciou Sua viagem para Teerão.

Aqueles quatro meses que o Báb passou na residência privada do Governador de Isfahan, foram os mais tranquilos do Seu ministério.




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NOTAS
[1] – Sobre Isfahan, ver tambem esta página no Iran Chamber.

[2] – The Dawnbreakers, pag. 107
[3] – The Dawnbreakers, pag. 107-108

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

O Nascimento do Báb

No dia de hoje, os bahá'ís em todo o mundo celebram o nascimento do Báb; é um dos onze feriados do calendário bahá'í. O Báb é frequentemente referido como o Arauto da Fé Bahá'í. Tal como João Baptista, há cerca de 2000 anos, o Báb apelou aos povos que se purificassem para a vinda do dia de Deus. Mas ao contrário de João Baptista, Ele fundou uma religião e afirmou possuir um estatuto semelhante a Moisés, Jesus ou Maomé. Na literatura bahá'í, estes profetas fundadores das grandes religiões mundiais, são referidos com a expressão Manifestantes de Deus; alguns autores referem o Báb e Bahá'u'lláh, como "Manifestantes Gémeos de Deus", devido à sua proximidade temporal.



Não são conhecidos muitos detalhes sobre as circunstâncias do nascimento do Báb. Sabemos que Ele nasceu no dia 20 de Outubro de 1819, em Shiraz. O Seu nome próprio era 'Alí-Muhammad; era filho de Muhammad-Ridá, um comerciante de Shiraz, e de Fátimih-Bagum. Tanto o pai como a mãe eram descendentes de Maomé. Quando o Báb era ainda criança o seu pai faleceu e Ele foi entregue aos cuidados de um tio materno, Hájí Mírzá Siyyid 'Alí; esse tio seria o único dos Seus familiares que aceitaria abertamente a Sua Causa durante a Sua vida.

Em contraste com a pouca informação relativamente ao Seu nascimento, existem muitas histórias relativas à Sua infância, onde se podem traçar vários paralelismos com episódios relatados pelos Evangelhos sobre a juventude de Jesus. Por exemplo, quando o Báb foi para a escola, o professor ficou maravilhado com a Sua sabedoria e inteligência, e enviou-O de volta para o tio, dizendo que nunca tinha ensinado um aluno tão dotado. O tio ordenou-Lhe que estivesse calado e ouvisse o professor com atenção, mas com o passar do tempo, o mestre-escola sentia-se mais aluno do que professor.

Outros relatos o carácter extraordinário do Báb e o muito tempo que passava em oração. É difícil duvidar que não fosse uma criança prodigiosa. Alguns dos que O conheceram naqueles primeiros anos tornaram-se Seus seguidores e pouco se surpreenderam com o desenrolar dos acontecimentos que O tiveram como protagonista.



As semelhanças entre o Báb e Jesus são frequentemente referidas com uma certa admiração. William Sears, um autor bahá'í, refere, por exemplo que ambos eram conhecidos pela sua generosidade. Ambos condenaram a corrupção das autoridades religiosas e certos hábitos sociais. Foram ambos perseguidos pelas autoridades religiosas, sendo ambos interrogados e espancados. Ambos começaram por entrar em triunfo na cidade onde seriam mortos. Ambos proferiram palavras de confortos para os que iam morrer com eles.

Resta ainda dizer que as comunidades bahá'ís, um pouco por todo o mundo, celebram este dia de diversas maneiras. A maioria destas celebrações iniciam-se com leituras de orações e leituras das escrituras, seguindo-se um momento de confraternização. São celebrações abertas a qualquer pessoa.

sábado, 22 de maio de 2004

O Primeiro Acto

Todas as religiões têm o seu "primeiro acto". Trata-se do primeiro momento de uma fantástica cadeia de eventos que vão revolucionar a história da humanidade. Esse primeiro acto assume muitas vezes características místicas e passa-se geralmente entre gente humilde.

No religião Judaica podemos considerar que o primeiro acto se desenrola com o nascimento de Moisés, o seu abandono nas águas e a sua adopção pela família do faraó; na religião Cristã, temos o nascimento de Cristo em Belém com a adoração dos Magos e, posteriormente, a fuga para o Egipto; no Islão, descreve-se a aparição do Anjo Gabriel ao Profeta numa gruta. A religião Bahá’í também tem o seu primeiro acto; aconteceu na cidade de Shiraz, na Pérsia, na noite de 22 para 23 de Maio. Estávamos no ano de 1844.

Seguindo as instruções de um professor de uma escola teológica messiânica, o estudante Mullá Husayn dirigiu-se a Shiraz. Chegou à cidade ao entardecer; a viagem deixara-o cansado, sujo, suado e com fome. Às portas da cidade contemplou as cúpulas das mesquitas e pensou em qual poderia orar a Deus para Lhe suplicar que o guiasse ao Prometido.

Enquanto caminhava, um jovem de turbante verde – sinal de que se tratava de um descendente de Maomé – dirigiu-se a ele. Sorridente cumprimentou-o e abraçou-o como se Mullá Husayn fosse um irmão que não via há muito tempo. Pensou que se pudesse tratar de um companheiro de escola que o tivesse reconhecido. Tratava-se de 'Ali-Muhammad, que ficaria conhecido como "O Báb" (em português, "A Porta"). O Báb convidou-o a ficar em Sua casa; podia comer, refrescar-se e descansar da viagem. A gentileza, a dignidade e a própria maneira de falar do Báb despertaram a atenção de Mullá Husayn. Decidiu aceitar o convite.

Depois de tomar um chá, e terem feito as orações da tarde, o Báb começou a fazer-lhe perguntas: Quem era ele? O que fazia na vida? Porque viajava? Mullá Husayn explicou que era aluno de uma escola religiosa e que andava à procura do Prometido. O seu professor, antes de morrer, tinha dado instruções aos alunos para que se espalhassem pela Pérsia na procura do Prometido.

"O vosso professor deu-vos algumas indicações detalhadas sobre as características do Prometido?" perguntou o Báb.

"Sim", respondeu Mullá Husayn, "sabemos que é descendente do Profeta, deve ter entre 20 e 30 anos, tem conhecimento inato, não fuma e não tem qualquer deficiência física".

Houve uma breve pausa no diálogo. Depois numa voz firme e cativante o Báb disse:

"Vê! Todos esses sinais se manifestam em Mim!"

"Mullá Husayn ficou chocado. O Báb explicou-lhe de que forma os sinais se aplicavam a Ele; mas Mullá Husayn contra-argumentou. Simultaneamente sentia uma mistura de medo e excitação percorrer-lhe o corpo. Lembrou-se então que o seu professor lhe tinha dito que o Prometido lhe daria uma explicação sobre o Sura de José (um capítulo do Alcorão). Para seu grande espanto o Báb disse-lhe:

Agora é chegado o momento de revelar um comentário ao Sura de José". E pegando numa caneta e papel, começou a escrever e entoou as seguintes palavras: "Todo o louvor a Deus que, através do poder da Verdade, fez descer este Livro ao Seu servo, para que sirva como uma luz brilhante para toda a humanidade..." Mullá Husayn ficou siderado com as palavras que ouviu; começou a ter consciência do que se estava a passar. O Prometido estava diante de si, a escrever o que entoava com enorme rapidez.

Quando concluiu o comentário, passavam duas horas do pôr do sol; o Báb disse então ao seu convidado: "Esta noite, esta própria hora, serão celebradas nos dias vindouros como um dos maiores e mais significativos festivais. Agradece a Deus por te ter graciosamente ajudado a alcançar o desejo do teu coração, e por teres sorvido do vinho selecto da Sua palavra."

Durante toda a noite comeram, oraram, e o Báb foi revelando mais palavras sagradas. Passadas algumas horas ouviram ruído vindo do exterior; a cidade acordava ao som dos apelos vindos dos minaretes das mesquitas que chamavam às orações matinais. O Báb encontrara o Seu primeiro discípulo. Terminava ali o primeiro acto.

Nas semanas seguintes, outros discípulos viriam a reconhecer o Báb; esses primeiros encontros tiveram sempre uma certa carga mística. O último do primeiro conjunto de discípulos foi Quddus.

Nessa mesma noite em que o Báb revelou a Sua Missão, em Teerão, nascia 'Abdu'l-Bahá, o filho de Bahá'u'lláh.
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ALGUMAS NOTAS:

1 - O texto completo do comentário ao Sura de José revelado pelo Báb naquela noite encontra-se na Bahá'í Library Online neste link.
2 - O livro Dawn-Breakers(a narrativa de Nabil) relata a vida do Báb e dos Seus primeiros discípulos; está disponível na Bahá'í Library Online neste link.
3 - O livro The Bab, de Hasan Balyuzi é o meu relato preferido sobre a vida do Báb e os primeiros crentes (mas isto é uma opinião muito pessoal!).